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18 DE ABRIL DE 1918: SANTOS DUMONT DECIDIU POR PETRÓPOLIS

18 de abril de 1918: Santos Dumont decidiu por Petrópolis Marisa Guadalupe Cardoso Plum – Associada Titular, Cadeira n.º 18 – Patrono Gabriel Kopke Fróes   Há cem anos, no dia 18 de abril de 1918, Alberto Santos Dumont adquiriu o prazo de terras nº 1.422, no Morro do Encanto, Quarteirão Renânia Inferior, com testada para a Rua do Encanto, que pertencia a Henrique Rittmeyer. Nele construiu a sua casa denominada por ele próprio de “A Encantada”, obtendo o habite-se da Prefeitura Municipal de Petrópolis em 29 de agosto de 1918. Nela atualmente funciona o Museu Casa de Santos Dumont. Durante os anos em que trabalhei na “Encantada” ouvi muitos visitantes que perguntavam: “Por que Santos Dumont escolheu Petrópolis para construir sua casa?” A resposta a esta indagação se completa por vários fatores, uns identificados  e outros ainda por se descobrir.  Petrópolis ocupou desde o séc. XIX um status especial no contexto nacional, desde o Império à República, pela sua tranquilidade, clima ameno, belezas naturais. Santos Dumont encontrava-se com a Princesa Isabel em seu exílio em Paris e certamente, falavam sobre as belezas da cidade imperial. Numa entrevista publicada na Tribuna de Petrópolis de 4 de janeiro de 1914, Santos Dumont descreveu sua viagem: “boa; fil-a agradavelmente. Quando o trem começou a subir a serra, senti um outro ar, que recebia das montanhas, que adornam o caminho férreo para Petrópolis.”  Segundo nos relatou  Jorge Henrique Dumont Dodsworth, seu sobrinho neto, haviam  familiares que  possuíam  imóveis em Petrópolis, um deles na Av. Ipiranga, onde atualmente é o Mosteiro da Virgem, e amigos como  Paulo de Frontin, que recebia Santos Dumont em sua casa na Av. Koeler, e era administrador da  fazenda de café do seu pai dr. Henrique Dumont, após este ter sofrido um acidente. E o que se passou na vida do inventor brasileiro no hiato de dez anos antes do seu entrelaçamento com a terra serrana?  Em fins de 1908 na 1ª Exposição de Aeronáutica no Grand Palais de Paris, Santos Dumont participou com a sua Demoiselle, numa época em que os avanços aeronáuticos permitiram conquistas de novos recordes, compartilhados com aeronautas contemporâneos. Durante o ano seguinte, 1909, a Demoiselle, seu último aparelho, cruzou os céus franceses tornando-se extremamente popular, menor e mais veloz segundo a revista L’Illustration de 28 de agosto daquele ano. Aluizio Napoleão ressalta os resultados na aeronáutica e concretização do sonho de Santos Dumont:  “Fugindo do […] Read More

