PAULO GOMES DA SILVA, DR. – IN MEMORIAM

PAULO GOMES DA SILVA, DR. – IN MEMORIAM Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette Encontramo-nos reunidos para relembrar a personalidade de nosso consócio Paulo Gomes da Silva, arrebatado da existência terrena, a 22 de setembro de 1998. Nascido a 22 de dezembro de 1912, no Município de Sumidouro, no Estado do Rio de Janeiro, fez seus estudos iniciais na Fazenda São Francisco de Paula, tendo como professora sua irmã D. Antonieta Gomes da Silva, e o curso médio no Colégio Brasil, em Niterói, cidade onde também se bacharelou em Direito em 1937. Inclinando-se ao magistério, foi nomeado professor do Instituto de Educação do Estado do Rio de Janeiro, após ter sido aprovado em concurso de provas e títulos, para reger a cadeira de História da Civilização. Posteriormente, cursou a Faculdade Nacional de Filosofia, bacharelando-se em História da Filosofia, em 1942. Seis anos mais tarde, ingressou como professor de História da América, na Faculdade de Filosofia da Universidade Federal Fluminense e na Faculdade de Direito da mesma Universidade, na qual regeu as cadeiras de Direito Internacional Privado e Direito Comercial e Constitucional, chegando, por sua competência e dedicação a ocupar os cargos de Diretor da Faculdade de Direito e Reitor da citada Universidade, os quais exerceu com dinamismo e devotamento. Vindo residir em Petrópolis, em 1949, continuou sua brilhante carreira no magistério, lecionando nos Colégios São José e Werneck e na Escola Técnica de Serviço Social. Aqui, foi ainda professor fundador da Faculdade Católica de Direito de nossa Universidade, sendo, por duas vezes, diretor da mesma, conquistando, por suas qualidades, a amizade e o respeito dos alunos, professores e dirigentes da tradicional instituição de ensino superior. No Instituto Histórico de Petrópolis, foi admitido como sócio efetivo, a 3 de novembro de 1952, para a vaga aberta com o falecimento do sócio-efetivo-fundador, dr. Alcindo Sodré. Na oportunidade, a Comissão de História que examinou a proposta de sua admissão, teve como relator o renomado Prof. Hélio Vianna, que assim se pronunciou: “recomendo a aceitação de sua admissão por seu evidente interesse pelos temas da História do Brasil e regional, quer nos trabalhos das cátedras que tem exercido, quer nos artigos que tem publicado em jornais e revistas do país”. Em nosso Instituto, foi um sócio dedicado, destacando-se sempre por suas oportunas sugestões e pareceres, conquistando o reconhecimento de seus pares que o elevaram à dignidade […] Read More

PETRÓPOLIS … SÓ!

