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Jeronymo Ferreira Alves Netto

LICEU DE ARTES E OFÍCIOS DE PETRÓPOLIS (O)

  O LICEU DE ARTES E OFÍCIOS DE PETRÓPOLIS Jeronymo Ferreira Alves Netto Logo após a implantação do regime republicano, evidenciou-se uma atitude governamental voltada para a educação profissional, com a valorização dos Liceus de Artes e Ofícios e a criação de outros estabelecimentos do gênero. Assim, o governo Nilo Peçanha, através do Decreto nº 7.056, de 23 de setembro de 1909, criou escolas de aprendizes em todas as capitais dos Estados, embora “atendendo esta modalidade de ensino a uma crescente mas, mesmo assim, diminuta clientela” (1). (1) RIBEIRO, Maria Luiza Santos. Introdução à história da educação brasileira. São Paulo, Cortez e Moraes, 1978. Dentro deste contexto, Petrópolis logo se mostrou favorável à idéia de desenvolver o ensino profissional, antecipando-se a outras cidades, criando em 15 de novembro de 1890, por iniciativa do engenheiro Bernardino Lopes Ribeiro, seu Liceu de Artes e Ofícios. Funcionando inicialmente no prédio que mais tarde seria substituído pelo edifício do Forum, tal estabelecimento de ensino tinha como finalidade “proporcionar a todos os indivíduos, nacionais e estrangeiros, o estudo das belas artes, não só como especialidade, mas também como aplicação necessária aos ofícios e indústrias, explicando-se os princípios científicos em que elas se baseiam” (2). (2) Estatutos do Liceu de Artes e Ofícios. Petrópolis, Tipografia do Mercantil, 1891. Seu currículo era extraordináriamente diversificado e rico, pois previa um Curso Preparatório que correspondia ao então denominado ensino primário, para os alunos que não o tivessem recebido anteriormente, um Curso de Ciências Aplicadas (Aritmética Superior, Álgebra e Trigonometria, Física, Química, Mecânica Aplicada e Noções de Direito), e um Curso de Artes e Oficíos (Desenho, Máquinas, Arte, Cerâmica, Escultura, Estatuária, Gravura, Pintura e Música). Desde cedo, apesar dos esforços de seus dirigentes, o Liceu começou a enfrentar sérias dificuldades, sobretudo financeiras, que se agravaram quando as subvenções que lhe concediam os governos estadual e municipal foram suprimidas, pois as contribuições dos sócios não eram suficientes para custear as despesas. Segundo nos informa a Tribuna de Petrópolis, de 15 de novembro de 1904, “as dificuldades financeiras enfrentadas foram de tal ordem que as aulas estiveram suspensas por um período de dois anos” (3). (3) TRIBUNA DE PETRÓPOLIS. Petrópolis, 15 de novembro de 1904. Todavia, em 1918, inaugurou-se uma nova fase na história do estabelecimento, quando a convite do sr. Bertho Antonio Condé, se reuniram a 14 de abril, na sede da Sociedade Beneficente de Petrópolis, várias personalidades, para tratarem do […] Read More

FACULDADE CATÓLICA DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS – CINQÜENTENÁRIO DE SUA FUNDAÇÃO (A)

