D. JOÃO (1) E SEU AMOR PELO BRASIL Kenneth Henry Lionel Light, associado efetivo, titular da cadeira n.º 1, patrono Albino José da Siqueira A vida do nosso príncipe regente, rei e imperador titular não foi nada fácil. No entanto, as suas duas maiores façanhas. por ter sido o único monarca que conseguiu driblar o homem mais poderoso da sua época, Napoleão, e ao mesmo tempo por ter mantido unida a sua colônia de tamanho continental que foi o Brasil, mostram que, sem dúvida nenhuma, foi um homem sortudo ou então, uma pessoa calma, ponderada, estrategista e inteligente. Após muitos estudos por parte de historiadores, resultando na bem coordenada celebração do bi-centenário da transferência da família real e corte para o Rio de Janeiro, em 2008, não temos mais dúvidas: a figura de D. João, até então uma caricatura do que deveria ser um monarca, mudou e para sempre. Entendemos melhor o seu caráter, os seus pontos fracos e também os fortes. Após esta reavaliação ficou mais clara a sua participação em influenciar o futuro do Brasil, que vem a ser o nosso presente. Somos grandes devedores da sua capacidade, inteligência e visão. Segundo filho da Rainha D. Maria (2), a sua infância foi relativamente calma e até pacata pois o irmão mais velho, José(3), estava sendo preparado para um dia assumir os deveres e responsabilidades de administrar o Império Português. (1) D. João, 1767-1826, 27º Rei de Portugal. (2) D. Maria I, 1734-1816, 26ª Rainha de Portugal. (3) D. José Francisco Xavier, 1761-1788. Herdou a religiosidade da mãe e logo se entregou aos prazeres do canto gregoriano e o convívio com os monges. Hoje, é difícil acreditar mas, naquela época, Portugal era repleto de conventos. Marcus Cheke (4), biógrafo da Princesa Carlota Joaquina, escreveu que nada menos do que trezentos mil, de uma população de três milhões, estavam ligados aos cento e oitenta conventos e mosteiros então existentes. Mas o destino muitas vezes prega o inesperado, e assim foi. Sucumbido pela varíola seu irmão, em 1788, veio a falecer. D. João poderia ainda esperar uma longa vida em segundo plano pois sua mãe só morreria de velhice em 1816. Mas, não foi o caso. Os problemas resultantes de casamentos entre primos, como também entre sobrinhas e tios, logo veio à tona. D. Maria começou a apresentar sinais de instabilidade mental e, em 1785, aos 25 anos de idade, […] Read More
MONÁRQUICA NA APARÊNCIA MAS REPUBLICANA NA ESSÊNCIA
MONÁRQUICA NA APARÊNCIA MAS REPUBLICANA NA ESSÊNCIA Francisco José Ribeiro de Vasconcellos, associado emérito, ex-associado titular, cadeira n.º 37, patrono Sílvio Júlio de Albuquerque Lima Diz o povo que as aparências enganam ou que nem tudo que reluz é ouro. O povo tem sempre razão, pois dificilmente erra nas suas avaliações. Quando se fala em Petrópolis, pensa-se logo no Imperador Pedro II, que foi o herói civilizador destas serras, de cujo empenho nasceu a cidade que cresceu sob o seu olhar vigilante e onde o Imperador encontrou abrigo, fugindo do verão carioca, por mais de quarenta anos. Petrópolis, a cidade de Pedro deveria ter sido uma grande célula monarquista a transformar-se no centro da resistência ao golpe de 15 de novembro de 1889. Mas a história é feita de paradoxos e Petrópolis só foi aparentemente monárquica enquanto durou o regime e o Rei partiu sem que uma lágrima fosse derramada, sem que um cristão defendesse o monarca destronado. Na verdade Petrópolis era já de longa data um poderoso e renitente reduto republicano. Em poucos lugares da Província do Rio de Janeiro agitava-se tanto a bandeira da República quanto em Petrópolis. No jornal “Mercantil”, que viveu de 