PETRÓPOLIS … SÓ! Francisco José Ribeiro de Vasconcellos, Associado Emérito, ex-Titular da Cadeira n.º 37 – Patrono Sílvio Júlio de Albuquerque Lima Vinte e quatro de junho, dia consagrado a São João! Nesta urbe não há razões para que se soltem foguetes. Ou haverá? A capital do Estado nestas serras, agoniza. Para os perdigueiros da História, que do tema trataram, sem os devidos e necessários aprofundamentos críticos, ao invés de alvíssaras, o mais trevoso de profundis. Mas será mesmo que a volta da capital fluminense ao seu antigo ninho, chancelada pela Assembléia Legislativa naquele ano da graça de 1902, representava tanta desgraça assim para Petrópolis? O certo é que tanto os prós como os contras desse movimento serra abaixo nunca foram suficientemente esclarecidos e esmiuçados. Talvez seja este o momento apropriado para a discussão de tão instigante assunto, justo quando se completam cem anos da perda sofrida por Petrópolis do seu status de capital do Estado. Vinte e quatro de junho de 1902. Nesse dia, a Gazeta de Petrópolis abriu espaço na primeira coluna de sua primeira página para expor as suas razões concernentes ao tema. Fê-lo com sobrançaria e elegância, fixando sua posição e apresentando alguns motivos propiciadores da mudança. Desde que foi levantada a questão em epígrafe, a “Gazeta”, manifestara-se contrária à idéia da saída da capital de Petrópolis. E não o fazia por bairrismo ou vaidade, mas com base em verdades inelutáveis. Por razões circunstanciais e de há muito conhecidas e debatidas, o caput do Estado do Rio de Janeiro subiu de Niterói para Petrópolis, em caráter temporário, em princípios de 1894, por causa das turbulências criadas na Baia da Guanabara pela Revolta de 6 de setembro de 1893, dita da Armada. Depois, já cessada a causa da súbita transferência, a Assembléia, em outubro daquele mesmo 1894, votou a mudança definitiva da capital para esta urbe. E foi com base nessa promessa de estabilidade, de coisa julgada, de situação irreversível, que pesados investimentos públicos e particulares foram feitos em Petrópolis, que grandes interesses deslocaram-se para cá, que se começou a repensar e redesenhar o mapa político, econômico, viário, educacional e sanitário do Estado do Rio de Janeiro, a partir do privilegiado posto de observação oferecido pelo alcantilado destas serras. Demais, o momento era inoportuno em face da dificílima situação financeira que atravessava a terra fluminense, incompatível com as pesadas despesas que a mudança provocaria. Dentre tantas causas […] Read More

ENGENHEIRO PETROPOLITANO (UM)

UM ENGENHEIRO PETROPOLITANO Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Associado Titular, Cadeira n.º 14 – Patrono João Duarte da Silveira JOSÉ MARIA DA SILVA VELHO nasceu em Petrópolis a 31 de agosto de 1875, filho de José Maria da Silva Velho (médico e amigo íntimo do Imperador D. Pedro II) e de Carolina Monteiro da Silva Velho, neto paterno do Conselheiro José Maria Velho da Silva, (Mordomo da Casa Imperial que firmou a portaria que legaliza o Ato de 1º de abril de 1846, firmando as instruções sobre o aforamento perpétuo das terras petropolitanas e que consta em todas as Cartas ainda hoje emitidas pela Cia. Imobiliária de Petrópolis) e de Leonarda Maria Velho da Silva e neto materno de Manoel Rodrigues Monteiro (Conde da Estrela) e de Eugênia Bastos Monteiro. Passou a infância na Corte do Rio de Janeiro, no prédio do hoje Palácio do Itamarati, então propriedade de seus ascendentes e onde residiam os pais. Ele nasceu, durante um dos veraneios da família, em Petrópolis, onde a família mantinha residência estival. Seus estudos iniciais ocorreram no Colégio Pedro II, na capital do Império. Na exata data da proclamação da República o menino de 14 anos prestaria os exames finais no Educandário, mas pela ocorrência do feriado inesperado, não pode realizá-los e só mais tarde ali completou o Curso de Humanidades. Seu ideal, no entanto, não encontrava eco nas disciplinas do curso pois se apaixonara pela grande novidade científica daqueles dias, a eletricidade. Sua família mostrava-se contrária ao desejo do jovem, preferindo que ele seguisse uma carreira tradicional na família, a diplomacia ou a política e mesmo porque não havia curso médio e nem superior daquela maravilhosa e nova tecnologia. Contrariando a todos ingressa como simples operário na empresa “Mitchel & Cole”, representantes no Brasil da “General Eletric Company”, alimentado pelo desejo de aprender tudo sobre energia elétrica e sua gradativa introdução na vida brasileira. Iniciado o século XX, ano de 1901, o jovem segue para os Estados Unidos, com uma carta de recomendação de Mr. James Mitchell, chefe da “General Eletric” no Brasil, para trabalhar na mesma empresa em Schenectady, onde, nos primeiros meses de trabalho galga posto de chefia, mesmo sendo estrangeiro. Regressa ao Brasil, entrega-se de corpo, alma e competência ao trabalho de engenharia elétrica, tornando-se o grande pioneiro da implantação da energia elétrica no país. Conclui com sucesso seu primeiro trabalho na cidade de Campos, o […] Read More

ERA UMA VEZ UMA INDÚSTRIA DE PAPEL . . .