  A FACULDADE CATÓLICA DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS – CINQÜENTENÁRIO DE SUA FUNDAÇÃO Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette Cerca de um ano após a instalação auspiciosa da Faculdade de Direito, nova Faculdade foi inaugurada em 29 de abril de 1955 – a de Filosofia, Ciências e Letras. A solenidade de instalação foi realizada na sala de sessões da Câmara Municipal, comparecendo à mesma as seguintes autoridades: Dr. José Pedro Ferreira da Costa, representante do Exmo. Sr. Ministro da Educação; Dr. Firmino Machado, representante do Exmo. Sr. Governador do Estado; Dr. Flávio Castrioto de Figueiredo e Mello, prefeito municipal; Prof. Nelson Romero, representante do Conselho Nacional de Educação e outros. Na ocasião fizeram uso da palavra Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra, Dr. Arthur de Sá Earp Neto, Profa. Nair Fortes Abul Nehry e Prof. Nelson Romero. Este último salientou a verdadeira posição da Igreja Católica nos misteres intelectuais e morais, pois, afirmou, “Cristo ensinou o mundo a filosofar”. Instalada no bairro do Retiro, à Rua Vidal de Negreiros, 97, onde já vinha funcionando a Faculdade de Direito, a nova unidade de ensino iniciou suas aulas em 2 de maio de 1955, com o funcionamento simultâneo de três cursos: o de Filosofia, o de Geografia e História e o de Línguas Neolatinas. A exemplo do que acontecera com a Faculdade de Direito, seus professores foram recrutados entre educadores de notório saber e com larga experiência de ensino de nível superior, destacando-se: Padre José Fernandes Veloso, Frei Boaventura Kloppenburg, O.F.M, Antonio Rezende Silva, Gerardo Dantas Barreto, Eduardo Prado de Mendonça, no Curso de Filosofia; Maria Yeda Leite Linhares, Arthur César Ferreira Reis, Décio José de Carvalho Werneck, Fernando Miguel Pinho de Almeida, Speridião Faissol, Jorge Zarur e Maria Laís de Moura Mousinho, no Curso de Geografia e História; Germano Müller, Emília Navarro, Maria da Glória Rangel Sampaio Fernandes, Maria José Trindade Negrão, Mario Camarinha da Silva, Silvestro Sanfilippo, Joaquim Matoso Câmara Júnior e Silvio Edmundo Elia, no Curso de Letras. Estes professores da primeira hora souberam criar condições favoráveis à formação de uma consciência pedagógica, propiciando, destarte, o desenvolvimento das atitudes necessárias à formação do verdadeiro mestre em seus alunos. Em 1956, as Faculdades Católicas Petropolitanas se mudavam para o centro da cidade, para as confortáveis instalações do prédio do antigo Palace Hotel, à Rua Barão do Amazonas, adquirido graças ao oportuno […] Read More

IGREJA CENTENÁRIA (UMA)

  UMA IGREJA CENTENÁRIA Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette No próximo dia 25 de junho de 2005, comemora-se o Centenário da Igreja de Santo Antônio do Alto da Serra. No início do século passado, não era pequeno o número de pessoas ilustres que residiam ou veraneavam no Alto da Serra, particularmente na Vila Teresa. Assim, um dos moradores mais ilustres do citado bairro foi o Conde Afonso Celso de Assis Figueiredo Junior, filho do Visconde de Ouro Preto, Chefe do último Gabinete da Monarquia, que também possuía residência no Alto da Serra. Foi em sua residência de Petrópolis que o Conde Afonso Celso, agraciado, em 1905, pelo Papa Pio X, com o honroso título de Conde da Santa Sé, escreveu a maior parte de seus livros, obras de grande valor literário como o excelente livro de memórias “Oito Anos de Parlamento” e o lírico “Porque me Ufano de meu País”, que, na opinião dos críticos, “marcou profundamente a mentalidade brasileira do início do século XX” e muitos outros. A idéia de erigir um templo católico na região partiu do Conde Afonso Celso que redigiu uma petição neste sentido à autoridade eclesiástica, tendo como fervorosos adeptos e propagadores o Visconde de Ouro Preto, desembargador Henrique João Dodsworth, capitão Antônio Antunes Freire, José Ferreira da Paixão, José Nazario Murta, Gonçalo de Araújo Vianna e José Martins de Toledo. Segundo nos informa a Tribuna de Petrópolis, “o dr. João Baptista de Castro e sua senhora cederam um terreno de 25 metros de frente por 38 metros de fundos, para que nele fosse edificada a igreja pretendida¸ a qual seria consagrada a N.S. da Piedade” (1). (1) SCHAETTE, Estanislau Frei. In: Tribuna de Petrópolis, Petrópolis, 4 de junho de l955, p. 3. O terreno chegou a ser limpo e um pequeno morro que existia no mesmo a ser demolido. Entretanto, Frei Ciríaco Hielscher, um dos primeiros franciscanos chegados a Petrópolis, convidado pelo Conde Afonso Celso “para dar vida à empresa”, chegou à conclusão de que o citado terreno não era o mais conveniente para a construção da igreja, manifestando preferência por outro de propriedade do sr. Manoel Joaquim Valladão, com uma área de 100 metros de frente por 100 metros de fundo. O Visconde de Ouro Preto, amigo pessoal do proprietário, não encontrou dificuldade em obter deste a doação o referido terreno, por escritura pública […] Read More