1857 a 1892 escrevia com elegância e discreção o republicaníssimo Thomaz Cameron. Encastelados nos seus redutos eleitorais aqui estavam em plena propaganda republicana José Thomaz da Porciúncula, José de Barros Franco Junior, Hermogenio Pereira da Silva, Francisco Soares de Gouvêa, Ernesto Paixão, Santos Werneck e outros, alguns deles filiados ao Partido Liberal de modo a lograrem assento na Assembléia provincial. O Coronel José Candido Monteiro de Barros, dos maiores latifundiários do município, proprietário de terras do Retiro para baixo até Pedro do Rio, recebia com todo o respeito e acatamento em sua Fazenda da Olaria (onde está hoje o Castelo de São Manoel) o Imperador Pedro II, mas na hora da eleição era em Porciúncula que ele votava. E mais tarde, chegou a criar dois batalhões sustentados por ele mesmo, para ajudar o Marechal Floriano no combate aos revoltosos de 6 de setembro de 1893. Considerando-se essa intimidade petropolitana com o movimento republicano, com o qual muita gente se identificava, era natural que Petrópolis não se movesse na direção do Imperador deposto. O jornal “Mercantil” não comentou nem lastimou a última viagem da família imperial de Petrópolis ao Rio de Janeiro e daí para o exílio. Entretanto, o mesmo periódico serrano na edição […] Read More
AINDA – A COR DO MUSEU IMPERIAL
AINDA – A COR DO MUSEU IMPERIAL Ruth Judice Nós que somos preservadores, amantes desta cidade, estudiosos de sua arquitetura, quando lemos que o Museu Imperial ia ser pintado de outra cor, paramos para pensar. Analisando sob o ponto da Preservação como Ciência, tudo certo. Pesquisar o passado de um bem e fazê-lo retornar cem por cento, à sua origem, seria o lógico. Foi, certamente, o que levou o atual Diretor do Museu, profundo conhecedor do assunto, a pensar na mudança. Por outro lado, qual a situação atual do Palácio de D. Pedro II? Bem conservado, pintura em rosa intenso, cor adequada pois não “agride” (termo técnico) ao conjunto e ainda realça sua inspiração neoclássica, com os detalhes na cor branca. Há quase meio século ele está no tom que o vemos e que já espalhamos em fotos coloridas, pelo mundo. Segundo Dom Pedro Carlos de Orléans e Bragança, membro da família imperial, “esta é sua cor, desde que virou Museu Imperial”. O povo sempre o viu assim e foi nesta cor que aprendeu a amá-lo. Todos sabemos que o Museu foi a residência de verão do Imperador Pedro II. E muitos sabem que a família imperial ainda reside na cidade em diferentes endereços. Um deles é o Palácio do Grão Pará que abrigou o príncipe Dom Pedro Gastão até sua morte recente. Quem não se lembra dele, sempre montado no seu cavalo Tony, trotando pela Av. Ipiranga, ou seguindo o rio na R. da Imperatriz? Alguns entre nós certamente ouviram uma pessoa do povo cumprimentando-o: – Bom dia “seu” Príncipe – ao que ele retribuía sorrindo: – Bom dia! Pois foi ele que nos contou, numa das suas visitas, comentando quantas residências e sedes públicas usaram a mesma pintura do Museu. Dizia que isto lhe dava muita satisfação, porque fora ele que criara a cor com um fabricante de tintas. O fabricante, em atenção a Dom Pedro batizara a cor de – Rosa Grão Pará. Usemos o bom senso. Este é um fato que tem que ser levado a sério. Dom Pedro era a própria tradição viva, circulando entre nós. Tivera o bom gosto de ir ao fabricante, “criar” uma cor e perpetuá-la como uma característica quase que exclusiva da cidade! Não podemos, de repente, trocá-la sem pelo menos ouvir a população. E essa já se pôs na defensiva, já foi para os jornais, já discutiu nos bares […] Read More
CIDADE IMPERIAL
