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Oazinguito Ferreira da Silveira Filho

CONTRIBUIÇAO À HISTÓRIA DA IMPRENSA PETROPOLITANA “O DIABO PETROPOLITANO DA BELLE EPOQUE”

CONTRIBUIÇAO À HISTÓRIA DA IMPRENSA PETROPOLITANA “O DIABO PETROPOLITANO DA BELLE EPOQUE”[1]  [1] Publicado na primeira pagina do segundo caderno da Tribuna de Petrópolis, em 10 de dezembro de 1983. Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, Associado Titular, Cadeira n.º 13 – Patrono C.el Amaro Emílio da Veiga    No decorrer de 1982 ao iniciarmos nossas românticas pesquisas sobre a História da Imprensa Petropolitana, não poderíamos nunca imaginar que tal empreendimento nos forneceria tão apurado, raro e rico material documental para diversas publicações . E nem mesmo poderíamos conceber que a Petrópolis de outrora fosse tão dinamicamente diferente da inerte cidade que hoje conhecemos. Assim sendo, após um longo ano de estudos e pesquisas conseguimos catalogar e documentar trazendo ao conhecimento de nosso público, inúmeros elementos até então totalmente desconhecidos pelas novas gerações, e é o que de certo modo nos continua estimulando ante tão difícil, sedutor e nada rendoso afazer, porém que em seu todo se torna espiritualmente e profissionalmente compensador.  Não nos foi também sem méritos que as obras sobre História da Imprensa no Brasil do Professor Nelson Werneck Sodré e os diversos artigos especializados do professor Marcelo Ipanema, além do estimulo de diversos amigos com suas criticas e observações, nos amadureceram para que nos dedicássemos de corpo e alma a esta árdua iniciativa.  Assim com o apoio da equipe de direção da Tribuna de Petrópolis que nunca mediram esforços para que tais publicações se realizassem, e o material coletado e impresso hoje seguisse o perene caminho do registro histórico.  Por tal, é que no interregno das publicações que ora se seguem dominicalmente sobre “A Imprensa Petropolitana na República Velha”, procuramos um assunto também pitoresco e relativo a imprensa e que pudéssemos no máximo esplendor técnico das possibilidades da Tribuna [2], imprimir, nos mais puros requintes da originalidade do documento como textualmente registrando assim de forma definitiva uma revista que marcou época na imprensa petropolitana. Pela sua altivez, beleza, leveza e pureza tanto de impressão como critico-humoristico, como foi O DIABO.  [2] Já com impressão em off-set nesta época foi possível reproduzir a página do no. 1, assim como a primeira e última página (8) do no. 2, onde a arte predominava. Ressaltando-se na gravura da pagina 8, onde está “Petrópolis em caricatura”. Teria a mesma que no conjunto de publicações da época do nosso antigo Distrito Federal, Rio de Janeiro, Possuir enorme destaque, não fosse haver escapado o […] Read More

PETRÓPOLIS FASCISTA (UMA): CAMISAS NEGRAS, PARDAS E “GALINHAS VERDES”

  UMA PETRÓPOLIS FASCISTA: CAMISAS NEGRAS, PARDAS & “GALINHAS VERDES” Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga A notícia da coluna de Ricardo Boechat no jornal O DIA de 09/11/2006, p.5, não surpreenderia aos petropolitanos que conviveram próximos ou vivenciaram o descrito. Ela cita o andamento de uma tese de doutorado de Cléa Shiavo, “Pioneiros alemães de Nova Filadélfia: relatos de mulheres”, sobre uma célula fascista na zona norte do Rio, mais precisamente em Campo Grande, entre os anos 20 e 45. Eu já sabia que a representatividade comunista na mesma área fora muito grande, pois meu pai, oriundo de Bangu pertencera às fileiras do partidão, mas desconhecia esta presença fascista. No caso de Petrópolis, desde as publicações para o Centenário da Tribuna de Petrópolis, apresentamos descrições desta forte presença. Enquanto na Capital o aliancismo marchava com recrutamentos recordes no interior, principalmente na região serrana, caso petropolitano, a expansão nazifacista se processava abertamente. Encontramos em 18/07/1933, a notícia de uma festa que foi promovida pela colônia italiana local em homenagem ao agente consular, Sr. Felipe Gelli, e que foi idealizada pelo secretário da célula do “fascio” local, Vicente Marchese. Festa esta idealizada pela secção feminina do mesmo “fascio”. Já em 17/10 do mesmo ano, os jornais noticiavam, com fotos, a inauguração da nova sede do “fascio” petropolitano que agora se fazia presente na Avenida XV de Novembro n.º 275, e que comportava o “do polavoro” (associação) e um curso de língua italiana anexo ao mesmo conjunto. “O dia de anteontem há de ficar assinado na história da colônia italiana de Petrópolis com letras de ouro” (Tribuna de Petrópolis). O que denunciava que havia uma cumplicidade do redator da época. Em 01/11/1936, o jornal noticiava com destaque (foto), a ocorrência comemorativa da “Marcha sobre Roma”, e que uma festa patriótica se realizava em Petrópolis convidando o povo, “O Fascio Paolo Diana, desta cidade, celebrando o aniversário da Marcha sobre Roma e da Fundação do novo império realizará hoje, as 15horas, na sede da Sociedade Italiana, uma sessão solene, com a presença de toda a colectividade”. Paralelo ao crescimento do “fascio”, os alemães também se apresentavam com comemorações e palestras que ocorriam no Clube da Rua 13 de Maio, ou com maior envergadura no Teatro Petrópolis onde o símbolo nazista e manifestações se seguiam (foto do Arquivo do Museu Imperial, presente no fascículo […] Read More

