EXÍLIO E A MORTE DE D.PEDRO II (O)

O EXÍLIO E A MORTE DE D.PEDRO II Jeronymo Ferreira Alves Netto, Associado Titular, Cadeira n.º 15 – Patrono Estanislau Schaette Dezembro é o mês da evocação de D.Pedro II. Neste mês veio ao mundo, às 13 horas, no Palácio Boa Vista, em São Cristóvão; neste mês seus olhos cerraram para sempre no Hotel Bedford, em Paris. Atendendo à incumbência que me foi determinada pelo Instituto Histórico de Petrópolis, do qual sou parte mínima, devo discorrer sobre os últimos anos do reinado do Imperador, seu exílio e sua morte. Procurarei pois, desincumbir-me de tão honrosa tarefa, mantendo-me, rigorosamente, dentro dos limites prefixados pelo Instituto. O ideal republicano esteve quase sempre presente nas primeiras manifestações libertárias, do período colonial. Não obstante, a idéia republicana, “como força organizada e não como idéia isolada”, surgiu com a reação liberal, iniciada com a queda do Gabinete chefiado por Zacarias de Góis e Vasconcellos, em 1868. Foi a partir deste fato, segundo nos informa Oliveira Viana, que teve inicio a “descrença progressiva nas virtudes do sistema monárquico parlamentar e uma crescente aspiração para um novo regime, uma nova ordem de coisas” (1). (1) Citado por José Maria Bello, in História da República. São Paulo, Cia. Editora Nacional, 1959, p.5. A atitude do Imperador, derrubando o citado Gabinete, teve que ser completada pela dissolução da Câmara, liberal em sua maioria, fato que acarretou um profundo descontentamento nos meios liberais brasileiros, provocando exacerbadas críticas pela Imprensa e no Parlamento. Ato contínuo, quase dois anos mais tarde, organizou-se o Partido Republicano, que, a 3 de dezembro de 1870, divulgou seu primeiro manifesto, o qual procurou demonstrar a ação “repressiva e despótica” da instituição monárquica, sem contudo conter qualquer proposta de ruptura brusca com o regime vigente. Seus signatários apresentaram-se como “homens livres e essencialmente subordinados aos interesses da (…) pátria, que não pretendiam convulsionar a sociedade (…) [mas, sim,] esclarecê-la” (2). (2) PESSOA, Reynaldo Carneiro. A idéia republicana no Brasil, através de documentos. São Paulo, ALFA-OMEGA, 1993, p.40. Pode-se portanto perceber que este manifesto foi um documento sem a necessária vibração emocional, que não conseguiu empolgar a opinião pública. Por outro lado, a atuação de D. Pedro II, homem simples, de temperamento pacífico, identificado com as questões nacionais, com grande senso de justiça, liberal por índole, realizando uma grande obra administrativa, bem como as qualidades morais dos homens públicos que com ele trabalharam durante quase 50 anos, “quase […] Read More

INFLUÊNCIA DAS “VOZES” NA CULTURA PETROPOLITANA (A)

