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MUSEU NACIONAL

MUSEU NACIONAL Alessandra Bettencourt Figueiredo Fraguas, Associada Titular, Cadeira nº 27- Patrono José Thomáz da Porciúncula Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe   “É preciso formar no Rio uma coleção semelhante das riquezas do Brasil e em cada capital de Província outras das respectivas.” (Diário de D. Pedro II, v. 17, 1876. Museu Imperial). Frases como esta são frequentes na correspondência do imperador D. Pedro II que durante toda a sua vida se dedicou ao estudo das ciências e ao colecionismo de documentos e objetos, dando origem ao seu Museu particular, que funcionou no Paço de São Cristóvão onde nasceu e morou até ser exilado do Brasil. Do exílio, D. Pedro de Alcântara enviou ao procurador da Família Imperial, José da Silva Costa, em 8 de junho de 1891, meses antes de morrer, uma carta doando a sua coleção particular ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Biblioteca Nacional e Museu Nacional. Nela fez um único pedido, que as coleções fossem denominadas “Imperatriz Leopoldina” e “D. Teresa Christina Maria”, em homenagem respectivamente a mãe e a esposa: Sñr. Silva Costa Queira pedir em meu nome ao Visconde de Taunay, Visconde de Beaurepaire, Olegario Herculano de Aquino e Castro, e Dr. João Severiano da Fonseca que separem os meus livros podendo por sua especialidade interessar ao Instituto e h’os entreguem, a fim de serem parte de sua bibliotheca. Esses livros serão collocados em lugar especial com a denominação de D. Thereza Christina Maria. Os que não deverem pertencer ao Instituto offereço-os á Bibliotheca Nacional, que deverá collocal-os também em lugar especial com a mesma denominação. O meu Museu dou-o também ao Instituto Historico, no que tenha relação com a etnographia e a historia do Brasil. A parte relativa ás sciencias naturaes, e á mineralogia sob o nome de “Impera-/triz Leopoldina”, como todos os herbarios, que possão, fica para o Museu do Rio. A corôa imperial, a espada e todas as joias deverão ser entregues, e pertencer á minha filha. Espero que me dê noticias suas e dos seus sempre que possa, e creia na estima affectuosa de D. Pedro d’Alcantara Versailles, 8 de Junho de 1891.   Em seu “ofício de fé”, escrito pouco antes de morrer, menciona a importância do Museu Nacional para o desenvolvimento científico do Brasil e sublinha os seus esforços para a revitalização e modernização da instituição, como a […] Read More

EXPOSIÇÕES HORTÍCOLAS E AGRÍCOLAS DE PETRÓPOLIS

EXPOSIÇÕES HORTÍCOLAS E AGRÍCOLAS DE PETRÓPOLIS Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe Parte 1 “No dia 2 de fevereiro do ano próximo vindouro, será efetuada nesta cidade uma exposição de flores, horticultura e indústria, da qual coube a iniciativa a Sua Alteza, a sereníssima princesa Imperial.” Esta comunicação foi feita pelo presidente da Câmara Municipal de Petrópolis, o vereador Paulino Afonso Pereira Nunes, na sessão de 19 de novembro de 1874, na qual declarou que a Câmara reconhecia que tal exposição tornaria públicas as riquezas produtivas do solo petropolitano, portanto ela envidaria todos os esforços para o sucesso do evento visando ao desenvolvimento do progresso e engrandecimento do município, bem como convidaria as corporações das câmaras dos municípios vizinhos a fazerem parte do projeto. Cinco dias antes, D. Pedro II, que apoiava a ideia da exposição, escreveu à princesa D. Isabel participando que “A exposição hortícola petropolitana já tem sido annunciada pelas cem tubas da fama”. Isabel amava as plantas, especialmente as flores – colecionava orquídeas –, e estudou botânica com o professor Francisco Freire Allemão de Cysneiros. Em sua correspondência, há várias referências ao assunto, como, por exemplo, na carta dirigida ao pai em 4 de abril de 1867, na qual critica o trabalho de um tradutor: “Hoje de manhã fiquei desesperada com um que me escrevia nomes de plantas em portuguez e latim como suas ventas, perdoe-me a expressão, como diria o Freire”. Ela mantinha amizade com os botânicos e paisagistas Jean Baptiste Binot e Auguste Glaziou, tanto que fez parte da expedição ao pico de Itatiaia, organizada por Glaziou, que depois publicou um livro com o título Plantes cueillies sur l’Itatiaia au mois de juillet 1872, oferecendo-lhe um exemplar com dedicatória. O livro pertence ao Museu Nacional de História Natural de Paris, tendo sido localizado em 2013 pelo pesquisador do Instituto de Botânica de São Paulo, Sergio Romaniuc Neto. Todavia, a ideia da exposição não pode ser atribuída somente ao interesse incontestável de D. Isabel pelas plantas; tanto ela como seu pai, D. Pedro II, e seu marido, o conde d’Eu, sabiam das oportunidades que esse tipo de evento oferecia como espaço de divulgação dos produtos e, consequentemente, na ampliação do mercado, trazendo benefícios para a economia local. No Brasil, já haviam sido produzidas até então três exposições nacionais, todas inauguradas pelo imperador: a primeira, em 2 de […] Read More

