Generic selectors
Extato
Buscar no Título
Buscar no Texto
Buscar em Posts
Buscar em Paginas







PETRÓPOLIS – A SAGA DE UM CAMINHO

  PETRÓPOLIS – A SAGA DE UM CAMINHO Gênese e Evolução do Território Petropolitano Carlos Oliveira Fróes, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 18 – Patrono Gabriel Kopke Fróes, falecido Introdução e Índice INTRODUÇÃO Quando comecei a me interessar, realmente, pela História de Petrópolis, mergulhei com afinco na farta bibliografia disponível, a qual foi rapidamente devorada. Isso ocorreu, aproximadamente há dezoito anos atrás. Com toda a “grande experiência de um neófito”, concluí que já sabia tudo sobre a memória da minha encantadora terra natal. Logo comecei a rabiscar algumas apreciações e a ensaiar algumas pesquisas. E, à medida que prosseguia nas minhas despretensiosas incursões, sentia um forte desejo de ampliar, cada vez mais, meus conhecimentos. Rapidamente, parti para um aprofundamento da matéria que havia sido absorvida, ficando completamente envolvido em busca de dados mais amplos e precisos, capazes de propiciar um encadeamento sobre os inúmeros fatos e episódios, até então, publicados. Para minha frustração, logo percebi que a pretendida possibilidade de encadeamento era bem remota, pois, pouco a pouco, foram despontando algumas dúvidas e controvérsias surgidas do confronto entre as versões apresentadas por uns e outros autores. Apesar de minha inexperiência, também fui capaz de perceber alguns equívocos mais sérios. Tudo isso teria acirrado a minha curiosidade, levando-me até o limiar da compulsão. Sem sentir, estava me transformando num pesquisador, em busca das informações que pudessem alinhavar em minha mente uma história local clara, bem encadeada e a mais precisa possível. Para aperfeiçoar – autodidaticamente – meus conhecimentos sobre a metodologia da investigação científica no setor das Ciências Sociais – onde está situada a Historiografia – consultei as obras de três grandes mestres nesse assunto, recurso esse que me permitiu nortear todas as buscas que decidi empreender. O Professor Carl G. Hempel muito me esclareceu sobre as especificidades da pesquisa na área da Historiografia. O notável Bertrand Russel mostrou-me os caminhos e artifícios para a busca da, praticamente inatingível, verdade histórica. E do competente Pesquisador e Historiógrafo nacional José Honório Rodrigues absorvi preciosos conhecimentos sobre a estrutura e a disciplina específicas a serem adotadas numa Pesquisa Histórica. Curiosamente, encontrei em minha “papelada” um recorte do artigo “Principais Datas de Petrópolis – Colônia”, publicado na edição de 1º de janeiro de 1955 da “Tribuna de Petrópolis”, cujo autor, paradoxalmente, era Gabriel Kopke Fróes. Senti que, mais uma vez, meu pai estava me apontando uma direção a seguir. O artigo, composto por cerca de […] Read More

ACHAMENTO DO BRASIL (O)

