CEM ANOS DO NASCIMENTO DE GUSTAVO ERNESTO BAUER

Paulo Roberto Martins de Oliveira, ex-Associado Titular, Cadeira n.º 10 – Patrono Carlos Grandmasson Rheingantz, falecido

Preliminarmente, sinto-me honrado pela indicação do nosso Presidente e Confrade Professor Joaquim Eloy Duarte dos Santos, para falar sobre Gustavo Ernesto Bauer. Aceitei a incumbência e me confesso agradecido.

No último dia 23 de outubro, promovido por sua família, houve uma belíssima Missa em Ação de Graças, celebrada na Paróquia de São Sebastião, no local Indaiá, no Quarteirão Siméria, pelo centenário de nascimento do nosso saudoso confrade Gustavo Ernesto Bauer.

Falarei sobre este ilustre petropolitano, figura expoente que foi da nossa sociedade. Sócio benemérito do nosso Instituto Histórico de Petrópolis. Nascido no princípio do século passado, precisamente em 23 de outubro de 1902, no alto da Rua Montecaseros, no prazo de terras de subdivisão n.º 620-D (de propriedade de seu pai), no histórico e presente Quarteirão Nassau.

Era filho de Ernesto Gustavo Bauer e de Carolina Suzana Kling, neto do imigrante germânico Clemens Baur e de Catharine Judith Monken e bisneto de Wilhelm Baur e de (Anne) Marie Kaiser.

Portanto, era descendente dos colonos germânicos da Imperial Colônia de Petrópolis, através da sua mãe Carolina Suzana Kling e pela parte materna do seu pai, ou seja, a sua avó Catharine Judith Monken.

Gustavo Ernesto Bauer foi casado com D. Teresa Soares de Sá, com quem teve 2 filhos: Sérgio Germano e Vera Eliane Bauer. Sérgio faleceu solteiro, aos 27 anos de idade. Vera casou-se com Roberto Castor e lhes deram 2 netos: Augusto e Liane. Augusto, casou-se com Clara Cavalcante e lhes deram 2 bisnetos: Susana e Marcelo. Liane casou-se com Günter Otto Diehl e lhes deram 2 bisnetos: Anne e Marcos Otto, além de mais um bisneto que está chegando, previsto para maio de 2003.

Gustavo Ernesto Bauer teve seus estudos primários no externato do Professor Alberto Eckardt, próximo à sua residência à Rua Montecaseros. Concluiu o curso secundário no Colégio São Vicente de Paula que, na época, funcionava no prédio do Palácio Imperial (hoje Museu Imperial de Petrópolis) e teve como colegas de turma alguns que se tornaram figuras ilustres e expressivas na sociedade petropolitana e alhures. Foram eles: Mário Kuntz, José Tomás Nabuco, Carlos Almeida de Souza, Silvio Magalhães Figueira, Atílio Parin, Termístocles Cavalcanti, João Glas Veiga, Luiz Escragnolle, Salomão Jorge, Eugênio Libonatti e outros.

Após o término do curso secundário, teve de trabalhar e o seu primeiro emprego foi no Banco Construtor do Brasil que, na época, era a empresa que atuava com o serviço de fornecimento de energia elétrica e bondes em Petrópolis. Nesta empresa auferiu conhecimentos de eletricidade e eletrônica, o que mais tarde lhe deu condições de estudos técnicos e de aprimoramentos profissionais.

Em 1936 ingressou no DNER (Departamento Nacional de Estradas e Rodagens) como chefe da seção de eletricidade e mais tarde em Petrópolis, assumiu o cargo de chefe das oficinas do departamento. Brilhantemente desempenhou esta função por mais ou menos 30 anos.

Durante sua permanência no DNER desenvolveu inúmeros projetos técnicos e elaborou vários equipamentos para melhor atender a funcionalidade do setor de oficinas, além de ter montado os dois primeiros transmissores de rádio de longo alcance em Petrópolis.

Durante a sua efetiva ação de trabalhos no DNER, precisamente em 1957, escreveu e publicou o livro “Rodovias e História”, em homenagem ao trigésimo aniversário do início das construções das estradas Rio – São Paulo e Rio – Petrópolis.