CIDADE IMPERIAL Carlos Alberto da Silva Lopes (Calau Lopes), associado efetivo, titular da cadeira n.º 7, patrono Bartholomeo Pereira Sudré Aproveito esse número de nosso Boletim para alertar sobre uma história, propalada aos quatro ventos, de que Petrópolis é “a única Cidade Imperial do Brasil” ou, ainda, “a única Cidade Imperial das Américas”. Isto não passa de enorme balela e que, portanto, não deve ser repetida. Só para citar, na América do Sul, temos a Ciudad Imperial, no Chile, e a Vila Imperial de Potosi, na Bolívia, títulos esses concedidos por Carlos V. Já Cidade Imperial, em terras brasileiras, foi título conferido por decreto a alguns centros urbanos durante o Império do Brasil, destacando-se: Rio de Janeiro (RJ), São Paulo (SP), Ouro Preto (então Vila Rica – MG), Itu (SP), Montevidéu (quando capital da Província Cisplatina), Niterói (RJ), São Luís do Paraitinga (SP) e Belém (PA). Também foram concedidos os títulos de Imperiais Cidades Provisórias a cidades que receberam o imperador e passaram a ser capital provisória do Império, até a partida do monarca. Dentre essas, aponto: João Pessoa (então Parnaíba do Norte) – por conta da estada de D. Pedro II do Brasil, de 24 de dezembro de 1859 a 30 de dezembro de 1859; Teresina – por conta da presença da corte real na cidade, considerada também a primeira cidade planejada do país (?), para sua inauguração, cujo nome é uma homenagem à Imperatriz Teresa Cristina. Já os títulos de Fazendas Imperiais foram, por sua vez, destinados às propriedades rurais pertencentes à família imperial, como a Fazenda do Córrego Seco, berço do nosso município. Tratavam-se de grandes latifúndios, cujas áreas foram colonizadas, progressivamente, dando origem a centros urbanos que perduram até hoje, como: Petrópolis — apenas na qualidade de Fazenda Imperial e residência de veraneio da família imperial, por ocasião do Decreto n.º 155 de 16 de março de 1843; Vassouras — na qualidade de Fazenda Imperial e centro cafeicultor do Vale do Paraíba durante o Império. Petrópolis recebeu o título de Cidade Imperial somente em 26 de março de 1981 (Decreto n.º 85.849), durante o governo João Baptista de Figueiredo, como que a reparar uma injustiça histórica. Particularmente, orgulho-me de ter contribuído decisivamente – à época como vereador e presidente da Câmara – para essa exitosa titulação (sim, porque à parte qualquer discussão não há cidade mais merecedora de tal honraria), como também na luta pela […] Read More
PROJETO HISTORIOGRÁFICO PETROPOLITANO (UM)
UM PROJETO HISTORIOGRÁFICO PETROPOLITANO Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga Completamos este ano exatamente três décadas de criação de um desaparecido “ente” petropolitano, o “Centro de Pesquisa de História” (CEPEH), da Universidade Católica de Petrópolis. Centro que foi fruto de convênio firmado em 05 de dezembro de 1969, entre o Museu Imperial, Instituto Histórico de Petrópolis, Universidade Católica de Petrópolis e Prefeitura Municipal de Petrópolis, sob orientação do prof. Jeronymo Ferreira Alves. Ele ocorreu justamente na época em que a repressão policial se apresentava de forma acentuada na cidade. Época em que professores ou se demitiram ou se afastaram por serem perseguidos por simples suspeições ideológicas, tais como, Francisco Falcon, Cyro Flamarion Cardoso em 1965, entre outros. Porém idéias sedimentaram-se e um louvável trabalho de organização na implantação de novas orientações, de atualizadas perspectivas às retenções históricas petropolitanas ocorreu, apesar de sangrias e perseguições. Mas com a criação deste Centro, realizou-se um projeto pelos então professores-pesquisadores: Maria