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IMPERATRIZ DONA AMÉLIA (A), PRINCESA ITALIANA

A Imperatriz Dona Amélia, Princesa italiana Carlos Tasso de Saxe-Coburgo e Bragança (Dom), Associado Correspondente   Quando um rei é soberano de um país, presume-se que tenha a nacionalidade do território que governa. O mesmo acontece com um Vice-Rei, título pouco comum, mas que Napoleão criou dentro daquele seu espírito imprevisível. Bem, é verdade que até o século XIX, muitas dinastias eram criadas com príncipes estrangeiros. Era nos países que tinham adquirido a independência. Os novos reinantes eram automaticamente integrados, mesmo quando às vezes mal conheciam a língua do Estado que iriam governar. Não entrava em cogitação o “Jus Soli” ou o “Jus Sanguinis”. Não eram postas questões, mandava o mais forte, ditava o dominador. Foi o caso do Reino da Itália. Para o único filho legítimo, Napoleão tinha escolhido um título com sabor de lenda, o de “Rei de Roma”, mais uma autoglorificação e ao mesmo tempo um monitor ao poder papal. Quanto ao filho adotivo, Eugénio, este foi galardoado, mais modestamente, como Vice-Rei da Itália.     Rei da Itália seria ele próprio, o todo-poderoso córsico que com a espada tinha mudado a face da Europa. Este reino foi criado em 1805 sobre as cinzas da República Cisalpina, fundada anteriormente pelo mesmo, antes de coroar-se Imperador. Abrangia boa parte do Norte da Itália e incluía uma boa fatia dos estados pontifícios. A capital desse efêmero Estado seria Milão. Napoleão, no entanto, não resistiu à grande tentação de fazer-se coroar com a famosa e antiquíssima Coroa de Ferro. Eugénio de Beauharnais foi instalado com a consorte, Augusta da Baviera, com grande pompa em sua função. Formou a sua corte, decretou leis, muitas das quais lhe eram enviadas, já redigidas de Paris. Não vinham somente as leis, pois eram acompanhadas, muitas vezes por recomendações pessoais escritas por Napoleão, que seguia muito de perto as atuações do jovem Vice-Rei, que então tinha apenas 24 anos. Numa destas recomendações, o Imperador se delonga em advertências e que bem mostram uma grande preocupação sobre o êxito de Eugénio em sua nova função:   “…Como o senhor está numa idade na qual não se conhece ainda a perversidade do coração humano, não podemos nos refrear em aconselhar-vos muita prudência e sabedoria. Os nossos súditos italianos, podem, por natureza, dissimular-se melhor que  os cidadãos franceses. O senhor somente tem um único meio para conservar o respeito e ser útil a si próprio, não concedendo a ninguém a […] Read More

COLONO LAHR E NAPOLEÃO BONAPARTE (O)