Sempre dado a escrever, soube cultuar a histórica memória dos nossos colonizadores germânicos, assim como os de outras cidades do país. Fez várias viagens às antigas colônias: Juiz de Fora, Espírito Santo e a quase todas do Sul do Brasil.

Colaborou muito com a imprensa de Petrópolis e da Alemanha e entre os seus trabalhos aqui publicados, destacam-se: “Genealogia Kling Dupré” – Tribuna de Petrópolis em 14 e 17/05/1961, “Encontro em Deuselbach” – Tribuna de Petrópolis em 30/04 e 03/05/1961, “Viagem ao Passado”- Tribuna de Petrópolis em caderno especial do ano de 1954, “As Nozes de Ouro”- Tribuna de Petrópolis em caderno especial do ano de 1959. Vale ressaltar que estes e outros trabalhos também foram publicados na imprensa alemã, no Rhein Zeitung e no Hunsrücker-Zeitung.

O seu último trabalho, ou seja, a sua derradeira mensagem, foi publicada no Jornal de Cascatinha em 16 a 29/09/1979, em homenagem à comemoração dos 52 anos deste jornal, com a seguinte transcrição:

“Petrópolis, 23-08-1979.
Prezado amigo Lester Carneiro.
Continuo em falta com o conceituado Jornal de Cascatinha e com seu esforçado Diretor.
Neste ano de 1979, o veterano e tradicional Jornal, está comemorando 52 anos de lutas – 52 anos, meio século, mais 2 e, em sua jornada gloriosa, vencendo o tempo, o Jornal de Cascatinha, ultrapassará o ano 2000. Existe mais um pormenor: não é fácil, chegar a 52 anos, a existência de um jornal, tendo como fundador e seguidores, uma tradicional família!
O Jornal de Cascatinha, já tem seu lugar de honra, ao lado dos grandes jornais do mundo: por sua antigüidade, por seu noticiário, por suas informações culturais; e principalmente, porque é um dos nossos jornais – É de Petrópolis e tem sua sede em um dos Bairros mais pitorescos e evoluídos de nossa cidade.
1927-1979, quantos fatos se passaram, nesse espaço de tempo? Quantas reminiscências? Para os petropolitanos mais velhos; quantas recordações, da mocidade com tantos sonhos, cálculos e projetos para o futuro, para vencer.”

Infelizmente Bauer não leu o seu artigo no Jornal de Cascatinha, pois falecera em 27 de agosto, 20 dias antes de ser publicado.

Gustavo Ernesto Bauer escreveu outros trabalhos e estudos que não chegou a publicar. Porém, todos encontram-se no seu arquivo, guardados com muito carinho pela sua amada e querida filha D. Vera Eliane Bauer e o seu genro o Sr. Roberto Castor.

Por duas vezes esteve na Europa em missão de estudos, relacionados ao DNER. Uma pelo governo brasileiro, em 1961, e outra em 1962, por convite do governo da Alemanha, onde teve oportunidade de visitar os locais de origens da maioria dos colonos germânicos que vieram para Petrópolis.

Na última viagem, ocorrida em 1962, recebeu uma condecoração honrosa – distintivo de prata do Hunsrückverein com diploma assinado pelo Governador de Bernkasteltrier, datado em 12/11/1962.

Na Alemanha, precisamente nas aldeias de origem dos nossos colonos, conheceu muitos parentes dos descendentes daqui, o que lhe propiciou inúmeras trocas de informações e conhecimentos de dados históricos.

Gustavo Ernesto Bauer, dinâmico e propulsor do resgate histórico cultural germânico em Petrópolis, promoveu em várias épocas o entrelaçamento de amistosas relações na terra de Goethe e entre tantas e proeminentes personalidades germânicas. Destacou-se a do coordenador de cultura e imprensa do governo alemão, o Professor, Escritor e Historiador Karl Faller, cujo ilustre nome consta da relação de sócios correspondentes do nosso Instituto Histórico de Petrópolis.

