A ERA DOURADA DOS TRANSPORTES PÚBLICOS Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga “Para entrar no seu quarto eu ía de noite para a rua e voltava quando julgava minha família adormecida. Era um corredor de acústica traiçoeira: o menor ruído estrondava como a queda de um móvel. Tirava os sapatos na escada e ficava parado diante da porta do quarto, à espera do momento exato de abrí-la e de entrar. Esse momento, às vezes demorado e supliciante, era quando o bonde entrava no desvio defronte da loja na Avenida XV, e cobria todos os rumores com um chacoalhar de ferragens e um diálogo destabocado entre passageiros, motorneiro e condutor. Aí eu abria bruscamente a porta e penetrava (…)” (Pongetti, Henrique, O Carregador de Lembranças, Editora Pongetti, Rio de Janeiro, 1971). A história dos deslocamentos de ‘massa’ na cidade de Petrópolis por empresas privadas possui suas operações processadas pela primeira década do século XX, quando justamente em 1910 (18.10), inaugurou-se o serviço de auto-ônibus entre a Estação da Leopoldina e a Cascatinha. Primeiro, no gênero, a ser executado no município, observando-se que o transporte de terceiros e operários para a Cascatinha promoveria alta rentabilidade econômica (Fróes, Gabriel). A princípio a elite de moradores que se deslocavam era composta por privilegiados, pois as tarifas eram altas para o poder aquisitivo do operariado, mas com o aumento do número de coletivos, o transporte iniciou sua consolidação, que logo foi abalada pela chegada dos bondes (Verão em Petrópolis). Outros pequenos empresários passaram também por conta própria e risco a se estabelecer no setor, sem constituir empresas legalmente autorizadas, transferindo capitais de suas operações comerciais, muitos destes de lojas. Estes eram favorecidos pelos poderes públicos, com o estabelecimento imediato das concessões para a atividade e pelas agencias bancárias ‘sedentas’ de participar com créditos e associações para a aquisição ou locação de veículos, ou em muito para confecção de carrocerias, nos tradicionais artesãos carpinteiros alemães, como os Bade (Silveira, Oazinguito F.). Até mesmo o Hotel da Independência, assim como outros, passou a explorar o transporte, principalmente a partir do terminal centro da estação ferroviária da Leopoldina, conduzindo clientes em uma época onde o fluxo de visitantes e hóspedes da cidade eram intensos em seu veraneio e fuga de epidemias. Por outro lado, inúmeras foram também nas primeiras décadas do século as propostas de empresários do […] Read More
DESTINO EM TRILHA RETA
DESTINO EM TRILHA RETA Joaquim Eloy Santos O turismo em Petrópolis depende exclusivamente de seu povo e da vontade política dos detentores do poder. O povo precisa ser educado no respeito aos bens culturais e incentivado ao poder de polícia, como guarda vigilante da ainda rica herança patrimonial. Sua ação estará deitada ao interesse público e a denúncia que fizer, deve ter fundamento no coração de petropolitano, na visão de futuro e no amor à terra que é dos descendentes. É a sobrevivência que está em jogo, de tudo e de todos, disciplinado o destino turístico-cultural a essa brigada de defensores-agentes da preservação ambiental, cultural, patrimonial, enfim, a herança que recebemos e devemos passar aos que chegam, sejam naturais, sejam adotados. De passagem, a aplicação de rígida xenofobia quanto aos invasores do negócio fácil (as drogas, por exemplo) e aos geradores da violência e do desamor, fatores enfraquecedores da auto-estima. Preservando e explorando os bens herdados, mantendo-os dignos do foro de civilização, estaremos garantindo a autonomia futura de nosso recanto e seu desenvolvimento como um lugar bom para viver. Também deve ser norte de projetos turístico-culturais imediatos e objetivos, a reabilitação de personagens de nossa história, através de novos bens a serem edificados, bem como a criteriosa identificação dos topônimos urbanos, como existe em cidades que já acordaram para essa galinha-dos-ovos-de-ouro. Não deixar a política de resultados imediatistas sobrepor-se ao destino municipal e porque a ganância especulativa não pode agigantar-se acima das legítimas aspirações em favor de nosso futuro. Por muitos anos tenho batido em algumas teclas, sob apoio da imprensa atenta e de pessoas de sentimento cívico, no sentido de ampliar as ofertas turísticas e duas