SAINDO DA ROTINA PEDAGÓGIA

  SAINDO DA ROTINA PEDAGÓGICA Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga Grande parte de nosso processo educativo comprovadamente não segue os parâmetros traçados para a sala de aula e imposto pelos currículos escolares, muito menos, pelos guias estabelecidos pelos educandários tanto públicos como privados. Observa-se que educar é satisfazer a curiosidade informativa dos educandos, mesmo que esta por vezes exija uma pesquisa mais detalhada. Porém nem sempre os professores procedem à mesma, por receio de se estender e não cumprir o programa que lhes é exigido pelos burocratas da administração escolar e oficial. Há alguns meses, alunos do ensino fundamental pesquisando na internet sobre crustáceos para trabalho de Ciências encontraram o termo ‘caranguejola’ associado a artigos que eu publiquei em 2007 e curiosamente me crivaram de questões, sendo a principal, se o veículo a que nos referíamos no artigo teria a forma de um caranguejo? Respondi-lhes que não… precisamente, mas que se recorrêssemos ao imaginário poderíamos nos surpreender com a origem da denominação e suas comparações. Claro que a ‘caranguejola’ seria um veículo rústico e pesado podendo comportar uma média de 12 a 16 passageiros e geralmente puxado por dois ou quatro burros que circulavam pelas ruas centrais de nossa cidade no século XIX. Estes veículos haviam sido trazidos para Petrópolis por volta do final da década de 90 por empresários considerados ‘desenvolvimentistas’, como um Sr. Felipe Bruck, pioneiro neste transporte à época da administração de Hermogênio Silva, e que foi Vereador e Presidente da Câmara Municipal de Petrópolis no mesmo período. Estes observaram que com a chegada do trem à recém-criada Estação da Leopoldina (1885), no centro de nossa cidade, ocorria a necessidade de transporte para a elite, tanto carioca como local, que se deslocava entre hotéis e mansões em nossas vias principais. O primeiro veículo se locomovia entre a Leopoldina e a Cascatinha. Mais tarde, o próprio Hermogênio Silva, convocou para um dialogo o dono do Banco Construtor, Franklin Sampaio, propondo um projeto de maior envergadura para a cidade que encontrava-se em pleno ciclo de desenvolvimento industrial. Este transporte fugiria ao tradicional, coche ou a charrete, que eram ainda muito utilizadas pelos que residiam em áreas não contempladas por um transporte coletivo. Confundiam-se também com as célebres ‘diligências’ que marcaram a subida da serra com sua tradicional viagem pela Estrada dos Mineiros. A elite que fugia do Rio […] Read More

