AMEAÇA DOS NEOs – FOGO, TREVAS, TSUNAMIS

Fernando de Mello Gomide, Associado Emérito, ex-Titular da Cadeira n.º 23 – Patrono Henrique Kopke

INTRODUÇÃO

Significado dos termos NEO e tsunami. O primeiro é sigla da expressão inglesa Near Earth Objects, que em português quer dizer Objetos Próximos da Terra. Podem ser asteróides ou cometas. Já tsunami é palavra japonesa que está consagrada na literatura científica. Ela significa ondas oceânicas produzidas por erupções vulcânicas, por terremotos, impactos de asteróides ou cometas nos oceanos. São ondas gigantes que podem ser de 5 metros de altura até mais de 300 metros. Agora, logo depois do Natal de 2004, terremoto no fundo do Índico produziu tsunamis da ordem de 12 metros que mataram mais de 280 mil pessoas em 14 países da Ásia e da África.

No Capítulo I abordamos a temática em torno dos possíveis ou prováveis choques futuros de cometas e asteróides em nosso planeta, além dos resultados de pesquisas científicas que confirmam a queda no passado desses objetos em nossa mansão. Um desses choques há 65 milhões de anos, varreu da face da Terra a fauna dos dinossauros e reduziu a cinzas as florestas da época. Isto deixou efeitos na Terra que foram pela primeira vez detectados em 1980 e ensejaram uma sistemática pesquisa com resultados realmente espetaculares.

Mas existem dados observados em nossa época sobre o impacto de pedras destruidoras sobre a Terra e o planeta Júpiter. Em 1908 em Tunguska na Sibéria, um meteorito de uns 70 metros de diâmetro explodiu destruindo uma vasta floresta de pinheiros. Mortes humanas, parece não terem sido constatadas porque se tratava de região deserta. Mas a explosão desse evento foi ouvida a muitos quilômetros de distância. A energia liberada no estouro, segundo estimativa dos cientistas envolvidos, foi equivalente à da explosão da maior bomba de hidrogênio conhecida. Os ufólogos, gente que de modo geral carece de formação científica e aos quais não falta imaginação, acreditam que o evento de Tunguska foi explosão nuclear de nave extraterrestre. Cáspite! Outro acontecimento espetacular, este em 1994, observado pelos astrônomos mediante o telescópio espacial Hubble, o satélite Galileu e numerosos observatórios no solo, foi a queda no planeta Júpiter dos fragmentos do cometa Schoemaker-Levy 9. O núcleo original do cometa devia ter um diâmetro da ordem de um quilômetro e meio e a energia liberada no impacto deveria ser de 300 mil bombas de hidrogênio de um megaton. As bombas nucleares que o governo americano criminosamente mandou jogar em Hiroshima e Nagasaki (centros do catolicismo japonês), foram “meros traques” de 10 kilotons.

Com base nos dados científicos disponíveis nas últimas décadas, procuramos no Capítulo I analisar os efeitos cataclísmicos oriundos de um impacto de cometa ou asteróide em oceanos e/ou massas continentais. Tais efeitos articulados procuro mostrar no Capítulo III estão presentes numa série de profecias particulares iniciadas no século XII com Sta. Hildegarda de Bingen. Essas profecias dizem respeito a um fabuloso castigo divino que irá varrer da face da Terra uma substancial parcela da raça humana. A profecia de Sta. Hildegarda fala de um impacto de cometa no oceano produzindo tsunamis que iriam destruir numerosas cidades e massas continentais. Mas antes de analisar esta questão relativa a essas profecias que começaram a se multiplicar partindo do século XVIII, achei por bem no Capítulo II abordar tema relativo a falsas profecias e errôneas interpretações de profecias bíblicas, em especial aquela de Sto. Irineu no século II que procurou provar que o Anticristo surgiria no século XX.

Analiso nesse Capítulo II empulhações proféticas tais como os falsos segredos de la Salette, dois falsos segredos de Fátima produzidos respectivamente em 1962 e 1963, os cálculos “proféticos” do Pe. Bartolomeu Holzhauser (séc. XVII) que deu a data da morte do Anticristo em 1911 e outro cálculo profético do Pe. Stefano Gobi (séc. XX) pelo qual em 1998, seria levantada estátua do Anticristo. Também me refiro a outras imposturas como as supostas revelações dos seis videntes de Medjugorje, propaladas por certa classe de padres que teimam em ignorar a condenação da coisa em 1984 pelo bispo Pavao Zanic da Diocese de Moster, à qual pertence o local das “aparições”. Aliás no Brasil, existe certo fanatismo que divulga as mentiras dos “videntes” iuguslavos de Medjugorge. Quando eu ainda estava em São José dos Campos, me cansei de ouvir certos padres proclamarem em sermões a autenticidade dos “oráculos”. A primeira vez que li sobre as “revelações” de uma das “videntes”, fiquei convencido de que se tratava de empulhação. A descrição do céu por essa “vidente” parecia o céu representado por novela da TV Globo. Quero ressaltar que a literatura de mistificações nesse terreno é abundante, e, sem falar nas charlatanices de astrólogos e esotéricos, as fantasias proféticas do abade Joaquim de Flora (séc. XII) “inspirou” numerosos discípulos ao longo dos séculos até nossos dias. As numerosas revelações inautênticas, mostro que não resistem ao critério cronológico, já que com freqüência elas inerem épocas e datas, as quais são desmentidas pelo curso da História. Devemos sempre, no mínimo, encarar profecias envolvendo datas como extremamente suspeitas. Quantas vezes li sobre anúncios “proféticos” vaticinando uma III Guerra Mundial para o século XX!