COLONO LAHR E NAPOLEÃO BONAPARTE (O)   Ricardo Pereira Amorim, Associado Titular, Cadeira n.º 39 – Patrono Walter João Bretz   No artigo “Relembrando alguns colonos e os esquecidos Quarteirões” [1], [1] Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis, em 26/08/2001. Disponível no site do IHP. Paulo Roberto Martins de Oliveira registra que Christian Lahr, 72 anos, dono do prazo de terra nº 3602 do Quarteirão Woerstadt, através do Dr. Thouzet, solicita ao Ministro da Legação Francesa, residente em Petrópolis, a Medalha Santa Helena, exclusiva dos ex-combatentes do Grande Exército Imperial Napoleônico. Lahr recebeu mais de 26 ferimentos em batalha perto de Ratisbonne ou Regensburg (Jornal O Parahyba 11/02/1858). O Colono, ex-militar, recebia pensão de 60$000 Réis do Grão Ducado de Hesse-D’Armstadt; falecendo em 1º de agosto de 1858. Existia um prazo para tal solicitação, que foi prejudicado devido às revoltas em Paris, naquele período, que destruíram os arquivos da Legião de Honra (com muitas fichas, solicitações e cartas destruídas), falecendo Christian Lahr antes de poder fazer nova solicitação. A partir do relato de Lahr e de documentos sobre atividades militares do Grão Ducado de Hesse-D’Armstadt, verifica-se que o Regimento de Cavalaria Ligeira atuou na Campanha de Regensburg entre 19 de abril e maio de 1809. Através dos registros de baixas, presume-se que Lahr era um suboficial ou soldado (Martinien, Aristide. Tableaux, par corps et par batailles, des officiers tués et blessés pendant les guerres de l’Empire 1805-1815); já os registros do Grão-ducado não são localizados após a unificação das duas Alemanhas, em 1989. Hesse-Darmstadt, berço do Major Koeller, era aliada da França, cujas tropas, sejam infantes ou cavalarianos, eram enaltecidos pelo Marechal Lasalle, como seus “Infatigáveis Hessianos, tão ativos no trabalho, assim como sob fogo”; cuja cavalaria era uma das 5 melhores da época, segundo o autor George Nazfiger. Houve várias ações dos Cavalarianos de D’Armstadt próximas a Regensburg (Ratisbonne): a Batalha Eckmühl (21- 23 abril, com atuações em Neumarkt também), o Combate de Neumarkt (2 de maio, com 2 mortos e vários feridos) e a épica Batalha de Essling (20-21 de maio, quando os corajosos cavalarianos atacaram a artilharia inimiga, com vários mortos e feridos). O espírito intrépido destes cavalarianos faz o General Marulaz, escrever ao comandante dos cavalarianos Hessianos, Major von Münchingen: “Sr. Major, notifiquei ao Sua Excelência Duque de Istria a conduta distinguida do grupamento que vós comandastes durante o combate de Feichten, perto Neumarkt em 22 de abril; […] Read More

SOCIEDADE AMIGOS DE PETRÓPOLIS

    SOCIEDADE AMIGOS DE PETRÓPOLIS   Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe   “Problemas de Petrópolis” é o título sugestivo do folheto publicado,em 1948,pela Sociedade Amigos de Petrópolis e impresso pelo Jornal do Commercio, composto de cinco matérias, a saber: I- Sociedade Amigos de Petrópolis; II- Trasladação dos despojos da Princesa Isabel e do Conde d’Eu para a Catedral de Petrópolis; III- Patronato Princesa Isabel; IV Sociedade Petropolitana Protetora dos Animais (S.P.P.A.) e V- Jockey Club de Petrópolis. Nesse artigo nos ocuparemos da Sociedade Amigos de Petrópolis, que segundo o Jornal do Commercio, na edição de 25-26/03/1946, teve a reunião de sua fundação e instalação realizada no dia 24 de março de 1946, na residência do professor Chryso Fontes, na Independência, idealizador do movimento, durante a qual foi eleita uma diretoria provisória composta de Antenor de Resende, presidente; Pedro Brando, vice-presidente; Geraldo Mascarenhas da Silva, secretário; Chryso Fontes, tesoureiro e Beatriz Roquete-Pinto Bojunga, assistente encarregada de dirigir e orientar os destinos sociais até a eleição da diretoria definitiva. A Sociedade Amigos de Petrópolis nas palavras do seu presidente Antenor de Resende: Era uma associação civil sem cor política, possibilitando, assim, a reunião de elementos de todas as correntes partidárias, como de elementos apolítico, em torno dos interesses da linda cidade serrana e dos problemas de que dependa o seu progresso. Várias personalidades da sociedade compareceram à reunião como o Prefeito Álvaro Corrêa Bastos Júnior que governou a cidade de 01/03/1946 a 19/03/1947; o deputado federal Eduardo Duvivier; o diretor do Museu Imperial Alcindo de Azevedo Sodré;o ex-prefeito de Petrópolis Márcio de Mello Franco Alves;o industrial Zulfo Mallman; o secretário-geral de Finanças da Prefeitura do Distrito Federal Pascoal Ranieri Mazzilli; o industrial Camilo Atílio Filho;comandante Thiers Fleming;coronel Costa Neto;o vereador e médicoNelson Sá Earp;o jornalista Chermont de Brito;os médicos Silvio de Abreu Fialho, Rodolpho Luiz Figueira Melo, Paulo Figueira de Mello, Waldemar da Silva Bojunga e Arthur Sá Earp Neto; o jornalista Vasco Lima; José Aires Cerqueira Lima; o industrial Augusto Maria Martinez Toja; o bibliotecário José Kopke Fróes; os empresáriosJoão Augusto Alves e João Carlos Backheuser;o deputado federal Mario Altino Correia de Araújo; Armando Lima; Al. Camacho; Ipanema Moreira; Carlos Perry; Pedro Eduardo Duvivier; Maurício Morand;José Montenegro; Antônio Caetano Silva; Mário Pinheiro e Arthur Rocha. Dias depois, em 9 de abril de 1946, a Tribuna de Petrópolis publicou uma carta […] Read More