  O ACHAMENTO DO BRASIL Carlos Oliveira Fróes CAPITULO I I – INTRODUÇÃO Comecei a rabiscar estas linhas na Praia dos Lençóis – Porto Seguro – num local paradisíaco, repleto de coqueiros, ingazeiras, caxandós, bromélias praianas e amendoeiras – de onde se podia vislumbrar a Baía Cabrália em toda sua extensão, compreendida entre a Coroa Vermelha e a Ponta de Santo André. E dentro de cinco anos seria comemorada a Efeméride do 5º Centenário do Descobrimento do Brasil … Era uma adorável manhã de julho, com céu azul, temperatura amena. Soprava uma suave brisa de nordeste que mal levantava pequenas marolas nas verdes águas do litoral sul da Bahia. Enfim, um cenário maravilhoso. Não tardou a desabrochar em minha mente de “Velho Marinheiro” – mesclada com a de “pesquisador neófito” – um empolgante sonho. Pude vislumbrar, num local afastado cerca de meia milha da Foz do Rio Mutary, o “pouso mui seguro”, onde estiveram ancoradas as doze embarcações da Frota de Cabral. Muita emoção! Logo percebi que não se tratava, apenas, de um inopinado resgate do mais importante evento da História Pátria. Aquele quadro também evocava reminiscências do meu passado, relativo à época em que comandei o glorioso Navio de Desembarque de Carros de Combate “Duque de Caxias”. Exatamente ali, eu passara quarenta dias com meu navio fundeado aguardando os horários para executar os muitos exercícios navais programados. Daí por diante, venho passando longas temporadas em Porto Seguro, lugar que elegi como ideal para escrever e desenvolver os meus trabalhos historiográficos. Uma vez desvanecida a visão do “lindo sonho”, comecei a refletir sobre a pesquisa que havia iniciado cerca de vinte e cinco anos atrás. Ali mesmo na praia comecei a escrever os prolegômenos desta narrativa, pois, durante minhas viagens, sempre tenho disponível em meu carro uma pasta com lápis, papel e borracha. CAPITULO II ANTECEDENTES DA VIAGEM DE CABRAL AO BRASIL Ninguém põe dúvidas sobre as milhares de “viagens costeiras” pelo “Temível Mar Oceano” (Atlântico) executadas – antes do Século XVI – pelos audazes primitivos navegantes “Pré-Colombianos”: pelo Atlântico Norte os Vikings, Batavos, Bretões, Celtas, Gauleses, Saxões e outros – até mesmo “Mediterrâneos como Egípcios, Gregos, Fenícios, Cartagineses, etc”.; e pelo litoral ocidental africano e ilhas mais próximas, os Portugueses e, possivelmente, também os “Mediterrâneos”. Porém – em contrapartida – existe um número excessivamente grande de especulações sobre “viagens fantásticas” que teriam antecedido os fatos épicos de Colombo e […] Read More

DETALHES INTERESSANTES SOBRE O PLANO DE KOELER

  DETALHES INTERESSANTES SOBRE O PLANO DE KOELER Carlos Oliveira Fróes, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 18 – Patrono Gabriel Kopke Fróes 1. O PLANO DE KOELER O Plano de Koeler para edificação de uma Colônia de Estrangeiros na Serra da Estrella, foi extremamente amplo e muito bem estruturado. Cobria todos os setores prioritários indispensáveis à formação e desenvolvimento de uma comunidade serrana. Esse “plano” não consistiu apenas de uma “idéia”. Ele realmente existiu na forma de “um opúsculo”, conforme garantiu Araújo Porto Alegre, em seu artigo publicado na edição de 19.VI.1859 de “O PARAHYBA”, no qual atribuiu, categoricamente, sua autoria a Koeler. Infelizmente tal “opúsculo” foi extraviado! No presente trabalho, iremos enfocar, apenas, alguns detalhes do Plano Koeler – original – julgados interessantes, os quais constaram da parte do Projeto de Urbanização referente às obras públicas e ao Imperial Palácio de Verão. Como base confiável, iremos nos reportar à “Planta de Petrópolis – 1846″, levantada e desenhada pelo próprio Koeler (*), cuja análise poderia nos orientar acerca das intenções do seu autor quanto ao traçado inicial das ruas, canais de retificação dos rios, praças, caminhos coloniais, quarteirões, Imperial Palácio de Verão, Igreja Paroquial, Cemitério, alguns prédios públicos e outros gerais e, finalmente, quanto à locação dos prazos, tanto nas duas Villas, como nos onze quarteirões primitivos. (*) E também: o Decreto de 16.III.1843; a Escritura de arrendamento da Imperial Fazenda Córrego Secco ao MJ-ICE J. K. Koeler de 26.VII.843; e os termos adicionais de 26.VII.1843 e 30.X.1843, estabelecendo as “condições com que se aforam terras da Fazenda de SMI denominada Córrego Secco 2. O TERRITÓRIO ABRANGIDO NO PLANO DE KOELER E SUA FORMA DE OCUPAÇÃO O primeiro detalhe interessante que resolvemos abordar foi a divisão territorial imaginada por Koeler para implementação do seu plano. Contava ele com a Fazenda Quitandinha – adquirida por ele em 1841 – e com a contígua Imperial Fazenda do Córrego Secco que arrendara em 1843. Essas duas propriedades formavam uma considerável área com cerca de 8.250.000 braças quadradas. Tal área, considerada como um todo em seu projeto, foi dividida em dois setores: o de Villas – Imperial e Thereza – e no de Quarteirões – Palatinato Inferior, Palatinato Superior, Rhenania Inferior, Rhenania Central, Castellania, Simmeria, Nassau, Mosella, Ingelheim, Bingen e Westphallia. Nitidamente, Koeler imaginara um setor urbano formado pelas Villas e um setor suburbano – ou colonial – formado pelos Quarteirões. As vias de comunicação […] Read More