A INFLUÊNCIA DAS “VOZES” NA CULTURA PETROPOLITANA Paulo Machado da Costa e Silva, Associado Emérito, ex-Titular da Cadeira n.º 2 – Patrono Alcindo de Azevedo Sodré, falecido A EDITORA VOZES LIMITADA, por motivo da celebração de seu primeiro centenário de existência, vem recebendo em vários pontos do País um grande ciclo de homenagens. Por isso, também nós aqui, em Petrópolis, com o apoio do Professor Jeronymo Ferreira Alves Netto, Presidente do Instituto Histórico de Petrópolis, do qual temos a honra de ser Vice-Presidente, queremos nos associar a esse merecido reconhecimento e louvor da EDITORA VOZES. Ela, há mais de cem anos, espalha entre o Povo Brasileiro sementes de instrução, de fé, de ciência, de arte, de história e de civilização com o objetivo de elevar a cultura do Povo como base de um progresso sustentado para toda a Nação. Naquele início do século XX, o grande instrumento dessa renovação cultural escolhido para realizar tão magna tarefa, que para os fundadores tinha o significado e o alcance de uma nova missão, além da publicação de livros escolares e religiosos, foi o lançamento das “VOZES DE PETRÓPOLIS, Revista mensal, religiosa, científica e literária, dirigida pelos Padres Franciscanos.” Era o que se lia na página de rosto do seu primeiro número. Isto ocorreu em julho de 1907. Completavam-se apenas 11 anos que os Franciscanos haviam chegado a Petrópolis, onde se encontravam desde 16 de janeiro de 1896. A modestíssima Tipografia da Escola Gratuita São José, montada pelos Frades, em 1901, nos porões do Convento, estava apenas em seu sexto ano de existência. Cabe aqui, antes de desenvolvermos o tema proposto, mas com ele conexo, prestarmos nossa homenagem à Editora Centenária. Melhor homenagem não poderia tributar do que a que fez Frei Vitório Mazzuco, OFM, seu Diretor Editorial, em o número 2 da revista CULTURA VOZES deste ano. Citaremos alguns trechos desse artigo, em que, rememorando a existência passada da Editora, lança olhares ambiciosos para seu futuro. “Qual o segredo desta obra franciscana que chega ao seu centenário? O segredo é coerência e fidelidade a seus princípios. De Inácio Hinte, seu primeiro Diretor, até os dias de hoje, VOZES tem claro sua missão, visão e valores.” …”A missão tem seus componentes que são a sua razão de ser: captar e gerar idéias para o diálogo entre as culturas e a fé cristã; o negócio: oferecendo produtos editoriais de boa qualidade; o mercado-alvo: a partir do […] Read More

MENTALIDADE QUE SE ETERNIZA (UMA)

UMA MENTALIDADE QUE SE ETERNIZA Aurea Maria de Freitas Carvalho, ex-Associada Titular, Cadeira n.º 4 – Patrono Arthur Alves Barbosa, falecida Dia em que se festeja o Zumbi dos Palmares, um feriado para comemorar o personagem que se tornou símbolo da luta contra a prática vergonhosa da escravização de seres humanos por outros seres humanos, da opressão de uma raça cuja única diferença consistia numa característica física: a cor. Felizmente, há 113 anos tivemos uma princesa que se viu tocada pela sorte de tantos e tantos desgraçados que sofriam já do ponto de vista físico, pois havia senhores de escravos que lhes infligiam castigos desumanos despejando sobre eles sua crueldade insensata, como do ponto de vista moral começando pela humilhação de serem vendidos em mercados corno animais. A vida de alguns daqueles infelizes era mesmo insustentável e se assemelhavam as piores fantasias que até hoje se fazem do inferno. Havia, na época da abolição da escravidão um grande movimento de almas já nem vou denominá-las boas ou caridosas – mas justas e sadias que se insurgiam contra essa abominável prática, sentindo-se mesmo envergonhadas e, até humilhadas, de viverem em um país que, sobretudo por questões financeiras, se sujeitava à execração mundial provocada por aquele estado de coisas. As pressões políticas eram grandes, tanto no sentido de acabar com a escravidão como no sentido de deixar as coisas como estavam. A princesa Isabel, aproveitando a oportunidade de uma viagem de seu pai, o imperador Pedro II, que a colocou no trono como Regente, deu fim à tão deplorável pratica extinguindo a escravidão no dia 13 de maio de 1888. Dia abençoado, dia em que os corações bondosos sentiram-se mais leves, dia luminoso para as almas bem formadas. A liberdade no Brasil atingia a todos, independente de onde tivessem nascido ou de que cor fosse a sua pele. Todos eram livres Mas aí começava um outro problema ao qual as nobres almas empenhadas no bem-estar dos escravos não haviam pensado: como iriam se sustentar aqueles ex-escravos, não tinham profissão, conheciam apenas os trabalhos que executavam para seus senhores, trabalhos de lavoura sem qualificação. A grande maioria deve ter continuado nas lavouras dos antigos donos. Quase nas mesmas condições anteriores apenas não podendo ser castigados fisicamente, mas carentes das condições de uma vida humana digna. Felizmente alguns já eram considerados quase como membros da família e ficaram como agregados, tendo casa e comida […] Read More