ERA UMA VEZ UMA INDÚSTRIA DE PAPEL . . . Raul Ferreira da Silva Lopes, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 32, Patrono – Oscar Weinschenck Era uma vez . . . Petrópolis já teve um período de prosperidade industrial com seu parque têxtil, cervejaria, fábrica de papel e outras mais, gerando milhares de empregos, mas isto tudo , “Era uma vez . . .” Na Feira Internacional de Amostras do Rio de Janeiro, realizada em 1933, a Companhia Fábrica de Papel de Petrópolis marcou presença, publicando, também, um álbum com homenagens a autoridades nacionais e ilustrado com fotos da época, da indústria de Papel e aspectos da cidade. Era Prefeito de Petrópolis, Yeddo Fiuza. Para que os leitores possam avaliar a grandeza dessa indústria para Petrópolis e para o Brasil, tomo a liberdade de transcrever fielmente a apresentação do álbum: A INDÚSTRIA DE PAPEL NO BRASIL “Uma das indústrias mais florescentes, hoje em dia no Brasil, é, sem dúvida, a da fabricação de papel. Não obstante o considerável aumento do consumo, determinado pelo desenvolvimento natural de todas as atividades comerciais, a importação de papel estrangeiro descreve uma acentuada curva de diminuição no quadro das nossas estatísticas. Nenhum núcleo industrial de importância em nosso país se recente da produção de papel, necessário não somente às suas atividades locais, como também ao suprimento de mercados das diferentes unidades da Federação. O papel nacional emula admiravelmente como artigo da mais fina qualidade alienígena e a sua preferência vai ganhando terreno no consenso dos consumidores. Petrópolis é a cidade pioneira e o berço da indústria do papel no Brasil. Data de mais de 70 anos a instalação do primeiro estabelecimento fabril, na cidade serrana. De recursos técnicos e mecânicos incipientes, empregando um processo rudimentar e oneroso, essa notável iniciativa, que já se reveste da significação de acontecimento histórico, foi devida ao eminente brasileiro Dr. Guilherme Capanema (Barão de Capanema) o qual tão úteis e relevantes serviços prestou ao país, como uma dos mais tenazes propugnadores da expansão das nossas linhas telegráficas. Contando hoje como um dos estabelecimentos fabris para a produção de papéis finos, tal a Fábrica de Papel de Petrópolis, a Cidade do Imperador pode, muito justamente, orgulhar-se do seu papel de pioneira industrial nesse futuroso setor da produção brasileira. Vale assinalar aqui algumas das etapas mais marcantes do progresso e do desenvolvimento da indústria do papel no Brasil. Iniciada com êxito em Petrópolis, […] Read More