O PAPEL DO INSTITUTO HISTÓRICO DE PETRÓPOLIS NO I FESTIVAL GERMÂNICO, EM 1982

O papel do Instituto Histórico de Petrópolis no I Festival Germânico, em 1982 Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe Marisa Guadalupe Cardoso Plum, Associada Titular, Cadeira n.º 18 – Patrono Gabriel Kopke Fróes   É notório que as terras onde foi erigido o Palácio de Cristal sempre acolheu os encontros dos colonos germânicos, tornando-se icônico dentro desse significado até a atualidade. Ruth Boucault Judice, presidente do Instituto Histórico de Petrópolis (biênios 1981-1982 e 1983-1984), em seu livro “100 anos do Palácio de Cristal-Petrópolis” registra que, em maio de 1982, “o Instituto Histórico de Petrópolis fez surgir o I Festival Germânico em Petrópolis, com danças típicas, artesanato e culinária alemã” no parque do Palácio de Cristal. Anteriormente, de 1959 a 1980, as comemorações à chegada dos colonos germânicos se resumiam em celebrações religiosas na Igreja Evangélica Luterana e na Catedral São Pedro d’Alcântara, homenagem no Monumento do Major Julio Frederico Koeler, visita aos túmulos de alguns colonos e almoço típico. Em 1981, Ildefonso Troyack, descendente de colonos, administrador do Palácio de Cristal e membro da diretoria do Clube 29 de junho teve a iniciativa de realizar uma festa, segundo o depoimento de Paulo Roberto Troyack, simples, reunindo famílias, com poucas barracas, almoço e o som cedido por ele próprio. Na ata do Instituto Histórico, de 16 de abril de 1982, lavrada pela Secretária Aurea Maria de Freitas Carvalho, consta que o consócio José Kopke Fróes (1902-1992) pediu a palavra, na qualidade de presidente do Clube 29 de Junho, para tratar das festividades do dia 29 de Junho e convocou o Instituto Histórico para comparecer a reunião no dia 5 de maio no Centro de Cultura, às 16 horas. Certamente durante esse encontro consolidou-se a ideia do I Festival Germânico apresentada por Carlos Grandmasson Rheingantz (1915-1988), conforme registrado em ata do dia 14 de maio: O consócio Carlos Rheingantz tomou então a palavra para falar sobre o I Festival Germânico, evento do qual foi o idealizador e que será promovido pelo Instituto juntamente com a Fundação Nacional Pró Memória /Museu Imperial e as Secretarias de Educação e Cultura e de Turismo da Prefeitura Municipal. O festival terá lugar nos próximos dias 28, 29 e 30 do corrente, no Palácio de Cristal e constará de espetáculos de ballet, coral, barraquinhas para venda de produtos típicos da culinária alemã, artesanato etc. O evento tem por finalidade congregar os […] Read More

NELSON DE SÁ EARP, MÉDICO, POLÍTICO E ACADÊMICO

NELSON DE SÁ EARP, MÉDICO, POLÍTICO E ACADÊMICO José Afonso Barenco de Guedes Vaz – Associado Titular, Cadeira n.º 11 – Patrono Henrique Carneiro Teixeira Leão Filho Discorrer sobre a vida e obra do médico Nelson de Sá Earp, tarefa das mais complexas ante a tantas e importantes atividades nas quais se fez destacar, inegavelmente na área médica em face da prestimosa dedicação que sempre demonstrou perante o Hospital Santa Tereza e bem assim ao sem número de clientes que fez atender durante o decorrer de sua trajetória. Nesse nosocômio criou o primeiro Banco de Sangue, foi o primeiro diretor do CTI e, ainda, o primeiro Diretor do Hospital. Nelson de Sá Earp nasceu a 3 de maio de 1911 tendo falecido a 2 de junho de 1989. Exemplar chefe de família foi casado com Amélia Maria de Sá Earp que o fez acompanhar por cinquenta e quatro anos resultado de uma feliz união, fossem em momentos de alegrias e tristezas. Católico fervoroso fez parte da Ordem Terceira de São Francisco. O ora homenageado e constantemente lembrado foi uma pessoa ímpar, dotada de privilegiada inteligência, de exemplar caráter, resultado da formação recebida certamente dos pais, Arthur e Arabela Silva de Sá Earp. Por haver abraçado a medicina com todo ardor – protegido pelas Alturas durante o transcorrer de sua vida. O grande médico legou-nos grandes amizades dentre os filhos, Antônio Carlos, Maria Cecília, Arthur Leonardo e Pedro Paulo, além do neto André Leonardo. Petrópolis por seus dirigentes e munícipes reverenciam até os dias de hoje o nome do extraordinário médico, cidadão que deixou marcado, de forma indelével, o seu nome em nossa cidade, em face dos relevantes serviços prestados a milhares de petropolitanos aos quais atendeu durante anos seguidos. Valendo-me da inesquecível figura de Maria Helena de Avellar Palma, que por muitos anos dirigiu a Biblioteca Municipal, filha querida do casal Anthero Palma, irmã do jornalista Décio de Avelar Palma que, como o pai, destacou-se escrevendo em jornais da terra (Revista da APL-nº 17-outubro/1995), num momento de extrema felicidade fez transcrever a poesia escrita pelo médico Sá Earp intitulada “Nossos Sete Filhos e o nosso Cantinho”, que me permito reproduzir ante a profunda beleza que encerra: Deus no eterno desígnio Criador/ Uniu as nossas almas num só ser/ Notável, vimos a nos conhecer/ Que éramos dois, mas num só amor. Foi uma coisa muito milagrosa…/ Aconteceu… e foi muito espantosa:/ De […] Read More

