POLÍTICOS NA ACADEMIA

Paulo Machado da Costa e Silva

Apresento alguns dados biográficos de ilustres cidadãos que, em Petrópolis, também militaram na política local, todos já falecidos.

Trata-se da palestra que, sob o título de “Políticos na Academia”, tive a honra de proferir na Sessão Solene de 11 de novembro de 2002.

Por pertencerem, simultaneamente, esses ilustres Acadêmicos aos quadros do Instituto Histórico de Petrópolis, entendi, não obstante a pouca valia dessa contribuição, que ela também pudesse interessar à nossa nobre e querida Instituição.

Senhoras
Senhores

Nossa Diretoria, ao organizar a comemoração dos oitenta anos da existência deste sodalício literário, chegou à conclusão de que a melhor forma seria a de relembrar os Acadêmicos, que tanto a ilustraram, tirando-os do esquecimento, agrupados pelas atividades em que se distinguiram.

Coube-me, com a pronta anuência de nosso Presidente, solicitar que também merecessem destaque os que se haviam assinalado na área das atividades políticas.

É o que pretendo fazer sob o tema de Políticos na Academia.

Permitam, porém, que antes diga algumas palavras sobre a nobre arte da Política, tão malvista por tantas distorções e equívocos maquiavélicos observados nos últimos tempos.

Chamei-a de “nobre arte”, porque a Política é a difícil arte de gerir as atividades e os interesses da cidade, da pólis e dos seus cidadãos de modo a proporcionar desenvolvimento e progresso da comunidade em favor e no interesse do bem comum dos cidadãos.

O bem é, por antonomásia, a perfeição de que é suscetível uma coisa. O bem, especificamente humano, por conseguinte, deve-se procurar, como diz Aristóteles, dentro da “perfeição” que o homem pode alcançar, ou, no dizer de Tomás de Aquino, que segue na esteira de Aristóteles, dentro da “perfeição” essencial ao homem, isto é, na plena realização do ser humano.

O homem é homem perfeito na razão e pela razão, conforme as exigências de realização plena da sua natureza. Contudo, sabemos que ele não está indefectivelmente obrigado a conduzir-se de acordo com tais exigências. Esta faculdade de autodeterminação, própria do homem, é precisamente o fundamento da responsabilidade da sua conduta e do fenômeno da moralidade.

Ao tratar do bem comum e das ajudas que lhe configuram a essência, não basta pensar no Estado e na comunidade política; é necessário ter presente a família e a nação, a comunidade do município e a profissional, a comunidade da religião e a comunidade internacional.

O bem comum é uma realidade social com categoria supra-individual de ser e valor, em virtude da pluralidade dos membros da sociedade que dela dependem no seu ser humanamente perfeito; o bem particular é uma realidade com categoria de ser e valor supra-social, própria da pessoa humana.

O âmbito do bem comum é a cultura, isto é, os elementos culturais de uma sociedade e o âmbito do bem individual é a pessoa.

A Filosofia grega, desde Platão, considerava o belo, o bem e a justiça, isto é, abrangia a Filosofia da Arte, a Moral e a Filosofia Política como realidades essencialmente ligadas entre si. E, mais especificamente, considerava o ideal da Filosofia Moral que julga o homem como ser livre, responsável e criador do seu destino através das suas intenções constituintes, que se situam no cerne de contradições históricas, situações essas que exigem uma sucessão de opções, pois a política é essencialmente ação e se compreende como ação. À medida que representa as tensões vividas, a Filosofia Política se torna estímulo à consciência crítica e à reflexão atuante.

A política é essencialmente uma arte de decisão. Isto exige, por parte de quem exerce o poder ou dele participa, a intuição da medida mais oportuna como também o senso de responsabilidade pela causa em questão, pois, as peripécias da ação política só se revelam no decorrer da própria ação. Toda ação política pode acarretar conseqüências imprevistas e não desejadas, que no entanto será preciso assumir.

Cabem, naturalmente, certas indagações. Como conciliar a liberdade individual e as liberdades públicas, os imperativos da justiça com os da segurança? O justo é sempre útil e o útil está sempre em harmonia com a moral?

