digitação utilizada para inclusão no site:
12/02/2008
Texto integral. Imagens acrescentadas.

Anais do Museu Histórico Nacional
n.º 40 – 2008
publicado com omissões, independentes da vontade do autor.

A Imperatriz Dona Leopoldina - Sua presença nos Jornais de Viena e a sua renúncia à coroa imperial da Áustria - (parte 3/3) (parte 1/3, 2/3)

Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança

O grande baile foi adiado para o domingo dia 1º de junho. Um desastre. A comida destinada para milhares de hóspedes estragaria. Marialva decidiu enviar, como presente, todos os alimentos para os hospitais e para os pobres do bairro de St. Marx. Um prejuízo enorme. Além disso também a partida para Livorno teve que ser adiada.

A saída estava fixada para o dia 29. O tempo ia ficando estreito, pois Leopoldina, “a brasileira”, desejava permanecer ainda algum tempo junto dos seus parentes em Parma e em Florença.

Finalmente chegou o momento da grande festa. Em junho o tempo é bastante estável em Viena, mas a sorte não ajudou. Chovia a cântaros!

Marialva, que tanto se havia empenhado na missão, não merecia um tal final.

O “Österreichischer Beobachter” n.º 180 de 12 de junho de 1817, nos fornece uma descrição dos preparativos e do desenrolar do acontecimento: “Nós prometemos aos nossos leitores uma ampla descrição do maravilhoso baile, que Sua Excelência o Embaixador Extraordinário de Sua Majestade Fidelíssima, Marques de Marialva, ofereceu por ocasião do casamento de Sua Alteza Imperial a Sereníssima Arquiduquesa Leopoldina, com Sua Alteza Real o Príncipe Herdeiro de Portugal, Brasil e Algarve, domingo 1º deste mês no Imperial e Real Jardim do Augarten .


Palácio de Augarten, na época do casamento de Dona Leopoldina.
(Gravura. Coleção do autor)

Para a preparação da mesma o Senhor Embaixador se valeu da orientação do Membro da Academia das Belas Artes, Senhor Carl Moreau, arquiteto aconselhado por Sua Alteza Sereníssima o Príncipe Nicolas Esterhazy de Galantha. Será útil fazer uma pequena descrição do plano, realizado pelo famoso arquiteto, sobretudo para pessoas que não conhecem o Augarten.

Da entrada desse jardim uma ampla alameda conduz a um pátio quadrado. Em frente se encontra o velho Pavilhão de Recreio, uma construção térrea alongada, em cujo centro um corredor conduz ao jardim. À direita e à esquerda dessa passagem encontram-se duas salas e em seguida dois grandes salões .

Atrás do Pavilhão encontra-se uma grande praça de forma semicircular limitada pelo jardim.

À esquerda desse largo, o qual por sua vez, à sua direita é circundado por espessas árvores, uma alameda conduz até o Danúbio. No espaço livre foi realizado um majestoso templo com um pórtico com seis colunas e a entrada na praça que era circundada de vasos, foi levantado um portal em estilo dórico. O templo está colocado sobre uma imponente base a qual é interrompida, no meio, por uma grande escadaria ladeada por duas estátuas colossais. No arco de ingresso estavam colocadas as armas dos Sereníssimos Noivos, aos quais era dedicada a festividade.

Todo o templo e as salas adjacentes eram esplendidamente iluminadas por milhares de lâmpadas, as quais, tendo um fundo dourado, brilhavam como pedras preciosas.

Nos dois lados do templo situavam-se duas aberturas cobertas, destinadas a entrada e saída das carruagens dos hóspedes.

Ao deixar a carruagem se estava diante de uma antessala circundada de colunas através das quais se tinha acesso à verdadeira construção do Pavilhão.

