Instituto Histórico de Petrópolis
 24/09/1938
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31/07/2000
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Digitação utilizada para inclusão no site:
30/08/2012

Texto revisto segundo Princípios de Redação, considerado o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990, promulgado pelo Decreto n.º 6.583/2008.

CAUSOS DE POLÍCIA EM PETRÓPOLIS

Mariza da Silva Gomes

INTRODUÇÃO

O presente trabalho "Causos de polícia em Petrópolis" tem como objetivo resgatar artigos variados publicados nos jornais de Petrópolis, especialmente na Tribuna de Petrópolis, que era o órgão de grande importância em nossa cidade. O período consultado compreende entre 1900 até 1930 onde podemos observar através dos artigos a realidade cotidiana do povo petropolitano.

Poderemos observar que no período de 1900 no jornal Gazeta de Petrópolis os fatos agravantes ocorridos em nossa cidade eram escritos em negrito com letras maiúsculas no intuito de chamar a atenção do leitor.

A imprensa local começa a apoiar os mais variados pedidos e reclamações do povo petropolitano com a coluna impressa em negrito intitulada “Pelo Povo” – “O povo petropolitano terá nesta columna o seu paládio. Todas as reclamações e queixas que nos forem apresentadas verbalmente ou por escripto, serão immediatamente publicadas, provada que seja sua exactidão” (jornal Gazeta de Petrópolis 20/12/1902 – pág. -1/coluna 04)

Em 16/01/1904 os destaques em negrito publicados no jornal Tribuna de Petrópolis referentes aos acontecimentos policiais, são chamados de “Com a policia”.

Outro titulo que pode ser destacado como “causos", são descritos na imprensa em uma coluna criada pela Tribuna de Petrópolis no ano de 1907, chamada "Na policia e Nas ruas", sendo que a mesma só ganhou força em 20/01/1909 quando o subdelegado de polícia era o Sr. Napoleão Olive, segundo o jornal: "A população percebe que a imprensa é o meio de comunicação que consegue alertar as autoridades para que a cidade esteja mais limpa, menos violenta e com menos desordem" (Tribuna de Petrópolis 19/01/1909).

O lugar ocupado pela coluna no jornal era invariavelmente no verso da capa. No entanto, o tamanho da coluna variava de acordo com a importância da reclamação dos populares ou com a gravidade do crime cometido, que, aliás, era identificado pela nacionalidade, cor de pele, idade, endereço do autor do: homicídio, vadiagens, mendicidade, prostituição, furto, agressão, embriaguez, crimes diversos, suicídios etc. O início da matéria possuía o título sempre em "negrito", talvez para chamar a atenção dos leitores e, logo após, a identificação do delegado que fez a ocorrência ou a prisão do elemento.

Essas colunas se tornaram com o tempo, bastante populares, tornando-se um canal de comunicação entre a polícia e a população petropolitana, onde destacamos que a partir de 1911 os artigos vinham em negrito com o título de “O Que o Povo diz”, onde a própria população fazia as suas reclamações e denúncias por meio de cartas que eram dirigidas ao redator da Tribuna de Petrópolis.

Podemos observar que neste período a população petropolitana que vivia na cidade era de classes variadas, predominando um grupo social de classe média e até mesmo um grupo onde a pobreza se destaca pelas denúncias impressas nos períódicos das colunas policiais.

Em artigo publicado no jornal Gazeta de Petrópolis de 10/08/1901 intitulado “Guarda Nocturna” é dado destaque a uma “Comissão de negociantes desta cidade, a cuja frente se acham os Senhores Antonio Martins de Oliveira, João Napoleão Olive, Guilherme Eppinghaus, Frederico Francisco Lopes e Manuel Gomes Coelho Loureiro, pretendem levar a effeito a organização de uma Guarda Nocturna”.

Vale ressaltar que a estrutura policial em Petrópolis era constituída pelo Delegado que era o responsável pela ordem e pelo bom andamento da cidade, que acumulava a função de Subdelegado de policia e coordenava as ações da policia no centro e nos outros distritos. Tínhamos também a figura do Inspector que era incumbido de coordenar, manter a ordem e instruir os processos criminais; o 1º Detetive responsável por levantar e apurar os culpados dos crimes, e o Comissário que era nomeado pelo subdelegado que tinha a responsabilidade de patrulhar toda a cidade com autonomia para agir em todos os distritos.

Por fim temos as figuras da policia militar e dos Guardas Noturnos; estes tinham a função de controlar e substituir em alguns casos a ausência do corpo policial, agindo no centro da cidade para controlar alguns desordeiros e gatunos que perambulavam pela noite no centro.

Podemos destacar no artigo do dia 25/06/1903 – pág. 01/coluna 05 - intitulado Guarda Nocturna que “Tendo o sr. chefe de policia resolvido alterar a organização desta Guarda, que tem funccionado desde 01/09/1901 com o Regulamento approvado pelo seu antecessor o sr. dr. Leonel Loreti, enviou para o presidente da Commissão Central o novo regulamento a qual em reunião ocorrida na noite do dia 19, ás 8 horas resolveram por unanimidade, não acceitar o novo regulamento que lhe era imposto por conter disposições contrarias ao fim para o qual foi organizada a Guarda Nocturna, suspendendo nesta mesma noite o serviço de vigilância por tempo indeterminado”. Assinado João Napoleão Olive, secretario. Petrópolis 19/06/1903

Em outro artigo descrito pelo jornal Gazeta de Petrópolis de 03/09/1903 – pág. 01/coluna 05 - é relatada a inauguração do Corpo dos Vigilantes Nocturnos de Petrópolis – “Ás 10 horas da noite reunidos no edifício da Associação dos Empregados no Commercio, á avenida 15 de Novembro, grande numero de cidadãos, foi o Sr. Dr. Martins Junior, secretario do interior, convidado á assumir a presidência da sessão, sendo suas palavras cobertas de salvas de palmas, onde ao final da solenidade saíram os vigilantes nocturnos sendo distribuídos pelas diversas ruas da cidade”.

O uniforme dos guardas nocturnos consta de blusa preta com canhões verdes e botões amarellos, calça preta, capote e bonet de oleado com tuma chapa de metal amarelo contendo as letras G. N. P. constando o armamento de sabre.

Cabe ser ressaltado que houve uma mudança comportamental entre a imprensa e a policia a partir de 1908, quando a delegacia passou a se comprometer a enviar os boletins de ocorrências para a redação do jornal Tribuna de Petrópolis.

A seguir destacamos o artigo do dia 25/06/1909 – pág.02/coluna 03 - intitulado “Gabinete de identificação” – O sr. Capitão Ladisláo Cossich, delegado de policia informa que de janeiro do corrento anno até data de antehontem foram identificados na delegacia de policia desta cidade 62 individuos, sendo 55 homens e 7 mulheres. As causas das prisões foram as seguintes:

Desordem – 20
Vagabundagem – 19
Embriaguez – 06
Gatunagem – 04
Defloramento – 03
Ferimentos Leves – 02
Attentado ao Pudor – 02
Homicidios – 01
Uso de Armas – 01

Em artigo descrito no jornal Tribuna de Petrópolis do dia 06/02/1912 – pág. 01/coluna 04 -  o commandante da guarda nocturna em Petrópolis major João Napoleão Olive, apresenta relatório dessa corporação, informando que o numero de vigilantes que no principio do anno era de 4 subiu para 14, sendo que o pessoal da guarda acha-se todo correctamente uniformizado e armado. Á noite, ainda em commemoração, reuniram-se no quartel da guarda, que se achava bellamente ornamentada com bandeiras e balões venezianos.

Podemos observar a grande importância que a guarda nocturna representava em nossa sociedade em outro artigo descrito no jornal Tribuna de Petrópolis em 10/04/1912 – pág. 01/coluna 02 - “Pelo relatório que temos em mão, pode-se ver quanto fecunda tem sido a direcção dessa útil corporação comandada pelo major Napoleão Olive. Não recebendo auxilio algum do município nem do Estado, a Guarda Nocturna mantem-se exclusivamente do producto das contribuições dos assignantes, dos moradores que contribuíam para os mesmos vigiarem suas casas conforme o artigo descrito na Tribuna de Petrópolis de 21/08/1916 – pág. 01/coluna 04 e dos comerciantes locaes.

É tal a prova de confiança que o commercio deposita nos vigilantes dessa corporação, as chaves das portas das suas residências, para em casos extraordinários prestarem serviços urgentes. A isto deve juntar-se o grande numero de objectos de valor que tem sido encontrados e depositados no quartel, onde têm sido entregues aos respectivos donos. Dos factos ocorridos durante o anno, o relatório menciona o seguinte:

Vadiagem – 40
Desordem – 16
Actos indecorosos – 08
Roubos – 10
Raptos – 01
Accidentes – 06

Outro grande fator ocorrido em nossa cidade é sobre a “mendicância” exploradora como podemos destacar em artigo publicado na Tribuna de Petrópolis no dia 29/10/1916 – pág. 01/coluna 05 - sob o título de “Os mendicantes perigosos”

– Nunca será de mais tudo quanto se disserem contra a vexatória e perigosa imunidade que gozam, em Petrópolis, os falsos mendigos, que exploram a caridade publica. É o que se observa em nossa cidade do grande mal social que percorrem as nossas avenidas, aos sabbados, de ambos os sexos e todas as edades. Ainda hontem, esta folha referiu um caso curioso ocorrido entre um mendigo e um garoto moleque que por alli perambulava, e que entendeu de se divertir com o “pobre” falando gracejos delle, quando o mendigo atirou para o lado a suposta muleta que o sustentava, sacando do bolso contra o moleque um revólver, onde tentou descarregá-lo sobre o menor. A polícia deve encontrar esse mendicante audaz e perigoso.

De acordo com o artigo da Tribuna de Petrópolis de 26/02/1920 os números oficiaes fornecidos pela Diretoria Geral de estatística, do Ministério da Agricultura a população de Petrópolis era constituída de:

- 1º Distrito (Cidade).............................................38.180
- 2º Distrito (Cascatinha)............................... .........6.844
- 3º Distrito (Itaipava)..............................................2.509
- 4º Distrito (Pedro do Rio)............................. ........6.716
- 5º Distrito (S. José do Rio Preto)................... .......9.336
                              TOTAL...................................63.045 (população)

Em artigo publicado na Tribuna de Petrópolis de 09/07/1921 – pág. 01/coluna 04 - intitulado “Guarda Nocturna”, verificamos o contentamento pela nova reorganização da mesma pelos dizeres: “Está reorganizada e sob melhores auspícios, a Guarda Nocturna, instituição que já tivemos e que foi desaparecendo lentamente, até acabar.

