O ATENTADO Joaquim Eloy Duarte dos Santos, associado titular, cadeira n.º 14, patrono João Duarte da Silveira Atentados contra a vida, em todo o Mundo, têm sido uma constante na história dos povos. Reis, imperadores, presidentes, lideres religiosos, artistas, ídolos, lideranças, somam-se aos milhares. Fatos delituosos contra cidadãos comuns ganham notoriedade durante certo tempo e acabam no esquecimento adiante, no desabrochar de novas gerações. A História registra nos documentos e narrativas, os fatos e feitos envolvendo autoridades e cidadãos notáveis, principalmente as da área política, quando assassinadas em ocorrências de forma pública e espetacular. E, também, delitos que deixam dúvidas, que geram especulações, adoçam as massas com interpretações e fantasias, para deleite dos caçadores de escândalos e de nebulosidades históricas. São clássicos os assassinatos dos romanos Caio Júlio Cesar (44 a.C.) e Cláudio (10 a.C.), na Roma do poder e da corrupção; célebres o do Chanceler da Inglaterra Tomás Beckett (1170); do poeta e dramaturgo inglês Christopher Marlowe (1593) e do revolucionário francês Jean-Paul Marat (1793); damos em salto para o século XIX, com progressivos crimes de eliminação por assassinato de pessoas importantes e influentes, como os presidentes norte-americanos Abraham Lincoln (1865), James Garfield (1881) e William McKinley (1901); o arquiduque Francisco Ferdinando, sucessor do trono do Império Austro Húngaro (1914); o governador da Louisiânia (USA) Huey Pierce Long (1935); o revolucionário russo Leon Trotski (1940); o líder espiritual da Índia Mahatma Mohandas Gandhi (1948); o presidente norte-americano John F. Kennedy (1963) e seu irmão, o senador Robert Kennedy (1968); o nacionalista negro e líder muçulmano Malcolm X (1965); o líder de campanhas por direitos civis nos Estados Unidos Martin Luther King (1968); o ator de cinema Sal Mineo (1976); o Príncipe Real Britânico Lorde Mountbatten (1979); o músico, cantor e compositor John Lennon (1980); o Presidente do Egito Anuar El-Sadat (1981); a Primeira Ministra da Índia Indira Gandhi (1984); o 1º Ministro de Israel Yitzhak Rabin (1995); o figurinista e estilista de moda Gianni Versace (1997) e muitos outros. (1) Podemos acrescentar, ainda, o Rei D. Carlos de Portugal, o cineasta e poeta italiano Píer Paolo Pasolini, o senador Pinheiro Machado, no Brasil, etc. No Rio de Janeiro, na rua Toneleros, ano de 1954, ocorreu um assassinato, de natureza política, morrendo o Major Rubens Vaz, por erro de pessoa, já que o visado era o jornalista Carlos Lacerda, em crime que resultou, nos desdobramentos, no suicídio do Presidente […] Read More
MEMÓRIA PETROPOLITANA PELOS GUIAS E PELA CARTOFILIA
MEMÓRIA PETROPOLITANA PELOS GUIAS E PELA CARTOFILIA Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga “O movimento das cidades foi tema dos fotógrafos desde o início da história da fotografia. Contudo o surgimento do cartão-postal, em fins do século XIX, faz da cidade o seu tema principal. As novas edificações, prédios públicos e privados, jardins, praças, ruas e avenidas das “cidades modernas” foram temas privilegiados pelos fotógrafos em muitos países.” (Lôbo, Mauricio Nunes) Há mais de década tenho procurado reavaliar os instrumentos de pesquisas objetivando reavaliar minhas investigações sobre a história local, processo que se acentuou com a leitura dos texto de Carl Schorske, (Schorske, 1979) e evoluiu ao final dos anos 90 com os extratos de Peter Burke (Burke,1985), sobre especificidades da história cultural. Passei a coletar dados sobre curiosidades e materiais diversificados, principalmente sobre a imprensa e fotos diversas sobre eventos ocorridos na cidade os quais até mesmo a