FARDA, UNIFORME E O HISTÓRICO DA CIDADE

  FARDA, UNIFORME E O HISTÓRICO DA CIDADE Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga “O seu corpo, em que está inscrita uma história, casa-se com a sua função, quer dizer, uma história, uma tradição, que ele nunca viu senão encarnada em corpos ou, melhor, nessas vestes habitadas por um certo habitus” (Bordieu, Pierre. O Poder Simbólico, Bertrand Brasil, Rio de Janeiro, 1998, p.88) Muitos confundem farda com uniforme, mas tecnicamente, farda não é uniforme. Uniforme é apenas uma composição de peças de um vestuário que visam à padronização visual de determinado grupo, de uma classe ou profissão. Já a farda possui não somente conceito assim como uma dimensão completamente diferente de uniforme. Farda é por constituição um símbolo, representativo na maioria da instituição a que pertence. Identifica-se por uma história composta por valores de uma instituição maior como o Estado ou a própria representatividade da soberania de um povo. Farda é a projeção da autoridade institucional, de suas forças militares e policiais. Ao ingressar em uma instituição militar o homem ou a mulher torna-se herdeiro de um conjunto simbólico identificador da instituição. Esse é composto por práticas e discursos, expressos em cerimônias, símbolos e pelo dia-a-dia institucional (Schactae, Andréa Mazurok). Para o imaginário histórico petropolitano, inúmeros são os registros presentes em declarações pela imprensa ou na própria literatura local do século XIX e no século XX. Tais como os registros do garbo dos petropolitanos que se apresentavam no Tiro de Guerra nas primeiras décadas do século XX, ou na presença, inclusive fotográfica que alguns membros da Guarda Nacional se apresentavam em reuniões (O Mercantil), talvez como forma de ostentação ou mesmo de opressão, autoritarismo. Fotos nos arquivos do Museu Imperial dos inspetores de quarteirões, autoridades policiais garbosas e de profundo relacionamento e demonstração de segurança com as comunidades. No imaginário dos moradores, a presença do guarda noturno com seu tradicional apito e farda. Até mesmo o imaginário colonial apresentou-se por intermédio dos viajantes, no realce das fardas alemãs que alguns ainda guardavam, e segundo declarações vez por outra apresentava às comunidades por onde passavam, o que traduzia-se em respeito. Assim como, a tradição já estava estabelecida com a presença dos ‘Dragões’ que acompanhavam o Imperador e sua família em suas constantes viagens à cidade, principalmente nos anos 70 e 80 do século XIX (O Mercantil). As fotos de Haack apresentam […] Read More

CONDE DE RESENDE, O FUNDADOR DO ENSINO MILITAR ACADÊMICO NAS AMÉRICAS E DO ENSINO SUPERIOR CIVIL NO BRASIL EM 1792 E O CRIADOR DA CIDADE E MUNICÍPIO DE RESENDE EM 1801