ESCRAVISMO E ABOLIÇÃO EM PETRÓPOLIS

  ESCRAVISMO E ABOLIÇÃO EM PETRÓPOLIS CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA SOCIAL PETROPOLITANA: ESCRAVISMO E ABOLIÇÃO EM PETRÓPOLIS (1) Oazinguito Ferreira da Silveira Filho “O Balaio, o Balaio chegou Cadê branco? Não há mais branco Não há mais sinhô” ( Cântico das lutas da Balaiada, in, Luiz Luna) “Ó didê, Baba um pê Levanta-se, o pai está chamando…” (O Caçador e os Orixás do Mato, in, Deoscoredes M. dos Santos) Produzir um trabalho sobre o percurso histórico da raça negra em nossa comunidade é na maioria das vezes um trabalho que aparenta relativa facilidade de ser produtivo mas, também torna-se um tanto difícil, quando os elementos que temos que pesquisar se encontram na quase sua totalidade dispersos, e em locais às vezes o mais inacessível. Portanto, procuramos formular uma síntese, ou melhor um “alinhavado” de textos, já anteriormente produzidos, e que até hoje possuem um denotado grau de importância científica em nossa cidade. São estes textos trabalhos fundamentais elaborados pela Comissão do Centenário, produzidos por vários autores. E para complementar, como não podia deixar de ser, recorremos ao constante manancial de informação que são os jornais que compõem a Hemeroteca Publica Petropolitana. A expressão acima utilizada “fácil”, tem por característica não a depreciação do trabalho, mas o fator que o movimento histórico do negro em nossa comunidade difere das dos demais por uma única e atenuante característica; a da densidade demográfica – a não grande representatividade numérica em nosso quadro populacional, através das várias épocas que antecederam ao último quartel do século. Porém, ao tempo ela torna-se significativa, desde que possamos formular um pequeno quadro histórico na formação social. (1) Publicado em 12 de maio de 1984, no Segundo Caderno da Tribuna de Petrópolis AS OBRAS DO CAMINHO NOVO Nossos registros começam por volta do início do século XVIII, quando das aberturas das picadas para construção do Caminho Novo para as Minas Gerais. Em documento um dos pioneiros desta construção, Garcia Rodrigues Paes, filho do famoso “bandeirante das esmeraldas”, que é declarado “falido” não podendo mais continuar seu intento de abrir a nova estrada, em virtude de o esforço haver consumido todos os bens que lhe pertenciam, bem como aqueles que havia herdado. Este “enfraquecimento capital”, resultou nas seqüentes fugas de escravos, mão-de-obra a este pertencente, fruto do capital investido (2). (2) Comissão do Centenário de Petrópolis, volume , pg. 41 Fugas que freqüentemente levavam estes escravos a se refugiarem em nosso […] Read More

CARNAVAL EM PETRÓPOLIS NO SÉCULO XIX

  CARNAVAL EM PETRÓPOLIS NO SÉCULO XIX CONTRIBUÍÇÃO À HISTÓRIA SOCIAL PETROPOLITANA: SUBSIDIOS PARA UMA HISTÓRIA DO CARNAVAL EM PETRÓPOLIS NO SÉCULO XIX (1) Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga “E o povo? Esse, também, se divertia. Logo às primeiras horas da manhã, os escravos iniciavam, barulhentamente, o entrudo, pelas senzalas e pelos logradouros da cidade. O Rio de Janeiro acordava em alvoroço, ouvindo os ambulantes que já apregoavam as mercadorias da ocasião: – Porvio! Limão de chêro, de toda cô. Bom chêro. Bom chêro. Um pacote de polvilho custava, no começo da passada centúria, cinco réis e uma dúzia de limões d’água, cheirando a canela, dois tostões. O limão vinha no tabuleiro da preta e o pacote de pó de goma no cesto ou no samburá. – Porvio! Limão de chêro! As crianças saltavam da cama, gritando: Entrudo! Entrudo! Entrudo! E iam provocar a vizinhança, bombardeando as urupemas e grades de pau com bolas de cera cheias de água, que lhes davam as famílias, atrás das rótulas, a cocar a cabeça do primeiro que surgisse para responder ao desafio. Dentro em pouco generalizava-se o combate. A labareda de alegria pegava fogo em todo o Rio de Janeiro. E os limões de cheiro a cruzar! Entrudo! Entrudo! Entrudo!” (in, EDMUNDO, Luiz, Recordações do Rio antigo) (1) Extraído do nosso ensaio, “Subsídios para a História: O Carnaval de Ontem”, publicado em caderno especial da Tribuna de Petrópolis em 04/03/1984. O texto acima que bem caracteriza o “carnaval” carioca, popular, genuinamente brasileiro em pleno século XIX, de nada teria a ver com o carnaval que se desenvolveu em Petrópolis a partir dos registros impressos da década de 50 do mesmo século. Embora do carnaval petropolitano nada de novo possuiu-se para se acrescentar à história desta festividade folclórica de herança portuguesa tão presente em nossa sociedade. Todos os elementos que no município encontramos foram transferidos da Corte e das demais regiões e adaptados ao cenário local, principalmente a partir da presença dos “veranistas”. A “Petrópolis colônia”, possuía em sua constituição demográfica uma grande massa de colonos alemães, vindos de províncias “esquecidas” da Alemanha, campesinos em sua maioria, ignorantes, e cujo germe de festividade não passava de seu próprio folclore e costumes, comemorações camponesas às épocas de plantio e colheita, tão comuns herdadas do cotidiano feudal europeu. Por outro lado o contexto dominante entre […] Read More

