Agenda 2009 – agosto (com correção da previsão de eventos) (acréscimo do tema da palestra) (com correção da previsão de eventos)

  14/07/2009 10 de agosto de 2009 segunda-feira 18h30 Casa de Cláudio de Souza, Silogeu Petropolitano, Praça da Liberdade, 247, Petrópolis Reunião mensal, com palestra do associado emérito Francisco José Ribeiro de Vasconcellos. Previsão dos eventos: 08/06 – Reunião mensal, com a posse dos novos associados que forem aprovados na Assembléia Geral Ordinária. 13/07 – Reunião mensal, com palestra da associada efetiva Patrícia Ferreira de Souza Lima, e intervenções dos associados efetivos Jeronymo Ferreira Alves Netto e Arthur Leonardo de Sá Earp, todos integrantes da Comissão de Atualização e Desenvolvimento do site do instituto, sobre os projetos em andamento e sua importância para o aperfeiçoamento científico da instituição. 10/08 – Reunião mensal, com palestra do associado emérito Francisco José Ribeiro de Vasconcellos. 12/09 – Sábado – Reunião mensal, com palestra do associado correspondente Pedro Afonso Karp Vasquez, intitulada “Fotografia e ciência”. 19/10 – 3ª segunda-feira do mês – Reunião mensal, com palestra do associado efetivo Júlio Ambrozio. 09/11 – Reunião mensal, com palestra do associado efetivo Fernando Gomide. 28/07/2009 10 de agosto de 2009 segunda-feira 18h30 Casa de Cláudio de Souza, Silogeu Petropolitano, Praça da Liberdade, 247, Petrópolis Reunião mensal, com palestra do associado emérito Francisco José Ribeiro de Vasconcellos, sobre o tema Euclides da Cunha, Americanista. Previsão dos eventos: 08/06 – Reunião mensal, com a posse dos novos associados que forem aprovados na Assembléia Geral Ordinária. 13/07 – Reunião mensal, com palestra da associada efetiva Patrícia Ferreira de Souza Lima, e intervenções dos associados efetivos Jeronymo Ferreira Alves Netto e Arthur Leonardo de Sá Earp, todos integrantes da Comissão de Atualização e Desenvolvimento do site do instituto, sobre os projetos em andamento e sua importância para o aperfeiçoamento científico da instituição. 10/08 – Reunião mensal, com palestra do associado emérito Francisco José Ribeiro de Vasconcellos. 12/09 – Sábado – Reunião mensal, com palestra do associado correspondente Pedro Afonso Karp Vasquez, intitulada “Fotografia e ciência”. 19/10 – 3ª segunda-feira do mês – Reunião mensal, com palestra do associado efetivo Júlio Ambrozio. 09/11 – Reunião mensal, com palestra do associado efetivo Fernando Gomide. 01/08/2009 10 de agosto de 2009 segunda-feira 18h30 Casa de Cláudio de Souza, Silogeu Petropolitano, Praça da Liberdade, 247, Petrópolis Reunião mensal, com palestra do associado emérito Francisco José Ribeiro de Vasconcellos, sobre o tema Euclides da Cunha, Americanista. Previsão dos eventos: 08/06 – Reunião mensal, com a posse dos novos associados que forem aprovados na Assembléia Geral […] Read More

FRAGMENTO DA HISTÓRIA DA MEDICINA EM PETRÓPOLIS (UM) – A assistência Hospitalar – Hospital de Santa Teresa – O Dr. Hermogênio Silva