EFEMÉRIDE DE 1.I.1850 – SESQUICENTENÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PETRÓPOLIS (A)

A EFEMÉRIDE DE 1.I.1850 – SESQUICENTENÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PETRÓPOLIS Carlos Oliveira Fróes, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 18 – Patrono Gabriel Kopke Fróes, falecido 1. Introdução Ao despontar o Terceiro Milênio, logo no primeiro dia do ano 2000, comemorou-se uma das mais gratificantes Efemérides Petropolitanas, qual seja o “Sesquicentenário da Implantação do Ensino Secundário e Particular em Petrópolis”, simbolizada pela inauguração do “Collegio de Petrópolis”. Até 1850, a “povoação-colônia” de Petrópolis só dispunha de estabelecimentos públicos destinados a prover a “Instrução Primária Colonial” aos filhos de colonos alemães e a “Instrução Primária Nacional aos demais alunos. 2. As raízes da instrução secundária na Imperial Colônia de Petrópolis O ano de 1850 foi bastante positivo para o Ensino Fluminense. Ficou marcado pela consolidação da aplicação das novas normas para reorganização e atualização da Instrução nas Províncias, baixadas pelo “Regulamento de Instrução Primária” e pelo “Regulamento de Instrução Secundária”, na Província do Rio de Janeiro, promulgados ao apagar das luzes do ano de 1849. Para a Imperial Colônia de Petrópolis, esse foi um ano muito especial. Logo ao seu primeiro dia foi inaugurado o “Collegio de Petrópolis”, o estabelecimento pioneiro da Instrução Secundária da “povoação-colônia”. Outro fato marcante, ocorrido ao final do mesmo ano, foi a inauguração do “Collegio do Professor Callogeras”, também destinado à Instrução Secundária. Mister se faz adiantar que, da competição travada entre esses colégios recém-inaugurados, desencadear-se-ia um processo que resultou na rápida melhoria do ensino local, colocando-o em posição de destaque junto aos mais evoluídos centros do Império. Portanto, julgamos que a Efeméride ocorrida a 1.I.1850 deve ser considerada pelos petropolitanos como de maior relevância, merecendo ser apreciada com muito carinho e orgulho. Os citados educandários foram, no nosso entender, os responsáveis por um processo que vem se mantendo efetivo, em constante desenvolvimento, até os dias de hoje. Sem desmerecer outros estabelecimentos que, também, concorreram durante os últimos cento e cinqüenta anos para a manutenção desse processo, parece que nesta oportunidade deveríamos, apenas, nos concentrar nos colégios — e seus sucessores — diretamente responsáveis por essa estruturação da sólida base em que ir-se-ia apoiar o Ensino Petropolitano. O “Collegio de Petrópolis” que funcionou, ininterruptamente, por quase trinta anos, foi notabilizado pelo nome de “Collegio Kopke”. Construído na periferia da área central da “povoação-colônia”, fazia duplo rumo com o Caminho Colonial de Nassau que, partindo da Praça de Nassau — atual Oswaldo Cruz —, chegava à […] Read More

CALÇADA DE PEDRA (A)

