HEROÍSMO E CIRCUNSTÂNCIA

Victor Hugo, glória da raça latina, dizia que o herói é apenas uma variedade de assassino. Dependendo do posicionamento e da eventual paixão do observador, o herói pode ser visto como bandido e vice-versa. E não há dúvida alguma que a circunstância pode criar tanto um quanto o outro. Tudo isso vem a propósito da verdadeira canonização de Benjamin Constant Botelho de Magalhães, logo no alvorecer da República, e da injustificável execração do Imperador D. Pedro II e de sua família, por parte daqueles que implantaram o novo regime no Brasil. No dia 16 de novembro de 1889, o governo provisório da recém-fundada República enviou mensagem ao Imperador deposto, em que dizia entre outras coisas: “Em face desta situação, pesa-nos dizer-vo-lo e não o fazemos senão em cumprimento do mais custoso dos deveres, a presença da família imperial no país, ante a nova situação que lhe criou a resolução irrevogável do dia 15, seria absurda, impossível e provocadora de desgostos que a salvação política nos impõe a necessidade de evitar. Obedecendo pois às exigências do voto nacional, com todo o respeito devido à dignidade das funções públicas que acabais de exercer, somos forçados a notificar-vos, que o governo provisório espera do vosso patriotismo o sacrifício de deixardes o território brasileiro, com a vossa família, no mais breve tempo possível. Para esse fim se vos estabelece o prazo máximo de vinte e quatro horas, que contamos não tentareis exceder”. Apesar dos respeitosos termos constantes desse trecho da mensagem enviada a D. Pedro II e, nem poderia ser diferente, o texto deixava a nu uma verdadeira bofetada com luva de pelica. Como exigir-se de uma família radicada no país desde o nascimento, onde tinha ela raízes, patrimônio, interesses pessoais, pertences, biblioteca, arquivos, objetos de estimação, que esta mesma família deixasse inopinadamente sua terra no prazo exíguo de 24 horas, levando-se em consideração, que nenhum de seus membros havia esboçado qualquer reação ou resistência ao golpe de 15 de novembro? Como prova da dignidade conformada da Família Imperial, leia-se a resposta altiva e elegante do Imperador aos que o intimavam de forma tão impertinente: “À vista da representação escrita que me foi entregue hoje às 3 horas da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir com toda a minha família para a Europa, amanhã, deixando esta pátria de nos estremecida a qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e […] Read More

PORCIÚNCULA GOVERNADOR DO MARANHÃO

  De vida curta mas intensa, José Thomaz da Porciúncula, era do ponto de vista do ius sanguinis, filho de pai gaúcho e de mãe fluminense, ele de Jaguarão, na fronteira com a Republica Oriental do Uruguai, ela da região de Magé e Suruí. Nasceu José Thomaz em Petrópolis a 25 de dezembro de 1854. Morreu no sábado 28 de setembro de 1901, a 1 hora da madrugada de angina pectoris. Tinha 47 anos incompletos. Órfão de pai aos 7 anos, nem por isso deixou de cumprir o currículo normal de uma criança comum e corrente de sua idade e de seu status social. Cursou o Colégio Pedro II. Matriculou-se em 1872 na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Aprovado com distinção, ao apresentar sua tese no último ano de estudos médicos, filiou-se ao Clube Republicano presidido na altura por Joaquim Saldanha Marinho. Ainda na Corte, foi diretor e co-proprietário da Casa de Saúde São Sebastião na rua Bento Lisboa, Catete. Foi também membro fundador da Sociedade de Medicina e Cirurgia. Casou-se, segundo os noticiários ( não confirmado ainda documentalmente ) em 1878 com D. Luiza de Melo Franco, filha do Dr. Manoel de Melo Franco, figura proeminente da Revolução Liberal de 1842. Em 1882 transferiu-se para Petrópolis, onde criou o Clube Republicano da cidade, do qual nasceu o Partido do 9º Distrito que o elegeu para a Assembléia Provincial para cumprir o biênio 1884/1885. No ano seguinte, apresentou-se como candidato republicano à mesma assembléia, com circular firmada também pelo Dr. Santos Werneck, que assim terminava: “Quem votar em nós, votará em nossas idéias. Somos republicanos”. Nos estertores da monarquia nestas serras, Porciúncula era o homem do momento, o que representava as novas idéias. O político de impacto, corria paralelo ao médico humanitário e simples. Proclamada a Republica, tudo fazia crer que o jovem militante fosse guindado ao governo de sua terra, a ex-província fluminense. Mas, Quintino Bocaiúva havia se antecipado aos acontecimentos levando a Deodoro no próprio dia 15 de novembro o nome de Francisco Portela, que assim foi o primeiro governador do Estado do Rio de Janeiro. Mas, logo no princípio de janeiro, Porciúncula teria que aceitar desafio bem maior, quando foi nomeado para dirigir os destinos do complicadíssimo Maranhão. O jornal Mercantil, que se editava aqui desde 1857, abriu espaço na edição de 4 de janeiro de 1890, para publicar matéria do republicaníssimo Thomaz Cameron sobre […] Read More