conquistas necessitam ter apoio político imediato e sensibilidade objetiva e que são: 1) um monumento à Princesa Isabel, nos moldes dos modernos Carlos Drummond de Andrade, em Copacabana e Brigitte Bardot, em Búzios, e outros já instalados em alguns pontos do país. A Princesa Isabel seria representada em escultura de tamanho natural, tirada de uma fotografia na qual acha-se sentada, com duas amigas, no Palácio de Cristal; a escultura marcaria uma grande atração para os visitantes e os habitantes do Município; 2) Brigadeiro Eduardo Gomes, petropolitano nato, morador da cidade, grande nome da Aeronáutica Brasileira, herói de nossa história, que ainda não possui qualquer homenagem no Município (corrijam-me, se estou equivocado), que mereceria uma estátua em tamanho natural e seu nome em […] Read More
CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO DR. DÉCIO JOSÉ DE CARVALHO WERNECK
CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO DR. DÉCIO JOSÉ DE CARVALHO WERNECK Jeronymo Ferreira Alves Netto, associado titular, cadeira nº. 15, patrono Frei Estanislau Schaette Comemoramos este ano o centenário de nascimento do Dr. Décio José de Carvalho Werneck, um dos mais destacados educadores de nosso tempo, que soube encantar com a clareza da exposição e a lucidez de suas idéias. Educador no sentido autêntico da palavra, a quem todos procuravam recorrer em busca de sua orientação sensata e equilibrada. Nascido em Petrópolis, a 23 de março de 1910, era filho de Aristides Werneck e Elazir de Carvalho Werneck, dos quais recebeu uma sólida formação moral e religiosa e uma esmerada educação. Seus estudos iniciais foram feitos no antigo Colégio Werneck e no Colégio Pinto Ferreira, dois dos mais conceituados estabelecimentos de ensino de nossa cidade. Posteriormente, bacharelou-se em Direito pela Faculdade Nacional de Direito. Preferiu, no entanto, não advogar. A banca profissional não o atraiu. Escolheu a carreira docente, tornando-se um pedagogo e um didata admirável. Em Petrópolis lecionou no Colégio Plínio Leite e no Liceu Fluminense, deixando nos mesmos a marca de seu talento e de sua admirável capacidade didática. Em 8 de março de 1938, foi nomeado pelo então Presidente Getúlio Vargas, Inspetor Federal de Estabelecimentos de Ensino Secundário. Neste mesmo ano, tornou-se um dos sócios fundadores do Instituto Histórico de Petrópolis, do qual foi um dos grandes animadores. Profundo conhecedor da legislação de ensino, desempenhou as funções de Inspetor Federal com dedicação e rara competência, atuando muito mais como orientador e conselheiro, junto às escolas, que como um simples fiscal do Ministério da Educação e Cultura. Em 1940, com seus sócios Carmem Saavedra e Thomaz da Câmara, fundou o Colégio Padre Antônio Vieira, um dos mais conceituados estabelecimentos de ensino do Rio de Janeiro, que iniciou suas atividades em 1941 e continua funcionando até os dias atuais. Seu amor pela Universidade Católica de Petrópolis, manifestou-se desde a primeira hora. Durante o ano de 1954, orientou, como Inspetor Federal, os primeiros passos de nossa Faculdade de Direito. No ano seguinte integrou os quadros de nossa Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, como professor no curso de História, lecionando, inicialmente, História Antiga e Medieval e, posteriormente, Didática Especial, Introdução aos Estudos Históricos e História das Idéias Políticas, Econômicas e Sociais. Paralelamente, integrou o Conselho Técnico Administrativo da referida Faculdade. Foi um dos fundadores e organizadores de nossa Escola de […] Read More
PETRÓPOLIS E SEUS TIPOS URBANOS
PETRÓPOLIS E SEUS TIPOS URBANOS Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga Hoje é muito comum contemplarmos pelo centro de Petrópolis uma mulher de óculos, morena, magra, portando uma imensa mala, vagando perdida pelas ruas da cidade, olhos perdidos no horizonte, caminhando por uma cidade completamente invisível para ela. Os jovens a chamam de “Maria da mala”. Histórias são contadas pelos cantos, como a de que teria perdido um filho em viagem e que aguarda seu retorno. Outros vagueavam pelo universo da cidade e somente em um momento de rompante demonstram suas personalidades, doentias, esquizofrênicas ou apenas carinhosas e comunicativas em seu trajeto. O careca que caminha por quilômetros e quilômetros dentro da cidade é tachado de louco. Ele