própria imprensa não noticiara. Porém, o perfil de avaliação dos procedimentos de pesquisa segundo a metodologia da Nova História Cultural e sua aplicação no que tange ao contexto da história local tornou-se uma resposta aos novos desafios historiográficos aos quais meus ensaios se integravam, uma nova discussão do cultural presente em uma cidade que segundo Burke poderia “…sugerir ênfase em mentalidades, suposições e sentimentos”. No campo das representações, uma de suas faces interpretativas, a NHC me atraiu para as formas como se apresentava Petrópolis para viajantes e/ou visitantes nas primeiras décadas do século XX. Em 1983, no Arquivo Municipal, havia me detido para avaliar a infinidade de “guias” que representavam a cidade. Um verdadeiro modismo das primeiras décadas do século XX, onde cada guia esmerava-se em produzir o mais completo roteiro da cidade. Era o espírito da ‘belle époque’ que alimentava as representações e conduziam ao pleno imaginário. De apresentação gráfica soberba para a época, estes guias apresentavam uma cidade paradisíaca, de beleza estonteante na serra, descrevendo a cidade como o mais belo encrave europeu das serras brasileiras. Os serviços apresentados nos guias eram os que fixavam o centro da cidade como uma vitrine, uma “mercadoria”, para viajantes extasiados na época. Não devemos negar que na realidade criava-se uma representação distorcida do que era verdadeiramente a própria cidade. No contexto geral, uma cidade operária, pobre, com uma população periférica astronômica para a época, se comparada ao do próprio sítio histórico […] Read More
CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PETROPOLITANA: ESTADO, NACIONALIZAÇÃO E SISTEMA EDUCACIONAL
CONTRIBUIÇÃO À HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO PETROPOLITANA: ESTADO, NACIONALIZAÇÃO E SISTEMA EDUCACIONAL Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga “…Não escapará, decerto, às luzes superiores de v. Exa. Quanta influencia isso (a criação de uma escola de primeiras letras) pode ter sobre os costumes, e quanto importa ir destruindo o uso exclusivo da linguagem alemã.” (Fernandes Pinheiro, Presidente da Província do Rio Grande do Sul, 1825, p.274, in Willens, Emilio, 1946, Brasiliana, INL/MEC) Este fragmento de documento do então Presidente da Província do Rio Grande do Sul, espelhava o temor que os brasileiros possuíam já em 1825 pela presença do imigrante europeu, principalmente do alemão no território brasileiro. Uma rejeição clara ao processo de imigração que se iniciava em terra brasileira, principalmente em uma região onde não se acusava forte presença escravista, não estando portanto sujeita a lenta política de organização do processo de produção brasileira tendo por base a mão-de-obra do imigrante em detrimento da substituição do tradicional escravismo. O assunto em discussão neste ensaio, não é somente a questão da “política de nacionalização” do ensino local, isto é, petropolitano, mas também a presença do Estado brasileiro na área de educação em Petrópolis no século XIX, assim como a questão da “pseudo” ameaça política que a imigração pudesse oferecer à integridade do Estado Imperial brasileiro ou de sua sociedade, possibilitando uma intervenção do Estado na questão educacional na região de colonização e imigração alemã em Petrópolis. Outra questão que também será abordada é a presença do ensino privado e de suas possíveis características inovadoras, assim como de um projeto de ensino técnico gerado em uma espécie de cooperativa pelos colonos em Petrópolis. INTRODUÇÃO De um modo geral quando abordamos a história da educação observamos que a temática “intervenção” do Estado, ou como pode tecnicamente ser