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Raul Ferreira da Silva Lopes

SONHO DE UMA CIDADE CINEMATOGRÁFICA – CONCLUINDO (O)

  O SONHO DE UMA CIDADE CINEMATOGRÁFICA – CONCLUINDO Raul Ferreira da Silva Lopes, associado efetivo titular da cadeira n.º 32, patrono Oscar Weinschenck A pesquisa, às vezes, não consegue alcançar todos os documentos que a completariam em tempo hábil. Foi assim no caso deste artigo publicado na edição de aniversário do I.H.P. Após sua publicação, recebemos uma gentil carta de Vitorino Chermont de Miranda (do Instituto Brasileiro de Geografia e História), contestando a data da compra da Fazenda pela CBC (Companhia Brasil Cinematográfica) como avaliamos. Lembrou-se ele de que havia guardado um exemplar da Revista SELETA, nº 10, de 05 de março de 1921. No artigo apresentado, havia três fotos do Castelo São Manoel. Na principal, em frente ao Castelo e nas escadarias do mesmo, um grupo de pessoas e a legenda assim explicava: “Na recepção no Castelo São Manoel – grupos de convidados do casal Oscar de Teffé, vendo-se ao centro os Drs. José Carlos Rodrigues, Afrânio Peixoto, o Conde de Leopoldina e Sua Sra., e o Dr. Leitão da Cunha.” Como se vê, em 1921 a Fazenda ainda pertencia ao casal Oscar de Teffé, e não podia ter sido comprada pela CBC em 1919, quando ela havia atingido o incrível número de ter 400 casas de exibição de filmes, donde imaginamos a suposta data de compra, com o objetivo de produzir filmes para abastece-las. No nosso artigo anterior, publicamos uma carta-requerimento da CBC, em 1927, dirigida ao Prefeito de Petrópolis, em que solicitava a instalação de iluminação pública e informava a venda de lotes do loteamento que haviam implantado na Fazenda, bem como a construção de 20 bangalôs. Está claro que a venda da Fazenda se processou, então, entre 1921 e 1927 Confrontando a história da CBC com os dados acima apresentados, poderemos chegar próximos da real data da compra e venda da Fazenda do Castelo São Manoel. Francisco Serrador, presidente da CBC, ficou nos Estados Unidos de 1922 a 1925, onde foi se aprimorar nos conhecimentos de produção de filmes, em Hollywood e em montagem e realização de musicais na Broadway. Voltando ao Brasil em 1925, inaugurou, no Rio de Janeiro, o Quarteirão Serrador, hoje Cinelândia, e nele o Cine Capitólio, o mais “chic,” na época, do Rio. Como já temos o espaço entre 1921 e 1927 para a data real da venda da Fazenda e a compra pela CBC, tranquilamente podemos avaliar a data em […] Read More

SONHO DE UMA ‘CIDADE CINEMATOGRAFICA’ (O)