pede às pessoas dinheiro em troca de levar o lixo, e assusta pela sua forma de andar e por seus olhos perdidos porém caçadores. Dizem que é membro de importante família. Outro caminha com seu caderno, ora com um guarda-chuva… São tantos os representantes deste universo paralelo ao nosso e do qual não tomamos conhecimento, pelo contrário, nos permitimos apossar pelo medo ou pelo asco. São personagens que encontramos em nosso cotidiano, visto pela maioria na atualidade como párias, que não possuem registro ou famílias e por tal se tornam invisíveis ao nosso universo considerado ‘normal’. Indivíduos excluídos socialmente desprovidos de qualquer vinculação ao cosmo social. Uma jornalista em 1999 produziu uma série de crônicas pelo jornal Zero Hora de Porto Alegre, que lhe valeu o Prêmio Esso de Jornalismo regional. Reportagens sobre registros urbanos dos personagens que habitam a paisagem social de Porto Alegre, seu mundo invisível. Lembrei-me de haver visualizado algo comum em minhas pesquisas no passado-recente de nossa cidade, mais precisamente em meados dos anos 50, e vasculhei minhas anotações quando encontrei a presença do jornalista Silvio de Carvalho retratando os personagens de sua época pela cidade em sua revista Vida Serrana (1954). Silvio que discorria sobre uma variedade de assuntos, não se furtou jovem ainda, em retratar o cenário invisível urbano de nossa cidade. Claro que os personagens não eram em grande número e envelheceram presentes em nosso cenário ao final do século XX. “Papa-ovo”, “Bem-te-vi”, “Tiê”, célebres figuras de nosso cotidiano por algumas décadas. Que serviram de troça para alguns adolescentes ou mesmo adultos, que corriam atrás de crianças que freqüentemente promoviam brincadeiras. “Papa-ovo” era o […] Read More
PETRÓPOLIS CIDADE DE KOELER E DE TODOS NÓS
PETRÓPOLIS CIDADE DE KOELER E DE TODOS NÓS Fernando Antônio de Souza da Costa, associado titular, cadeira n.º 19, patrono Galdino Justiniano da Silva Pimentel Benditas sejam as mãos do Criador ao encrustar esta jóia em meio às colinas! Creio, sobretudo, não caia uma folha sequer que não esteja pré-determinado, por isso providencial que o Senhor de todas as coisas e pessoas conduzisse até nós a sensibilidade, arte e a competência dos empreendedores, talentosos, dedicados e queridos colonos alemães, dos quais esta Imperial Cidade se ufana. Não desejo aprofundar-me quanto ao aspecto meramente histórico, mas dar voz e vez ao coração. Em rápido lampejo pincei de Gênesis, Capítulo 12 Versículos 1-3, quando Deus fala a Abrãao: “deixe sua terra, sua família e casa de seus pais e vá para onde eu lhe mostrar, farei de você uma grande nação…”. Parafraseando este belo enunciado bíblico, penso tenha ocorrido o mesmo, reservando-nos a sorte de podermos ser presenteados com a primeira leva de imigrantes que estiveram trabalhando na abertura da estrada do meio da Serra, a seguir vieram para a Fazenda do Córrego Seco, em 1837. O destino destes pioneiros era Sidney, na Austrália, mas devido às péssimas condições de viagem interromperam o trajeto e resolveram permanecer no Rio de Janeiro. Ali, foram recrutados pelo engenheiro Köeler “para trabalhar nos melhoramentos da Serra da Estrela”, assim relatou o insigne Professor Rabaço às fls. 78 – História de Petrópolis e ainda nos dão conta os arquivos históricos do nosso Instituto, a imprensa, arquivo Nacional e historiadores: A Fazenda do Córrego Seco, atual cidade de Petrópolis, foi adquirida em 1830, por Dom Pedro I, do sargento-mor José Vieira Afonso, com a intenção de mandar construir um palácio que, nos meses de verão, abrigaria a Família Imperial. Contudo, o projeto de construção do palácio só se realizaria anos depois, no reinado de D. Pedro II. O início da obras exigia o uso de mão-de-obra em grandes escalas. Resolver esta questão implicava em decidir entre a contratação de trabalhadores livres, ou a utilização do trabalho escravo, predominante no Brasil. A decisão do Imperador recaiu sobre a contratação de mão-de-obra livre. Para tanto, foi assinado, em 16 de Março de 1843, um decreto-lei através do qual D. Pedro II autorizava ao “Mordomo Paulo Barbosa da Silva” a arrendar a fazenda do Córrego Seco ao Major dos Engenheiros Júlio Frederico Köeler, pela quantia de um conto de […] Read More
VISCONDE DE UBÁ EM PETRÓPOLIS (O)