Amélia Porto Migüeis, Nazira Murad, José Henrique Rabaço e José Ribeiro de Assis, seguindo orientações metodológicas da professora da UFF, Universidade Federal Fluminense, Amélia Maria de Souza. O produto resultante deste projeto intitulou-se “Considerações Sobre a Historiografia Petropolitana”, um levantamento estatístico de fôlego sobre toda produção histórica realizada e publicada no município petropolitano desde o século XIX, e que foi publicado pela Gráfica da UCP, criada para publicação de trabalhos científicos e segundo autorização dos conveniados em 1975. Trabalho historiográfico que carece de continuidade. Mas, não seria a única obra-prima em historiografia editada em Petrópolis. Outra com menor rigor da técnica arquivística, porém fruto das anotações e observações de um museólogo petropolitano, comprometido com o propósito da indexação, ocorreu em publicação pelo anuário do Museu Imperial também nos anos 70, tendo por base a documentação petropolitana presente no próprio Museu. Publicação que até bem pouco tempo era utilizada como índex para a grande maioria dos pesquisadores leigos da imprensa por sua praticidade e generalização sobre os mais variados assuntos a serem pesquisados sobre Petrópolis. Um trabalho em que Geraldo Camargo com grande paciência costurara por décadas, servindo de complemento após a produção dos volumes da Comissão do Centenário de 1957. Não somente uma relação de notas de publicações como também relações produzidas pelos antigos bibliotecários da Biblioteca Municipal. Porém, desde os anos 90 um trabalho de levantamento histórico, dados, biografias e crônicas […] Read More
RÁDIO UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PETRÓPOLIS – FM ESTÉREO
RÁDIO UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PETRÓPOLIS – FM ESTÉREO Jeronymo Ferreira Alves Netto, associado titular, cadeira nº. 15, patrono Frei Estanislau Schaette O dinamismo e o espírito empreendedor de Dom José Fernandes Veloso foram responsáveis pela fundação da Rádio UCP, criada pela Resolução número 5/1977, do Conselho Universitário, datada de 1.º de abril de 1977, com a finalidade de “Promover a divulgação da literatura, brasileira e universal; e da boa música, em suas várias formas e estilos; terá noticiário amplo e variado com informação adequada; e difundirá os valores artísticos e históricos, sobretudo de Petrópolis e regiões vizinhas”. (1) (1) Artigo 4.º, Resolução número 5/1977, Conselho Universitário da UCP. Foram necessários quatro longos anos de estudos e trabalhos preparatórios para que ela fosse inaugurada, a 30 de abril de 1981. Durante todo este período, contou Dom José com a valiosa cooperação do então Monsenhor Manuel Pestana Filho, na ocasião diretor da Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Administrativas da Universidade, hoje Bispo Emérito de Anápolis e de Aristides Cerqueira Leite, conhecido por sua grande experiência de rádio e televisão, que se tornaria o primeiro Diretor Administrativo da citada emissora. Órgão suplementar da UCP, toda a sua programação é inspirada na doutrina cristã de desenvolvimento integral do homem, através da indissociabilidade da educação e da cultura. Não sendo uma emissora comercial, tem inteira liberdade de colocar no ar uma programação que não impõe ao ouvinte o que o mercado fonográfico exige das emissoras com fins lucrativos. Por ocasião de sua inauguração, Dom José definiu com rara felicidade, a missão da mesma, assim se pronunciando: “A Rádio UCP quer ser um instrumento educativo e cultural da Universidade a serviço de Petrópolis; sem qualquer conotação comercial ou de propaganda, deseja