REMINISCÊNCIAS DE ALGUMAS FESTAS BENEFICENTES EM FAVOR DAS OBRAS DA CATEDRAL

REMINISCÊNCIAS DE ALGUMAS FESTAS BENEFICENTES EM FAVOR DAS OBRAS DA CATEDRAL Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette Em 29 de novembro de l925, com imponente cerimônia religiosa, foi inaugurada a nova Matriz, posteriormente Catedral de Petrópolis, após quase cinqüenta anos de esforços. A grande inspiradora e principal benfeitora da construção da Catedral foi, sem dúvida, a Princesa Isabel. Foi ela quem insistiu junto ao Imperador, seu pai, na construção do novo templo, no morro do Belvedere, em razão das condições modestas da primeira Matriz, construída em l848, em frente ao Palácio Imperial. Em l2 de março de l876, foi lançada a pedra fundamental da nova Matriz, com a presença do Imperador Dom Pedro II, da Princesa Isabel e seu esposo o Conde D’Eu e das seguintes autoridades: Barão de Cotegipe, Ministro da Fazenda; José Bento da Cunha Figueiredo, Ministro da Justiça; Diogo Velho Cavalcante de Albuquerque, Ministro do Império; Conselheiro Pinto Lima, Presidente da Província; Paulino Afonso Pereira Nunes, Presidente da Câmara Municipal; todos os vereadores petropolitanos e a Irmandade do Santíssimo Sacramento de São Pedro de Alcântara. Na ocasião, num pavilhão erguido anteriormente, o internúncio apostólico, Monsenhor Luiz Bruschetti, celebrou uma missa, coadjuvado pelo padre Theodoro Esch. Segundo nos informa Fróes “esta solenidade do lançamento da pedra fundamental foi prematura, pois, o edifício ainda não tinha projeto, nem mesmo fundos para custeio…” (1). (1) FRÓES, José Kopke. A Catedral de Petrópolis e seu Jubileu de Ouro em 29 de novembro de l975. Tribuna de Petrópolis, lº de janeiro de l975. Segundo Caderno. Realmente, até l88l, nenhuma providência efetiva foi tomada em favor do início das obras. Neste ano, regressando a Princesa Isabel de uma viagem à Europa, insistiu junto ao Presidente da Província, Bernardo Avelino Gavião Peixoto, na retomada do projeto. Este encarregou o engenheiro Francisco Caminhoá de elaborar um projeto para a construção do novo templo, projeto este que foi orçado em aproximadamente mil contos de réis. O Presidente da Província solicitou à Assembléia a aprovação da abertura de um crédito de l00 contos de réis, e nomeou uma comissão para se encarregar das obras e angariar inclusive donativos para as mesmas. Foi então lançada a segunda pedra fundamental, em l8 de maio de l884, no lugar onde hoje fica o altar-mór e comprado o terreno e a casa pertencentes ao Barão do Flamengo, conforme noticiou o Mercantil, em 7 […] Read More

IDADE MÉDIA, ÉPOCA DE TREVAS? A FAMÍLIA IMPERIAL BRASILEIRA E SUA SAGRADA ESTIRPE MEDIEVAL.

IDADE MÉDIA, ÉPOCA DE TREVAS? A FAMÍLIA IMPERIAL BRASILEIRA E SUA SAGRADA ESTIRPE MEDIEVAL. Otto de Alencar Sá Pereira É impressionante a estirpe sagrada de antepassados dos nossos Príncipes. Se não, vejamos: A tão conhecida e venerada Sta. Edwiges (+ 1243), nascida Princesa da Merânia, por casamento tornou-se Princesa da Polônia. Uma de suas irmãs foi Rainha da Hungria (1197-1231) também por matrimônio e, mãe de Sta. Isabel da Hungria a qual, por casamento tornou-se Duquesa da Turíngia. Uma irmã desta, Sta. Isabel, foi Rainha de Aragão por matrimônio e mãe de Sta. Isabel de Aragão, Rainha de Portugal (1271-1336), por se ter casado com D. Diniz I, Rei de Portugal, antepassado dos Reis deste Reino e dos Imperadores do Brasil. O presente artigo, ao tratar da Idade Média, conta um episódio como exemplo, justamente, da tia da Rainha Santa Isabel de Portugal, a Sta. Isabel da Turíngia. Vemos, por aí, uma estirpe de Rainhas Santas canonizadas pela Igreja, antepassadas diretas de nossos Príncipes, como Sta. Isabel, esposa de D. Diniz; ou colaterais como Sta. Isabel da Hungria e da Turíngia, tia materna da anterior da qual falaremos, ou a nossa tão popular, no Brasil, Sta. Edwiges, Princesa da Merânia e da Polônia, tia-avó da Rainha Santa, esposa de D. Diniz. Além destas Santas tão conhecidas, a Família Real Portuguesa e especialmente a Família Imperial Brasileira (que possui a varonia dos Orleans de França pelo Príncipe Gastão de Orleans, o Conde d’Eu) descendem do Rei S. Luiz IX, (1214-1270), e do Beato Condestável D. Nuno Álvares Pereira (1360-1431). Descendem também de S. Vladimir (+ 1015), Príncipe de Novgorad e Grão-Duque de Kiev (uma neta dele casou-se com Henrique I de França, antepassado dos Bourbon-Orleans). Entretanto colateralmente pelos Reis de Portugal, pelos Reis de França, pelos Imperadores do Sacro-Império (estirpe de D. Leopoldina, nossa 1ª Imperatriz), as famílias Real Portuguesa e Imperial Brasileira, ainda têm como antepassados os Reis Santo Estevão da Hungria, S. Fernando de Castella, Santo Henrique da Alemanha, etc., etc… Todos, como se pode observar, Reis Santos que viveram na Idade Média, na “Doce Primavera da Fé” (Leão XIII). E a baixa, que se estrutura à partir da Segunda orda de invasões bárbaras do século X, quando então se forma, aos poucos, a organização feudal. O fim da Baixa Idade Média dá-se, oficialmente, no século XV com a queda do Império Romano do Oriente, derrubado pelos Turcos, conhecida […] Read More

