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Maria de Fátima Moraes Argon

TRINTA E CINCO ANOS DE SILÊNCIO

TRINTA E CINCO ANOS DE SILÊNCIO Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe O aniversário do Centro de Cultura Raul de Leoni, fundado em 30 de janeiro de 1977, foi amplamente divulgado pela imprensa e ganhou merecida comemoração com a exposição “35 anos de Cultura”. O citado centro de cultura, o maior do interior do Estado do Rio de Janeiro, abriga a Biblioteca que é a terceira maior do Estado, contando com cerca de 140 mil títulos, e o Arquivo Histórico, o primeiro arquivo municipal do Estado é criado pelo Decreto n.º 198, de 7 de janeiro de 1977 pelo então Prefeito Paulo Rattes. O Arquivo é dividido em dois setores: Arquivo Histórico e Arquivo Central, sendo o primeiro subordinado à Fundação de Cultura e Turismo e o segundo, à Secretaria de Administração. O Arquivo Histórico que também completou 35 anos, lamentavelmente, não foi lembrado, o que talvez seja um reflexo do fato de nunca ter conseguido ocupar o seu espaço na administração pública. O Arquivo Histórico perdeu a autonomia administrativa e está ligado à Biblioteca Municipal, onde ocupa duas salas sem as condições exigidas para sua adequada instalação e, principalmente, encontra-se inviabilizado para receber novos lotes documentais transferidos do Arquivo Central. O armazenamento e o acondicionamento da documentação são insatisfatórios. Não há recursos materiais. Há um isolamento administrativo e a inexistência de integração entre os arquivos corrente, intermediário e permanente. Conta o Arquivo Histórico com apenas uma funcionária que, incansavelmente, luta, há quase trinta anos, para manter o seu funcionamento, para atender aos cidadãos e pesquisadores que têm o direito de acesso à documentação garantido pela Constituição. A aposentadoria da servidora está próxima, situação que agravará ainda mais esse quadro tão desanimador e desastroso. A perspectiva de mudança não é nada satisfatória, já que a Lei n.º 6.769, de 20 de julho de 2010, publicada no Diário Oficial do Município de Petrópolis, que dispõe sobre a reorganização administrativa dos cargos e das funções da Fundação de Cultura e Turismo e dá outras providências, prevê para a Seção do Arquivo Histórico: 1 chefe de seção; 1 arquivista e 2 auxiliares de biblioteca (por que não auxiliares de arquivo?). Os profissionais de História e de Conservação não foram contemplados e o número é muito reduzido para o volume documental (aproximadamente 700 mil documentos). O Arquivo Histórico abriga cerca de 700 mil documentos do período […] Read More

POSSE DE ALESSANDRA BETTENCOURT FIGUEIREDO FRAGUAS

  POSSE DE ALESSANDRA BETTENCOURT FIGUEIREDO FRAGUAS Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe Senhor Presidente Luiz Carlos Gomes, demais membros da Diretoria, Senhoras e Senhores. Inicialmente, desejo expressar meus agradecimentos ao nosso presidente pelo convite que me fez para saudar nossa confreira Alessandra Bettencourt Figueiredo Fraguas a qual tive a honra de indicar para o quadro de associada titular do Instituto Histórico de Petrópolis. Em outra ocasião indiquei três historiadores para o quadro de associados correspondentes, mas esta é a primeira vez que indico, para uma cadeira titular, movida pela certeza de que Alessandra assumirá o compromisso de contribuir para a execução dos objetivos e das metas do nosso Instituto Histórico. Alessandra obteve o título de Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1994, e o de Licenciada em História pela Universidade Católica de Petrópolis (UCP), no ano de 2008, com a monografia Edward Palmer Thompson e Pierre Bourdieu: aproximações em defesa da História, sob orientação do professor Leandro Duarte Rust. Dentre os projetos de pesquisa do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ dos quais participou, destaco: A construção social da classe trabalhadora do Rio de Janeiro: o caso dos migrantes nordestinos e Brazilian Professors: Public University, Protest and Democracy. Ressalto ainda sua recente atuação na preparação do dossiê sobre o conjunto documental relativo às viagens do Imperador D. Pedro II pelo Brasil e pelo mundo, apresentado pelo Museu Imperial ao Comitê do Programa Memória do Mundo da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – que concedeu à instituição a nominação para o Registro Nacional. Da produção de Alessandra cito, apenas como referência, os trabalhos: O habitus e o hábito de D. Pedro II: novos olhares sobre os diários do imperador (2011); Diários de D. Pedro II:viagens de conhecimento e reconhecimento (2011); Escola e patrimônio histórico: preservar o patrimônio histórico, conhecer a nós mesmos (2008); Desconstruindo o mito da democracia racial: um olhar diferenciado sobre a obra de Gilberto Freyre (2005); O movimento docente nas universidades públicas e o reflorescimento da sociedade civil na década de 1980 (1994); O movimento docente na imprensa escrita (1993). Essa solenidade de hoje é extremamente importante para o IHP e, consequentemente, para cada um de nós, pois é através do ingresso de novos acadêmicos que o Instituto se renova e […] Read More