  O SONHO DE UMA ‘CIDADE CINEMATOGRÁFICA’ Raul Ferreira da Silva Lopes, associado efetivo titular da cadeira n.º 32, patrono Oscar Weinschenck Aconteceu em Petrópolis, mais especificamente em Corrêas. Uma história interessante que estava fragmentada e com partes por esclarecer. No final ela nos levará à origem do Bairro do Loteamento do Castelo São Manoel. No início do século XX – não encontramos registro de data – o penúltimo proprietário da Fazenda da Olaria, segundo Antonio Machado, foi Oscar de Teffé (irmão de Nair de Teffé) que a adquiriu de Alberto Guimarães Azevedo, pela importância de trinta e oito contos de réis. O nome de Fazenda da Olaria se deve ao fato de nela ter existido olaria de fabricação de telhas. A matéria prima, o barro, era extraído da própria fazenda. A topografia era ondulada e a vegetação muito exuberante. O ambiente provocante fez com que o novo proprietário procurasse tornar o sítio mais atraente. A sede da fazenda, em estilo colonial, já estava em decadência e fez com que Oscar de Teffé a demolisse e, no mesmo lugar, construísse um novo domicílio: um Castelo todo em pedra e em estilo irlandês. A interessante construção era servida por extensa escadaria e tinha em sua fachada dois torreões. O elegante edifício conseguiu realizar um pouco da ilusão de um remoto passado medieval. Por informações verbais e por nossa avaliação, a data da construção deve ter ocorrido por volta de 1908 / 1909. O Castelo foi construído numa área de 578m² (28 m x 23,50m), o que o coloca quase como uma miniatura dos castelos originais da Europa, com seus compartimentos e salões amplos. Os ambientes são de pequenas dimensões, com exceção do quarto principal que é mais amplo e servido por um banheiro todo em mármore. É composto por um andar térreo e um subsolo habitável. A curiosidade está nos torreões, os quais Teffé reservou para onze quartos com banheiros, o que nos leva a crer que, além de seu domicílio propriamente dito, preocupou-se com digna hospedagem para ilustres personagens e amigos, convidados ou visitantes. Esmerou-se na decoração, adquirindo móveis de estilos antigos e raros e com adornos de arte decorativa, bem como estatuárias de mármore. Do lado externo, mandou construir uma ampla piscina ornamentada por uma fonte luminosa, além de cuidar do paisagismo, aproveitando os bosques que circundavam o Castelo, Ainda segundo Antonio Machado, Oscar de Teffé não usufruiu de […] Read More

DECRETO DE CRIAÇÃO DO MUSEU IMPERIAL – (HOMENAGEM, IN MEMORIAM, A ALCINDO SODRÉ)

  DECRETO DE CRIAÇÃO DO MUSEU IMPERIAL – (Homenagem, in memoriam, a Alcindo Sodré) Raul Lopes Alcindo Sodré, médico, historiador e um dos mais destacados professores de História da cidade, foi o grande responsável pela criação do Museu Imperial. Nas longas estadias do Presidente Getúlio Vargas em Petrópolis, Alcindo Sodré batalhou junto ao Presidente para que fosse criado o Museu Imperial no ex-Palácio Imperial. Conseguiu seu objetivo e logo após a promulgação do decreto (29-03-1940), foi nomeado seu primeiro diretor. Exerceu-o de 06-04-40 até seu falecimento em 1952. Ele só se afastou da direção do Museu no período de 03-04 a 21-11-1945, para assumir a Prefeitura Municipal de Petrópolis, nomeado pelo então interventor Amaral Peixoto para substituir o Prefeito Márcio de Mello Franco Alves. Após o decreto e a nomeação de Alcindo Sodré, começou a organização e adaptação do prédio para museu e a composição de seu acervo. A inauguração deu-se em 16 de março de 1943. Hoje é o nosso maior patrimônio turístico-histórico-cultural de Petrópolis e não se pode imaginar, hoje, o que seria a nossa cidade sem ele… Como patrimônio nacional é o segundo mais visitado depois de Itaipu. A média anual fica em torno de 240.000 visitantes e hoje tem mais uma atração extra: o show Som e Luz, em seu pátio. Ao publicarmos o decreto, temos que enaltecer e relembrar a figura de seu idealizador e primeiro diretor: Alcindo Sodré, in memoriam. DECRETO-LEI N. 2096- 29 de março de 1940 Cria, na cidade de Petrópolis, o Museu Imperial O Presidente da República, usando da atribuição que lhe confere art.180 da Constituição, decreta: Art. 1º. Fica criado o Museu Imperial, na cidade de Petrópolis. Art. 2º. O Museu Imperial terá por finalidades : a) recolher, ordenar e expor objetos de valor histórico ou artístico referentes a fatos e vultos dos reinados de D. Pedro I e, notadamente, D. Pedro II ; b) colecionar e expor objetos que constituam documentos expressivos da formação histórica do Estado do Rio de Janeiro e, especialmente, da cidade de Petrópolis; c) realizar pesquisas, conferências e publicações sobre os assuntos da história nacional em geral e, de modo especial, sobre os acontecimentos e as figuras do período imperial, assim como da história do Estado Rio de Janeiro e, particularmente, da cidade de Petrópolis. Art. 3º. O Museu Imperial será instalado no antigo Palácio Imperial, na cidade de Petrópolis. Art. 4º. Ficam criados no Quadro […] Read More

