MEMÓRIA DO FUNDO DA BAÍA DA GUANABARA Antônio Eugênio de Azevedo Taulois, Associado Titular, Cadeira n.º 29 – Patrono Luiz da Silva Oliveira SUMÁRIO Apresentação 1.0 Ocupação da Baía da Guanabara 2.0 Ocupação do fundo da Baía da Guanabara 2.1 A doação de sesmarias 2.2 Fazendas e engenhos 2.3 As primeiras vilas e cidades 2.4 Aspectos humanos da ocupação 2.5 Aspectos sociais da ocupação 2.6 Aspectos econômicos da ocupação 2.7 Descrição das atrações e dos valores do fundo da Baía da Guanabara APRESENTAÇÃO O Fundo da Baía da Guanabara faz parte do cinturão verde que envolve a cidade do Rio de Janeiro e desde os anos 1600 participa de perto da sua história e suas tradições. Quando o Brasil Colônia era apenas uma nesga litorânea de terra do Nordeste até São Paulo, com engenhos de açúcar localizados aqui e ali, foi dessa região que se abriu a primeira porta de acesso oficial ao interior da colônia, o Caminho Novo, levando a administração pública, funcionários e a presença do estado português na comunidade, garantindo a ordem e o controle social necessário para a consolidação da unidade colonial. Pela primeira vez, a administração pública portuguesa se instalava no interior da colônia. Assim, era pelo fundo da Baía da Guanabara que passava toda a riqueza que o ouro “oficial” proporcionava. Lembrando essa época, muitos vestígios históricos arquitetônicos e econômicos, todos eles muito fortes, ficaram na região e ainda hoje permanecem vivos muitas vezes desconhecidos ou até mesmo desprezados por seus moradores. O movimento “Água Doce” pretende com uma série de artigos históricos sobre a memória do Fundo da Baía da Guanabara, que todo esse patrimônio cultural seja reconhecido, admirado e, principalmente, preservado para que possa motivar a auto-estima da atual e das futuras gerações nascidas nas históricas regiões de Magé, Suruí, Mauá, Guia de Pacobaíba, Inhomirim, Guapimirim e arredores. Vamos iniciar essa descrição pela ocupação de toda a Baía da Guanabara e depois passaremos para o fundo da baía que é o nosso objetivo principal. Iremos focalizar o desenvolvimento e os principais valores culturais, econômicos e sociais dessa região. A ocupação das margens da Baía da Guanabara começou logo após o descobrimento do Brasil e foi realizada por aventureiros, navegantes e exploradores portugueses e franceses que queriam conhecer, tomar posse e explorar as terras recém descobertas. 1.0 OCUPAÇÃO DA BAÍA DA GUANABARA Apesar de ter sido visitada antes por diversos navegadores, considera-se […] Read More
RESENDE, CIDADE E MUNICÍPIO – 204º ANIVERSÁRIO
RESENDE, CIDADE E MUNICIPIO – 204º ANIVERSÁRIO Cláudio Moreira Bento, Associado Correspondente Em 29 de setembro de 1801, o município e vila de Resende foram instalados em cerimônia pública que teve lugar no local da hoje Praça do Centenário. Presidiu a sua criação o seu donatário de honra , o Cel. Fernando Dias Pais Leme, bisneto do bandeirante Fernão Dias, o Caçador de Esmeraldas e descobridor das Minas Gerais . O Cel. Fernando comandava no Rio de Janeiro um Regimento de Auxiliares e havia comandado uma Companhia do 2º Regimento de Infantaria de Linha (O Novo) que participou da Guerra Guaranítica no Rio Grande do Sul atual de 1752/ 1759. Ele se deslocou para este ato desde a sua fazenda em Araperi, na Baixada Fluminense, sendo transportado em rede por escravos por estar doente e, segundo o Dr João Maia, o primeiro historiador de Resende, ”ele concorreu com todas as despesas da instalação do município e vila de Resende e sem nenhuma humilhação aos resendenses”. O Coronel Fernando herdara o direito adquirido por seu avô, Garcia Rodrigues, o construtor do caminho novo da Baia de Guanabara até as Minas Gerais, para de lá transportar o ouro e foi quando fundou Paraíba do Sul. O direito que adquirira pelo Alvará de 16 setembro de 1715, fora em razão de haver salvo o tesouro do Rio de Janeiro, o colocando a salvo, em local seguro, quando da invasão desta cidade em 1711, pelo corsário francês Duclerc. Direito consistente em