Nesta passagem se ficava inebriado com uma verdadeira floresta com milhares de flores exóticas. À direita e à esquerda desse corredor se encontravam as duas grandes salas do velho Pavilhão. Em paralelo às mesmas o arquiteto tinha feito construir dois outros salões destinados para salas de jantar. Entre as quatro salas foi realizado um longo corredor através do qual a criadagem podia servir os hóspedes. Em cada uma das novas salas estavam colocadas nove grandes mesas redondas e dezoito mesas menores ao longo das paredes. No centro das grandes mesas estava colocado um grande castiçal dourado, que despontava de uma cesta de flores. A sala à direita do velho Pavilhão era destinada à Família Imperial. O salão da esquerda, assim como os dois salões novos eram destinados aos outros hospedes. Nos mesmos estavam colocados vinte mesas decoradas e iluminadas como as demais. O salão destinado à Família Imperial tinha uma decoração em forma de uma tenda. Estava dividida em duas partes. Uma destinada aos altos Dignitários da Corte e ao Corpo Diplomático, e a outra à grande mesa para a Família Imperial, que estava decorada com estofos de seda branca brilhante, enriquecida de franjas douradas. Esta decoração descia do alto e era regida por elegantes colunas douradas. Dois lustres dourados iluminavam esta tenda.

A parte mais importante, todavia, era o grande e maravilhoso salão de baile, que surgia, em forma de uma rotunda na praça semicircular atrás do velho Pavilhão. Tinha um diâmetro de “84 pés parisienses” e uma altura de “74 pés”.

Aos quatro lados da rotunda estavam aplicados quatro Templos decorados externamente por um lindo pórtico. Um se destinava para o ingresso e formava uma antessala, as outras três eram destinadas às conversações, ao jogo ou para aqueles que desejavam descansar após a dança. Portas de vidro ofereciam uma maravilhosa vista das alamedas do jardim iluminadas por milhares de lâmpadas. No interno do salão 32 colunas com decorações floreais sustentavam uma tribuna com três fileiras de cadeiras, das quais podia-se observar o maravilhoso espetáculo, sem que os lindos lustres e candelabros ofuscassem a visibilidade. A cúpula da rotunda estava decorada com pinturas florais e no centro uma abertura circular permitia a troca do ar. As paredes do grande salão, no qual 1.500 a 1.800 pessoas podiam movimentar-se facilmente, estavam cobertas com dez enormes espelhos.

Estes eram colocados de tal forma, que do centro as pessoas se viam em cada um. Com esta decoração se produziu um efeito óptico que aumentava imensamente o número dos presentes. A Duquesa de San Carlos, esposa do Embaixador da Espanha acedeu ao pedido do Marques de Marialva, de fazer as honras da Casa nesta maravilhosa festa.

Esta descrição é muito incompleta, mas em todo caso temos que admirar a habilidade, o bom gosto e a genialidade do Senhor Moreau, o qual em menos de dois meses conseguiu realizar, não somente as construções mas também resolver o problema da iluminação e a esplêndida decoração. Não vamos esquecer as vários e eficientes equipes de artesões que executaram os seus projetos.“

Todos os jornais noticiaram a festa e, como vimos, alguns também com grande atraso. Vamos extrair ainda alguns trechos sobre a festividade da “Allgemeinen Zeitung” n.º 160 de 9 de junho: “ … Lastimável foi que das oito às dez horas caiu uma forte chuva que prejudicou o efeito da mágica iluminação das alamedas e que impediu aos hóspedes de aproveitar o esplêndido jardim. Por volta das nove horas chegou a Corte, acompanhada pelos Príncipes Herdeiros da Baviera…”

Em seguida foi aberto o baile com uma “polonaise” pela Arquiduquesa Leopoldina conduzida pelo Marques de Marialva. Leopoldina dançou em seguida com o Embaixador da Espanha o Duque de S. Carlos e com o Encarregado da Embaixada, Navarro de Andrade.

Depois das 11 foi servida a ceia o que foi um espetáculo notável.

“Tudo foi servido em grande abundância e as 1.200 pessoas foram servidas de maneira perfeita. Após a ceia iniciou o baile novamente e durou até a madrugada.”

Estava planejada uma festa popular nos mesmos locais para os dias seguintes, mas foi anulada pelos altos custos. Deixou-se, todavia, aberto o Pavilhão à visitação pública e para bailes de beneficência de instituições de caridade. Em seguida todas as construções, inclusive o grande salão de baile, realizadas por ordem de Marialva, sendo edificações precárias, foram demolidas e a venda do material doado a instituições filantrópicas.(Doc.38 de 1817, Zeremonialprotokol).