  CONDE DE RESENDE, O FUNDADOR DO ENSINO MILITAR ACADÊMICO NAS AMÉRICAS E DO ENSINO SUPERIOR CIVIL NO BRASIL EM 1792 E O CRIADOR DA CIDADE E MUNICÍPIO DE RESENDE EM 1801 Cláudio Moreira Bento, associado correspondente Conde de Resende – o criador da Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho em 1792, e do Município de Resende em 1801 Focalizaremos o 2° Conde de Resende, Tenente-General D. José Luiz de Castro, que foi o 13° Vice-Rei do Brasil (1790-1801). Autoridade máxima do Brasil, que deu foro de vila, em seu governo, a uma única povoação e por ele especialmente escolhida. Vila que, desde 1801, passou a denominar-se, em sua honra e homenagem, Resende, e seus filhos nela nascidos, ou de coração, de resendenses. No último caso, filho de coração, decorrência do cosmopolitismo de Resende, que possui as suas mais profundas raízes no povoamento por mineiros, fluminenses, paulistas e até gaúchos da primitiva povoação de N. S . da Conceição do Campo Alegre da Paraíba Nova, descoberta e fundada, em cerca de 1744, por bandeira partida das minas esgotadas da Alagoa da Airuoca, em Minas, sob a liderança do Tenente-Coronel do Regimento de Auxiliares de Mogi das Cruzes/ Jacareí, em São Paulo, Simão da Cunha Gago. Campo Alegre por ser a região de Resende e imediações, então, uma belíssima, ampla e fértil clareira predestinada à pecuária, assentada sobre planície terciária. Clareira ampla em planície incrustada na Mata Atlântica dominante ao seu redor, e que viria a ser devastada para ceder lugar ao ciclo do café no Brasil que teve início aqui em Resende. Terras hoje ocupadas pela pecuária. Quando o Conde de Resende assumiu como vice-rei, a atividade econômica no Campo Alegre se intensificara a partir da abertura do Caminho Novo, em 1778, ligando por terra o Rio a São Paulo (pela antiga Rio – São Paulo) e integrando Resende atual na economia nacional e rompendo, por via de conseqüência, o isolamento da mesma. O café havia surgido em Resende muito promissor. O esgotamento do ouro em Minas provocou uma migração mineira para a atividade pecuária no Campo Alegre. A movimentação do anil, do café, do açúcar, exigiu mulas para transportá-las, o que marcaria a presença de gaúchos tropeiros de mulas, circunstância que chegou ao ponto de Resende consumir 1.800 mulas ano, para movimentar a plantação de café, e escoá-la inicialmente para o Rio, por terra, e depois até Angra […] Read More

O QUE ESTÁ FALTANDO

  O QUE ESTÁ FALTANDO Joaquim Eloy Duarte dos Santos, associado titular, cadeira n.º 14, patrono João Duarte da Silveira Pronto, ai está, falta pouco para a terra-de-ninguém se instalar em Petrópolis. Desde há muito – e põe muito nisso – não se vê a ação repressora de quem de direito municipal contra os abusos que se avolumam a cada dia. Temos uma Guarda Municipal, destinada a zelar pelos prédios e bens urbanos públicos. Pelo menos para tal mister foi criada e sacramentada. Infelizmente o dito corpo se preocupou muito mais em se estruturar como corporação do tipo militar, negaceando a função básica, que apenas exige guardas municipais em tempo integral nas ruas, diante dos bens mais caros para a cidade. Sem essa de folga em fins de semana e nas horas mortas, como direito de outros funcionários públicos. O serviço de vigilância deve ser permanente com tábua de plantões cumprida à risca e com eficiência. Um exemplo é o olho vesgo para a rapaziada que fica horas em seus esqueites quebrando calçadas e degraus na área da Câmara Municipal. O calçamento de pedra está cheio de buracos, o mármore da escadaria de acesso ao Palácio Amarelo com vários pedaços faltando e os degraus estão raspados em toda a sua extensão, com perda do polimento e feiamente ásperos. A última dessa turma foi a grafitação horrorosa e nada artística nas paredes da Catedral de Petrópolis, obrigando os responsáveis pelo templo orgulho da arquitetura e da história da Cidade a ameaçar a gótica estética com um gradeamento. É aquela história de afirmar-se que os cidadãos bons estão presos nas grades que rodeiam suas casas e os meliantes soltos em carnavais de atos e gestos de desafio e impunidade. Parece um retorno aos tempos medievais, do cercamento das cidades com elevados muros e portões de segurança máxima para evitar as hordas dos inimigos daquela civilização. Uma das armas eficientes – e todos conhecem – é a inibição através do policiamento ostensivo. De outra sorte, nada se poderá fazer e a coisa vai piorando de pior para muito pior. Fico imaginando – em loucura tétrica – a Avenida Koeler murada de ponta a ponta para resguardar o casario do vandalismo… Ai. Poderia desfiar mechas inteiras de argumentos sobre o horror que a inconsequência vem instalando no Município, livremente, com poucas vozes de reclamos e indignações, sob uma política errada (ou seriam as cabeças […] Read More