No Capítulo IV, exibimos profecias bíblicas do Antigo Testamento e do Apocalipse, cujo conteúdo lembra os anúncios proféticos relatados no Capítulo III, ou seja: a chuva de fogo e as trevas. Essas revelações da Sagrada Escritura dizem respeito a um flagelo universal entitulado Dia do Senhor ou Dia de Javé. Exemplifico com esta passagem de Joel II, 1-3:

“Estremeçam todos os habitantes da terra, eis que se aproxima o dia do Senhor, dia de trevas e escuridão, dia nublado e coberto de nuvens. Diante dele um fogo devorador, e atrás, uma chama abrasadora”.

 

 

CAPÍTULO I

EM ROTA DE COLISÃO

I.1 – CRATERAS NA LUA EM MARTE E OUTROS CORPOS DO SISTEMA SOLAR. O ESPAÇO É INÓSPITO

Não há pessoa letrada que não conheça fotografias de nossa Lua, onde a superfície da mesma está marcada por multidão de crateras de variados diâmetros. A superfície de nosso satélite natural exibe as cicatrizes decorrentes de choques com outros corpos do espaço interplanetário, cujos diâmetros podem ser de dezenas de metros até mais de mil metros. Ao longo de sua história a Lua foi bombardeada com esses bólidos temíveis que podem ser asteróides como cometas. O mesmo se observa com a superfície do planeta Marte, de seus dois satélites naturais, a superfície de Mercúrio e outros objetos de nosso sistema planetário, como asteróides de grande porte. Tanto o espaço interplanetário quanto o interestelar é altamente inóspito e perigoso. As viagens interestelares das ficções cinematográficas são assás improváveis devido à existência de meteoritos e micrometeoritos, os quais chocando-se com naves interestelares a velocidade de muitos milhares de quilômetros por segundo, explodiriam as mesmas. (1)

(1) John H. Wolfe. On the Question of Interestelar Travel. The Search for Extraterrestrial Life: Recent Developments. I.A.U.D. Raidel Pub. Co., 1985.

Por exemplo, a nave Enterprise do Cap. Kirk, e assim, o seriado do Startrek teria terminado no primeiro capítulo. (2)

(2) F.M. Gomide. Impacto Histórico e Inteligência Extraterrestre, Ed. Vozes, Petrópolis, 2000, p. 57.

Mas a velocidade de nossa nave espacial, o Planeta Terra, não pode ser afetada por meteoritos e micrometeoritos, visto que, sendo corpos pequenos, em pouco tempo se tornam incandescentes e vaporizam ao penetrarem na atmosfera terrestre: as estrelas cadentes são exatamente meteoritos se consumindo na atmosfera, fruto do aquecimento provocado pelo atrito com a mesma. Mas há os meteoritos maiores, que, porisso, não são inteiramente evaporados e chegam a atingir o solo. Uma vez eu voltava para São José dos Campos durante a noite pela Rodovia dos Trabalhadores, quando repentinamente vi um rastro luminoso azul muito intenso projetar-se no solo a poucos metros da estrada. Pensei: meteorito. Se o objeto tivesse colidido com o meu carro provavelmente não estaria agora relatando o evento. Mas são os asteróides e os cometas, que, sendo objetos de diâmetros variando de dezenas de metros até mais de um quilômetro, oferecem real ameaça para nossa sobrevivência no planeta. As crateras imensas observadas na Lua, no planeta Marte, em Mercúrio, etc, são obviamente atestados de efeitos calamitosos decorrentes de impactos por asteróides e cometas.