REVOLTA DA ARMADA E A MUDANÇA DA CAPITAL DO ESTADO DO RIO PARA PETRÓPOLIS (A)

  A REVOLTA DA ARMADA E A MUDANÇA DA CAPITAL DO ESTADO DO RIO PARA PETRÓPOLIS Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette A Revolta da Armada, deflagrada por Custódio José de Melo, em 6 de setembro de 1893, foi causa da mudança da capital fluminense para Petrópolis. Como conseqüência do golpe de estado de Deodoro da Fonseca, em 3 de novembro de 1891, dissolvendo o Congresso e proclamando o estado de sítio, fato que desencadeou violenta oposição política ao governo, Deodoro renunciou a 23 de novembro de 1891, passando o governo ao vice-presidente Marechal Floriano Peixoto. De imediato foram levantadas contestações sobre a legalidade do novo governo, fundamentadas nas interpretações do artigo 42 da primeira Constituição Republicana que prescrevia o seguinte: “Se, no caso de vaga, por qualquer causa, da Presidência ou Vice-Presidência, não houverem ainda decorrido dois anos, do período presidencial, proceder-se-á a nova eleição” (1). (1) PORTO, Walter Costa. As Constituições no Brasil. A Constituição de 1891. Fundação Projeto Rondon, Ministério do Interior, s/d., p. 1. Os contestadores da legalidade do novo governo apelavam para o fato de que, não tendo Deodoro chegado a governar por dois anos, Floriano ocupando a Presidência não estava cumprindo o dispositivo constitucional. Entretanto, os que temiam pela realização de um novo pleito presidencial, o qual poderia por em perigo a consolidação do regime republicano, encontraram respaldo nas disposições transitórias, parágrafo 2º, artigo 1º, da referida Constitução que estabeleciam normas específicas para a primeira eleição feita pelo Congresso, dispondo: “O presidente e o vice-presidente, eleitos na forma deste artigo, ocuparação a Presidência e a Vice-Presidência da República durante o primeiro período presidencial” (2). (2) PORTO, Walter Costa. As Constituições no Brasil. A Constituição de 1891. Fundação Projeto Rondon, Ministério do Interior, s/d., p. 37 Entendiam assim, os partidários de Floriano, que dentro de tal período, não podiam ser realizadas novas eleições. Baseando-se pois nesta disposição, o vice-presidente manteve-se na Presidência. A 6 de abril de 1892, treze oficiais-generais do Exército e da Marinha assinaram um manifesto intimando o Marechal Floriano Peixoto a proceder a eleições para o cargo que ocupava. Seus signatários foram demitidos das comissões e comandos que exerciam e a seguir reformados. Os descontentes, organizaram manifestações de rua, exigindo a renúncia do presidente, baixando então o Governo o Decreto 791, que suspendia as garantias constitucionais por 72 horas. Os manifestantes foram presos e […] Read More

ASSASSINATO DO CEL. GENTIL DE CASTRO – UM MÁRTIR DA CAUSA MONARQUISTA NO BRASIL (O)

