ANJOS DE INHOMIRIM (OS)

  OS ANJOS DE INHOMIRIM Paulo Roberto Martins de Oliveira, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 10 – Patrono Carlos Grandmasson Rheingantz, falecido Este breve relato histórico, que ora apresento, inicia-se a partir de 13 de junho de 1845, quando desembarcaram na Capital da Província do Rio de Janeiro, as primeiras levas dos colonos germânicos, com destino à Petrópolis. Os primeiros colonos, embora com certas dificuldades, chegaram razoavelmente bem ao topo da Serra da Estrela, no dia 29 de junho. Porém, os que desembarcaram no Rio de Janeiro, a partir de meados do mês de julho, foram os que mais sofreram, pois muitas famílias tiveram perdas irreparáveis ao longo do percurso, até chegarem à povoação de Petrópolis. O sofrimento que havia sido bem grande, durante a viagem marítima para o Brasil, intensificou-se a partir do momento do desembarque no porto do Rio de Janeiro, pois não havia boas instalações para acomodar tantas pessoas que, em várias embarcações, chegavam seguidamente uma das outras. Após passarem pelo período de quarentena, nos depósitos superlotados e mal acomodados da Imperial Cidade de Niterói, as famílias dos colonos germânicos seguiam viagem para o Porto da Piedade, em Magé e deste local, em pequenas embarcações, subiam o Rio Inhomirim (aproximadamente 7,5 Km), até alcançarem o Porto denominado de Nossa Senhora da Estrela. Muitas famílias ficaram temporariamente instaladas junto ao porto fluvial da Estrela e arredores, até que houve vagas para que pudessem acomodá-las mais adiante, ou seja, nas antigas instalações da Fábrica de Pólvora, na Raiz da Serra. Neste local, permaneciam até que pudessem seguir viagem e chegarem à tão sonhada Imperial Colônia de Petrópolis, embora esta também acumulasse inúmeros problemas de acomodações para receberem tantas famílias na recente povoação. Durante o tempo de permanência das famílias nos abrigos improvisados, surgiram inúmeros problemas relacionados à alimentação, ao asseio e à saúde, o que gerava um grande mal-estar e descontentamentos por todos, principalmente no que fazia respeito às doenças, que reinavam na Baixada Fluminense, provocadas geralmente pelo intenso calor, como a febre do tifo e as diarréias. O atendimento médico era precário e faltavam medicamentos, ocasionando a perda de muitas vidas, sendo a maioria as das frágeis crianças. Todos os corpos eram transportados para o único cemitério da região, que situava-se na Freguesia de Nossa Senhora da Piedade de Inhomirim, no terreno da Igreja Matriz. Devido ao grande número de falecimentos de crianças (algumas dezenas), o local de sepultamento, […] Read More

BANGUE-BANGUE PETROPOLITANO

  BANGUE-BANGUE PETROPOLITANO Júlio Ambrozio, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 30, Patrono – Monsenhor Francisco de Castro Abreu Bacelar Vinte anos de exposição agropecuária. É de arromba! Da esquerda à direita, ou vice-versa, há duas décadas o Poder executivo de plantão mobiliza suas forças para promover a barbárie. Um terreiro, ano após ano, reservado como região sazonal e privilegiada da indústria cultural. Nem o pretexto de uma feira agropecuária é justificável. O bairro Caxambu e os distritos não legitimam a existência de uma festa petropolitana que deixa implícita a falsa idéia de vida econômica, social e cultural arraigada à criação de gado grosso, embora não deva ser esquecido a lida com a cavalaria. Eu não sei dizer, por exemplo, se o Departamento de Engenharia da UCP gerou algum estudo sobre o carro-de-boi, tal como o encontrei em universidade federal mineira. O agroboy – outro exemplo -, embora esquizofrênico personagem holywoodiano, achável em Barretos, Ribeirão Preto, Goiânia, não medra no interior da jeunesse dorée serrana. O arrabalde petropolitano – zona típica de subúrbio, com seus espaços vazios, áreas alargadas e de construções baixas – é a franja rural-urbana, ou a cercania hortigranjeira do município. Fora da tradição, o resto é plágio, diria o madrilês Ortega y Gasset. A novidade, não sendo espúria, necessariamente dialoga com a geografia cultural. Não existe problema no comparecimento do gado vacum e cavalar, servindo – principalmente para as crianças – como mostra do campo para a urbana Petrópolis. Não se trata também de simples alteração do nome da exposição. O grave é a presença superior desses animais em relação à dos legumes, penosas e hortaliças, valendo toda a feira como acabado mostruário da ausência de vínculo essencial com a realidade provinciana; alienação que, torcendo a franja rural-urbana em benefício do country – o pop-rural norte-americano -, pretende construir, no saloon e nos rodeios, o passado petropolitano e brasileiro acoplados ao faroeste, tempo pretérito estadunidense sobretudo engenhado pelo cinema de Hollywood – John Ford, Raoul Walsh, Anthony Mann, John Huston, Howard Hawks, e tantos outros. Vinte anos vive mal disposta com Monteiro Lobato e Camara Cascudo a exposição agropecuária. Pão e circo. Da mesma forma que o alimento, a diversão está vinculada, desde sempre, às exigências da vida cotidiana. O circo faz parte de todos nós. A mesma engrenagem que produz objetos para serem consumidos e trocados, proporciona entretenimento para serem digeridos como alimentos. Tal como os objetos, […] Read More