I.2 – ASTERÓIDES, COMETAS E OS NEOs

A Terra como planeta do Sistema Solar não deveria também exibir muitas crateras de impactos? Acontece que nossa mansão, diferentemente dos objetos a que me referi antes, é rica em água e atmosfera, além de albergar abundante vida vegetal e animal. A ação da atmosfera e da água tendem a corroer a estrutura lítica das crateras, e, sobretudo a vegetação aliada à vida microscópica, completam o efeito de embelezamento da superfície, o que transparece nas fotografias de nosso planeta obtidas de satélites artificiais. Os pesquisadores contudo, na área da geologia e da paleontologia, têm descoberto vestígios inconfundíveis de antigas crateras produzidas por colisão de asteróides ou cometas. Existe o risco perene de asteróides ou cometas colidirem com a Terra, e, dependendo da massa do objeto e sua velocidade relativa, o resultado poderá ser catastrófico ou cataclísmico. Depois trataremos do cataclisma que aconteceu há 65 milhões de anos atrás.

Os astrônomos sabem que efetivamente existe um risco não desprezível de um encontro não amigável da Terra com algum desses objetos. Os cometas, devido a terem órbitas muito elípticas costumam cruzar a órbita terrestre. Quero lembrar aqui evento astronômico no século XIX.

Cometa descoberto no século XVIII e batizado de Biela, em 1846 seu núcleo foi visto fraturado em duas partes separadas por 2 milhões de quilômetros. Em 1872, segundo cálculos astronômicos, o cometa mostrava estar bem próximo da órbita terrestre. Mas, não foi visto e, em vez, os terráqueos assistirem à mais impressionante chuva de meteoritos de que se teve notícia. Houve quem calculasse 50 mil estrelas cadentes. Em Roma, o astrônomo Pe. Seechi e o Papa Pio IX assistiram o espetáculo do começo da noite até 1 hora da madrugada. O cometa acabou se desintegrando, pois nunca mais foi visto.(3) Se o Biela não se tivesse desintegrado, não poderia uma de suas partes ter colidido com nosso planeta?

(3) Oscar T. Matsuura. Cometas: do Mito à Ciência, Ícone Ed. Ltda, São Paulo, 1985.

O número de cometas parece ser imenso: já no século XVIII se descobriam 1 cometa por ano e essa taxa de descoberta foi subindo para mais de 10 no século passado. O astrônomo holandês Jan Oort propôs em 1950 uma teoria sobre a origem dos cometas. Fazendo uma análise estatística baseada nas diferentes órbitas cometárias, inferiu que esses objetos deveriam provir de uma região do espaço envolvendo o Sistema Solar com distância máxima do Sol de um ano-luz. (3) Essa região passou a ser chamada Nuvem de Oort e seria o berçário desses visitantes de nosso Sistema Planetário Solar. O número dos cometas deve ser extraordinariamente grande, e, como muitos deles aparecem quando menos se espera, evidentemente oferecem uma probabilidade não nula de entrarem em rota de colisão com a Terra.

(3) Oscar T. Matsuura. Cometas: do Mito à Ciência, Ícone Ed. Ltda, São Paulo, 1985.

Quanto aos asteróides, pedras de dimensões respeitáveis de vários metros de diâmetro até mais de mil metros. Esses objetos, muito numerosos, estão especialmente localizados no chamado cinturão de asteróides que fica entre os planetas Marte e Júpiter, e os maiores podem ter diâmetros de 10 km até 100 km. Vários milhares desses maiores objetos são conhecidos e catalogados. Mas, os menores de dezenas de metros a mais de mil metros de diâmetro, são corpos que não figuram de modo geral nos catálogos. Estes corpos celestes de nosso sistema planetário, como os cometas, podem ter trajetórias muito elípticas, e que porisso, cruzam com a órbita de nossa morada. Existem pois perigos que nos rondam constantemente.

Tais perigos astronômicos são os NEOs. NEO é a sigla que vem do inglês: Near Earth Objects, que significa em português Objetos Próximos da Terra. Este fato astronômico têm preocupado cientistas e autoridades governamentais. Fruto disso é a Conferência Internacional promovida pelas Nações Unidas no fim da década de 90 (séc. XX) que reuniu uma plêiade de pesquisadores que apresentaram comunicações científicas publicadas num volume dos Anais de Academia de Ciências de Nova York em 1997. (4)

Parece que a primeira aproximação perigosa conhecida de um NEO se deu no século XVIII. Em 1770 um cometa passou a uma distância da Terra de 3 milhões de quilômetros, o que na ciência astronômica é uma piccola distância. O mesmo objeto teve encontros próximos com Júpiter em 1767 e 1779. (4)

(4) Near-Earth Objects The U.N. International Conference, Ann. N. York Ac. Sci., Vol. 822, 1997.

Segundo David Jewitt da Universidade do Hawaii já foram descobertos na Terra vestígios de centenas de crateras produzidas por impactos, algumas das dimensões de pequenos estados americanos, e, tais crateras, apontam para explosões devastadoras que deveriam ter sido fatais para a vida em escala local a global. (5)

(5) D. Jewitt. Astronomy: Eyes Wide Shut, The Planetary Report, Vol. 20, N. 3, 2000.

