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IMIGRAÇÃO ÁRABE NO BRASIL – UMA QUESTÃO DE IDENTIDADE – REFLEXOS EM PETRÓPOLIS

IMIGRAÇÃO ÁRABE NO BRASIL – UMA QUESTÃO DE IDENTIDADE – REFLEXOS EM PETRÓPOLIS Vera Lúcia Salamoni Abad, Associada Titular, Cadeira n.º 37 – Patrono Sílvio Júlio de Albuquerque Lima   A crônica da imigração árabe para o Brasil pode se valer de muitos pontos de vista. Estudos acadêmicos buscam determinar uma data para o início de um movimento imigratório, mas não chegam a uma conclusão. Estatísticas mostram em números quantos vieram, sem poder precisar suas origens pela diversidade de documentos de viagem. Recentemente, alguns importantes trabalhos foram elaborados a partir de informações colhidas em entrevistas com descendentes dos que aqui vieram ter. Enfim, são estes últimos os melhores contribuintes na obtenção de informações para a elaboração de uma narrativa consistente deste processo singular dentro de nossa história. A história de Petrópolis também faz a sua parte e contribui com dados e fatos de alguma relevância, curiosidades talvez. Sem deixar de notar que foi seu criador, D. Pedro II, um fator importante no processo da imigração árabe para o Brasil. 1 – INÍCIO DA IMIGRAÇÃO. Apoiada nos estudos de Knowlton (1960), Safady (1972) e outros, Maria Lúcia Mott, em seu capítulo sobre a imigração árabe no livro “Brasil 500 anos de povoamento”, registra datas para a presença de imigrantes árabes no Brasil como 1880 com a chegada de Yussef Moussa, ou dos irmãos Zacarias em 1874 ou até mesmo que a verdadeira origem de Antônio Elias Lobo, o português que doou a Quinta da Boa Vista a D. João VI fosse libanesa. Sabemos que em Petrópolis, em 1860, já existia o Hotel Oriental de propriedade de Said Ali, de origem dita turca. O fato é que presenças pontuais não caracterizam propriamente um movimento migratório e o modo como se deu a imigração, famílias trazendo seus membros aos poucos, um parente trazendo outros, amigos, vizinhos, sempre por conta própria em navios provenientes de Marselha ou Gênova, só permite o registro de um número significativo de pessoas a partir do final do século XIX e início do século XX. Muitos vieram antes da guerra de 1914 e mais outros logo depois, ao ser restabelecido o transporte marítimo normal até os anos 30 decrescendo em número nos primórdios da Segunda Guerra Mundial. 2 – ORIGEM “O processo deu-se principalmente na área geográfica conhecida como Bilad al-Sham (Territórios de Damasco) ou Surya (Síria). O termo Síria era usado desde a Idade Média por geógrafos árabes para […] Read More