FAMÍLIA NOEL E A VALÔNIA (A)

A Família Noel e a Valônia Ricardo Pereira Amorim, Associado Titular, Cadeira n.º 39 – Patrono Walter João Bretz   O colono Johann Noel que veio para Petrópolis pertence a uma linhagem de lenhadores-carvoeiros relacionados à indústria de metalurgia, da cidade de Ethe, em Virton (Valônia), na época, antigo Ducado de Luxemburgo (atualmente Bélgica).   Ethe era uma das nove cidades do Condado de Chiny, em 1226, o conde Arnold de Looz casa-se com a herdeira de Chiny e dá origem à linhagem Looz-Chiny. Essas cidades estavam sob a influência do Arcebispado de Liége e do Ducado de Luxemburgo; porém, se submetiam aos duques de Bar para manter o Condado sem conflitos. Após 1337, a região começa ser integrada ao Ducado de Luxemburgo e em 1681 é anexada à França. Na sua genealogia encontramos Franz Noel (1670), esposo de Marie Pourra (Ethe) e seu filho Johann (ou Jehan) Noel (1700), esposo de Suzane Bideau (Meix-Le-Tige). O filho Johann migra para Züsch, aonde nasce Andreas Noel (1727), avô do nosso colono Johann Noel. Ethe e Meix-Le-Tige, estão na Província de Virton, na região da Valônia denominada Pays Gaumais ou Gaume, com tradições e características muito próprias; aonde falam francês e o patois Valão Gaumais. É muito comum o prenome Jehan (ou Johan), no Gaume e na Valônia, por fazer menção a João Batista e ao Apóstolo João (ver Revue Pays Gaumais, 1957); vindo do hebraico Yohanan (abreviação de Yohohanan: “Yahweh é Gracioso”). O nome de família Noel significa “Nascido no Natal” ou “Colocado sob a Proteção do Deus Menino”. Até o início do século 20, muitos Valões mantinham o mesmo modo de vida, habitando pequenas cabanas (hütte) no meio da floresta, cortando árvores com machados, transportando lenha em trenós apoiados nas costas para descer encostas de morros até a beira do rio, transportando a madeira até o local da transformação em carvão (o trenó é chamado até hoje em Züsch e na Antiga Valonia Prussiana de Traineau). O processo do carvão durava 7 dias e 7 noites, com vigília para não perder o carvão. Era uma atividade desgastante, já que aspiravam muita fumaça. É típico dos Valões usar o Sabot, sapato de madeira, semelhante aos holandeses (tradição na Bélgica e áreas da França). Até hoje, em Petrópolis, a tradição da arte secular de madeireiras e serrarias, é preservada pelos Noel.  Uma das celebrações típicas no Gaume era a Grande Fogueira, que variava […] Read More