IMPORTÂNCIA DO DOCUMENTO NA CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA – O EXEMPLO DE GAGO COUTINHO E SACADURA CABRAL

  IMPORTÂNCIA DO DOCUMENTO NA CONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA – O EXEMPLO DE GAGO COUTINHO E SACADURA CABRAL Arthur Leonardo de Sá Earp, Associado Titular, Cadeira n.º 25 – Patrono Hermogênio Pereira da Silva Imagino que os senhores me vissem desembarcando no Galeão, na manhã do dia dezoito (18) de março de 1999. Iriam perceber em mim os sinais de alguém transtornado, uma face afogueada, reações impacientes, uma só idéia fixa, olhos rútilos, um andar apressado mal contido. Parecia um fugitivo ou quem quisesse dali desaparecer rapidamente a ocultar alguma coisa. Tudo se explica, no entanto, pela ânsia que trazia em mim de estudar meticulosamente um tesouro, achado sem procura, e que incluíra na pequena bagagem usada na curta viagem a Portugal para resolver questões de papéis da família. De fato, carregava na mala uma publicação que o Instituto Hidrográfico da Marinha portuguesa graficamente executou em junho de 1998, para integrar o importante conjunto de realizações destinadas a compor a famosa Expo 98 da capital lusitana.     Eu encontrara o exemplar na livraria do Museu de Marinha em Lisboa. Tratava-se do “Relatório da Viagem Aérea, Lisboa-Rio de Janeiro – Efectuada por Gago Coutinho e Sacadura Cabral”, “30-3-922, 17-6-922”.     Com grande interesse sempre ouvira falar e lera esparsamente a respeito do vôo pioneiro português. Possuía agora o que possivelmente seria o texto de maior relevo sobre o assunto. Para uma platéia como a do Instituto Histórico de Petrópolis não é necessário demonstrar que não há História sem documentos; não é preciso apontar os critérios de valoração crítica de documentos segundo a origem, os propósitos autênticos ou meramente retóricos, o contexto social de surgimento e de efeitos; não é indispensável discorrer quanto a fontes primárias, classificações, categorias etc. Basta aqui e nesta oportunidade ressaltar o aspecto de que o escrito, para além de todas as notícias, imaginações, exaltações e dramatizações, fundamenta a História porque se comprovou verdadeiro pelos resultados concretos alcançados e publicamente conhecidos. Estava e continua em minhas preocupações ser imperativo criar na cultura petropolitana bases sólidas de amor aos documentos e às regras de interpretação deles, especialmente nesta cidade que é privilegiada pelo acervo com que conta e inadvertidamente, apesar das muitas vozes não ouvidas, vai perdendo, quase sem disto ter consciência. Por tais motivos, e não só por curiosidade pessoal, o Relatório me fascinou. Moderno o bastante para ser bem lembrado o fato a que se refere, […] Read More