designada, “ingerência” nas questões da educação pública não é uma novidade histórica. Lorenzo Luzuriaga já apontava sua presença desde o século XVI na Europa. Mas se compreendido precisamente como realmente uma ingerência do próprio Estado, neste caso os registros históricos podem ser mais precisamente avaliados a partir do século XVIII, sendo estes em sua maioria relacionados à evolução dos processos político-sociais no contexto da elaboração dos Estados Nacionais contemporâneos e na construção da instrução pública a partir da Revolução Francesa (Luzuriaga, 1959). No Brasil, a origem do processo educacional repousa no ensino confessional “conversor” que […] Read More
PETRÓPOLIS E A REGIÃO SERRANA NOS 500 ANOS DE BRASIL – FUNDAÇÃO E PRIMEIROS DESENVOLVIMENTOS E AS IMIGRAÇÕES
PETRÓPOLIS E A REGIÃO SERRANA NOS 500 ANOS DE BRASIL – FUNDAÇÃO E PRIMEIROS DESENVOLVIMENTOS E AS IMIGRAÇÕES Arthur Leonardo de Sá Earp, associado titular, cadeira n.º 25, patrono Hermogênio Silva Tive dúvida entre desenvolver por escrito o esquema elaborado para a palestra ou tornar material a ser lido o que naquela oportunidade foram palavras ouvidas. Acabei optando por apenas retocar a transcrição do que foi gravado, a fim de fugir da tendência de produzir um novo texto. O que segue se prende ao intento de ser fiel ao que foi dito. Procura também suprir a visão daquilo que foi mostrado ou exibido através de retroprojeção para ilustrar o citado esquema. As faltas de melhor concatenação da exposição de idéias ficam por conta dos azares da apresentação verbal. Não sou historiador. Sou simplesmente um curioso, amante de sua terra, que entende que o bom cidadão deve buscar o melhor conhecimento possível da realidade em que vive. O tema desse ciclo de palestras é muito interessante. A contribuição da nossa serra, dessa região serrana, da Serra dos Órgãos, ou seja da Serra do Mar nesse trecho, para o desenvolvimento do Brasil nos primeiros quinhentos anos. Nós temos características especialíssimas, mas a primeira coisa a mostrar é algo bastante diferente de Petrópolis. É uma foto publicada no jornal O Povo. Saiu no dia 8 de julho de 2000. Retrata o Largo da Carioca, a 7 de julho, às 19 horas. Em meio a essa iluminação toda, há um pontinho branco. Ele está aceso desde 1710, diante de uma imagem de Santo Antônio! Durante o cerco francês à cidade, as tropas portuguesas ficaram cercadas no Convento, no morro de Santo Antônio. Houve um momento de grande desespero e a imagem de Santo Antônio foi colocada sobre a muralha que guarnecia o convento. Os combates se deram, os franceses foram afastados e a comunidade toda, portuguesa, brasileira, militar, aqueles que se viram, portanto, libertos da ofensiva francesa fizeram um voto de permanentemente deixar acesa uma luz diante da imagem de Santo Antônio. Hoje, mesmo de dia, quem passar pelo Largo da Carioca, olhando lá para o Convento de Santo Antônio, vai encontrar aquela luzinha acesa. Há duzentos e noventa anos ela está acesa. No início, alimentada por óleo, e hoje por eletricidade. Houve até no orçamento público da cidade do Rio de Janeiro uma verba especial para o azeite da lâmpada de Santo […] Read More
OCTOGÉSIMO TERCEIRO ANIVERSÁRIO DE UM GUERREIRO