EMBAIXADOR MAURICIO NABUCO

  No casarão localizado na Avenida Piabanha, 720/732, residiu e, dele foi proprietário desde 1917, a ilustre figura de Joaquim Nabuco – diplomata, escritor, político e advogado. Personalidade esta, já bastante comentada nesta coluna, em palestras realizadas no Instituto Histórico de Petrópolis. Esta construção – tudo leva a crer – seja mais antiga que o Palácio Imperial, pois nela morou José Candido Guilhobel, um dos seus arquitetos. Habitou ali também o Embaixador Luiz Gonzaga Nascimento e Silva. Depois do falecimento de Joaquim Nabuco, o velho casarão foi dividido em duas residências. No número 720, continuaram residindo os filhos de Nabuco, e no número 732, veio a morar a família Redic de Campos. Olavo, arquiteto de renome que se tornou “arquiteto oficial” do Ministério do Exterior para todas as embaixadas brasileiras. Seu irmão, Deoclécio, igualmente renomado, foi por muitos anos diretor do Museu do Vaticano e responsável pela recuperação da internacionalmente conhecida estátua de Leonardo da Vinci, a “Pietá”, quando foi parcialmente destruída por um turista doente mental. Voltando aos Nabucos, Joaquim Nabuco, teve cinco filhos: – Maria Carolina (escritora) – escreveu a biografia de seu pai e o conhecido livro “Sucessora” que foi plagiado mais tarde por “Rebecca”. Na boa fé, ao entregar seu trabalho para revisão e publicação, sem o devido “copyright”, perdeu os direitos autorais do tão famoso romance, depois de um longo processo nos Estados Unidos; – Monsenhor Joaquim Nabuco, figura interessante e de grande cultura, que por solicitação do Sacro-Colégio do Vaticano, escreveu em latim a história do cerimonial canônico. Para cumprir esta missão, refugiava-se em Petrópolis; – Maria Anna, a quarta filha, é a mais desconhecida dos filhos; – Joaquim Thomas, grande advogado. Durante muito tempo teve um dos mais importantes escritórios de advocacia do Rio de Janeiro. Hoje, este escritório está sob a responsabilidade de um neto de Joaquim Nabuco – Joaquim Aurélio Mello Franco Nabuco de Araújo. Entretanto, é de minha intenção aqui focalizar o Embaixador Mauricio Nabuco, o que mais tempo viveu nesta casa. O Embaixador Nabuco era de uma personalidade marcante para sua geração. Considerado um homem de alta estatura, cerca de um metro e oitenta, chamativo, de uma elegância despreocupada. Porém, sempre envergando seu colete branco, impecável, confeccionado em Londres por seu alfaiate de preferência. Homem de educação britânica, nascido em Londres em 10 de Maio de 1891 e formado em Norwick. Jantava sempre de “smoking”, mesmo quando só. Era […] Read More