A frente dessa bella iniciativa collocaram-se os srs. Coronel Rubens de Andrade e Arnaldo Teixeira de Azevedo, que afirmam que a nova guarda virá prestar os melhores serviços a nossa sociedade e não será um calvário para os seus servidores, como era a antiga, em que cada guarda se dava o salário de 2$500 por noite de trabalho, assim mesmo pago com atraso, e ás vezes em vales para casas comerciaes.

“A nova Guarda Nocturna vae ser inaugurada hoje, usando os guardas fardamento novo e bom. A sua sede está installada em uma sala, nos fundos do quartel da policia, na Avenida 15 de Novembro”.

Em outro artigo na Tribuna de Petrópolis de 08/10/1921 – pág. 01/coluna 04 - podemos destacar elogios feitos pela imprensa ressaltando “os esforços destes illustres cavalleiros da Guarda Nocturna á sociedade petropolitana que acabaram, de vez, com as queixas constantes de furtos de gallinhas, tão communs, e isso já representa alguma coisa digna de registro em beneficio desta corporação”.

Porém verifica-se que no levantamento realizado referente á quantos inquéritos ocorreram no 1º trimestre na delegacia de polícia e imprenso no jornal O Commércio de 26/04/1924 – pág. 01/coluna 06 - podemos afirmar que os dados não correspondem com os fatos narrados nos artigos pesquisados, visto que as ocorrências eram constantes na nossa cidade de todos os tipos. Vamos aos dados que foram apresentados:

Offensas physicas - 05
Atropelamentos por automóveis - 07
Defloramentos - 03
Roubos - 05
Homicídios – 01

Em vários artigos publicados na Tribuna de Petrópolis intitulados “Acabemos com as espeluncas” é destacado que “Petrópolis está se transformando numa cidade de vícios e de perdições, onde a vida não é dos forasteiros, mas a dos habitantes. Por todos os cantos se jogam em espeluncas e botequins – é o grande mal, o supremo mal de Petrópolis”. Podemos observar alguns desses artigos a seguir:

- 17/04/1919 (pág. 01/coluna 01) – “A Malandragem que se vão desenrolando de um tempo em nossa cidade, estão exigindo enérgicas medidas policiaes para a repressão dos inúmeros delictos commetidos por elementos estranhos, onde em sua maioria passam o dia e a noite em botequins bebendo onde o palavreado e atitudes ferem a moral publica. Outros permanecem durante o dia nos infectos casebres, que tomam por aluguel em quarteirões afastados da cidade, sahindo apenas á noite para praticar roubos nos quintaes e casas, ou depredando e quebrando lâmpadas da iluminação publica pelas ruas da cidade”

- 12/01/1924 (pág. 01/coluna 03) - outro artigo é destaque “Abaixo as espeluncas” – Recebemos hontem a seguinte carta: “Como leitores assíduos desse respeitável orgão de publicidade, vimos pelo presente prestar nossa solidariedade pela campanha contra as espeluncas e casas de jogos que infestam a nossa formosa cidade. Pedimos a fineza de denunciar pelo seu jornal ás autoridades competentes a Villa Ipyranga, á rua José Bonifácio, transformada em pensão chic, onde se reunem moços bonitos e mulheres de vida fácil, promovendo escandalos diarios, principalmente á noite, e pertubando o socego e o decôro das familias e moradoras na referida rua”.

- 02/09/1924 (pág. 01/coluna 03) - consta o artigo “Ainda a jogatina” – “Apesar das providencias tomadas pelo actual delegado dr. Mario Dias prohibindo a jogatina que se vinha ramificando por toda a cidade, continua ella a ser explorada por alguns aventureiros, que, sem o menor escrúpulo, vão burlando a acção policial. Sob o titulo de cluns chic, algumas vão reapparecendo, como a do sobrado da Confeitaria Falconi, na avenida 15 de Novembro, onde são bancados todos os jogos de azar”.

- 08/04/1925 (pág. 01/coluna 01) - é descrito uma entrevista com o delegado de polícia dr. Mario Dias, referente aos roubos e furtos em Petrópolis – “Como sabe, diz dr. Mario Dias, Petrópolis é uma cidade que se encontra, desde muito annos, em franco progresso, no mais acelerado progresso, onde as casas vão se acelerando pelos quarteirões afastados, entretanto o número de praças do destacamento local, ao invés de crescer, diminui. Só disponho, agora de 21 praças para o policiamento da cidade. Destas, há 15 com encargos determinados. São os que cuidam da cozinha do quartel, as que rondam a estação, as que estão de plantão na delegacia, as ordenanças, as que estão a disposição de altas autoridades. Com as 5 restantes faço, então o serviço de policiamento. Innúmeras vezes tenho pedido o augmento de praças do destacamento local, sem ser attendido. E só com 40 praças no mínimo eu poderia policiar regularmente a cidade, sendo 10 de cavallaria. Tendo trabalhado como tem visto, como posso, por sanear a cidade dos maus elementos”.

- 29/03/1930 (pág. 01/coluna 01) - verificamos sob o titulo “A população de Petrópolis” que segundo os dados da Directoria de Estatistica do Estado, a população de Petrópolis é de 83.809, calculo feito para setembro de 1929. “Como se vê em breve, o nosso município completará 100.000 habitantes”.



JORNAL CIDADE DE PETRÓPOLIS

COM A POLÍCIA

“Chamamos a attenção do sr. Delegado de Policia Dr. Teffé, para umas scenas de immoralidade que diariamente se praticam no prédio em construcção á rua Monsenhor Bacellar, próximo ao açude da Fábrica de Tecidos de São Pedro de Alcântara, que pertence ao espolio do finado tenente Manoel Alves, aonde as mulheres da vida facil costumam fazer pousada, em companhia de diversos vagabundos. Scenas destas depõem contra os fôros de cidade civilizada, de que com justiça goza Petrópolis”. (07/05/1902 – pág. 03/ coluna 02)

FURTO DE GALLINHAS

“Um moleque pernóstico de quem a policia não sabe o nome, viu no quintal da casa n. 404 da Avenida Ypiranga, residencia do sr. João Rekel, uma gallinhas que lhe despertarão a cobiça, o moleque não as queria para fazer dellas uma boa canja e foi vendel-as na rua Floriano Peixoto. E agora a policia anda a procura do moleque pernóstico que negociou as gordas gallinhas do sr. Rekel”. (28/03/1904 – pág. 01/coluna 06)

UMA QUEIXA

“Veiu hontem a nossa redacção o preto Casemiro Jorge, queixando-se de que tendo sido roubado em grande quantidade de gallos e galinhas, por Maria de tal, amastada com Manoel Adão, communicou o facto a policia para que devolva as aves, se é que ainda não as ensôpou com batatas”. (20/07/1914 – pág. 02/coluna 03)

UM ESCANDALO

“Hontem pelas 21 horas quem passasse pela Avenida Marechal Deodoro, ficaria horrorizado e levaria até a mão aos ouvidos, taes as palavras que alli se ouviam. É que uma moreninha que, ao que parece não estava muito christã, lembrou-se de fazer encrenca com o homem da Padaria das Famílias com descompostura, no mais baixo escalão. O facto causou escandalo que a policia envergonhada com tanta descompostura não compareceu ao local”. (08/07/1914 – pág. 01/coluna 04)

BATEDOR DE CARTEIRAS

“A policia local fez descer hontem a fim de ser apresentado ao chefe de policia do Estado, o menor José Gomes F.... de 12 annos, portuguez, cuja prisão foi effectuada na estação Leopoldina como batedor de carteiras”. (12/01/1916 – pág. 02/coluna 01)

APREENSÃO DE OBJETOS ROUBADOS

“Foram hontem restituidos ao proprietário do Restaurante e Café Orleans um ferro de engommar e um cobertor, que haviam sido roubados por José de Oliveira e sua amante”. (16/02/1916 – pág. 01/coluna 06)

UM ESCANDALO NO THEATRO XAVIER

“Durante a exhibição de um film hontem à noite, no Theatro Xavier, o funccionario municipal sr. Bento Borges, tambem conhecido por Bentóca, teve a audacia de querer bolinar uma senhora da nossa melhor sociedade casada. O marido tendo presenciado o acto praticado por Bentóca lhe deu um socco forte, onde o funccionario ficou com a fachada em misero estado”. (23/02/1916 – pág. 01/coluna 05)

AMOR...TAMANCO...E QUEIXA NA POLICIA

“Ás 14 horas de hontem queixou-se á policia o portuguez João Baptista dos Reis, estabelecido com barbearia á Avenida 15 de Novembro, de ter sido espancado por Emilia Marques e João Fernades por tentar fazer-se amar por Emilia fazendo declarações de amor a ella, que sendo já casada e não gostando do abuso desceu seus tamancos e com elles aggrediu o tratante junto com seu marido, onde todos foram internados na policia para esclarecimentos”. (16/03/1916 – pág. 02/coluna 01)

PEDIDO DE PROVIDENCIAS

“Varios moradores do Alto da Serra, nas proximidades do Hotel Villa Thereza, solicitaram providencias ao sr. Dr. Odorico Antunes, delegado de policia contra o grande numero de mulheres da vida facil que moram naquelle hotel que é de propriedade de Francisco de tal, vulgo Chico Banana”. (14/07/1916 – pág. 01/coluna 05)


JORNAL TRIBUNA DE PETRÓPOLIS

CAPOEIRAGEM

“Os vagabundos da rua Silva Jardim mudaram seu campo de capoeiragem agora para a praça Visconde do Rio Branco (16/06/1904 – pág. 01/coluna 05)

MUSICOS AMBULANTES

“Por não terem pagado o respectivo imposto de industrias e profissões, foram seguros hontem Leon Drauendorf e sua mulher, que com realejo e um bumbo, procuravam alegrar as ruas da cidade”. (19/06/1909 – pág. 02/coluna 04)