OBELISCO

  OBELISCO Raul Lopes Obelisco, marco histórico de nossa cidade, não tem recebido a devida atenção que merece. Ouve-se, freqüentemente, que ele é uma homenagem aos colonos que aqui aportaram… Ele só é lembrado no dia da Fundação de Petrópolis, 16 de março, e só homenageiam Koeler e os colonos. Mas será que o motivo principal dele ser erguido foi só esse? Não! O que está faltando é informação. O fato histórico que o criou foi o 1º Centenário da elevação de Petrópolis à categoria de cidade: 27 de setembro (1857-1957). O Obelisco tem 20 metros de altura e em sua base estão afixadas quatro placas de bronze principais: a principal delas fica frontal à Praça D. Pedro e tem os seguintes dizeres: “Este monumento, marco comemorativo do 1º Centenário da elevação de Petrópolis à categoria de cidade (sic), foi mandado construir pelo Prefeito Dr. Flávio Castrioto de Figueiredo Mello, para, perpetuando o nome dos que ajudaram Koeler a construir esta cidade, indicar às gerações futuras, pela contemplação desse passado, o caminho do trabalho, da comunidade e do progresso”. Aí está o completo sentido da existência do Obelisco… Abaixo dessa placa constam os nomes de todas as autoridades presentes à inauguração. Ele foi inaugurado em 29 de setembro de 1957, por ser domingo. O projeto é do engenheiro Glass Veiga e a execução do engenheiro Ellyr Allan Rodrigues. Nas outras três placas, todas do mesmo tamanho, afixadas nas três outras faces da base, estão os nomes dos que ajudaram a construir esta cidade e os nomes dos primeiros colonos alemães que aqui chegaram (de 29/06/45 a 31/01/46). Sobre estas placas há um fato curioso: continham erros de grafia em muitos nomes e até alguns nomes que não eram de colonos. Esses erros permaneceram por 39 anos. Quando foi Prefeito, Sérgio Fadel, o associado do I.H.P., José De Cusatis, conseguiu sensibilizá-lo a mandar corrigir as placas. Foi solicitada a revisão ao associado do I.H.P., Paulo Roberto Martins de Oliveira, pesquisador sistemático da genealogia dos colonos, para apresentar os nomes corretos. Assim foi feito. O Prefeito Sérgio Fadel mandou, então, refundir as placas com as devidas correções e as reinaugurou em 29 de junho de 1996, ainda dentro dos festejos do Sesquicentenário. Nenhuma administração, até hoje, que se saiba, prestou qualquer homenagem à data histórica de 27 de setembro, junto ao Obelisco, como deveria ocorrer! Aqui cabe, com o devido respeito, uma […] Read More

CERTIDÃO DE BATISMO DE PETRÓPOLIS (A)