  O ASSASSINATO DO CEL. GENTIL DE CASTRO – UM MÁRTIR DA CAUSA MONARQUISTA NO BRASIL Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette Os primeiros anos do governo de Prudente de Morais transcorreram em condições bastante adversas; ainda fermentavam as paixões resultantes da Revolução Federalista no Rio Grande do Sul; a situação financeira agravara-se em conseqüência das prolongadas lutas; os partidários exaltados de Floriano Peixoto, denominados “jacobinos”, sonhavam com uma “ditadura redentora”, não poupando ataques ao chefe da nação. Às questões político-partidárias juntavam-se com freqüência atritos com os militares, como a revolta dos alunos da Escola Militar do Rio de Janeiro que haviam se sublevado contra o seu comandante, a quem acusavam de ser antiflorianista e até incidentes diplomáticos, como a ocupação da ilha de Trindade por um cruzador britânico, numa atitude acintosa à soberania nacional. Embora o governo tivesse agido com grande energia contra os revoltosos da Escola Militar, prendendo e desligando do Exército os insubordinados e a questão diplomática com a Inglaterra tenha sido resolvida satisfatóriamente, graças aos bons ofícios do governo português, o clima de descontentamento e de incertezas continuou reinando por todo o país. Em conseqüência, teve início uma séria crise política entre o executivo e o legislativo, queixando-se os senadores e deputados da ausência de uma convivência mais estreita entre os dois poderes. Francisco Glicério de Cerqueira Leite, antigo preposto de Floriano Peixoto no Congresso, habilidoso articulador político, chefe do Partido Republicano, como Presidente da Câmara dos Deputados, controlava os congressistas e procurava evitar um rompimento formal com o governo. Prudente de Morais, por sua vez, desejava libertar-se da tutela do partido e, por considerar Francisco Glicério um Florianista, procurava afastá-lo de sua influente posição como Presidente da Câmara dos Deputados. A crise política acentuou-se quando o governo apresentou um projeto de anistia aos brasileiros que, direta ou indiretamente, haviam participado da Revolução Federalista, no Sul, e da Revolta da Armada, no Rio de Janeiro. Este projeto, abrangendo todos os vencidos, foi considerado exageradamente liberal e não teve boa repercussão entre os florianistas, sendo rejeitado no Congresso. Francisco Glicério, comenta Silva “ […] já não interpretava, perante o Congresso a política do presidente da República” (1). Prudente de Morais conseguiu libertar-se da tutela do Partido Republicano Federal, mas o número de seus adversários cresceu consideravelmente, distanciando-se dele o próprio Vice-Presidente Manuel Vitorino “para tornar-se posteriormente, uma das figuras […] Read More

ESCOLA DE ENGENHARIA INDUSTRIAL (A)

  A ESCOLA DE ENGENHARIA INDUSTRIAL Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette A Escola de Engenharia Industrial da Universidade Católica de Petrópolis nasceu de um convênio entre as Faculdades Católicas Petropolitanas e o Centro Industrial do Rio de Janeiro (CIRJ). O citado convênio foi assinado em 13 de dezembro de 1960, em solenidade que se realizou no auditório da Federação de Indústrias do Estado e que foi presidida pelo Núncio Apostólico, Dom Armando Lombardi. Compareceram ao ato destacadas personalidades, entre as quais o Exmo. Sr. Bispo de Petrópolis, Dom Manoel Pedro da Cunha Cintra; o presidente do Centro Industrial do Rio de Janeiro, Sr. Zulfo de Freitas Mallmann; o prefeito de Petrópolis, Dr. Nelson de Sá Earp; o diretor da Faculdade de Direito, Dr. Aloysio Maria Teixeira, que também representou o Reitor das Faculdades Católicas Petropolitanas e os representantes dos governadores Roberto Silveira e Carlos Lacerda. A nova Faculdade surgiu da necessidade de se adequar a formação do elemento humano, com vistas aos interesses gerais da produção e ao desenvolvimento econômico do país. Sua criação, é justo salientar, deveu-se em grande parte aos esforços desenvolvidos pelo professor Décio José de Carvalho Werneck, educador realista, objetivo e prático, que soube conduzir, com rara habilidade, as conversações entre as Faculdades Católicas Petropolitanas e o Centro Industrial do Rio de Janeiro. Quanto à escolha de Petrópolis para instalação de tão importante unidade de ensino, encontrou ela justificativa no excelente conceito das Faculdades que já vinham funcionando, pelo rigor e qualidade do ensino; na expressiva atividade industrial desenvolvida na cidade; e na curta distância do parque industrial carioca. Para dirigir a nova escola foi convidado o engenheiro Oscar Lisboa da Graça Couto, Diretor Superintendente da Graça Couto S.A. Indústria e Comércio e que também foi professor titular da cadeira Higiene de Habitações e Indústrias. Instalada em 6 de maio de 1961, no recinto da Câmara Municipal, em ato presidido pelo Magnífico Reitor Dr. Arthur de Sá Earp Neto, o qual contou com a presença de expressivas figuras eclesiásticas, municipais e estaduais, da indústria e do comércio, a nova Escola foi autorizada a funcionar pelo Decreto nº 50.419, de 7 de junho de 1961, do então presidente Jânio da Silva Quadros. A Escola de Engenharia Industrial iniciou suas atividades com o Curso de Mecânica, ministrado em cinco séries. Visando a fornecer a seus alunos um ensino de […] Read More