Já desde semanas se estava preparando a partida para o Brasil. Já em 10 de abril de 1817 haviam seguido de Trieste as fragatas “Austria” e “Augusta” levando o pessoal da Embaixada, encabeçada pelo Encarregado de Negocias, Barão von Neven e vários secretários. Diversos Camaristas do Imperador também estavam seguindo. Os naturalistas Natterer, Spix, Martius e Schott, bem como o artista Ender estariam no Rio esperando a Arquiduquesa.


Vista do porto de Triestre, com as fragatas "Áustria" e Augusta".
(Gravura a cores segundo desenho de G. Resi, Biblioteca Nacional, Viena)

Tinha seguido a maior expedição científica que havia tocado a nossa terra.

Caixas e mais caixas estavam sendo enchidas.

O enxoval, a biblioteca e a coleção de mineralogia estavam prontos para serem embarcados. Suas lembranças pessoais, os retratos dos Pais, das irmãs e irmãos, muitos presentes, mais ou menos preciosos, eram amoravelmente empacotados.

Diziam que em dois anos voltaria para a Europa…

Chegou o dia da despedida. Chorava muito como podemos ler nas cartas à irmã Maria Luísa. A “Allgemeine Zeitung” do dia 4 de junho de 1817 nos relata a parte oficial desse grande destaque:

“Antes de ontem a Princesa Herdeira do Brasil se despediu da Família Imperial. A tarde se dirigiu à Igreja de “Maria Hilf” ( Maria Auxiliadora), para rezar ao Altíssimo a fim de fazer uma boa viagem.

Ontem dia 3, às 6 horas da manhã, Sua Alteza Real assistiu a uma Santa Missa na Igreja da Corte ( Sto. Agostinho ), e em seguida tomou o pequeno almoço com o Imperador e os irmãos. Às 7 iniciou-se a viagem. Notaram-se os olhos cheios de lágrimas, já quando saiu do quarto, conduzida pelo irmão o Príncipe Herdeiro, em quanto Suas Majestades na saída do seu apartamento ficaram parados até que perderam de vista a querida filha. Todas as saídas do Palácio estavam abertas e os corredores cheios de pessoas que queriam desejar uma boa viagem a S. A. R. A bondosa Princesa estava muito comovida.

Muitos dos presentes tinham os olhos cheios de lágrimas e invocavam, de voz alta, as bênções de Deus.

As carruagens estavam prontas e a viagem iniciou cheia de esperanças.”

Metternich, com grande desgosto de Leopoldina, a acompanhou até Livorno. Ele descreve esta viagem em 14 cartas enviadas a sua esposa, e que em 1881 foram publicadas, entre outros documentos, pelo filho o Príncipe Ricardo Metternich-Winneburg.

Chegadas em Florença, Metternich instalou Dona Leopoldina, com uma pequena corte, no Palácio de Poggio Imperiale, de propriedade dos Grão Duques de Toscana. Os dias iam passando e Marialva, no entanto, tinha recebido do Rio a retificação do pacto matrimonial, assinado por Dom João e por Dom Pedro.

No dia 29 de junho de 1817 em Poggio Imperiale fez a entrega do tão importante e esperado documento a Metternich, lavrando-se um solene ato. Os dias pareciam não passar e Dona Leopoldina já estava desesperada e aborrecida, como mostra a missiva endereçada ao pai em 24 de julho de 1817:

“Vossa Majestade ficará certamente triste por lhe dizer eu que sou diariamente informada de que a esquadra portuguesa está a chegar e todos os dias verificar que é notícia falsa. O correio que trará a notícia de que a esquadra partiu de Lisboa ainda não chegou. Parece-me incrível que tenhamos sido impelidos a andar depressa em Viena porque a esquadra estava à nossa espera…e estejamos agora isolados de tudo que me é caro… Estou sem entender. O Conde de Metternich está ainda comigo e sustenta que certamente eu tenho um bom futuro em vista… Meu tio ( Ferdinando III, Grão-Duque de Toscana ) e minha irmã me consolam, mas não há consolo quando penso que poderia ter ficado junto de V.M. todo esse tempo.” (Familienkorrespondenz, pasta 304)

A última notícia na imprensa, relativa à viagem ao Brasil de D. Leopoldina é sobre a Fragata “Augusta” publicada na “Allgemeine Zeitung” de 3 de junho: “Segundo informação a I. e R. Fragata Augusta sofreu uma avaria. Enquanto a mesma não foi consertada (em Veneza) o naturalista Natterer aproveitou o tempo para realizar pesquisas em Chioggia, Brenta e Padova, visitando coleções naturalísticas e o lindo Jardim Botânico da Universidade (de Padova) . Entre outras coisas descobriu uma gaivota que ainda não havia sido classificada. A “Augusta” vai se reabastecer no Marocco e aguardará em Gibraltar a chegada da frota, que traz S.A.R. a Princesa Herdeira de Portugal, Brasil e Algarve”.