DONA JANUÁRIA DE BRAGANÇA, A PRINCESA DA INDEPENDÊNCIA – O CONDE D’AQUILA E A LUTA FAMILIAR CONTRA GARIBALDI

Dona Januária de Bragança, a Princesa da Independência – O Conde d’Aquila e a luta familiar contra Garibaldi – Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança (Dom), Associado Correspondente   Quem foi Dona Januária? Sua figura esteve sempre à margem da história, sendo desconhecida pelo grande público. De qualquer maneira, sua personagem esteve ofuscada pela do irmão, o grande Imperador Dom Pedro II. Dona Januária é, sem dúvida, uma personalidade singular. O berço lhe proporcionou uma altíssima posição, e glórias. A vida lhe reservou o destaque da pátria, o exílio, a penúria, e desgostos familiares. A sua bondade e a sua primorosa e inata educação a ajudaram a superar a sequência de grandes golpes, sempre suportados desde a infância. Ela herdou a grandeza de ânimo de sua mãe, a Imperatriz Dona Leopoldina, sem ter, no entanto, o privilégio da mesma visão política e cultural. Era tímida, sensível, introvertida. Ela não era bonita e não irradiava vivacidade, seu semblante era sério e meditativo. A estatura era mediana, mas o porte era de rainha. Nasceu como Infanta de Portugal, foi chamada de “Princesa da Independência”, foi a primeira princesa imperial do Brasil, irmã de um imperador e de uma rainha aparentada com todas as cabeças coroadas católicas na Europa. Quando nasceu, no Paço de São Cristóvão, em 11 de março de 1822, a Corte estava de luto. Havia falecido, poucas semanas antes, o pequeno Dom João, precedido do irmão Dom Miguel, dois anos antes, em abril de 1820. Bem podemos imaginar a ânsia dos pais, já tão provados pela mortalidade infantil, que naquele tempo assolava as famílias. A natividade de Dona Januária ocorreu em momento de grande reboliço político. A Independência estava na ante porta, à espreita. A pequena herdeira, mimada por todos, foi solenemente batizada na Capela Imperial uma semana após o nascimento, recebendo o nome que a ligaria à sua cidade natal, seguido por mais onze nominativos tradicionais nas famílias reais de Portugal e do Brasil. Em seis meses, ela passaria de Infanta de Portugal à “Princesa da Independência”, como a “vox populi” a apelidou. Ela não ficaria sozinha na “creche imperial”, pois em 1823, a mesma foi agraciada com o nascimento de Dona Paula Mariana, seguida, em 1824, por Dona Francisca. Por último, nasceu, em 1825, a grande esperança da dinastia, o futuro Dom Pedro II. Porém, nuvens sombrias começaram a se abater sobre os pequenos infantes. Dona Januária tinha quatro […] Read More

DOM SEBASTIÃO, o INFANTE CARIOCA

DOM  SEBASTIÃO,  o  INFANTE  CARIOCA Dom Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança (Dom), Associado Correspondente Muito se tem escrito sobre a chegada da família Real ao Brasil. Os 200 anos foram festejados com conferências,  publicações e hóspedes ilustres foram trazidos à nossa terra. A importância desse evento para a Terra Santa Cruz foi festejado com entusiasmo e sublinhado dizendo-se  que este acontecimento tinha sido um dos maiores, senão o maior, presente que Portugal nos fez. Nós o devemos ao senhor Bonaparte, um corso de origem italiana, que a si mesmo proclamou Imperador e que de qualquer maneira transformou o mundo de então. Em todos os acontecimentos, no entanto, fogem pequenos particulares. De um desses desejo ocupar-me. É uma migalha histórica, que passou desavisada nas imponentes dissertações que enfeitaram a vinda da Corte Lusitana para a ex-Colônia, para o Vice-Reino, para o Reino e para o futuro Império. Tivemos uma ascensão rápida e única na história. Dentro do turbilhão da chegada da Corte, passou quase desapercebido um jovem. Tinha 22 anos. Dizem que não era bonito, faltam-nos retratos para confirmar esta afirmação. Caminhava ao lado do Regente, era quase a sua sombra, era o seu sobrinho predileto, era o Infante Dom Pedro Carlos. Para se chegar ao personagem objeto desse estudo, temos que olhar para trás na história. Em 1785, a Infanta Dona Maria Ana Vitória, irmã de Dom João, casava com o riquíssimo Infante Dom Gabriel da Espanha, filho predileto do Rei Carlos III. A Infanta tinha 20 anos. Em 1786 nascia em Aranjuez Pedro Carlos; foi batizado e recebeu 18 nomes. (1) 1.Devemos a religiosidade da Casa de Bourbon à tradição de dar seus recém-nascidos uma imponente série de nomes de santos protetores. Um neto de Dom Pedro Carlos chegou ao primado de receber uma carga de bem 27 apelidos. Em geral a imposição dos nomes era aliviada, aplicando-se após pelo menos 15-20 denominações a fórmula: “y todos los santos”. A mortandade infantil naquele tempo era altíssima e assim esta praxe era uma invocação, um pedido a uma tão necessária proteção celeste. Seguiram-se dois partos infelizes. A varíola grassava na Espanha e em 1788, com a distância de 18 dias, o pequeno Pedro Carlos perdeu os pais. Tinha dois anos; o Rei Carlos III, prostrado com a morte do jovem casal, tomou a si a formação do neto. O menino tinha nascido debaixo de uma má constelação, pois vinte […] Read More

HISTÓRIA DA CÂMARA MUNICIPAL DE PETRÓPOLIS SEGUNDO AS ATAS DE SUAS SESSÕES – BREVES COMENTÁRIOS SOBRE OS ARTIGOS PUBLICADOS.