“VOU À AVENIDA”

“VOU À AVENIDA” Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Associado Titular, Cadeira n.º 14 – Patrono João Duarte da Silveira Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe   É comum até os dias de hoje os moradores de Petrópolis dizerem “Vou à Avenida”, quando na verdade o nome do logradouro é Rua do Imperador. É uma história curiosa. A rua do Imperador vem dos tempos da monarquia, quando os principais logradouros do Quarteirão Vila Imperial receberam os nomes de membros da Família Imperial. Exemplos: rua Princesa D. Francisca, rua Princesa D. Januária, rua do Imperador, rua da Imperatriz, rua Princesa Isabel, rua Princesa D. Leopoldina, praça Príncipe Grão Pará, rua Dom Afonso. Com a mudança do regime, no dia 15 de novembro de 1889, tornando o país uma república federativa, cerca de um mês depois a nova ordem política republicana exigiu da Câmara Municipal de Petrópolis a mudança dos nomes dos logradouros, numa clara intenção de apagar a memória da monarquia. Assim, a rua Princesa D. Francisca virou rua General Osório; a rua Princesa D. Januária, Marechal Deodoro; a rua do Imperador, avenida 15 de Novembro; a rua da Imperatriz, avenida Tiradentes; a rua Princesa Isabel, Treze de Maio; a praça Príncipe Grão Pará, praça da Liberdade; e a rua Dom Afonso, avenida Koeler. Cuidemos da rua do Imperador, anteriormente avenida 15 de Novembro. Seu primeiro nome foi trocado em 5 de dezembro de 1889, pouco menos de um mês depois da mudança do regime, com a chegada da República. Assim, passou a denominar-se Avenida 15 de Novembro. Por muitos anos, a rua do Imperador, rebatizada avenida 15 de Novembro, foi inteiramente adotada pela população, que a denominava simplesmente “avenida”. No entendimento dos nossos legisladores, com o apoio dos estudiosos de nossa história, resolveu-se restaurar os antigos nomes das ruas do Imperador e da Imperatriz, o que ocorreu nos anos de 1979 e 1983 respectivamente, desaparecendo de nossa nomenclatura urbana a avenida 15 de Novembro e a avenida Tiradentes. O povo, no entanto, jamais deixou de referir-se à rua do Imperador como “avenida”, o que perdurará por muitos e muitos anos à frente. Então, “- Vamos à Avenida?”; “- Minha loja é na Avenida ; “ – Moro na Avenida”. E pelo traçado urbanístico e relevância histórica, afinal, a rua do Imperador é mesmo uma larga avenida.

ALUNO ALCEU E O PROFESSOR KOKPE (O)