divulgar nossa cultura, a realidade de Petrópolis e suas potencialidades; apoiar as promoções culturais da Cidade Imperial; ser fulcro da extensão a toda a Comunidade da missão educativa da Universidade; servir a toda a rede de Ensino do Município em seu noticiário e, posteriormente, quando os recursos disponíveis o permitirem, com a produção de especiais programas educativos” (2). (2) Veloso, José Fernandes Dom: in informativo UCP, ano XII, número 87, maio de 1981, p. 3. A primeira direção da Rádio UCP ficou assim constituída: Aristides Cerqueira Leite (Diretor Administrativo); Doutor Edson Paulo Lobo (Diretor de Programação); Professor Adalberto Imbrósio (Diretor Técnico); Silvio Carvalho da Silva (Diretor de Jornalismo). Inicialmente a rádio teve pouco […] Read More
QUARENTA ANOS DA INSTALAÇÃO SOLENE DA ESCOLA DE REABILITAÇÃO DA UCP
QUARENTA ANOS DA INSTALAÇÃO SOLENE DA ESCOLA DE REABILITAÇÃO DA UCP Jeronymo Ferreira Alves Netto, associado titular, cadeira nº. 15, patrono Frei Estanislau Schaette Autorizada a funcionar pelo Conselho Federal de Educação, a Escola de Reabilitação da UCP, terceira do gênero a ser criada no Brasil, realizou seu primeiro Concurso Vestibular na 2ª quinzena de julho de 1969. Na oportunidade, os vestibulandos foram submetidos a provas de Português, Língua Estrangeira, Ciências (conhecimentos básicos de matemática, química, física e biologia) e um teste psicológico de caráter eliminatório. A dois de agosto de 1969, em expressiva cerimônia realizada no auditório Dr. Guilherme Guinle, a Escola de Reabilitação foi solenemente instalada. A instalação da nova unidade de ensino foi presidida pelo Magnífico Reitor Dom José Fernandes Veloso e contou com a presença de inúmeras personalidades, destacando-se o Professor Doutor Raymundo de Britto, ex-Secretário de Saúde do Estado e ex-Ministro da Saúde. Ao proferir a aula inaugural, o Professor Dr. Raymundo de Britto ressaltou a importância da nova unidade de ensino dizendo a certa altura: “Ser enorme o número de indivíduos afastados da vida, do trabalho, e privados da alegria de viver, os quais poderão graças a formação de terapeutas, voltar à vida normal, integrados para a auto-realização e o progresso do País”. A Escola de Reabilitação iniciou com o curso de fisioterapia e posteriormente passou a oferecer os cursos de fonoaudiologia, reconhecido em 1º de junho de 1977 e o curso de enfermagem e obstetrícia reconhecido em 13 de abril de 1983. Durante esses 40 anos de existência, a Escola de Reabilitação foi dirigida com dedicação e eficiência pelos seguintes professores: Dr. Júlio Pinto Duarte (1969 – 1975); Dr. Giorgio Mazantinni (1975 – 1984); Dr. Valter José Silero (1984 – 1990); Prof. Gerson de Aguiar Loureiro (1990 – 2003); Prof.ª Ana Lúcia Casamasso Machado da Costa Habbib (2003 – 2004); Prof.ª Dulce Amélia dos Santos (2004 – 2006); Prof.ª Marília Isabel Winter H. Leon (2006 – 2008). Em 2008 a Escola de reabilitação foi integrada ao Centro de Ciências da Saúde, criado pela Resolução 08/2008, ocupando a direção o Professor Dr. Helmuth Ricardo Krüger. Em 24 de julho de 1971, sob o patrocínio da UCP, realizou-se um histórico Encontro dos Diretores das Escolas de Reabilitação do país, que contou com a presença de renomados especialistas como os doutores Fernando Nova, de Salvador; Hélio N. Batista, de Recife; Gilberto de Almeida da Fonseca, […] Read More
DO SOBRADO AO PALÁCIO AMARELO