poder levantar uma vila, numa das passagens do Rio Paraíba. Ele vinha dar cumprimento a ordem do 13º Vice-Rei e Capitão General de Terra e Mar do Brasil, o Tenente General (hoje General de Exército) D. Luiz de Castro e 2º Conde de Resende, que havia ordenado, 2 anos e 3 meses antes, em 1799, ao seu Juiz de Fora, a criação de uma nova vila no distrito de N. S. da Conceição do Campo Alegre da Paraíba Nova, “ em razão de interesses convergentes do donatário de honra da nova vila, a atual Resende, com os dos seus 100 moradores pioneiros, “para evitar-lhes os prejuízos da grande distância do Rio de Janeiro, onde deviam tratar de seus interesses administrativos.” Foram estes pioneiros resendenses que decidiram que a nova vila e município em Paraíba Nova, fosse dado o nome do título de seu criador, Resende. E isto ocorreu na instalação de Resende, […] Read More
SOLDADOS NEGROS FARRAPOS NA SURPRESA DE PORONGOS E NO CONVÊNIO DE PONCHE VERDE (OS)O
OS SOLDADOS NEGROS FARRAPOS NA SURPRESA DE PORONGOS E NO CONVÊNIO DE PONCHE VERDE Cláudio Moreira Bento, Associado Correspondente Em 16 nov 2004, no Rio Grande do Sul, o Correio do Povo, deu amparo, sem o contraditório, a interpretações históricas ” revisionistas ” radicais apresentando Davi Canabarro como traidor dos negros farrapos de Infantaria e Cavalaria, na Surpresa de Porongos. Isto “por se deixar surpreender mediante acerto com o Barão de Caxias.” Surpresa feita pelo famoso guerrilheiro imperial Chico Pedro ou Moringue e futuro Barão de Jacui “com vistas a matar os índios, mulatos e negros farrapos que poderiam prejudicar o processo de paz em curso.” Vejam que absurdo histórico !!! Henrique Oscar Wiedersphan, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul e hoje patrono de cadeira na Academia Militar Terrestre do Brasil em seu livro original e pioneiro, O Convênio de Ponche Verde (Porto Alegre: EST/Sulina/Universidade de Caxias do Sul, 1980), escreveu: “A respeito desta surpresa de Porongos há uma série de coincidências que chegariam a atingir Canabarro, ao ponto de que suscitaria séries suspeitas de haver sido o mesmo executado em conluio dele com o Barão de Caxias e até com Antônio Vicente de Fontoura, embora se tenha posteriormente conseguido desfazer tais suspeitas de modo cabal e definitivo.” E a base da acusação foi um ofício bem forgicado (falsificado) por Chico Pedro, como sendo assinado pelo Barão de Caxias para ele, no qual este lhe ordenava que atacasse Canabarro, pois este não resistiria conforme combinação entre ambos. E mais que ele aproveitasse “para atacar e eliminar os mulatos, negros e índios farrapos e poupasse sangue branco.” E esta falsidade atribuída a Canabarro fez o efeito esperado, entre os farrapos, num quadro de Guerra Psicológica, os quais em parte passaram a considerá-lo um traidor, até por interesse político escuso e como descarrego ou fuga de responsabilidades pelo insucesso militar da revolução que seria colocado assim na conta de Canabarro, “pelos demônios de todas as revoluções,” segundo Morivalde Calvet Fagundes, o autor do mais completo livro sobre o Decênio Heróico. Ou seja perto do fim do insucesso de uma revolução, ocorre a caça de um bode expiatório e no caso em tela foi Canabarro, não habituado às guerras de alfinetes.. E o ofício falsificado, que tantas injustiças provocou à bravura, à honra e até hoje à memória histórica de Canabarro, teve a seguinte origem: “Chico Pedro […] Read More
ESPORTE EM PETRÓPOLIS