PÉROLA DO ECLETISMO

PÉROLA DO ECLETISMO Luciano Cavalcanti de Albuquerque, Associado Correspondente   O ecletismo na arquitetura pontificou entre nós na virada do século XIX para o XX. Com o progresso da indústria começaram a surgir grandes construções estruturadas em ferro, o que agilizava a subida de edifícios, geralmente comerciais, cujo dinamismo produtivo impedia que ficassem “parados” no tempo. Com a estrutura pronta fechavam-se paredes com alvenaria de tijolos maciços, cobertos com reboco decorado com diversos tipos de enfeites, escolhidos por catálogos vindos dos países mais desenvolvidos como Reino Unido, Alemanha, França e EUA. Nesses catálogos havia de tudo, escadas das mais variadas formas, janelas as mais mirabolantes, portas de todo jeito, isso para se falar apenas da serralheria e da madeira.Vitrais espetaculares eram oferecidos ao novo mundo empreendedor, uma sorte de enfeites como frontões triangulares, coruchéus, taças, flores, tudo em argamassa dura também estruturada em ferro. E os edifícios viraram verdadeiras vitrines desses artefatos, alguns até “abarrocados” por tanta ornamentação, Muito criticado pelos nossos primeiros arquitetos modernistas, o estilo caiu em quase desgraça, pois a nova ordem arquitetônica preconizava a limpeza das formas, a funcionalidade sem artifícios desnecessários, panos de vidro em fachadas para, melhor aproveitar a iluminação natural, e telhas substituídas por lajes de concreto armado, além, é claro, de algumas criações brasileiras desenvolvidas aqui para ornamentar as mais variadas fachadas. Muitos exemplos poderiam ser citados, como os Teatros Municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo, o, infelizmente, demolido Palácio Monroe, nosso antigo Senado Federal, além de tantos e tantos outros, que poderiam ser esmiuçados em outro artigo.  Projetos de Arquimedes Memória, Oliveira Passos, Ramos de Azevedo, Souza Aguiar, deram o tom eclético à arquitetura brasileira do período. Entretanto encontramos, para exemplificar, na Rua do Imperador em Petrópolis, uma pérola eclética digna de nota e em muito bom estado, datada, pela prefeitura, como sendo de 1910, pertencia a Manoel Joaquim da Costa e no início dos anos 50 do Século XX foi transferida para Itatiaia Companhia de Seguros.  Em sua loja funcionou, até bem pouco tempo, a tradicional casa A Predileta desde o início dos anos 30, também do século XX. Todavia não possui o referido edifício esse exagero de decoração quase obrigatório nessas construções: o nº 906, elegante edifício com cinco pisos, lojas no térreo, como convém em rua de setor financeiro; nos outros andares tem uma decoração variada, onde não encontramos dois pavimentos iguais, portas e janelas […] Read More

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO DR. DÉCIO JOSÉ DE CARVALHO WERNECK

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO DR. DÉCIO JOSÉ DE CARVALHO WERNECK   Victorino Chermont de Miranda, Associado Correspondente   Senhor Presidente Professoras Vera Rudge Werneck e Gilda Werneck Machado da Silva Prezados Confrades Senhoras e Senhores     Há dois anos, quando tomei posse como sócio correspondente desta Casa, uma das figuras que evoquei foi a do Dr. Décio José de Carvalho Werneck, porque o seu nome sempre esteve identificado, no meu imaginário, com o culto da História pátria, já que o Colégio Padre Antônio Vieira, por ele fundado e onde fiz minhas primeiras letras, dedicava ênfase especial à celebração da nacionalidade. Não era minha intenção, entretanto, fazer uso da palavra nesta noite, como me sugerira o presidente, até porque, pensei eu, minha passagem pelo Colégio fora curta. Mas, ao sopesar, neste fim de semana, as lembranças daquele tempo, resolvi por no papel estas breves considerações, que se, por um lado, por certo, nada acrescentarão à fala, que iremos ouvir, de Francisco de Vasconcellos, por outro confirmam a imagem que a unanimidade dos ex-alunos guarda de seu estimado diretor. Sempre tive, Senhor Presidente, por figuras austeras, como a do Dr. Décio, uma admiração particular, um pouco por temperamento, mas também por entender que elas sobrelevam, cada vez mais, em significação num tempo em que a compostura e a dignidade andam escassas. Mas é preciso dizer que a austeridade dele nada tinha com o distanciamento e a frieza que às vezes vemos em pessoas com tal perfil. Era austero, sim, mas sem deixar de ser paternal e amigo de seus alunos. E o respeito que a eles infundia era fruto não tanto da autoridade que detinha, mas de seu carisma de educador. Alguém para quem educar não era sinônimo de reprimir inclinações ou impor ideias, mas de suscitar potencialidades e cotejar valores, com vistas a um projeto de vida voltado para a realização pessoal e a construção do bem comum. Por isto, a disciplina no seu Colégio era um exercício de responsabilidade, mais do que um cerceamento, uma descoberta da alteridade e das vantagens da convivência civilizada. Uma verdadeira iniciação à cidadania. E assim como a disciplina não era um código cego, a proposta de ensino se antecipava, em muitos aspectos, com tantas vezes ouvi de colegas e professores que mais de perto a acompanharam, à pedagogia da época, estimulando a investigação, incentivando a capacidade crítica do alunado e fazendo do ensino […] Read More