Dia 15 de agosto às 6h30 da manhã, em Livorno, levantaram-se as âncoras e começou a grande aventura.


Imperatriz Dona Leopoldina
(Miniatura de pintor desconhecido. Coleção do autor)

Durante dez anos D. Leopoldina não havia mais sido mencionada pela imprensa de Viena. Muitos foram os eventos na história europeia e mundial, que se realizaram após a sua partida. Ela tinha-se tornado Imperatriz de uma grande nação, era mãe de sete filhos. O “bom Papà” teve que enfrentar inúmeros congressos e alianças políticas. O cenário europeu com o contributo de Metternich, havia mudado. Viena estava-se, aos poucos, livrando de um pesado inverno e a natureza começava a reviver.

Dia 9 de março de 1827 a terrível notícia da morte da Imperatriz D. Leopoldina explodiu em Viena.

A “Allgemeine Zeitung” foi a primeira a dar a informação. Uma pequena nota em primeira pagina.

No dia 11 o “Österreichischer Beobachter” já tinha recebido notícias mais detalhadas:

“Informações do Imperial e Real Embaixador Extraordinário e Ministro Plenipotenciário na Corte Brasileira, o Barão von Marschall, que hoje chegaram, via Londres, trazem detalhes da tão triste notícia da morte da Sua Majestade, a Imperatriz do Brasil, segunda filha de Sua Majestade o nosso Imperador e Senhor, ocorrida na manhã do dia onze de dezembro do ano passado no Rio de Janeiro. Sua Majestade a Imperatriz do Brasil estava no terceiro mês de gravidez e foi atingida por uma febre biliar, que causou alguns dias antes de sua morte um parto prematuro. Estes acontecimentos tornaram inúteis todas as intervenções dos médicos. Nós vamos manter os nossos leitores ao corrente, através dos jornais que nos estão chegando do Rio de Janeiro sobre o tão triste acontecimento, que abalou e enlutou a Capital do Brasil, onde a falecida Imperatriz era venerada, querida e gozava da dedicação tão grande como aqui na sua pátria. Esta dolorosa notícia foi recebida com grande força de ânimo pelo augusto Monarca.

Uma comunicação da Corte estabeleceu um luto para a mesma em homenagem de Sua Majestade Leopoldina Carolina Josefa, Imperatriz do Brasil, a partir do dia 11 por sete semanas. As primeiras cinco semanas, até inclusive o dia 14 de abril, os membros da Família Imperial e os mais altos Dignitários e Damas, vestirão hábitos de seda preta e as Senhoras com jóias e enfeites pretos. As últimas duas semanas, inclusive o dia 28 de abril, vestirão os mesmos hábitos com jóias claras ou normais.”

Grande foi a dor de Francisco I, de todos os membros da família e também da população, ainda lembrada daquela risonha e bondosa Arquiduquesa, a “brasileira”, que poucos anos antes se havia aventurado a seguir para o novo e desconhecido mundo.

Os jornais, um atrás do outro, publicaram a notícia, em parte transcrevendo o “Diário Fluminense” (16) de 16 de dezembro de 1826.

