Tribuna de Petrópolis:
01/09/2004

MENS SANA IN CORPORE SANO

Ruth Judice

Ainda em São Paulo onde nasci e estudei tive a boa sorte de ser interna num colégio excepcional; Colégio Stafford.

Eduquei-me sob esse lema: "Mente sã em corpo são"! Já faz muito tempo, ainda nos anos 40. A máxima de Juvenal (Sátiras, X, 356) lembrava que o homem sábio só pede aos céus a saúde da alma aliada à saúde do corpo. Atualizando, hoje diríamos: que a saúde do corpo é essencial para a saúde do espírito.

Estudávamos muito, todo o alicerce do que sou hoje surgiu ali. Ao mesmo tempo praticávamos esportes. Numa época em que as alunas de alguns colégios de freira ainda eram obrigadas a tomar banho de camisola, nós aprendíamos a nadar numa piscina nossa. Jogávamos tênis, fazíamos atletismo com competições, dentro do interesse de cada aluno. Mas a ginástica, três vezes por semana, era obrigatória.

Porque os colégios fugiram dessa diretriz?

Quando a educação, no Brasil, voltará a ser o principal esteio da formação dos jovens?

É neles que o país tem que investir. A intenção primordial deveria ser ilustrar a mocidade, mas ao mesmo tempo introduzir o esporte no seu currículo. O esporte preenche o vazio que faz o jovem procurar a droga.

Estamos acompanhando, com maior ou menor atenção as Olimpíadas que estão acontecendo na Grécia, onde elas nasceram em 776 a.C. Quem está mais atento e já acompanha há mais tempo, já se perguntou alguma vez, porque os Estados Unidos conseguem tantas medalhas.

De onde vem essa pujança?

Para mim a resposta é uma só. Vem dos colégios, das high schools, e amadurece nas Universidades. E não pára por aí. As Universidades se confrontam, nas diversas modalidades de esportes. Daí, é um pulo para os Campeonatos do Mundo e deles para o maior confronto entre os desportistas - As Olimpíadas. (Por favor, sempre no plural e não no singular como ouvimos a cada minuto nas transmissões de televisão!) Olimpíadas são sinônimos de: os Jogos Olímpicos. Olimpíada no singular, é o espaço compreendido entre duas Olímpiadas. Consulte seu Houaiss ou Buarque de Holanda.

Como dizia, o segredo americano vem daí. E por que não começar por Petrópolis, onde já temos tantas Faculdades?

Senhores candidatos a prefeito. Vamos estimular o hábito do esporte nos colégios públicos. Criar nossas próprias Olimpíadas, com competições constantes.

Novos dirigentes da U.C.P, não seria talvez mais um recurso para levantar nossa querida Universidade?

Traria um interesse a mais a essa juventude que já começa a conhecer o esporte.

Vamos levá-los a competir e quem sabe, daqui sairão alguns olímpicos?

Ao lado de tudo isso, o que não se pode esquecer é de aprimorar nossa cultura. Por exemplo, um desportista que vai à Atenas para acompanhar as Olimpíadas, deve ter um pouco de interesse em saber o que pode encontrar na cidade. E em cidades históricas como a capital da Grécia, até um pouco mais que isso. Saber o que é classicismo. Saber que a Antiguidade clássica juntou duas grandes civilizações, a grega e a romana. E em Atenas, pelo menos saber da importância do Parthenon (448-432 a.C), templo construído no apogeu grego, para a deusa Atena Parthenos, onde Fídeas, executou todas a maravilhosas esculturas que existiam no frontão e no friso do edifício e que hoje enchem os Museus da Europa (principalmente o de Londres). Ao subir à Acrópolis (acro+polis= cidade alta) passar primeiro pelo Proprileus (pórtico de entrada), depois olhar para a esquerda e deliciar-se com as Cariátides (mulheres da Cária) que ficam ao lado do Erectherion, para então fazer o que todos que conhecem arte desejariam: ajoelhar-se diante do Parthenon para reverenciar uma das obras máximas de arquitetura ocidental! E não falar o que eu ouvi ontem pela televisão. Uma jovem, esposa de desportista brasileiro atuando nas Olimpíadas, quando entrevistada ouviu do repórter a seguinte pergunta:

- O que você achou da Acrópolis?

Resposta apontando para o conjunto:

- "Lá, só tem um monte de pedra. Mas é legal".

Depois disso, só me restava desligar a televisão, horrorizada..

Primeiro blasfemei e depois invadiu-me uma tristeza. Muda Brasil!.

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