DO SOBRADO AO PALÁCIO AMARELO Maria de Fátima Moraes Argon, associada titular, cadeira n.º 28, patrono Lourenço Luiz Lacombe Na casa n.º 12 da Rua Paulo Barbosa, residência da Família Rocha, onde hoje se encontra erguido o Edifício Rocha, foi instalada a Câmara Municipal de Petrópolis em 17 de junho de 1859, tomando posse os vereadores Albino José de Siqueira, Manuel Francisco de Paula, Manuel Cândido do Nascimento Brito, Augusto da Rocha Fragoso, João Batista da Silva, Inácio José da Silva. A referida casa e os móveis foram emprestados à Câmara pela Superintendência da Fazenda Imperial de Petrópolis, conforme informação extraída da ata da 2ª sessão da Câmara, de 21 de junho de 1859. Em 10 de fevereiro de 1862, o Imperador D. Pedro II visitou este prédio, conforme relata em seu diário: “Fui ver o edifício da Câmara Municipal. Tinha avisado o presidente da Câmara que aí se achava bem como o procurador. A casa não é má; porém conviria em lugar de pagar aluguel de um conto comprá-la […].” Correio – Rua do Mordomo – Museu Imperial O legislativo petropolitano provavelmente permaneceu neste prédio até 1863 quando então transferiu-se para o sobrado de propriedade de André Flaeschen. No dia 17 de novembro de 1863, o procurador da Câmara, Gregório José Teixeira e o proprietário da casa sita à Rua do Imperador n.º 1, André Flaeschen celebraram o contrato de arrendamento por quatro anos da referida casa, a contar do dia 15 de novembro de 1863, para servir de sede do legislativo. Tratava-se do prazo n.º 1416 da Renânia Inferior, onde funcionou o Bali Beer, esquina das atuais ruas Professor Pinto Ferreira e Dr. Nelson de Sá Earp. O contrato certamente foi renovado, pois na ata da 13ª sessão ordinária, de 17 de setembro de 1877, André Flaeschen apresentou um requerimento de 11 de agosto, no qual pediu pagamento dos aluguéis da casa que a Câmara ocupou de janeiro a julho do corrente ano. 2_CMP_12 Museu Imperial Em 9 de março de 1877, na 4ª sessão ordinária, o Vereador Paulino Afonso Pereira Nunes apresentou uma proposta para que a Câmara mudasse para a casa da Rua do Imperador n.º 52, sobrado, em frente ao jardim público (mais tarde foi o n.º 555/571 da Av. 15 de Novembro), já que o proprietário da casa em que atualmente a Câmara funcionava tinha elevado o aluguel para 1:000$000 réis. Os vereadores […] Read More
SONHO DE UMA CIDADE CINEMATOGRÁFICA – CONCLUINDO (O)
O SONHO DE UMA CIDADE CINEMATOGRÁFICA – CONCLUINDO Raul Ferreira da Silva Lopes, associado efetivo titular da cadeira n.º 32, patrono Oscar Weinschenck A pesquisa, às vezes, não consegue alcançar todos os documentos que a completariam em tempo hábil. Foi assim no caso deste artigo publicado na edição de aniversário do I.H.P. Após sua publicação, recebemos uma gentil carta de Vitorino Chermont de Miranda (do Instituto Brasileiro de Geografia e História), contestando a data da compra da Fazenda pela CBC (Companhia Brasil Cinematográfica) como avaliamos. Lembrou-se ele de que havia guardado um exemplar da Revista SELETA, nº 10, de 05 de março de 1921. No artigo apresentado, havia três fotos do Castelo São Manoel. Na principal, em frente ao Castelo e nas escadarias do mesmo, um grupo de pessoas e a legenda assim explicava: “Na recepção no Castelo São Manoel – grupos de convidados do casal Oscar de Teffé, vendo-se ao centro os Drs. José Carlos Rodrigues, Afrânio Peixoto, o Conde de Leopoldina e Sua Sra., e o Dr. Leitão da Cunha.” Como se vê, em 1921 a Fazenda ainda pertencia ao casal Oscar de Teffé, e não podia ter sido comprada pela CBC em 1919, quando ela havia atingido o incrível número de ter 400 casas de exibição de filmes, donde imaginamos a suposta data de compra, com o objetivo de produzir filmes para abastece-las. No nosso artigo anterior, publicamos uma carta-requerimento da CBC, em 1927, dirigida ao Prefeito de