GUSTAVO ERNESTO BAUER, NOTÁVEL FIGURA

GUSTAVO ERNESTO BAUER, NOTÁVEL FIGURA José Afonso Barenco de Guedes Vaz – Associado Titular, Cadeira n.º 11 – Patrono Henrique Carneiro Teixeira Leão Filho   De início gostaria de me reportar à sessão promovida pela Diretoria do Instituto Histórico de Petrópolis na noite de 18 de abril do corrente ano, presidida pela confreira Ana Cristina Borges López Monteiro Francisco. Ao mesmo tempo, após ouvir manifestação de incentivo por parte da confreira Maria das Graças Duvanel Rodrigues, dirigida aos associados presentes, relacionada exatamente à figura do exemplar associado Gustavo Ernesto Bauer, já que no seu entendimento deveria ser mais uma vez recordado pela instituição em face da extraordinária colaboração prestada ao I.H.P, propus-me a atendê-la, de imediato, e o faço através destas modestas linhas saudando a todos os confrades e confreiras, em especial a pessoa da ilustre presidente e demais integrantes da diretoria. Antes mesmo de buscar discorrer sobre a vida e obra do ora homenageado, permito-me voltar ao tempo, décadas dos anos de mil novecentos e sessenta e setenta, ou mais precisamente à rua General Rondon nº 400. Naquela rua encontrava-se sediada a Oficina Regional de Petrópolis, unidade integrante do então Departamento Nacional de Estradas de Rodagem – DNER incubida da realização não só de pequenos reparos a serem levados a cabo na rodovia Washington Luiz, sob a responsabilidade de feitores integrantes da citada Oficina, como também, o desenvolvimento de atividades da maior importância, a cargo de servidores especializados, especialmente, profissionais torneiros mecânicos, eletricistas, etc. Os primeiros, percorriam de forma periódica a rodovia no sentido de preservar sua conservação. Nesses tempos encontravam-se em plena atividade o Engº Natal Crosato, e como não poderia deixar, Gustavo Ernesto Bauer na condição de dirigente da Oficina Regional, que à época era especializada, como já frisado, na fabricação de peças, as mais sofisticadas de modo a serem utilizadas em veículos leves e pesados pertencentes à autarquia. A execução dos serviços praticamente de caráter artesanal, sob os olhares e observação de Gustavo Bauer, em especial aqueles relacionados com a fabricação de peças cujos componentes elétricos sempre a prevalecerem. Naquela unidade do DNER, ainda que gozando pouca idade, lembro-me perfeitamente do Sr. Bauer, como era chamado pelos servidores que trabalhavam sob sua orientação. Vim a conhecê-lo pelas mãos de meu pai, também integrante dos quadros do DNER. As paradas que meu pai fazia, quase que diariamente, quando se dirigia ao Rio de Janeiro, onde trabalhava, conduzia a momentos em que […] Read More

COSTUREIRAS-MODISTAS EM PETRÓPOLIS – 1854-1889 (AS)