Contribuiu diretamente com a sociedade através de palestras e conferências, pois a sua atividade no resgate histórico da Imperial Colônia fez-se intensa.

Seu valor e sua cultura, como historiador de formação autodidata, provocou admiração nos meios culturais e sociais e o levou a pertencer a várias entidades: Instituto Histórico de Petrópolis – sócio efetivo e benemérito, Clube 29 de Junho (de Tradições Germânicas) – sócio fundador e presidente, Museu Imperial – correspondente, Museu de Armas Ferreira da Cunha – conselheiro, Associação Petropolitana dos agraciados com a Medalha do Pacificador – fundador e presidente, Hunsrückverein (Alemanha) – sócio correspondente, Associação de Rádio Amadores de Petrópolis – sócio fundador e outras associações.

Sua grande influência histórico-cultural também mereceu condecorações e medalhas. Além da que recebeu do governo alemão, houve a do Pacificador, em 10/11/1960, Medalha do Museu Mariano Procópio – Juiz de Fora – MG, em 23/06/1961 e muitas outras.

Concorreu efusivamente para a criação do Museu Rodoviário em Paraibuna – RJ e também para a Casa Museu do Colono em Petrópolis que surgiu mercê do entusiasmo do seu idealismo e de outros abnegados saudosistas.

Em 1997, na seleção de 40 nomes ilustres para serem homenageados e patronos no nosso Instituto, houve por bem e condignamente a escolha do inesquecível Gustavo Ernesto Bauer. Efetivou-se, portanto, com a cadeira n.º 21, a qual tem hoje como titular a historiadora e pesquisadora a Ilma. Sra. Maria das Neves F. L. Krüger.

Bauer, alguns amigos e outros simpatizantes das causas nobres de Petrópolis criaram em certa época um grupo denominado de “Grupo dos 13″. Reuniam-se sempre nos dias 13 de cada mês, geralmente para jantar, quando, então, trocavam conhecimentos sobre as origens dos seus antepassados, as tradições e a história de Petrópolis.

Antes de tudo, eram um grupo de bons amigos que se identificavam pelo mesmo ideal, sendo Petrópolis a razão maior das reuniões. Geralmente o local escolhido era o Petropolitano Futebol Clube ou a Cantina Italiana. Durante vários anos, fizeram parte deste grupo além do nosso saudoso Gustavo Ernesto Bauer, os seguintes: Euclydes Pinho, Dr. Acácio de Souza Branco, Dr. Guilherme Eppinghaus, José Malaquias Rodrigues, Eduardo Santos, Elmo Pfeiffer, José Soares de Sá, Gabriel Froes, José Kopke Froes, Dr. Mário Pinheiro, Dr. Moacir Benaion, Saul S. Avellar, Dr. Paulo Barros Franco, Lupério dos Santos e outros que ainda não consegui apurar.

Imaginem se pudéssemos voltar ao passado e assistir uma destas reuniões?

Infelizmente todos já faleceram, porém filhos, parentes e outros que os conheceram, ainda estão entre nós para nos fornecer subsídios dos muitos resultados das reuniões do “Grupo dos 13″.

Em justa homenagem, Gustavo Ernesto Bauer é nome de uma rua no local São Sebastião, no Quarteirão Siméria e de um conjunto residencial no mesmo quarteirão.

Gustavo Ernesto Bauer foi um homem que muito se dedicou à sua vida profissional e na difusão da cultura que ele tanto cultivou, em horas roubadas ao lazer.

No momento em que comemoramos o centenário do nascimento desse destacado petropolitano, que viveu, semeou o bem e a sabedoria de bem viver, mais uma vez, a ele e a seus familiares as homenagens de seus confrades

DADOS BIBLIOGRÁFICOS

Pesquisas realizadas no arquivo particular de GUSTAVO ERNESTO BAUER – por gentileza de sua filha e genro – Sra. Eliane Bauer Castor e Sr. Roberto Castor.

Tribuna de Petrópolis nos meses de agosto e setembro de 1979.

Diário de Petrópolis nos meses de agosto e setembro de 1979.