DISCURSOS – FUNDAÇÃO DE PETRÓPOLIS – 16 DE MARÇO DE 1981 – Ruth Boucault Judice

  DISCURSOS – FUNDAÇÃO DE PETRÓPOLIS – 16/03/1981 Ruth Boucault Judice, associada titular, cadeira n.º 33, patrono Padre Antônio Tomás de Aquino Correia 16 de março de 1843! Neste dia nascia Petrópolis. Com um privilégio: o de receber em 1845 uma leva de famílias alemãs para sua colonização. Com Petrópolis nascia também a sua História, cantada e louvada por vários oradores em muitas oportunidades como esta. Não serei redundante. Quero falar hoje sobre nossa Petrópolis atual. Uma cidade de clima excepcional a poucos quilômetros do Rio, de topografia rara, incrustada na Serra dos Órgãos entre morros de verdes abundantes e toda direcionada pelos rios que a decoram. Nasceu como fazenda imperial, de um Imperador amante das artes, da cultura e do progresso. Por isso Petrópolis é paradigma de arquitetura do final do século XIX. O ecletismo e o produto da Revolução Industrial, que eram estilos vigentes na Europa, na época de D. Pedro II vieram para cá de encomenda, como foi o caso do Palácio de Cristal (comprado pelo Conde D´Eu). Tais estilos estão presentes nas estruturas metálicas de nossas antigas fábricas que vinham da Bélgica. No recortado dos chalés (já produtos das primeiras máquinas tico-tico) construídos em harmonia com a paisagem. No neo-classicismo da arquitetura palaciana, do qual a Casa da Câmara é flagrante exemplo, não só na sua fachada de ordem jônica como na sua decoração adequada, onde estão presentes os raios de Júpiter, os colares de pérolas, as linhas de óvulos, as palmetas e volutas, enfim toda a gama de modernatura neo-clássica. Importante também sua arquitetura popular de inspiração eclética, além dos neo-góticos das igrejas do começo do século. Tudo isso foi fruto da inspiração de um imperador. Quis ele somar à colonização germânica, o plano urbanístico de um alemão, o Major Koeler, resultando desses somatórios a nossa cultura local, um verdadeiro patrimônio de artes, usos e costumes que brotaram desse amalgama do brasileiro com o alemão, na Serra. Depois disto, com o advento da República, passou a ser, no verão, sede dos presidentes e das embaixadas. Nasceu nobre e sobreviveu assim. Mas nunca se esqueceu do seu colono, do bravo lavrador que lavrou a primeira terra da cidade recém-formada. Isto está patente nos quarteirões que ainda guardam seus nomes de origem – Bingen, Westefalia, Ingelheim, Mosela, Siméria e tantos outros; lembra-se também dos primeiros operários oriundos das famílias germânicas, formando mão-de-obra de grande especialização, haja visto […] Read More

BARÃO DE LANGSDORFF E A SUA TENTATIVA DE PROMOVER A IMIGRAÇÃO ALEMÃ NA FAZENDA DA MANDIOCA (O)