AS COSTUREIRAS-MODISTAS EM PETRÓPOLIS (1854-1889) Maria de Fátima Moraes Argon – Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe   O projeto para elevar Petrópolis à categoria de cidade, o que ocorreu em 29 setembro de 1857 pela Lei Provincial nº 961, do RJ, teve como um dos seus apoiadores, Bartolomeu Pereira Sudré, proprietário e editor do Mercantil, primeiro jornal de Petrópolis fundado em 3 de março daquele mesmo ano circulando até 1892. O Mercantil, jornal político, literário, comercial e noticioso oferece informações fundamentais para a história da cidade, mas lamentavelmente os números referentes aos anos 1857 e 1874 não são conhecidos. Na Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional estão disponíveis os números dos anos 1875 a 1892 e a edição de 18 de maio de 1872. O novo status de Petrópolis e a constante presença da família imperial e de membros da corte provocaram mudanças, resultando, por exemplo, na ampliação do comércio e na criação de novos serviços. Surge, pela primeira vez, no Almanak Laemmert, edição de 1855, o nome de Madame Fraisse, costureira-modista estabelecida à Rua do Imperador. Curiosamente as figuras das modistas aparecem frequentemente nos folhetins e contos publicados no Mercantil, ora de forma romântica, ora depreciativa. Na edição de 18 de maio de 1887, por exemplo, Félix Ribeiro em Ligeiras considerações sobre a sociedade hodierna, questiona Uma mulher médica?! Na realidade, aquela que a este grau chegar, terá dado testemunho de um esforço e de um apurado trabalho. Mas para que desviar-se da trilha que a sua natureza lhe traçou e que é tão somente dela”. O autor defende que a mulher deve ser educada para ser dona de casa e sua ambição deve ser a de ser mãe. E continua: “Enquanto a modista prepara os vestidos para as festas, ela os espera apreciando a leitura das obras as mais prejudicais possíveis”. O estudo dos ofícios considerados tipicamente femininos como os de corte e costura carecem de um trabalho sistemático que demonstrem o papel das mulheres na vida econômica da cidade. Cantares (versão – A uma costureira)             Publicado no Mercantil, 10 de outubro de 1888 I Por ti, formosa andorinha, Ando perdido de amores, – Não sei que doudice a minha Que vivo só para dôres! II O sol desse olhar vibrante Fez brotar a luz do dia Na noite, escura e sombria, Da minh’alma tremulante. E em vão procuro esquecer A balburdia compassada Dessa […] Read More

EMPRESA C. PARETO & CIA (A) E A COMPANHIA FIAÇÃO E TECIDOS “COMETA”

A empresa C. Pareto & Cia e a Companhia Fiação e Tecidos “Cometa” Maria de Fátima Moraes Argon – Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe Em 5 de março de 1888, o Ministério da Fazenda do Império deu a concessão a uma Companhia para a instalação de uma fábrica de papel em terrenos do Meio da Serra, que pertenciam a Fábrica de Pólvora da Estrella da Serra. A concessão seria por 35 anos, sem responsabilidade alguma para a Fazenda Nacional nem indenização de benfeitorias.[1] [1] Memorial (cópia datilografada) apresentado ao Ministro da Fazenda pelo capitão Angelo Mendes de Moraes sobre a situação da Fábrica Cometa, em terrenos do Patrimônio Nacional. Raiz da Serra, 25 de novembro de 1925. Arquivo Tristão de Athayde (CAALL/ATA/C/C19/114-2). Acervo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade/Ucam. Mais tarde a fábrica de papel converteu-se em fábrica de linha, denominada “Manufactureira de Linhas Estrella”, permanecendo ali até março de 1897, quando abriu falência. Por alvará do Juiz da Câmara Comercial do Tribunal Civil e Criminal da Capital Federal, Caetano Pinto de Miranda Montenegro, de 13 de fevereiro de 1897, os bens hipotecados ao Banco da Lavoura e Comércio do Brasil foram a leilão em 19 de março, pelo leiloeiro Joaquim Dias dos Santos, sendo adquiridos pelo valor de 196:000 Rs, conforme escritura pública de 10 de abril de 1897, por Pareto & Claviez (Carlo Pareto e Alexandre Claviez) para a empresa C. Pareto & Cia, que se encontrava em vias de organização, tendo sido constituída legalmente em 14 de abril de 1897. Entre 1897 e 1902, a firma despendeu cerca de novecentos contos de reis para ampliar e melhorar as instalações, tendo sido em 1902 aumentado o capital para 1.500:000 rs.[2] [2] Requerimento (minuta por letra de Alceu Amoroso Lima) da Companhia Fiação e Tecidos “Cometa” ao Presidente do Conselho de Águas e Energia Elétrica. Sem local e data. Arquivo Tristão de Athayde (CAALL/ATA/C/C19/114-3). Acervo Centro Alceu Amoroso Lima para a Liberdade/Ucam. Nestes terrenos do Meio da Serra é instalada a Fábrica de Tecidos “Cometa”, cujo anúncio é publicado no Almanak Laemmert, de 1898: “Carlo Pareto & Cia – Fábrica de Tecidos “Cometa”. Escritório Rua General Camara, 34 e 36. Rio de Janeiro”. Em 1903 foi aberta a filial no Alto da Serra e, em 28 de março, Carlo Pareto, proprietário da fábrica de tecidos “Cometa” apresenta o requerimento nº 569 à Câmara Municipal de […] Read More