RAMEIRAS

“Em frente á redacção desta folha há uma “cabeça de porco”, onde mora um grande numero de rameiras, que primam pelo mau comportamento e algazarra. Por isso chamamos a attenção das autoridades”. (14/10/1909 – pág. 02/coluna 03)

FEITICEIRO

“O feiticeiro Guilherme de Menezes vulgo “Pae Quilombo”, preso hontem no Morin, foi posto em liberdade, depois de terem prestado fiança pelos negociantes Henrique e Francisco S..... Na casa do mandingueiro, á autoridade local, apprehendeu grande numero de cartas, vidros, hervas e outros objetos usados pelo Pae Quilombo em suas feitiçarias”. (18/06/1910 – pág. 02/coluna 02)

QUARTEIRÃO FLORESTA

“Os moradores do quarteirão Floresta queixam-se contra um grupo de mulheres de má nota, que para todo escândalo da vizinhança honesta – vivem na mais completa orgia, a affrontar a moralidade publica com actos e palavras indignas”. (14/08/1910 – pág. 02/coluna 02)

DESRESPEITO

“Chama-se a attenção do sr. Delegado de policia para diversas meretrizes, que á noite, fazem ponto na praça da Liberdade”. (13/10/1910 – pág. 01/coluna 01)

QUEIXA

“A policia recebeu hontem  mais uma queixa contra um grupo de mulheres que habitam uma casa de commodos  á avenida 15 de Novembro, lado impar. Essas marafonas permaneceram alli em grande algazarra, affrontando a moral publica com scenas que fariam corar frades de pedra”. (14/09/1911 – pág. 02/coluna 03)

MULHER-HOMEM

“Hontem, ás 10 horas da noite o vigilante nocturno da secção a que pertence a rua 13 de Maio, notou que um individuo rondava essa via publica com ares sinistros, onde em dado  momento chamou o mysterioso personagem a falar, e como o cavalheiro não respondeu, o vigilante o convidou a dar um passeio na delegacia onde foi interrogado e explicou que era uma mulher casada e que usara o disfarce para seguir o marido que, há tempos vem mantendo relações illicitas com outra senhora. A mysteriosa dama trajava calça preta, collete branco, paletot  preto, botina de verniz e chapéu de palha sendo que no casaco ornamentava na lapella um botão de rosa chá.”. (29/02/1912 – pág. 01/coluna 05)

UM ANTRO MARAVILHOSO

“Agora chega ao nosso conhecimento um facto de alta importância e que só por um grande esforço de reportagem podemos saber em todos os detalhes. É uma novidade para Petrópolis e a sua publicação dispertará a curiosidade de muita gente, que, como nós ignorava o antro maravilhoso da “sibyilla Clotilde, há pouco chegada a esta cidade e que desde logo conseguiu arranjar uma boa clientela, devido ás circulares que espalhou e nas quaes ao lado direito, no alto da pagina estavam estampados o retrato da celebre prophetisa e uma caveira”. “Desde já prevenimos que occultaremos os nomes das pessoas importantes que têm freqüentado o antro maravilhoso, para evitar complicações”. (13/03/1912 – pág. 01/coluna 03)

UM ANTRO MARAVILHOSO – 2ª PARTE

“Continuando com a reportagem damos os detalhes do antro de mme. Clotilde, mostrando detalhes da circular que essa prophetisa espalhou: Eil-la – Prodigioso descobrimento as sciencias occultas salvando a humanidade! Acha-se nesta cidade, chegada da Europa, a celebre prophetisa mme. Clotilde de Arla, professora em sciencias occultas, diplomada pelos institutos scientificos de Nova York, Vienna, Pariz, Berlim e Londres, cuja actuação causou verdadeiro assombro. Também possui a prodigiosa Pedra Iman, que trouxe da Terra Santa, invencível amuleto contra todas as desgraças. Consulta todos os dias das 8 ás 12 da manhã, das 2 ás 5 da tarde, e das 10 ás 12 da noite – Quarteirão Morin – Chalet vermelho onde há salas reservadas para senhoras e cavalheiros de elevada posição social”. (14/03/1912 – pág. 01/coluna 01)

O INTERIOR DO ANTRO MARAVILHOSO – 3ª PARTE

“Ao penetrarmos no jardim do chalet  vermelho, um creado de calção vermelho e casaca negra perguntou: - V. exs têm cartão? Era preciso uma senha para assistir as sessões especiaes. O local estava apavorante, penetramos numa pequena saleta onde possuía um salão forrado de púrpura, no centro um grande globo de crystal  branco, no chão ricos tapetes persas onde por toda a parte existiam fofos divans de damasco de seda. Aos cantos, em bellas columnas de mármore negro, caçoulas de porcelanas, em que ardiam resinas perfumosas. Perguntamos onde está a celebre mme, Clotilde? – Espere um pouco; esta sala é a da iniciação. Temos outra, ainda mais sumptuosa e mais original, em que se reúnem os clientes para ouvir a prophetisa”. (15/03/1912 – pág. 01/coluna 05)

MME. CLOTILDE SURGE

“Depois de passarmos alguns minutos na sala de iniciação, fomos introduzidos pelo home de calção vermelho ma crypta ou laboratório. Imagine nosso temor quando penetramos em uma pequena sala, toda forrada de damasco preto e illuminada por quatro tochas que ardiam. Sobre uma mesa coberta de velludo negro, franjado a ouro, viam-se imagens, caveiras, cabellos, ossos, sapos mumificados, varas mágicas, hervas e muitas outras coisas. Lá encontramos sentados em pequenos divans forrados de pellucia negra, diversos cavalheiros e algumas senhoras pertencentes á sociedade desta cidade e do Rio de Janeiro que aqui veranea. Eis que surge a mme Clotilde, e nos estendeu a mão, saudando-nos. Envergava uma túnica de velludo preta, trazia á cabeça um pequeno gorro da mesma cor, sobre o peito, presa a um collar prateado, via-se uma medalha de chumbo com o symbolo de Saturno e as palavras – Almalec, Aphiel, Zarafiel. Após a saudação que nos dirigiu collocou-se num pequeno throno, donde começou a falar.....”. (20/03/1912 – pág. 01/coluna 01)

JOGATINA PERIGOSA

“O major Napoleão Olive, recebeu hontem uma queixa, contra a jogatina desenfreada mantida por diversos cocheiros de carros de praça, estacionados na praça da Liberdade. Os jogadores reúnem-se alli dentro dos próprios vehiculos, montando a banca de jogo, á qual admittem até menores. Como o “banqueiro mór”, é apontado o cocheiro João Bocca-Molle”. (16/04/1912 – pág. 02/coluna 02)

TROCA INTERESSANTE

“O sr. barão Romano de Avezanna, ministro da Italia, foi ao gabinete cirúrgico-dentario, do sr. Henrique Langsdorff, á avenida Washington, deixando o seu chapéu de palha no porta-chapéus, que fica na varanda da casa. Ao retirar-se, o sr. ministro procurou em vão o seu chapéu, encontrou todavia no cabide um chapéu velho e immundo. A troca foi certamente feita por algum atrevido”. (27/04/1912 – pág. 02/coluna 01)

CARTOMANTE PRESA

“Maria Rosa dos Anjos, foi presa hontem na estação da Leopoldina, onde, em estado de embriaguez, promovia regular escândalo. A bruxa trazia em seu poder um baralho de cartas, dente de alho, unha de preguiça e outros objetos. Foi parar no xadrez, tendo o feitiço virado contra a feiticeira”. (16/10/1912 – pág. 02/coluna 03)

OS “MOÇOS BONITOS” NA PRAÇA D. PEDRO DE ALCANTARA

“Varias famílias que freqüentam a praça D. Pedro de Alcantara por occasião das sessões cinematographicas que alli são dadas pela Empreza Cinema Annuncio, queixam-se contra o procedimento de alguns moços bonitos, que querem fazer espírito á custa alheia, chegam a ser inconvenientes. Aproveitando se da agglomeração popular, levam aos beliscões e ás apalpadelas, sem procurarem saber quem são as pessoas escolhidas para o alvo de seus divertimentos, alias incabíveis em pontos de reunião”. (07/11/1912 – pág. 01/coluna 06)

UM VELHO SOBRADO QUE A POLICIA PRECISA VISITAR

“Os moradores da rua 13 de Maio, por intermédio da vossa conceituada folha, pedimos providencias policiaes contra um “Club Feminil”, installado com grande escândalo para as famílias honestas num sobradinho da rua 13 de Maio, As damas que alli se congregam, umas moradoras de bordel e outras visitantes das meretrizes alli localizadas, trazem a vizinhança em verdadeiro estado de coacção, impedindo as famílias de aparecerem ás janellas. Removam as rameiras para outra zona menos freqüentada”. (16/05/1913 – pág. 01/coluna 04)

NÃO SE PÔDE FUMAR, MAS PÔDE-SE ESCARRAR Á VONTADE

“Exquisitices o aviso dos bondes prohibindo fumarem aos passageiros dos primeiros bancos, ao passo que se os deixa escarrar e cuspir á vontade no soalho daquelles vehiculos. O facto é que cumpre á Companhia attenção melhor aos interesses dos que viajam nos bondes, de prohibir as cusparadas e escarros em todo o interior do bonde”. (11/06/1913 – pág. 01/coluna 04)

O CABRITO NEGRO DA AVENIDA YPIRANGA

“Pedem-nos para reclamar de um tal cabrito negro que anda há tempo pela avenida ypiranga a devoras as folhas tenras das arvores alli recentemente plantadas. O seu dono que parece, entender de o engordar ma via publica, os moradores informam que o cabrito só é solto depois das 4 horas da tarde e que a myopia do fiscal não o vê”. (16/07/1913 – pág. 01/coluna 03)

CIUMES E PEDRADAS

“A parda Antonia Helena da Silva moradora na fazenda do dr. Heinzelmann, na Quitandinha, queixou-se hontem ao Sr. sub-delegado de policia contra a sua vizinha Elisabeth de tal, que além da manter relações amorosas com o marido da queixosa, ainda a insulta e aggride a pedradas. Ela é uma sem vergonha, disse Antonia – uma mulher branca, casada, com uma porção de filhos, andar a seduzir o meu marido, que é um homem de cor!  Tanto assim, que no meio dos filhos della, há um muito mais escurinho que todos os outros, Meu marido é com certeza, o pae da criança”. (10/09/1913 – pág. 01/coluna 04)

ARRELIA NUMA “CABEÇA DE PORCO”

“A celebre cabeça de porco da travessa Ypiranga, que é o terror dos moradores pelas scenas escandalosas, forneceu hontem mais uma nota para os annaes da policia. Alli residem, como se sabe, indecentes e innumeras mulheres de vida fácil, das quaes se embriagam promovendo desordem e algazarras. Nesse triste estado, hontem á tarde a briga ocorreu entre Maria Isabel, Eulalia, Virginia, Georgina, Sabrina e Joaquina de tal. Ambas as valentes foram recolhidas ao xadrez”. (13/09/1913- pág. 02/coluna 03)

SEDUZIDO POR UMA VIUVA DE 80 ANNOS!