UM FRAGMENTO DA HISTÓRIA DA MEDICINA EM PETRÓPOLIS – A assistência Hospitalar – Hospital de Santa Teresa – O Dr. Hermogênio Silva Nelson de Sá Earp, ex-Associado Titular, falecido Ao ingressarmos no Instituto Histórico de Petrópolis, ainda no decurso deste ano de 1988, aos poucos dias de nossa admissão, foi-nos proposta a honrosa incumbência de escrever um estudo sintético da história da medicina petropolitana, havendo conhecimento de que estávamos nos dedicando a uma pesquisa exatamente sobre tal assunto. Mas, como resumir ou sintetizar uma pesquisa mais profunda, se ela está ainda em meio? Pensamos, então, ser mais condizente com a exatidão por nós mesmo exigida de um trabalho histórico, apresentar apenas uma das partes, já elaboradas, de nossa futura colaboração. Escolhemos uma das fases mais decisivas, até agora, da história hospitalar de nosso Município, incluindo os papéis nela desempenhados pela Municipalidade, pela direção do Hospital de Santa Teresa, e pelo Dr. Hermogênio Pereira da Silva, quando este exercia o cargo de Presidente da Câmara Municipal de Petrópolis. Tudo isto, num momento do ano de 1904, quando era iminente o fechamento do Hospital de Santa Teresa, único estabelecimento hospitalar do Município, de propriedade do Governo do Estado do Rio de Janeiro. É de se notar, desde logo, a linha de evolução da história do Hospital de Santa Teresa, aqui apenas esboçada, que, de certa maneira, reflete os vários modos por que pode ser administrado o bem comum da assistência hospitalar de uma cidade. O bem comum de uma sociedade politicamente organizada e os seus vários serviços, de um modo geral, podem ser dirigidos sob a responsabilidade única do poder público, ou pode ser provido por entidades particulares devidamente autorizadas e controladas pelo mesmo poder público e particular, em que a direção suprema cabe a autoridade pública. Num momento em que se discute vivamente a célebre questão da socialização ou da privatização dos serviços dedicados ao bem comum, o exemplo da história do Hospital de Santa Teresa, com seus cento e doze anos de experiência, pode servir muito bem como lição para ajudar a esclarecer sobre como proceder em relação àquela relevante questão. E parece que a vivência do Hospital fala a favor da privatização. É que, até hoje, o Hospital privatizado, a serviço da comunidade, produziu sempre frutos opimos, úteis a prestimosos, baseados na dedicação de uma Congregação religiosa católica, como é a Congregação das Irmãs de Santa Catarina, responsável até […] Read More

IRMÃ LUIZA EPPINGHAUS – IN MEMORIAM

IRMÃ LUIZA EPPINGHAUS – IN MEMORIAM Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette Domingo, dia 7 de março de 1999, fomos surpreendidos com a notícia do falecimento da Irmã Luiza Eppinghaus, da Congregação de São Vicente de Paulo, fundadora da Casa da Providência. Partiu discretamente, como viveu, mas deixou, para todos aqueles que tiveram o privilégio de a conhecer, o exemplo de uma vida de constante amor, desvelo e devotamento aos pobres e aos doentes. Nascida em Petrópolis, a 24 de novembro de 1899, a Irmã Luiza, que na pia batismal recebeu o nome de Alzira, descendia de uma das mais tradicionais famílias petropolitanas. Era a filha mais nova do casal Guilherme Eppinghaus e Deolinda Hingel Eppinghaus. Juntamente com seu irmão Guilherme Pedro e suas irmãs Olga e Bertha, recebeu de seus genitores primorosa educação. Alzira graduou-se com distinção na Escola Normal, estabelecimento de ensino do Estado, que na época funcionava em anexo ao Colégio Santa Isabel, após o que resolveu consagrar sua vida ao serviço de Deus, exercendo seu apostolado com extraordinário devotamento e eficiência. Em 1927, preocupada com a miséria em que se debatiam as classes menos favorecidas, iniciou, com a ajuda de outras irmãs da Ordem, um trabalho pioneiro, socorrendo famílias carentes que eram visitadas em suas casas, proporcionando-lhes, além da assistência material, o conforto de uma palavra amiga. Em pouco tempo, o número de famílias assistidas cresceu extraordinariamente, sendo amparadas pelo dispensário do Convento, ao mesmo tempo em que as crianças recebiam instrução e alimentação. Devido as dificuldades de socorros médicos, sobretudo às crianças, foi organizado, sob a direção do competente médico Dr. João Fontes de Oliveira, um serviço de Higiene Infantil e Puericultura. Assim nasceu – como um prolongamento do Convento localizado à Rua Paulo Lobo de Moraes – a Casa da Providência, que acabou se transformando num dos mais modernos e bem equipados hospitais da cidade. Em 1946, a Irmã Luiza foi transferida para São Paulo, onde permaneceu até 1951, quando foi nomeada Ecônoma e doze anos mais tarde Visitadora, cargo que ocupou até 1971, quando se tornou regente da Paróquia de Itacuruçá. De volta a Petrópolis, ocupou pela segunda vez o cargo de Superiora, nele permanecendo até 1975, quando foi removida para Nova Iguaçu. Em 1979, gravemente enferma, retornou a Petrópolis, aqui permanecendo até seu falecimento. Todos os seus atos, realizados no desempenho de sua missão […] Read More