Discurso de posse da associada titular Ana Cristina Borges López Monteiro Francisco

Discurso de posse da associada titular Ana Cristina Borges López Monteiro Francisco Ana Cristina Borges López Monteiro Francisco, Associada titular da cadeira nº 15, patrono Estanislau Schaette   Ilustríssima Sra. Presidente do Instituto Histórico de Petrópolis Maria de Fátima Moraes Argon Ilustríssimo Sr. Luiz Carlos Gomes a quem devo minha indicação, juntamente com Fátima Argon e Fernando Antonio de Souza Costa, aos quais desde já agradeço imensamente. Ilustríssimos confrades e confreiras Autoridades presentes Caríssimos familiares e amigos, Boa noite! Certamente, a primeira coisa a ser dita diz respeito ao quanto me sinto honrada e feliz em fazer parte do Instituto Histórico de Petrópolis como associada titular. E, já de início, gostaria de visitar meu lugar de fala porque sinto que percorri o caminho inverso ou, quando muito, desviei do que é visto como tradicional, para chegar aqui. Cresci com a narrativa de histórias de reis, rainhas, imperadores e nobres que “eram de carne e osso”, bem distantes daqueles dos contos de fadas. Passei minha adolescência nos jardins do Museu Imperial que, para muito além do sentimento de bem-estar que me proporcionava, acabou por se tornar o lugar perfeito de estudo ou descanso, quando saía do Santa Isabel e precisava voltar horas depois, para o estágio do Curso Normal.  Também foi cenário para fotografias da turma, encontros com amigos, passeios com familiares que vinham conhecer a cidade, mas que, a cada vez revisitado, descortinava algo novo aos meus olhos que se acreditavam acostumados com aquele ambiente.   Anos depois, serviu como túnel do tempo para minhas aulas de História nas quais pude desfrutar de vários “D. Pedros, Teresas Cristinas, Isabéis e Leopoldinas, escravos e aias que, vestidos a caráter (!), corriam pelos jardins e corredores apontando e mostrando tudo que tinham aprendido. Mais uns anos, e aquele espaço assumiu lugar de fonte de pesquisa para meus orientandos do Curso de Direito da UCP e, para minhas próprias pesquisas de Mestrado e Doutorado. E foi nesse momento que minha história se costura com a de Fátima e tantos aqui presentes. No entanto, o que vale destacar, é que foi a partir desse momento que encontrei o que realmente mais gosto de fazer: pesquisar, desvendar, investigar e aprender com a história. E nesse novo universo, conheci Fátima que não só abriu as portas, gavetas e pastas de arquivos, mas abriu meus olhos, mente e coração para uma forma especial de pesquisa. Parafraseando Koselleck, […] Read More