“Hontem pela manhã, compareceu á delegacia de policia, o sr. Horacio Bento Pereira, que alli foi queixar-se de que seu filho Sebastião de apenas 14 annos de edade, fora seduzido por uma “moça” de 80 annos. Horacio disse que seu filho, há dias não apparece em casa e que fica na residência da viúva Francisca na rua 24 de Maio. O sr. Delegado intimou á Francisca a comparecer hoje, na policia, a fim de esclarecer o caso”. (10/07/1914 – pág. 02/coluna 02)

CUPIDO EM ACÇÃO

“Apezar da chuva que cahia hontem á noite, um casal de jovens assentou-se em um dos bancos da praça D. Pedro de Alcantara permanecendo alli com a maior philosophia até alta noite. Quando os pombinhos pensaram não serem mais percebidos partiram em diracção ao Hotel Peres, onde tomaram aposentos confortáveis. O vigia nocturno Bruno, que tudo presenciará providenciou para que os amantes fossem removidos para a delegacia”. (09/11/1914 – pág. 02/coluna 02)

SE A MODA PEGA

“João Gomes proprietário no Quissamã foi cobra uma divida ao inquilino de uma de suas casas o sr. Emilio Gildo Piu Bello, que há três meses não lhe pagava os alugueis. Emilio ofereceu em troca da divuda uma machina de costurass, sendo recusado pelo proprietário João Gomes, dizendo que só queria o dinheiro. Hontem á tarde, aproveitado que o devedor saiu, o proprietário arrancou da casa de Emilio a porta e as janelas do imóvel por elle alugado. O que faz o dinheiro”. (22/06/1915 – pág. 02/coluna 02)

MENORES QUE PROMETTEM

“Os commissarios Oswaldo Pires e Manoel Valente, apresentaram hontem na delegacia os menores Antonio Firmino José com 18 annos, e Alzira de Souza, com 14 annos por estarem praticando actos libidinosos no Quarteirão Bingen”. (12/11/1915 – pág. 01/coluna 06)

ALCOUCE IMMORAL

“Peço-vos encarecidamente o obsequio de chamardes a attenção da policia para o “alcouce” recentemente installado á rua Thereza m.1681, onde duas mulheres praticam as mais escandalosas immoralidades aos olhos do publico e das famílias. O hotel Villa Thereza que lhe fica ao lado, é também ponto de “rendez-vous”, o que prejudica muito as famílias honestas das immediações, que são impedidas de chegar ás janellas de suas casas” (17/11/1915 – pág. 01/coluna 04)

CARNEIRO ÁGUIA

“Foi preso hontem Francisco Gomes do Amaral Carneiro, rapaz activo e esperto demais. Fingindo-se de surdo-mudo andou por diversas ruas da cidade angariando dinheiro para submetter-se a uma “operação”. O suposto águia foi para á delegacia e esta recolhido no xadrez”. (18/11/1915 – pág. 01/coluna05)

A PRISÃO DE ANNINHA PORTUGUEZA

“Pela manhã a digna autoridade foi procurada pelo sr. João Fonseca que se queixou que sua filha menor, de nome Emilia, abandonando o lar fôra residir com a “cafetina” Anna Maria Nogueira, conhecido por “Anninha Portugueza”, que mantém uma casa de tolerância á rua do Encanto. A 1 hora da tarde, o dr. Henrique Cunha e seus auxiliares deram uma busca na referida casa, encontrando alli não só Emilia como mais três menores. Presa “Anninha” confessou que recebia diariamente alguns rapazes exigindo deles dois mil réis de cada pessoa que ia visitá-la. A noite Anninha foi posta em liberdade mediante fiança prestada, segundo consta, por dois doutores! (15/01/1916 – pág. 01/coluna 03)

PILHOU A AMASIA DANSANDO O TANGO

“Vivem em uma pequena casa como sardinhas em lata no Quarteirão Floresta, os indivíduos Joaquim Julio de Avellar, Elizario Lino da Silva, Sebastião Thomé da Silva e Julia Maria da Gloria, todos de cor preta. Entre esse pessoal houve hontem  alli um “banze de cuia” roncando o páu, que feriu a cabeça e o braço de Elizario que chegando em casa encontrou sua amasia Julia Maria da Gloria em estado de embriaguez a dansar o tango com Sebastião Thomé, também embriagado. O caso foi para na delegacia onde foram recolhidos ao xadrez”. (06/12/1916 – pág. 01/coluna 06)

“MÃO NEGRA” PELO TELEPHONE

“A existência mysteriosa da “mão negra”, cujas ameaças de pedidos de dinheiro vem sendo feitas pelo telephone, a diversos moradores e comerciantes em nossa cidade de grossas quantias desta quadrilha de malfeitores, onde devem deixar a meia-noite em algum lugar certo determinado pelos elementos. Entre as pessoas que pelo telephone receberam a intimação de contribuírem para a manutenção dos adeptos de tal seita constam: Mne Hannemann, proprietária do Hotel Rio de Janeiro em 2$000, sr. Antonio Boller em 5$000 e João Werneck em 3:000$000. (25/03/1917 – pág. 01/coluna 03)

MATANDO UMA GAMBÁ

“Tendo sido detonados dois tiros de revolver em plena avenida 15 de Novembro ás 10 horas da noite, compareceu ao local o dr. Alvaro de Oliveira subdelegado de policia, onde soube que os referidos tiros haviam partido de um estabelecimento de seccos e molhados, junto ao Café Vista Alegre. O seu proprietário, o sr.  João Lourenço atirará sobre uma “gambá” que subia a parede pelo cano conductor de águas. Conseguindo matar o animal a bala, atravessando-lhe o corpo, penetrou as paredes de um dos commodos do sobrado do Café Vista Alegre e por pouco que não attingiu a uma mulher que alli pernoitava”. (24/04/1917 – pág. 01/coluna 03)

ANNINHA PORTUGUEZA QUASE FICA SEM UMA ORELHA

“A celebre Anninha Portugueza que mantém á rua do Encanto uma casa de tolerância, onde residem algumas mulheres decaidas se estranhou hontem ás 2 horas da tarde com a parda Maria da Conceição, de 25 annos de edade, porque não havia preparado o “mingau” para uma creança, Anninha investiu contra Maria da Conceição com um ferro de engommar bastante quente, produzindo-lhe queimaduras no rosto e nos braços. O troco desse acto da deshumana creatura não se fez esperar. Maria cheia de dores avançou para Anninha e, com forte dentada arrancou-lhe um pedaço da orelha direita”. (02/06/1917 – pág. 01/coluna 03)

UMA ENCRENCA NA CASA DA ANNINHA

“Mais uma encrenca em que está envolvida a celebre “Anninha Portugueza” ocorrida hontem na casa desta, á rua do Encanto chegou ao conhecimento das autoridades policiaes. Como é sabido do todos,  aquella “marafona” explora alli varias mulheres decaidas, cobrando-lhes o aluguel do quarto e uns tantos por cento sobre a renda da vida que levam. Esse proceder de Anninha provoca muitas vezes conflictos entre as muheres alli residentes, por não ter esta ou aquella pago por inteiro o seu tributo, ella resolve prender os objetos quando alguem quer mudar de “ninho”. Foi o que aconteceu a decaida Zulmira Simões, que se mudou da casa. Anninha não há deixou levar a sua malla. Indo buscal-a hontem Zulmira notou que a mesma se encontrava arrombada faltando roupas e a quantia de 20$ em dinheiro. Estabeleceu-se uma “encrenca dos diabos” entre as mulheres, accusando-se uma ás outras. O resultado foi vir um contingente dellas para a delegacia, chefiado pela Anninha, e do qual faziam parte Juvelina Dias, Maria da Conceição, Maria Muleta e Zulmira Simões. Anninha declarou em sua defesa que aquillo tudo era “fita” de Zulmira que se tornará sua inimiga”. (21/06/1917 – pág. 02/coluna 02)

CAÇA-NICKEIS APRREHENDIDO

“O sr. tenente Prediliano Pinto, delegado de policia, effectuou hontem na Casa Chantecler na avenida 15 de Novembro, a appreensão da machina “Caça-Nickeis” que funccionava há algum tempo neste estabelecimento. Na delegacia foi encontrado no bojo da machina infernal 35$000”. (22/08/1917 – pág. 01/coluna 05)

A EXALTAÇÃO POPULAR – CASAS ALLEMÃES ASSALTADAS

“As occorrências da noite de hontem e que se prolongaram até a madrugada de hoje, são excessos lamentáveis em que a nossa querida Pátria soffre as agguras da guerra, a que fora arrastada pelas offensas da Alemanha á nossa soberania. Quando o povo explode em manifestações desse gênero, é porque a dignidade da Pátria foi ferida cruelmente. A nossa cidade foi theatro hontem, á noite, de um espectaculo inteiramente novo de agitação popular, e durante muitas horas, numerosos grupos de populares, em numero superior a 1.000 percorreu as ruas da cidade, tendo á frente á bandeira do Brazil e a dos paizes alliados, atacando as sociedades allemães, varias casas cujos proprietários são subditos do kaiser. A policia, dispondo apenas de reduzido numero de praças, foi impotente para conter o numeroso grupo que se mostrava exaltado contra determinadas casas da cidade, entre ellas podemos destacar”