HISTÓRIA DA CÂMARA MUNICIPAL DE PETRÓPOLIS SEGUNDO AS ATAS DE SUAS SESSÕES – BREVES COMENTÁRIOS SOBRE OS ARTIGOS PUBLICADOS. Paulo Machado da Costa e Silva, ex-Associado Emérito, ex-Titular da Cadeira n.º 2 – Patrono Alcindo de Azevedo Sodré, falecido A título de introdução Em 1965, quando eu era Presidente da Câmara Municipal, tentei, com o apoio do Prof. Lourenço Luiz Lacombe, Diretor do Museu Imperial, em cujo acervo se encontravam tombados dez volumes das Atas da Câmara, realizar a transcrição das Atas do primeiro volume. Por falta de pessoal preparado e de técnica adequada, fui obrigado a interromper o iniciado e a desistir do projeto. Vinte e nove anos mais tarde, em novembro de 1993, juntamente com a equipe do Museu, levamos ao Presidente da Câmara Municipal, Vereador Márcio Arruda de Oliveira, a proposta de a Câmara Municipal se associar ao Museu na realização do projeto de “Preservação das Atas da Câmara Municipal de Petrópolis,” preparado pelo Setor de Documentação e Referência do seu Arquivo Histórico. A Câmara Municipal, compreendendo a importância e a oportunidade da proposta, promulgou a Lei Municipal n° 5.110, de 20 de janeiro de 1994, que instituiu, em caráter permanente seu projeto de “Recuperação da Memória Histórica do Legislativo Petropolitano.” Em consequência, em 16 de março de 1994, foi assinado um Termo de Cooperação Técnica pela Diretora do Museu Imperial, Dra. Maria de Lourdes Parreiras Horta, e pelo Presidente da Câmara Municipal, Vereador Márcio Arruda de Oliveira. De imediato, compostas e preparadas as duas equipes, a do Museu e a da Câmara, puseram mãos à obra, realizando o trabalho com extraordinário interesse e competência, sob a orientação da equipe técnica do Museu. Os dois Presidentes da Câmara Municipal, a seguir, os Vereadores Nelcyr Antônio da Costa e Ronaldo Carlos de Medeiros Júnior, por sua compreensão esclarecida e por seu constante apoio, no que competia à parte da Câmara, tornaram possível a realização da parte inicial do projeto. Assim, as Atas da 1ª e da 2ª Legislaturas foram editadas em disquete, lançado em setembro de 1997, abrangendo o período de 17.06.1859 a 30.12.1864. Sucessivamente, foram editados mais três disquetes. O segundo, em dezembro de 1998, com as Atas das 3ª e 4ª Legislaturas, isto é, de 1865 a 1872; o terceiro, em abril de 2000, com as Atas das 5ª e 6ª Legislaturas, de 1873 a 1880; o quarto e último disquete, em dezembro de 2000, com […] Read More