EXPRESSIVOS ACONTECIMENTOS LIGADOS À HISTÓRIA RELIGIOSA DE PETRÓPOLIS

  As atividades da Igreja Católica nas terras que constituem o atual Município de Petrópolis, começaram muito mais cedo que podemos imaginar. Os primeiros habitantes de nossas terras, portugueses, principalmente das Ilhas e seus descendentes, provenientes da Baixada Fluminense e de Minas Gerais, ligados pela fé católica, concorreram eficazmente para difundir a prática do Catolicismo nestas paragens. Assim, o primeiro centro religioso, segundo informa Schaette “surgiu em 1734, na fazenda do Dr. Euzébio Álvares Ribeiro, na Quadra das Pedras, localizada ao sul do píncaro da Maria Comprida, fazendo rumo com a Quadra de Araras” (1). (1) SHAETTE, Estanislau (Frei). Histórica Eclesiástica do Município de Petrópolis, in Petrópolis em 1948, Cia. Brasileira de Artes Gráficas. Rio, 1948, pág 71. Ali o ilustre fazendeiro construiu uma capela pública, em honra de Nossa Senhora da Conceição, com cemitério nas proximidades, a qual funcionou até 1760, prestando assistência religiosa aos viajantes em demanda de Minas Gerais e aos sitiantes Informa ainda o ilustre historiador que, “com a mudança de dono e da estrada geral, deixou de existir a Capela de Nossa Senhora da Conceição da Roça das Pedras” (2), como era popularmente conhecida. (2) SHAETTE, Estanislau (Frei). Os primeiros sesmeiros estabelecidos no território petropolitano, in Centenário de Petrópolis,1942, vol. V, pág 213. Referia-se certamente à Picada que, partindo do Tamarati, passava sucessivamente por Carangola, Rio da Cidade, Araras, Quadra das Pedras, indo encontrar o caminho do Secretário, caminho que foi modificado, quando foi traçada outra picada que, partindo do Tamarati, acompanhava o lado direito do rio Piabanha até a foz do rio Araras, onde o caminho passou para o lado esquerdo do rio Piabanha, alcançando as fazendas do Alto Pegado e do Secretário. Em 1749, Manuel Antunes Goulão, fazendeiro no Rio da Cidade, requereu à Cúria Episcopal do Rio de Janeiro permissão para construir em seus domínios uma capela em honra de “Nossa Senhora do Amor de Deus”, a qual foi concluída e recebeu benção eclesiástica em 1751. E ainda Shaette quem afirma que “os livros da freguesia de Inhomerim relatam atos religiosos na capela até 1808 e enterros no cemitério até 1841”(3). (3) SHAETTE, Estanislau (Frei). Histórica Eclesiástica do Municí pio de Petrópolis, in Petrópolis em 1948, Cia. Brasileira de Artes Gráficas. Rio, 1948, pág 72. A imagem de Nossa Senhora do Amor de Deus encontra-se hoje na Igreja, inaugurada em 28 de agosto de 1932, em Corrêas, ao contrário da imagem de […] Read More