A CALÇADA DE PEDRA Carlos Oliveira Fróes, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 18 – Patrono Gabriel Kopke Fróes, falecido Introdução O artigo “A Calçada de Pedra da Serra da Estrela”, publicado na edição de 1989 da Revista do Instituto Histórico de Petrópolis foi o resultado de um primoroso trabalho de pesquisa elaborado pelo competente Luiz de Oliveira. É em memória desse saudoso confrade do I. H. P. que decidimos apreciar a “Calçada de Pedra” em forma mais abrangente, estendida ao cenário do desabrochar do maravilhoso Século XIX. Também, aproveitamos a oportunidade para antecipar algo que pudesse chamar atenção para a Efeméride “O Início da Construção da Calçada de Pedra”, cujo segundo centenário será celebrado no ano de 2002. Foi esta predestinada via que, após o fim do Ciclo do Ouro e dos Diamantes, garantiu que a principal rota para o “hinterland” brasileiro ficasse mantida através do “Território Pré-Colonial Petropolitano”. Portanto, entendemos que o conhecimento pleno, em todos os seus aspectos, é assunto da maior importância para a História Petropolitana. Novas perspectivas para o Caminho Geral de Minas Gerais No limiar do Século XIX, a Metrópole passava a ver com outros olhos a sua tricentenária Colônia do Brasil, há um quartel alçada à condição de Vice-Reinado. Não havia mais esperanças de um outro miraculoso ciclo mineral. Em contrapartida, durante o século que terminara, havia se desenvolvido na grande região dos exauridos campos auríferos e diamantíferos das Alterosas o maior mercado de produção e consumo do Brasil. E a agropecuária, até então predominantemente de subsistência, despontava como opção para pretensões mais amplas, o que aliás condizia com a nova Política Econômica que o Conselho Ultramarino português reajustara em relação ao Brasil. E os nossos competentes planejadores lusitanos sabiam que, para a manutenção da Capitania de Minas Gerais como Pólo Econômico, deveria ser incrementado o setor de produção, condição “sine-qua-non” para que o mercado de consumo não declinasse. Nesse quadro, as exportações e as importações assumiram papel capital. Diferindo dos tempos dos Ciclos do Ouro e dos Diamantes, o valor específico das cargas transportadas diminuíra vertiginosamente. Conseqüentemente, o volume das mesmas crescia geometricamente. As antigas tropas de muares não mais seriam a unânime opção e a necessidade de substituí-las por carros de tração animal era óbvia. As vias de transporte não mais poderiam cingir-se aos caminhos — apenas aptos para viandantes e tropas — e suas substituições ou reconstruções em forma de estradas eram imperiosas e prementes. O açúcar ocupava o primeiro lugar na pauta de exportações […] Read More

PRAÇA MUNICIPAL DA COLÔNIA DE PETRÓPOLIS (A)

A “PRAÇA MUNICIPAL” DA COLÔNIA DE PETRÓPOLIS Carlos Oliveira Fróes, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 18 – Patrono Gabriel Kopke Fróes, falecido 1. INTRODUÇÃO A “Praça Municipal” é um dos temas obscuros da História de Petrópolis, razão pela qual tentaremos esclarecer alguma coisa sobre ela. Tal praça – mesmo sob outro título – não foi prevista no Plano de Koeler; tampouco, foi criada por um ato formal e suas origens e finalidades não haviam sido associadas, até hoje, a quaisquer possíveis requisitos de ordem urbanística, política ou social. Esse assunto constituiu um grande desafio quando estivemos pesquisando sobre a implementação urbana que se processou na Imperial Colônia de Petrópolis e sentimos a necessidade de conhecer melhor tal praça, saber a época em que surgiu, a origem da nomenclatura e as razões que motivaram sua instalação. E, dela, só tínhamos conhecimento através de rápidas referências ao seu título encontradas em algumas das fontes consultadas. Temporalmente, a qualificação de Municipal afigurava-se como imprópria ao logradouro de uma povoação que era apenas um simples Distrito do Município da Estrella. E, mesmo após a elevação de Petrópolis à categoria de cidade, o edifício sede da Câmara Municipal levou quase quatro décadas para ser instalado nos fundos desse logradouro, no vetusto solar construído pelo Conselheiro Mayrink na primeira metade da década de 50, e que por curto período pertenceu ao Barão de Guaraciaba. Esse solar, apesar de imponente, não contava ainda com o bloco frontal, mandado acrescer pelo Presidente da Câmara Municipal de Petrópolis, Dr. Hermogênio Pereira da Silva, o que lhe conferiu a majestosa fachada que ostenta até os dias de hoje. Porém, não nos estenderemos mais sobre tal prédio, pois a matéria produzida por Gabriel Kopke Fróes, “O Paço Municipal”, publicada na edição de 17.III.1963 do Jornal de Petrópolis, esgota o assunto. Portanto, passemos à parte que propriamente diz respeito ao logradouro fronteiro ao referido solar, o qual o autor – profundo estudioso dos elementos toponímicos urbanos de Petrópolis – descreve com inúmeros detalhes e cita todas as denominações informais que recebeu antes da denominação oficial, como Praça Visconde de Mauá, conferida pela Resolução Municipal de 31.I.1888. O que nos intrigou foi encontrar, nesse relato tão meticuloso, uma indagação. Mencionou o historiador: “Desde o Império ela era conhecida como Municipal. Por que o cognome, se a idéia de ali localizar o Paço Municipal só nasceria em 1891 e só vingaria em 1894?”. Foi exatamente essa […] Read More