  A CERTIDÃO DE BATISMO DE PETRÓPOLIS Raul Lopes Até o final dos trabalhos da Comissão do Centenário de Petrópolis, havia uma polêmica sobre a verdadeira data da Fundação de Petrópolis: 29 de junho ou 16 de março. A Comissão foi instalada em 05 de setembro de 1937 e funcionou até 12 de novembro de 1939. Foi instituída pelo Ato nº 704 de julho de 1937, pelo então Prefeito Yeddo Fiúza, com a finalidade de “propor ao Governo Municipal as medidas que julgar oportunas e necessárias para o brilho das homenagens a serem projetadas e coligir os dados e documentos que facilitem a elaboração da História da cidade.” (obviamente acabar com a polêmica das datas…) “Foram indicadas 27 pessoas, figuras representativas da cidade e outros residentes fora do Município, mas ligadas a Petrópolis pela atuação pública de seus antepassados, ou, ainda, pelo próprio renome dos convidados.” A coletânea dos trabalhos produzidos foi impressa em sete volumes. Cabe assinalar que o Ato nº 704, que instituiu a Comissão, foi indicação da Câmara Municipal, de cujos “considerandos” destacamos o seguinte trecho: “pela necessidade do poder público tomar iniciativa sobre a História de Petrópolis, bem como cogitar de todas as medidas capazes de dar brilhantismo a esse acontecimento” (o Centenário). Alcindo Sodré, secretário-geral da Comissão, no primeiro volume, apresentou um extenso trabalho sob o título “Fundação de Petrópolis”. Nele foram esmiuçados documentos oficiais e obras que continham referências ao que levou esta região a gerar nossa Petrópolis. Para ilustrar o estudo que definiu a verdadeira data da Fundação de Petrópolis, pinçaremos alguns trechos desse brilhante trabalho. “Durante muitos anos e até fins da década de trinta, a maioria dos que se referiam ao assunto, registrava a data de 29 de junho de 1845, como a data da Fundação de Petrópolis. Entretanto 29 de junho não resiste à análise dos fatos históricos.” “Os jornais da época, o Almanaque Laemmert, o Guia de Petrópolis, de J. Tinoco, levaram Henrique Raffard a escrever o “Jubileu de Petrópolis”, em 1845, repetindo o erro original.” (…) 29 de junho é a data da colonização de Petrópolis, com a chegada da primeira grande leva de emigrantes alemães, mas não a sua fundação como as avaliações de documentos e fatos ocorridos na região confirmam.” (…) Quando o Imperador D. Pedro II assinou o Decreto de 16 de março, ele tinha, apenas, 17 anos e três meses. Eram muito próximos a […] Read More

ANTÔNIO MACHADO E CORRÊAS

  ANTÔNIO MACHADO E CORRÊAS Raul Lopes Em alguns informes do I.H.P. aparecem como fonte textos de Antônio Machado. Afinal quem é esse personagem? A velha casa da Fazenda do Padre Corrêa, várias vezes recuperada, transformou-se, em 1919, no Hotel D. Pedro II. Teve três proprietários: Stipen & Cia. até 1921; sucedeu-os Rocha & Cia. até 1923. A partir desse ano o novo proprietário foi Antônio Machado, um bem-sucedido comerciante de fumos no Rio de Janeiro. Ele veio para Corrêas em maio de 1922, em busca de um clima saudável que lhe proporcionasse a cura de uma tuberculose de segundo grau. Como estalajadeiro e entusiasmado pela região, adquiriu a casa da Fazenda e os terrenos que ainda lhe pertenciam. Nas horas em que as folgas o permitiam começou a pesquisar a região e seus antecedentes. Vasculhou documentos familiares e arquivos oficiais, impressos e jornais de Petrópolis e Rio de Janeiro e testemunhas que ainda viviam pela região e conheciam ou participaram da história local. Deve-se a Lourenço Luiz Lacombe a descoberta da monografia, não publicada, sobre Corrêas, elaborada por Antônio. No prefácio do IV volume dos Trabalhos do Centenário de Petrópolis, Lacombe explica sua participação nessa descoberta, além de nos dar um perfil de Antônio Machado. “Corrêas, agosto de 1939″. “Um trabalho como este dispensa apresentação; ela está contida no próprio nome do autor: Antônio Machado. Um nome que é um símbolo. Ninguém melhor para escrever a história de Corrêas, da qual era conhecedor e apreciador como nenhum outro. E era exatamente de estranhar o fato de não haver publicado… Por isso, como quem encontra uma coisa muito procurada, deparei, inesperadamente, entre papéis seus, (a mim confiados pela gentileza cativante da Exma. Viúva Machado) com o manuscrito desta monografia. Eram perto de 150 folhas de almaço, onde se alinhavam coladas, corrigidas e anotadas as suas melhores crônicas referentes ao assunto. À primeira vista pareceu-me um trabalho pronto para imprimir. Tanto que, com a devida vênia de sua Depositária, propus-me encaminhá-lo à Comissão do Centenário para a imediata publicação. Depois de um exame e leitura demorada, concluí carecer o trabalho revisão e anotações, dispondo-me logo a fazê-lo. Quero explicar assim, qual foi minha colaboração, profanando esse trabalho de Machado, que ora sai impresso. Em primeiro lugar achei justo retirar o pseudônimo com o qual assinava o livro, substituindo-o pelo seu próprio nome. A seguir alterei um pouco a ordem dos capítulos, […] Read More