VENERANDA SENHORA (A)

  VENERANDA SENHORA (A) Cinara Maria Bastos Jorge Andrade do Nascimento, Associada Correspondente Apesar de divulgado em diversos órgãos de imprensa e ultimamente pela BBC News Brasil, permanece a dúvida se estariam os restos mortais da Condessa do Rio Novo na Capela de Nossa Senhora da Piedade, em Três Rios/RJ, ou no St. Mary’s Cemetery, em Londres, Inglaterra. Mariana Claudina Pereira de Carvalho (antes Barroso Pereira), casada com o primo José Antônio Pereira de Carvalho, considerada fundadora de Três Rios, foi mulher dinâmica e de visão futurista. Benemerente, doou vultosa importância para a fundação de um abrigo de meninas órfãs, a Casa de Caridade de Paraíba do Sul; vendeu uma das casas que possuía em Petrópolis por preço simbólico para instalação do Colégio Santa Isabel, onde até hoje se encontra; facilitou a passagem da Estrada União e Indústria, e mais tarde da Ferrovia D. Pedro II pelas suas terras, entre outros feitos. Falecidos os pais e o marido, passou a administrar os bens deles herdados. Eram de sua propriedade fazendas e imóveis em São João Del Rei/MG, uma residência na rua 1º de Março na Corte e duas casas de veraneio na Rua do Imperador em Petrópolis. Morre em Londres a 5 de junho de 1882, após malsucedida cirurgia feita pelo Dr. Spencer Wells, médico da Rainha Vitória. Mariana não teve filhos e em seu testamento, registrado antes da viagem a Londres, legou seus bens aos sobrinhos, reservando, porém, a maior de suas fazendas, a Cantagalo, para seus quase duzentos escravos, alforriando-os todos antes da Lei Áurea. Nada pediu para seus funerais, apenas queria ser sepultada junto aos pais e o marido, na Capela de N. Sra. da Piedade, próxima à sede de sua fazenda. Em 1885, três anos após sua morte, o caixão com os restos mortais chega ao porto do Rio de Janeiro e de lá foi transportado para a Estação de Entre Rios, seguindo para a referida Capela. Dois anos mais tarde, estando pronto o túmulo de mármore que a receberia, em 5 de junho foram feitas as cerimônias fúnebres, tendo os jornais noticiado que, no momento da cerimônia, ao abrirem o caixão, nele havia um esqueleto sem cabelos e dentes, envolvido em serragem. Até aí chegaram nossas pesquisas ao término do livro “Pioneiros dos três rios – A Condessa do Rio Novo e sua Gente”, lançado no dia 5 de junho de 2012, lembrando os 130 […] Read More

