“LAUDO DEUM VERUM,
PLEBEM VOCO,
CONGREGO CLERUM,
DEFUNCTOS FUGO,
FESTA DECORO”

Petrópolis viveu, no dia 22 de setembro, mais um capítulo emocionante de sua história, quando, pela primeira vez, ouviu o som dos sinos de sua Catedral. A sonoridade emitida pelo bronze plasmado por mãos dos artífices da velha Alemanha, cuja experiência remonta a séculos – A voz festiva irradiada da torre – anunciava à Petrópolis, a heráldica Petrópolis, que, daquela data em diante, os grandes acontecimentos da Cidade Imperial seriam celebrados de forma solene por intermédio das vibrações harmônicas do mais sagrado, do mais clássico dos instrumentos musicais!

Petrópolis que teve como primeira população os colonos alemães, viu chegar para ser instalado na sua imponente Catedral o conjunto de sinos moldados por patrícios dessa primeira população e a Cidade seguiu com interesse e emoção as diversas fases da instalação desse conjunto, até chegar ao lugar na torre, subindo pela rampa de obra, vagarosamente, trazendo os assistentes em prolongado “suspense”, quando o sino maior, pesando cerca de 5 toneladas, era içado. Naquela noite de 13 de setembro de 1963, os petropolitanos assistiram essa cena de grande sentido histórico e que, certamente, não se repetirá tão cedo …

Agora, devido ao fato, lembramo-nos de diversas curiosidades em torno do assunto. Consta que os primeiros sinos, destinados a cerimônias cristãs, foram fundidos lá pelo ano de 420, em Nola e Campania, obtendo, por isso, como primeira denominação Campana, Campanila ou Nola. Também no uso profano uma espécie de campainha – ainda derivado de campana – era conhecida para anunciar a abertura dos banhos e mercados, conhecida dos romanos por “Tintinnabulum”. Plínio nos relata que, no túmulo de Porsenna 400 anos A. C., havia um conjunto de campainhas que eram agitadas pelo vento espalhando sons ao longe … “Tintinnabula quae vento agitata longe sonitus referunt”.

O uso dos sinos espalhou-se imediatamente em todo o ocidente, depois do século V, i. e., depois dos primeiros construídos, em Campania, passando a anunciar todas as cerimônias da Igreja, influindo no espírito das populações. Aos seus sons majestosos e solenes, ligavam-se contos e lendas.

Atribuído ao maravilhoso efeito de sonoridade dos primeiros sinos, acreditava-se, na idade média, que esses efeitos sonoros punham em fuga os demônios; por isso, era muito comum pendurar no pescoço das crianças, miniaturas de sinos. Também nas tempestades violentas, apelava-se para o poder misterioso da música do sino para acalmá-las.

Sinos enormes foram construídos no correr das centúrias: destaca-se entre eles o “Tzar Kolokol”, fundido em 1733, em Moscou, permanecendo no seu molde na areia, durante 103 anos, quando então em 1836, o Czar Nicolau mandou retirá-lo. Não consta que este sino, algum dia, tenha sido tocado ou tenha sido suspenso em cavaletes apropriados, mesmo porque teve, de início uma imperfeição: rachou ao ser fundido, destacando-se um fragmento que pesa apenas … 11 toneladas. Este colosso de 180 toneladas, medindo de circunferência 18 metros, altura 6 metros, está até hoje inativo, exposto à curiosidade pública – salvo erro – na atual Praça Vermelha.

Um segundo sino, também fundido em Moscou, pesa 128 toneladas.

Acredita-se que começou no oitavo século o batismo dos sinos com grandiosos rituais, cânticos e orações seguidos com a cerimônia de ungir os novos sinos, expostos ao fumegante incenso. Nessa fase, eram gravados os nomes dos padrinhos, escolhidos no meio das notabilidades do lugar. Era uso da idade média fazer inscrições nos sinos e é com uma dessas inscrições encontradas em velho sino europeu, que iniciamos esta crônica.

As fabricações de sinos, seu papel nas histórias dos povos, inspiraram poetas e artistas, entre os quais Schiller e Goethe. São bem conhecidas a Balada e a “Die Wandelnde Glocke”.

Festejamos com entusiasmo esse notável evento em nossa cidade e lembremo-nos, quando ouvirmos a música dos sinos de nossa Catedral, que nossos descendentes representados nas gerações vindouras, ouvirão esses mesmos sons, emitidos pelo bronze eterno dos sinos da CATEDRAL DE SÃO PEDRO DE ALCÂNTARA.