IMPERIAL FÁBRICA DE CERVEJA NACIONAL – CIA. CERVEJARIA BOHEMIA

  Em fevereiro de 1854, um colono alemão, de nome Henrique Kremer, conceituado e hábil artista que se especializara em cobertura de casas com tabuinhas, vendia sua propriedade à Fazenda Provincial que a transformou no antigo e agora desativado Matadouro Municipal, hoje abrigando como sede a Companhia Municipal de Transportes. Com recursos obtidos na venda fundou, no Quarteirão Nassau, então rua dos Artistas, depois rua 7 de abril, atualmente rua Alfredo Pachá, uma fábrica de cerveja, origem primeira da consagrada e tradicional Cerveja Bohemia. Digo Cerveja Bohemia sim; Cia. Cervejaria Bohemia, não. Veremos a seguir. Com o falecimento de Henrique Kremer em 1865, foi constituída por seus herdeiros a firma Augusto Kremer & Cia., que existiu até 1876, época em que já possuia mais uma fábrica de cerveja em Juiz de Fora. Em 31 de agosto desse mesmo ano de 1865, separaram-se, comercialmente, os sócios e cunhados, ficando Frederico Guilherme Lindscheid, com a fábrica de Petrópolis; Augusto Kremer ficou com a fábrica de Juiz de Fora. Nas mãos e sob a administração de Frederico Guilherme Lindscheid a fábrica de cerveja de Petrópolis ganhou grande expressão e prosperidade, tornando-se o seu proprietário no industrial petropolitano mais rico do seu tempo. Por ocasião da partilha de bens em virtude do falecimento da mulher do industrial, Sra. Henriqueta Kremer Lindscheid, a fortuna declarada no Inventário totalizava 1.073: 973$840. Uma quantia fabulosa para a época: março de 1896. Tanto mais sabendo-se que nessa ocasião, o Inventário do Imperador D. Pedro II somou o valor de 1.5567: 080$131. Nessa partilha de bens a Sra. Carolina Lindscheid Kremer, casada com Henrique Kremer, neto do fundador, tocou uma parcela avaliada em 220: 000$000 representando a fábrica de cerveja e os prédios onde a indústria cervejaria funcionava. Em agosto de 1898, dois anos e cinco meses mais tarde, foi formada a Cia. Cervejaria Bohemia, que ficou com todos os bens da antecessora e cujos os diretores eram o mesmo Henrique Kremer e o Sr. Guilherme Bradae. Assim passados mais de cem anos, graças ao espírito empreendedor do colono que era um especialista em coberturas de casas com tabuinhas, segundo consta em várias edições do Almanaque dos Irmãos Laemmert, surgiu e se desenvolveu a mais tradicional cervejaria brasileira e petropolitana, que fabricava as cervejas: Viena, Quitandinha, Bohemia, Petrópolis, Bock Malte e Bola Preta; chope claro e chope escuro e os refrigerantes: Guaraná Petrópolis, Soda, Água Tônica e o popular […] Read More

REMEXENDO DOCUMENTOS DE 1843-1893

  Cinqüenta anos após o Decreto de 16 de março de 1843 damos destaque a alguns moradores da cidade de Petrópolis e seus arredores. O Império terminara em 1889 e a República estava em seus primeiros anos. Como viviam seus habitantes, que faziam, que pediam à Câmara Municipal em requerimentos depositados no arquivo, tão bem organizado, da Câmara da Cidade? Logo em janeiro de 93 encontramos Albano Pereira com um circo de madeira provisório, nos terrenos do Dr. Figueira de Mello, do lado oposto à Estação da Estrada de Ferro, é uma Companhia eqüestre. A 22 de janeiro, um Domingo, abriram o salão do Palácio de Cristal com matinée organizada por um clube do qual eram assinantes as principais famílias que costumam passar a estação calmosa nesta cidade. Assina a comunicação feita à Câmara, Anacleto Ferreira. Sr. Henrique Julio Lustre era Diretor e proprietário do Polytheama Petropolitano, construído no morro da Igreja Nova. Comunicação feita à Câmara Municipal por dois senhores, Fernando Luiz dos Santos Werneck Jr. e Horácio Magalhães Gomes, que pretendem por à luz da publicidade, a começar de 1º de abril, o Correio de Petrópolis e que são os únicos proprietários redatores e responsáveis pela sua publicação. Pedem facilitar ao repórter da mesma folha, todas as informações relativas ao serviço da Câmara, para assim poderem proporcionar à população desta cidade, tudo que lhe possa ser de interesse. O maestro Paulo Carneiro obteve dos proprietários do Cassino Petropolitano promessa de organizar ali matinées – música em benefício da Escola de Música Santa Cecília que funciona gratuitamente em uma sala do Liceu de Artes e Ofícios; pede que a Câmara concorde com seu pedido e que não deixe de concorrer para a divulgação do ensino de música em todas as classes da população. A Associação Religiosa e Caritativa do Asilo de Santa Isabel tem um colégio destinado ao progresso social e franqueou suas portas àqueles que ambicionam instruir-se, recebendo gratuitamente órfãs internas e externas que ocupam grande parte dos cômodos do Asilo Irmã Fagalde. O Cônego A. Amador Bueno, da Escola Doméstica de Nossa Senhora do Amparo pede cortar 5 árvores frondosas defronte do prédio e podar as 4 restantes pela sombra e umidade que trazem às salas quase que inabitáveis e diz que a ausência dessas árvores não prejudica a sombra da rua, porquanto do lado oposto, à margem do rio, há muitas árvores frondosas. O Senhor Conrado […] Read More