TRINTA ANOS SEM GUSTAVO ERNESTO BAUER

30 ANOS SEM GUSTAVO ERNESTO BAUER Maria das Graças Duvanel Rodrigues, Associada Titular, Cadeira n.º 21  – Patrono Gustavo Ernesto Bauer Em 27 de agosto de 2009 faz 30 anos que Gustavo Ernesto Bauer partiu e deixou muitas saudades, lembranças, escritos, mensagens, recomendações e exemplos. Bauer viveu toda sua vida dedicando-se aos estudos, às pesquisas, à família, à conservação das tradições e ao resgate da cultura germânica em Petrópolis. Na ocasião de seu falecimento foram inúmeras as homenagens encaminhadas a seus familiares por cartas, ofícios, crônicas, artigos, telegramas e moções de pesar, de amigos e autoridades. Todos lamentavam a partida deste que marcou sua existência com a busca do aperfeiçoamento técnico, científico, moral e cultural. Das mais distantes e diversas instituições, empresas e jornais, chegaram cumprimentos que significavam lamentos pela perda deste inesquecível pesquisador de História. Desde que tomei posse, como associada titular do Instituto Histórico de Petrópolis, cadeira nº 21, sob a patronímica do ilustre historiador Gustavo Ernesto Bauer, venho por meio de pesquisas conhecendo, admirando e assimilando os seus ricos ensinamentos. Quanto mais leio seu trabalho, mais reconheço a importância desse petropolitano, que sempre teve em mente o resgate dos valores tradicionais, da cultura germânica, do cuidado e preservação dos recursos naturais. Na passagem desta data, não podia deixar de homenagear esta figura humana inestimável que teve por ideal a ciência, a verdade, a autenticidade, aliando sua formação técnica com a atividade de pesquisador, historiador, filósofo e ambientalista. Bauer publicou muitas crônicas e artigos nos quais demonstrava seu interesse pelo meio ambiente. O último artigo, escrito no próprio mês e ano em que veio a falecer e que tratava do assunto com muita propriedade não chegou a ser publicado. Ficou guardado no arquivo pessoal de sua filha, Vera Bauer, que 30 anos depois, nos cedeu gentilmente para a publicação numa homenagem póstuma. Transcrevo, portanto a seguir, o trabalho em que Gustavo Ernesto Bauer mostrava o vanguardismo de sua preocupação, com o tema que atualmente é matéria constante nas manchetes e agendas nacionais e internacionais. “ COMEÇOU A NÉVOA SECA Sim, começou a comemoração em homenagem à natureza, às árvores, aos pássaros, ao MEIO AMBIENTE!… Da nossa janela aqui na rua Indaiá, ouço o crepitar, os estalos, os gemidos das poucas árvores que restam de um loteamento fantasma, pois ninguém mora lá, por enquanto. Mas o espetáculo é bonito, impressiona. Parece o… Etna em princípio de erupção… Esta queimada […] Read More

CONTRIBUIÇAO À HISTÓRIA DA IMPRENSA PETROPOLITANA “O DIABO PETROPOLITANO DA BELLE EPOQUE”

CONTRIBUIÇAO À HISTÓRIA DA IMPRENSA PETROPOLITANA “O DIABO PETROPOLITANO DA BELLE EPOQUE”[1]  [1] Publicado na primeira pagina do segundo caderno da Tribuna de Petrópolis, em 10 de dezembro de 1983. Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, Associado Titular, Cadeira n.º 13 – Patrono C.el Amaro Emílio da Veiga    No decorrer de 1982 ao iniciarmos nossas românticas pesquisas sobre a História da Imprensa Petropolitana, não poderíamos nunca imaginar que tal empreendimento nos forneceria tão apurado, raro e rico material documental para diversas publicações . E nem mesmo poderíamos conceber que a Petrópolis de outrora fosse tão dinamicamente diferente da inerte cidade que hoje conhecemos. Assim sendo, após um longo ano de estudos e pesquisas conseguimos catalogar e documentar trazendo ao conhecimento de nosso público, inúmeros elementos até então totalmente desconhecidos pelas novas gerações, e é o que de certo modo nos continua estimulando ante tão difícil, sedutor e nada rendoso afazer, porém que em seu todo se torna espiritualmente e profissionalmente compensador.  Não nos foi também sem méritos que as obras sobre História da Imprensa no Brasil do Professor Nelson Werneck Sodré e os diversos artigos especializados do professor Marcelo Ipanema, além do estimulo de diversos amigos com suas criticas e observações, nos amadureceram para que nos dedicássemos de corpo e alma a esta árdua iniciativa.  Assim com o apoio da equipe de direção da Tribuna de Petrópolis que nunca mediram esforços para que tais publicações se realizassem, e o material coletado e impresso hoje seguisse o perene caminho do registro histórico.  Por tal, é que no interregno das publicações que ora se seguem dominicalmente sobre “A Imprensa Petropolitana na República Velha”, procuramos um assunto também pitoresco e relativo a imprensa e que pudéssemos no máximo esplendor técnico das possibilidades da Tribuna [2], imprimir, nos mais puros requintes da originalidade do documento como textualmente registrando assim de forma definitiva uma revista que marcou época na imprensa petropolitana. Pela sua altivez, beleza, leveza e pureza tanto de impressão como critico-humoristico, como foi O DIABO.  [2] Já com impressão em off-set nesta época foi possível reproduzir a página do no. 1, assim como a primeira e última página (8) do no. 2, onde a arte predominava. Ressaltando-se na gravura da pagina 8, onde está “Petrópolis em caricatura”. Teria a mesma que no conjunto de publicações da época do nosso antigo Distrito Federal, Rio de Janeiro, Possuir enorme destaque, não fosse haver escapado o […] Read More