  O BARÃO DE LANGSDORFF E A SUA TENTATIVA DE PROMOVER A IMIGRAÇÃO ALEMÃ NA FAZENDA DA MANDIOCA Antônio Eugênio de Azevedo Taulois, associado efetivo, titular da cadeira n.º 29, patrono Luiz da Silva Oliveira SUMÁRIO: 1. INTRODUÇÃO 2. O BARÃO DE LANGSDORFF 3. A FAZENDA DA MANDIOCA 4. A TENTATIVA DE IMIGRAÇÃO 4.1 A contratação de imigrantes na Alemanha 4.2 A viagem para o Rio de Janeiro 4.3 As questões financeiras 4.4 O malogro da tentativa. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS 5.5 A Fazenda da Mandioca era um centro de estudos da natureza 5.6 As causas do fracasso da colonização alemã 5.7 A importância cultural da obra do Barão de Langsdorff BIBLIOGRAFIA 1.0 INTRODUÇÃO A partir de 1820, no fundo da Baía da Guanabara onde começava a subida da Serra da Estrela, ao longo do Caminho Novo que conduzia tropeiros ao interior das Minas Gerais, foi feita uma expressiva tentativa de colonização estrangeira pelo Barão de Langsdorff, na sua Fazenda da Mandioca, com noventa e quatro imigrantes, vindos especialmente da Alemanha para essa empreitada, visando o cultivo de novas espécies e a introdução de modernas técnicas agrícolas entre nós. No momento em que o Brasil surgia como nação, despertando a cobiça e a curiosidade no cenário internacional, o alemão Georg Heinrich von Langsdorff (fig 1), a serviço do império russo, onde era conhecido como Grigory Ivanovitch Langsdorff, se destacava não só pela audácia e cultura, mas, principalmente, pela sua infatigável capacidade de organização e trabalho, como ficou demonstrado nas espantosas expedições científicas que realizou pelo interior do Brasil. Estudou e reuniu cerca de 300.000 itens representativos da natureza e da gente brasileira entre os anos de 1813 e 1828 e os enviou à Academia de Ciências da Rússia, da qual era membro. Pretendia dedicar o restante da sua vida ao estudo desse acervo, o que representaria uma significativa contribuição para o conhecimento das coisas brasileiras, porém, paradoxalmente, os fortes laços que ligaram o Barão a nossa terra e a nossa gente e que marcaram profundamente a sua vida foram, ao mesmo tempo, a razão da sua glória e a “via crucis” que o anulou para a ciência e para a sociedade. A Abertura dos Portos, em 1808, e as surpreendentes facilidades concedidas aos cientistas estrangeiros que vieram para o Brasil após o término das campanhas napoleônicas fizeram com que viajantes franceses, alemães, austríacos e ingleses invadissem o interior do país, não […] Read More

DOM MANOEL PESTANA FILHO (IN MEMORIAN)

  DOM MANOEL PESTANA FILHO (IN MEMORIAM) Jeronymo Ferreira Alves Netto, associado titular, cadeira nº. 15, patrono Frei Estanislau Schaette No dia 8 deste mês de janeiro, fomos surpreendidos com a notícia do falecimento de Dom Manoel Pestana Filho, Bispo Emérito de Anápolis, uma das mais expressivas figuras do Episcopado brasileiro. Nasceu Dom Pestana em Santos (SP), em 27 de abril de 1928, sendo seus pais Manoel Pestana, digno operário da Companhia Docas de Santos e D. Maria Pestana, que o criaram dentro dos princípios da Santa Madre Igreja. Seus primeiros estudos foram feitos em sua cidade natal, no Grupo Escolar Visconde de São Leopoldo e no Instituto de Educação Canadá. Aos 14 anos, ingressou como seminarista menor, no Seminário de Bom Jesus de Pirapora e, posteriormente, no Seminário Central da Imaculada Conceição, em São Paulo. Sua dedicação aos estudos contribuiu para seu ingresso na Universidade Gregoriana, em Roma, onde concluiu o Curso de Teologia, sendo ordenado sacerdote na Basílica de Santa Maria Maior, onde celebrou sua primeira missa, em 7 de outubro de 1952. Retornando ao Brasil foi designado por Dom Idílio José Soares, então Bispo de Santos, para coadjutor da Paróquia de São Vicente. Com uma bagagem cultural rara, foi professor do Seminário Diocesano São José, em São Vicente, e, mais tarde, professor e diretor da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da Sociedade Visconde de São Leopoldo, em Santos, mantendo um permanente e proveitoso diálogo com a juventude estudantil, participando ativamente e com grande entusiasmo da Juventude Estudantil Católica (JEC) e da Juventude Operária Católica (JOC). Em 1972 veio para Petrópolis, acolhido pelos bispos Dom Manuel Pedro da Cunha Cintra e Dom José Fernandes Veloso, não tardando a conquistar a simpatia e a adesão da população de nossa cidade. Múltipla e constante foi sua atuação no Seminário Nossa Senhora do Amor Divino e em nossa Universidade, criando o Fórum de Filosofia e Ciências, organizando as Manhãs e Tardes de Filosofia, que reuniram as mais expressivas figuras do pensamento intelectual de nosso país e do mundo, idealizando e realizando as célebres Caminhadas Universitárias, e ainda encontrando tempo para cumprir vasto apostolado nos Cursilhos de Cristandade, nos Encontros de Casais e na Pastoral Vocacional. Além disso, dirigiu nossa Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Administrativas com inegável competência, o mesmo ocorrendo com as inúmeras disciplinas que lecionou. Em 30 de novembro de 1978, Sua Santidade o Papa João Paulo […] Read More