MUSEU NACIONAL

MUSEU NACIONAL Alessandra Bettencourt Figueiredo Fraguas, Associada Titular, Cadeira nº 27- Patrono José Thomáz da Porciúncula Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe   “É preciso formar no Rio uma coleção semelhante das riquezas do Brasil e em cada capital de Província outras das respectivas.” (Diário de D. Pedro II, v. 17, 1876. Museu Imperial). Frases como esta são frequentes na correspondência do imperador D. Pedro II que durante toda a sua vida se dedicou ao estudo das ciências e ao colecionismo de documentos e objetos, dando origem ao seu Museu particular, que funcionou no Paço de São Cristóvão onde nasceu e morou até ser exilado do Brasil. Do exílio, D. Pedro de Alcântara enviou ao procurador da Família Imperial, José da Silva Costa, em 8 de junho de 1891, meses antes de morrer, uma carta doando a sua coleção particular ao Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Biblioteca Nacional e Museu Nacional. Nela fez um único pedido, que as coleções fossem denominadas “Imperatriz Leopoldina” e “D. Teresa Christina Maria”, em homenagem respectivamente a mãe e a esposa: Sñr. Silva Costa Queira pedir em meu nome ao Visconde de Taunay, Visconde de Beaurepaire, Olegario Herculano de Aquino e Castro, e Dr. João Severiano da Fonseca que separem os meus livros podendo por sua especialidade interessar ao Instituto e h’os entreguem, a fim de serem parte de sua bibliotheca. Esses livros serão collocados em lugar especial com a denominação de D. Thereza Christina Maria. Os que não deverem pertencer ao Instituto offereço-os á Bibliotheca Nacional, que deverá collocal-os também em lugar especial com a mesma denominação. O meu Museu dou-o também ao Instituto Historico, no que tenha relação com a etnographia e a historia do Brasil. A parte relativa ás sciencias naturaes, e á mineralogia sob o nome de “Impera-/triz Leopoldina”, como todos os herbarios, que possão, fica para o Museu do Rio. A corôa imperial, a espada e todas as joias deverão ser entregues, e pertencer á minha filha. Espero que me dê noticias suas e dos seus sempre que possa, e creia na estima affectuosa de D. Pedro d’Alcantara Versailles, 8 de Junho de 1891.   Em seu “ofício de fé”, escrito pouco antes de morrer, menciona a importância do Museu Nacional para o desenvolvimento científico do Brasil e sublinha os seus esforços para a revitalização e modernização da instituição, como a […] Read More

COLONOS DA VALÔNIA PRUSSIANA (OS)

COLONOS DA VALÔNIA PRUSSIANA (OS) Ricardo Pereira Amorim, Associado Titular, Cadeira n.º 39 – Patrono Walter João Bretz Muitas famílias de colonos, vindos para Petrópolis em 1845, são pertencentes à etnia valã, oriundos daValônia (atualmente Bélgica), região conhecida desde a Idade Média, como confirmam Jean de Haynin, (Mémoires, 1465-1477), Jean Lemaire de Belges (Illustrations de Gaule, 1510), os mapas dos monges Capuchinhos de 1610 e de 1654. A Valônia compreendia parte do antigo Ducado de Luxemburgo, o Principado do Liége e área fronteiriça com a França. Departamento francês na Revolução Francesa e, em 1815, com a queda de Napoleão Bonaparte, tem regiões anexadas ao Reino da Prússia.  Perde-se a cidadania francesa e a região passa a ser designada Valônia Prussiana (texto de Robert Cristophe, História de Malmedy). O colono Johann Noel pai e esposa Elisabeth Mathieu, nascidos antes de 1806, em Neuhütten, nacionalidade francesa e cidadania prussiana após a anexação. Os Noel e outras famílias eram originárias da Valônia (atualmente parte do território da Bélgica), migrando para trabalhar em Züsch, Mariahütte, Neunhütten, etc, como lenhadores-carvoeiros, renovando a indústria metalúrgica e repovoando as regiões dizimadas pelas pestes e Guerra dos Trinta Anos. Remacle Joseph Hauzeur, oriundo de uma família com tradição em metalurgia, do Principado de Liége, aproveita que vários estados germânicos estão sob proteção da França e traz a maioria das famílias valãs para a região de Hunrück, que o ajudam na Construção do famoso Martelo de Züsch e outras forjas. Foram várias migrações: Züsch (1658 Jean Mariotte,1694 Hauzeur); Abentheuer (1672 Jean Hujet, 1699 Hauzeur); Otzenhausen (1668); Neunkirchen (1686 Hauzeur), entres outras regiões. A historiadora Liane Sebastian relata mais migrações (1703-1743), pela necessidade de mais mão de obra especializada. O historiador Walter Petto, descendente dos Bideau, escreveu como viviam: construção da capela de Züsch: manter o padre que vinha da Valônia, acordar 4 horas da manhã, missa às 5 horas, trabalho árduo (cortar arvores, lenha para carvão, trabalhar nos fornos); às 17 horas ajudam nas hortas familiares. Muitos habitavam em cabanas de madeira (hütte); porém seus assentamentos eram bem organizados, com “prefeitos”, como Johan Collin, de Mellier (Arlon). Falavam francês, a língua valã (existem vários patois valões até hoje), além dos franciques luxemburguês e renano. O ensino de francês, patois e latim era na Paróquia (os nobres tinham seus tutores). O contrato de Hauzeur com o von Hunolstein está escrito em francês e este último se assina como Ernest Louis. […] Read More

