D. Pedro I conheceu a fazenda do Padre Correia em março de 1822 quando, a caminho de Minas, procurava obter o apoio de Vila Rica para o movimento da Independência. Mas ao chegar ao Alto da Serra encantou-se com o panorama daí descortinado e logo pensou em construir um Palácio para si, comprando um terreno a Antônio Correia Maia por 2 contos e 400 mil réis. É a primeira idéia da construção de um palácio na Serra. Mas foi a fazenda do Padre Correia que o encantou verdadeiramente: pelos bons ares, pela vegetação e pelo carinho com que ele e sua família eram recebidos, inicialmente pelo próprio sacerdote, logo depois por sua irmã e herdeira D. Arcângela Joaquina da Silva. Aí procurou o Imperador refúgio para os males que afligiam sua filha, a princesinha D. Paula, a quem os médicos recomendavam mudanças de ares. Por esse motivo foi Pedro I um assíduo frequentador daquela propriedade. E de tal assiduidade veio o desejo da Imperatriz D. Amélia de adquirir a fazenda. D. Arcângela, alegando razões sentimentais – a fazenda era um bem da família e não deveria passar a mãos estranhas -, indica a D. Pedro I a fazenda vizinha, do Córrego Seco, de propriedade do Sargento-Mor José Vieira Afonso. Os entendimentos com o militar chegaram a um bom termo, tanto que, a 6 de fevereiro de 1830, foi assinada escritura de compra da fazenda por 20 contos de réis.

Aí pretendeu o Imperador construir o seu palácio de verão a que daria o nome de Palácio da Concórdia, também atribuído à fazenda. Mas não chegou a realizar seu sonho: no ano seguinte sobreveio a abdicação e embarcou D. Pedro I para a Europa.

A fazenda passou a ser administrada pelo seu procurador que usou o sistema de arrendamento a fim de prover de meios o Imperador abdicatário. Com a sua morte em 1834, abriu-se-lhe o inventário, tocando a propriedade a D. Pedro II – estava ela, porém, hipotecada aos credores e a Casa Imperial não dispunha dos meios necessários para o levantamento da hipoteca. A Assembléia Geral, então, abriu um crédito necessário e a fazenda do Córrego Seco foi entregue ao jovem Imperador, cujo Mordomo, o Conselheiro Paulo Barbosa, prosseguiu o mesmo sistema de arrendamento. O último arrendatário foi o Major Júlio Frederico Koeler que havia sido incumbido da restauração da estrada para Minas, passando pelo Córrego Seco, e que instalou a sede do seu serviço na velha casa da fazenda. Terminado o seu arrendamento veio-lhe a idéia de renová-lo, mas em bases diferentes, pois o seu plano agora era instalar na fazenda uma colônia agrícola de alemães. Esse plano é exposto a Paulo Barbosa para apresentar ao Imperador, que o aprova da maneira mais solene, expedindo o Decreto Imperial nº 155 de 16 de março de 1843. Por esse documento era arrendada a fazenda a Koeler, cabendo-lhe a incumbência de levantar gratuitamente a planta da futura povoação, (distribuindo prazos de terras aos colonos) e do Palácio do Imperador.

Enquanto providenciava Koeler a vinda dos colonos, o Presidente da Província do Rio de Janeiro, também se entusiasmava com o programa de colonização e contratava, também ele, trabalhadores alemães para as obras públicas provinciais. O contrato foi feito com a firma de Dunquerque, Carlos Delrue & Cia., por intermédio de seu representante no Brasil, Eugênio Pisani – e previa a vinda de 600 casais para trabalhar nas estradas da Província, portanto, trabalhadores braçais, pedreiros, etc. Na tradução do contrato para o alemão, foi mudada a palavra casais para família, entendendo-se a expressão no sentido lato, como tios, primos, etc. E logo o 1º navio, o Virginie, desembarcou no Rio 161 pessoas. E ainda viriam muito mais. E tanto que, num dado momento, foi sustada a remessa, não estando a Província preparada para alojar tanta gente. Resolveu então Paulo Barbosa, sondado onde colocar esse excesso de gente, encaminhá-los a Koeler para iniciar a sua colonização. A primeira leva desses colonos chegou ao Alto da Serra a 29 de junho de 1845, data que é considerada como a da colonização de Petrópolis.

Koeler distribuiu-lhes terra pelos quarteirões em prazos localizados na periferia da Vila Imperial.

Em 1844 já Petrópolis tinha sido elevada à categoria de curato, anexo à paróquia de São José do Rio Preto, sendo nomeado cura o Cônego Luís Gonçalves Dias Correia, sobrinho do célebre sacerdote e que exercia as funções naquela longínqua paróquia. Em 1845 foi criada a de Petrópolis, desligada de São José e anexada à Vila da Estrela, situada na baixada.

Não havia Petrópolis completado ainda 15 anos e já se começou a pensar em elevá-la à categoria de cidade. O promotor da medida foi o Deputado Coronel Amaro Emílio da Veiga, que exercia o mandato na Assembléia Legislativa Provincial. O 1º projeto por ele apresentado, foi vetado pelo Presidente da Província, Luís Antônio Barbosa, sob alegações administrativas. Quanto ao segundo, que não continha motivos para o veto, deixou o novo Presidente transcorrer o prazo constitucional sem aprová-lo nem vetá-lo. Assim foi o mesmo promulgado pelo Presidente da Assembléia, Francisco José Cardoso, transformando-o na Lei nº 961, de 29 de setembro de 1857, que elevava à cidade, juntamente com as vilas de Valença e Vassouras, a povoação de Petrópolis.

Tratava-se agora de formar a Câmara Municipal e foram eleitos os primeiros vereadores de Petrópolis, sendo o mais votado o próprio autor da Lei, o Coronel Veiga, que nessa qualidade deveria ser o Presidente. Mas a legislação militar impedia-lhe a posse, ocupando então o cargo o Comendador Albino José de Siqueira. Esta primeira legislatura foi instalada em prédio da Rua Paulo Barbosa, no local onde hoje se ergue o Edifício Rocha.

O atual palácio da Câmara Municipal foi adquirido ao Barão de Guaraciaba em 1894 pelo então Presidente do Legislativo, o Vereador Hermogênio Pereira da Silva.

Em 1916, por Decreto do Presidente do Estado Nilo Peçanha, foi criada a Prefeitura de Petrópolis e nomeado o 1º Prefeito, o cientista Oswaldo Cruz. Daí em diante até 1991, dividiu a Prefeitura com a Câmara o prédio, quando o Prefeito Paulo Gratacós transferiu a sede do poder executivo para o Palacete Mauá.