ALUNO ALCEU E O PROFESSOR KOKPE (O) Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe Assim começa a carta [i] dirigida a Alceu Amoroso Lima (1893-1983), datada de 14 de agosto de 1926 e assinada simplesmente Winckelmann: “Permitta-me V. a quem perdi de vista ha tantos annos e venho agora encontrar, pelas saudades e recordações que acaba de trazer á beira do tumulo de um velho Mestre, o mesmo menino que conheci como o derradeiro discipulo de meu pobre Pae; […] meu comovido ‘obrigado’ pelas palavras de seu artigo de domingo último”. [i]  Arquivo Tristão de Athayde. Acervo do Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade – CAALL (Rua Mosela, 289 – Petrópolis), unidade da Universidade Candido Mendes. Quem era Winckelmann? Quem era o velho Mestre? Recorrendo aos jornais com os quais Dr. Alceu colaborava, localizamos n’O Jornal, edição de domingo, 7 de agosto, o artigo “O precursor” que elucidava a questão: tratava-se do professor João Kopke e de seu filho, Winckelmann Köpke (1886-1951). Esse e outros artigos de Dr. Alceu publicados n’O Jornal e na Revista do Brasil, nos anos 1926 e 1927, foram reunidos na sua obra Estudos (1927). Neste belíssimo e poético texto, Alceu Amoroso Lima revela a importância do professor particular na formação de sua mentalidade: “[…] aquele que representara, para mim, o primeiro contacto com as coisas da intelligencia”. É possível captar a afetividade construída entre o mestre e o aluno: João Köpke procurou sempre na criança o gosto da criança. Viveu com a infância e inserido na alma infantil. Desde o seu método de aprender a ler, que reagia contra o ensino triste, abstracto, mecânico das cartilhas e do b a-ba […]. Eu bem me lembro, por exemplo, que aprendi a escrever e a compor sem saber uma simples regra de gramática. E Köpke fazia questão de estimular a espontaneidade infantil. Aos nove anos de idade, quando ingressou no Ginásio Nacional, o menino Alceu levou um choque com o contraste, como ele próprio declara: “o ensino me appareceu em todo o seu horror de inquisição, de rigidez, de impersonalidade, de abstracção secca e distante”. Para ele, as aulas de Kopke eram “uma pequena aventura que abria realmente horizontes, sem cansar, sem pesar, com a illusão do fácil e do não ensinado mas apenas conversado”. João Kopke nasceu em Petrópolis, a 27 de novembro de 1852, e faleceu no Rio […] Read More

D. PEDRO II E SULLY PRUDHOMME, DOIS CONFRADES DO INSTITUTO DE FRANCE

D. PEDRO II E SULLY PRUDHOMME, DOIS CONFRADES DO INSTITUTO DE FRANCE Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe O amor pela poesia uniu o imperador D. Pedro de Alcântara (1825-1891) e o escritor e poeta parnasiano Sully Prudhomme (1839-1907), 1º Prêmio Nobel de Literatura obtido em 10 de dezembro de 1901. Ambos pertenciam ao Instituto de França – o segundo, eleito para a Academia Francesa (de Letras) em 8 de dezembro de 1881 e o primeiro, para a Academia de Ciências em 1º de março de 1875, como correspondente na seção de geografia e navegação e, posteriormente, como membro associado estrangeiro na mesma seção, em junho de 1877. A relação literária entre eles pode ser comprovada por meio do diário de D. Pedro II e das cartas de Sully Prudhomme conservados no arquivo particular da família imperial, denominado Arquivo da Casa Imperial do Brasil (POB), doado ao Museu Imperial em 1948. Neste arquivo há uma numerosa correspondência de políticos, intelectuais, escritores, poetas, artistas e amigos com quem D. Pedro II mantinha contato, além de poemas, artigos e traduções por ele realizados. A atuação tradutória de D. Pedro II tem sido objeto de estudo de um grupo de pesquisadores do Núcleo de Estudos do Processo Criativo/NUPROC e da PGET, da Universidade Federal de Santa Catarina. O fato de ser poliglota – falava latim, francês, inglês, italiano, alemão, espanhol, hebraico, grego, árabe, sânscrito, provençal e tupi-guarani – permitiu-lhe fazer traduções do grego, do hebraico, do árabe, do francês, do alemão, do italiano e do inglês. Traduziu vários textos de obras como As Mil e Uma Noites e autores como Longfellow, Manzoni, Victor Hugo, Homero, Liégeard. Na carta de Paris, 17 de abril de 1891, Sully Prudhomme comenta acerca da candidatura do poeta Stéphen Liégeard (1830-1925) para membro da Academia Francesa, que, segundo ele, contava com o apoio de D. Pedro II. É possível que D. Pedro tenha se encontrado com Sully Prudhomme durante a sua terceira viagem à Europa (1887-1888), mas a primeira referência encontrada no diário data de 7 de fevereiro de 1888, ano da publicação de “Le Bonheur”: “1h. Acabei de ler o folhetim dos Débats de ontem sobre o poema “Le Bonheur” de Sully Prudhomme”. Anos mais tarde, D. Pedro pediu um exemplar, conforme podemos conferir pela carta datada de Cannes, em 20 de julho de 1890, que foi recentemente […] Read More