DISCURSOS – RE-INSTALADO O INSTITUTO HISTÓRICO DE PETRÓPOLIS – 13 DE MARÇO DE 1981 – Ruth Boucault Judice

  DISCURSOS – RE-INSTALADO O INSTITUTO HISTÓRICO DE PETRÓPOLIS – 13 DE MARÇO DE 1981 Ruth Boucault Judice, associada titular, cadeira n.º 33, patrono Padre Antônio Tomás de Aquino Correia O Instituto Histórico que vinha funcionando no arquivo do Museu imperial acaba de mudar-se para a casa de Cláudio de Souza, na Praça Rui Barbosa, instalando lá sua sede própria. Certo que a sede ainda não é própria, que a casa foi cedida pelo Museu Imperial, mas, já é o primeiro passo de autonomia que tentamos dar. A primeira sessão no novo endereço não será tão solene quanto a da inauguração em 2 de dezembro de 1938, quando: “A primeira directoria effetiva, sócios, intellectuaes e pessoas gradas após a solenidade” aparecem numa foto antiga da “Pequena Illustração”. Sem receita própria ainda, pouco podemos fazer. Nossas finalidades estão voltadas para criar receita. A partir daí as realizações virão. Temos a consciência que somos a Memória de Petrópolis. Nossa pretensão é pois cadastrar essa Memória, não só para consultas presentes, como pra que fiquem guardadas para o futuro. Instalado o Instituto Histórico de Petrópolis – 11-12-1938 A data de 2 de Dezembro comemorativa do nascimento do grande monarca que por meio século presidiu os destinos de seu país, foi celebrada com a instalação do Instituto Histórico de Petrópolis, criado sob os auspícios do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Presidiu os trabalhos o prefeito Dr. Cardoso de Miranda, que empossou a primeira diretoria eleita para o biênio 1939-1940 e assim organizada: presidente. Dr. Henrique Leão Teixeira; vice, Dr. Paulo Rudge; orador, Dr. Pedro Calmon; 1º secretário, Dr. Alcindo Sodré; 2º, Sr. Antonio Machado; tesoureiro, Sr. Gabriel Fróes; e bibliotecário, Sr. Walter Bretz. Comissão de Contas: Sr. Magalhães Bastos, Professora Germana Gouvêa e Dr. Paulino de Souza. Comissão de História: Dr. Wanderley de Pinho, Dr. Aristides Werneck e Dr. Rangel Pestana. Comissão de Estatutos e Admissão de Sócios: Drs. Ascânio Pimentel, Cláudio Ganns e Américo Lacombe. Ao dar início à sessão o Dr. Leão Teixeira prestou homenagens póstumas aos Drs. Francisco Figueira de Mello e Crissiuma Filho, recentemente falecidos, ambos ex-prefeitos do município, com seus nomes ligados às celebrações do momento. Falou depois sobre a fundação do Instituto e seus fins, lendo a seguir, bela página de sua autoria, sobre o repatriamento dos despojos dos monarcas que Petrópolis recebeu genuflexa. Apresentou depois o Dr. Pedro Calmon, que prendeu a atenção da assistência enlevada com […] Read More