O VISCONDE DE UBÁ EM PETRÓPOLIS Jeronymo Ferreira Alves Netto, associado titular, cadeira nº. 15, patrono Frei Estanislau Schaette Joaquim Ribeiro de Avellar Júnior, Barão e, posteriormente, Visconde de Ubá, era filho de Joaquim Ribeiro de Avellar, Barão de Capivary, grande cafeicultor e influente político na região do Vale do Paraíba. O Visconde de Ubá nasceu a 12 de maio de 1821, em Paty do Alferes, fez seus estudos iniciais no Rio de Janeiro e os estudos superiores na Europa, recebendo em conseqüência uma esmerada educação. Em 1849, casou-se com Mariana Velho da Silva, filha mais velha do casal José Maria Velho da Silva e Leonarda Velho da Silva. A família Velho da Silva, é interessante assinalar, mantinha relações muito estreitas com a Corte. O casal teve onze filhos. O Visconde de Ubá “era tenente coronel da Guarda Nacional, jurado eleitor e comandante do batalhão da Guarda Nacional, oficial da Imperial Ordem da Rosa, fidalgo cavaleiro da Casa Imperial e sócio correspondente do Instituto Histórico Geográfico Brasileiro” (1). Em 1º de agosto de 1863, o então Barão de Ubá adquiriu de Dom Andrés Lamas, Ministro da República do Uruguai, um casarão de rara beleza, localizado à então Rua dos Mineiros, hoje Rua Silva Jardim, em Petrópolis. Do ponto de vista arquitetônico, “o referido prédio de linhas clássicas, reflete a influência do estilo colonial português utilizado sobretudo nos sobrados e fazendas do período colonial no Brasil. Os porões e a escadaria conferem-lhe certa harmonia na composição arquitetônica”(2). (1) MUAZE, Mariana. As Memórias da Viscondessa: família e poder no Brasil Império. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008, p.65. (2) KRÜGER, Maria das Neves. História dos Prédios da Universidade Católica de Petrópolis. Petrópolis, 1992, p. 1 (mimeo). O referido casarão, mencionado em vários relatos de estrangeiros em visita a Petrópolis, durante o final do 2º Império foi palco de intensa vida social e política. Nele, as princesas imperiais Isabel e Leopoldina, passaram suas respectivas luas de mel, em 1864. Em Petrópolis, a família do Visconde de Ubá participou intensamente da vida social, cultural e religiosa da cidade, conquistando a amizade e a estima de todos que aqui viviam. Por ocasião do falecimento do Visconde, ocorrido em sua fazenda, em 1º de outubro de 1888, o Mercantil, prestigioso jornal de nossa cidade, lhe dedicou a seguinte mensagem: “Cidadão prestimoso e que, trilhando sempre a vereda do justo, soube conquistar um nome, que a […] Read More
CARTA AO PREFEITO
CARTA AO PREFEITO Ruth Boucault Judice, associada titular, cadeira n.º 33, patrono Padre Antônio Tomás de Aquino Correia Petrópolis, 20 de agosto de 1986 Exmo. Sr. Prefeito […] de Petrópolis Dr. Paulo José Alves Rattes Exmo. Sr. No momento em que a Câmara Municipal acaba de rejeitar o veto de V. Excia. ao decreto 506, é oportuno o Instituto Histórico de Petrópolis reiterar-lhe o seu aplauso pela atitude que tomou em defesa de nossa cidade. Com aquela atitude V. Excia. tentou proteger a nossa arquitetura, representada por exemplos neo-clássicos, ecléticos, além de produtos da Revolução Industrial. Não se esqueceu V. Excia., que manter a cidade o mais parecida com o que existe ainda hoje, no primeiro distrito, representa propiciar à sua população melhor qualidade de vida. Que por falta de infra-estrutura básica, um crescimento impensado no Centro, seria altamente prejudicial ao Homem que nela habita, inclusive trazendo-lhe problemas para a saúde; que o aumento de circulação no seu centro comercial seria concorrer para o caos. Acreditamos que a constatação dessas verdades alertou V. Excia., acertadamente, para a necessidade urgente da descentralização de Petrópolis. É o que concluímos de sua intenção de mudar, com a máxima urgência, o centro administrativo da Prefeitura para Itaipava. Sentimos sua preocupação em resolver o problema através dos estudos que já estão sendo executados. Pensamos em uníssono, que aí está a solução: crescer para os distritos. O Instituto Histórico diante dos últimos acontecimentos na Cidade, uma vez mais, toma sua posição preservacionista, não se esquecendo, porém, que Petrópolis é uma cidade viva e por isso mesmo dinâmica, que continua a crescer. O grande desafio dos administradores atuais está em saber conciliar a preservação com o crescimento. Essa é a virtude que queremos continuar aplaudindo na sua administração.