A sociedade, no seu todo, consta de pequenas entidades que se unificam no Estado. Por isso, o fim deste último é tornar possível a convivência e a cooperação das comunidades menores e dos indivíduos, na medida em que isso for necessário para dar cumprimento aos fins existenciais de todos eles.

As teorias políticas clássicas, de Platão a Cícero, não se propõem garantir mais eficazmente o exercício do poder, mas definir as condições melhores para a prática de justiça, submetendo o agir dos indivíduos à norma da justiça.

Sendo o homem um ser político, porque é um ser racional, segundo Aristóteles, o objeto da ciência política consiste em definir a forma de racionalidade que vincula o livre agir do cidadão à necessidade, intrínseca à própria liberdade e, portanto, eminentemente ética, de conformar-se com a norma universal da justiça.

Para o pensamento político clássico, em virtude do pressuposto ontológico que confrontava a ordem da cidade, da pólis, com a ordem divina da natureza, foi possível fazer da vontade política uma vontade instauradora de leis justas.

A partir, porém, dos tempos modernos, o que impera é a ânsia de poder. A ação política tem no poder a sua finalidade e a sua legitimação. Surgem os Estados fortes, autoritários, dominadores, escravizadores.

Para encerar essas breves considerações em torno da nobre arte da Política com uma palavra de esperança para as novas gerações, tomo emprestado do Padre Henrique Carlos de Lima Vaz, filósofo e ilustre jesuíta, irmão de nosso confrade acadêmico D. José Carlos de Lima Vaz, um breve trecho de seus “Escritos de Filosofia”, segundo volume, sobre “Ética e Cultura”, pág. 262.

“Queremos crer que está surgindo uma nova forma de comunidade ética na civilização contemporânea, cujos esboços de expressão simbólica têm como fundo a emergência histórica da consciência dos direitos humanos como consciência da humanidade. Esta nova forma está presente e atuante em nosso mundo assinalando a crise e o declínio do Estado do poder (no próprio paroxismo da sua aparente onipotência) e impõe a exigência, a um tempo ética e política, da edificação de um autêntico Estado de direito.”

É o sonho ou a utopia dos que almejam a realização do Estado verdadeiramente democrático.

Agradecendo a gentileza da atenção para esta simples digressão introdutória, tratemos daqueles ilustres cidadãos que, se destacando como políticos, também o foram como acadêmicos da nossa ínclita e veneranda Academia Petropolitana de Letras.

O primeiro obstáculo (e não pequena dificuldade) é o grande número de nossos Acadêmicos já falecidos, que se enfileiram nessa atividade da nobre arte da Política, sobre os quais devo pronunciar algumas palavras rememorativas.

Ainda bem, porque dos Acadêmicos em atividade também não é pequeno o seu número.

Para poupar aos presentes o incômodo e o cansaço de um longo discurso, escolhi, embora não saiba se de agrado dos ouvintes, apenas dois nomes para ressaltar-lhes os méritos. Dos demais, ao final, farei menção, seguindo a ordem das cadeiras acadêmicas por eles ocupadas.

Nosso primeiro homenageado é o Dr. ANTONIO JOAQUIM DE PAULA BUARQUE, ocupante da cadeira n° 13.

Era alagoano de Maceió, nascido em 13 de junho de 1881. Formado pela Faculdade de Medicina de Salvador, em 1904, aos 23 anos de idade se estabelecia em Petrópolis, conquistando logo boa clientela. Por 30 anos foi médico dos ferroviários no Alto da Serra, tornando-se estimado pela população devido sua dedicação aos doentes, sempre pronto a atendê-los, não importava a hora e a condição de seus pacientes.

Militando na política municipal e no jornalismo, em 1926 teve seu nome lançado para Prefeito e o acolhimento foi tal que ele se empenhou decididamente na campanha, tendo a eleição se realizado no início de 1927. Porém, irregularidades ocorridas na votação e na apuração dos votos exigiram a intervenção da Justiça e Paulo Buarque só pode tomar posse em 10 de agosto de 1927, depois que o Tribunal de Relação do Estado do Rio de Janeiro o proclamou eleito por maioria real de votos, conforme assinala o prof. Hamilton Chrisóstomo Frias Martins em seu trabalho sobre esse Prefeito, que foi o 2° Prefeito eleito pelo voto popular. Seu governo se encerrou em 23 de dezembro de 1929.