PANORAMA DE PETRÓPOLIS EM 1857 (UM)

UM PANORAMA DE PETRÓPOLIS EM 1857 Francisco José Ribeiro de Vasconcellos, Associado Emérito, ex-Titular da Cadeira n.º 37 – Patrono Sílvio Júlio de Albuquerque Lima Poucas comunas brasileiras e especialmente fluminenses, subiram tão vertiginosamente ao podium da fama e do sucesso, como Petrópolis. Desabrochante povoação em 1845, freguesia do município da Estrela, recebeu foros de cidade em 1857, sem ter estagiado como vila. Núcleo populacional um tanto sui generis, abrigava Petrópolis o castelo, ou seja o palácio Imperial, o burgo, por onde circulava a corte na serra e os elementos fundamentais do comércio e dos serviços, e, a colônia de origem germânica, a qual tinha uma diretoria, que deixou de existir, depois que o município foi instalado, o qual passou ao regime comum dos seus congêneres da Província do Rio de Janeiro. Justamente naquele ano de 1857, o da grande transição, o Major Sergio Marcondes de Andrade enviava o seu relatório das atividades coloniais ao Presidente da Província, fazendo um panorama da vida petropolitana de então. No seu entender, a colônia não tinha as condições necessárias para ser somente agrícola, porque os colonos não possuíam conhecimentos exclusivos de agricultura. Porém, como núcleo fabril, Petrópolis teria meios de engrandecer-se. Marcondes acertava na mosca. O futuro muito próximo iria demonstrar exatamente essa oportuna previsão. Vaticinava que quando acabassem as obras públicas e particulares naquela febricitante quadra de efetiva ocupação do solo urbano, Petrópolis haveria de enfrentar séria crise que poderia comprometer o seu futuro. E essa crise veio de verdade, não tão comprometedora assim, mas suficiente de modo a empurrar os colonos para o salve-se quem puder, até que o empreendimento fabril de Bernardo Caymari em Cascatinha, no início dos anos setenta do século XIX, passasse a absorver a qualificada mão de obra local. Na visão do Major, as oleoginosas poderiam ser bem cultivadas aqui, principalmente a mamona, cujas folhas ainda propiciaram a criação do bicho da seda. Tanto otimismo por uma causa sem qualquer perspectiva. A mamona não empolgou os contemporâneos do alvitre, nem como oleoginosa nem como chamariz do bicho da seda. A rigor, a industria sérica no Brasil foi um fracasso, desde a triste, custosa e desastrada experiência de Itaguaí. Diretor da Colônia, Marcondes de Andrade dizia no seu relatório de 1857 que seria proveitoso o estabelecimento de uma fábrica de vidros em Petrópolis, a partir do “cristal do monte”, na Mosela. Para tanto seria suficiente o combustível fornecido […] Read More