- Casa Otto Loeffler, onde se fez algumas depredaçções
- Confeitaria e Padaria Allemã, vaiando o seu proprietário
- Deutscher Verein, invadindo-a e inutilizando tudo quanto encontravam
- Sociedade San Gerbund Eintracht
- Typographia onde se imprime o jornal Nachricten
- Officinas mantidas pelos padres franciscanos onde se imprimem a Vozes de Petrópolis
- Sociedade Turverein Petrópolis
- Armazem Finkennauer , onde quebraram todos os vidros da frente da casa
- Pensão Max Meyer, onde atiraram vários objetos ao rio
- Escola Evangelica, destruindo bancos, cadeiras e mesas
- Açougue do sr. Fritz Gaiser
- Armazém do sr. André Lepsch
- Barbearia do sr. Augusto Esch
- Padaria do sr. Klinkammer
(03/11/1917 – pág. 01/coluna 01)

MERETRIZES NEGRAS E MULATAS

“Tomo a liberdade de recorrer ao vosso conceituado jornal, por cujo intermédio chamo a attenção das autoridades sobre a algazarra que fazem toda a noite, nas horas de maior movimento, uma porção de “meretrizes negras e mulatas”, hospedes do Hotel Perez, que se juntam na calçada na avenida 15 de Novembro, entre a Padaria America e o Colegio Santa Isabel. Até á meia-noite, é um espetáculo revoltante”. (25/11/1917 – pág. 01/coluna 05)

A MULHER, O MARIDO E O OUTRO

“A scena foi rápida, mas muito interessante. Foi na estação da Leopoldina, hontem, á chegada do primeiro trem da manhã. Madame X, desde alguns dias residindo nesta cidade, aguardava naquelle trem a subida de certo rapaz, guapo e insinuante onde soube fazer com que a madame lhe fosse muito amável e carinhosa na ausência do marido. A senhora vendo-o desembarcar, foi-lhe logo ao encontro, apertaram-se as mãos. Succedeu, porém que no mesmo trem veio inesperadamente o marido da madame, que ao saltar, avistou os dois naquelle colloquio, e foi assentando uma bengaladas e uns murros no outro. O rapaz fugiu ás tontas, desapparecendo. Madame X foi pelo marido obrigada a tomar a carruagem, onde ambos seguiram com destino á sua casa” (08/01/1918 – pág. 01/coluna 05)

RECEITA ESPÍRITA PARA A EPIDEMIA

“Ao illustre redactor da Tribuna de Petrópolis, queira ter a gentileza de collocar no vosso conceituado jornal a seguinte receita espírita, para que todos que se vêem atacados da terrível epidemia possam alcançar, rapidamente o fim de todos os seus males. A todos os irmãos que desejarem curar-se por meio da verdadeira medicina, que é a medicina espiritual, dou-vos de boa vontade uma receita”

- Caroba, 10 grammas; Panacéa, 10 grammas; Cascas de 2 limões; Herva tostão, 10 grammas; Folhas de cajueiro, 10 grammas; Assucar, 70 grammas – Ferva tudo em 1 litro de vinho do Porto, e tome 1 calix de 2 em 2 horas.
- Como lavagem de garganta: Mata-páo, 10 grammas, Raiz de sapé, 10 grammas, Casca de Cajá miúdo, 10 grammas, junte-se 1 litro d’água, ferva e use em gargarejos mornos.
(23/10/1918 – pág. 01/coluna 04)

FOOTBALL E JOGO

“Os moradores da rua Casemiro de Abreu, pedem que o conceituado jornal intervenha junto á nossa policia, para o problema do footballl nas ruas e para o apedrejamento das casas, quebrando as telhas e as cabeças dos vizinhos, por causa de perversos rapagões que já deviam trabalhar, para não terem tempo de fazer taes depredações. A noite e aos domingos, a jogatina é desenfreada em plena calçada! Jogo de cartas a valer. São apontados como chefes os perversos moleques conhecidos vulgo “Manoel Gallinha” e um tal de “Manoel Gago” ou “Cabrita” ( 27/11/1918 – pág. 01/coluna 03)

UMA ONÇA

“Petrópolis está completamente mudada, hontem um facto importante dominou todos os espíritos em dado momento. Na rua Westphalia, este bello e pittoresco recanto, appareceu uma onça onde ninguém pôde explicar como o pequenino tigre apareceu em frente a casa do ministro das Relações Exteriores causo geraes apprenhensões. Que fazer? Com o bicho acocorado num dos galhos, deixal-o com vida era uma imprudência. Mas quem seria o executor da pena? Não demorou em apparecere o sr. Eugenio Ferraz de Abreu, auxiliar do gabinete do sr. barão do Rio Branco que voltou a sua casa para pegar sua espingarda onde fez um tiro certeiro na cabeça do animal que cahiu no chão sem vida. Grandioso feito, mereceu os applausos calorosos de todos” 19/02/1919 – pág. 01/coluna 04)

UM CASO ESCABROSO – EXPLORAVA A PROPRIA MULHER

“Há dois dias que a policia teve conhecimento de um facto revoltante. Tratava-se de uma accusação que Rosa Han.... fazia a seu marido, Jacob Han..., dizendo-o seu explorador.  O sr delegado Henrique Cunha, immediatamente deu começo ao inquérito onde terminada as investigações, conclue-se que estamos em frente de um “cafetão” vulgar. Jacob é um grande perverso, elle levava até o seu lar os amigos e até os simples conhecidos, e sem se afastar obrigava-os a representar scenas com sua própria esposa de baixo lupanarm, onde Jacob sentia prazer o prazer com as immoralidades que ia provocando. Inclinamo-nos a acreditar que Jacob é mais um louco, um tarado, do que propriamente um criminoso” (09/03/1919 – pág. 01/coluna 04)

UM APITO QUE INCOMMODA

“É da Fábrica São Pedro de Alcantara o apito que, pela manhã, incommoda todos os moradores da circumvizinhança, pertubando-lhes o sonno. Não é que desejem que seja abolido aquelle meio de chamar ao trabalho o pessoal da fabrica; querem apenas que o machinista se lembre de que há gente a dormir áquellas horas matinaes” (28/04/1919 – pág. 01/coluna 05)

COM A POLICIA

“Diversas familias, residentes na rua Morin pedem providencias á policia no sentido de chamar a ordem certos rapazes que, quasi diariamente, tomam banho no rio, em frente a chácara Werneck, completamente despidos, não respeitando as senhoras e senhoritas que por alli são obrigadas a transitar”. (08/01/1920 – pág. 03/coluna 03)

PERDEU A MULHER

“José Sergio de Almeida compareceu hontem na delegacia de policia, a fim de pedir providencias no sentido de ser descoberto o paradeiro de sua mulher, Elvira Maria que desapareceu na porta do edificio da Prefeitura enquanto elle foi pedir emprego, quando voltou não a encontrou mais”. (11/01/1920 – pág. 02/coluna 02)

CAÇA A UM CÃO DAMNADO

“Não havia hontem á tarde, quem não temesse ser mordido. É que um cão á solta num desespero infernal atacava suas victimas. Foi sua primeira victima um burro da padaria das Famílias, sendo a seguir, um soldado do exército, que teve seu capote dilacerado pelos dentes do animal. O commissario de policia Abilio Ferreira da Cruz tendo presenciado várias dessas scenas, saiu em perseguição ao cão matando-o a tiros, no Itamaraty”. (22/01/1920 – pág. 02/coluna 02)

UM NOIVO ESPERTO E FOLIÃO

“O nacional Octavio Dorceval Militão é o que na gyria se chama “aguia”. Tendo seduzido, com promessas de casamento, a uma solteirona, cuja edade está prestes a entrar na quarta dezena, obteve della certa quantia dizendo que ia adquirir moveis e utensilios para installar o seu ninho de amor. Em vez disso o “aguia” gastou tudo nas festas de carnaval, divertindo deveras ás custas da pseudo noiva. Esta encontrando-o na pandega terça-feira gorda, após o seu desapparecimento por varios dias, atirou-se a elle como uma vibora, aggrendindo-o. O facto foi levado a policia, onde o esperto foi preso pelo commissario Adão Pies”. (20/02/1920 – pág. 01/coluna 02)

DOIS MALLANDROS E UM “BÓDE” PRESOS

“ - Olha a modinhas...romances em fascículos – apregoavam em altas vozes pelas ruas da cidade, Vicente Celestino e José do Nascimento. Até ahi, nada de mais, acontece, porém que dentre as modinhas umas havia pornografias. A denuncia foi feita por uma mãe, cujo filho ludibriado pelo malllandros comprara uma das taes modinhas. A policia então saiu em busca dos mallandros, onde os encontrou com um “bóde” - brinquedo de tamanho regular , que falava ao puxar uma cordinha, com o qual conseguiam atrair a curiosidade da creançada. Ambos foram presos e recolhidos ao xadres. O “bóde”, também apprehendido, vae ser recolhido ao museu policial, como um dos factores do crime de seducção”. (23/02/1920 – pág. 01/coluna 03)

FOOTBALL E A VADIAÇÃO

“Recebemos a denuncia de que vários menores se reunem todos os dias num largo da rua Montecaseros, proximo á egreja do Sagrado Coração de Jesus, desde cedo até o anoitecer, e entregam-se ao “football”, atraindo alli alguns empregados que ficam horas distrahidos, tomando parte no jogo e na vadiação. São mais de 30 vadios que alli se juntam, quando deviam ser encaminhados para a escola ou para uma officina, afim de terem uma profissão um meio de vida e não se habituem assim, á vagabundagem”. (11/03/1920 – pág. 01/coluna 04)

PRISÕES A GRANEL

“A vagabundagem que, ultimamente, tem tomado vulto nesta cidade, despertou a attenção das autoridades policiaes, que resolveram mandar effectuar varias canôas. Assim foram presos á noite 21 elementos desoccupados e conduzidos ao xadrez, entre as quaes constavam 5 mulheres” - Constam os nomes e as idades de cada um deles. (18/11/1920 – pág. 02/coluna 03)

A CULPA FOI DO PORTUGUEZ

“José Alves Pereira, portuguez, de 60 annos e edade, de cor branca, casado, residente á rua Costa Gama n. 721, de regresso á casa, ás 8 horas da noite, caminhava junto á banqueta do rio da rua Souza Franco, quando avistou um bonde. Julgando que, subindo á banqueta estaria a salvo, assim o procede. Não foi, porém bem succedido na idéa, pois o estribo do bonde o pegou na canella, provocando a quéda do infeliz ao rio. Retirado do rio pelo motorneiro do bonde n. 19, José apresentava ferimentos extensos na perna, sendo conduzido á pharmacia Fluminense. As pessoas que viajavam no bonde affirmaram que o accidente foi causado pela impruddencia da victima”. (09/12/1920 – pág. 01/coluna 05)