AÇÃO DO CONSELHEIRO AURELIANO COUTINHO NA COLÔNIA DE PETRÓPOLIS E SEU RELACIONAMENTO COM O MAJOR KOELER (A)

A AÇÃO DO CONSELHEIRO AURELIANO COUTINHO NA COLÔNIA DE PETRÓPOLIS E SEU RELACIONAMENTO COM O MAJOR KOELER Carlos O. Fróes, ex-Associado Titular, falecido – O Conselheiro Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, somente, veio estreitar seus vínculos funcionais com a Província Fluminense quando foi nomeado para presidi-la, em março de 1844. Até então ele esteve ocupando postos políticos e administrativos da mais alta projeção no âmbito do Império e das outras Províncias. E, naquele momento, era o titular de uma cadeira no Senado, pela bancada de Alagoas. Nessa mesma ocasião estavam sendo desenvolvidos os trabalhos preliminares para a implementação do plano de Koeler, com vistas ao estabelecimento de uma “colônia de alemães em Petrópolis”, apenas subentendida – não explícita – no teor do Decreto Imperial no 155 de 16.III.1843. A adequação desse propósito à legislação vigente pareceria, à primeira vista, uma tarefa bem simples, bastando observar-se a sistemática baixada pela Lei Provincial do Rio de Janeiro, no 226 de 30.V.1840 que normatizou o “estabelecimento de colônias agrícolas e industriosas, com emprego de mão-de-obra livre, estrangeira”. Entretanto, não se tratava, apenas da implantação de uma colônia. S. M. I. D. Pedro II, além de ter aprovado o plano de Koeler e autorizado o arrendamento da Imperial Fazenda do Córrego Secco, determinou a edificação de uma povoação inserida na mesma propriedade. E tal condicionamento, certamente, tornaria a questão bem mais complexa. Para que se possa melhor entender o quanto significou para Petrópolis a nomeação de Aureliano Coutinho para a Presidência da Província, parece necessário uma breve digressão a alguns pontos da gestão de seu antecessor. Durante o período de 1.III.1843 a 2.III.1844, Caldas Vianna, na qualidade de Vice-Presidente da Província do Rio de Janeiro, substituiu interinamente o titular Honório Hermeto Carneiro Leão e, inquestionavelmente, imprimiu uma ação efetiva para instalação de “colônias agro-industriosas de estrangeiros”, notadamente na Região Norte Fluminense e Paraty. Durante a gestão em pauta e em outras situações semelhantes pelas quais passara no final da década anterior, ele não escondia sua preferência pela arregimentação de trabalhadores estrangeiros de origem latina e notadamente Católicos-Romanos, provavelmente, no intuito de evitar conflitos futuros ante à intransigente posição político-religiosa das correntes conservadoras do Império. Falando mais objetivamente, suas preferências recaíam sobre açorianos, franceses e belgas. Porém as experiências exteriores com tais imigrantes, comparadas com aquela que Koeler tentou empreender com alemães na “pseudo-colônia do Itamaraty”, eram bastante convincentes. Os primeiros, ao contrário dos […] Read More

FAMÍLIA KOPKE E SUA OBRA EM PETRÓPOLIS PARTE II – OS KOPKE, DE HAMBURGO A PETRÓPOLIS (A)