PADRE BENEDITO AGUIAR RIBEIRO – IN MEMORIAM

PADRE BENEDITO AGUIAR RIBEIRO – IN MEMORIAM Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette Dia 14 de junho de 2001 fomos surpreendidos com a triste notícia do falecimento do Padre Benedito Aguiar Ribeiro, expressiva figura do clero brasileiro e professor de nossa Universidade Católica de Petrópolis. Nascido em Santa Bárbara, Minas Gerais, em 9 de novembro de 1917, filho de Joaquim Aleixo Ribeiro e de Clotilde de Aguiar Ribeiro, fez seus estudos iniciais na Escola Afonso Pena, em sua cidade natal, ingressando a seguir no famoso Colégio Caraça e, posteriormente, no Seminário São Vicente de Paulo, em Petrópolis. Ordenado sacerdote pelo Bispo de Niterói, Dom José Pereira Alves, em 19 de junho de 1943, celebrou sua primeira Missa Solene em Santa Bárbara, aos 27 dias do mês de junho do mesmo ano, seguindo para Irati, no Paraná, onde viveu, com grande entusiasmo, as primícias do seu sacerdócio e magistério, professor que foi do Colégio São Vicente de Paulo, naquela cidade. Retornando a Petrópolis, foi designado Procurador e Ecônomo do Seminário São Vicente de Paulo, cargo que desempenhou com o maior empenho e eficiência. Aqui devotou toda a sua existência ao sacerdócio e ao magistério, destacando-se, sobretudo, no ensino superior. Sacerdote perfeito, rigorosamente fiel à tradição, e sem desobedecer à Santa Madre Igreja, procurou seguir em linha reta os seus mandamentos. Enquanto se manteve em plena atividade, nunca se afastou de seus deveres religiosos, exercendo as mais diversas atividades. Assim, foi membro da Comissão Diocesana de Liturgia e Arte Sacra, Secretário do Congresso Eucarístico Diocesano de Petrópolis, Capelão do Colégio São José, Capelão do Instituto das Missionárias de Jesus Crucificado, Diretor da Congregação Mariana da Medalha Milagrosa, Encarregado da Assistência Religiosa na Capela da Escola de Engenharia da Universidade Católica de Petrópolis e Capelão do Colégio Santa Isabel. Ligado às atividades do magistério, sobretudo ao ensino universitário, lecionou Religião no Colégio São José, Teologia Fundamental, Teologia Especial, Introdução à Sagrada Escritura, Liturgia, Arte Sacra e Teologia Pastoral, no Seminário São Vicente de Paulo. Em 1955, ingressou nas Faculdades Católicas Petropolitanas, posteriormente transformadas em Universidade Católica de Petrópolis, lecionando Ciências Morais e Religiosas, em quase todos os seus cursos, por cerca de quarenta e quatro anos, expondo suas idéias com clareza e granjeando excelente renome como professor. Em nossa Universidade exerceu ainda vários cargos e funções administrativas. Foi membro do Conselho Departamental da Faculdade de […] Read More