EFEMÉRIDE DE 1.I.1850 – SESQUICENTENÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PETRÓPOLIS (A)

A EFEMÉRIDE DE 1.I.1850 – SESQUICENTENÁRIO DA IMPLANTAÇÃO DO ENSINO SECUNDÁRIO EM PETRÓPOLIS Carlos Oliveira Fróes, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 18 – Patrono Gabriel Kopke Fróes, falecido 1. Introdução Ao despontar o Terceiro Milênio, logo no primeiro dia do ano 2000, comemorou-se uma das mais gratificantes Efemérides Petropolitanas, qual seja o “Sesquicentenário da Implantação do Ensino Secundário e Particular em Petrópolis”, simbolizada pela inauguração do “Collegio de Petrópolis”. Até 1850, a “povoação-colônia” de Petrópolis só dispunha de estabelecimentos públicos destinados a prover a “Instrução Primária Colonial” aos filhos de colonos alemães e a “Instrução Primária Nacional aos demais alunos. 2. As raízes da instrução secundária na Imperial Colônia de Petrópolis O ano de 1850 foi bastante positivo para o Ensino Fluminense. Ficou marcado pela consolidação da aplicação das novas normas para reorganização e atualização da Instrução nas Províncias, baixadas pelo “Regulamento de Instrução Primária” e pelo “Regulamento de Instrução Secundária”, na Província do Rio de Janeiro, promulgados ao apagar das luzes do ano de 1849. Para a Imperial Colônia de Petrópolis, esse foi um ano muito especial. Logo ao seu primeiro dia foi inaugurado o “Collegio de Petrópolis”, o estabelecimento pioneiro da Instrução Secundária da “povoação-colônia”. Outro fato marcante, ocorrido ao final do mesmo ano, foi a inauguração do “Collegio do Professor Callogeras”, também destinado à Instrução Secundária. Mister se faz adiantar que, da competição travada entre esses colégios recém-inaugurados, desencadear-se-ia um processo que resultou na rápida melhoria do ensino local, colocando-o em posição de destaque junto aos mais evoluídos centros do Império. Portanto, julgamos que a Efeméride ocorrida a 1.I.1850 deve ser considerada pelos petropolitanos como de maior relevância, merecendo ser apreciada com muito carinho e orgulho. Os citados educandários foram, no nosso entender, os responsáveis por um processo que vem se mantendo efetivo, em constante desenvolvimento, até os dias de hoje. Sem desmerecer outros estabelecimentos que, também, concorreram durante os últimos cento e cinqüenta anos para a manutenção desse processo, parece que nesta oportunidade deveríamos, apenas, nos concentrar nos colégios — e seus sucessores — diretamente responsáveis por essa estruturação da sólida base em que ir-se-ia apoiar o Ensino Petropolitano. O “Collegio de Petrópolis” que funcionou, ininterruptamente, por quase trinta anos, foi notabilizado pelo nome de “Collegio Kopke”. Construído na periferia da área central da “povoação-colônia”, fazia duplo rumo com o Caminho Colonial de Nassau que, partindo da Praça de Nassau — atual Oswaldo Cruz —, chegava à […] Read More