A FAMÍLIA KOPKE E SUA OBRA EM PETRÓPOLIS PARTE II – OS KOPKE, DE HAMBURGO A PETRÓPOLIS Carlos O. Fróes, Associado Titular (falecido) O tronco da Família Kopke em Portugal foi Christian Kopke que, por volta de 1730, procedendo de Hamburgo, fixou residência definitiva na Cidade do Porto, a fim de cumprir as funções de Cônsul da Liga Hanseática. Casou-se naquela localidade e deu origem a uma numerosa linhagem. Em meados do Século XVII, a família Kopke dominava uma expressiva parcela do Comércio Exterior no florescente Empório Comercial de Hamburgo e, conseqüentemente, gozava de grande prestígio no contexto da Liga Hanseática, então composta pelas Cidades Livres de Bremem, Lubeck, Dantzig e Hamburgo, sendo esta última a líder do grupo. Bem antes de 1730, a presença dos Kopke já vinha se manifestando em Território Português. No terceiro quartel do Século XVII, Nicholas Kopke assumiu as funções de primeiro Cônsul Geral da Liga Hanseática em Lisboa e, poucos anos depois, estabeleceu uma sucursal dos seus negócios no Porto, o importante Empório Português do Norte. As datas, até então, apresentadas pela crônica são imprecisas. Ao que tudo indica, seria impossível chegar-se a uma constatação, pois toda a documentação particular e oficial da família foi consumida, em 1888, por um incêndio que destruiu a “Herdade Kopke”, localizada nas cercanias da Cidade do Porto. Entretanto, fontes fidedignas da genealogia portuguesa nos permitiram o levantamento dos dados suficientes aos propósitos do presente estudo. Nicholas Kopke, natural de Hamburgo, casado com D. Emerence Crochmam, era o pai de Christian Kopke. Christian Kopke nasceu em Hamburgo a 27.VIII.1693 e transferiu-se definitivamente para Portugal, por volta de 1730, a fim de assumir as funções de Cônsul da Liga Hanseática no Porto, local onde fixou residência. Ali, casou-se com D. Dorothea Whittingham Moring, a 22.III.1731. Deste consórcio nasceram cinco filhos: Nicolau, Joaquim, Dorothea, Emerencia e Christiano João. Partindo da premissa de que toda a presença anterior dos Kopke em Portugal tenha ocorrido em caracter transitório, é licito apontar Christiano Kopke como o marco genealógico desta interessante família que se consolidou no Porto e, daí, se espalhou para outras áreas, inclusive o Brasil. Com respeito aos filhos varões, sabe-se que prosseguiram nas áreas do Comércio de Importação e Exportação e da Diplomacia. Joaquim sucedeu o pai nas funções de Cônsul da Liga Hanseática e Nicolau assumiu as de Cônsul do Sacro Império. Despontava, assim, uma vocação de família em relação à […] Read More

FAMÍLIA KOPKE E SUA OBRA EM PETRÓPOLIS (Introdução) (A)

A FAMÍLIA KOPKE E SUA OBRA EM PETRÓPOLIS (Introdução) Carlos O. Fróes, Associado Titular (falecido) Há 150 anos atrás — por volta do final de 1847 — os irmãos Guilherme e Henrique Kopke fizeram suas primeiras incursões à Imperial Colônia de Petrópolis, onde pretendiam dar execução a um audacioso projeto concebido por eles em Sabará para a construção de um modelar estabelecimento de ensino particular. Ambos eram portugueses de nascimento com origem germânica. Três anos antes, Henrique obtivera uma carta de naturalização brasileira, ao que tudo indica, para se qualificar, ante a legislação do País, ao exercício da direção de um colégio. Naquela remota, precária e futurosa colônia que mal acabava de se estruturar e ensaiava os primeiros passos como povoado, adquiriram um grande terreno onde iniciaram a construção de um majestoso conjunto arquitetônico, absolutamente adequado aos requisitos escolares propostos. Em seguida, cuidaram de fixar residência nas proximidades do local da obra. Ali, Henrique ampliou e criou sua prole, o que deu origem a cinco ramos de família. O ” Collégio de Petrópolis “, concluído em meados de 1849 e inaugurado a 1.I.1850, obteve amplo sucesso e foi consagrado sob o nome de “Collegio Kopke “. O Engenheiro Guilherme Kopke, deixou Petrópolis logo aos primeiros anos da década em curso, a fim de cuidar de seus negócios na Europa. O Professor e Advogado Henrique Kopke integrou-se desde o início à emergente comunidade, participando efetiva e intensamente do processo embrionário de formação social, política e cultural da localidade que muito breve desabrocharia como cidade. Todos os seus filhos receberam a formação primária e secundária em Petrópolis e, a partir de 1875, foram deixando a cidade, paulatinamente, em busca de novas oportunidades, implantando seus ramos em Bemposta, São Paulo, Rio de Janeiro e Niterói. Dentre eles, o que permaneceu mais tempo em Petrópolis foi Henrique Kopke Jr. que, seguindo os passos de seu pai, exerceu diversas funções e cargos de grande expressão no Município, inclusive, presidindo por dois mandatos a Câmara Municipal. Já no período republicano, culminou pelo exercício do cargo de Diretor da Secretaria do Interior e Justiça do Estado do Rio de Janeiro, ocasião essa em que ocupou – interinamente e por quase três anos – a pasta do Interior e Justiça. Em decorrência do retorno da Capital do Estado para seu local de origem, ele se transferiu com a família para Niterói, em 1904, deixando de acompanhá-lo, apenas, uma […] Read More