GUILHERME PEDRO EPPINGHAUS ( DR.) – IN MEMORIAM

GUILHERME PEDRO EPPINGHAUS ( DR.) – IN MEMORIAM Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette Petrópolis perdeu na madrugada do dia 19 de março de 1998 um de seus mais ilustres filhos: Guilherme Pedro Eppinghaus. Pelas numerosas obras que realizou em nossa cidade; por sua condição de engenheiro civil, de longo tirocínio, quer à frente da Secretaria de Obras do Município por três longos períodos; pelos conhecimentos históricos que armazenou sobre a formação de Petrópolis, o Dr. Guilherme Pedro Eppinghaus foi o exemplo de uma existência ativa e gloriosamente modesta. Nasceu em nossa cidade, a 25 de fevereiro de 1897, na parte residencial da casa de comércio de seu pai, localizada à então Av. Quinze de Novembro, hoje Rua do Imperador. Seus pais, o comerciante Guilherme Eppinghaus e D. Deolinda Hingel Eppinghaus eram descentes de duas tradicionais famílias de colonos alemães. Guilherme Pedro recebeu esmerada educação, iniciando seus estudos no Colégio de D. Honorina Baptista, instalado na atual rua Washington Luiz, freqüentando posteriormente o Colégio Franco Brasileiro, dirigido pelo professor Jean Teulère, notável educador francês que havia se estabelecido em Petrópolis e, mais tarde, o Colégio São Vicente de Paulo, onde concluiu o curso secundário. Tendo decidido tornar-se engenheiro matriculou-se no Instituto Politécnico de Juiz de Fora, onde recebeu o grau de engenheiro eletricista e de obras públicas, em 1917 e, em 1928, o grau de engenheiro geógrafo, pela Escola de Engenharia de Juiz de Fora. Apesar de sua árdua e profícua atividade profissional, ainda encontrava tempo para dedicar-se à pesquisa e ao ensino, bem como desenvolver intensa participação na vida cultural e social da cidade. Membro efetivo do Instituto Histórico de Petrópolis, no qual foi admitido a 12 de novembro de 1959, publicou inúmeros trabalhos na imprensa local e na revista do referido Instituto. Dedicou-se também ao ensino, tendo sido professor da cadeira de Máquinas Hidráulicas, da Escola de Engenharia da Universidade Católica de Petrópolis, cujo Conselho Universitário lhe outorgou o título de “Professor Emérito”. Membro do Conselho Municipal de Cultura, até 1979 e do Conselho da Medalha Koeler, como representante do Instituto Histórico de Petrópolis, foi também sócio da Sociedade Artística Villa-Lobos, da Escola de Música Santa Cecília, do Clube de Engenharia e da Associação Petropolitana de Engenheiros e Arquitetos. Foi casado dom D. Carmem Tavares de Lacerda, natural de Guarapuava, no Paraná, formando um dos mais distintos e bem relacionados […] Read More

PETRÓPOLIS E O SÉCULO XX

PETRÓPOLIS E O SÉCULO XX Francisco José Ribeiro de Vasconcellos, Associado Emérito, ex-Titular da Cadeira n.º 37 – Patrono Sílvio Júlio de Albuquerque Lima Janeiro de 2001. Raiava uma nova centúria. Num restaurante em Itaipava conversávamos Gilberto Felisberto Vasconcellos e eu sobre vários temas de interesse comum. Em dado momento disse-lhe que Petrópolis em termos de comunicação urbana havia passado ao largo do século XX. Em síntese, tudo quanto havia no concernente à rede viária municipal, máxime no tocante à conexão da cidade com os distritos, remontava aos séculos XVIII e XIX. Gilberto entusiasmou-se com a reflexão e pediu-me que desenvolvesse tão instigante assunto. Não é difícil provar com os elementos mais evidentes, o que aleguei acima. O caminho para as Minas Gerais, também conhecido como Estrada Mineira, é como todos sabem das primeiras décadas do século XVIII e, um pouco alargado, nivelado e calçado é a mesma via que, atendendo por vários nomes, ao longo de seu percurso, serve ao Alto da Serra, Palatinato Inferior, Quissamã, Itamarati, Cascatinha, Samambaia, Corrêas, Nogueira e Bonsucesso. Que outra opção de porte para o trânsito público foi criada na área em apreço nesses últimos duzentos e setenta anos? Nenhuma. A única novidade que surgiu ali foi a estrada de ferro, implantada já no apagar das luzes da monarquia e nos primeiros anos da república, já há muito desaparecida, sem que o seu leito tenha sido aproveitado para um metrô de superfície, que seria a solução mais inteligente e econômica para o transporte de massa ao longo do vale do Piabanha. Sem qualquer planejamento ou adequação às mutações do tempo e imposições do progresso e da explosão demográfica, a velha trilha mineira, que foi concebida para dar passagens a tropas, a homens a pé e a cavalo, vê hoje trafegar por ela ônibus, carretas e automóveis, que se espremem numa via de mão e contramão, com estacionamentos infernais dos dois lados e incontáveis construções a margear o logradouro, sem nunca o poder público ter exigido um mínimo de recuo, para que a histórica vereda se alargasse, adaptando-se paulatinamente às novas ordens de coisas. E a Prefeitura ainda chama aquilo de via expressa, opção essencial na ligação do centro com o 2° distrito. Na segunda metade do século XIX, Petrópolis conheceu, aquilo que se tornaria em termos viários, a espinha dorsal do município. Seus chãos deram passagem à primeira rodovia propriamente dita que o Brasil […] Read More