EM BUSCA DO MAIS ELEVADO – PETRÓPOLIS, 160 ANOS
EM BUSCA DO MAIS ELEVADO – PETRÓPOLIS, 160 ANOS Joaquim Eloy Duarte dos Santos, associado titular, cadeira n.º 14, patrono João Duarte da Silveira Sob justo orgulho e subida honra, enfrento as vicissitudes de cair na voragem da insegurança das ruas do Rio de Janeiro, deixando por instantes o ruço da minha serra petropolitana, igualmente contaminado pelo desamor que a criatura humana carrega no turbulento coração tão desconexo de todos os tempos, para atender ao pedido da ilustre presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro, a extraordinária e percuciente pesquisadora Cybelle Moreira de Ipanema, sob aprovação de seus pares. Na qualidade de presidente do Instituto Histórico de Petrópolis, entidade fundada em 1938 e de cuja ação e primeiro acervo, determinação e raro sentido patriótico projetado ao futuro, surgiu o Museu Imperial de Petrópolis, uma das riquezas maiores da Cultura Brasileira; também, atual presidente da Academia Petropolitana de Letras, fundada no ano de 1922, a primeira do País a admitir mulheres em seus quadros, desde o primeiro encontro de fundação, carrego nos frágeis ombros e em limitados recursos pessoais, uma ilustre carga de soma centenária, que deposito no coração do Rio de Janeiro, no epicentro de uma entidade das mais representativas de nossa cultura histórica. A responsabilidade é tamanha e não posso causar decepção e nem repetir uma história que o Brasil conhece e cujo desenrolar em 160 anos de existência, o querido Rio de Janeiro acompanha, honra, dignifica e contribui. Daí, meus confrades do Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro e convidados dessa tarde, não relembrarei as figuras de D. Pedro II, Major de Engenheiros Júlio Frederico Köeler, Paulo Barbosa da Silva, Aureliano de Souza Coutinho, Caldas Vianna, Amaro Emilio da Veiga e tantos que idealizaram, criaram e sedimentaram a urbe nos altiplanos da suave Serra da Estrela. Não! Tampouco farei referência de pesquisa aos fatos marcantes que elevaram Petrópolis à honraria de jóia histórica nacional. Passarei, em vôos acima das nuvens, sem visão da terra firme, por cima de todo o período imperial da cidade; olharei apenas as vicissitudes geradas pela quartelada de 15 de novembro de 1889, que mudou a face política, mantendo, no entretanto, o povo em letárgico desenvolvimento sob parcos recursos deitados à dignidade da educação e da cultura, legado pífio que assombra a todos até nossos dias; fixarei um acontecimento raro e precioso da vida petropolitana. Comemorarei os 160 […] Read More
EXERCÍCIO DIRETO DO PODER – SOBERANIA POPULAR – PARABÉNS, PETRÓPOLIS!