OCTOGÉSIMO TERCEIRO ANIVERSÁRIO DE UM GUERREIRO Fernando Antônio de Souza da Costa, Associado Titular, Cadeira n.º 19 – Patrono Galdino Justiniano da Silva Pimentel O Jornal de Cascatinha, nascido das mãos e idealismo de João Dias Carneiro, aos 7 de agosto de 1927, está a comemorar seu 83° aniversário de fundação. Quem milita nessa área sabe das dificuldades para manter-se viva essa chama. E em se tratando de órgão de imprensa do interior, principalmente a exemplo desse semanário, que durante muitos anos funcionou no Segundo Distrito, as dificuldades sempre foram triplicadas e, só com muito amor, dedicação, tenacidade e abnegação é que mantem-se vivo e em plenas atividades. A partir do falecimento de seu Diretor Fundador, João Dias Carneiro e também de sua esposa Leocádia Fernandes Carneiro, o Jornal de Cascatinha foi conduzido com o mesmo denodo e pulsos firmes dos herdeiros Lester, Leyde e Lécio Carneiro. Em 1970, tive o privilégio de, em Petrópolis, dar continuidade às minhas incursões jornalísticas já iniciadas em meu torrão natal Três-Rios, dessa vez, no Jornal de Cascatinha, convidado que fui por Lester Carneiro. Aceitei a grata incumbência de assumir as colunas “Nossa Gente” e “Fernando Costa Especial”, sem contar que cuidei da escrituração contábil e fiscal da Empresa por longos anos. Nessa ocasião, realizamos belos certames do concurso para eleição da Senhorita Cascatinha, exposições de arte, festas beneficentes, desfiles cívicos etc, cujas realizações, inúmeras vezes, ganharam largas páginas de jornais locais, além fronteiras e presença de importantes figuras do mundo cultural, social e artístico da época e diga-se, de âmbito inclusive nacional e internacional. Na década de 80, o Jornal de Cascatinha passou às mãos e direção do jornalista Ivaldo Costa e Filhos que deram ao dito órgão de imprensa novo formato, ampliaram sua circulação, inclusive com extensão estadual, enfim, trouxeram uma roupagem de conformidade com a evolução da informática e do mundo hodierno, fato que o tornou cada vez mais atraente, querido e influente aqui e alhures, pois possui larga circulação na Região dos Lagos e demais Cidades Serranas. A essa altura a Empresa foi transferida para o Centro da Cidade de Petrópolis. Gratifica-me estar até hoje integrando o quadro de colaboradores da imprensa e se, continuo a compartilhar com matérias para os diversos órgãos da imprensa desta Cidade e fora dela, um ponto é pacífico; aqui na Imperial Cidade de Petrópolis meu primeiro passo iniciou-se no Jornal de Cascatinha preparando matérias, […] Read More
MEIO CIRCULANTE E FINANÇAS PÚBLICAS COM A VINDA DE D. JOÃO PARA O BRASIL
MEIO CIRCULANTE E FINANÇAS PÚBLICAS COM A VINDA DE D. JOÃO PARA O BRASIL Luiz Carlos Gomes A TRIBUTAÇÃO NO PERÍODO COLONIAL Cobravam-se, regularmente, na Colônia, dois tributos: – O DÍZIMO, sobre a terra e transações comerciais, com alíquota de 10% (dez por cento). – O QUINTO, sobre metais preciosos e diamantes, com alíquota de 20% (vinte por cento). O Governo também lançava impostos e contribuições extraordinárias, com as mais diversas finalidades e variados valores: quotas para indenizações de guerras, donativos para o casamento de príncipes, imposto para a reconstrução de Lisboa, após o terremoto de 1755 e muitos outros. A cobrança era aplicada de forma aleatória sobre a população ou determinada classe econômica; por exemplo, em 1800, os fazendeiros foram obrigados a manter a esquadra portuguesa que estava ancorada no Porto do Rio de Janeiro. A DERRAMA constituía-se na cobrança forçada que se estendia a toda população de Minas Gerais, quando a arrecadação do QUINTO não atingia ao estipulado pela Coroa, tendo sido um dos motivos da Inconfidência Mineira. AS PRINCIPAIS MEDIDAS ECONÔMICAS, FINANCEIRAS E TRIBUTÁRIAS COM A CHEGADA DA CORTE PORTUGUESA A Colônia, que estava subordinada a um conjunto de leis que restringiam as atividades econômicas, foi contemplada com uma série de medidas que resultaram em extraordinário desenvolvimento. O campo tributário também foi objeto de nova estruturação. Destacaram-se: – Abertura dos Portos Carta Régia de 28.01.1808. Possibilitou a liberdade de comercio com o exterior. – Permissão para a instalação