MITO DOS COROADOS (O)

O MITO DOS COROADOS Sylvio Adalberto, a convite Em 1500, à época do descobrimento, calcula-se que havia, espalhados por todo o litoral, cinco milhões de índios. Cem anos depois, por volta de 1600, os maiores grupos do litoral, de predominância Tupi, já haviam sido exterminados. No final do século XVI o número de colonos portugueses, ainda não ultrapassava a casa de poucas dezenas de milhares, a que se somava um número crescente de escravos negros e um número indefinido, com enorme capacidade de multiplicação, representado pelos mestiços mamelucos, filhos de portugueses e outros europeus, com mulheres índias, que dentro em pouco seria a maioria da população. A partir dos cruzamentos, os filhos de europeus com índias, identificavam-se geneticamente com os pais e para todos os efeitos, sociais e culturais, não eram índios. Assim os índios brasileiros de tradição Tupi, começaram a desaparecer como povos, na primeira geração de mamelucos, que eram índios, em tudo, na fenotipia, nos hábitos e na língua, transformaram-se, historicamente, nos mais eficazes e irreconciliáveis perseguidores das populações indígenas. Três pestes contribuíram para acelerar o processo de extermínio: as guerras, entre eles e contra o colonizador, a miscigenação e a catequese. A essência da raça brasileira é tipicamente Tupi, a raça predominante. Tudo o que herdamos dos índios é proveniente dos tupis. Somos etnicamente uma raça tupinizada. Até 1725 a língua principal do Brasil era o Tupi, a lusitanização do país, a lingüística, só tem inicio com a chegada dos primeiros escravos. Acredita-se que os euscaras, ou bascos da Europa, provavelmente serviram de massa ancestral aos povos que dominaram esse território. A língua que falavam, o typi, cabeça de geração, é surpreendente. Chamam-se também tapuias, que quer dizer avós. A guerra entre tribos, sua principal ocupação e encarada com tal naturalidade, que fazia parte dos ritos e das celebrações religiosas, era a causa principal da subdivisão das tribos. Invadindo e conquistando, a lei era exterminar os varões e conservar as mulheres e crianças, que representavam a futura força militar e o poder econômico ativo da tribo. A escravidão da mulher já era anterior a todos os costumes e condição inseparável da vida, que a própria natureza, imoral por índole, justificava no panteísmo cruel que alicerça as religiões primitivas, inspiradas na força bruta e na guerra. As mulheres encontravam na tribo outras mulheres na mesma condição de escravas e faziam o serviço pesado, a que eram obrigadas, incompatível […] Read More

PRIMEIRAS BATALHAS ELEITORAIS EM PETRÓPOLIS (AS)