(16) Diario Fluminense; n.º 140 de 16 de dezembro de 1826, vol. 8. Traz uma longa descrição sobre a morte da Imperatriz e uma detalhada narração sobre o enterro. Termina com duas poesias. Uma é uma ode de Antônio José Pereira, Secretário da Academia Médica-Cirúrgica da Corte, e a outra de lavra de José Theodomiro dos Santos. São ambos dirigidos a “Carolina” a “Heroína Imortal do Novo Mundo”. Isto demonstra mais uma vez o conhecimento inexato do nome da Imperatriz, que se originou com a comunicação desacertada de Marialva, que a indicou como “Carolina, Josepha, Leopoldina”. Veja a nota n.º 7 deste trabalho, repetida abaixo.
(7) Sobre o nome de Dona Leopoldina sempre pairava uma incerteza. O livro de Batizados da Igreja Sto. Agostinho desapareceu na 2º Guerra Mundial. Existe um extrato do mesmo feito em 10 de maio de 1900, que publicamos. Do mesmo resulta claro que foi batizada com o nome de Leopoldina Carolina, Josefa. Confirma este auto também a rubrica feita em latim pelo Cardeal Migazzi no Protocolo das Funções Episcopais, a pag. 216: “Archiducissa Leopoldina, Carolina, Josepha, filia Imperatoris Franc. II. Nata 22. Jan. 1797 hor. 8 va matut. baptizata est ab Emmo. in sala magna Aulae, assist. eodem die vesp. 6 ta levante”. Com esta documentação fica definitivamente confirmada a posição correta dos nomes da Imperatriz, que Marialva tinha comunicado oficialmente, por engano, serem Carolina Josefa Leopoldina; veja Oberacker Jr. vol. cit. pag. 63. O mesmo erro do nome encontramos no pacto matrimonial. Provavelmente Metternich, ao assinar o documento, não fez questão da posição dos nomes. Estavam os três nomes da Arquiduquesa e portanto o tratado para ele era válido. O ato de renúncia à Coroa e a todas as eventuais heranças também é atribuído a Carolina Josepha Leopoldina, com o nome Leopoldina em destaque.
Para completar a confusão relativa aos nomes de nossa primeira Imperatriz, esta assina o ato como Maria Leopoldina. Em todo caso, em nossa História, ela entrou como Leopoldina e com este apelido ela será sempre honrada.

 


No dia 12 às 5 horas da tarde se realizou uma véspera de oração e no dia seguinte a solene Missa de Réquiem na Igreja de Sto. Agostinho. Celebrou a mesma o Príncipe Arcebispo de Viena, Leopoldo Maximiliano von Firmian. (17)

A “Wiener Zeitschrift” de 20 de março publicou uma poesia em memória da extinta de autoria de Johann Gabriel Seidel.

Em 1829 o Bispo de Detroit, Friedrich Rese criou, com sede em Viena, a “Fundaçao Leopoldina”, que deveria angariar fundos para os necessitados das Américas e para a construção de Igrejas. Somente nos Estados Unidos esta Fundação construiu 400 Casas de Culto. Em 1917 esta Instituição foi absorvida pela “Obra de Difusão da Fé”.

A memória de Leopoldina continua viva na Áustria e no Brasil como exemplo de uma santa e veneranda mulher, que teve uma grande importância na História do Brasil.

(17) Firmian, Leopoldo Maximiliano, Conde Firmian, nasceu em Trento, no Tirol Italiano, em 10 de outubro de 1766 de antiga e importante família nobre. Em 1780 cônego em Salisburgo e Passau e em 1792 foi consagrado Padre em Salisburgo. Em 1800 foi nomeado Bispo de Lavant e 1816 Arcebispo de Salisburgo. No dia 18 de janeiro de 1822 foi nomeado por Francisco I, Príncipe Arcebispo de Viena. Por causa da situação política o Vaticano o confirmou em 19 de abril, mas não lhe concedeu o chapéu cardinalício. Foi grande incitador dos cantos eclesiásticos. Durante o seu Bispado foi criada a Fundação Leopoldina para o sustento das missões americanas. Esta Fundação é a mais antiga instituição missionária da Áustria. Faleceu em Viena em 12 de novembro de 1831. Uma coincidência curiosa é o fato de Dona Leopoldina ter sido batizada e lembrada com a Missa de Requiem por 2 Arcebispos oriundos da cidade de Trento, no Tirol italiano.

