Armas ou brasões são emblemas heráldicos adotados como insígnias por pessoas e famílias nobres, sociedades ou corporações, cidades, estados ou países. A ciência (ou a arte) dos brasões remonta ao tempo das Cruzadas, passando nos fins do séc. Xlll a subordinar-se a preceitos rígidos. Os brasões são metodicamente compostos por figuras diversas em variadas cores, denominadas metais e esmaltes, representadas sobre um fundo ou campo, cujo desenho lembra o escudo dos guerreiros medievais. Os metais são o ouro e a prata. Os esmaltes são: goles (vermelho), azul, sinopla (verde), sable (preto) e púrpura. Os brasões de cidades são normalmente encimados por coroas murais: em ouro, quando capitais, e prata, quando cidades e vilas, as cidades identificadas por cinco torres.

Proclamada a República, muitos estados ou cidades adotaram armas próprias para utilização em fachadas de edifícios públicos, veículos e documentos oficiais. Tais emblemas, entretanto, não se subordinavam, na maioria das vezes, às regras fixas da heráldica, apresentando símbolos e alegorias em excesso e, quase sempre, de acentuado mau gosto. Nessas ocasiões, heraldistas e artistas gráficos raramente são consultados; todos se acham competentes para criar símbolos que são encaminhados a simples desenhistas para passá-los a limpo…

Datam do início da República as primitivas armas de Petrópolis. De um artigo de Paulo Olinto em “Geopolítica dos Municípios” transcrevemos o seguinte trecho:

“Em conseqüência da Revolta da Armada, Petrópolis passara a ser a capital provisória do estado do Rio de Janeiro. A mudança do governo verificou-se a 20 de fevereiro de 1894, e mesmo depois de sufocada a revolta, ali permaneceu até 4 de agosto de 1902.

Um dos primeiros atos da respectiva Câmara Municipal foi a criação das suas armas, cujo projeto, aprovado na Assembléia Municipal de 11 de junho de 1894, pomposamente determinava:

“Emblema de forma oval, orlado na parte superior pelas palavras RECTE REPUBLICAM GERERE e na inferior ESTADO DO RIO DE JANEIRO, ESTADOS UNIDOS DO BRASIL; em fundo azul, destacando-se as montanhas que circundam o município de Petrópolis, por onde corre o Rio Piabanha, margeado por fábricas de tecidos, e no espaço, a esfera, encimada por uma estrela, e tendo em faixa a data de 30 de junho de 1892, instalação da municipalidade de Petrópolis, tudo enlaçado pelos produtos locais, café e cana, com o dístico MUNICÍPIO DE PETRÓPOLIS”.

O desenho foi executado por encomenda da municipalidade pelo pintor fotógrafo Jorge Henrique Papf, filho do pintor Ernesto Papf, ambos nascidos na Alemanha e então residentes em Petrópolis.

Dois anos depois, a 17 de março de 1896, foi alterado o emblema, substituindo-se também a inscrição em latim por MUNICÍPIO DE PETRÓPOLIS.

Nada tinha de original esse brasão. Seu criador inspirara-se no do Estado do Rio, instituído em 1892. Ambos de forma oval, montanhas ao fundo, mesma divisa em latim, suprimida posteriormente no de Petrópolis, e até os mesmos produtos locais.

E o que dizer, na paisagem petropolitana, das fábricas de tecidos à margem do Piabanha, como se a cidade devesse a sua importância exclusivamente àquela indústria? O desenho reproduz duas fábricas. Seria interessante saber quais são estas duas fábricas que tiveram então o privilegio de figurar no escudo petropolitano.”

O atual brasão de Petrópolis não se enquadra, felizmente, nos padrões de mau gosto que caracterizaram a maioria dos brasões republicanos. Consta que os principais elementos de sua composição foram sugeridos por Alcindo Sodré ao poeta e acadêmico Guilherme de Almeida, autor do projeto, sendo o desenho elaborado pelo pintor e heraldista José Wasth Rodrigues. Sua oficialização se deu através da Deliberação nº 224, de 8 de janeiro de 1929. De acordo com a linguagem heráldica ele é assim descrito:

“Escudo português de ouro, com uma águia de negro, bicada e membrada de vermelho, em campanha; mantel de azul, abaixada, tendo em chefe a sigla PII de ouro, encimada pela coroa imperial do mesmo. Encimando o escudo, coroa mural de ouro de três torres. Como suportes trilhos, nas suas cores, e uma fita enrolada aos mesmos com a divisa em letras de ouro: ALTIORA SEMPER PETENS (Buscando sempre as alturas ou, em tradução livre, Aspirando sempre o mais alto).”

Na interpretação simbólica de Guilherme de Almeida, a águia representa os colonos germânicos que povoaram Petrópolis; o mantel, a Cidade Imperial com os respectivos emblemas. Já o escudo é circundado de trilhos numa alusão à primeira estrada de ferro do país, construída pelo barão de Mauá.

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