RIOS DA CIDADE DE PETRÓPOLIS – ORIGEM DOS NOMES

  RIOS DA CIDADE DE PETRÓPOLIS – ORIGEM DOS NOMES Arthur Leonardo de Sá Earp, Associado Titular, Cadeira n.º 25 – Patrono Hermogênio Pereira da Silva As explicações sobre a composição do quadro abaixo estão no texto com o título Rios Da Cidade De Petrópolis – Curso E Esquema Do Recebimento Dos Afluentes E Origem Dos Nomes, separado deste apenas em decorrência da diversidade de formatação. Nome do afluente Bacia do Origem do Nome Almeida Torres Quitandinha José Carlos Pereira de Almeida Torres, Visconde de Macaé, Senador, Conselheiro do Imperador e do Estado, Ministro do Império e da Justiça. Alpoim Piabanha Francisco José dos Reis Alpoim, engenheiro militar como Koeler, chefe do 4º Distrito de Obras Públicas da administração fluminense. Aureliano Quitandinha Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, Presidente da Província, mais tarde Visconde de Sepetiba. Avé-Lallemant Piabanha Alexandre Avé-Lallemant, dentre os vários membros da família, possivelmente foi o homenageado, porque engenheiro como Koeler e Cônsul de Lubeck. Está enterrado em Petrópolis, onde faleceu. Cascata Piabanha Designação popular mais antiga do que Petrópolis. Cavalcanti Quitandinha Antonio Francisco de Paula e Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, Conselheiro do Estado, Visconde de Albuquerque, Ministro da Guerra e da Marinha. Cemitério Quitandinha Designação derivada do fato de o curso d’água passar próximo ao cemitério (tanto o antigo, região da Igreja do Sagrado Coração de Jesus e do Convento dos Franciscanos, como o novo). Cesar Palatino ? Delamare Piabanha Nome de família, na grafia De Lamare, para a qual Koeler ingressou pelo casamento. Os irmãos Joaquim Raymundo e Rodrigo De Lamare eram na época da fundação de Petrópolis fidalgos cavalheiros da casa imperial. Garganta ou Caixa d’Água Palatino Designação popular. Caixa d’Água porque serviu ao abastecimento da cidade por algum tempo. Gusmão Palatino José Manoel Carlos de Gusmão, Camarista e amigo de D. Pedro II, Estribeiro-mor, Guarda-roupa de S. M. Itamarati Piabanha Designação popular anterior a Petrópolis Koeler Quitandinha Designação derivada do fato de o curso d’água passar pelas terras da chácara de Júlio Frederico Koeler, na Terra Santa Laemmert Quitandinha Eduardo Laemmert, fundador com seu irmão Henrique da tipografia e livraria Laemmert e do Almanaque do mesmo nome, Cônsul de Baden no Rio de Janeiro. Limpo Palatino Antonio Paulino Limpo de Abreu, Ministro do Império, da Justiça e dos Estrangeiros, Presidente do Senado, Visconde de Abaeté. Lomonosoff Palatino Serge de Lomonosoff, diplomata, Ministro Plenipotenciário da Rússia. Meyer Piabanha Vários com este sobrenome. Dentre eles, João Meyer foi quem conduziu a primeira leva de colonos do Rio a Petrópolis e […] Read More