RELEMBRANDO ALGUNS COLONOS E OS ESQUECIDOS QUARTEIRÕES

  Estes estudos e ensaios que ora apresento, fizeram parte do tema proferido pelo autor em 28 de junho deste ano no salão nobre da Câmara Municipal de Petrópolis, representando o Clube 29 de Junho nas comemorações dos 156 anos da chegada dos colonos germânicos à Petrópolis, em 29 de junho de 1845. “Convidado pelo Clube 29 de Junho, de Tradições Germânicas, tenho o prazer de estar presente e participar desta magnânima solenidade, que esta casa oferece todos os anos na época das comemorações do dia 29 de junho, data da chegada à Petrópolis dos primeiros colonos germânicos, ao povo petropolitano. Neste momento poderemos lembrar parte da história da nossa colonização, falar sobre os quarteirões da Imperial Colônia e homenagear os colonizadores, trazendo a todos, informações, tradições e lembranças do nosso glorioso e belo passado histórico. Este momento, geralmente, torna-se oportuno para reiterarmos e resgatarmos o que muitos em várias épocas tentaram. Porém a falta de interesse pelas causas nobres de Petrópolis, permitiu a consumação de partes da nossa história. Justamente relembrando alguns colonos em seus prazos de terras, estaremos também lembrando os esquecidos “Quarteirões”. Quarteirões que praticamente não ouvimos mais os seus nomes serem pronunciados, como também as duas vilas que nunca deixaram de existir, pois todos estão presentes em qualquer negociação imobiliária no 1º e parte do 2º Distrito de Petrópolis. Vale sempre lembrar que pela planta de 1846 do Major Engenheiro Júlio Frederico Koeler, Petrópolis foi dividida em 11 quarteirões e 2 vilas: Renânia Central e Inferior, Siméria, Castelânea, Palatinato Inferior e Superior, Nassau, Westfália, Mosela, Ingelheim, Bingen e as Vilas Imperial e Teresa. Os quarteirões e as vilas foram subdivididos em prazos de terras e classificados em 4 classes: 1ª classe constituíam os terrenos destinados à povoação próximos ao Imperial Palácio, os de 2ª classe eram os terrenos próximos à povoação, os de 3ª classe englobavam os terrenos colaterais à calçada que parte existia na Vila Teresa (Alto da Serra) e os de 4ª classe constituíam toda a parte restante da Imperial Fazenda e foram designados para a maioria dos colonos. A alguns anos a maioria dos quarteirões e vilas caíram no esquecimento, não sendo mais usados popularmente, tendo como causa principal o poder público municipal, dando a entender nomes de novos logradouros, sem indicar a sua localização correta, gerando a grande falta de reconhecimento dos nossos valores históricos. Para que possamos reparar tantos erros e […] Read More

BRASILEIROS ILUSTRES EM PETRÓPOLIS

  MARECHAL EURICO GASPAR DUTRA Eurico Gaspar Dutra nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, a 18 de maio de 1885, sendo seus pais José Florêncio Dutra e Maria Justina Dutra. Fez seus estudos iniciais na Escola dirigida pela professora Bernardina Riche e os estudos preparatórios no Liceu Cuiabano. Em 1902, decidido a abraçar a carreira militar, ingressou na Escola Preparatória e Tática de Rio Pardo, no Rio Grande do Sul, cursando-a com distinção e revelando-se “um aluno estudioso e amigo da leitura… demonstrando desde cedo espírito de método, de ordem e de disciplina” (1). (1) CAÓ, José. Dutra, o Presidente e a Restauração Democrática. São Paulo, Instituto Progresso Editorial S.A., 1949, p. 42. Sua carreira militar foi brilhante, externando seus superiores os maiores elogios à sua atuação. Neste sentido, cumpre ressaltar o que dele disse o comandante do 13º Regimento de Cavalaria, onde serviu em 1912: “Louvo-o com a mais digna satisfação e cumprindo um dever, pelos seus extraordinários e competentes serviços prestados ao Regimento, sempre com muita dedicação e zelo. Sua competência militar ficou por demais firmada entre seus colegas e lhe assegurará um brilhante futuro na carreira que, com tanto amor, abraçou e a que dedica toda sua energia” (2). (2) CAÓ, José, op. cit., p. 44-45. Acompanhou com grande interesse o desenrolar da 1ª Grande Guerra, analisando as transformações militares decorrentes da mesma, o aparecimento das armas automáticas, da guerra de posição com as trincheiras, o que o levou a publicar dois interessantes trabalhos: “Exercícios de Quadro” e “Duas Táticas em Confronto”, além de ter sido o fundador e um dos principais colaboradores da revista “Defesa Nacional”. Em 1917, matriculou-se na antiga Escola do Estado Maior, concluindo o curso com excelentes resultados. Retornando à mesma, três anos mais tarde, quando o programa da escola foi reformulado, com a chegada da Missão Militar Francesa, chefiada pelo General Gamelin, rematriculou-se, obtendo o 1º lugar da turma e a menção “Très Bien”. Promovido a Capitão em 1921, vamos encontrá-lo servindo no 2º Regimento de Cavalaria Independente, sediado em Passo de São Borja. Com o surgimento da revolução chefiada pelo General Isidoro Dias Lopes, em São Paulo, em 1924, o Capitão Dutra segue para aquele Estado, como oficial de ligação do Estado Maior do Exército com as forças legais, tendo sua atuação sido muito elogiada pelo General João de Deus Mena Barreto. Em 1927, é promovido a Major, sendo designado para servir […] Read More