Embora com um mandato de apenas dois anos quatro meses e treze dias, realizou eficiente administração. Era um organizador. Merece destaque sua preocupação com a Educação. Além de criar concurso para admissão de professor municipal e de haver elevado as séries do ensino primário de três para quatro, subiu o número de escolas primárias de 15 para 38, enquanto os alunos que eram 367 ao assumir, passaram para 1.140 ao término de seu mandato, tendo criado ainda a Inspetoria de Ensino. Sonhava ver Petrópolis transformada num centro universitário, como ele próprio escreveu.

Outros setores da administração municipal não foram descurados. Ruas e estradas foram pavimentadas com paralelepípedo e asfalto. A limpeza pública urbana teve as carroças puxadas por muares substituídas por autocaminhões. O atendimento médico à população e as condições sanitárias foram melhoradas. As obras públicas se estenderam aos distritos. Foi, em suma, uma administração marcante.

Porém, o Dr. Paula Buarque notabilizou-se pela ainda pertinácia de sua luta pela fixação da data da fundação de Petrópolis em 29 de junho de 1845 e, não, em 16 de março de 1843.

Em poucas palavras.

Durante o período imperial e durante os quase cinqüenta anos do período republicano foi quase indiscutida a aceitação da data de 29 de junho de 1845, fato histórico da chegada dos colonos alemães para povoarem Petrópolis, como a data da fundação da cidade. Assim, em 1895, quando Petrópolis era capital do Estado, haviam sido comemorados os primeiros cinqüenta anos dessa fundação.

Acontece que, em 1936, um Vereador teve aprovado um projeto de Lei que estabeleceu como data da fundação de Petrópolis o 16 de março de 1843. Com base nessa legislação, o então Prefeito Dr. Yedo Fiúza, em 1937, criou a Comissão do Centenário. Criado o Instituto Histórico de Petrópolis, em 1938, este, em seu Estatuto, no art. 35, estabeleceu a data de 16 de março como a da fundação de Petrópolis.

Contra tal data iniciou o Dr. Antonio Joaquim de Paula Buarque tenaz campanha, buscando e rebuscando documentos em bibliotecas e arquivos, e promovendo conferências na sede da Academia Petropolitana de Letras, de que era Presidente. Saiu à cata de pareceres de jurisconsultos, de historiadores e de muitos e ilustres intelectuais brasileiros em apoio de sua tese. Tudo foi debalde. Não conseguiu ver sua tese vitoriosa, mas ele, que faleceu no Rio de Janeiro a 22 de outubro de 1950, lutou sem vacilação até o fim de sua vida, porque acreditava na verdade histórica da sua convicção.

Quero encerrar citando o dito do Visconde de Ouro Preto, de que Paula Buarque dizia lembrar-se e que lhe dava tranqüilidade e consolo:

” Se a vitória fascina, empolga e deslumbra, há também glória em cair defendendo uma justa causa.”

O segundo homenageado desta noite é o ocupante da cadeira n° 20, o professor Dr. CARLOS ALBERTO WERNECK

Descendente dos WERNECK, de Vassouras, nasceu no Rio de Janeiro, em 23 de abril de 1912, tendo se formado em Direito, aos 20 anos de idade, na Universidade do Rio de Janeiro.

Destacou-se desde logo como professor, tornando-se renomado educador, tendo sido estudioso dos problemas da Educação, considerada em si e da sua aplicação às condições particulares do Brasil, assim como incansável propugnador e organizador das atividades educacionais do País. Além do SENAC, dedicou muito do seu tempo à arregimentação e orientação dos Estabelecimentos de Ensino do Estado, do Brasil e da Associação Interamericana de Educação, de que foi um dos Diretores. Como monumento de sua obra de educador, erguido em sua honra, permanece o Instituto, hoje, Colégio Carlos Alberto Werneck, que se destaca, em nossos dias, como o continuador de seus sonhos e do seu ideal de grande mestre, formador de gerações.