AS PRIMEIRAS BATALHAS ELEITORAIS EM PETRÓPOLIS Francisco José Ribeiro de Vasconcellos, Associado Emérito, ex-Titular da Cadeira n.º 37 – Patrono Sílvio Júlio de Albuquerque Lima Quando Petrópolis se preparava para enfrentar suas primeiras eleições municipais, de modo a ingressar na vala comum das comunas fluminenses em pleno século XIX, a Câmara Municipal de Vassouras levantava a bandeira em busca de um pouco de arejamento na administração dos municípios da Província. Era uma tentativa que, no entanto, não encontrou receptividade nos meios políticos da época e que só lograria êxito depois de consolidada a República. Augusto Emílio Zaluar, sob o título “O Elemento Municipal”, deu conta do arroubo vassourense, na edição de 10 de janeiro de 1858 de “O Parahyba”. Vejamos os lances mais significativos dessa matéria: Tratava-se de um ofício dirigido pela Câmara de Vassouras a todas as demais câmaras fluminenses, solicitando o empenho de cada uma no sentido de obter-se dos poderes provinciais e centrais a municipalização dos impostos da décima urbana, patentes de aguardente, contribuição de polícia e consumo de gado. Cada um desses impostos, dizia Zaluar, “merece uma discussão séria, para provar-se a necessidade e conveniência de sua municipalização e essa discussão terá sem dúvida lugar mais tarde em nossas colunas”. O articulista, de certa forma, agitava a questão da autonomia municipal, que uma década mais tarde seria um dos postulados fundamentais da propaganda republicana. E cobrava o afastamento da política, ou melhor, dos interesses e das manipulações dos políticos, da administração dos municípios. A vida municipal não deveria estar ao alcance das barganhas dos grupos em disputa do poder nas esferas provinciais e nacionais. “Os interesses que as Câmaras Municipais são chamadas a promover, são de natureza a repelirem qualquer ingerência do político na sua direção e, tanto embaraço tem este achado em tomar assento nas cadeiras dos vereadores, que ciosa de tudo quanto possa ser utilizado em favor de seus manejos, lhes tem sorrateiramente cassado todos os mais importantes direitos, deixando-os quase reduzidos a simples administradores de obras, para as quais não há fundos”. E mais adiante: “… o que se quer é que o elemento municipal reganhe a ação que lhe compete”. A primeira Câmara a dar respaldo às postulações da de Vassouras foi a de Paraíba do Sul. Mas, apesar de tanto esforço, fosse na tribuna, fosse na imprensa, fosse nas trincheiras da burocracia, o marasmo e a politicalha impuseram-se cada vez mais […] Read More

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO BISPO DE PALMAS, O PETROPOLITANO D. CARLOS EDUARDO SABÓIA BANDEIRA DE MELO

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DO BISPO DE PALMAS, O PETROPOLITANO D. CARLOS EDUARDO SABÓIA BANDEIRA DE MELO Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Frei Estanislau Schaette Comemora-se este ano o centenário de nascimento de Dom Carlos Eduardo Sabóia Bandeira de Melo, primeiro bispo da Diocese de Palmas no Paraná. Dom Carlos Eduardo nasceu em Petrópolis, à Rua Paulino Afonso, em l º de julho de 1902, sendo seus pais o desembargador João Pedro Sabóia Bandeira de Melo e D. Carolina Pinheiro Bandeira de Mello. Dom Carlos Eduardo foi o último filho da numerosa família Sabóia Bandeira de Melo, estimadíssima nos meios sociais petropolitanos, já que seu pai aqui exerceu durante longos anos as altas funções de Juiz de Direito, “deixando seu nome impresso em milhares de corações pela probidade e nobreza de sentimentos, amplamente patenteadas no longo exercício de suas altas funções” (1). Caráter forte e esclarecido, o Dr. João Pedro Sabóia Bandeira de Melo sempre primou pela mais perfeita probidade e imparcialidade no exercício de sua magistratura. Católico convicto, fez grande amizade com os religiosos franciscanos de nossa cidade, chegando a pertencer à Ordem Terceira de São Francisco. (1) Tribuna de Petrópolis, 09 de março de 1948. Dom Carlos Eduardo perdeu o pai com apenas quatro anos de idade e bem cedo sentiu sua inclinação para a vida religiosa, ingressando na Ordem Seráfica. Assim, em 10 de fevereiro de 1911, ingressou no Seminário Seráfico Santo Antônio, em Blumenau, Santa Catarina, onde em seis anos concluiu o Ginásio, entrando em seguida para o noviciado da Ordem Franciscana em Rodeio, no mesmo Estado. Em seguida cursou Filosofia no Convento Bom Jesus, em Curitiba, e logo após Teologia no Convento dos Franciscanos, em Petrópolis, cidade onde foi ordenado sacerdote, em 4 de janeiro de 1925, por Dom Agostinho Benassi, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Foi professor e prefeito do Seminário Seráfico de Rio Negro no Paraná e coadjutor e pregador nas paróquias de rio Negro e Mafra, em Santa Catarina. Eleito definidor provincial da Província da Imaculada Conceição no Brasil, encontrava-se no exercício destas funções, quando, a 1 º de agosto de 1936, foi nomeado administrador apostólico da Prelazia do Senhor Bom Jesus da Coluna dos Campos de Palmas, pelo Papa Pio XI. Foi o segundo prelado de Palmas que abrangia uma área de aproximadamente trinta mil quilômetros, onde habitavam cerca de cem mil almas, entre […] Read More