RIOS DA CIDADE DE PETRÓPOLIS – CURSO E ESQUEMA DO RECEBIMENTO DOS AFLUENTES E ORIGEM DOS NOMES

  RIOS DA CIDADE DE PETRÓPOLIS – CURSO E ESQUEMA DO RECEBIMENTO DOS AFLUENTES E ORIGEM DOS NOMES Arthur Leonardo de Sá Earp, Associado Titular, Cadeira n.º 25 – Patrono Hermogênio Pereira da Silva Com base em escritos de José Nicolau Tinoco de Almeida, Paulo Monte, Guilherme Eppinghaus, José Kopke Fróes, Lourenço Luiz Lacombe, Henrique Rabaço, entre outros, e em consequência de observação cartográfica e direta, elaborei um esquema para mostrar o curso dos rios das principais bacias da cidade de Petrópolis e a localização dos pontos de encontro dos afluentes, com referências atualizadas. O trabalho, embora visando a ser completo na informação de dados, busca antes a simplicidade para possibilitar o conhecimento fácil e a consulta rápida. Não tem a pretensão de ser o máximo sob algum aspecto, mas a de ser mais um instrumento na formação do homem petropolitano. EXPLICAÇÕES SOBRE A COMPOSIÇÃO DOS ESQUEMAS O percurso do rio principal e dos afluentes está indicado pelo nome das localidades e das vias públicas mais próximas, escrito entre colchetes [ … ]. Outras informações também são colocadas neste espaço entre colchetes [ …]. No esquema, suponha-se que as águas correm do topo da página para o pé e das laterais para o centro, o que permite definir imediatamente as nascentes e as margens direita e esquerda de cada curso d’água. As flechas gráficas procuram tornar isto mais evidente e revelar as exceções. As margens são identificadas tomando-se observador que dê as costas para a nascente do rio e olhe no sentido para onde vão as águas. A expressão “capeado” é usada para indicar que o curso d’água foi total ou parcialmente coberto e não é inteiramente visível. O local onde o afluente deságua no principal está sumariamente descrito entre parêntesis ( … ) na margem oposta àquela onde o fato ocorre. Os tributários dos afluentes estão marcados com asterisco * e enquadrados. A inscrição do seu nome acima ou abaixo do afluente respeita a margem do afluente que recebe o tributário. CURSOS E ESQUEMAS, na ordem crescente das dimensões da bacia, estão nos textos com os títulos: Rios da Cidade de Petrópolis – Rio Palatino; Rios da Cidade de Petrópolis – Rio Quitandinha; Rios da Cidade de Petrópolis – Rio Piabanha. ORIGEM DO NOME DOS AFLUENTES A fim de completar as informações esquemáticas sobre os rios de Petrópolis, preparei um resumo referente à origem do nome dos afluentes, feito […] Read More

RIOS DA CIDADE DE PETRÓPOLIS – RIO PIABANHA

  RIOS DA CIDADE DE PETRÓPOLIS – RIO PIABANHA Arthur Leonardo de Sá Earp, Associado Titular, Cadeira n.º 25 – Patrono Hermogênio Pereira da Silva As explicações sobre a composição do quadro abaixo estão no texto com o título Rios Da Cidade De Petrópolis – Curso E Esquema Do Recebimento Dos Afluentes E Origem Dos Nomes, separado deste apenas em decorrência da diversidade de formatação.

RIOS DA CIDADE DE PETRÓPOLIS – RIO QUITANDINHA

  RIOS DA CIDADE DE PETRÓPOLIS – RIO QUITANDINHA Arthur Leonardo de Sá Earp, Associado Titular, Cadeira n.º 25 – Patrono Hermogênio Pereira da Silva As explicações sobre a composição do quadro abaixo estão no texto com o título Rios Da Cidade De Petrópolis – Curso E Esquema Do Recebimento Dos Afluentes E Origem Dos Nomes, separado deste apenas em decorrência da diversidade de formatação.

RIOS DA CIDADE DE PETRÓPOLIS – RIO PALATINO

  RIOS DA CIDADE DE PETRÓPOLIS – RIO PALATINO Arthur Leonardo de Sá Earp, Associado Titular, Cadeira n.º 25 – Patrono Hermogênio Pereira da Silva As explicações sobre a composição do quadro abaixo estão no texto com o título Rios Da Cidade De Petrópolis – Curso E Esquema Do Recebimento Dos Afluentes E Origem Dos Nomes, separado deste apenas em decorrência da diversidade de formatação.  