ESPORTE EM PETRÓPOLIS Gabriel Kopke Fróes, Fundador, Patrono da Cadeira n.º 18 Honra-nos sobremodo a investidura que nos confere a Associação dos Cronistas Esportivos de Petrópolis de orador desta reunião. Somos, com certeza, dos menos credenciados a dirigir a palavra a uma assistência culta e seleta como esta que hoje aqui comparece. É que precárias são os nossos dotes oratórios e duvidosa é a nossa autoridade de historiador. Valha-nos, contudo, nossa boa intenção de, estudiosos do assunto, proporcionarmos algo de util ou interessante àqueles que se dedicam à causa do esporte em nossa Terra. Abrindo seu magnífico trabalho “Apontamentos para a História do Esporte em Petrópolis” publicado em 1943 no VI volume dos “Trabalhos da Comissão do Centenário de Petrópolis”, sentenciou Luiz Afonso d’Escragnolle: “Petrópolis, mercê de sua privilegiada situação topográfica e climatérica, elevada entre montanhas, plantada entre vales amenos, gozando de uma temperatura média de 18 graus, parece reunir todos os requisitos para ser o ambiente adequado à realização plena e propícia aos trabalhos do cérebro e ideal para a prática dos esportes”. Tem toda a razão o nosso conterrâneo. Petrópolis tudo possui para ser um grande centro esportivo – situação topográfica, clima, mocidade estudantil, espírito associativo – sem que, contudo, haja conseguido, até hoje, tornar-se, ao menos, um centro medíocre. Ainda recentemente, um largo e expressivo inquérito foi aberto em todo o país por um grande jornal carioca para apurar qual o município mais esportivo do Brasil e, no mesmo, o nome de Petrópolis não foi sequer citado. Entretanto, não se incrimine as gerações passadas de responsáveis por este estado de coisas. Ver-se-á, no nosso modesto trabalho, que os antigos não se descuraram, em absoluto, do desenvolvimento esportivo de nossa terra, tomando, não raro, iniciativas que precederam de muitos anos às de outros centros mais importantes do que o nosso. A primeira referência ao esporte que faz a história de nossa cidade – é ainda Luiz Afonso d’Escragnolle que consigna – está contida na noticia da morte do major Júlio Frederico Koeler, o fundador de Petrópolis. A 21 de novembro de 1847, quando em companhia de amigos, na chácara situada no local que hoje constitui o bairro da Terra Santa, praticava o major Koeler o tiro ao alvo, foi ele vítima do acidente fatal já por demais conhecido, dispensando-nos, por isto, de maiores detalhes. Foi, portanto, uma grande desgraça que assinalou o tiro ao alvo como o […] Read More
INAUGURAÇÃO DO JÚRI (A)
A INAUGURAÇÃO DO JÚRI Gabriel Kopke Fróes, Fundador, Patrono da Cadeira n.º 18 O Tribunal do Júri foi instalado em Petrópolis a 19 de setembro de 1859. A qualificação dos jurados terminara no dia 22 do mês anterior com a inscrição de 96 nomes de munícipes aptos ao desempenho da magna função de julgarem seus semelhantes, missão essa que, como bem ressaltaria Walter Bretz 60 anos mais tarde, redobrava de importância naquele tempo, pois, com a pena de morte em vigor, poderia levar um mísero pecador ao horror da forca. E dois dias depois, seriam sorteados os 48 jurados para servirem na sessão inaugural já marcada pelo juiz de direito da comarca dr. José Caetano de Andrade Pinto para o referido dia 19 de setembro. O foro petropolitano funcionava na ocasião na casa da Câmara Municipal à rua do Mordomo, em cujo salão foi instalado o chamado Tribunal Popular. A sessão foi aberta com a presença de 36 jurados, sob a presidência do dr. Andrade Pinto, funcionando como promotor público o dr. Júlio Acioli de Brito, e como escrivão, o tabelião Joaquim Júlio da Silva. Durou quatro dias e foram julgados cinco processos. “O juiz foi benévolo em sua primeira sessão – disse um jornal local – absolvendo todos os réus; não derramou sangue, nem fez arrostar cadeias; não privou ninguém de sua liberdade, antes a restituiu a alguns. Foi um belo exemplo, mas daí os díscolos que os verdadeiros criminosos ficarão impunes. A regeneração dos maus costumes populares, a correção dos maus instintos, estamos convencidos de que o Júri de Petrópolis há de consegui-las e praticá-las nos seus futuros julgamentos, quando as índoles más forem levadas a sua barra de tribuna”. O banco dos réus foi usado pela primeira vez por José Teixeira de Azevedo, seguindo-se-lhe, no mesmo dia, as senhoras (ou senhoritas?) Gertrudes e Luiza Wendling. E a dupla Manuel Antônio Lopes – André Koslowski encerraria a sessão inaugural. Como já foi dito, o Júri absolveu todos os acusados. Se foi ou não justo, não vem a pelo discutir agora, quando são passados tantos anos. Vale, no entanto, comentar os aspetos pitorescos. José Teixeira de Azevedo, por exemplo, que respondeu atarantado ao interrogatório do juiz, devido à responsabilidade do papel histórico de reu-primeiro por ele assumido, fora acusado de agressão física a um menor – Motivo: o menino roubara as três galinhas de estimação do galinheiro do […] Read More