 


Bibliografia

Jornais

•Wiener Zeitung 25-01-1797

•Wiener Zeitung 16-05 até 04-06-1817

•Wiener Moden Zeitung 22-02 até 11-06-1817

•Allgemeine Zeitung 19-03 até 12-06-1817

•Österreichischer Beobachter 13-05 até 29-06-1817

•Wiener Zeitung 12-03 até 20-03-1827

•Allgemeine Zeitung 09-03-1827

•Österreichischer Beobachter 11-03 até 13-03-1827

•Diário Fluminense n.º 140, 16-12-1826

---- x ----

•Arquivo de Praga – “Acta Clementina” Arquivo Metternich

•Arquivo da Casa Imperial em Viena

---- x ----

•Böing, Günther: “Hohenwart, Graf Sigismund Anton“. Lexikon für Theologie und Kirche.
Herder, Freiburg i. B. 1960

•Bragança, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e, “A Formação Artística da Imperatriz Dona Leopoldina”. Rev. Patrimônio Hist. e Art. Nac. Vol. XV, Rio de Janeiro.

•Bragança, Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e, “A Imperatriz Dona Leopoldina” – Sua correspondência com Maria Luisa de Parma. Rev. I.H.G. de São Paulo, Ed. Comemorativa da Independência, 1972.

•Dalbian, Denyse – Leopoldine, Première Impératrice du Brésil – Historia n.º 171, Paris, Fev. 1961

•D. Leopoldina – "Cartas de uma Imperatriz“ Ed. Est. Lib., São Paulo, 2006

•Karl & Faber, Versteigerung, Auktion 63, München, 29/30 de Abril de 1958 – "Cartas de Dona Leopoldina, Pag. 104-112

•Graham, Maria, - Correspondência entre Maria Graham e a Imperatriz Dona Leopoldina e Cartas Anexas, Editora Itatiaia Limitada, Belo Horizonte, 1997.

•Guimarães, Argeu – Diccionário Bio. Bibliográfico Brasileiro - Rio de Janeiro, 1938,
Ed. Do Autor

•Hamann, Brigitte – “Die Habsburger, ein Biographisches Lexikon”, Uebereuter, Wien, 1988

•Hartmann G. e Schnit K.R. – "Die Kaiser – 1200 Jahre Europäische Geschichte“. Weltbild GmbH, Augsburg 2006

•Isenburg, Principe Dr. W. K. – Stammtafeln zur Geschichte der Europäischen Staaten. – J. A. Stargardt, Marburg, 1965.

•Kaiser, Gloria – Um diário imperial – Leopoldina Princesa da Áustria, Imperatriz do Brasil – Reler Editora Limitada, Rio, 2005.

•Kummer, Gertrude – "Die Leopoldinen-Stiftung (1829-1914), der älteste österreichische Missionsverein“. Wiener Dom-Verlag. Wien, 1966

•Loidl, Franz – "Geschichte des Erzbistums Wien“, Herold, Wien 1983

•Metternich – Winneburg, Fürst Richard (filho do Chanceler) "Aus Metternich´s nachgelassenen Papieren“, Vol.1 – Segunda parte 1816-1848

•Oberacker Jr., Carlos H. – "A Imperatriz Leopoldina – sua vida e sua época“. Cons. Fed. de Cultura, 1973

•Obry, Olga – Grüner Purpur, Brasiliens erste Kaiserin, Erzherzogin Leopoldine – Rohrer Verlag, Viena, 1958

•Prantner, Johanna – Kaiserin Leopoldine von Brasilien – Verlag Herold, Viena, 1974

•Ramirez. Ezekiel Stanley – As relações entre a Áustria e o Brasil, 1815-1889. Cia. Ed. Nac. São Paulo, 1968.

•Simpósio Comemorativo do Bicentenário de Nascimento da Imperatriz D. Leopoldina, - IHGB, 1996

•Squiciarini, Mons. Donato – “Die Apostolischen Nuntien in Wien”. Libreria Editrice Vaticana, Città del Vaticano, 2000.

•Tomek, Ernst – "Kirchengeschichte Österreichs“. Tyrolia, Innsbruck, 1935-1959

•Vrignault, Henri – Généalogie de la Maison de Bourbon – Henri Lefebvre, Paris, 1957.

•Wolfsgruber, Cölestin – "Christoph Anton Kardinal Migazzi, Fürstbischof von Wien“. Saulgau, Kitz, 1890-XX, 908S. III.

•Zuquete, Afonso E. Martins – Nobreza de Portugal – Vol. 1, Ed. Enciclopédia, Lisboa, 1960.

Parte 1/3, 2/3, 3/3

topo da página

índice de trabalhos

índice de autores