de indústrias Alvará de 01.04.1808 – Criação do Arquivo Militar Decreto de 07.04.1808 – tendo por finalidade o arquivamento de mapas e cartas da costa e do interior do Brasil, visando o estudo para a retificação das fronteiras, planos para a instalação de fortalezas, melhorias e estabelecimento de portos e projetos de novas estradas. – Criação de Imprensa Régia Decreto de 13.05.1808 – para a publicação não só de textos oficias. Serviu de incremento a atividade intelectual e cultural, com a publicação de livros e jornais. Nosso primeiro jornal, a GAZETA DO RIO DE JANEIRO, foi publicado em 10.09.1808. – Criação da Fábrica de Pólvora Decreto de 13.05.1808 – fundamental para a defesa do território nacional. – Criação do Real Erário Alvará de 28.06.1808 – para agilizar a administração tributária, coordenando a arrecadação, distribuição, assentamento e expediente das rendas do Estado. Tinha jurisdição, também, sobre os domínios da África e da Ásia. […] Read More
HOMENAGEM A ERNESTO TORNAGHI
HOMENAGEM A ERNESTO TORNAGHI Jorge Ferreira Machado, ex-Associado Emérito, falecido Aqui estamos, meus senhores e minhas senhoras, para que eu faça, cumprindo missão que me foi imposta, e para escutardes, o panegírico de Ernesto Tornaghi, que a morte usurpou do convívio desta Academia na manhã de 22 de julho de 1953. Que esta casa não foi feliz ao designar-me para tão espinhosa tarefa, não tenho a menor dúvida. Não poderia recusá-la, todavia, cônscio embora da dificuldade do encargo que a mim cometeu o preclaro presidente deste sodalício, que poderia ter avocado à sua mesma capacidade de intelectual ilustre e, o que representa muito mais, à qualidade de amigo, que sei sempre o fora, muito fraternal, daquele que hoje é motivo desta homenagem, o discurso oficial desta sessão solene, na qual será recordada de um modo especial a personalidade do saudoso confrade, que meu o era duplamente nesta casa e na profissão, que ambos pela vida toda nos dedicamos ao exercício da medicina. Aí, talvez, a razão do gesto do Exmo. Sr. Dr. Mário de Paula Fonseca, a quem agradeço, de início, tão elevada honra, aos meus ouvintes, solicitando, de antemão, as mais amplas indulgências, se vos não falar, como devera, à altura da personalidade do homenageado. O panegírico, diz-nos o Padre Antônio Honorati, teve sua origem nos jogos olímpicos. É uma palavra grega, afirma ele, que, significando o ajuntamento do povo que concorria para ouvir os louvores do vencedor, passou, por metonímia, a traduzir o discurso com que celebravam estes louvores. Dois eram os ofícios de tais discursos: – são ainda palavras do sábio jesuíta o primeiro, exaltar as proezas do herói; o segundo, excitar o povo à imitação. Esta é, assim a compreendo, a comissão que me foi nesta oportunidade imposta. Exalto, com prazer, os feitos do herói; que outra coisa não foi o ilustre confrade, em toda a trajetória de sua existência neste mundo, espero que seja a vossa conclusão ao término das minhas palavras. E que muito se tem dele a imitar, haveis de ver; eu o desejo e imploro a Deus tê-lo demonstrado, muito embora me encontre agora na mesma situação em que, pelos fins do século XVII, por volta de 1677 (segundo Solidônio Leite, Clássicos Esquecidos), se achava o Padre Francisco de Santa Maria ao escrever os panegíricos de São Lourenço e do Padre Antônio da Conceição, quando dizia, no mais puro estilo vieirense: […] Read More
ELEVAÇÃO DE PETRÓPOLIS A CIDADE (A)