A The Planetary Society (Sociedade Planetária) dos Estados Unidos à qual eu pertenço, entidade que congrega astrônomos, astrofísicos e pesquisadores afins, elaborou a partir de 1997, um programa de donativos para a investigação de NEOs. Um dos contemplados foi Paulo Holvorcem da Universidade Estadual de Campinas. Este astrônomo completou em 2000 um telescópio robótico para monitorar NEOs. (6)

(6) Daniel D. Durda. Shoemaker Grants: A Little Money, Lots of NEOs. The Planetary Report, Vol. 20, N. 3, 2000.

Nesse programa de monitoração e pesquisa de NEOs também estão participando astrônomos amadores. (7)

(7) Brian Massden. Amateur Astronomers Answer the Call. The Planetary Report, Vol. 20, N. 3, 2000.

Eles têm sido gratificados ao longo da História com descobertas de corpos celestes. Quero lembrar a façanha do astrônomo amador Palitzsch, fazendeiro residente em Dresden. Em 1758 estavam os astrônomos à espera do retorno do cometa Halley, previsto pelos cálculos do Astronomer Royal Edmond Halley e pelos cálculos mais precisos de Alexis Claude Clairaut (1713-1765): o cometa atingiria o periélio em 12 de março de 1759. Isto foi observado inicialmente por Palitzsch. (3)

(3) Oscar T. Matsuura. Cometas: do Mito à Ciência, Ícone Ed. Ltda, São Paulo, 1985.

I.3 – A EXTINÇÃO EM MASSA NO INTERVALO DO CRETÁCIO PARA O TERCIÁRIO. A ANIQUILAÇÃO DOS DINOSSAUROS

Em 1980 Luís Alvares e seu filho Walter, assim como Frank Asaro e Helen Michel, cientistas americanos, descobriram em Gubbio (Itália), numa fina camada de cal, uma concentração estranhamente alta de Irídio. Pesquisas posteriores em todo o planeta foram confirmando essa anomalia no estrato entre a Era do Cretácio e do Terciário, i.e., há 65 milhões de anos atrás. Ora, o Irídio é elemento abundante em asteróides e cometas. Conclusão a que chegaram os pesquisadores: um asteróide ou cometa de grande porte chocou-se com a Terra nessa época produzindo uma cataclísmica explosão que espalhou por toda a superfície do planeta o Irídio detectado. Essa explosão explicaria o desaparecimento súbito dos dinossauros, que os paleontólogos nunca até então puderam encontrar a causa. (8)

(8) John L. Remo. Development NEO Research: A Chronological Outline (Near-Earth Objects The U.N. International Conference, Ann. N. York Ac. Sci., Vol. 822, 1997)

Em 1990 foi identificada a cratera do local de impacto, abaixo da cidade de Chicxulub na Península de Yucatán. (9) A Sociedade Planetária americana, The Planetary Society, realizou em 1996 uma expedição à região de Belize no México com o escopo de ampliar as pesquisas confirmativas daquele antigo evento tenebroso. Várias comunicações científicas foram apresentadas por diversos pesquisadores no The Planetary Report em 1996. (9) O belo resultado das investigações não deixa mais dúvida sobre a realidade daquele evento há 65 milhões de anos.

(9) Adriana Ocampo. Belize: Rosetta Stone of the K/T Boundary, The Planetary Report, Vol. 16, N. 4, 1996.

Os cientistas David Kring e Daniel Durda recentemente publicaram um artigo muito elucidativo daquele desastre de 65 milhões de anos atrás.10 Esse dramático impacto que representou uma explosão da ordem de 100 milhões de bombas de hidrogênio de 1 megaton, (5) liberou 10 mil bilhões de toneladas de gás carbônico, 100 bilhões de toneladas de monóxido de carbono, 100 bilhões de toneladas de metano, uma quantidade de carbono liberada ao equivalente de 3 mil anos de consumo moderno de combustível fóssil.

(5) D. Jewitt. Astronomy: Eyes Wide Shut, The Planetary Report, Vol. 20, N. 3, 2000.

Além desses gases, os fogos devastadores produziram gases tóxicos como cloro, bromo, estes responsáveis por destruir a camada de ozônio, além de chuvas de ácido nítrico e ácido sulfúrico. Como vemos, a atmosfera se tornou em larga medida irrespirável. A fuligem e a poeira levantada pela explosão e os incêndios deixaram o planeta impermeável à luz solar, ficando provavelmente em trevas durante meses. (10)

(10) D.A. Kring, D.D. Durda. The Day the World Burned, Scientific American, Vol. 289, N. 6, 2003.