Mas, é do político que desejo falar. Carlos Alberto Werneck era uma personalidade de inteligência perspicaz, argumentador objetivo e claro em suas formulações, seguro manejador da língua pátria, intelectual de boa formação, agradável e sedutor orador quer se encontrasse em pequenos grupos ou em amplos auditórios.

Possuidor desses predicados e jornalista foi atraído para a política.

Lembro-me da dedicação e do entusiasmo com que se dedicou à reorganização e preparação do Partido Democrático Cristão – o PDC daqueles idos de 1960, muito diverso do arremedo do PDC das últimas eleições – quando, sob os princípios da Doutrina Social Cristã, se lutava pela seriedade e pela responsabilidade dos agentes políticos na instalação de uma sociedade, que colocava os direitos humanos e sociais e a preocupação com o bem comum como ideais superiores da atividade política.

Lembro-me bem porque então, em 1962, também fui arrastado à luta política como candidato a Vereador juntamente com Waldir Silva, enquanto o Dr. Carlos Alberto Werneck era candidato a Deputado Federal e o Dr. João Francisco, a Deputado Estadual.

O Partido era pequeno e a campanha para Deputado Federal não foi fácil, mas o Dr. Werneck, com a renúncia de um Deputado Federal do PDC por Campos, pode assumir as funções na Câmara dos Deputados, em Brasília, já no Governo do Presidente Castelo Branco. Em pouco tempo, conquistava a confiança dos Deputados da Aliança Renovadora Nacional – a ARENA – de que foi organizador e o primeiro Presidente do Diretório Municipal de Petrópolis.

Sua participação inteligente e ponderada nas atividades no Plenário e nas Comissões da Câmara dos Deputados, em breve, chamou a atenção do próprio Presidente Castelo Branco, que o fez vice-Líder do Governo.

Recordo-me de que mais tarde, não sei se numa reunião do Partido, em Petrópolis ou no Rio de Janeiro, o ex-Deputado Federal e ex-Ministro da Justiça, então Governador da Bahia, Dr. Luiz Vianna Filho, me disse “não entender como Petrópolis, que tinha um cidadão da competência e da dignidade de um Dr. Carlos Alberto Werneck, não o conservasse como seu representante em Brasília”. Tal era a consideração em que ele era tido nos mais altos escalões da República.

Nos debates, embora sempre atento e informado sobre os mais variados temas de interesse nacional, dava primordial atenção a tudo que se ligava à Educação e à Economia nacional , discutindo com segurança e proficiência, como se pode observar do que consta nos Anais da Câmara dos Deputados.

Ainda que envolvido e absorvido pelos problemas em nível nacional, não era menor a atenção que dava à ARENA e aos interesses de Petrópolis. Memoráveis foram as reuniões do nosso Partido, de que fui Secretário, quando os problemas locais e a busca de suas soluções tomavam a maior parte do tempo dessas reuniões.

No entanto, como a nobre arte da Política é intrincada, difícil, emaranhada e cheia de tropeços…. O homem, em suas preferências e decisões, é um ser complicado, sujeito a idiossincrasias, pressionado por interesses, nem sempre confessáveis, o que torna o jogo político imprevisível, desgastante, muitas vezes aborrecido e decepcionante. Por isso mesmo tem que ser enfrentado com coragem e realismo.

Pelo que pude apreender do freqüente contacto que tive com o Dr. Carlos Alberto Werneck naqueles anos, essa foi a personalidade marcante e idealista do político que eu aprendi a respeitar e a apreciar.

Não se reelegendo, continuou a atuar na política fluminense, exatamente, pela sua reconhecida capacidade e pelo respeito que sua personalidade impunha aos que com ele conviviam.

Assim, por diversas vezes, foi consultado a respeito de problemas de nosso Estado e até da área federal, em particular, dos ligados à área da Educação. Por duas vezes assumiu a presidência do Instituto de Previdência Social fluminense, tendo se destacado como melhor dirigente de órgão estadual, em 1974.

Em plena atividade e ainda no vigor da vida, aos 62 anos , veio a falecer em Petrópolis no dia 27 de agosto de 1975.

Seu enterro, que trouxe a Petrópolis grande número de personalidades do mundo da Política e da intelectualidade, além de grande massa da população, foi a consagração do reconhecimento desse homem, que não era rico nem dominador ou detentor do poder, mas era humano, competente, preocupado com o bem dos semelhantes, em suma, bom de coração.