PETRÓPOLIS E SEU PATRIMÔNIO

  “… a cultura é mais do que as belas artes. É memória, é política, é história, é técnica, é cozinha, é vestuário, é religião, etc…” Palácio de Cristal, Palácio Rio Negro, Casa de Santos Dumont e muitos outros estão sempre presentes no material de propaganda e divulgação da cidade, nos discursos dos políticos, nos slogans, nos anúncios publicitários. Vira e mexe são restaurados e postos à visitação pública como símbolos dignos de preservação. Recentemente, o Palácio de Cristal e a Casa de Santos Dumont mereceram atenção do governo municipal. Certamente é inegável a importância desses bens, mas no tocante às políticas de preservação do patrimônio histórico, essas ações “isoladas” quase sempre guardam a marca da improvisação ou da manipulação e do uso político da cultura. É preciso estabelecer uma política de preservação através do reconhecimento, proteção, tombamento, valorização e divulgação do seu patrimônio histórico, artístico, arqueológico e ambiental. O patrimônio histórico da nossa cidade não é constituído apenas de bens imóveis. Igualmente significativos são os seus bens da cultura material, os objetos de arte, as coleções de documentos escritos e iconográficos (particularmente os de suporte fotográfico), periódicos etc. A preservação dos bens arquitetônicos é importante e inquestionável, mas é preciso que haja projetos que despertem o interesse da população pela história da cidade e que haja meios para ampliar o universo de registros relativos à memória e à história da cidade. É preciso refletir sobre o critério de preservação dos documentos, objetos e monumentos, não deixar que eles sejam meros objetos de reverência a uma memória mítica do passado, mas sim perceber o significado do passado como experiência coletiva de formação da cultura e da sociedade. O patrimônio documental da nossa cidade tem sido valorizado, reconhecido e preservado? Basta ver a situação do Arquivo Público Municipal para se obter a resposta. No último governo, o Arquivo deixou de ficar administrativamente subordinado à Secretaria de Cultura (desde a sua criação em 1977) para se vincular à Secretaria de Educação, com a alegação de que esta possuía maiores recursos financeiros. Sem entrarmos na questão se tecnicamente é recomendável ou não, visivelmente percebemos e lamentamos que a cultura continue ocupando um lugar sem destaque, num plano secundário e as verbas sempre escassas. Recentemente, nesta atual administração, o Arquivo voltou a pertencer a Fundação Cultural Petrópolis. Será que agora o Arquivo deixará de ser apenas um “apenso” da Biblioteca Municipal? Terá uma estrutura […] Read More

BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE A MEMÓRIA DOS COLONOS ALEMÃES