JÚLIO FREDERICO KOELER

  JÚLIO FREDERICO KOELER Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe Exmo. Sr. Prefeito Paulo Mustrangi, Sr. Presidente do IHP, Luiz Gomes, demais autoridades, Senhoras e Senhores Agradeço o convite feito pelo confrade Luiz Gomes, Presidente do Instituto Histórico de Petrópolis, e pelo Clube 29 de Junho, para ser a oradora nesta solenidade de homenagem ao Major de Engenheiros Júlio Frederico Koeler, dentro das comemorações dos 166 anos da chegada dos colonos alemães a Petrópolis. Não sendo especialista no assunto, essa é a segunda vez em que me arrisco a tratar desse tema. A primeira foi em 2001 quando, convidada para colaborar na edição especial comemorativa da Festa do Colono Alemão, organizada pela Tribuna de Petrópolis, escrevi um ensaio intitulado Breves Considerações sobre a memória dos colonos alemães, no qual tratei do Museu Casa do Colono, alegando que o museu não representa um espaço de reflexão sobre o significado deste legado do passado como experiência coletiva de formação da cultura e da sociedade, mas sim um monumento que existe e é preservado simplesmente como testemunho deste passado. Hoje, exatamente 10 anos depois, um passo importante é dado nesse sentido: a assinatura do decreto de tombamento desse patrimônio de Petrópolis. Estarmos diante do monumento de Júlio Koeler para comemorar a colonização germânica implica refletir sobre tradição, memória, patrimônio e cidadania. A primeira homenagem ao Major Engenheiro Júlio Frederico Koeler, que construiu a primeira cidade programada e planejada do Brasil, foi feita em 1895, ano do cinquentenário da colonização germânica em Petrópolis, pela Câmara Municipal que resolveu denominar de Avenida Koeler a então Avenida 28 de Setembro, antiga Rua D. Afonso. Nesse mesmo ano, um grupo de pessoas da sociedade local resolveu criar uma comissão encarregada de promover subscrições populares para construir uma estátua em homenagem a Júlio Koeler, um dos fundadores da cidade de Petrópolis. Depois de inúmeras tentativas frustradas o projeto foi retomado em 9 de julho de 1953, quando o Prefeito Cordolino Ambrósio designou uma comissão para tratar do assunto do monumento, sendo, finalmente, depois de quase cento e dez anos da morte de Koeler, inaugurado em 23 de janeiro de 1955, como um ato de gratidão do povo. O Historiador Paulo Knauss, coordenador da obra Cidade vaidosa: imagens urbanas do Rio de Janeiro (Rio de Janeiro: Sete Letras, 1999), observa que “A gratidão certamente é o enunciado que corresponde ao maior […] Read More

