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18/06/2009

Boletim do IHP, Ano III, Números 6 e 7
Janeiro/Junho/2009

CIDADE IMPERIAL

Carlos Alberto da Silva Lopes (Calau Lopes)

Aproveito esse número de nosso Boletim para alertar sobre uma história, propalada aos quatro ventos, de que Petrópolis é “a única Cidade Imperial do Brasil” ou, ainda, “a única Cidade Imperial das Américas”. Isto não passa de enorme balela e que, portanto, não deve ser repetida.

Só para citar, na América do Sul, temos a Ciudad Imperial, no Chile, e a Vila Imperial de Potosi, na Bolívia, títulos esses concedidos por Carlos V.

Já Cidade Imperial, em terras brasileiras, foi título conferido por decreto a alguns centros urbanos durante o Império do Brasil, destacando-se: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Ouro Preto (então Vila Rica - MG), Itu (SP), Montevidéu (quando capital da Província Cisplatina), Niterói (RJ), São Luís do Paraitinga (SP) e Belém (PA).

Também foram concedidos os títulos de Imperiais Cidades Provisórias a cidades que receberam o imperador e passaram a ser capital provisória do Império, até a partida do monarca. Dentre essas, aponto: João Pessoa (então Parnaíba do Norte) – por conta da estada de D. Pedro II do Brasil, de 24 de dezembro de 1859 a 30 de dezembro de 1859; Teresina – por conta da presença da corte real na cidade, considerada também a primeira cidade planejada do país (?), para sua inauguração, cujo nome é uma homenagem à Imperatriz Teresa Cristina.

Já os títulos de Fazendas Imperiais foram, por sua vez, destinados às propriedades rurais pertencentes à família imperial, como a Fazenda do Córrego Seco, berço do nosso município. Tratavam-se de grandes latifúndios, cujas áreas foram colonizadas, progressivamente, dando origem a centros urbanos que perduram até hoje, como: Petrópolis — apenas na qualidade de Fazenda Imperial e residência de veraneio da família imperial, por ocasião do Decreto n.º 155 de 16 de março de 1843; Vassouras — na qualidade de Fazenda Imperial e centro cafeicultor do Vale do Paraíba durante o Império.

Petrópolis recebeu o título de Cidade Imperial somente em 26 de março de 1981 (Decreto n.º 85.849), durante o governo João Baptista de Figueiredo, como que a reparar uma injustiça histórica. Particularmente, orgulho-me de ter contribuído decisivamente - à época como vereador e presidente da Câmara - para essa exitosa titulação (sim, porque à parte qualquer discussão não há cidade mais merecedora de tal honraria), como também na luta pela preservação do rico patrimônio natural e cultura do município. Luta essa que deve ser contínua por todos que gostam dessa terra e reverenciam seus valores.

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