  Convidada para escrever um artigo comemorativo ao dia 29 de junho, a minha primeira reação – automática e prevista – foi buscar na minha memória dados para a escolha do tema. Nos dicionários, memória é a “Faculdade de reter as idéias, impressões e conhecimentos adquiridos anteriormente”. Quando queremos dizer que uma pessoa tem boa memória dizemos que ela tem “memória de elefante” e para expressar o contrário dizemos que ela tem “memória de galo”, mas a memória individual é sempre limitada e finita. Neste meu exercício, vários dados e nomes começaram a surgir. Vou citar apenas o do colega e amigo Francisco de Vasconcellos, pois foi o último dado recentemente armazenado na minha memória sobre o assunto. Durante uma de nossas últimas conversas, ele me esclareceu que Ricardo Martin foi o pseudônimo adotado por Guilherme Auler e, com a sua amabilidade, me presenteou com o seu livro “Câmara Cascudo do Potengí ao Piabanha”. Durante o processo de leitura foi se delineando na minha frente, de alguma maneira, o tema que eu procurava para marcar a minha modesta contribuição neste assunto, uma vez que nunca me dediquei particularmente a ele, como tantos outros fizeram e tem feito. Foi no capítulo “A Tribuna de Petrópolis de Guilherne Auler” que eu encontrei o que procurava: “…Numa daquelas treze naus que zarparam de Dunquerque às ordens de Delrue & Cia., conduzindo colonos germânicos que se destinavam a Petrópolis, viajava o casal Henrique Pedro Auler e Maria Margarida Auler, ele natural de Laudert, St. Goar, Koblenz. Em agosto de 1845, instalava-se o par no prazo 1626 do Quarteirão Castelânea, na Imperial Colônia serrana. Um neto desses emigrados, Cristóvão Guilherme, casado com a espanhola Ângela Martinez, radicou-se no Recife e aí, a 6 de janeiro de 1914, nasceu Guilherme Auler…” (grifo meu). “…Criador do Clube 29 de Junho, que se propunha a resgatar e defender as tradições culturais germânicas e teuto-brasileiras, oriundas do processo aculturativo nestas serras. Auler criou em sua folha um suplemento do Clube e trouxe para ele outros descendentes de alemães capazes de divulgar as atividades da agremiação. Gustavo Ernesto Bauer, foi um deles. A par disso, Auler através de matérias não assinadas ou por ele firmadas, ou ainda sob o pseudônimo de Ricardo Martin, procurou reanimar os arraiais germânicos de Petrópolis, tão duramente castigados pelas injustas perseguições durante a Segunda Guerra Mundial, abrindo-lhes espaços enormes na Tribuna onde pela primeira vez […] Read More

EDWIGES DE QUEIROZ OITENTA ANOS DEPOIS

  Parte 1 Legítimo rebento da zona rural fluminense, Manoel Edwiges de Queiroz Vieira veio ao mundo a 17 de outubro de 1856, na fazenda Bengalas, na então freguesia de Santana de Macacu, no atual município de Cachoeiras de Macacu.(1) (1) – Quando Edwiges de Queiroz nasceu, a então freguesia da Santíssima Trindade e Santana de Macacu, pertencia ao velho município de Santo Antonio de Sá, com sede na vila do mesmo nome, tendo sido esta criada em 15 de maio de 1679. Por questões de insalubridade, o decreto nº 1379 de 6 de novembro de 1868, transferiu o caput do município para a freguesia de Santana de Macacu. Em 29 de setembro de 1877, através do decreto nº 2244, o governo provincial modificou o nome daquela comuna fluminense, que passou a chamar-se Santana de Macacu, uma vez que há nove anos ali estava funcionando a sede municipal. Em 10 de dezembro de 1898, nova alteração de nome – Santana de Japuiba, e, em 27 de dezembro de 1923, deu-se mais uma transferência de local, passando a vila a funcionar na povoação de Cachoeiras de Macacu, que recebeu foros de cidade a 27 de dezembro de 1929. Seus pais foram o Coronel Emygdio Antonio Lopes Vieira e D. Deomethides de Queiroz Vieira. Criança ainda, sofreu acidente numa tacha de açúcar. O melado fervente mutilou-lhe a mão direita. O defeito físico perseguiu-o a vida toda. Muito vaidoso e elegante, jamais apareceu em público sem que tivesse a destra discretamente escondida no bolso da calça. Não há uma só fotografia sua em que a mão sinistrada se faça visível. Seus implacáveis adversários na vida pública fizeram desse infortúnio uma arma para feri-lo. A alcunha pejorativa de “Mãozinha” foi glosada em prosa e verso nos discursos inflamados, nas badernas de estudantes, nas sátiras populares, nas colunas desabridas e ferozes da imprensa. Aluno interno do Colégio Pedro II, bacharelou-se em humanidades em fins de 1874. No ano seguinte rumou para São Paulo onde matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, colando grau em Ciências Jurídicas e Sociais em 1879. De volta à terra natal, aí exerceu a advocacia por algum tempo. Em 1885 foi nomeado pelo Governo Imperial juiz municipal e de órfãos do termo de Santana de Macacu. Em 1887, acolhida sua solicitação, conseguiu transferência para o termo de Rio Bonito, mantendo-se na judicatura até 1889, quando já proclamada a […] Read More

PAINA, BELEZA CAÍDA DO CÉU (A)