PARABÉNS SESC-RIO E SANTA CECÍLIA…

  PARABÉNS SESC-RIO E SANTA CECÍLIA … Raul Lopes É extremamente gratificante para a cultura de Petrópolis a nova diretoria da Escola de Música Santa Cecília ter sentado à mesa para acertar um convênio com o SESC/Rio, sobre o teatro. O mesmo foi feito, há tempos, com o Teatro Ginástico do Rio colocando-o como um dos melhores da cidade. Na realização da primeira fase desse convênio, com as reformas que foram feitas no Teatro Santa Cecília, para abrigar o Festival de Inverno, Petrópolis ganhou “novo teatro” de alto gabarito… Jamais a Escola teria condições financeiras de chegar a tanto. Em 1976 houve uma tentativa de se chegar lá, embora só uma parte, a principal, tenha se conseguido. Com intuito de enriquecer a história da Escola e complementando o folheto fartamente distribuído sob o título “De volta à cena”, registrarei aqui, para futuras pesquisas, o que aconteceu em 1976/1977. Após o término do contrato dos 20 anos do Cine Art-Palácio nesse ano, a Escola ficou com um “elefante branco” em seu patrimônio. Lutando sempre com limitações financeiras, como voltar o teatro a ser Teatro? Tentarei, resumidamente, narrar como foi possível chegar lá. Na época, era presidente da Escola o professor Joaquim Eloy Duarte dos Santos que me solicitou uma sugestão. A primeira pergunta foi: quanto a Escola poderia disponibilizar para se apresentar uma sugestão? A resposta foi que havia duas Letras de Câmbio no valor de 130 mil cruzados, que poderiam ser transformadas em moeda corrente. Contatamos, primeiro, a Funterj (Fundação de Teatro do Rio de Janeiro) que, na época, era presidida pelo senhor Geraldo Matheus Torloni. Solicitamos se era possível a Funterj ajudar na recuperação do teatro em troca de participação no projeto de interiorização da cultura teatral no Estado. Sofremos pressão para o escritório de Fernando Pamplona fazer o projeto. Aceitamos, em princípio, desde que nos fosse dado o orçamento para o projeto e os seus detalhes propostos. Ao recebermos o orçamento, ficamos lívidos e desanimados, pois o seu valor atingiu a cifra de 80 mil cruzados, só o orçamento para o projeto!… Propus ao presidente que, se tivesse confiança, eu faria o projeto para o levantamento do palco, o que foi aceito. Aprovado este, partimos para a realização: compramos 300 metros de veludo; mandamos confeccionar a parte de ferragens e, com a ajuda de amigos, partimos para a montagem. Com o devido respeito e agradecimento somos obrigados a […] Read More