VICENTE AMORIM
VICENTE AMORIM Gabriel Kopke Fróes, Fundador, Patrono da Cadeira n.º 18 Vicente Amorim, o grande amigo de Petrópolis, nasceu em Vitória, capital do Espírito Santo, a 15 de março de 1873. Jornalista nato, muito cedo iniciou sua atividade literária com a edição do seu semanário “Meteoro” na terra natal. Dai em diante sua vida de jornalista dos mais brilhantes e fecundos, jamais seria interrompida. Em 1893, estava ele no Rio Grande do Sul escrevendo no vespertino “O Rio Grande do Sul” e em 1896 em “O Estado”. Ainda em 1896, Vicente Amorim, já no Rio de Janeiro, ingressou na Imprensa Nacional, passando em breve a fazer parte da redação do “Diário Oficial”. Em 1914, foi designado para servir junto à Secretaria da Presidência da República no governo do presidente Wenceslau Braz com as funções de encarregado do serviço de informações. Exerceu o cargo até se aposentar do serviço público sem que houvesse gozado licença ou férias. Na imprensa carioca, teve papel saliente em quse todos os jornais, entre os quais, O Paiz, Gazeta de Notícias, A Época, O Imparcial, Rio-Jornal, A Pátria, e Jornal do Brasil. Foi como correspondente do “Jornal do Brasil”, no entanto, que Vicente Amorim se identificaria com os petropolitanos. Suas crônicas leves e graciosas, sempre amáveis para Petrópolis e suas coisas, publicadas anos a fio, espontaneamente, no grande jornal carioca, comoveram os filhos da Rainha das Serras, como, então, era chamada a Cidade Imperial. Jamais foi feita melhor propaganda cidadina do que aquelas crônicas. Fixando residência em Petrópolis, Vicente Amorim logo foi admitido na Academia de Letras e no Instituto Histórico e durante largos anos colaboraria na imprensa local, chegando a dirigir a “Tribuna de Petropolis” durante algum tempo. A 15 de março de 1952, foram comemorados os 50 anos da vida profissional de Vicente Amorim, ocasião em que “Tribuna de Petrópolis” proclamou-o decano dos jornalistas brasileiros. Sua colaboração na imprensa petropolitana versou, em geral, sobre a história da cidade, focalizando, entre outros assuntos, o Palácio de Cristal, o Centenário, o Verão, o 29 de Junho, a Estrada de Ferro, a Estrada União e Indústria e a Princesa Isabel. Publicou ainda na Tribuna de Petrópolis de 5 a 13 de julho de 1950 a revista-fantasia “Petrópolis antes e depois”, sendo sua a letra e de Deoclécio Damasceno de Freitas a música. Os seus últimos anos viveu-os em Areal, localidade, sabidamente, possuidora de clima favorável aos […] Read More
VIGARINHO (O)
O VIGARINHO Gabriel Kopke Fróes, Fundador, Patrono da Cadeira n.º 18 Monsenhor Teodoro da Silva Rocha foi o que se pode chamar um bom vigário. E muito querido, como todos seus paroquianos sempre faziam questão de demostrar-lhe. A começar pelo nome pelo qual de preferência era chamado: Vigarinho. Vigarinho, um pouco, por ser pequeno de estatura; mas muito mais por carinho e amizade. Após 24 anos de vicariato, já morto, dele dir-se-ia: “A vida do vigário de Petrópolis sintetizou-se nesta idéia: o pároco não viveu para si, viveu para os paroquianos. Sim, o Vigarinho viveu só para os petropolitanos, porquanto, logo que se ordenou, para aqui veio e aqui deveria morrer. Teodoro da Silva Rocha nasceu na fazenda de São Pedro dos Rochedos, no município fluminense de Valença, a 31 de julho de 1873. Aos 13 anos, já adiantado nos estudos sem haver frequentado a escola, foi internado com um seu irmão no Seminário de São José do Rio Comprido, no Rio de Janeiro. Seus pais, ao matriculá-lo no Seminário, visavam a aproveitar, tão somente, o colégio eficiente provido de bons professores. Breve, porém, revelar-se-ia e haveria de prevalecer a