Impactos dessa natureza provavelmente determinariam terremotos e erupções vulcânicas em vários lugares do planeta, isto devido às ondas de choque se propagando pelo magma. Assim, regiões de fraturas na crosta, como na Califórnia, seriam abaladas pelas ondas de choque liberando as tensões que provocam terremotos. Também ondas de choque e tufões na atmosfera seriam emergentes.

I.4 – TSUNAMIS. EXEMPLOS DO SÉCULO XIX AO SÉCULO XXI

As ondas de arrebentação em praias, muito apreciadas pelos desportistas do surf, são geralmente modestas: dezenas de metros de comprimento e alturas não excedentes de 4 a 5 metros. Já os tsunamis possuem extensão de quilômetros e alturas que excedem, até de muito, os 5 metros. Como veremos, há dados geológicos que apontam para tsunamis de mais de 300 metros de altura.

Em Agosto de 1883 a explosão do vulcão Krakatoa produziu um tsunami que atingiu Java e Sumatra matando 36 mil pessoas. No Japão em Junho de 1896, um tsunami de mais de 25 metros de altura matou 26 mil pessoas reunidas para um festival religioso. No Chile em 1960 um terremoto gerou tsunamis que viajaram 150 graus (17 mil quilômetros) atingindo o Japão com ondas de até 5 metros de altura e umas duzentas pessoas foram mortas. Já nas ilhas do arquipélago do Hawai a uns 10 mil quilômetros do epicentro, as ondas chegaram a atingir 15 metros de altura.

No século XXI em 26/12/2004, algumas horas após o Natal, um terremoto de 9 graus na escala Richter no fundo do Oceano Índico gerou tsunamis que devastaram e mataram multidões em países da Ásia e até na África. Os países que mais sofreram foram a Índia, o Sri Lanka, Indonésia, Thailândia, Mianmar, Malásia e vários arquipélagos, sendo que na Somália e Quênia várias centenas de mortos foram contabilizados. A catástrofe pode ser considerada a maior do gênero em tempos históricos. Desde domingo dia 26 de dezembro o número de mortos vem crescendo, já que as correntes marinhas vêm todos os dias devolvendo mais cadáveres às praias. Inicialmente logo após o desastre, o noticiário falava de 11 mil mortos. No dia seguinte o número pulava para 20 mil. Quinta feira dia 30 de dezembro, a Cruz Vermelha anunciava que o conjunto de baixas deveria superar 100 mil. E, sete dias após o cataclisma, a lista superava 156 mil mortos. Além das vítimas de morte, esses países oferecem o espetáculo doloroso de mais de 5 milhões de desabrigados e deserdados, sujeitos às epidemias decorrentes da tragédia. Dia 26/01/2005 o noticiário anunciava mais de 280 mil vítimas do maremoto, sem contar os desaparecidos.

Qual seria o resultado de um cometa ou asteróide cair no meio do oceano, como o Pacífico ou o Atlântico? Segundo os estudos de Jack Hills e Charles Mader, um asteróide rochoso com diâmetro de 400 metros que caísse no meio do Atlântico produziria ondas de no mínimo 4 metros de altura nas costas da Europa e da América do Norte, mas as que atingissem o litoral da África e da América do Sul teriam alturas de 40 metros. (11) Sayonara Rio de Janeiro, sayonara Salvador… É de se esperar que objetos de vários quilômetros de diâmetro provoquem tsunamis mais devastadores. Existem testemunhos geológicos a favor de terem existido tsunamis mais aterradores. Por exemplo, no Hawai existem corais em regiões de altitude de centenas de metros acima do nível do mar. Na Ilha de Lanai do arquipélago, os vestígios apontam para tsunamis de pelo menos 326 metros de altura. Um tsunami de altura equivalente aconteceu num fiord do Alaska em tempos históricos. No Texas existem evidências de um tsunami de 50 a 100 metros de altura ao longo da costa após o impacto que matou os dinos. (11)

(11) Jack Hills, Charles Mader. Tsunami Produced by the Impact of Small Asteroids (Near-Earth Objects The U.N. International Conference, Ann. N. York Ac. Sci., Vol. 822, 1997)

I.5 – UM NEO DESCOBERTO EM 1989, O TUTATIS

Na seção de Ciência e Tecnologia da Tribuna da Imprensa do Rio de Janeiro em 30/09/2004, a notícia: “Asteróide passa próximo à Terra”.

Trata-se do Tutatis, NEO descoberto pelos astrônomos franceses em 1989, que em 29/09/2004 chegou ao ponto mais próximo de nosso planeta: um milhão e quinhentos e cinqüenta mil quilômetros de distância. Uma distância que em termos astronômicos é uma insignificância. Lembremo-nos que a Lua dista da Terra de uns quatrocentos e sessenta mil quilômetros, o que levou o engenheiro escritor e jornalista Gustavo Corção a chamar nosso satélite natural de subúrbio da Terra.