DESCASO POR UM MOMENTO

  DESCASO POR UM MONUMENTO Raul Ferreira da Silva Lopes, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 32, Patrono – Oscar Weinschenck, falecido Palácio de Cristal! Muito já escreveu – e até se lutou – sobre o descaso por que vem sofrendo, administração após administração, o nosso importante monumento: o Palácio de Cristal. Reformar ou restaurar? Haverá diferença entre estas duas soluções? Alguns já o fizeram, maquiando com massa e tinta as feridas corrosivas da ferrugem, sem nada mais fazerem. Restaurar é que é fundamental. A tecnologia metalúrgica e a solda modernas têm meios de restaurar, sem adulterar o visível, a estrutura de ferro e afins. Essa estrurura não pode ser remendada com ofensas à sua originalidade. E essa originalidade é que o coloca com um importante e valioso monumento de nossa cidade e também um monumento de nossa cidade e também um monumento internacional, porque sua origem está na grande Revolução Arquitetural dos séculos XVIII/XIX, donde ele foi projetado e executado. Sobre este assunto, com a finalidade de avivar – e quem sabe, até sensibilizar a quem de direito – vamos rememorar o fato e a época da qual se originou o Palácio de Cristal. Pesquisando na “História da Arte” de Germain Bazin, do Museu do Louvre, destacamos um capítulo destinado à Revolução Arquitetural (págs. 400 a 406). Vamos resumir os fatos que nos ligam a eles pelo nosso monumento. “A técnica do ferro, com o desenvolvimento de sua tecnologia durante a Revolução Industrial, começou a colocá-lo na aplicação em construções de pontes, gares, edifícios industriais, na Inglaterra, em fins do século XVIII. Depois penetra na arquitetura de habitação com o Pavilhão Brigthon, concepção de John Nash, onde o ferro é empregado com tijolo (1816-1820).” “Após essa experiência bem sucedida, surgiu o famoso e majestoso Palácio de Cristal – tipo estufa – da Exposicão Universal de 1851, inteiramente de vidro numa armadura de ferro, onde se realizava o ideal de uma arquitetura transparente.” Este Palácio infelizmente, mais tarde, foi destruído pelo fogo. Aqui cabe uma observação: Porque a Inglaterra, mãe da Revolução Industrial, não o recuperou? Pelo simples fato de que teria de maquiá-lo com materiais modernos prostituiria a concepção original e seus materiais de época, tirando-lhe todo o valor histórico como exemplar de uma era, logo eles que são os criadores da nova ciência: a Arqueologia Industrial. “Por volta de 1850, inicialmente com pequenos projetos esporádicos, a arquitetura de ferro desenvolveu-se […] Read More

CAPELA DOS CORRÊAS E SUA SUCESSORA (A)

  A CAPELA DOS CORRÊAS E SUA SUCESSORA Raul Ferreira da Silva Lopes, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 32, Patrono – Oscar Weinschenck, falecido (Resumo) Não havia nas terras da Serra da Estrela nenhuma capela que atendesse os anseios religiosos de quem por ali vivia. Estamos falando dos meados do século XVIII; Ana do Amor de Deus era proprietária da Fazenda Rio da Cidade e casou-se com Manoel Antunes Goulão que recebeu as terras, por carta de sesmaria, que confrontavam com a dela; com a união foi aumentado o latifúndio do casal. Ana consagrara o seu nome à devoção do Amor de Deus. Os dois tornaram-se, por conseqüência, responsáveis pela difusão do culto à Virgem, na região das glebas do Piabanha. Como não havia nenhuma capela na região serrana, Manoel Antunes requereu, a quem de direito, licença para erigir uma capela com a faculdade de usar a pia batismal e tomou a Santa Virgem como padroeira, sob a invocação do Amor de Deus. Foi construída e benzida e tornou-se a primeira capela levantada “nas amáveis terras da Serra da Estrela”. Não está muito claro nos escritos este assunto. Deduz-se que essa primeira capela foi erguida modestamente na fazenda Rio da Cidade e só depois passou para a casa da fazenda dos Corrêas, pois sua colocação, privilegiada, às margens da Estrada dos Mineiros, a tornaria mais acessível à veneração da Virgem. Nela se ampliaram depois os ofícios religiosos com a realização da lei do matrimônio e teve, também, a regalia do Santíssimo Sacramento. “O altar era suntuoso, de madeira burilada, e a imagem de Nossa Senhora do Amor Divino foi talhada num só bloco de pesadíssima madeira. Era realmente um precioso exemplar de estatuária religiosa artística, de uma perfeição de detalhes inimitável”. Ajoelharam-se a seus pés senhores e modestos escravos das fazendas que formariam, depois, a maior parte do nosso município, bem como os forasteiros e autoridades que por ali passavam. Em 1823, o marechal Cunha Mattos, hóspede cinco dias na fazenda, deixou escrito em seu diário, a seguinte referência: “ao lado da casa do padre Corrêa existia uma belíssima capela com perfeitas imagens de santos, e um lindo presépio. Esse presépio, armado em local engenhosamente preparado, possuía dimensões que excediam do vulgar.” “As numerosas figuras, de gesso e de madeira artisticamente trabalhada, foram, aos poucos, depois que a fazenda entrou em decadência, tomando destino ignorado”. D. Pedro I e família, que […] Read More