TEATRO MUNICIPAL DE PETRÓPOLIS JOÃO D’ÂNGELO

  TEATRO MUNICIPAL DE PETRÓPOLIS JOÃO D’ÂNGELO Arthur Leonardo de Sá Earp, Associado Titular, Cadeira n.º 25 – Patrono Hermogênio Pereira da Silva Há notícia de que se pretende atribuir ao Teatro Municipal de Petrópolis a denominação de Paulo Gracindo. Todo artista sabe que um dos piores tormentos por que passa é o de obter patrocínio, apoio, lugar para se apresentar. Sem a arena, o palco, o público em seu espaço, o artista não existe e por falta dele a arte vai-se empobrecendo até desaparecer. Na Petrópolis do início da década de 30 do século passado, houve um homem que realizou para o artista e para a cidade o sonho dourado de poder atuar e caminhar pelas trilhas da cultura. João D’Ângelo, na liderança de parentes, amigos e profissionais especializados, construiu o Teatro Dom Pedro e abriu-lhe as portas à cidade no dia 2 de janeiro de 1933. De forma concreta e real, o artista ali passou a encontrar os meios de que necessitava para dar corpo à sua genialidade, o povo ali descobriu as luzes universais do saber e da novidade. Ópera, teatro … cinema! O agradecimento que o município e os profissionais da arte devem a João D’Ângelo é imenso. Tanto é isto verdade que o prédio foi desapropriado, conservou sua destinação primitiva e se gastam preciosos fundos para restaurá-lo na imagem original. Batiza quem pode e dá o nome como sabe. Alguns chamam seus bois de “Mimoso” e “Soberano”, outros há que ao cachorro apelidam “Saddam”. Tudo gira na órbita das idéias que comandam cada qual. Colocar a designação de Municipal no teatro é, já por si, consagrar aquele valoroso empreendimento particular, é conferir-lhe o reconhecimento público e oficial. Juntar ao título o nome do inicial idealista e efetivo realizador, Teatro Municipal de Petrópolis João D’Ângelo, é harmonizar a História, é não esquecer os enormes esforços feitos para engrandecer a arte e proporcionar meios culturais aos petropolitanos. O senhor Presidente do Instituto Histórico de Petrópolis, Professor Joaquim Eloy Duarte dos Santos, muito bem externou o despropósito de uma mudança de nome do Teatro. A homenagem verdadeira é, no seu cerne, ao criador daquela casa. Imagino que na primeira fila, a bater fortes palmas para o que está dito acima, estaria o culto artista Paulo Gracindo. E ao seu lado um tal Rubinho. Rubinho Barrichello, que jamais pensaria em mudar o nome da Ferrari, dando à Escuderia do […] Read More

ASILO DE SANTA ISABEL E ASILO DO PADRE SIQUEIRA OU ESCOLA DOMÉSTICA DE N. S. DO AMPARO

  ASILO DE SANTA ISABEL E ASILO DO PADRE SIQUEIRA OU ESCOLA DOMÉSTICA DE N. SENHORA DO AMPARO José Nicolau Tinoco de Almeida ASILO DE SANTA ISABEL O padre Nicolau Germain (1), ex-vigário da freguesia de São Pedro de Alcântara em Petrópolis, francês de origem e brasileiro por adoção, cordialmente afeiçoado à nacionalidade que adotara, consagrou-se por mais de 20 anos ao mais escrupuloso desencargo da importantíssima missão que se impôs. Convencido de que a educação moral, civil e religiosa é a única base inconcussa para sustentar o edifício social empenhou todo o seu valimento em proporcionar uma verdadeira educação às crianças deserdadas da fortuna. Faltando-lhe, porém, os recursos precisos para fundar uma escola que satisfizesse plenamente ao seu ideal recorreu à Congregação de São Vicente de Paulo, o Pai e o Apóstolo dos desvalidos, sendo assim fundado o atual Asilo de Santa Isabel, que começou em modestíssima escola destinada à educação de meninas pobres, ereta em casa térrea mediante 50$000 mensais. Dentro de poucos meses era ela freqüentada por 100 alunas. Faltando os recursos precisos para imprimir-lhe o desenvolvimento de que tanto carecia visto que nem para o aluguel havia a renda necessária e nestas críticas circunstâncias as próprias irmãs sofriam muitas necessidades, a condessa do Rio Novo, sabendo do estado precário de tão útil instituição, ofereceu gratuitamente por cinco anos o prédio que possuía na Rua do Imperador, nº 58, para o qual se mudou a escola em 1870. Esse auxílio, verdadeiramente providencial, foi da maior importância para a sustentação da escola, não foi, porém, para acudir a todas as necessidades. Por mais de uma vez, pois, resolveu a Congregação mandar retirar as irmãs que, ainda assim, não chegaram a abandonar o seu posto, porque por mais de uma vez também lhes proporcionou a Divina Providência alguns recursos inesperados, que as animavam de novo a persistir no caridoso exercício da santa missão que se haviam imposto. Terminado o prazo fatal de 5 anos, reaparece a primeira dificuldade com a falta de um edifício próprio em que a escola continuasse a funcionar e cujo aluguel importaria em sacrifício superior aos ainda muito minguados recursos do estabelecimento. Nesta difícil conjuntura a condessa do Rio Novo, proprietária do prédio, sempre caritativa e solícita pela sorte dos desvalidos, tendo em alta consideração a educação das meninas pobres, propôs à Congregação a venda do seu prédio por preço muito inferior ao valor real, […] Read More