VILA DE PEDRO DO RIO (A)

  A VILA DE PEDRO DO RIO Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette A Vila de Pedro do Rio, sede do atual 4º Distrito do Município de Petrópolis, surgiu nas terras pertencentes à Sesmaria de Joaquim José Pegado (1758). Em mapas muito antigos, como a “Carta Topográfica da Capitania do Rio de Janeiro de 1767”, as terras do Sumidouro, Pedro do Rio e Barra Mansa formavam o “Sertão do Piabanha”, ocupado por índios bravos. Segundo nos informa Lamego, “a maioria deles pertencia à nação Puri, sendo possível que restos de tribos puris acuadas no planalto pela invasão dos colonizadores tenham escolhido a serra como refúgio” (1). (1) LAMEGO, Alberto Ribeiro. O Homem e a Serra. Rio de Janeiro, IBGE, 1950, p. 126-127. Assim, não sabemos ao certo quando a denominação Pedro do Rio começou a ser utilizada. Neste sentido, Francisco de Vasconcellos, num de seus interessantes trabalhos, faz o seguinte comentário: “Pedro do Rio, foi Antonio Luiz durante o século XVIII e princípios do século XIX. Lugar onde se deixa a margem do Piabanha. Ora, em Pedro do Rio acontece justamente isso, quando se pretende tomar o rumo do Secretário e daí o do Paraíba, rota da via ancestral” (2). (2) VASCONCELLOS, Francisco de. Petrópolis, do embrião ao aborto Canabrava Barreiros afirma, num de seus livros, que o atual Pedro do Rio correspondia ao Sítio do Alferes Caetano, mencionado por Cunha Matos “como um rancho, e casa pequena” (3). (3) BARREIROS, Eduardo Canabrava. D. Pedro Jornada a Minas Gerais em 1822. Coleção Documentos Brasileiros, vol. 161, Rio de Janeiro, Livraria José Olympio, 1973, p.32-33. Qual seria a origem do nome Pedro do Rio? Reza a tradição que, mais ou menos no ponto ocupado pela estação ferroviária, hoje desativada, existiu um rancho, cujo dono acudia ao nome de Pedro; no Alto Pegado, outro rancho devia haver e, por coincidência, o respectivo proprietário também se chamava Pedro. Assim, a distinção se fez naturalmente, havia o “Pedro do Alto” e o “Pedro do Rio”. A primeira especificação dos limites de Petrópolis é encontrada na Deliberação de 29 de março de 1844, quando Petrópolis pertencia à Freguesia de São José do Rio Preto. Tal deliberação dizia em seu Artigo 1º: “Fica criada na freguesia de São José do Rio Preto, do termo de Paraíba do Sul, mais uma sub-delegacia, que se denominará do 2º distrito de […] Read More