O Tutatis é um NEO perigosíssimo já que suas dimensões com diâmetros de 4,6 por 2,4 quilômetros (comprimento e largura) e velocidade relativa à Terra de 11 quilômetros por segundo, em eventual choque com nosso planeta poderia produzir um cataclisma de extinção massiva da vida e destruição global incalculável. Provavelmente a tragédia seria menor que aquela da aniquilação dos dinos há 65 milhões de anos, visto que aquele NEO tinha dimensões maiores, i.e., de 10 quilômetros de diâmetro. Seria interessante se os especialistas no assunto fizessem estimativas em computador sobre os efeitos da explosão do impacto do Tutatis em nossa pobre mansão.

RESUMO DO CAPÍTULO I

Efeitos do impacto de cometa ou asteróide de mais de um quilômetro de diâmetro:
1) Tempestade de fogo local e/ou global, ou seja: chuva de dejetos incandescentes oriundos do local do impacto.
2) Terremotos, e/ou erupções vulcânicas.
3) Ondas de choque e tufões arrasadores.
4) Trevas planetárias, podendo durar dias, semanas ou meses.
5) Contaminação da atmosfera com gases tóxicos.
6) Tsunamis.

Veremos no Capítulo III que estes efeitos aparecem nas diversas profecias particulares conhecidas como profecias sobre os Três Dias de Trevas, profecias essas que vieram se multiplicando a partir do século XVIII. Nelas os efeitos mais descritos são as trevas planetárias e a chuva de fogo.

 

 

CAPÍTULO II – (Primeira parte)

ERRÔNEAS INTERPRETAÇÕES DE PROFECIAS BÍBLICAS E FALSAS PROFECIAS PARTICULARES

II.1 – EXEMPLOS DE INTERPRETAÇÕES ERRÔNEAS DE PROFECIAS BÍBLICAS. A IMPORTÂNCIA DO CRITÉRIO CRONOLÓGICO

Sto. Irineu (séc. II) célebre Padre da Igreja fez certos cálculos numéricos baseados no Nº 666 e na putativa data da criação do homem em 4.000 a.C. Chegou à conclusão, que o Anticristo viria no século XX (1). Bem, já estamos em 2005…

(1) Sto. Irineu. Adversus Haereses. L. V, Caps. 28-30.

Para começar, não existe cronologia bíblica. Já no século XIX, os bons exegetas tendo em vista as pesquisas arqueológicas e paleontológicas, começaram a crer que se não podia aceitar a data de 4.000 a.C. para a criação da humanidade. A chamada cronologia bíblica era em grande parte baseada na árvore genealógica dos patriarcas antediluvianos. Mas, como perceberam muito bem os jesuítas alemães Knabenbauer e Bellynck (séc. XIX), essas genealogias são descontínuas, e portanto, não podem definir cronologia (2). Quem hoje acredita em cronologia bíblica é um completo ignorante.

(2) Bacuez et Vigouroux. Manuel Bíblique. T. I. A. Roger et F. Chernoviz, Editeurs, Paris, 1901, Chap. III.

O erro de Sto. Irineu exerceu certa influência, já que existem intérpretes da Bíblia na antigüidade, crentes na idéia do aparecimento do Anticristo no século XX. Mas outros pensaram diferentemente como é o caso do Abade Gioacchino di Fiore (1135-1202) que “calculou” a vinda do Anticristo para o ano de 1260. Os profetas de plantão, “discípulos” de Joaquim das Flores inventaram outras datas. A historiadora da Universidade de Oxford Marjorie Reeves nos dá um apanhado bastante detalhado da influência dos enfoques pseudoproféticos de Joaquim de Flora criando uma corrente fantasista de profecias pseudojoaquimitas (3).

(3)Marjorie Reeves. The Influence of Prophesy in the Later Middle Ages. A Study of Joachimism, Oxford Univ. Press, 1963. Part I, Chaps. I-IV.

O padre alemão Bartolomeu Holzhauser (séc. XVII) se enveredou pelo triste caminho de fazer interpretações do Apocalipse sob a inspiração de Joaquim de Flora, chegando a calcular data para a vinda do Anticristo. O exegeta argentino Pe. Leonardo Castellani faz uma severa crítica ao padre alemão. Disse ele que Holzhauser calculou a data da morte do Anticristo para 1911, isto contrariando a proibição do Concílio de Florença (séc. XV). Castellani julga que o Pe. Holzhauser além de ir contra o Concílio incorreu em inexatidões e disparates manifestos (4).

(4)Leonardo Castellani. El Apokalypsis, Ediciones Paulinas, Buenos Aires, 1963.