Minha evocação detalhada – e não tão detalhada como mereciam os homenageados – houve por bem destacar apenas duas personalidades do mundo da política local, que foram eminentes Acadêmicos e seus Presidentes, em épocas distintas.

Resta-me desfilar perante os olhos de nossa recordação a série de outros tantos Acadêmicos que também se envolveram com a Política. E não são menos ilustres. Por isso, devem ser tirados do limbo do esquecimento. É o que faremos, seguindo a ordem numérica das cadeiras deste nosso sodalício literário.

Cadeira nº 02

ARTUR ALVES BARBOSA

Fluminense, nascido em Niterói em 17 de maio de 1868, falecido em 24 de novembro de 1947, foi jornalista, tendo participado da fundação da “Tribuna de Petrópolis”, em 1902, jornal que, como seu proprietário, transformou em diário, a partir de 1906. – Como político, foi Vereador e Presidente da Câmara Municipal, sendo como tal responsável pela administração municipal, de fevereiro de 1913 a abril de 1916. Foi Prefeito interino de 08 de agosto a 30 de setembro de 1918. Eleito Prefeito, não assumiu . Foi, porém, por duas legislaturas, deputado estadual .

FLÁVIO CASTRIOTO DE FIGUEIREDO E MELLO

Também nascido em Niterói, em 20 de janeiro de 1920, faleceu a 2 de abril de 1988. Foi Prefeito-interventor nomeado de 20 de novembro de 1945 a 1º de março de 1946. Foi Prefeito eleito de 27 de outubro de 1947 a 31 de janeiro de 1951. Novamente foi Prefeito eleito de 1º de fevereiro de 1955 a 31 de janeiro de 1959. Pela quarta vez, governou o Município de 1º de fevereiro de 1963 a 5 de julho de 1966, quando foi cassado, injustamente, pelo Governo Militar por intrigas bem urdidas, sendo retirado da vida pública pela perda de seus direitos políticos por 10 anos, à qual não mais retornou.

Cadeira nº 03

ALCINDO DE AZEVEDO SODRÉ.

Gaúcho, de Porto Alegre, idealizador e primeiro Diretor do Museu Imperial, nasceu em 30 de novembro de 1895 e faleceu, em Petrópolis, em 16 de março de 1952. Bacharel em Direito e Médico, foi Vereador nas legislaturas de 1922, 1924, 1929 e 1936. Foi Secretário e Presidente da Câmara Municipal, o que o levou a ocupar, interinamente o cargo de Prefeito, por curtos períodos.

Cadeira nº 07

MURILO CABRAL SILVA

Natural de Três Rios, nasceu em 25 de outubro de 1914 e faleceu a 18 de outubro de 1979. Foi Prefeito nomeado de Mangaratiba. Foi Deputado Estadual com atuação marcante. Exerceu diversos cargos na Administração do antigo Estado do Rio de Janeiro, antes da fusão, e foi Secretário de Estado nos governos Carvalho Janotti e Luiz Miguel Pinaud. Era influente nome no Partido Social Democrático – PSD de Petrópolis e do Estado do Rio de Janeiro. Candidato a Prefeito de Petrópolis, não conseguiu eleger-se .

Cadeira nº 14

NELSON DE SÁ EARP

Nascido a 3 de maio de 1911, faleceu a 2 de junho de 1989. Foi Vereador de 1947 a 1951, tendo sido Presidente da Câmara Municipal em 1947 e 1948. Eleito Prefeito, governou o Município de 1959 a 1962, realizando marcante administração com seriedade, competência e larga visão do futuro. Foi acatado político dos quadros da União Democrática Nacional – a UDN. A Prefeitura Municipal na sua gestão passou por diversas melhorias. Merece destaque recordar-se que ele foi o organizador, fundador e primeiro diretor do Pronto Socorro Municipal, hoje bem ampliado e, com justiça, denominado “Hospital Municipal Dr. Nelson de Sá Earp”.