DO SOBRADO AO PALÁCIO AMARELO

  DO SOBRADO AO PALÁCIO AMARELO Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe Na casa n.º 12 da Rua Paulo Barbosa, residência da Família Rocha, onde hoje se encontra erguido o Edifício Rocha, foi instalada a Câmara Municipal de Petrópolis em 17 de junho de 1859, tomando posse os vereadores Albino José de Siqueira, Manuel Francisco de Paula, Manuel Cândido do Nascimento Brito, Augusto da Rocha Fragoso, João Batista da Silva, Inácio José da Silva. A referida casa e os móveis foram emprestados à Câmara pela Superintendência da Fazenda Imperial de Petrópolis, conforme informação extraída da ata da 2ª sessão da Câmara, de 21 de junho de 1859. Em 10 de fevereiro de 1862, o Imperador D. Pedro II visitou este prédio, conforme relata em seu diário: “Fui ver o edifício da Câmara Municipal. Tinha avisado o presidente da Câmara que aí se achava bem como o procurador. A casa não é má; porém conviria em lugar de pagar aluguel de um conto comprá-la […].” Correio – Rua do Mordomo – Museu Imperial O legislativo petropolitano provavelmente permaneceu neste prédio até 1863 quando então transferiu-se para o sobrado de propriedade de André Flaeschen. No dia 17 de novembro de 1863, o procurador da Câmara, Gregório José Teixeira e o proprietário da casa sita à Rua do Imperador n.º 1, André Flaeschen celebraram o contrato de arrendamento por quatro anos da referida casa, a contar do dia 15 de novembro de 1863, para servir de sede do legislativo. Tratava-se do prazo n.º 1416 da Renânia Inferior, onde funcionou o Bali Beer, esquina das atuais ruas Professor Pinto Ferreira e Dr. Nelson de Sá Earp. O contrato certamente foi renovado, pois na ata da 13ª sessão ordinária, de 17 de setembro de 1877, André Flaeschen apresentou um requerimento de 11 de agosto, no qual pediu pagamento dos aluguéis da casa que a Câmara ocupou de janeiro a julho do corrente ano. 2_CMP_12 Museu Imperial Em 9 de março de 1877, na 4ª sessão ordinária, o Vereador Paulino Afonso Pereira Nunes apresentou uma proposta para que a Câmara mudasse para a casa da Rua do Imperador n.º 52, sobrado, em frente ao jardim público (mais tarde foi o n.º 555/571 da Av. 15 de Novembro), já que o proprietário da casa em que atualmente a Câmara funcionava tinha elevado o aluguel para 1:000$000 réis. Os vereadores […] Read More

POSSE DE MARIA DE FÁTIMA MORAES ARGON – LEMBRANÇAS DE LOURENÇO LUIZ LACOMBE

  POSSE DE MARIA DE FÁTIMA MORAES ARGON – LEMBRANÇAS DE LOURENÇO LUIZ LACOMBE Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe Já há alguns anos venho sendo convidada para ingressar nesse Instituto Histórico de Petrópolis, mas sempre considerei que não era o momento certo de aceitar, apesar de ser um momento por mim muito esperado e com a certeza de que seria muito especial. Quando meses atrás recebi o convite do professor Jeronymo, meu professor de História Antiga no curso de História da UCP, para me tornar sócia efetiva, pensei: É chegada a hora! Hoje realmente me sinto preparada e, acima de tudo, motivada a participar de forma mais ativa e direta de suas ações e reflexões. Sempre me senti como parte deste Instituto mesmo que informalmente. Sinto-me em casa, isto porque desde 1980, quando ingressei como estagiária no Museu Imperial, passei a ter contato com o Instituto através de três de seus membros: Lourenço Luiz Lacombe, Dora Maria Pereira Rego Correia e Áurea Maria de Freitas Carvalho. Depois, em 1982, como funcionária, passei a ter contato com outros membros do IHP que na qualidade de pesquisadores iam ao Arquivo Histórico do Museu Imperial buscar subsídios para a elaboração de seus trabalhos. Com alguns tive uma relação rápida, mas nem por isso menos produtiva. Durante essa relação, fui não só aprendendo com eles, mas acima de tudo, admirando e respeitando o trabalho de cada um. E o mais importante, eu fui fazendo amigos. Na verdade, a minha formação está intimamente ligada a cada um de vocês. Quando recebi a comunicação oficial de que a Assembléia aceitara a minha indicação e que a posse seria hoje, dia 9 de fevereiro, tive a honra de saber que o patrono era Lourenço Luiz Lacombe, a quem, na oportunidade, eu deveria fazer um breve elogio. Preocupada com essa missão fiquei desde o dia 24 de janeiro pensando: O que vou falar? Daí percebi que falar da sua formação acadêmica, relacionar seus feitos, exigiria de mim conhecimento e pesquisa, mas não era exatamente isso o que eu desejava. Falei da minha insegurança para uma outra pessoa que me é muito cara, José Gabriel da Costa Pinto, e ele disse: “Fale do seu dia a dia com ele, certamente você conseguirá o que deseja”. Refletindo sobre esse conselho, cheguei à seguinte conclusão: realmente, contar histórias vividas por mim e […] Read More