A ELEVAÇÃO DE PETRÓPOLIS A CIDADE Ascânio Dá Mesquita Pimentel “Exmo. Sr. Carlos Magalhães Bastos, Prefeito do Município; Exmo. Sr. Embaixador Macedo Soares, membro da Comissão de Codificação do Direito Internacional e Presidente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Sr. Dr. Leão Teixeira Filho, Presidente do Instituto Histórico de Petrópolis; Sr. Comandante do Batalhão de Caçadores aquartelado nesta cidade; Sr. representante do Sr. Secretário de Estado de Negócios do Interior e Justiça; Sr. Dr. Alcindo Sodré, Secretario Geral da Comissão do Centenário de Petrópolis, Diretor do Museu Histórico e animador principal dos modernos estudos sobre a história deste Município; Minhas Senhoras; Meus Senhores. Como preparação e estímulo do público para as festas que se projetam em comemoração do primeiro centenário da fundação de Petrópolis, a comissão nomeada para esse fim pelo Sr. Prefeito tem promovido conferências explicativas sobre as primeiras datas da história petropolitana. Tratou o Dr. Alcindo Sodré da fundação do povoado; o Dr. Rangel Pestana da colonização alemã; o Dr. Leão Teixeira Filho da atuação urbanística de Koeler. Cabe-me hoje interrompendo a lista desses nomes ilustres falar sobre a elevação de Petrópolis à categoria de cidade. Na época em que isso ocorreu Petrópolis contava pouco mais de uma dúzia de anos de existência. Era uma povoação numerosa e progressiva. Pelo seu território, pertencente, como até hoje, à Fazenda Imperial, dependia desta, em todas as operações sobre a propriedade imóvel, visto se haver constituído em regime de enfiteuse. Pela localização em sua periferia dos imigrantes alemães chegados aqui em grandes turmas no ano de 1845, ficara sujeita, no que concernia ao exercício do trabalho e à aquisição da propriedade rural por estes, ao sistema de colônia para esse fim organizado pelo Governo do Império. Enfim pelo estabelecimento e crescimento na parte central ou propriamente urbana da antiga fazenda, de uma população nacional livre, enquadrava-se nos moldes gerais da administração pública então vigorantes e que dividiam o poder, aproximadamente como hoje, entre os três grandes aparelhamentos administrativos justapostos e concêntricos: o imperial, o provincial e o municipal, – este último subdividido, ainda, consoante convinha, em freguesias e curatos, distritos de paz, termos e comarcas. O povoado de Petrópolis que, ao nascer, era um simples curato anexo à Freguesia de São José do Rio Preto, da Vila de Paraíba do Sul, de cujo distrito de paz fazia parte, já em 29 de março de 1844 fora separado deste […] Read More
POSSE DE VERA LÚCIA SALAMONI ABAD
POSSE DE VERA LÚCIA SALAMONI ABAD Vera Lúcia Salomoni Abad, associada titular, cadeira n.º 37, patrono Sílvio Júlio de Albuquerque Lima Sinto-me muito honrada e feliz de hoje fazer parte do Instituto Histórico de Petrópolis como associada efetiva. Perguntaram-me se viria fazer parte do acervo. . ainda não. Ser aceita no Instituto Histórico, como fui aceita na Academia Brasileira de Poesia, representa para mim, não um prêmio ou um coroamento de carreira, mas uma oportunidade única de aprendizado. A oportunidade de poder crescer em meu trabalho através do convívio com aqueles que, por experiência e sabedoria, detêm os meios próprios para nos desenvolver, e a chance de assim poder oferecer o trabalho que puder produzir para o crescimento desta instituição. Este é meu propósito. É, portanto, como aprendiz que aqui me coloco e neste primeiro momento. Obrigada. E o aprendizado começa logo ao conhecer mais a fundo o trabalho da pessoa que me coube como patrono e sobre quem devo discorrer neste momento. Patronos são escolhidos pelas academias por serem figuras históricas, homens de letras, (mulheres, também!), pessoas que se destacam nos âmbitos relacionados com os propósitos acadêmicos. Intitulam os acadêmicos (pelo menos os da ABL) imortais. Claro, ninguém é imortal. Mas a dita humana imortalidade existe em uma obra, em