BRASILEIROS ILUSTRES EM PETRÓPOLIS – O VISCONDE DE URUGUAI

Brasileiros Ilustres Em Petrópolis – O Visconde do Uruguai Jeronymo Ferreira Alves Netto Embora tenha nascido em Paris, em 4 de outubro de 1807, Paulino José Soares de Souza, o Visconde do Uruguai, merece figurar na galeria dos Brasileiros Ilustres em Petrópolis, já que, “desde a interpretação do Ato Adicional, até o restabelecimento do equilíbrio, da segurança e até certo ponto da liberdade do Rio da Prata, concebeu, delineou, e em grande parte executou todos os planos e grandes medidas políticas que o nosso governo dentro e fora do Império conseguiu levar a efeito” (1). (1) MATOS, Melo. Páginas da História Constitucional do Brasil, 1940-1948, p.304. Filho de José Antônio Soares de Souza, brasileiro, natural de Paracatu, Minas Gerais, então estudante de medicina em Paris e de D. Antoinette Gabrielle Madeleine Gilbert, natural de Paris, Paulino José acompanhou seus pais a Lisboa, em 1814 , e, posteriormente, a São Luís do Maranhão, onde o Dr. Antônio Soares adquiriu grande notoriedade como clínico, fazendo rápida fortuna. Ao chegar a São Luís, já sabendo ler e escrever, Paulino José foi matriculado num colégio, frequentando-o até 1822. No ano seguinte, partiu para Portugal, matriculando-se após os estudos preparatórios na Faculdade de Direito de Coimbra, retornando ao Brasil em 1828, sem ter concluído o curso. Em 1830, inscreveu-se na Faculdade de Direito de São Paulo, onde fez grande sucesso como poeta, freqüentando com assiduidade as reuniões literárias de estudantes de Direito, chamados pelo jornal “O Amigo das Letras”, de “Filhos de Minerva”. Concluídos seus estudos veio para o Rio de Janeiro, em novembro de 1831, retornando a São Paulo no ano seguinte, já que fora nomeado Juiz do foro da Cidade, e, pouco depois, Ouvidor da Comarca. No Rio de Janeiro conheceu D. Ana Maria de Macedo Álvares de Azevedo, com a qual se casou em 20 de abril de 1833. Foi em grande parte devido a seu casamento, comenta Soares de Souza, “que Paulino em breve se tornaria um dos chefes conservadores de maior prestígio na Província do Rio de Janeiro. Sua mulher era cunhada de Rodrigues Tôrres e tinha parentesco e relações de família com os principais fazendeiros da baixada, que representavam, então, uma das mais consideráveis forças políticas da província” (2). (2) SOUZA, José Antônio Soares de. A Vida do Visconde do Uruguai. São Paulo, Companhia Editora Nacional, 1944, p. 45. Em 1835, ingressou na vida política, como deputado provincial do […] Read More

TAL É A FORÇA DA LEGITIMIDADE NAS MONARQUIAS (E O NOSSO D. PEDRO II)

  No século XVI, exatamente em 1578, desaparecia na Batalha de Alcacer-Kebir, o quase mitológico Rei D. Sebastião de Portugal (primo em 11º grau do nosso D. Pedro II). A longa ausência levou a que se supusesse a morte. Como não tinha filhos, nem irmãos, muito menos sobrinhos ou tios, obedecendo-se à risca à linha de sucessão legítima da Monarquia, subiu ao trono de Portugal o velho Cardeal D. Henrique seu tio-avô, irmão cadete de seu avô D. João III (ambos tios-nonos avôs de nosso D. Pedro II), (o das Capitanias Hereditárias). Por pouco tempo, entretanto, pois o velho Cardeal-Rei não tendo descendentes, sua linha começava e se findava nele mesmo. Foram dois anos de reinado (1578/1580), morrendo D. Henrique em 1580. Esta data trágica representa uma grande crise na História de Portugal porque a sucessão legítima foi ferida e decepada. Outra linha da Família Real era representada por um bastardo do Duque de Beja (também irmão de D. João III) (portanto também tio-nono-avô de nosso D. Pedro II) o Prior do Crato D. Antônio. Naquela época, só se recorria aos bastardos em última instância e foi justamente o caso, pois a herdeira legítima, Da. Catarina de Bragança, (avó em 7º grau de nosso D. Pedro II), (filha do Duque de Guimarães (avô em 8º grau do nosso D. Pedro II), 4ª linha, irmão menor de D. João III) além de ser mulher (o que na época e principalmente na cultura ibérica constituía sério obstáculo) cedeu à influência de seu poderoso primo o Rei de Espanha Filipe II (filho de Da. Isabel, irmã de D. João III) (tia em 9º grau do nosso D. Pedro II). O Rei da Espanha não tinha direito algum pois além de descender dos Reis Portugueses por lado materno, havendo descendentes por lado paterno, era um soberano estrangeiro. A luta entre o bastardo D. Antônio (primo em 11o grau do nosso D. Pedro II) e seu primo da Espanha foi rápida, naturalmente, devido à superioridade militar do Rei Espanhol. Durante sessenta anos (1580/1640) Portugal foi governado pelos Reis de Espanha (Filipe II, Filipe III e Filipe IV) (primos em 11o, 12o e 13o graus do nosso D. Pedro II), Reis de fato mas não de direito. Por causa desse rompimento na sucessão legítima, Portugal perdeu a glória de seu passado e os Filipes até hoje são considerados usurpadores do trono de Portutal. Finalmente em 1640, […] Read More