MEMORIAL PARA A MARECHAL DEODORO (UM)

  UM MEMORIAL PARA A MARECHAL DEODORO Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga Mais conhecida até a fundação da povoação como caminho dos mineiros, a estrada passou a incorporar a nomenclatura urbana de Dona Tereza quando após o planejamento urbano de Koeler ganhou a denominação que a acompanharia até o final do século XIX, Rua Princesa Dona Januária. Observamos que não existia a passagem do Alto da Serra para o Morin (atual Padre Feijó), assim sendo o trajeto pesado de carroças e tropas de muares, corria por toda a Rua de Dona Tereza até o centro do então vilarejo, passava à frente da Fazenda do Córrego Seco até que atravessava o citado córrego continuando sua viagem pela Estrada dos Mineiros. Após a proclamação do sistema republicano que fecha o ciclo monárquico em nosso país, o processo branco de ‘desmonarquização’ por que foi atingida a cidade, conduziu a novas denominações em suas ruas, e atingiu a Dona Januária que passou a ostentar a denominação do chefe maior do movimento, Rua Marechal Deodoro, assim como da principal via na qual desaguava, que deixou de ser Rua do Imperador, para envergar a data do movimento, Avenida XV de Novembro. No ano de 1857, justamente ano da elevação de Petrópolis a cidade, segundo descrições de Gabriel Fróes, um dos maiores cronistas históricos de Petrópolis, foi aberta ao trânsito a nova ponte situada em frente a Rua Princesa Dona Januária, que segundo este era o tradicional ‘…desembocadouro de carros e passageiros que se dirigiam a cidade’. Antes se prolongava a viagem até o encontro dos rios, onde de outra ponte de madeira se passava ao lado oposto seguindo viagem para as Minas Gerais. A construção da referida ponte fazia parte do projeto de urbanização de Koeler para a principal via da cidade. Não podemos dizer que as obras estivessem concluídas, pois ainda levaram mais alguns anos, mas mesmo assim a cidade se tornava passo a passo o ‘cartão postal do Imperador’, digno de registro daquele que foi o mais importante fotógrafo da Corte, Klumb, que fotografou em 1865 a entrada da Rua Princesa Dona Januária e de uma de suas mais importantes casas comerciais da época na esquina (prédio onde atualmente possuímos a Farmácia Brasil), e de alguns habitantes da mesma região que para esta posaram. Outro registro fotográfico processou-se mais tarde a partir do […] Read More

FARDA, UNIFORME E O HISTÓRICO DA CIDADE

  FARDA, UNIFORME E O HISTÓRICO DA CIDADE Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga “O seu corpo, em que está inscrita uma história, casa-se com a sua função, quer dizer, uma história, uma tradição, que ele nunca viu senão encarnada em corpos ou, melhor, nessas vestes habitadas por um certo habitus” (Bordieu, Pierre. O Poder Simbólico, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 1998, p.88) Muitos confundem farda com uniforme, mas tecnicamente, farda não é uniforme. Uniforme é apenas uma composição de peças de um vestuário que visam à padronização visual de determinado grupo, de uma classe ou profissão. Já a farda possui não somente conceito assim como uma dimensão completamente diferente de uniforme. Farda é por constituição um símbolo, representativo na maioria da instituição a que pertence. Identifica-se por uma história composta por valores de uma instituição maior como o Estado ou a própria representatividade da soberania de um povo. Farda é a projeção da autoridade institucional, de suas forças militares e policiais. Ao ingressar em uma instituição militar o homem ou a mulher torna-se herdeiro de um conjunto simbólico identificador da instituição. Esse é composto por práticas e discursos, expressos em cerimônias, símbolos e pelo dia-a-dia institucional (Schactae, Andréa Mazurok). Para o imaginário histórico petropolitano, inúmeros são os registros presentes em declarações pela imprensa ou na própria literatura local do século XIX e no século XX. Tais como os registros do garbo dos petropolitanos que se apresentavam no Tiro de Guerra nas primeiras décadas do século XX, ou na presença, inclusive fotográfica que alguns membros da Guarda Nacional se apresentavam em reuniões (O Mercantil), talvez como forma de ostentação ou mesmo de opressão, autoritarismo. Fotos nos arquivos do Museu Imperial dos inspetores de quarteirões, autoridades policiais garbosas e de profundo relacionamento e demonstração de segurança com as comunidades. No imaginário dos moradores, a presença do guarda noturno com seu tradicional apito e farda. Até mesmo o imaginário colonial apresentou-se por intermédio dos viajantes, no realce das fardas alemãs que alguns ainda guardavam, e segundo declarações vez por outra apresentava às comunidades por onde passavam, o que traduzia-se em respeito. Assim como, a tradição já estava estabelecida com a presença dos ‘Dragões’ que acompanhavam o Imperador e sua família em suas constantes viagens à cidade, principalmente nos anos 70 e 80 do século XIX (O Mercantil). As fotos de Haack apresentam […] Read More

CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS – O PREFEITO DEMISSIONÁRIO E OS CONFLITOS DE RUA – 1934

  CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS – O PREFEITO DEMISSIONÁRIO E OS CONFLITOS DE RUA – 1934 [1] Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga “Cabe-me informar à Liga do Comércio, que no dia nove do corrente, cumprindo a missão que me foi dada, fui pessoalmente entregar ao Exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas a mensagem que por intermédio do da classe comercial, a população de Petrópolis fez ao Exmo. Sr. Presidente do Governo Provisório, para que sua estação de repouso fosse feita nesta encantadora e hospitaleira cidade. Recebido no Palácio Guanabara por S. Excia. e depois de fazer-lhe o apelo em nome da população e em nome do governo da cidade, mostrando-lhe a honra e o entusiasmo com que o povo petropolitano o receberá, S. Excia. respondeu-me que recebia o apelo com grande satisfação e provavelmente em fevereiro, depois de resolver as questões relativas ao orçamento e após seu regresso de Minas , virá fazer sua estação de repouso em Petrópolis. Atenciosas saudações. Yeddo Fiuza – Prefeito.”( Tribuna de Petrópolis, 18 de janeiro, 1931) O texto reproduzido da Tribuna de Petrópolis procura destacar a importância concedida pelo interventor recém-nomeado para Petrópolis, Yêddo Fiúza, quando de sua visita ao presidente para entregar-lhe a carta da Liga de Comércio, solicitando que Vargas continue a presentear a cidade com a sua visita como fizeram os demais Presidentes da Republica em seu veraneio que o antecederam. Semelhante, exalta a importância que Fiúza devotava ao mesmo, e que faria politicamente com que fosse seu esteio administrativo nesta nova empreitada [2]. [1] Ensaio publicado na primeira pagina do segundo caderno em 21 de janeiro de 1984 [2] Tanto o recorte como o parágrafo inicial foram inseridos posteriormente à publicação. Petrópolis foi, durante o período republicano, palco de inúmeros movimentos que, pela sua intensidade, se transformaram em verdadeiros conflitos, por vezes até sangrentos. Sendo os mesmos, até o presente momento não estudados. Motivos? Talvez possam ser explicados pelo comportamento e visão tradicionalista germânico que tenha invadido nossos estudos históricos locais, ou simplesmente porque os mesmos fatos possam reabrir cicatrizes ainda existentes no seio de determinados grupos sociais que, durante décadas, mantiveram sob sua tutela a comunidade petropolitana. Mas, o indubitável é que quando os fatos forem cientificamente pesquisados à luz das ciências, talvez possa determinar questões de vital importância como o da paralisação de nossos movimentos econômicos, […] Read More