certos feitos, e mesmo assim, não prescinde do relato passado de geração para geração para que se perpetue e, se tal relato não for por escrito, periga de ser deturpado ou esquecido para sempre. Falo de matéria prima com a qual lido há bastante tempo: a palavra, a palavra escrita – a memória, cerne do conhecimento histórico. O relato da história tem a ver com a memória, informação e preservação. Assim, mesmo sem citar o seu nome, meu patrono já está presente em dois aspectos importantes do conhecimento histórico: relacionar-se com os que detêm os mesmos propósitos e raízes para promoção do próprio crescimento e a memória, fator essencial à preservação da identidade para que o desenvolvimento se faça a partir do conhecimento. Foi através da excelente pesquisa realizada pela professora Priscila Ribeiro Dorella da Universidade Federal de Minas Gerais (1), que travei conhecimento da obra de Silvio Júlio Albuquerque Lima. (1) DORELLA, Priscila. Silvio Júlio de Albuquerque Lima: um precursor dos estudos acadêmicos sobre a América Hispânica no Brasil. Belo Horizonte. UFMG, 2006. Dissertação apresentada ao curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação do Departamento de História […] Read More
JOAQUIM NABUCO E A INTERVENÇÃO ESTRANGEIRA
JOAQUIM NABUCO E A INTERVENÇÃO ESTRANGEIRA Francisco José Ribeiro de Vasconcellos, associado emérito, ex-associado titular, cadeira n.º 37, patrono Sílvio Júlio de Albuquerque Lima Em agosto de 1895 Joaquim Nabuco publicou nas páginas do “Jornal do Comércio” do Rio de Janeiro uma série de artigos sobre a intervenção estrangeira durante a Revolta da Armada, artigos esses que foram reunidos num livro sob o título “A Intervenção Estrangeira”. No prefácio datado de 25 de dezembro de 1895 disse Nabuco que a origem dos referidos artigos estava no fato que passara desapercebido a muita gente, qual fosse “a ligação entre o procedimento do Comandante do navio português Mindelo, Augusto de Castilho, dando asilo a revoltosos em perigo” e “a parte que Castilho tivera na intimação ao almirantado” de neutralizar o ataque à cidade do Rio de Janeiro. Joaquim Nabuco não podia compaginar o comportamento da esquadra estrangeira surta na Baía da Guanabara, neutralizando a ação dos revoltosos, impedindo o impiedoso bombardeio da Cidade de Rio de Janeiro, com a reação do governo do Marechal Floriano condenando o procedimento humanitário do Comandante português, protegendo do massacre aqueles que um dia, estando mais fortes, puseram em risco a segurança da Capital Federal. Era uma questão de equidade e de justiça. Acima de tudo um dever de humanidade, de cavaleiro fidalgo, que não tripudia sobre o vencido, depois de ter sido poupado por este, quando tinha os cordéis do poder nas mãos. Augusto de Castilho teve um advogado à altura de seu gesto, o Dr. Alves de Sá, que, em sua defesa, consoante Joaquim Nabuco, “demonstrou que o seu cliente praticara um ato glorioso para a Marinha Portuguesa e que salvara os restos da nossa Armada de um massacre, à moda de 1793, a bordo dos navios.” Disse mais Joaquim Nabuco nesse seu memorável prefácio em que não esconde o desprezo que devotara à figura pequena, mesquinha, medíocre e sanguinária de Floriano Peixoto, o falso consolidador da República: “A ferocidade exibida na mutilação do corpo de Saldanha da Gama um ano depois, autoriza a pensar que ele teria tido a mesma sorte de Lorena, dos irmãos Artur e Álvaro de Carvalho, do Marechal Batovy e dos outros militares feitos prisioneiros no Desterro, se tivesse caído vivo em poder da Ditadura. Para o Conselho de Guerra, que tinha de julgar Castilho, essa nota de humanidade, a mais aguda de todas, dominava qualquer outra.” A chamada […] Read More