LUTA DA PRINCESA D. ISABEL PELA MATERNIDADE (A)

LUTA DA PRINCESA D. ISABEL PELA MATERNIDADE (A) Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe No século XIX, o papel da mulher era o de esposa e mãe; a ela cabia procriar, educar os filhos, cuidar da casa e servir obedientemente ao marido. As princesas D. Isabel e D. Leopoldina casaram-se em 1864 e, já em janeiro do ano seguinte, o tema da maternidade começa a fazer parte da correspondência trocada entre a imperatriz D. Teresa Cristina e suas filhas recém-casadas. Logo em fevereiro, D. Leopoldina anuncia a sua gravidez a D. Isabel: “Só a você por ora é que Gousti [duque de Saxe] deu licença para annuncial-o mas por ora não sei se aí vou ter um ou uma como já lhe disse”. Pela leitura das cartas, percebe-se a angústia de D. Isabel em não conseguir engravidar; a cada notícia falsa sobre o seu estado, aumentava a sua frustração. No final, pedia à família que não comentasse com ninguém até que os médicos confirmassem o diagnóstico. As suas esperanças foram diminuindo ano a ano. Como mulher, sofria a dor e a decepção de não se tornar mãe e como futura imperatriz, a pressão por parte da sociedade e da classe política para gerar o herdeiro, a quem caberia dar continuidade à Monarquia. Enquanto travava uma das suas maiores lutas pessoais, sua irmã tornava-se mãe de quatro filhos homens: Pedro Augusto (1866), Augusto Leopoldo (1867), José (1869) e Luís (1870). Em 1868, D. Isabel e o marido, conde d’Eu, partiram para Minas Gerais a fim de visitar a estação de águas que tinha grande eficácia no tratamento da esterilidade, mas não teve o resultado esperado. Mais tarde, em sua terceira viagem à Europa, por indicação de sua tia paterna, D. Francisca, princesa de Joinvilhe, teve consulta com o médico francês, Dr. Depaul, em 18 de abril de 1873, que lhe recomendou tratamento hidroterápico em Bagnères-de-Luchon.  Visitou também a estação de águas termais de Bad Gastein, na Áustria, além de ter-se submetido aos banhos de mar, realizando, desta vez, depois de quase dez anos, o tão esperado objetivo de engravidar. No quinto mês de gravidez, seguindo o conselho dos médicos, Dr. Feijó que a acompanhou na viagem, Dr. Depaul e Dr. Campbell, obstetra da rainha Vitória, D. Isabel escreveu ao pai pedindo que fosse dispensada da exigência do artigo 2º do Contrato Matrimonial, […] Read More

TRINTA E CINCO ANOS DE SILÊNCIO

TRINTA E CINCO ANOS DE SILÊNCIO Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe O aniversário do Centro de Cultura Raul de Leoni, fundado em 30 de janeiro de 1977, foi amplamente divulgado pela imprensa e ganhou merecida comemoração com a exposição “35 anos de Cultura”. O citado centro de cultura, o maior do interior do Estado do Rio de Janeiro, abriga a Biblioteca que é a terceira maior do Estado, contando com cerca de 140 mil títulos, e o Arquivo Histórico, o primeiro arquivo municipal do Estado é criado pelo Decreto n.º 198, de 7 de janeiro de 1977 pelo então Prefeito Paulo Rattes. O Arquivo é dividido em dois setores: Arquivo Histórico e Arquivo Central, sendo o primeiro subordinado à Fundação de Cultura e Turismo e o segundo, à Secretaria de Administração. O Arquivo Histórico que também completou 35 anos, lamentavelmente, não foi lembrado, o que talvez seja um reflexo do fato de nunca ter conseguido ocupar o seu espaço na administração pública. O Arquivo Histórico perdeu a autonomia administrativa e está ligado à Biblioteca Municipal, onde ocupa duas salas sem as condições exigidas para sua adequada instalação e, principalmente, encontra-se inviabilizado para receber novos lotes documentais transferidos do Arquivo Central. O armazenamento e o acondicionamento da documentação são insatisfatórios. Não há recursos materiais. Há um isolamento administrativo e a inexistência de integração entre os arquivos corrente, intermediário e permanente. Conta o Arquivo Histórico com apenas uma funcionária que, incansavelmente, luta, há quase trinta anos, para manter o seu funcionamento, para atender aos cidadãos e pesquisadores que têm o direito de acesso à documentação garantido pela Constituição. A aposentadoria da servidora está próxima, situação que agravará ainda mais esse quadro tão desanimador e desastroso. A perspectiva de mudança não é nada satisfatória, já que a Lei n.º 6.769, de 20 de julho de 2010, publicada no Diário Oficial do Município de Petrópolis, que dispõe sobre a reorganização administrativa dos cargos e das funções da Fundação de Cultura e Turismo e dá outras providências, prevê para a Seção do Arquivo Histórico: 1 chefe de seção; 1 arquivista e 2 auxiliares de biblioteca (por que não auxiliares de arquivo?). Os profissionais de História e de Conservação não foram contemplados e o número é muito reduzido para o volume documental (aproximadamente 700 mil documentos). O Arquivo Histórico abriga cerca de 700 mil documentos do período […] Read More