CENTENÁRIO DE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA – HISTORIADOR

CENTENÁRIO DE SÉRGIO BUARQUE DE HOLANDA – HISTORIADOR Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Associado Titular, Cadeira n.º 14 – Patrono João Duarte da Silveira Historiador conta histórias ou é historiador aquele que interpreta a História? Ou, ainda, o curioso com sede de saber que perscruta documentos, lê e mastiga obras feitas com a dentição da curiosidade, anota os fatos e compilando tudo, escreve a história sob sua ótica? Será que historiador é, simplesmente, quem fala de história, narra acontecimentos e os posiciona junto à evolução social num todo? O que é, ou quem é, afinal, a História e o Historiador? Sobre História, muitos mestres especulativos abriram a discussão e forjaram jornadas pesquisa adentro. Falaram de sua filosofia, teorizaram conceitos, estabeleceram compartimentos interpretativos e, até, a sistematização do conhecimento por áreas de atuação profissional, destacando a história dos meandros econômicos das sociedades ou do factual simplesmente saboroso para a satisfação da curiosidade humana. Com A D. Xenopol, historiador espanhol do princípio do século XX, vê-se que a “História é constituída por uma sucessão de fatos individualizados pelo tempo, indiferentemente de se manifestarem universais, gerais ou individuais e também quanto ao espaço. Essa individualização dos fatos sucessivos no curso do tempo exclui a possibilidade de sua repetição igual indefinida e, conseqüentemente, a possibilidade de formular as leis de sua reprodução.” É o princípio basilar de que a História não se repete, jamais se repetirá porque individualizados seus fatos no tempo e no espaço. Langlois e Seignobos, franceses da primeira metade do século XX, afirmam que “A História se faz com documentos e que estes são os traços que deixaram os pensamentos e os atos do passado.” É a revelação da matéria prima de que se nutre a História. O historiador Van Den Besselaar acrescenta um tijolo à definição sempre incompleta de História ao afirmar que a “História é a ciência dos atos humanos do passado e dos vários fatores que neles influíram, visto na sua sucessão temporal.” Traduz o Autor duas verdades: a História é uma ciência e que seu conteúdo é o estudo especulativo do passado da Criatura Humana em todo o envolvimento evolutivo desde o surgir da maravilha do Universo. O professor Guilhermo Bauer, da Universidade de Viena, na Áustria, reafirma o caráter próprio dos estudos históricos ao comentar: “A ciência se desenvolve em contínuo movimento e significa permanentemente aprofundamento, ampliação e renovação de nosso saber.” Eis que a História […] Read More