Curiosidade sobre a canonização do Padre Anchieta (Uma)

Uma curiosidade sobre a canonização do Padre Anchieta  Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe   A princesa imperial D. Isabel exerceu a regência em três ocasiões, na qualidade de herdeira de seu pai, o imperador D. Pedro II: a primeira vez ocorreu em 1871-1872, a segunda, em 1876-1877 e a terceira, em 1887-1888. Durante a segunda regência, a princesa Isabel escreveu ao Papa Pio IX, em 11 de julho de 1877, uma carta a favor da canonização do Padre Anchieta – referendada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Diogo Velho Cavalcanti de Albuquerque –, do seguinte teor: Santíssimo Padre. À presença de Vossa Santidade levam os Bispos deste Império uma súplica que, posso dizer, não é exclusivamente sua. Pedem a canonização do Pe. José de Anchieta: e eu a eles me uno para obtê-la de Vossa Santidade. A vida desse missionário, tão cheia de atos de caridade heroica e de milagres, não é conhecida somente no Brasil; mas aqui onde ele derramou os benefícios da sua palavra e do seu exemplo, é mais viva do que em qualquer outra parte a memória de suas virtudes, e daí vem a esperança que todos nutrem de ver atendida pelo Chefe da Igreja a rogativa daqueles Prelados. Queira, pois, Vossa Santidade resolver que é lícito aos católicos brasileiros venerarem em seus altares a imagem de tão santo varão. Queira também Vossa Santidade lançar sua apostólica bênção sobre mim e sobre minha família e sobre a Nação Brasileira. De Vossa Santidade muito obediente filha. Isabel, Princesa Imperial Regente. O Papa Pio IX era um defensor da doutrina ultramontana – que, em linhas gerais, postulava a infalibilidade papal e combatia as ideias e as instituições que defendiam a secularização e o anticlericalismo – e a princesa Isabel, católica fervorosa, era adepta do ultramontanismo. O excesso de religiosidade da princesa imperial D. Isabel não era visto com bons olhos pelos políticos, que receavam o poder que a Igreja teria sobre os assuntos do Estado. Esse “fervor religioso passou a ser usado como argumento contra a implantação do Terceiro Reinado, a partir de sua intervenção declarada a favor da anistia dos bispos” (DAIBERT, 2004) envolvidos na chamada Questão Religiosa (1872-1875), conflito ocorrido entre a Igreja Católica e a maçonaria no Brasil do século XIX, que acabou se transformando em uma grave questão de Estado.  A questão evoluiu centrada na atuação […] Read More

Paulo Rattes e o Decreto nº 198

Paulo Rattes e o Decreto nº 198 Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe   O então Prefeito Paulo Rattes assinou, em 7 de janeiro de 1977, um dos mais importantes decretos para a preservação da memória petropolitana, o decreto de criação do Arquivo Público Municipal, que ampara por meio legal a conservação do patrimônio documental da cidade de Petrópolis. Segundo os dados de 1999, apenas quatro dos 91 municípios do estado do Rio de Janeiro possuíam arquivos públicos: a cidade do Rio de Janeiro, Resende, Natividade e Petrópolis. O Arquivo Público de Petrópolis foi o primeiro a ser criado no estado do Rio de Janeiro. O administrador foi sensível ao apelo feito pelas bibliotecárias Maria Amélia Porto Migueis e Yedda Maria Lobo Xavier para que protegesse e conservasse os documentos oficiais reconhecendo neles a importância para a história do município. A fim de resolver alguns problemas de ordem prática, dividiu-se o Arquivo Público em dois setores: o Arquivo Central e o Arquivo Histórico. O Arquivo Central, subordinado à Secretaria de Administração, transferiu os documentos produzidos e acumulados pela Câmara Municipal no exercício de suas funções de legislativo e de executivo – período de 1859 a 1916 – e pela Prefeitura desde 1916 (ano de sua criação) até 1968, formando assim o acervo do Arquivo Histórico, cuja ampliação se daria através de novos recolhimentos previstos no próprio decreto. A documentação foi então transferida para as dependências da Biblioteca Municipal até que se obtivesse um local adequado à sua importância e ao seu natural crescimento. Lamentavelmente, isto nunca ocorreu! O Arquivo Público nunca conseguiu ocupar o seu verdadeiro espaço na administração pública. O Arquivo Histórico subordinado à Fundação de Cultura e Turismo abriga hoje cerca de 700 mil documentos do período de 1859 a 1978, e ocupa as mesmas salas da Biblioteca Municipal sem as condições exigidas para sua adequada instalação e, principalmente, encontra-se inviabilizado para receber novos lotes documentais transferidos do Arquivo Central. O Poder Público precisa consolidar definitivamente o Decreto nº 198. Seria uma homenagem justa e merecida ao seu autor, reconhecendo que o valor dos documentos não se restringe apenas ao campo da história e ao desenvolvimento sociocultural da cidade, mas admitindo que tais documentos são fundamentais tanto para as comunicações administrativas como para a memória do Poder Público, espelho, afinal, do que ele fez ou deixou de fazer pela cidade. […] Read More