vocação de um predestinado. A 10 de abril de 1887, festa da Páscoa da Ressurreição, foi o dia da Primeira Comunhão de Teodoro. Que se passaria entre a alma da criança e Jesus? Que comunicaria Deus a Teodoro e que prometeria, em retorno, Deus a Teodoro? O que se soube foi apenas que, após o ato sagrado, interrogados os dois irmãos se pretendiam seguir a carreira eclesiástica, só Teodoro respondeu afirmativamente: – “Eu não vim aqui senão para ser padre e é o que quero ser”. E assim foi. Dom Francisco do Rego Maia, Bispo de Niterói, conferiria ao jovem sacerdote em 1896, sucessivamente, o sub-diaconato, a 30 de maio; o diaconato, a 13 de dezembro; e o presbiterato, a 19 de dezembro. A 14 de novembro de 1897, por força do Decreto Consistorial do Papa Leão XII designando Petrópolis sede do Bispado Fluminense, o Bispo Dom Francisco do Rego Maia fazia a sua entrada solene em nossa cidade, trazendo consigo, como escrivão da Câmara Eclesiástica, o padre Teodoro da Silva Rocha. Em 1898, não obstante suas absorventes funções na Câmara Eclesiástica, padre Teodoro foi designado também capelão da Escola Doméstica Nossa Senhora do Amparo. E a 28 de janeiro de 1901, apenas com 28 anos de idade, o […] Read More
NO SEU DIA, AMIGO!
NO SEU DIA, AMIGO! Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Associado Titular, Cadeira n.º 14 – Patrono João Duarte da Silveira Maior que o dia das mães ou o dos pais, assim é o Dia do Amigo, comemorado hoje, 20 de julho. “Mãe só tem uma!” – diz tudo o fraseado popular. A mãe, porém, não é uma escolha, é destino e, por vezes (ah, tristeza!) ela não corresponde aos anseios do filho. O pai, ah! este é mesmo difícil porque, antes do DNA dizia-se que “pai é uma presunção” e nem sempre valia o que estava escrito na certidão do filho, como não vale para muitos registrados com testemunhas e tudo nos cartórios da especialidade. O amigo… ah!, o amigo, este sim é uma escolha, sua ou dele; é um consentimento para o relacionar pelo resto da vida entre pessoas sem vínculos de parentesco ou, até, sob esta circunstância. Existem irmãos amigos e inimigos, parentes serpentes, mães, pais e filhos que não transitam juntos pela mesma porta. A amizade contém o sagrado; a devoção à sinceridade, à franqueza, ao dar-se à confidência e mesmo entregar-se àquele da devoção amiga. Não se trata de relacionamento sexual, onde a paixão carnal dos sentimentos predomina; antes de tudo, a amizade traduz pureza, aliança, alegria, mãos estendidas… Amigos estão fora das grandes estatísticas; contam-se pelos dedos das mãos, não caem como chuva do céu da imaginação, chegam pelo sentimento aliado à bondade. Para o amigo a distância não existe, nem o tempo do célere calendário, nem a proximidade mais estreita; a amizade, por vezes, não tem cumprimento de mãos nem cumplicidade de olhares e, até, transpõe os limites da morte. O amigo por perto é excelente; mas ele pode estar muito distante no tempo e no espaço e a lembrança boa e sincera dele perdura; se falecido, uma lágrima furtiva, uma lembrança enternecida, o ouvir de sua voz de aconselhamento e de ajuda, mantém eterno o sentimento e reforçam a saudade. Tive amigos, tenho amigos, sou feliz porque os possuo. Meu pai, felizmente, foi o meu maior amigo e, com minha mãe, sob esforços inimagináveis, forjaram o que sou. Ainda os ouço e sigo. E, para deixar registro, um amigo não parente, verdadeiro amigo meu e de todos à sua volta, merece citação, porque seu exemplo de figura humana perdura além do limite da morte e, assim, na lembrança através dos vindouros tempos: […] Read More
JOÃO PAULO II