VICENTE TAPAJÓS – IN MEMORIAM

VICENTE TAPAJÓS – IN MEMORIAM Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Associado Titular, Cadeira n.º 14 – Patrono João Duarte da Silveira Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 18 de fevereiro de 1998, aos 81 anos, o professor e historiador Vicente Costa Santos Tapajós. Petropolitano de nascimento, deixou atrás de si uma intensa e extensa produção histórica, além de uma brilhante atuação no magistério. A maior parte de sua vida foi dedicada à difícil missão de educar e ensinar, atuando como professor de História por mais de 50 anos, num contato diário e proveitoso com a juventude, à qual transmitiu sadios sentimentos de brasilidade, civismo e amor à terra natal. Lecionou no Colégio Pedro II, no Instituto de Educação, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Universidade Santa Úrsula, no Instituto Rio Branco e foi ainda assessor de História da TVE e da TV Rio, prestando deste modo uma contribuição magnífica à educação em nosso país. Sua atividade, no entanto, não se limitou a esse esforço admirável em formar as novas gerações. Sua obra de pesquisa histórica o define como um pesquisador instigado por uma curiosidade intelectual infindável, realista e honestíssimo nas conclusões de suas investigações. Assim, escreveu inúmeros livros didáticos sobre História, que muito contribuíram para tornar mais atraente e eficaz o ensino desta disciplina e inúmeras obras, entre as quais destacamos a “História da América” e a “História Administrativa do Brasil”, escritas com a melhor técnica da ciência histórica e que o definem, é justo reconhecer, como um grande historiador. Agraciado com vários títulos, Vicente Tapajós era membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, desde 1984, onde fez parte da Comissão de Pesquisas Históricas e ocupou a presidência de 1992 a 1995. Pertenceu também ao Instituto Histórico de Petrópolis, inicialmente como Sócio Efetivo e, posteriormente como sócio Emérito. Em nosso Instituto, integrou a Comissão de História de 1981 a 1982, proferiu palestras e publicou artigos. Sua morte desfalca o Brasil de um de seus mais dedicados educadores e expressivos historiógrafos.

HÁ CEM ANOS MORRIA JOSÉ CANDIDO MONTEIRO DE BARROS

HÁ CEM ANOS MORRIA JOSÉ CANDIDO MONTEIRO DE BARROS Francisco José Ribeiro de Vasconcellos, Associado Emérito, ex-Titular da Cadeira n.º 37 – Patrono Sílvio Júlio de Albuquerque Lima A justiça dos homens é em geral falha, falsa e frustrante. Nas mais das vezes está condicionada a subjetividades inconfessáveis e a interesses circunstanciais. Tive enorme decepção quando, ao abrir a Gazeta de Petrópolis do dia 14 de abril de 1902, encontrei já no fim da 5ª coluna da 1ª página a notícia lacônica da morte e do sepultamento do Coronel José Candido Monteiro de Barros. Esperava, isto sim, necrológio de grosso calibre, encimado pelo retrato do falecido, que entregara a alma ao Criador, nesta ribeira do Piabanha aos 12 de abril de 1902. O Coronel José Candido freqüentou as páginas dos jornais petropolitanos durante toda a segunda metade do século XIX e mesmo a “Gazeta”, ao tempo da Revolta de 6 de setembro, dita da Armada, franqueou-lhe avultados espaços, para divulgar as colaborações do Coronel à causa da legalidade e do florianismo. Tanto desprezo assim da imprensa local, votado ao Coronel no momento de sua morte só poderia ser explicado, ou por motivos políticos, ou por alguma incompatibilidade entre o recém falecido e a cúpula da Gazeta de Petrópolis. Mas, como estamos bem distantes dessa lamentável omissão e já suficientemente estribados na perspectiva temporal, não temos por que deixar passar in albis a data centenária do falecimento dessa figura interessante e singular que enriqueceu a história desta urbe por mais de cinqüenta anos. José Candido Monteiro de Barros foi o típico “grand seigneur” da periferia cortesã da Serra Acima. Fidalgo bonachão, tinha a nobreza do sangue e das maneiras. Neto paterno de Lucas Antonio Monteiro de Barros, Visconde de Congonhas do Campo e materno de Brígida Maria da Assunção Fragoso, sobrinha do Padre Corrêa, de Agostinho Goulão e de D. Maria Brígida Gonçalves Dias, senhora de Samambaia, nasceu no Rio de Janeiro e, sendo órfão de pai e mãe muito cedo, veio viver em companhia da vovó Brígida na Fazenda da Arca de Noé e Benfica, no atual 3º distrito de Petrópolis. Sob a responsabilidade do vovô Visconde, primeiro Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, equivalente ao nosso S. T. F. dos dias que correm, estudou no Colégio Pedro II e depois no Caraça, em Minas Gerais. Voltando a Petrópolis, aqui radicou-se, casando-se com a prima Mariana Augusta Moreira Guimarães, irmã […] Read More