PRIMEIRO LICEU DE CAMPOS DOS GOITACAZES (O)

O PRIMEIRO LICEU DE CAMPOS DOS GOITACAZES Francisco José Ribeiro de Vasconcellos, Associado Emérito, ex-Titular da Cadeira n.º 37 – Patrono Sílvio Júlio de Albuquerque Lima Poucas comunas fluminenses, quer no antigo, como no atual regime, experimentaram tão harmônico, permanente e bem disseminado desenvolvimento, quanto São Salvador dos Campos dos Goitacazes. Já no alvorecer do segundo reinado, ali se iniciaram, entre outros, os trabalhos da construção de u’a muralha ao longo da margem direita do rio Paraíba; da abertura dos canais do Nogueira e Campos/Macaé; da ponte sobre o rio Paraíba; da abertura de uma estrada ligando Campos a Cantagalo; da implantação de um liceu provincial na sede do município. A 20 de fevereiro de 1843, o Imperador nomeava o campista João Caldas Vianna (1806/1862), Presidente da Província do Rio de Janeiro, cargo que o mesmo ocuparia até 11 de abril de 1844. Enérgico, destabocado, sem papas na língua, o filho da histórica fazenda dos Airizes, hoje vergonhosamente em ruínas, fez um ano de profícua administração, obrando em múltiplas direções, deixando, ao fim e ao cabo, as marcas indeléveis de seu talento e de sua força de vontade nos anais da vida provincial durante a monarquia. No seu relatório de 5 de março de 1843, apresentado à Assembléia Provincial, falando da instrução pública em terras fluminenses, enfatizou: “Não julgo que esta capital (Niterói) necessite já de um liceu idêntico (ao de Angra dos Reis), pela proximidade em que está da Corte, onde existem estabelecimentos sofríveis de instrução primária e secundária; mas certamente, para o norte da província, reputo uma necessidade; e bom serviço, pois, faríeis à província, dotando com um liceu a cidade de Campos, o lugar mais longe da província, inquestionavelmente. Este liceu, porém, deverá ser montado, de maneira que pudesse espalhar algumas luzes sobre a agricultura, estabelecendo-se cadeiras aprovadas para tal fim”. Teoricamente, tinha inteira razão o campista, não por bairrismo, mas por entender que, se já existia um liceu no sul da província, seria válido criar-se um outro ao norte dela, numa região eminentemente agrícola, onde deveria ter ênfase o ensino profissionalizante nesta área. Foi por certo sintonizada no mesmo canal do Presidente Caldas Vianna, que a Assembléia Provincial votou a lei 304 de 14 de março de 1844, que rezava no seu artigo 1º: “Haverá na cidade de Campos dos Goitacazes um liceu provincial.” O artigo 2º, estabelecia quais seriam as cadeiras do novo estabelecimento de ensino: […] Read More