JOÃO PAULO II Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Associado Titular, Cadeira n.º 14 – Patrono João Duarte da Silveira As estridentes trombetas do passado guerreiro, os espocares das metralhas das guerras hodiernas, a falsidade humana do egoísmo atávico, silenciam na noite do espanto anunciado. Chegam reis e paupérrimos homens de todos os limites da Terra para honrar o Homem que parte para a santidade. O corpo é exposto ao Mundo inteiro, como jamais ocorrera; eis que a mídia poderosa divulga o desenlace e toda a preparação para o sepultamento. A serenidade do rosto, as mãos postas em oração, o corpo untado com as vestes santas, aureolam a beleza daquela Vida de extremada entrega aos Homens de Boa Vontade. Juntam-se aos piedosos os ímpios; anelam-se nos cumprimentos ao derredor os áulicos da subserviência aos pecados mortais do Mundo; acercam-se mãos em oração devota junto a lágrimas de sincero sentimento; poderosos ajoelham seus olhares últimos em reverência protocolar; júbilo do Infinito pelo cumprimento dos desígnios de Deus. O Papa deixa o sofrimento do corpo espalhar-se pela serenidade da matéria inerte enquanto as lágrimas sinceras do mundo balsamam gotas de amor pelo conturbado planeta. A esfera comprime-se diante da pressão do sentimento e, por segundos mágicos, aformosea-se em coração latente deixando o Universo ofuscado pela luz intensa que dele parte e celeremente funde-se ao Infinito. Prosterna-se a Humanidade diante de um grande líder que fez do amor, da coragem, do desassombro, da sinceridade, da fraternidade, da sabedoria, da presença encantada, do respeito humano, da compreensão ecumênica, da luta pela Paz, pela face bondosa mesmo que em esgar de sofrimento… Enfim, criatura humana porfiante, sinta o verdadeiro Amor nessa partida que há-de de ser corolário de novo tempo, continuando o projeto do Santo Papa. Do Papa Santo. A Igreja Católica, Apostólica, Romana, do Mundo, do Brasil, e todos os credos justos e efetivamente perto de Deus, estende os braços do Papa a todos de Boa Vontade. O santo surge pela vontade de Deus e por suas obras no Universo. “Habemus Papam” e que seja da mesma santidade daquele que hoje beija o Céu como sempre osculou todas as terras nas quais peregrinou pela Santa Paz. Graças a Deus!
DESRESPEITO
DESRESPEITO Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Associado Titular, Cadeira n.º 14 – Patrono João Duarte da Silveira As empresas concessionárias dos serviços públicos de transporte de passageiros inovaram em Petrópolis. Criaram o caos e o absurdo contra os idosos e escolares. A forma encontrada, para o protesto empresarial contra as leis de amparo aos idosos e escolares, foi a instalação da roleta pela porta da frente, reservando lugares para os idosos em número ínfimo e sob grande aperto porque aquela zona do coletivo está cercada de muitos elementos inibidores de uma circulação menos comprimida. Acotovelam-se os idosos e escolares em poucos assentos e viajando em pé, com total desconforto, numa crueldade infinita contra aqueles que edificaram a existência das novas gerações e deram sua contribuição em favor do caminhar da sociedade. A revolta é grande e infelizes idosos não têm como protestar convenientemente porque, no coletivo, se o fazem, recebem agressões verbais e muitos chega-pra-lá. Por outro lado, a criançada das escolas públicas, com o mesmo “direito”, pisoteia, dá trancos, oferece o retrato de suas vidas cercadas pela violência e despreparo social para a vida. Está na hora da autoridade municipal, que administra a concessão, tomar conhecimento de toda essa crueldade e ordenar que a lei seja cumprida e que se ache uma solução melhor e mais humana. O idoso petropolitano está sendo tratado como lixo nos coletivos. Eis a verdade. Quanto ao transporte de escolares existe uma solução: o Município de Petrópolis poderia dar uma resposta definitiva ao tema do transporte de escolares da rede pública em seus deslocamentos escolares, assumindo o transporte gratuito dos estudantes, mantendo circulando frotas de ônibus escolares, como existem nos principais centros do Mundo. Os famosos ônibus amarelos dos Estados Unidos é exemplo de sucessso no atendimento ao problema. Aliás, com os ônibus escolares, terminaria o problema e a solução apareceria sem aflições e sem prejuizos dos empresários concessionários. E, até, a tarifa escorchante seria minimizada. É uma questão simples de vontade política e visão administrativa.