MEMÓRIA PETROPOLITANA PELOS GUIAS E PELA CARTOFILIA

  MEMÓRIA PETROPOLITANA PELOS GUIAS E PELA CARTOFILIA Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga “O movimento das cidades foi tema dos fotógrafos desde o início da história da fotografia. Contudo o surgimento do cartão-postal, em fins do século XIX, faz da cidade o seu tema principal. As novas edificações, prédios públicos e privados, jardins, praças, ruas e avenidas das “cidades modernas” foram temas privilegiados pelos fotógrafos em muitos países.” (Lôbo, Mauricio Nunes) Há mais de década tenho procurado reavaliar os instrumentos de pesquisas objetivando reavaliar minhas investigações sobre a história local, processo que se acentuou com a leitura dos texto de Carl Schorske, (Schorske, 1979) e evoluiu ao final dos anos 90 com os extratos de Peter Burke (Burke,1985), sobre especificidades da história cultural. Passei a coletar dados sobre curiosidades e materiais diversificados, principalmente sobre a imprensa e fotos diversas sobre eventos ocorridos na cidade os quais até mesmo a própria imprensa não noticiara. Porém, o perfil de avaliação dos procedimentos de pesquisa segundo a metodologia da Nova História Cultural e sua aplicação no que tange ao contexto da história local tornou-se uma resposta aos novos desafios historiográficos aos quais meus ensaios se integravam, uma nova discussão do cultural presente em uma cidade que segundo Burke poderia “…sugerir ênfase em mentalidades, suposições e sentimentos”. No campo das representações, uma de suas faces interpretativas, a NHC me atraiu para as formas como se apresentava Petrópolis para viajantes e/ou visitantes nas primeiras décadas do século XX. Em 1983, no Arquivo Municipal, havia me detido para avaliar a infinidade de “guias” que representavam a cidade. Um verdadeiro modismo das primeiras décadas do século XX, onde cada guia esmerava-se em produzir o mais completo roteiro da cidade. Era o espírito da ‘belle époque’ que alimentava as representações e conduziam ao pleno imaginário. De apresentação gráfica soberba para a época, estes guias apresentavam uma cidade paradisíaca, de beleza estonteante na serra, descrevendo a cidade como o mais belo encrave europeu das serras brasileiras. Os serviços apresentados nos guias eram os que fixavam o centro da cidade como uma vitrine, uma “mercadoria”, para viajantes extasiados na época. Não devemos negar que na realidade criava-se uma representação distorcida do que era verdadeiramente a própria cidade. No contexto geral, uma cidade operária, pobre, com uma população periférica astronômica para a época, se comparada ao do próprio sítio histórico […] Read More

CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PETROPOLITANA: ESTADO, NACIONALIZAÇÃO E SISTEMA EDUCACIONAL

  CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PETROPOLITANA: ESTADO, NACIONALIZAÇÃO E SISTEMA EDUCACIONAL Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga “…Não escapará, decerto, às luzes superiores de v. Exa. Quanta influencia isso (a criação de uma escola de primeiras letras) pode ter sobre os costumes, e quanto importa ir destruindo o uso exclusivo da linguagem alemã.” (Fernandes Pinheiro, Presidente da Província do Rio Grande do Sul, 1825, p.274, in Willens, Emilio, 1946, Brasiliana, INL/MEC) Este fragmento de documento do então Presidente da Província do Rio Grande do Sul, espelhava o temor que os brasileiros possuíam já em 1825 pela presença do imigrante europeu, principalmente do alemão no território brasileiro. Uma rejeição clara ao processo de imigração que se iniciava em terra brasileira, principalmente em uma região onde não se acusava forte presença escravista, não estando portanto sujeita a lenta política de organização do processo de produção brasileira tendo por base a mão-de-obra do imigrante em detrimento da substituição do tradicional escravismo. O assunto em discussão neste ensaio, não é somente a questão da “política de nacionalização” do ensino local, isto é, petropolitano, mas também a presença do Estado brasileiro na área de educação em Petrópolis no século XIX, assim como a questão da “pseudo” ameaça política que a imigração pudesse oferecer à integridade do Estado Imperial brasileiro ou de sua sociedade, possibilitando uma intervenção do Estado na questão educacional na região de colonização e imigração alemã em Petrópolis. Outra questão que também será abordada é a presença do ensino privado e de suas possíveis características inovadoras, assim como de um projeto de ensino técnico gerado em uma espécie de cooperativa pelos colonos em Petrópolis. INTRODUÇÃO De um modo geral quando abordamos a história da educação observamos que a temática “intervenção” do Estado, ou como pode tecnicamente ser designada, “ingerência” nas questões da educação pública não é uma novidade histórica. Lorenzo Luzuriaga já apontava sua presença desde o século XVI na Europa. Mas se compreendido precisamente como realmente uma ingerência do próprio Estado, neste caso os registros históricos podem ser mais precisamente avaliados a partir do século XVIII, sendo estes em sua maioria relacionados à evolução dos processos político-sociais no contexto da elaboração dos Estados Nacionais contemporâneos e na construção da instrução pública a partir da Revolução Francesa (Luzuriaga, 1959). No Brasil, a origem do processo educacional repousa no ensino confessional “conversor” que […] Read More