O QUE O POVO DIZ

“Pedem-nos os paes dos alumnos da escola da Ponte do Fones, que sejamos interpretes dos seus pedidos de providencias á policia, sem que até agora tenham sido attendidos. Trata-se dos abusos do louco Antonio R......, que armado de punhal tem tentado praticar actos libidinosos com as alumnas daquella escola”. (28/10/1921 – pág. 01/ coluna 05)

TREMOR DE TERRA

“Ás quatro horas da manhã de hontyem foi sentido nesta cidade, um phenomeno scismico, dando lugar a que diversas pessoas acordassem sobressaltadas. Em alguns pontos da cidade o abalo foi muito mais sentido que em outros”. (28/01/1922 – pág. 01/coluna 05)

A POLICIA AGE

“As nossas autoridades continuam á caça das quadrilhas que continuam limpando os gallinheiros de muitas casas. Poz-se em campo a policia percorrendo todos os bairros, onde foram felizes descobrindo o paradeiro de João Peres Caetano (vulgo João Santinho) em Corrêas, onde foi effectuada a sua prisão”. (28/03/1922 – pág. 01/coluna 04)

NOTAS POLICIAES

“O dr. Alfredo Rudge, digno delegado de policia impediu antehontem que visitassem a cidade um bando de ciganos, fazendo-os retroceder do Alto da Serra, afim de “pregarem” em outras terras...Foi uma boa medida, porquanto é sabido, ser aquelle elemento nocivo ao meio social”. (16/06/1923 – pág. 01/coluna 05)

BANCAS DE JOGOS

“Foram presos hontem, nas matas do Palacio Imperial, varios individuos que alli haviam estabelecido bancas de jogos ao ar livre”. (16/06/1923 – pág. 01/coluna 05)

MENORES VAGABUNDOS

“São constantes as queixas contra menores vagabundos, que infestam as nossas avenidas e praças, entregues a practicas do vicio e da maldade. Por detraz do edificio dos Correios e Telegraphos, na Avenida da Independência, encontram-se esses moleques aos magotes a jogarem todo o dia o football”. (01/09/1923 – pág. 01/coluna 02)

UMA NOVIDADE

“A policia anda agora preocupada com um novo genero de gatunos. É que de tempos para cá, diversas senhoras que frequentam os nossos templos religiosos pela manhã, tem sido surprehendidas com o desapparecimento de suas valises ou bolsas, que deixam sobre as cadeiras que occupam quando vão ao confissionario. O sr. Dr. Delegado de policia Alfredo Rudge, descobriu que uma menor, já praticou alguns furtos dessa natureza”. (06/11/1923 – pág. O2 – coluna 02)

PELA MALDADE DAS SALAS DOS CINEMAS

“Temos recebido frequentes reclamações contra certos individuos, da mais baixa extracção moral, verdadeiros desclassificados, que tem o habito de incommodar as senhoras e as moças nas salas dos cinematographos, visto que no momento não tenham ao lado um cavalheiro que as possa defender. Com o intuito de extinguir essa récua de patifes, fazemos desta columna appellos para que mande agarrar os safardanas e os trancafie no xadrex”. (24/11/1923 – pág. 01/coluna 04)

UMA REUNIÃO DE ASTRONOMOS NO PORTÃO DE UMA CASA

“É um caso interessante que vem sendo esmiuçado pela policia. Francisca Damico e filhas que são visinhas do sr. Manoel Joaquim da Costa Ferreira, morador á rua Thereza, 540, deram em reunir á noite, no portão de sua residencia, alguns “astronomos”. Esses scientistas não se limitam, porém, a observações...Discutem, há também abraços e beijos estranhos a taes estudos. Manoel Joaquim da Costa Ferreira foi ao delegado pedir um paradeiro a esses estudos, feitos ao pé da porta de sua casa, sem o menor decoro. Já foi ouvida a sra. Damico, que declarou que os homens que com ella falam á noite são homens astronomos”. (08/12/1923 – pág. 01/coluna 05)

QUE ATREVIDO!

“O praça n. 829 prendeu hontem o individuo Antonio Pereira da Costa, que andou a perseguir uma senhorita acompanhada de uma irmã menor, dizendo-lhe gracejos inconvenientes desde á Avenida 15 de Novembro até á praça D. Affonso, onde, com a maior ousadia, ergeu-lhe a saia até acima dos joelhos. Nessa occasião, a praça citada resolveu prendel-o Não damos o nome da senhorita, que é digna de todo o respeito”. (13/02/1924 – pág. 01/coluna 05)

QUE POUCA VERGONHA!

“Mais um antro de perdição – Maria Emilia, solteira, parda, de 41 annos de edade, residente á rua Saldanha Marinho, 119, em um quarto de casa em que reside Luiz da Cunha Azevedo, permitte que se reúnam em seu quarto Jovelina de tal e outras prostitutas, em companhia de sua filha Judith, de 13 annos, e que já está prostituida por culpa da pouca vergonha de sua mãe. Esses factos foram narrados por Luiz da Cunha Azevedo, na delegacia de policia, por não supportar mais as scenas escandalosas que occorrem todo os dias no quarto de suas inquilinas”. (15/04/1925 – pág. 01/coluna 05)

UM ANTRO DE PERDICÇÃO FECHADO PELA POLICIA

“O Dr. Mario Dias, delegado, deante das queixas freqüentes que tem recebido das secenas escandalosas que todos os dias se verificam em casa da celebre “Anninha Portugueza”, situada á rua do Encanto, resolveu mandar fechar esse antro de perdicção, onde só poderá permanecer a dona da casa, não podendo, porém continuar a ter alli mulheres prostitutas”. (24/04/1925 – pág. 01/coluna 06)

PRAÇA D. PEDRO II

“Diversas reclamações teem-nos chegado sobre o abandono das vistas da nossa policia sobre  os factos que se vêm verificando no jardim da praça Dom Pedro II. Aquelle lugar, ponto central e frequentadissimo, está sendo freqüentado por numero incrível de prostitutas e vagabundos. E insustentável essa situação. Chamamos a attenção do delegado sobre o caso”. (01/05/1926 – pág. 01/coluna 04)

MARAFONAS NA AVENIDA

“A população desta cidade está sendo escandalizada pela conducta de duas marafonas que durante o dia e a noite se exhibem na Avenida 15 de Novembro. Essa atitude desassombrada e saliente das mulheres de má nota affronta os hábitos da cidade. Percorrendo a nossa Avenida para cima e para baixo, a receberem dichotes e retribui-los, as prostitutas nem consideram a presença das famílias, que ao mesmo tempo transitam pelo centro.” (04/07/1926 – pág. 02/coluna 04)

UM CASO COMPLICADO

“Esteve na subdelegacia de policia desta cidade a senhora Oliveira de Carvalho, residente na Avenida Central, no Alto da Serra, que se queixou que a viúva Anna Domingos de Oliveira, residente á Villa Felippe, no mesmo lugar, seduzira seu marido Thiago de Carvalho, em um baile em que ambos estiveram. Esta, intimado negou o facto, declarando que só dansara mais de uma vez com Thiago”. (15/02/1927 – pág. 03/coluna 03)

OS SANTINHOS ROUBADOS

“A policia prendeu hontem um garoto de 12 annos, que deu o nome de Pedro que tinha consigo um crucifixo de madeira e uma santinha de gesso de Nossa Senhora. A principio dizia o garoto que encontrara os dois santinhos no portão de sua casa. Estavam os dois, de pé, como a olhal-o carinhosamente. Apertado por perguntas da autoridade, acabou declarando: - Encontrei os santinhos, entrando no cemitério. Jesus Christo na frente e Nossa Senhora atraz. Voce já viu alguma imagem de santo andar? Disse o policial – Pois antão, os santos não póde andá porque não, se são santo? O garoto foi mettido no xadrez e está aguardando o comparecimento de seu pae”. (06/08/1927 – pág. 03/coluna 02)

QUESTÕES DE ROUPA

“No prédio n. 156 da rua 13 de Maio, onde residem algumas mulheres da vida airada, originou-se ás 10 horas, por questões de roupa um desentendimento entre Alcina e Albertina, chegando ás vias de facto. A primeira que é branca, casada com 22 annos, sendo mais fraca não agüentou e teve que chamar a assistência para lhe prestar socorro. Quanto Albertina que é parda, com 23 annos “caiu no mangue” com seu amasia”. (26/10/1927 – pág. 01/coluna 04)

MILAGRE? – O CASO DA EXTRANHA APPARIÇÃO NA ESTRADA RIO-PETRÓPOLIS

“Pelo que soubemos a estranha apparição de uma santa na estrada Rio-Petrópolis, facto que correu por toda a parte da cidade. Dizia-se que a imagem, ou a santa, em carne e osso, fora vista por alguns trabalhadores e a estes ordenava a cessação dos serviços, fazendo até com que não explodissem o dynamite collocado numa pedreira. A historia verdadeira, porém, e bem differente. Trata-se de um caso de espiritismo – Uma mulher, que tem por marido, realizava suas sessões espíritas, persuadiu sua mulher de que era santa, fazendo com que ella subisse em uma grande pedra evocando os trabalhadores – sou a santa que os protegerei”. (25/11/1927 – pág. 01/coluna 07)

UM MARIDO EXEMPLAR

“Luiz Pereira Marques, casado com Jordelina Pereira Marques, residente á rua Dr. Bonjean s/n, é um homem de maus bofes, capaz de tudo. Hontem, porque a companheira não pode apromptar uma calça nova e remendar outra, aggrediu-lhe brutalmente, produzindo ferimentos na cabeça e num braço. Jordelina foi submettida a corpo de delicto, enquanto seu marido ficou trancafiado no xadrez onde ficou cantando – Vejam só a mulher que eu arranjei...”. (13/03/1928 – pág. 02/coluna 03)

PRESA DUAS “CAPIVARAS”