HOMENAGEM A PEDRO RUBENS

HOMENAGEM A PEDRO RUBENS Joaquim Eloy Duarte dos Santos, Associado Titular, Cadeira n.º 14 – Patrono João Duarte da Silveira Repentinamente a palavra da comunicação coloquial e escrita falha inexoravelmente. Por vezes nem o balbucio imperceptível ao ouvido humano sai do imponderável silêncio gelado, o mesmo das alturas do espaço infinito sem atmosfera. Os dedos febris que a mocidade exercitava em rabiscos de caligrafia, que em seguida tomaram de assalto as engenhocas de escrever, e que hoje dedilham os teclados do equipamento informático, não conseguem dobrar as falanges, coitadas, enrijecidas pelo sentimento profundo de espanto e perda total. O vasto dicionário da língua torna-se impotente na busca da terminologia adequada à transmissão de um sentimento pungente que vem lá da recordação de dias de vida e de felicidade, de amor e companheirismo, de dignidade, firmeza e elevado sentimento de fraterna amizade. Quisera encontrar as palavras mais ternas, mais lindas, para falar de você, meu leal amigo, meu sensato companheiro de jornadas profissionais, meu exemplo de coragem e de vida deitada ao próximo sem vacilações ou pensamentos negativos. Se as tivesse agora tentaria dizer que Pedro Rubens Pantolla de Carvalho, que nos deixou na noite de 19 de abril, traduzia o cidadão perfeito, de maravilhosa alma cristã, de sentimentos nobres, de criatura humana acima do trivial limite definidor da bondade magnânima de um coração pronto para servir… Ele excedia qualquer conceituação de lealdade e de amor ao próximo. Pedro Rubens entrou em minha vida no primeiro dia de julho do ano de 1960. É ele, amigo querido, que narra esse encontro em um carta recente que trocamos pela Internet: “Foi assim e é assim desde os meus primeiros momento de trabalho no saudoso Berj quando, naquele dia ensolarado, mas bastante frio, iniciei-me na carreira de bancário através de seus ensinamentos. Daí para a frente, a coisa funcionou mais ou menos como a “corda e a caçamba”. E você, meu primeiro amigo da primeira hora, agindo com sua liderança nata, sempre me empurrando para a frente, fosse no Banco ou fora dele. O tempo rolou. Muitos relógios quebraram, mas de nada adiantou: sempre havia um contando as horas. Chegou a hora da família. Construímos as nossas. As responsabilidades aumentaram pois os filhos não ficam eternamente crianças. E, de repente, diante do espelho, damos conta dos cabelos brancos. Fim de linha. Aposentadoria que chega, mas o trabalho não pára. Aqui e ali, sempre […] Read More