Cadeira nº 17

FRANCISCO DE PAULA LUPÉRIO SANTOS

Nasceu em Ouro Preto, Minas Gerais, em 1898, falecendo em Petrópolis em 1º de novembro de 1977. Foi Deputado na Assembléia Constituinte Estadual de 1936. Foi Secretário Estadual de Agricultura, Viação e Obras Públicas e do Interior e Justiça , quando ocupou por 2 dias o Governo do Estado do Rio de Janeiro, em 1947. Foi ainda Chefe da Polícia e Presidente do Conselho Administrativo do Estado. Possuía esmerada educação, conhecido por sua cortesia e cordialidade.

Cadeira nº 20

MAURÍCIO CARDOSO DE MELLO E SILVA

Nasceu em Campos dos Goitacazes a 08 de janeiro de 1928 e faleceu a 02 de janeiro de 1999. Todos, creio, conheceram o intelectual e a figura ímpar do PROFESSOR (com maiúsculas) que era Maurício Cardoso e um apaixonado pelo teatro. Talvez poucos se recordem que também vibrava nele um coração convicto de seus ideais políticos. Era um admirador e estudioso do socialismo. Em 1940, aos 18 anos, foi um dos fundadores do Partido Socialista Brasileiro, em Petrópolis. Participou de encontros e congressos . Teve, por isso, que enfrentar advertências e dificuldades.

Cadeira nº 21

GABRIEL KOPKE FRÓES

Nasceu em Petrópolis, em 1897, tendo falecido em Teresópolis, em 08 de maio de 1986. Funcionário público municipal, aposentou-se, em 1950, como Diretor da Fazenda da Prefeitura. Ao lado de intensa atividade cultural, envolveu-se com a Política, assumindo a gerência do “Jornal de Petrópolis”, baluarte do PDS no Município. Nas eleições municipais de 1954 perdeu a disputa para a Prefeitura de Petrópolis para Flávio Castrioto. Durante o mandato do Prefeito Dr. Nelson de Sá Earp foi o metódico, seguro e influente Secretário Geral da Prefeitura. Foi um político estimado por sua dedicação ao trabalho e pela seriedade e honradez de sua conduta.

Cadeira nº 23

EUGÊNIO LOPES BARCELLOS

Nasceu em Valença, em 1892, falecendo em 03 de março de 1961. Advogado e jornalista, entrou pelos caminhos da política, tendo se elegido Vereador e se destacado por sua atuação. Na condição de Presidente da Câmara Municipal teve que assumir a Prefeitura, interinamente, nos anos de 1919, 1920, 1921 e 1922.

MÁRIO FONSECA

Nasceu em Petrópolis no dia 02 de agosto de 1913, tendo falecido em 08 de março de 1997. Médico de excelente cultura e bom trato, em 1948, ingressou na política no PTB de Getúlio Vargas. Bom orador, bem aceito pela população, elegeu-se Deputado Estadual por duas legislaturas . Na Assembléia Legislativa ocupou diversos cargos e teve participação ativa, inclusive, como líder da Bancada do Partido Trabalhista Brasileiro. Foi influente político na área municipal até o período do Governo Militar.

Cadeira nº 25

ARTHUR DE SÁ EARP FILHO

Nasceu em Leopoldina, Minas Gerais, a 13 de março de 1884 e faleceu em 1941, aos 57 anos de idade, reconhecido por seu talento profissional como médico e pelo extraordinário humanismo e total dedicação a seus pacientes. Militando na política ao lado de seu pai, foi eleito Vereador, tendo sido dedicado colaborador, preocupado com os problemas da saúde pública e das condições sanitárias do Município.

ARTHUR DE SÁ EARP NETTO

Nasceu em Petrópolis em 1908, vindo a falecer em 17 de junho de 1994. Sobre ele não me furto à transcrição da síntese magnífica de autoria de nosso Presidente sobre a personalidade impar de Artur de Sá Earp Netto: “Culto, idealista, advogado militante, irrequieto educador e administrador, viveu uma vida de muitas realizações, desprendimento e coragem”. A Política estava no sangue e ele foi um udenista combativo, sempre em defesa de seus ideais da sã política em benefício da comunidade, visando a realização do bem comum. Na disputa pelo voto popular não foi vitorioso, mas nem por isso deixou de se preocupar com o que era de interesse de Petrópolis e de participar de campanhas a favor da sua cidade e do seu Município.