Mas, o Pe. Castellani equivocou-se quanto ao Concílio. Na realidade foi o V Concílio de Latrão (séc. XVI) que lavrara a proibição. Decreto deste Concílio diz:

“Nós ordenamos a todos que exercem as funções de pregação agora e no futuro, não presumir, seja em sermões ou em suas afirmações, fixar a data de futuros males, quer da vinda do Anticristo, ou do Dia do Juízo, considerando que a Verdade disse: Não compete a vós conhecer os tempos ou os momentos, que o Pai reserva a Seu poder (At. I, 7). Aqueles portanto que tiveram a audácia de emitir tais sentenças no passado, mentiram, e é bem conhecido que, por sua causa, a autoridade daqueles que pregam com sabedoria têm sofrido grandemente” (5).

(5) Rev. Denis Fahey, C.S.Sp. The Kingship of Christ and the Conversion of the Jewish Nation, Regina Publications, Dublin, 1953, p. 190.

No século XX existe outro padre que andou fazendo cálculos proféticos. Trata-se do italiano Stefano Gobbi dirigente do Movimento Sacerdotal Mariano. Ele vem pregando desde 1972 em peregrinações pelo mundo mensagens que apresenta como provindo de Maria Santíssima. A grande maioria de seus pronunciamentos apenas retratam as desordens doutrinárias, espirituais e morais do mundo, que são altamente óbvias. Como que imitando Sto. Irineu que viveu numa época em que a exegese bíblica estava no seu começo e só no século XVI com o Concílio V de Latrão a Igreja proibira cálculos proféticos sobre males futuros, o Pe. Gobbi desobedecendo à Igreja realizou cômputos proféticos, que aliás são disparates. Vejamos.

Baseando-se em 1989 no Nº 666, descobriu várias datas, das quais destaco apenas duas, estas: 1332 e 1998.

Diz ele que 1332 marca a data em que nasceram os grandes erros filosóficos que se estenderiam séculos a seguir. Por quê? Porque se começou a dar valor exclusivo à ciência e depois à razão como único critério de verdade. Bem, isto é uma sandice de quem ignora história da filosofia e da ciência. Pois do século XIII ao século XIV, um notável movimento filosófico baseado na teologia como nos mostra Pierre Duhem (6), destronou a falsa ciência aristotélica e preparou os caminhos para a verdadeira ciência. O bispo franciscano de Milão Pedro Philargos (+1504) que participara desse movimento afirmou que graças à teologia da Igreja a razão humana se livrou do jugo da física de Aristóteles (6). A tolice do Pe. Gobbi tem muito a ver com a tão difundida repulsa eclesiástica à física, porque ela contradiz Aristóteles, o qual passou a dominar a filosofia do meio católico após o século XV (7). A outra data, 1998, é anti-histórica: seria data da erecção da estátua do Anticristo (8). Bem, estamos em 2005.

(6) P. M. Duhem. Le Système du Monde. T. VIII, Hermann, Paris, 1958, p. 120.
(7) F.M. Gomide. Exemplos do Jugo de Aristóteles na Filosofia e na Ciência, Revista Reflexão (PUCCAMP), N. 64/65, 1996.
(8) P. S. Gobbi. Aos Sacerdotes Filhos Prediletos de Nossa Senhora. Movimento Sacerdotal Mariano, Jauru, MS.

 

Existe um número não pequeno de astrólogos e outros falsos profetas que todo ano exibem datas de acontecimentos futuros que se não realizam. Quantas vezes vi astrólogos como o falecido Omar Cardoso anunciarem a data da III Guerra Mundial… As tais datas são hoje como que datas pré-históricas. A astróloga americana Jeane Dixon dita católica, em 1980 teve a visão da queda de um cometa em nosso planeta e que isso aconteceria no século XX. Numa visão de Janeiro de 1962 lhe foi revelado que em Fevereiro do mesmo ano, o Anticristo teria nascido no Oriente Médio (9).

(9) A. Woldben. After Nostradamus. Mayflower Books Ltd., Frognore, St. Albans, 1977

II.2 – UMA CÉLEBRE IMPOSTURA: A PROFECIA DOS PAPAS ATRIBUÍDA A S. MALAQUIAS (SÉC. XI). JORNALISTAS PROFETAS

Neste caso como nos anteriores, o critério cronológico desmonta com a “profecia”.

O beneditino Dom Arnold Wion (séc. XVI) recebera a incumbência de sua ordem realizar uma listagem de todos os bispos beneditinos. Um deles S. Malaquias (séc. XI-XII) bispo de Armagh na Irlanda acabou sendo vítima post mortem de uma traquinagem. Ao se referir a S. Malaquias, Dom Wion acrescentou de modo nonchalant (como quem não quer nada) a seguinte proposição:

“Conheço dele certa profecia… sobre os supremos pontífices. Como ela não foi impressa eu a reproduzo aqui”.