NO CORAÇÃO DA CIDADE HÁ UM PALÁCIO E SEU JARDIM

  NO CORAÇÃO DA CIDADE HÁ UM PALÁCIO E SEU JARDIM… Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe O jardim petropolitano do Imperador Pedro II é um espaço freqüentado até hoje pela população da cidade e seus visitantes. D. Pedro II pelo Decreto nº 155, de 16 de março de 1843, determinou, entre outras medidas, arrendar a Koeler a sua fazenda do Córrego Seco, reservando um terreno suficiente para ali se edificar um palácio para si, com suas dependências e jardins. A importância deste jardim histórico reside não só no seu aspecto paisagístico e nas raridades de suas espécies, mas também como um lugar de contemplação, de estudo, de lazer, de saudade, de lembranças, de segredos e, sobretudo, o seu vínculo estabelecido com a cidade de Petrópolis. Em 18 de abril de 1858, a Princesa Isabel com doze anos incompletos, escreve a seu pai D. Pedro II: “A Condessa [de Barral] nos levou a passear um boucadinho no jardim recitando a minha historia antiga porque tinha um sol muito bonito”. Mais tarde, dez anos depois, já casada, ela escreve a sua mãe D. Teresa Cristina: “Escrevo-lhe esta cartinha para pedir-lhes dois magníficos pés de camélias brancas que existem no jardim, para eu levá-los para as Laranjeiras [local de sua residência no Rio de Janeiro]”. Nos tempos de exílio da Família Imperial, o Visconde de Taunay escreveu no ano de 1891 diversas cartas a D. Pedro, falando de seus sentimentos de angústia e dor com os rumos políticos do Brasil. Na carta de 7 de julho de 1891, ele assim se expressa: “No meu retiro de Petrópolis ponho-me a pensar em muita cousa e não raro me coloco no Parque Imperial, tão cheio de grandeza em seu abandono, para, a gosto, meditar as lições do tempo e dos sucessos […]. A execução dos jardins ao lado e em frente ao Palácio Imperial que iam até a Rua do Imperador coube ao parisiense Jean Baptiste Binot que se achava instalado em Petrópolis desde 1847. O contrato assinado entre Binot e a Superintendência da Imperial Fazenda de Petrópolis, em 1854, foi citado por diversos autores como Alcindo Sodré e Lourenço Luiz Lacombe, mas até hoje nunca havia sido publicado em sua íntegra. Códice 16 do Arquivo Grão Pará 1854 Nº 9 Contrato celebrado para a fatura dos jardins do Imperial Palácio de Petrópolis entre João Batista […] Read More

PENSANDO A CIDADE…

  PENSANDO A CIDADE… Maria de Fátima Moraes Argon “A união entre o passado e o futuro está na própria idéia de cidade, que a percorre tal como a memória percorre a vida de uma pessoa e que, para se concretizar, deve conformar a realidade, mas também conformar-se nela. E essa conformação permanece em seus fatos únicos, em seus monumentos, na idéia que temos deles…”.(Aldo Rossi. A arquitetura da cidade. 1995). Petrópolis constitui-se numa referência fundamental pela sua trajetória de cidade fundada e “vivida” por D. Pedro II e, mais tarde, como capital do Estado do Rio de Janeiro a sua paisagem sofreu e sofre uma série de transformações diárias que vão dando lugar a novos “lugares”. Podemos citar, por exemplo, a residência do Barão de Quartim que foi demolida para dar lugar ao Edifício Quartim; a antiga casa onde funcionava a Biblioteca Municipal que deu origem ao prédio do Centro de Cultura Raul de Leoni; o antigo Hotel Max Meyer, atual Edifício Minas Gerais, e os sobrados da Praça D. Pedro II que deram vez ao Edifício Arcádia. Tais mudanças são resultados das exigências, contradições e dos conflitos inerentes à gestão da cidade, lembrando que muitas delas foram e são feitas em nome do progresso e da modernidade. É preciso destacar que estes símbolos da cidade são testemunhos de modos de vida e experiências, e que as imagens são testemunhos desta transformação. Portanto, é preciso que os cidadãos se reconheçam nestes sinais e registros do passado, e não que tenham apenas as lembranças subjetivas, pois isto acaba por conferir aos “donos do poder” e aos especialistas a capacidade exclusiva de decidir sobre os símbolos que devem ou não ser preservados. Em Petrópolis – não diferentemente do que ocorreu em outras cidades – foi consagrado e definido o que era digno de ser preservado e de integrar o patrimônio da cidade – as sedes do poder político, religioso e militar, classes dominantes, com seus feitos e modos de vida. Além dos bens móveis e imóveis e, constituem também o Patrimônio, os documentos escritos e iconográficos (particularmente os de suporte fotográfico). A falta de documentos sobre um determinado grupo ou ação acaba por apagar marcas importantes do cotidiano e da experiência social vivenciada por grandes contingentes da população, que se torna alijada da reflexão para constituir-se em cultura. Cabe ao governo municipal a implantação de projetos que resultem na ampliação de […] Read More