TRAJETÓRIA DE JOÃO VARANDA: EMPREENDEDORISMO E TRABALHISMO NA PETRÓPOLIS REPUBLICANA (1930-1960) (A) – PARTE I

TRAJETÓRIA DE JOÃO VARANDA: EMPREENDEDORISMO E TRABALHISMO NA PETRÓPOLIS REPUBLICANA (1930-1960) (A) – PARTE I Alessandra Bettencourt Figueiredo Fraguas, Associada Titular, Cadeira nº 27 – Patrono José Thomáz da Porciúncula De acordo com as novas abordagens historiográficas, o estudo das trajetórias individuais, muito além de pretender exaltar a imagem de determinadas personagens, visa, sobretudo, perceber as conexões de um sujeito histórico com a sociedade na qual esteve inserido, revelando minúcias sobre as relações sociais que, de outra forma, não seriam notadas. É, portanto, neste sentido, que propomos recuperar a trajetória de João Varanda. Nascido em Bicas (MG), em 1913, Varanda chegou a Petrópolis em meados dos anos 1930. Em 1936, fundou a sua primeira empresa, a JVaranda. Nas décadas seguintes, tornou-se um dos maiores empresários da cidade, com dezenas de empreendimentos nos ramos os mais variados, desde o setor de transportes, no qual foi um pioneiro, como proprietário da primeira empresa de ônibus a circular no município, a Rodoviária Sul-Petrópolis, até a imprensa local, com o Jornal O Povo, importante periódico semanal. Nesta ocasião, Petrópolis passava pela recuperação da sua importância no cenário nacional. A presença constante dos Presidentes da República, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, havia atraído novamente para a cidade os holofotes, restaurando-lhe o status que obtivera no período imperial. Por outro lado, desde a década de 1930, ocorria um forte processo de mobilização da classe trabalhadora. Quando João Varanda se estabeleceu em Petrópolis, encontrou uma cidade que passava por intensa renovação política, acompanhada de transformações urbanísticas, presenciando um cenário de acirradas lutas dos operários por direitos e garantias trabalhistas e por melhores condições de trabalho. Assim, como um recorte micro-histórico, por exemplo, a partir das múltiplas ações que ele próprio empreendeu para atender às demandas dos funcionários de suas empresas, como a criação de uma creche-escola e de um centro de atendimento médico, a trajetória de João Varanda torna-se um importante fio condutor para a compreensão do surgimento do trabalhismo e a análise das demandas que pautariam os debates e a conformação da legislação trabalhista, posteriormente. Por outro lado, o seu empreendedorismo esteve relacionando ao processo de industrialização brasileiro, associado à ideia de progresso que baseava, em última instância, as políticas públicas. Neste caso, a atuação de Varanda no ramo dos transportes públicos permite perceber como o incentivo à substituição dos bondes pelo transporte rodoviário dentro do Município, e o paulatino enfraquecimento da importância do trem como […] Read More