AUREA MARIA DE FREITAS CARVALHO, HISTORIADORA E ARQUIVISTA

Aurea Maria de Freitas Carvalho, historiadora e arquivista Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe Filha única do casal José Carvalho e Aurea de Freitas Carvalho, nasceu em Petrópolis no dia 03 de julho de 1933 e faleceu na mesma cidade em 11 de dezembro de 2008. Solteira, não deixou descendência. Em 1955, fez o curso de “Técnica de Arquivo” no Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP) e, no ano seguinte, ingressou no Museu Imperial no cargo de Arquivologista, por Decreto Presidencial de 11.01.1956. Em 1959 e 1960, cursou “Preparação de Pessoal de Arquivos” e “Aperfeiçoamento de Pessoal de Arquivo”, ambos promovidos pelo DASP. Em 8 de maio de 1970 foi nomeada para exercer a função gratificada de Chefe do Arquivo, Documentação Fotográfica, Publicações e Intercâmbio Cultural, do Museu Imperial. Dois anos depois, foram criados os cursos de Arquivologia em nível superior no Brasil e, em 1979, ela obteve o título de bacharel em Arquivologia pela Federação das Escolas Federais Isoladas do Estado do Rio de Janeiro (FEFIERJ), hoje Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Graduou-se em História, em 1967, pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade Católica de Petrópolis. Foi designada, em 1970, subcoordenadora do projeto “Levantamento de fontes primárias em território fluminense” pela Comissão Executiva do Centro de Pesquisa de História (Convênio: Instituto Histórico de Petrópolis, Museu Imperial, Prefeitura Municipal e Universidade Católica de Petrópolis). Desenvolveu toda a sua vida profissional no Museu Imperial até a sua aposentadoria em 11 de junho 1991. Coordenou diversos projetos e exerceu a chefia da Divisão de Documentação Histórica. Foi professora da cadeira Tipo de Fontes Documentais no Curso de Elementos de Técnica de Pesquisa de História, realizado no Museu Imperial, em convênio com a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Universidade Católica de Petrópolis. Representou a instituição em várias oportunidades como, por exemplo, no I Congresso Brasileiro de História em Brasília (1967), no I Colóquio de Estudos Fluminenses em Petrópolis (1968), II Congresso Regional de Documentação no Rio de Janeiro (1969). A importância de sua participação no Guia Brasileiro de Fontes para a História da África, da Escravidão Negra e do Negro na sociedade atual (1988) foi reconhecida pela Comissão Executiva do Projeto ao destacar a sua larga experiência na área documental. Prestou assessoria ao Arquivo Municipal de Resende e outros. Publicou diversos trabalhos, dentre eles: Arquivos eclesiásticos […] Read More