POSSE DE ALESSANDRA BETTENCOURT FIGUEIREDO FRAGUAS

  POSSE DE ALESSANDRA BETTENCOURT FIGUEIREDO FRAGUAS Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe Senhor Presidente Luiz Carlos Gomes, demais membros da Diretoria, Senhoras e Senhores. Inicialmente, desejo expressar meus agradecimentos ao nosso presidente pelo convite que me fez para saudar nossa confreira Alessandra Bettencourt Figueiredo Fraguas a qual tive a honra de indicar para o quadro de associada titular do Instituto Histórico de Petrópolis. Em outra ocasião indiquei três historiadores para o quadro de associados correspondentes, mas esta é a primeira vez que indico, para uma cadeira titular, movida pela certeza de que Alessandra assumirá o compromisso de contribuir para a execução dos objetivos e das metas do nosso Instituto Histórico. Alessandra obteve o título de Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1994, e o de Licenciada em História pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP), no ano de 2008, com a monografia Edward Palmer Thompson e Pierre Bourdieu: aproximações em defesa da História, sob orientação do professor Leandro Duarte Rust. Dentre os projetos de pesquisa do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ dos quais participou, destaco: A construção social da classe trabalhadora do Rio de Janeiro: o caso dos migrantes nordestinos e Brazilian Professors: Public University, Protest and Democracy. Ressalto ainda sua recente atuação na preparação do dossiê sobre o conjunto documental relativo às viagens do Imperador D. Pedro II pelo Brasil e pelo mundo, apresentado pelo Museu Imperial ao Comitê do Programa Memória do Mundo da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – que concedeu à instituição a nominação para o Registro Nacional. Da produção de Alessandra cito, apenas como referência, os trabalhos: O habitus e o hábito de D. Pedro II: novos olhares sobre os diários do imperador (2011); Diários de D. Pedro II:viagens de conhecimento e reconhecimento (2011); Escola e patrimônio histórico: preservar o patrimônio histórico, conhecer a nós mesmos (2008); Desconstruindo o mito da democracia racial: um olhar diferenciado sobre a obra de Gilberto Freyre (2005); O movimento docente nas universidades públicas e o reflorescimento da sociedade civil na década de 1980 (1994); O movimento docente na imprensa escrita (1993). Essa solenidade de hoje é extremamente importante para o IHP e, consequentemente, para cada um de nós, pois é através do ingresso de novos acadêmicos que o Instituto se renova e […] Read More