‘Muito se tem falado na “capivara” rameira da mais baixa classe, que se habituou a provocar escandalosas scenas em plena cidade. Hontem á tarde, juntando-se a sua irmã, próximo á estação da Leopoldina tendo sido presas em estado de embriaguez e vadiagem Maria Luzia de 38 annos e Georgina Ferreira de 26 annos conhecidas como “capivaras” arremeteram-se contra os policiaes, rasgando a farda de um”. (13/06/1928 – pág. 01/coluna 06)

COHIBINDO A VADIAGEM

“O xadrez desta cidade está cheio de mulheres que não só se entregam ao mais baixo merectricio como também se ostentam despudoradamente pelas ruas, na pratica de escândalos. Depois das irmãs “capivaras”, foram presas ás 20 horas as decahidas Anna Isabel, Maria Rita, Maria da Conceição, Maria Anna, Maria José, Alzira da Conceição e Veramar Macena. Algumas destas procederam de diversas localidades de Minas e para lá serão enviadas como indesejáveis. (15/06/1928 – pág. 01/coluna 06)

SCENAS VERGONHOSAS

“Queixam-se que nos fundos de uma pensão existente á rua Paulo Barbosa, esquina da via-férrea, passam-se quase todas as noites scenas que escandalizam o decoro publico.Chamamos a attenção da policia para um paradeiro dos actos vergonhosos”, (28/11/1928 – pág. 01/coluna 07 )

MANDINGA E FUMO DE RÔLO

“A questão da água da Villa Felippe, pitoresco recanto do Alto da Serra, sempre foi um caso sério. Hontem Oscar Machado e Virglio Evangelista criaram encrenca devido ao uso de um bica d’agua “precioso liquido”, onde a briga tomou outras proporções. Os antagonistas disseram que um iria fazer “mandinga” no outro, e o outro o ameaçou com uma surra de fumo de rolo, que é o quebra encanto da “mandinga dele”, (13/12/1928 – pág. 01/coluna 06)

UM CIGANO PETROPOLITANO

“É o que nos faltava: um cigano petropolitano! Do Nando de ciganos que durante alguns dias permaneceram em Petrópolis, abarrancados nos bairros tradicionaes da Castellania e da Rhenania, uma mulher deu a luz, na noite de quarta para quinta-feira, a um menino, que nasceu numa barraca armada para os lados da volta do Kneipp. O seu nascimento causou um movimento de geral sympathia nesta cidade....”. (29/01/1929 – pág. 01/coluna 04)

QUE NEGOCIO É ESTE?

“Há diversas rameiras que se utilisam dos auto-onnibus, especialmente para os lados da Rhenania e Castellânea, conduzindo-se nesses vehículos de maneira assdás censurável. Pouco se importam taes prostitutas com a presença ou não de famílias aos carros. Há dias cotaram-nos, uma dessas “horizontaes”, passou pelo rosto de um conductor uma bala, e resolveu limpar-lhe de um modo bastante curioso: lambendo-lhe a cara! Isso tudo foi feito sem a menor cerimônia”, (05/02/1929 – pág. 02/coluna 02)

UM MENINO COM DUAS CABECAS!

“A propaganda de certas casas comerciais, em Petrópolis passam dos limites. – No município de Muriahé nasceu uma creancinha de nome Alipio, com duas cabeças. O que impressionou mais foi o seguinte: A primeira cabeça perguntou a segunda: Qual é a casa de Petrópolis que vende mais barato? E a segunda cabeça respondeu: É a casa Pedro Jorge na avenida 15 de Novembro n. 477”. (23/03/1929 – pág. 01/coluna 05)

NÃO PODE CONTINUAR

“O nome “brasileiro” é um motivo de justo orgulho para todos os que nasceram neste paiz. Eis, porque, não posso compreender como se lembre alguém de dar esse nome a uma casa de tolerância, onde se travem encontros sexuaes baratos das mais baixas rameiras da cidade! Entretanto existe á rua Floriano Peixoto uma casa dessa espécie e que ostenta o nome de “Hotel Brasileiro”. (19/04/1929 – pág. 01/coluna 04)

O REINADO DAS MARAFONAS

“Continua as scenas degradantes que todas as noite proporcionam ao povo da redondeza as indecentes e baixas rameiras que fazem ponto nas immediações do mercado municipal e da estação Leopoldina. Nota-se também o ajuntamento de praças do Exercito onde surgem sempre encrencas”. (16/08/1929 – pág. 01/coluna 06)


JORNAL O COMMÉRCIO

PÓ DE OSSO DE DEFUNCTO, SAPO SECCO, PELLE DE COBRA, CAL DE COVA...

“Armando Mescla, é um homem de espirito e perversidade de feiticeiro. Tendo uma questão com o seu visinho Gil Garaza, morador na Presidência n. 635, o Mescla resolveu por questões de dasaffecto com a família de Gil fazer uma mistura de coisas repugnantes de coisas occultas que surrupiou no cemitério para envenenar pessoas da familia, começou com a criação de gallinhas de Gil que desconfiada das mortes das aves comunicou a sua desconfiança contra o feiticeiro, onde a mesma fez uma busca em sua casa onde encontraram em seu poder vários ingredientes que o perverso manipulava em forma de xarope”. (25/01/1924 – pág. 02/coluna 02)

QUANTOS INQUERITOS POLICIAES NESTE SEMESTRE?

“Durante o primeiro trimestre deste anno, verificaram-se 40 inquéritos, alguns dos quaes em andamento ainda na delegacia de policia. Desses inqueritos, 5 são sobre offensas physicas; 7 sobre atropelamentos de automoveis; 2 sobre defloramentos; 5 sobre roubos; 4 sobre furtos, 1 de homicidio; 2 de buscas e apprenhensões e 1 contra a ordem pública”!. (26/04/1924 – pág. 01/coluna 06)

IDYLIOS AO LUAR...

“Moradores da rua Paulo Barbosa pedem a attenção das autoridades policiaes para os casaes que entendem transformar aquella importante avenida em Via-Lactea de seus devaneies...Em todos os cantos ou recantos, encontram-se alli pares amorosos, desde os mais claros e louros, aos mais retinctos e encarapinhados”. (17/09/1924 – pág. 02/coluna 01)

UMAS CHICOTADAS POR CONTA!

“Francisco Corrêa de Carvalho apresentou, hontem, á tarde a policia queixa contra João We...., gerente da garagem Brück pelo facto de ter este lhe dado uma chicotadas em pagamento de um mez e tento de serviços prestados ao gerente da garagem”. (03/03/1925 – pág. 02/coluna 02)

A POLICIA VAREJOU HONTEM UMA POCILGA INFECTA

“Dr. Mario Dias foi comunicado por telephone, de que na rua Theresa n. 1248, casa onde se acoitam numerosos desoccupados e mulheres de reputação duvidosa, se originara um grande escandalo de grave ordem publica, cuja proprietaria do cortiço seria Julia Cecília de Castro R......, brasileira viuva, branca com 32 annos de edade. No infecto compartimento em que reside a proprietaria foram encontradas duas creanças, uma de oito annos e outra de 9 meses. Foram presos no local Luiza Leopoldina, parda, solteira, com 26 annos, Maria Antonietta, brasileira, preta, casada mais separada do marido com 31 annos, Francisca de Assis, viuva com 48 annos...”. (02/04/1925 – pág. 02/coluna 02)

CONTRA O VICIO

“Li hontem o topico publicado sobre uma pensão de mulheres duvidosas localisado na rua João Bonifacio, na qual se praticam actos indignos. Não é só essa casa que existe em Petrópolis no genero, há outras ainda piores, como por exemplo a da megera conhecida por Anninha portugueza, onde a pratica de actos amoraes são frequentes, com grande escandalo público. Essa espelunca está situada no morro do Encanto, em frente ao edifício onde funcciona a Embaixada ingleza. Alli se reunem mulheres e homens desclassificados que em altas vozes trocam ditos obcenos”. (10/041925 – pág. 02/coluna 02)

CONTINUA A JOGATINA DA RUA JOSÉ BONIFACIO

“Na espelunca existente na rua José Bonifacio, com rotulo de pensão “Margarida” ou pensão da “Boneca”, continua a jogatina, onde há dias demos voz de alarme dos abusos praticados por certos infelizes que perambulam pelas nossas ruas”. (17/04/1925 – pág. 01/coluna 06)

EM FAMILIA....BARULHO, FOICE E XADRES

“O commissario Pedro José Jehren prendeu Maria Helena H....., Anna Nula e João H...pela mulheres se empenharem em lucta corporal, a despeito de serem cunhadas, e este tentando apartal-as, muniu-se de uma foice e feriu Anna Nula, que é sua irmã, com um golpe na cabeça. O facto passou-se na Mosella”. (22/04/1925 – pág. 01/coluna 04)

MAIS UM ANTRO DE PERDIÇÃO NA RUA VISCONDE DE ITABORAHY

“O sr. Cezar Di L...., estabelecido com botequim á rua Visconde de Itaborahy n. 191, em frente ao campo do Serrano F. C., fez, no porão da casa em que funcciona o seu negocio, alguns quartos, que estão alugados a mulheres de vida esquiva, onde reune-se grande numero de desoccupados, entregando-se a pratica das cousas mais condemnaveis”. (23/04/1925 – pág. 01/coluna 05)

NA RUA ROCKEFELLER HÁ TAMBEM UMA ESPELUNCA

“Segundo nos disseram hontem, a autoridade policial mandou fechar a casa da rua do Encanto onde se verificavam constantes escandalos, com grande prejuizo da moral publica. Um dos nossos leitores esteve hoje em nossa redacção comunicando outro cancro social na rua Rockfeller onde se reunem mulheres sem escrupulos que se entregam a pratica de actos condemnaveis, com algazarra pornographica”. (25/04/1925 – pág. 01/coluna 05)

TIRADENTES TEUTONICO

“A policia recebeu queixa, da varias pessoas, contra o dentista allemão José Hings, que há pouco tempo dessa profissão, á Avenida Bolivar 202. Segundo os queixosos, José Hings, que da Hollanda, para onde se refugiára em Petrópolis, foi a terra que elle escolheu para agir mais á vontade, onde recebia dos seus clientes a importancia estipulada para o serviço quer nunca terminava. O número de suas victimas eleva-se a algumas dezenas, onde desappareceu desta cidade sexta-fera o “Tiradentes teutonico”. (26/05/1925 – pág. 01/coluna 05)