A PAINA, BELEZA CAÍDA DO CÉU Arthur Leonardo de Sá Earp, Associado Titular, Cadeira n.º 25 – Patrono Hermogênio Pereira da Silva Os ventos de agosto e setembro estão espalhando pelo ar os levíssimos flocos de paina. Duvidamos que alguém não sinta a melhor sensação de gostosura, se se der ao trabalho de tocar num pouco de paina. É tão difícil reprimir a agradável surpresa, como é quase impossível definir com palavras o que seja “fofo”. As paineiras, nesta época do ano, já começam a estar cheias de suas características bolas de lã. Repare-se, por exemplo, naquela que existe ao lado norte da ponte de pedestres em frente ao Museu. Ou naquela perto do Inamps, no Bosque do Imperador. E pelo chão, em meio à sujeira que o Senhor Prefeito se esforça por recolher e que a pouca educação de nossa gente continua jogando pelas ruas, se encontram os felpos brancos, finíssimos. Serve isto como lição de vida. Entre restos de papel, copos usados, caixas quebradas, tampas de garrafa, vidros partidos, dejetos mal-cheirosos, sacos plásticos, panorama constante da civilização que dizemos ter, se pode descobrir o produto da natureza, como neve de pureza surpreendente. Se quisermos olhar, sempre poderemos encontrar beleza em qualquer ambiente ou situação. Ou nas coisas ou no coração das pessoas. Está tendo animador desenvolvimento o plano de, com fins muito mais amplos, interessar alunos na elaboração do Catálogo das Paineiras de Petrópolis. O Colégio Werneck já está trabalhando nisto. Há tesouros que advirão daí. Dos bons petropolitanos do futuro muitos identificarão no amor por sua terra uma das mais vivas fontes de sabedoria e de felicidade, encarnadas na indispensável poesia.

PAINEIRAS DE PETRÓPOLIS (AS)

AS PAINEIRAS DE PETRÓPOLIS Arthur Leonardo de Sá Earp, Associado Titular, Cadeira n.º 25 – Patrono Hermogênio Pereira da Silva Como dito no artigo anterior, as paineiras estão lindas! É boa a época para o início do largo plano que começa pela elaboração do mapa das paineiras de Petrópolis. As flores ainda permitem a fácil identificação, mesmo de longe. Estas árvores florescem nos meses de fevereiro e março e seus frutos de paina amadurecem nos meses de junho a setembro, conforme as zonas e altitudes do terreno. Entre outras várias utilidades, elas se prestam otimamente para a proteção do solo, contra desmoronamentos. Já vai adiantado o Catálogo das Paineiras Brancas (Chorisia Speciosa, St. Hill.) de Petrópolis, com a colaboração de diversas pessoas, pesquisadores amantes desta terra. Não há necessidade de grande ciência. Basta conhecer a paineira, ter olhos abertos, anotar sua localização e passar-me a informação. Não importa que muitos se refiram ao mesmo exemplar; isto servirá até para confirmar o registro. Enfim, aí está um trabalho conjunto que pode se denominar “Descubra uma paineira”. Para exemplificar, cito a seguir alguns dos dados já existentes no Catálogo. Para meu uso pessoal, que se quiserem pode ser generalizado, tomei a liberdade de batizar uma ou outra árvore, pelas razões que explico. Sob o nº 1 está a paineira situada no início da Av. Koeler, na margem direita do Rio Quitandinha, ao lado da ponte, de porte grande, batizada de “Koeler” pela posição e em homenagem ao capital vulto da história serrana, cujos restos mortais foram depositados nas proximidades. A de nº 2 se encontra no jardim do Palácio da Princesa, de porte grande, batizada de “Isabel” em homenagem à Regente. Com o nº 18 se inscreveu aquela que vive na rua Washington Luiz, na margem direita do Rio Quitandinha, em frente aos imóveis de nºs. 397-403, de porte grande, batizada de “Mora” pelas proximidades da famosa Fábrica de Bebidas Cascata e pela amizade de tão importante família proprietária da indústria. A “Sá Earp” é a de grande porte que se acha em primeiro lugar no início da rua deste nome, na margem direita do Rio Palatino, tendo no Catálogo o nº 5. Sob o nº 22 está a paineira jovem, de porte médio, localizada na margem direita do Rio Piabanha, diante do imóvel de nº 70 da Av. Barão do Rio Branco, batizada de “Zilah”, em homenagem à delicada e querida […] Read More