Cadeira nº 28

CARLOS CAVACO

Na verdade seu nome é Custódio Carlos de Araújo Filho. Era filho de Sant’Ana do Livramento, no Rio Grande do Sul, onde nasceu a 18 de setembro de 1878, tendo falecido em Petrópolis em 22 de dezembro de 1961. Participou da Revolução Federalista de 1893. Foi o fundador do Partido Socialista de Porto Alegre, quando participa de movimentos e campanhas políticas. Era excelente tribuno. Participou da Revolução de 1930 e se tornou fiel admirador de Getúlio Vargas, cujo governo defendeu em praça pública, tomando parte em memoráveis comícios .

Cadeira nº 35

OCTÁVIO LEOPOLDINO CAVALCANTI DE MORAES

Nasceu em Recife, Pernambuco, em 23 de fevereiro de 1900 e faleceu em 21 de junho de 1990. Advogado recém-formado, foi eleito Vereador em Recife e empossado em 15 de agosto de 1936. Foi funcionário público federal concursado dos Correios e Telégrafos . Como político em sua terra natal, foi combativo Vereador, atuando em duas legislaturas, tendo, inclusive, sido Líder da Maioria e 1º Secretário da Câmara Municipal.

Cadeira nº 37

MARIO ALUYSIO CARDOSO DE MIRANDA

Nasceu em Campos dos Goitacazes, em 25 de setembro de 1908, registrando-se sua morte em 13 de agosto de 1987. Foi Secretário da Prefeitura na administração de Yeddo Fiúza. Foi Prefeito de Petrópolis, nomeado pelo Interventor Amaral Peixoto nos períodos de 04.01.38 a 20.12.38 e de 02.04.40 a 29.09.42 . Foi ainda Secretário do Interior e Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Também exerceu, por alguns anos, o cargo diplomático de Adido Comercial em Portugal, tendo realizado excelente trabalho em favor da amizade luso-brasileira.

Cadeira nº 39

PAULO GOMES DA SILVA

Nasceu em Sapucaia, Estado do Rio de Janeiro, em 1914, vindo a falecer em 22 de setembro de 1998. Professor e Magistrado teve carreira brilhante em Niterói e Petrópolis. Aqui, ligado ao Partido Democrata Cristão, fez campanha para Deputado Estadual, tendo se elegido suplente. Como tal, assumiu as funções na Assembléia Legislativa Estadual por dois meses. No âmbito municipal, participou com interesse e diligência das atividades do Diretório do PDC.

JOÃO AUGUSTO DA COSTA

Nasceu em Petrópolis, em 1940, vindo a falecer a 25 de janeiro de 1978. Jornalista, por vocação, o ” Costinha” como o chamavam os amigos, era um apaixonado por sua Petrópolis. Ele lutou por Petrópolis, na sua paixão pelos esportes, pelo “seu” Serrano Futebol Clube e pela Associação dos Cronistas Esportivos de Petrópolis. Lutou pela divulgação dos escritores petropolitanos, divulgando-os através de sua Editora Vespertino . Envolvendo-se na política partidária, foi candidato a Vereador e a Vice-Prefeito, não conseguindo eleger-se.

Como meu companheiro de chapa da ARENA-1 na campanha para a Prefeitura Municipal, em 1966, quero exaltar o político fiel e correto, companheiro dedicado, prestimoso, atento a detalhes e desprendido, numa árdua e pobre campanha política, sem grandes possibilidades diante da simpatia da juventude do candidato do MDB Paulo Gratacós e do desprestígio da ARENA pelo pouco interesse do Estado por ocasião da grande enchente de 1966.

João Augusto da Costa, como em todas as atividades de sua vida laboriosa foi um político digno do respeito e da consideração de seus coevos e dos seus pósteros.

Grato pelo atenção dispensada, encerro aqui despretensiosa enumeração dos Políticos na Academia, que desejava fosse digna comemoração dos 80 anos da Academia Petropolitana de Letras e uma homenagem à altura a tão destacados confrades.

Excuso-me, ao final, por não haver realizado o que desejava fosse uma solene e grandiloqüente louvação a data tão expressiva e a homenageados tão ilustres.