DESFAZENDO UMA DUVIDA – ERA MESMO MULHER

“Com o seu todo masculino, embora usasse saias, a preta Maria Luiza Ramos, residente em Cascatinha fazia levantar duvidas a respeito do seu sexo. Foi encarregado de apurar a verdade o agente Castro que se saiu admiravelmente do encargo apresentando um laudo que fica provado que a Maria é mesmo mulher. Devia ser interessante saber como foi que o Castro soube.....”. (10/06/1925 – pág. 01/coluna 03)

ROLOU DO BARRANCO

“Passaram o domingo a bebericar no Quarteirão Suisso o individuo Antonio Pinto e sua companheira a preta Maria Magdalena. Lá pelas tantas começaram a trocar “piparotes” pois achavam-se possuidores de muito “beguim”. Em dado momento a Magdalena, mais enthusiasmada, deu um empurrão no Pinto e este rolou por um barranco abaixo, saindo bastante ferido. Resultado: Ella está no xadrez e elle no hospital”. (08/08/1925 – pág. 01/coluna 05)

ESTRAGOU-LHE A FAZENDA

“Compareceu a delegacia de policia D. Seraphina Jacomini residente na Estrada da Saudade n. 1056, que ali fora pedir providencias contra a costureira Lucilia Rangel, a quem incumbira de fazer-lhe um vestido de corte de tricolini. Acontece que a costureira errou no corte, saindo seu trabalho muito mal feito. D. Seraphina pediu então indenização da fazenda não sendo attendida. O delegado promete providenciar”. (22/08/1925 – pág. 02/coluna 02)

MAU MARIDO

“Queixo-se á policia d. Antonia de Almeida Lima, contra seu marido Amelio de Araujo Lima, que há cerca de trez mezes, abandonou o lar, levando para lugar ignorado duas vaccas de propriedade do casal. A queixosa, que reside numa pobre casa de sapê, ficou desamparada, com trez filho”. (27/11/1927 – pág. 01/coluna 06)

DIVERTIMENTO DE MAU GOSTO

“O menor Elydio de Mendonça de 16 annos foi heroe da façanha que, tendo obtido um apito identico aos usados pela Inspectoria de Veículos, poz-se a fazer o serviço, provocando com seu apito a parada de carros e automoveis, onde foi preso e conduzido a delegacia”. (16/03/1926 – pág. 01/coluna 05)

ACAUTELEM-SE, SRS. DENTISTAS

“Sequioso por satisfazer o vicio que o domina, e impossibilitado de adquirir o elemento para satisfazel-o, lançou mão de um recurso infallível: Procura um dentista queixando-se de dores num dente, onde o dentista sem poder saber a verdade apllica cocaina. Em outro dentista elle comparece com uma dentadura na mão que é um verdadeiro caco pedindo um orçamento para renovar a sua machinaria, quando o dentista sai para fazer o orçamento ele pega em seu armario vidros com a cocaina e foge. A primeira victima do ardiloso viciado foi o conhecido cirurgião dr. Ascanio Ribeiro. Acautelem-se, pois, os srs. dentistas quando surgir em seus consultorios o tal rapaz de meia estatura, moreno, com uma dentadura em petição de miseria”. (10/04/1926 – pág. 01/coluna 04)

ESTRANHO “MÉNAGE”

“A subdelegacia de policia queixou-se antehontem o sr. Roque Marques de Oliveira, morador da rua Teresa n. 333, que, tendo alugado um commodo a Jacyntho Tavares este deu entrada  no mesmo a um casal, constituindo ali um escandaloso “mémage á trois”, além de não pagar o aluguel. Depois de um estagio de 14 horas no xadrez, o accusado Jacyntho prometeu á autoridade regenerar-se, pagando o aluguel e por fim á ligação”. (13/11/1926 – pág. 01/coluna 06)

FURTARAM OS MMM

“Queixou-se á delegacia, o dr. Nilo Martins, residente á rua Floriano Peixoto n, 110, que na madrugada do dia 28 os ladrões penetraram em sua residencia, donde carregaam os seguintes objetos: dois lençóes, sendo um com letra M maiuscula, e outro com um m minusculo, um lençol de solteiro bordado e duas colchas brancas. A policia tomou as providencias”. (30/11/1926 - pág. 01/coluna 06)

FURTOU DUAS MALAS

“Foi preso hontem pela praça n. 209, o allemão Karl Jorge R...., de 35 annos, casado e redidente na rua Mosela n. 1504, por ter furtado duas malas do estabelecimento commercial do sr. Joaquim Thomaz á av. 15 de Novembro”. (02/12/1926 – pág. 01/coluna 03)

PESCADORES ORIGINAIS

“Pelo commissario de policia José Duarte, foram presos os menores Avelino dos Santos, preto com 1 annos, residente no Quarteirão Floresta n. 201 e Nelson Thomaz, brasnco com 12 annos, morador á avenida 15 de Novembro. Esses menores foram surprehendidos quando, armados de varas de bambús, com um laço numa das extremidades, se divertiam a “pescar” as gallinhas de uma casa da rua Silva Jardim”. (07/07/1927 – pág. 01/coluna 02)

UMA CASA DE 'RENDE-VOUS”

“Alguns moradores da rua Dr. Sá Earp n. 41 trouxeram-nos a grave informação de que naquella rua se estabeleceu, sob a direcção de um individuo sem escrupulos, uma casa de “rende-vous”, onde se desenrolam as mais vergonhosas scenas. Segundo nos informaram são varias mulheres que ali são exploradas por esse individuo. Foram intimados a comparecer á delegacia o sr. Antonio Ayres e Duarte L. Moreira, locatario e sublocatario do predio”.(02/09/1927 – pág. 02/coluna 03 e 11/09/1927 – pág. 02/coluna 03)

UM PRECIOSO ACHADO – TOXICOS EM PETRÓPOLIS

“Um precioso achado, feito numa casa da rua José Bonifacio onde em tempos funccionou um bordel elegante, veiu-se a saber que também em Petrópolis há aspiradores do “pó” e quem o vende occultamente. No esgoto desse predio foram encontrados 115 vidros de cocaina, alguns ainda cheios, que só poderiam ter ali sido occultados quando na casa funccionava a famosa Pensão das Margaridas. A sua proprietaria, que hoje explora uma casa similar na av. Mem de Sá, no Rio, anda ás voltas com a policia”. (15/09/1927 – pág. 01/coluna 06)

ALUGUER Á HORA?

“Intimada pela policia compareceu hontem á delegacia a portugueza Maria Rosa de 40 annos e residente á av. 15 de Novembro por alugar um quarto seu por 1$000 por 1 hora as mulheres de vida facil. A policia mandou que Maria Rosa desoccupe o citado quarto dentro de 24 horas”. (13/12/1927 – pág. 02/coluna 03)

PELA MORALIZAÇÃO DA CIDADE

“Um dos grandes males sociaes desta cidade reside nos escandalos que mulheres publicas de baixa esphera dão constantemente, nas ruas e nos logradouros, envergonhando as familias. O local preferido por taes mulheres para scenas indecorosas é a estação da Leopoldina onde ellas á chegada dos trens, principalmente nos da tarde e da noite se exhibem despudoradamente”. (15/06/1928 – pág. 04/coluna 01)

UMA VERGONHA QUE É PRECISO ACABAR

“Há, na rua Bolivar, uma casa em que residem diversas mulheres de vida airada. Destituídas da menor parcella de senso moral, essas mulheres promovem ali formidaveis escandalos, impedindo que cheguem ás suas janellas familias distinctas que residem nas immediações do convento”. (18/10/1928 – pág. 01/coluna 03)

UM BOI QUE SE SUICIDA

“Hontem, quando eram dirigidas para o matadouro algumas dezenas de rezes, afim de serem abatidas para o consumo publico, ao passarem pelo Retiro, uma dellas, talvez indignada com a sorte que aguardava, desgarrou-se da boiada, afim de escolher, talvez uma morte mais suave e honrosa....Perseguida pelos boiadeiros e acossada pelos cães, a rez atirou-se da ponte da rua Henrique Dias ao rio, morrendo poucos momentos antes”. (22/11/1928 – pág. 02/coluna 04)

QUIZ MORALIZAR A ZONA, MAS APANHOU

“Na casa n. 615, da rua Quissamã, reside há muito tempo o sr. José Moreira da Silva. Se esteve em paz até há pouco, essa tranquilidade deixou de existir desde que nos fundos daquelle predio foi residir um grupo de mulheres, com as quaes o José da Silva não quer o menor trato. Importunado com a barulhada que essas mulheres fazem principalmente á noite, ao esfregar os olhos de sono, o José foi bater lhe á porta, intimando-as as a moderarem. Antes não o fizesse, porque as damas cairam-lhe em cima, sovando o a valer. O José abriu as guelas, despertando o senhorio, que tomando as dores do sexo fraco ainda o ameaçou de despejo. Mais tarde, depois de recompor-se a refrigerar a pelle com applicações de arnica, o fracassado apostolo da moralidade foi queixar-se a subdelegacia”. (15/12/1928 – pág. 01/coluna 04)

O POLICIAMENTO DA CIDADE

“Petrópolis, necessita de um policiamento extra, durante a noite. O dr. Alvaro Bastos, delegado regional e o commandante do destacamento local, vendo que a segurança individual e particular precisam de melhores garantias, tomaram optimas providencias. Determinou que uma patrulha policie a cidade durante a noite, confiando o seu commando a um policial criterioso, o cabo José Couto do Nascimento”. (23/04/1929 – pág. 04/coluna 03)

A POLICIA VAREJOU DUAS CASAS DE JOGO DO BICHO

“Hontem, ás primeiras horas da tarde, a autoridade varejou duas casas, uma no Mercado Municipal, “A Mascotte”, e outra na artéria principal da cidade, a “Casa Avenida”. (19/09/1930 – pág. 01/coluna 04)


JORNAL GAZETA DE PETRÓPOLIS

“A garotada vadia entendeu agora de apedrejar os vidros que ainda restam do Palácio de Crystal, Chamamos a attenção da policia para este facto”. (312/03/1903 – pág. 01/coluna 04)
 

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