ARQUIVO HISTÓRICO DO MUSEU IMPERIAL A SERVIÇO DAS CIÊNCIAS (O)

  O ARQUIVO HISTÓRICO DO MUSEU IMPERIAL A SERVIÇO DAS CIÊNCIAS Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe Os arquivos e coleções (1) que formam o acervo do Arquivo Histórico do Museu Imperial (2) não são especializados no tema Medicina e/ou Saúde, entretanto, há informações relevantes na documentação referentes a invenções, procedimentos médicos, saúde pública etc. (1) Arquivos: Conjunto de documentos que, independentemente da natureza ou do suporte, são reunidos por acumulação ao longo das atividades de pessoas físicas ou jurídicas, públicas ou privadas. Coleções: Reunião artificial de documentos que, não mantendo relação orgânica entre si, apresentam alguma característica comum. Ana Maria de Almeida Camargo e Heloísa Liberalli Belloto. Dicionário de Terminologia Arquivística. São Paulo: Associação dos Arquivistas Brasileiros, Núcleo Regional de São Paulo/Secretaria de Estado de Cultura, 1996. (2) Instituição subordinada ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional-IPHAN/MinC. O acervo é formado por 54 arquivos e coleções que pertenceram a pessoas que atuaram na vida política, social, econômica e cultural do período monárquico, ocupando cargos relevantes na administração pública e papel importante na esfera da vida privada. Destaca-se, entre eles, o arquivo particular da Família Imperial, denominado Arquivo da Casa Imperial do Brasil (1249 a 1940), doado ao Museu Imperial por D. Pedro Gastão de Orleans e Bragança, em 1948. D. Pedro II declarou, em seu diário de 1862, que nascera para consagrar-se às letras e às ciências, e Guilherme Auler (3) salienta “É curioso observar que não existiu uma preferência especial para um ramo da arte ou da ciência. A todos os setores chegou o apoio benemérito do Monarca”. O Imperador concedeu, por decreto de 20/10/1887, uma bolsa à Dra. Maria Augusta Generoso Estrela (1860-1948) para estudar na Escola Médica de Senhoras, em Nova York, sendo a primeira brasileira e a primeira sul-americana a formar-se em medicina. Ela ingressou na Academia de Medicina em 1876 com 16 anos e terminou o curso em 1879, tendo recebido o diploma de médica em 29 de março de 1881 quando completou a maioridade. Voltou ao Brasil em 1882, revalidou seu diploma e teve intensa atividade médica até sua morte em 1946. (3) Auler, Guilherme. Os bolsistas do Imperador. Petrópolis: Tribuna de Petrópolis, 1956. A Coleção Mota Maia merece também especial atenção, trata-se de documentos que foram produzidos e acumulados pelo médico Cláudio Velho da Mota Maia que recebeu do Governo Imperial, em […] Read More