JÚLIO FREDERICO KOELER

  JÚLIO FREDERICO KOELER Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe Exmo. Sr. Prefeito Paulo Mustrangi, Sr. Presidente do IHP, Luiz Gomes, demais autoridades, Senhoras e Senhores Agradeço o convite feito pelo confrade Luiz Gomes, Presidente do Instituto Histórico de Petrópolis, e pelo Clube 29 de Junho, para ser a oradora nesta solenidade de homenagem ao Major de Engenheiros Júlio Frederico Koeler, dentro das comemorações dos 166 anos da chegada dos colonos alemães a Petrópolis. Não sendo especialista no assunto, essa é a segunda vez em que me arrisco a tratar desse tema. A primeira foi em 2001 quando, convidada para colaborar na edição especial comemorativa da Festa do Colono Alemão, organizada pela Tribuna de Petrópolis, escrevi um ensaio intitulado Breves Considerações sobre a memória dos colonos alemães, no qual tratei do Museu Casa do Colono, alegando que o museu não representa um espaço de reflexão sobre o significado deste legado do passado como experiência coletiva de formação da cultura e da sociedade, mas sim um monumento que existe e é preservado simplesmente como testemunho deste passado. Hoje, exatamente 10 anos depois, um passo importante é dado nesse sentido: a assinatura do decreto de tombamento desse patrimônio de Petrópolis. Estarmos diante do monumento de Júlio Koeler para comemorar a colonização germânica implica refletir sobre tradição, memória, patrimônio e cidadania. A primeira homenagem ao Major Engenheiro Júlio Frederico Koeler, que construiu a primeira cidade programada e planejada do Brasil, foi feita em 1895, ano do cinquentenário da colonização germânica em Petrópolis, pela Câmara Municipal que resolveu denominar de Avenida Koeler a então Avenida 28 de Setembro, antiga Rua D. Afonso. Nesse mesmo ano, um grupo de pessoas da sociedade local resolveu criar uma comissão encarregada de promover subscrições populares para construir uma estátua em homenagem a Júlio Koeler, um dos fundadores da cidade de Petrópolis. Depois de inúmeras tentativas frustradas o projeto foi retomado em 9 de julho de 1953, quando o Prefeito Cordolino Ambrósio designou uma comissão para tratar do assunto do monumento, sendo, finalmente, depois de quase cento e dez anos da morte de Koeler, inaugurado em 23 de janeiro de 1955, como um ato de gratidão do povo. O Historiador Paulo Knauss, coordenador da obra Cidade vaidosa: imagens urbanas do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro: Sete Letras, 1999), observa que “A gratidão certamente é o enunciado que corresponde ao maior […] Read More

DO SOBRADO AO PALÁCIO AMARELO

  DO SOBRADO AO PALÁCIO AMARELO Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe Na casa n.º 12 da Rua Paulo Barbosa, residência da Família Rocha, onde hoje se encontra erguido o Edifício Rocha, foi instalada a Câmara Municipal de Petrópolis em 17 de junho de 1859, tomando posse os vereadores Albino José de Siqueira, Manuel Francisco de Paula, Manuel Cândido do Nascimento Brito, Augusto da Rocha Fragoso, João Batista da Silva, Inácio José da Silva. A referida casa e os móveis foram emprestados à Câmara pela Superintendência da Fazenda Imperial de Petrópolis, conforme informação extraída da ata da 2ª sessão da Câmara, de 21 de junho de 1859. Em 10 de fevereiro de 1862, o Imperador D. Pedro II visitou este prédio, conforme relata em seu diário: “Fui ver o edifício da Câmara Municipal. Tinha avisado o presidente da Câmara que aí se achava bem como o procurador. A casa não é má; porém conviria em lugar de pagar aluguel de um conto comprá-la […].” Correio – Rua do Mordomo – Museu Imperial O legislativo petropolitano provavelmente permaneceu neste prédio até 1863 quando então transferiu-se para o sobrado de propriedade de André Flaeschen. No dia 17 de novembro de 1863, o procurador da Câmara, Gregório José Teixeira e o proprietário da casa sita à Rua do Imperador n.º 1, André Flaeschen celebraram o contrato de arrendamento por quatro anos da referida casa, a contar do dia 15 de novembro de 1863, para servir de sede do legislativo. Tratava-se do prazo n.º 1416 da Renânia Inferior, onde funcionou o Bali Beer, esquina das atuais ruas Professor Pinto Ferreira e Dr. Nelson de Sá Earp. O contrato certamente foi renovado, pois na ata da 13ª sessão ordinária, de 17 de setembro de 1877, André Flaeschen apresentou um requerimento de 11 de agosto, no qual pediu pagamento dos aluguéis da casa que a Câmara ocupou de janeiro a julho do corrente ano. 2_CMP_12 Museu Imperial Em 9 de março de 1877, na 4ª sessão ordinária, o Vereador Paulino Afonso Pereira Nunes apresentou uma proposta para que a Câmara mudasse para a casa da Rua do Imperador n.º 52, sobrado, em frente ao jardim público (mais tarde foi o n.º 555/571 da Av. 15 de Novembro), já que o proprietário da casa em que atualmente a Câmara funcionava tinha elevado o aluguel para 1:000$000 réis. Os vereadores […] Read More