SURUÍ, A FAMÍLIA PROENÇA E PETRÓPOLIS

  SURUÍ, A FAMÍLIA PROENÇA E PETRÓPOLIS Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette A região serrana, onde se situa hoje a cidade de Petrópolis, começou a ser povoada a partir do século XVIII, em conseqüência da necessidade de se estabelecer uma ligação direta, entre Rio de Janeiro e Minas Gerais. Neste sentido, a abertura da Variante ou Atalho do Caminho Novo foi o ponto de partida para a concessão de inúmeras sesmarias na região, as quais não tardaram a se fragmentar em prósperas fazendas, espalhadas pelo território que constitui o atual Município de Petrópolis. Cumpre ressaltar que quem pretender reconstituir os primórdios de nossa história regional terá, necessariamente, que recorrer às pesquisas realizadas por Frei Estanislau Schaette na Baixada Fluminense, de Caxias até Magé. Sacerdote exemplar, pregador e conferencista de grandes méritos, missionário, educador e historiador, Frei Estanislau era natural de Elberfeld, Renânia do Norte, Alemanha, tendo chegado a Petrópolis em 1897, onde concluiu seus estudos no recém-instalado Convento do Sagrado Coração de Jesus. Ordenado sacerdote a 23 de dezembro de 1902 foi logo nomeado professor da Escola Gratuita São José, imprimindo uma sólida orientação pedagógica à mesma. Em 1907, foi enviado ao sul do país, onde exerceu os cargos de Mestre dos Noviços, em Rodeio (SC), Definidor da Província e Diretor de uma Escola Normal para professores católicos em Blumenau, retornando a Petrópolis em 1930, onde continuou a dedicar-se ao magistério, desenvolvendo paralelamente intensa atividade pastoral nas paróquias da Baixada Fluminense. Possuidor de memória prodigiosa, grande pesquisador de arquivos, colecionador de documentos, era um historiador nato. Assim, desbravando arquivos, fonte única da verdadeira ciência-histórica, à procura de documentos, que ele soube explorar, comentar e divulgar, imprimiu, é justo que se reconheça, novos rumos à pesquisa histórica em Petrópolis. Em suas longas caminhadas pela Baixada Fluminense, no exercício de seu múnus sacerdotal, conseguiu reunir documentos que comprovam a presença de inúmeras famílias procedentes da Baixada Fluminense, sobretudo de Suruí, na ocupação do solo petropolitano, nos primórdios de sua história. Um dos primeiros sesmeiros do Suruí, segundo nos informa Frei Estanislau, foi Nicolau Baldim que construiu na colina de Goia a primeira Capela de São Nicolau, provisionada, isto é, autorizada pela autoridade eclesiástica para celebração do culto público e dos sacramentos, em 1628. Em 1695, Felix Magalhães de Proença, levantou na colina da atual matriz, a nova igreja, a qual foi elevada a […] Read More

CORONEL JERONYMO FERREIRA ALVES – GRANDE ANIMADOR DO PROGRESSO DO MUNICÍPIO DE PETRÓPOLIS

  CORONEL JERONYMO FERREIRA ALVES – GRANDE ANIMADOR DO PROGRESSO DO MUNICÍPIO DE PETRÓPOLIS Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette Nasceu a 10 de fevereiro de 1874 em São Martinho do Val, Conselho de Vila Nova de Famalicão, Portugal, sendo filho de Antonio Joaquim da Costa Alves e Engrácia Rosa de Jesus. Chegou ao Brasil com quatorze anos de idade, em 28 de outubro de 1888, vindo logo para Correias, onde morou e trabalhou como caixeiro, no estabelecimento comercial de seu tio Jeronymo Ferreira de Oliveira. Jeronymo Ferreira de Oliveira, casado com D. Amélia, filha de José Monteiro de Siqueira Carvalho e D. Deolinda Amália, filha do casal João Cardoso Lemos e D. Ana Luiza Corrêa, donos da Fazenda da Samambaia, além de comerciante era grande proprietário de terras naquela região. Grande amigo e correligionário de Hermogênio Silva, segundo nos informa Lacombe, “obteve desse grande administrador várias benfeitorias para Correias, como a ponte de ferro sobre o Piabanha. Em frente à ponte projetou espaçosa praça. À direita de quem entra, construiu prédio em que funcionou o Armazém Correias, abrindo ao lado uma rua, cujo nome precisa ser restabelecido: Rua Jeronymo Ferreira de Oliveira” (1). Deve-se também à sua influência, o fato da Leopoldina ali estacionar os trens de carreira, fato que sem dúvida, muito contribuiu para o progresso local. (1) LACOMBE, Lourenço Luiz. Quem foi Jeronymo Ferreira de Oliveira. Tribuna de Petrópolis, Petrópolis, 28 de janeiro de 1940, p.1. Guilherme Carlos, grande proprietário de terras na região, estabelecido com negócio de olaria em Benfica e Engenho de Açúcar na Fazenda da Manga Larga, de sua propriedade, era filho dos colonos alemães João Pedro Carl e D. Catarina Werlong, chegados ao Brasil em agosto de 1845, a bordo do navio “Marie”. Nascido em Petrópolis, em 14 de julho de 1846, Guilherme “foi batizado em 17 de julho de 1846, pelo Cura da Boa Esperança, Padre Reitz, na Capela que servia de Matriz, sendo seus padrinhos Guilherme Sindorf e Carlota Flesch”(2). (2) AULER, Guilherme. Primeiros Batizados. Tribuna de Petrópolis, Petrópolis, 1955, p. 11. No armazém do tio, Jeronymo Ferreira Alves iniciou o aprendizado de uma bem sucedida carreira no comércio, mudando-se para Itaipava em 1902, onde se estabeleceu com um armazém próprio, casando-se com D. Margarida Carlos, filha de Guilherme Carlos e sua esposa, também chamada Margarida Carlos. Guilherme Carlos e D. Margarida Carlos […] Read More