ERA UMA VEZ UMA INDÚSTRIA DE PAPEL . . .

ERA UMA VEZ UMA INDÚSTRIA DE PAPEL . . . Raul Ferreira da Silva Lopes, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 32, Patrono – Oscar Weinschenck Era uma vez . . . Petrópolis já teve um período de prosperidade industrial com seu parque têxtil, cervejaria, fábrica de papel e outras mais, gerando milhares de empregos, mas isto tudo , “Era uma vez . . .” Na Feira Internacional de Amostras do Rio de Janeiro, realizada em 1933, a Companhia Fábrica de Papel de Petrópolis marcou presença, publicando, também, um álbum com homenagens a autoridades nacionais e ilustrado com fotos da época, da indústria de Papel e aspectos da cidade. Era Prefeito de Petrópolis, Yeddo Fiuza. Para que os leitores possam avaliar a grandeza dessa indústria para Petrópolis e para o Brasil, tomo a liberdade de transcrever fielmente a apresentação do álbum: A INDÚSTRIA DE PAPEL NO BRASIL “Uma das indústrias mais florescentes, hoje em dia no Brasil, é, sem dúvida, a da fabricação de papel. Não obstante o considerável aumento do consumo, determinado pelo desenvolvimento natural de todas as atividades comerciais, a importação de papel estrangeiro descreve uma acentuada curva de diminuição no quadro das nossas estatísticas. Nenhum núcleo industrial de importância em nosso país se recente da produção de papel, necessário não somente às suas atividades locais, como também ao suprimento de mercados das diferentes unidades da Federação. O papel nacional emula admiravelmente como artigo da mais fina qualidade alienígena e a sua preferência vai ganhando terreno no consenso dos consumidores. Petrópolis é a cidade pioneira e o berço da indústria do papel no Brasil. Data de mais de 70 anos a instalação do primeiro estabelecimento fabril, na cidade serrana. De recursos técnicos e mecânicos incipientes, empregando um processo rudimentar e oneroso, essa notável iniciativa, que já se reveste da significação de acontecimento histórico, foi devida ao eminente brasileiro Dr. Guilherme Capanema (Barão de Capanema) o qual tão úteis e relevantes serviços prestou ao país, como uma dos mais tenazes propugnadores da expansão das nossas linhas telegráficas. Contando hoje como um dos estabelecimentos fabris para a produção de papéis finos, tal a Fábrica de Papel de Petrópolis, a Cidade do Imperador pode, muito justamente, orgulhar-se do seu papel de pioneira industrial nesse futuroso setor da produção brasileira. Vale assinalar aqui algumas das etapas mais marcantes do progresso e do desenvolvimento da indústria do papel no Brasil. Iniciada com êxito em Petrópolis, […] Read More