Petrópolis, em que solicitava a instalação de iluminação pública e informava a venda de lotes do loteamento que haviam implantado na Fazenda, bem como a construção de 20 bangalôs. Está claro que a venda da Fazenda se processou, então, entre 1921 e 1927 Confrontando a história da CBC com os dados acima apresentados, poderemos chegar próximos da real data da compra e venda da Fazenda do Castelo São Manoel. Francisco Serrador, presidente da CBC, ficou nos Estados Unidos de 1922 a 1925, onde foi se aprimorar nos conhecimentos de produção de filmes, em Hollywood e em montagem e realização de musicais na Broadway. Voltando ao Brasil em 1925, inaugurou, no Rio de Janeiro, o Quarteirão Serrador, hoje Cinelândia, e nele o Cine Capitólio, o mais “chic,” na época, do Rio. Como já temos o espaço entre 1921 e 1927 para a data real da venda da Fazenda e a compra pela CBC, tranquilamente podemos avaliar a data em […] Read More
MEMORIAL DE MARIA COMPRIDA: OU SERIA O “SACI PERERÊ DA MARIA COMPRIDA” UMA PROSTITUTA?
MEMORIAL DE MARIA COMPRIDA: OU SERIA O “SACI PERERÊ DA MARIA COMPRIDA” UMA PROSTITUTA? Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, associado titular, cadeira n.º 13, patrono Coronel Amaro Emílio da Veiga “Em toda África Ocidental, a crença na ação constante dos antepassados falecidos assume uma força incalculável… sente-se a presença contínua deles; os indivíduos são persuadidos de que eles velam pela casa, que estão diretamente interessados em todos os assuntos da família e em suas propriedades, que fornecem colheitas abundantes e garantem a fecundidade…” (G. Parrinder, La Religion em Afrique Occidentale, p.139, in, As Culturas e o Tempo, Editora Vozes/Edusp) É habitual que a pesquisadores sempre ocorra curiosidade por denominações criadas para elementos que compõem o universo geofísico, principalmente quando o são de nosso relevo. Assim, montanhas, morros, rios e outros tiveram a etimologia das palavras que as compõem, pesquisadas e, muitas vezes, explicadas, pois surgia, por vezes, como resultado da visita de viajantes ou exploradores, cristãos, em sua maioria, para comemorar dias santificados, ou como contemporaneamente por reflexo do cotidiano das sociedades que lhe são próximas. Um ex-aluno, hoje excursionista, chamou nossa atenção para o nome de um dos pontos culminantes de Petrópolis, considerado por alguns especialistas em escaladas como o segundo maior monumento monolítico do mundo, por sua condição. Falamos do “Pico da Maria Comprida”, e que também representa uma das mais importantes elevações do Estado do Rio de Janeiro. O pico localiza-se em Araras, erguendo-se a uma altitude de 1.926 metros, e podendo ser seu cume alcançado por caminhada. Mas sua parede sul, ao que parece nunca foi escalada, existindo uma só via conquistada na face norte. A verticalidade e grandiosidade da face sul foram fatores que conduziram a maioria dos alpinistas, profissionais ou amadores, a desistirem de se aventurar em suas paredes. A via pode ter cerca de 900 metros, podendo segundo alpinistas ser a maior do Brasil. Precisamente no momento em que fui inquirido, não me ocorreu razão para a denominação, mas procurei justificar historicamente, que poderia ser um fato do contexto social da própria região, e que iria pesquisar melhor, pois isto nos remeteria talvez a uma investigação até de ordem social, já que de ordem histórica, até onde me recordava nada existia, principalmente, quanto a viajantes do século XIX. Seria “Maria Comprida” uma das moradoras, sitiante ou até fazendeira da área de Araras no século XIX? Lembrei-me de, quando do levantamento do arquivo […] Read More