BICENTENÁRIO DO ALMIRANTE TAMANDARÉ EM 13 DE DEZEMBRO DE 2007

BICENTENÁRIO DO ALMIRANTE TAMANDARÉ EM 13 DE DEZEMBRO DE 2007 Cláudio Moreira Bento O Almirante Joaquim Marques Lisboa e Marquês de Tamandaré – o Nelson Brasileiro, é por tradição cultuado patrono da Marinha do Brasil, e hoje, no Exército, como denominação histórica de seu 6º Grupo de Artilharia de Campanha. Pela Marinha, por ele: “Representar na História Naval Brasileira a figura de maior destaque dentre os ilustres oficiais de Marinha que honraram e elevaram a sua classe. E, que neste dia deveria a Marinha render-lhe as homenagens reclamadas por seus inomináveis serviços à liberdade e união dos brasileiros, demonstrando que o seu nome e exemplos, continuam bem vivos no coração de quantos sabem honrar a impoluta e gloriosa farda da Marinha Brasileira”. Pelo Exército por o considerar o maior herói militar brasileiro nascido na cidade de Rio Grande, sede de seu 6º Grupo de Artilharia de Campanha. Por seus quase 67 anos de heróicos, lendários e excepcionais serviços, além de por tradição ser consagrado o patrono da Marinha e a data de seu nascimento o Dia do Marinheiro. O futuro Almirante Tamandaré ingressou na Marinha em 4 de março de 1823, aos 16 anos, tendo sido designado para servir a bordo da fragata “Niterói”, como praticante de piloto, ao comando de Taylor que, integrando Esquadra Brasileira de Lord Cochrane, combateu os portugueses na guerra da Independência, na Bahia, em 1823. Terminada esta guerra, na qual se destacou, freqüentou por quase um ano a Academia Imperial dos Guardas-Marinha, até ser requisitado pelo Almirante Cochrane para embarcar na nau “D. Pedro I” destinada a combater a Confederação do Equador, no Nordeste. Nestas ações se impôs a admiração e estima dos seus chefes que atestaram que ao tempo de sua participação na guerra da Independência “já possuía condições de conduzir uma embarcação a qualquer parte do mundo”. Segundo Gustavo Barroso: “Foi Tamandaré marinheiro do primeiro e segundo Império, que vira o Brasil Reino, guerreara na Independência, no Prata, tomara parte ao lado da lei em quase todas as convulsões da Regência, criara e legara a vitória no Uruguai e no Paraguai à Marinha, do segundo Império, assistira a Proclamação da República, a Revolta na Armada, pisara o convés de tábuas dos veleiros e na coberta chapeada de ferro dos encouraçados, vira a nau e o brigue, o vapor de rodas e o monitor e a couraça e o torpedeiro destinada a vencê-la”. Após […] Read More