CÂMARA MUNICIPAL DE PETRÓPOLIS: O PRIMEIRO PRESIDENTE E O ATUAL

  CÂMARA MUNICIPAL DE PETRÓPOLIS: O PRIMEIRO PRESIDENTE E O ATUAL Daniela de Souza Costa Jaqueline de Medeiros Brand Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe O prof. Paulo Machado da Costa e Silva, no capítulo IV – Petrópolis e sua Câmara Municipal, do livro Conhecendo Petrópolis: aspectos históricos e geográficos, edição especial, diz que: “Quando for escrita a história completa das atividades da Câmara Municipal de Petrópolis e da vida e da atuação daqueles muitos homens ilustres do passado e do presente, que foram e são os vereadores, a própria história do Município ganhará nova compreensão e nova significação”. E ainda: “este trabalho pretende dar breves informações sobre a evolução da Câmara Municipal nas várias fases de sua existência e incentivar a que pesquisadores desvendem minudências importantes do seu existir”. Acreditamos que o primeiro passo importante e decisivo para isso foi dado quando o Museu Imperial, em 1993, idealizou um projeto de preservação das atas conservadas no seu acervo (são 10 códices do período de 18/6/1859 a 31/12/1889 e de 30/11/1892 a 27/2/1896) e convidou a Câmara Municipal para ser sua parceira nesse empreendimento. Desse contacto surgiu um convênio entre as duas instituições e, ainda, levou a Câmara a instituir pela Lei 5.110, de 20 de janeiro de 1994, o Projeto Recuperação da Memória Histórica do Legislativo Petropolitano. Motivadas pelo nosso trabalho, como membros da equipe do Projeto Atas da Câmara Municipal de Petrópolis, e estando Petrópolis comemorando seus 140 anos de elevação à categoria de cidade, resolvemos iniciar uma série de biografias de vereadores e de funcionários da Câmara. Consideramos importante resgatar a história do passado, mas também preservar a de hoje, por isso elegemos, para dar início a essa série, o 1º presidente da Câmara Municipal Albino José de Sequeira e o atual Nelcyr Antônio da Costa. ALBINO JOSÉ DE SEQUEIRA Petrópolis, elevada à categoria de cidade, pela lei nº 961, de 29/09/1857 só teve sua Câmara instalada em 17/06/1859, isto porque as duas primeiras eleições foram anuladas, tendo sido considerada válida a terceira, de 13/3/1859. A presidência da Câmara Municipal coube ao vereador mais votado Amaro Emílio da Veiga, no entanto por ser militar da ativa não pôde assumi-la. Sendo imediato em votos Albino José de Sequeira que assume o cargo durante toda a legislatura. Um primeiro dado interessante deste vereador é que o seu nome aparece, em toda a […] Read More

PETRÓPOLIS E SEU PATRIMÔNIO

  “… a cultura é mais do que as belas artes. É memória, é política, é história, é técnica, é cozinha, é vestuário, é religião, etc…” Palácio de Cristal, Palácio Rio Negro, Casa de Santos Dumont e muitos outros estão sempre presentes no material de propaganda e divulgação da cidade, nos discursos dos políticos, nos slogans, nos anúncios publicitários. Vira e mexe são restaurados e postos à visitação pública como símbolos dignos de preservação. Recentemente, o Palácio de Cristal e a Casa de Santos Dumont mereceram atenção do governo municipal. Certamente é inegável a importância desses bens, mas no tocante às políticas de preservação do patrimônio histórico, essas ações “isoladas” quase sempre guardam a marca da improvisação ou da manipulação e do uso político da cultura. É preciso estabelecer uma política de preservação através do reconhecimento, proteção, tombamento, valorização e divulgação do seu patrimônio histórico, artístico, arqueológico e ambiental. O patrimônio histórico da nossa cidade não é constituído apenas de bens imóveis. Igualmente significativos são os seus bens da cultura material, os objetos de arte, as coleções de documentos escritos e iconográficos (particularmente os de suporte fotográfico), periódicos etc. A preservação dos bens arquitetônicos é importante e inquestionável, mas é preciso que haja projetos que despertem o interesse da população pela história da cidade e que haja meios para ampliar o universo de registros relativos à memória e à história da cidade. É preciso refletir sobre o critério de preservação dos documentos, objetos e monumentos, não deixar que eles sejam meros objetos de reverência a uma memória mítica do passado, mas sim perceber o significado do passado como experiência coletiva de formação da cultura e da sociedade. O patrimônio documental da nossa cidade tem sido valorizado, reconhecido e preservado? Basta ver a situação do Arquivo Público Municipal para se obter a resposta. No último governo, o Arquivo deixou de ficar administrativamente subordinado à Secretaria de Cultura (desde a sua criação em 1977) para se vincular à Secretaria de Educação, com a alegação de que esta possuía maiores recursos financeiros. Sem entrarmos na questão se tecnicamente é recomendável ou não, visivelmente percebemos e lamentamos que a cultura continue ocupando um lugar sem destaque, num plano secundário e as verbas sempre escassas. Recentemente, nesta atual administração, o Arquivo voltou a pertencer a Fundação Cultural Petrópolis. Será que agora o Arquivo deixará de ser apenas um “apenso” da Biblioteca Municipal? Terá uma estrutura […] Read More