COLÉGIO DE APLICAÇÃO DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PETRÓPOLIS (O)

  O COLÉGIO DE APLICAÇÃO DA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PETRÓPOLIS Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette Em fins de 1968, sendo reitor da Universidade Católica de Petrópolis, Dom José Fernandes Veloso, foram adquiridas as instalações do Colégio Notre Dame de Sion, situado à Rua Benjamin Constant, 213. A ampliação das instalações da Universidade Católica de Petrópolis tornava-se imperiosa para atender à extraordinária expansão e ao desenvolvimento da mesma, com a instalação de novos cursos, laboratórios e oficinas, bem como de um Colégio de Aplicação capaz de propiciar campo de estágio e pesquisa aos alunos da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, assim como proporcionar ensino de alto padrão, integrado com a Universidade, desde o nível infantil. Assim, em 8 de novembro de 1968, reuniram-se, no Rio de Janeiro, para acertar os termos da transação, o Dr. Celso da Rocha Miranda e o Dr. Graça Couto, representando o Conselho de Administração e Finanças da Universidade; pelo Colégio Sion, a Superiora de Petrópolis, a assistente da Madre Provincial, a Superiora do Rio de Janeiro e o advogado do Sion, Dr. Leonel Veloso, tendo ficado estabelecido o valor da transação em NCR$ 4.000.000,00 a ser pago em seis anos. No ano seguinte transferiram-se para o novo prédio as quartas séries das diversas licenciaturas da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras e alguns serviços administrativos da Reitoria. O Colégio de Aplicação começou a funcionar a 27 de fevereiro de 1969, embora a cerimônia de sua instalação se tenha realizado a 1º de março do mesmo ano. A 22 de março de 1969, o Conselho Universitário aprovou a nomeação de uma Comissão para estudar a estruturação do Colégio, coordenando-lhe as atividades com as da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Na oportunidade foram nomeados os seguintes professores para integrar a referida Comissão: Maria de Glória Rangel Sampaio Fernandes, diretora da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras; Onésio Mariano Henrichs, Diretor do Colégio; Therezinha Fernandes Barbosa, Suelena Pessoa de Campos, Albertina Conceição Nunes da Cunha, Irmã Rosalina de Sion e Edson Paulo Lobo. Como resultado dos estudos realizados pela citada Comissão foi elaborado o Regimento do Colégio, o qual foi aprovado pela Inspetoria Seccional de Niterói, do Ministério da Educação e Cultura, a 8 de setembro de 1969, e pelo Conselho Estadual de Educação, em 27 de novembro de 1969. Este primeiro regimento apresentava uma série de novidades, […] Read More