FOTOGRAFIA E CIÊNCIA

  FOTOGRAFIA E CIÊNCIA Pedro Afonso Karp Vasquez, associado correspondente 1. Calvert Jones — Coliseu, 1846 Calvert Jones (1804-1877) foi um matemático e pintor que estudou em Eton e Oxford e foi reitor de Longhor. Amigo de Fox Talbot, ele foi autor, em 1841, do primeiro daguerreótipo realizado no País de Gales, uma vista do Margam Castle. Como era pintor paisagista, acabou desenvolvendo um processo de realização de panoramas fotográficos com a combinação de vistas sucessivas. O Anfiteatro Flaviano, mais conhecido como Coliseu, foi o maior edifício construído pelos romanos. Erigido entre os anos 70 e 80, tinha 48 metros de altura e capacidade para 50 mil espectadores, tenho sido usado até o século VI, data bem posterior à queda do Império Romano, ocorrida em 476. 2. Jean-Baptiste Louis Gros — O Propileu visto do interior da Acrópole, 1850 O Baron Gros (193-1870) foi um diplomata francês que serviu em Bogotá, Londres e Atenas e liderou a Expedição Anglo-Francesa à China entre 1856 e 1860, tendo sido responsável pelo estabelecimento de relações diplomáticas entre a França e o Japão, em 1858. Foi também um dos pioneiros da daguerreotipia, reputado pelas vistas das ruínas de Atenas. O Propileu é o portal para a parte sagrada da Acrópole, construída em torno de 450 a.C. 3. Maxime Du Camp — Colosso sentado de Ramsés II, Abu Simbel, 1850 Filho de um rico médico, Du Camp (1822-1894) viajou muito, visitando o Egito em 1851 em companhia de Gustave Flaubert e publicando no ano seguinte o livro de fotografias Egypte, Nubie, Palestine, Syrie. Como escritor interessado em temas históricos, foi autor de um estudo sobre a Comuna, Les convulsions de Paris (1878-1880), e de Paris, ses organes, ses fonctions, as vie dans la seconde moité du XIX siècle (1869-1875). Ramsés reinou entre 1279 e 1213 a.C., teve diversas esposas, 96 filhos, 60 filhas e morreu com mais de 90 anos. Esse colosso (com cerca de 20 metros de altura) é chamado de “colosso sentado” para diferenciar daquele de Mênfis, onde o faraó está de pé, numa estátua de 13 metros de altura e 120 toneladas. O Grande Templo de Abu Simbel havia permanecido enterrado na areia até 1812, quando foi descoberto por Jean-Louis Burckhardt. Com a construção da barragem de Assuã e o conseqüente aumento do nível das águas do Nilo, os templos foram desmontados e transportados para local mais alto entre 1964 e 1968. […] Read More

CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS – O PREFEITO DEMISSIONÁRIO E OS CONFLITOS DE RUA – 1934

  CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS – O PREFEITO DEMISSIONÁRIO E OS CONFLITOS DE RUA – 1934 [1] Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga “Cabe-me informar à Liga do Comércio, que no dia nove do corrente, cumprindo a missão que me foi dada, fui pessoalmente entregar ao Exmo. Sr. Dr. Getúlio Vargas a mensagem que por intermédio do da classe comercial, a população de Petrópolis fez ao Exmo. Sr. Presidente do Governo Provisório, para que sua estação de repouso fosse feita nesta encantadora e hospitaleira cidade. Recebido no Palácio Guanabara por S. Excia. e depois de fazer-lhe o apelo em nome da população e em nome do governo da cidade, mostrando-lhe a honra e o entusiasmo com que o povo petropolitano o receberá, S. Excia. respondeu-me que recebia o apelo com grande satisfação e provavelmente em fevereiro, depois de resolver as questões relativas ao orçamento e após seu regresso de Minas , virá fazer sua estação de repouso em Petrópolis. Atenciosas saudações. Yeddo Fiuza – Prefeito.”( Tribuna de Petrópolis, 18 de janeiro, 1931) O texto reproduzido da Tribuna de Petrópolis procura destacar a importância concedida pelo interventor recém-nomeado para Petrópolis, Yêddo Fiúza, quando de sua visita ao presidente para entregar-lhe a carta da Liga de Comércio, solicitando que Vargas continue a presentear a cidade com a sua visita como fizeram os demais Presidentes da Republica em seu veraneio que o antecederam. Semelhante, exalta a importância que Fiúza devotava ao mesmo, e que faria politicamente com que fosse seu esteio administrativo nesta nova empreitada [2]. [1] Ensaio publicado na primeira pagina do segundo caderno em 21 de janeiro de 1984 [2] Tanto o recorte como o parágrafo inicial foram inseridos posteriormente à publicação. Petrópolis foi, durante o período republicano, palco de inúmeros movimentos que, pela sua intensidade, se transformaram em verdadeiros conflitos, por vezes até sangrentos. Sendo os mesmos, até o presente momento não estudados. Motivos? Talvez possam ser explicados pelo comportamento e visão tradicionalista germânico que tenha invadido nossos estudos históricos locais, ou simplesmente porque os mesmos fatos possam reabrir cicatrizes ainda existentes no seio de determinados grupos sociais que, durante décadas, mantiveram sob sua tutela a comunidade petropolitana. Mas, o indubitável é que quando os fatos forem cientificamente pesquisados à luz das ciências, talvez possa determinar questões de vital importância como o da paralisação de nossos movimentos econômicos, […] Read More

ANOTAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA DE ITAIPAVA

  ANOTAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA DE ITAIPAVA Jeronymo Ferreira Alves Netto, associado titular, cadeira nº. 15, patrono Frei Estanislau Schaette ORIGEM DO NOME ITAIPAVA O 3º Distrito de Petrópolis é o único que ostenta um nome tomado do idioma indígena. A palavra Itaipava significa “recife de pedra que atravessa o rio de margem a margem, provocando o desnivelamento da corrente; pequena queda d’água” (1). Sua sede, comenta João Fernandes, abrange toda a área do sítio de Itaipava e parte das fazendas que lhe ficavam contíguas. Após a Samambaia, o rio Piabanha percorre vários quilômetros em leito desprovido de pedras; somente ao término da antiga fazendinha Itaipava se manifesta o primeiro acidente, afetando o curso das águas. Ali o rio é cortado por um bloco granítico, aberto ao meio, o qual o povo conhece pela denominação de Pedra do Salto (2). Esta origem parece confirmada, se atentarmos para o fato de que Ita significa pedra, rochedo; Peva significa baixo, chato, inferior; Ipaba significa modo de levantar-se. (1) – LIMA, Hildebrando; BARROSO, Gustavo. Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Civilização Brasileira, 1957, p.699. (2) – MACHADO, Antonio. Origem dos distritos rurais. Tribuna de Petrópolis, Petrópolis, p. 1, 1 de janeiro. 1934. PRIMITIVOS HABITANTES Sem dúvida alguma, os primeiros habitantes de Itaipava foram os índios. A denominação “Sertão dos Índios Coroados” inicialmente dada às terras que hoje constituem o Município de Petrópolis nos leva a crer que estes índios, assim denominados pelos portugueses “porque cortavam os cabelos de maneira a formar uma espécie de coroa enrolada no alto da cabeça” (3), seriam os antigos goitacases que, combatidos pelos portugueses e ou tribos hostis, buscaram refúgio no sertão. Por outro lado, a descoberta de vestígios de objetos indígenas, nos rios petropolitanos, reforçou a tese de que, na realidade, muitas picadas no caminho para Minas Gerais e que, posteriormente, foram aproveitadas pelos colonizadores, na realidade foram abertas pelos índios em seus movimentos migratórios. Do mesmo, a Carta Topográfica da Capitania do Rio de Janeiro, datada de 1767, assinala uma vasta área da margem direita do rio Piabanha e da margem setentrional do rio Paraíba, até Minas Gerais, a qual denomina “Sertão ocupado por índios bravos” (4). Na realidade, por esta região erravam os índios Puris, da mesma raça que os Coroados, divididos em várias tribos, constantemente em guerras, o que é confirmado por Debret quando se refere aos Patachos, da mesma raça que os […] Read More