O GRUPO ESCOLAR, O CÍRCULO E OUTRAS LEMBRANÇAS

Joaquim Eloy D. Santos

O Professor Jeronymo Ferreira Alves Netto, em artigo publicado aqui no Jornal de Petrópolis, edição de 19 a 25 de outubro de 2002, sob o título “Oitenta anos da inauguração do Pedro II”, narrou os anos dourados do Grupo Escolar, desde a fundação numa casa da Rua 14 de Julho (hoje Washington Luís), passando pela doação do terreno à Avenida 15 de Novembro (hoje Rua do Imperador) pela Princesa Isabel e a construção e instalação do estabelecimento no atual endereço e belo prédio, a partir de 26 de novembro de 1922 quando foi inaugurado em sessão solene pelo governador do Estado Dr. Raul Veiga.

É do Grupo Escolar Dom Pedro II que falamos e não das sucessivas adaptações e ampliações que impuseram o fim do Grupo Escolar para a criação do ensino até o 2º grau completo, sob outras denominações: CENIP (Centro de Ensino Integrado de Petrópolis), Colégio Estadual Washington Luís e Colégio Estadual Dom Pedro II, este último e atual retomando a homenagem solicitada pela doadora do terreno, a Princesa Isabel.

Na década de 40, objetivo desse artigo, era diretora do Grupo Escolar a professora Germana Gouvêa, mestra e administradora impecável, titular da Academia Petropolitana de Letras, que funcionou durante muitos anos nas dependências do Grupo, realizando memoráveis reuniões literárias no Salão Nobre, onde existiam os retratos do patrono Dom Pedro II, do ex-Governador Raul Veiga e o do governador em exercício, sempre cambiável.

Naquele salão foi instalada a Câmara Ardente do escritor Stefan Zweig e sua mulher Charlotte, mortos a 24 de fevereiro de 1942, organizada pela Academia Petropolitana de Letras, na presidência Carauta de Souza.

Germana Gouvêa, estimulada pelo Diretor do Departamento de Educação do Estado, Dr. Rubens Falcão e auxiliada pelo Técnico de Educação Professor Ovídio Gouveia da Cunha, ambos confrades seus na Academia Petropolitana de Letras, criou o “Circulo de Pais e Professores do Grupo Escolar Dom Pedro II”, com bela atuação no ano de 1944, quando premiou os melhores alunos com cadernetas da Caixa Econômica, a saber: com Cr$ 30,00 cada um: Fabiano Luiz de Pércia Gomes, Franklin Peixoto da Costa Filho, Arildo Hoeltz e Orleia Rocancourt; com Cr$ 20,00 cada um: Marta Klein, Gicelda Ferreira, Nelson Gonçalves, Nilo José de Souza, Delfina Moreira, Ewald Winhefmann, Hélio José Romero, Terezinha Ferreira da Costa, Maria José dos Santos, Reinaldo Monsores, Artur Pereira, Haroldo Rangel dos Santos, Lilia Carvalho, Teresa Martins e Léa Jacob. O numerário foi conseguido com uma festa no salão da Escola de Música Santa Cecília, organizada por esta e pelo Grêmio Lítero-Teatral Artur Azevedo, por doação do Clube Filatélico de Petrópolis, juntamente com a diretoria do Circulo, integrada de Joaquim Heleodoro Gomes dos Santos (presidente), Euclides Pinho (vice-presidente), prof. Cyreno Restier Gonçalves (1º secretário), profª Maria da Glória Santiago (2º secretário), Alberto Berlandi (tesoureiro) e Heracles de Almeida Amado (bibliotecário). A festa de entrega ocorreu no Salão Nobre na tarde de 25 de novembro de 1944, juntamente com o encerramento do ano letivo.

Na verdade o Círculo funcionou precariamente em virtude do desinteresse de pais e professores em uma colaboração mais efetiva e direta; mesmo assim, auxiliou e muito a administração do Grupo Escolar e incentivou as atividades didáticas e o melhor preparo do alunado.

No Salão Nobre do Grupo proferiram palestras muitos luminares da Cultura Brasileira e os mais destacados intelectuais de Petrópolis. Osório Duque Estrada, Nair de Teffé, Dinah Silveira de Queiroz foram algumas personalidades nacionais que ali estiveram, discursaram e receberam homenagens.

Fui aluno do Grupo Escolar por esse tempo, em meus últimos anos do curso primário, onde tive o privilégio de freqüentar a turma sob a regência da saudosa Profª Maria Elisa Moraes e, em seguida, da Profª Maria Elisa Rodrigues Caldas, ambas excelentes mestras e formadoras de nossa mocidade, tendo ao fundo a simpatia e o carinho imenso da Diretora Profª Germana Gouvêa. Freqüentei as belas aulas, sessões da Academia Petropolitana de Letras, atos cívicos no pátio, palestras e as aulas de ginástica com a Profª Maria de Lourdes Velasco.

Guardo, desses felizes dias, de muito proveito escolar e cultural, uma fotografia de minha turma, que publico junto a este artigo. Apesar de lembrar-me de todas as fisionomias, alguns nomes me escapam, corrido mais de meio século, mas cito alguns deles e aqueles que me escaparam da memória, completem, por favor, anotem e digam para que a fotografia testemunhe 100% esse registro. Ali estão, da esquerda para a direita, partindo da fila superior, o Célio, meu primo Raul e eu; na extremidade à direita os 4 últimos são Domingos Galuzzi, Arnaldo Gross, Odenato Cunha e Luís.

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Na fila do meio José Roberto Pader y Terry, Fernando; identifico três meninas: Teresinha Costa, Isaura e Narieme, a profª D. Maria Elisa Moraes, a seu lado Egon e na extremidade direita Hugo Menezes de Souza e Aloísio Lisboa. Na 1ª fila Paulo Vecchi, minha irmã Gilda, Marina e, ainda Daiknesse e Terezinha Gappo.

Talvez, além da omissão de nomes, uma troca ou outra, mas a memória muito acumulada de informações, por vezes, não consegue processar todo o registro e o computador biológico funciona com lentidão ou simplesmente trava.

(Este artigo homenageia o 80º aniversário do educandário Dom Pedro II e coloca mais um tijolinho no edifício de sua história).