PARAHYBA (O) – ANCESTRAL DO INSTITUTO DE ESTUDOS VALEPARAIBANOS

O PARAHYBA – ANCESTRAL DO INSTITUTO DE ESTUDOS VALEPARAIBANOS Francisco José Ribeiro de Vasconcellos, Associado Emérito, ex-Titular da Cadeira n.º 37 – Patrono Sílvio Júlio de Albuquerque Lima Foi pela mão de Augusto Emilio Zaluar que começou a circular em Petrópolis, a partir de 2 de dezembro de 1857 o jornal “O Parahyba”, que lamentavelmente encerrou suas atividades em fins de 1859. Apesar de seu pouco tempo de existência, foi um periódico arredio ao insulamento, rebelde ao localismo ensimesmante, sobranceiro às iniqüidades da politicalha, ao chamamento das questiúnculas paroquiais, ao disse que disse das comadres e compadres pobres de espírito. “O Parahyba” foi uma folha desfronteirizada, mensageira de intensa comunicação social na província do Rio de Janeiro e no vale do Paraíba, fosse ele fluminense, mineiro ou paulista. Ela cuidou de aproximar culturas, interesses, provocando uma permanente troca de informações, de experiências, de resultados. E foi o arauto dos reclamos e das inquietações dos povos rurais e urbanos de boa parte do sudeste brasileiro. Remigio de Sena Pereira, que foi um de seus principais redatores, em matéria publicada na edição de 21 de novembro de 1858, afirmou com muita propriedade a verdadeira vocação d’ “O Parahyba”. Disse ele: “Já dissemos e repetimos com a sanção de autoridades que nos têm julgado, O Parahyba não é um jornal de localidade, um jornal bairrista, é sim um jornal propriamente da província. E ainda mais, na conexão natural dos interesses que lhes são comuns entrelaçará no desempenho de sua idéia fundamental as três irmãs limítrofes, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, sem que todavia decline, como órgão da imprensa brasileira a sua parte nas questões gerais”. Tal “O Parahyba” de tão curta vida e de tão brilhante trajetória. Em seu apostolado na defesa das grandes questões nacionais, provinciais, valeparaibanas, quatro aspectos fundamentais serão expostos aqui, deixando-se outros de parte, para que a comunicação não extrapole os limites regimentais do tempo. 1º – colonização; 2º – agricultura; 3º – vias de comunicação e transportes; 4º – acolhimento às reivindicações, reclamos e contribuições das comunidades integrantes do vale do Paraíba. Na verdade esses quatro pontos se reduziam a três já que na ótica de Augusto Emilio Zaluar e de seu grupo, Colonização e Agricultura estavam irremediavelmente atreladas uma a outra. E a síntese de tudo estava no quarto item. O próprio Zaluar em artigo publicado na edição de 17 de janeiro de 1858 d’ “O […] Read More