EXERCÍCIO DIRETO DO PODER – SOBERANIA POPULAR – PARABÉNS, PETRÓPOLIS! Arthur Leonardo de Sá Earp, associado titular, cadeira n.º 25, patrono Hermogênio Silva Na oportunidade em que Petrópolis vive tão importante e festejado aniversário, vale ressaltar uma das suas virtudes desde o nascimento. Esquecidos dela, muitos buscam instrumentos para fazer funcionar, hoje, de acordo com as normas constitucionais, a participação popular nos destinos do Município. No que toca à Cidade e a algumas outras partes do Município, existe possibilidade de organizar este exercício da cidadania com segurança e rapidez, bastando apenas resolver pormenores. O fato é que não há necessidade de definir áreas para equacionar a efetiva atuação da soberania popular. Elas já estão definidas! Cada quarteirão tem base física própria, incluindo prazos (lotes) com seqüência numérica específica. Ainda que as fronteiras dos quarteirões hajam passado para o esquecimento no uso diário, se convocados os proprietários, habitantes, moradores, comunidades, que estejam vinculados a prazos de uma determinada seqüência numérica, ver-se-á imediatamente constituída a população de tal área. E, como no planejamento inicial da Cidade esta área não foi delimitada por critérios meramente arbitrários, mas por princípios predominantemente ecológicos, os problemas que a ela se referirem serão comuns a todos os que ali viverem. Assim é que, por exemplo, se forem chamadas todas as pessoas titulares de interesses em prazos com numeração iniciada por 3.400, ter-se-á formado o corpo popular representativo do Quarteirão Presidência. Seguindo no exemplo, para alguém estar incluído em determinada consulta popular a comprovação de ligação ao prazo significará o mesmo que título de eleitor. Isto pode ser feito de logo. Os pormenores precisam ser trabalhados, mas o fundamental já existe, desde os primeiros momentos da aniversariante Petrópolis. O assunto lembra questão que merece ser analisada. Há algumas designações urbanas que não tiveram por fonte o Plano Koeler, mas brotaram do uso popular, da iniciativa privada, etc. São nomes que estão na fala do dia a dia e não devem ser combatidos, apenas situados na medida do possível. Sua utilidade não é grande, porque em geral são designações de áreas não suficientemente definidas. O Valparaíso, continuando em termos de exemplo, permite bem mostrar isto. É designação popular, respeitável. Dada, porém, a sua indefinição, ela, que nasceu aplicada vagamente restrita ao espaço formado pelas Av. Portugal e ruas próximas, foi-se alargando ao sabor das opiniões particulares porque ninguém pode saber onde começa ou termina. É, ao contrário, perfeitamente […] Read More
TEATRO DOM PEDRO (O)
O THEATRO D. PEDRO Carlos Alberto da Silva Lopes (Calau Lopes), associado efetivo, titular da cadeira n.º 7, patrono Bartholomeo Pereira Sudré Em 2 de janeiro de 1933, por obra e graça de João D`Ângelo, Petrópolis assistia à inauguração do Theatro D. Pedro, resultado da ousadia de um empreendedor que soube liderar parentes, amigos, artistas e profissionais de habilidade como: Armando de Oliveira, Francisco De Carolis, Roberto Gabuni e Carlos Shaefer, todos mobilizados para que um belo sonho virasse realidade. Por algum tempo aquela casa de artes recebeu vários e interessantes espetáculos, mas os custos de produção e de manutenção do espaço levaram-no a ser arrendado para funcionar como cinema. Em meados dos anos 60, com o crescimento do movimento cultural petropolitano, em especial na área do teatro, Maurício Silva e Raul Lopes encabeçaram uma manifestação que sugeria ao Prefeito Paulo Gratacós a desapropriação do D. Pedro, a fim de transformá-lo em nosso Teatro Municipal. E a ideia só não vingou porque o prefeito teve seu mandato cassado pela ditadura militar antes que pudesse consumar o ato. Passaram-se os anos, e a demanda, as reivindicações por um teatro da municipalidade só aumentaram. O evento Scena Serrana 83, que coordenei, foi um grande marco no posicionamento da classe teatral sobre políticas públicas para as artes cênicas, a influenciar várias ações e conquistas nos anos subseqüentes, dentre elas, a ocupação, em 1987, do prédio do antigo Matadouro Municipal, hoje Escola Carlos Chagas, para abrigar o projeto Teatro da Cidade, depois abandonado. Em 1989 volta à Prefeitura Paulo Gratacós, disposto a cumprir o compromisso assumido com a comunidade artística, discutido em seu primeiro mandato, em 1968. E o faz pelo Decreto 55, de 29/06/1989, desapropriando o imóvel relativo ao Theatro D. Pedro, inicialmente chamado Teatro Imperial de Petrópolis (a um teatro republicano?), corrigido depois para a denominação consensual de Teatro Municipal de Petrópolis (Decreto 732/1992), “porque era o nosso teatro público; porque era e é, desde então, o teatro da cidade de Pedro, simplesmente”. Eu estava lá, no palco, partícipe do elenco de “Petrópolis em Revista”, a peça que no final de dezembro de 1992 re-inaugurava o nosso Teatro. Sou testemunha da alegria reinante, dos inúmeros melhoramentos realizados naquele nobre espaço, ainda que muito precisasse ser feito. Durante o governo Sérgio Fadel (1993/1996), houve uma precária, mas significativa ocupação do espaço pelo movimento teatral petropolitano e o pagamento do restante da desapropriação […] Read More