TRIBUTO MERECIDO

TRIBUTO MERECIDO Joaquim Eloy Duarte dos Santos Na última sexta-feira, 4 de novembro, tive a oportunidade de assistir belíssimo trabalho da cineasta Bel Noronha, no Espaço Multimídia do Museu Imperial : documentário com duração de 26 minutos narrando a epopéia da construção do cartão de visitas do Brasil, o Cristo Redentor. A cineasta, que é neta do arquiteto-engenheiro Heitor da Silva Costa (1873-1945), criou uma obra de arte cinematográfica de pesquisa e sob muito carinho e emoção desmistificando a lenda de que o Cristo do Corcovado foi obra francesa. Como arte de cinema, o documentário é perfeito, uma obra-prima, com imagens da época, entrevistas com participantes da epopéia e alguns descendentes de figuras notáveis envolvidas no projeto; excelente montagem, muito agradável de ver e sentir, atingindo à comoção quando se conclui que o coração, o idealismo e o entusiasmo embalaram todos aqueles que viveram aqueles mágicos dias. Em verdade, o grande arquiteto, nascido carioca e petropolitano de coração, Heitor da Silva Costa, foi o grande nome do feito que dotou o Rio de Janeiro do mais expressivo e conhecido monumento religioso, conhecido e admirado em todo o Mundo. Heitor da Silva Costa, sob total cobertura do Cardeal D. Sebastião Leme e com a participação popular na arrecadação de fundos, conseguiu edificar a obra, montada em cimento armado e com revestimento impermeável. Foi inaugurada no ano de 1931. O extraordinário profissional, dentre grandes obras, aqui em Petrópolis, foi o arquiteto-construtor do Trono de Fátima, da “Vila Itararé”, aquele mimo de nossa Avenida Koeler, da majestosa Catedral de Petrópolis, da capela do Colégio N. D. de Sion, na hoje Universidade Católica de Petrópolis, na rua Benjamin Constant. Em âmbito nacional, diversos monumentos e prédios no Rio de Janeiro e outras cidades brasileiras. O professor e historiador Jeronymo Ferreira Alves Netto publicou uma biografia de Heitor da Silva Costa em seu último livro “Brasileiros Ilustres em Petrópolis”, editado no corrente ano de 2005. Assim, juntando-se as pedras, edifica-se o monumento do conhecimento da vida e obra de Heitor da Silva Costa, que andava esquecido pela grande injustiça nacional que é a falta de interesse e o pouco caso que se emprestam, na atualidade, ao estudo da história e ao reconhecimento que se devem prestar aos marcantes vultos que edificaram nosso passado. Vivemos em um mundo onde a auto-estima está por baixo, o que nos priva da admiração e respeito a um vulto como […] Read More

VERTENTES DO ENSINO EM PETRÓPOLIS

VERTENTES DO ENSINO EM PETRÓPOLIS Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Associado Titular, Cadeira n.º 14 – Patrono João Duarte da Silveira A educação em Petrópolis é tema veiculado por alguns estudiosos e cujos trabalhos, esparsos na imprensa, necessitam ser agrupados para uma sistematização e complementação que aprecie a temática sob o ângulo científico da História. Quando a cidade ganhou foro de recanto sazonal, a partir da construção do Palácio Imperial de Verão, passando o Império a ostentar duas capitais federais: a Corte, no Rio de Janeiro e Petrópolis, no recôndito interior da Velha Província, montou-se na serra um cenário particularizado, como nenhum outro no país. Duas vertentes de habitantes ilustres vieram chegando, primeiro nas hospedarias e hotéis, em seguida, construindo mansões definidoras do cabedal do veranista proprietário. A primeira delas, iniciada pelo Imperador D. Pedro II, era originária da Corte e representada por titulares do Império, ministros e funcionários graduados, intelectuais, representantes diplomáticos brasileiros e do Exterior; a segunda vinha do interior para o interior; eram os fazendeiros ricos do café, a maioria com títulos e honrarias, edificando prédios que obedeciam ao estilo neoclássico. O Centro Histórico foi enriquecido com variados estilos, tendências e bordados que definiam a posição de cada habitante sazonal. O Palácio Imperial, ocupando grande área, era mais simples, em termos arquitetônicos, do que muitos palacetes, onde o esmero dos adornos recortava no céu da serra as silhuetas rococós. Nos bairros, onde predominava o assentamento dos alemães, uma outra realidade urbana era a construção simples e funcional. Eram duas Petrópolis distintas, à qual se juntaram o centro comercial da rua do Imperador e os complexos fabris em nesgas expressivas de terras, tanto no centro como rompendo áreas e criando bairros novos. Nossos pioneiros, sentindo a necessidade da formação e atualização de nosso povo bastante heterogêneo, visando à educação para o futuro, cuidaram da criação de estabelecimentos de ensino, dentro da simbiose natural da cidade, educandários para os alemães radicados e para os brasileiros fixados em Petrópolis. A distinção se fez presente nos primeiros anos porque os alemães estavam definitivamente instalados nas terras recebidas por aforamento perpétuo, iriam viver na nova pátria e nela criar as raízes do povoamento. Os brasileiros fixados na serra compreendiam dois segmentos: o permanente e o sazonal. Permanente aquele que vinha abrir um negócio; sazonal o habitante por temporada. Para atender a ambos, os educadores estabeleceram colégios com internato e externato, uma das […] Read More