E, assim começou na História, do século XVI ao século XX, uma seqüela de ofensas a um homem santo, sobretudo no século XX com as sábias interpretações de profetas de plantão, em que se erigiram jornalistas da grande imprensa.

A profecia em apreço consistia em atribuir a cada Papa um dístico latino que correspondia a algo real sobre o mesmo Papa. Assim por exemplo, Celestino II (1143-1144) tinha esta divisa: Ex castro Tiberis. Ora, ele nasceu no castelo de Cittá di Castello sobre o Tibre. Acontece que, de Celestino II (séc. XII) até Clemente VIII (séc. XVI) contemporâneo de Dom Wion, a profecia era de uma transparência linda. Mas para os Papas no futuro de Dom Wion, as divisas passaram a ser quebra-cabeças para os profetas de plantão: as jóias das pessoas dos Papas não se encaixavam no envólucro das divisas. Então, começaram os indivíduos com vocação profética a utilizarem as falsas jóias de antipapas para encaixarem nas divisas. Bem, a profecia que era linda até Dom Wion, após sua morte ela virou uma completa bagunça (10). O critério cronológico nos leva a concluir que a “profecia” foi inventada na época por algum pilantra qualquer, ou, por algum eclesiástico sem caráter, sendo que, há quem diga que o autor da impostura fosse o próprio Dom Wion (11).

(10) Duc de Brissac. Bientôt plus de Papes?, Historia, N. 374, 1978.

(11) Dominique Clerc. La Prophétie de Malachie, Historia Spécial, N. 397, 1979

Mas como a credulidade humana é insondável, como se vê claramente nas farsas eleitorais desta ditadura republicana, a maravilhosa profecia dos Papas atravessou os séculos apesar da evidência de ter sido uma empulhação. Por ocasião da eleição do sucessor de Pio XII em 1958, os homens de imprensa rapidamente envergaram as capas multicoloridas de profetas de plantão. Pio XII era tido como aquele com a divisa de Pastor Angelicus que seria sucedido pelo Pastor et Nauta. Bem, um cardeal que estava muito em foco como o provável Papa era o armênio Dom Agagianian que tinha no escudo uma âncora. Ecco! Eis o Pastor et Nauta identificado. Foi eleito porém o italiano Cardeal Roncalli de Veneza. Mas os sábios profetas de plantão explicaram de modo néscio a divisa de João XXIII. Como Veneza era a cidade dos canais, o Papa devia ser navegador. Para isso era necessário que o Papa fosse gondoleiro promovido a navegador. E S. Pio X e João Paulo I que foram cardeais de Veneza não deveriam ser Pastor et Nauta?

II.3 – A PROFECIA DO GRANDE MONARCA INICIADA NO SÉCULO IV. CAOS DE PERSONALIDADES E DATAS ATÉ O SÉCULO XX

Esta profecia começa num texto apócrifo conhecido como atribuído à Sibila Tiburtina (séc. IV). Nela se fala de um Monarca Leão, imperador bizantino que conquistaria todo o mundo pagão para a Cristandade. É claro que isso não se realizou, e, os profetas de plantão foram modificando a identidade do homem, e, é claro, as datas dos acontecimentos grandiosos. Vejamos a evolução histórica da impostura: (3)

(3)Marjorie Reeves. The Influence of Prophesy in the Later Middle Ages. A Study of Joachimism, Oxford Univ. Press, 1963. Part I, Chaps. I-IV.

1) Grande imperador bizantino;
2) Carlos Magno;
3) Monarca alemão;
4) Henrique IV;
5) Frederico III (séc. XIII);
6) Húngaro;
7) Carlos V (séc. XVI);
8) Duelos de profetas: monarca francês vs. monarca alemão;
9) No século XVII o astrólogo dominico Campanella identifica o Grande Monarca como espanhol;
10) O ridículo dominico Giordano Bruno aponta Henrique III;
11) Ainda no século XVII o G.M. vira inglês protestante;
12) Os franceses do século XX deslumbrados com Le génie et la gloire de la France fazem do G.M. descedente dos Bourbons via Luís XVII.

Fato recente acontecido em Junho passado (2004) noticiado pela imprensa diária, consigna que Luís XVII, o menino de 11 anos aprisionado na Torre do Templo pelos assassinos da Revolução Francesa, efetivamente foi morto e não resgatado, como certa fantasia fez circular durante muito tempo. O teste de DNA liquidou com qualquer dúvida. Assim acaba o sonho do Grande Monarca francês descendente dos Bourbons. Vou comemorar o fiasco do sonho tomando uma dose de Jim Bean (Bourbon Whiskey!).

II.4 – GIOACCHINO DI FIORE E SUAS FANTASIAS PROFÉTICAS. A IDADE DO ESPÍRITO SANTO

O monge cistercience da Calábria Gioacchino di Fiore, ou seja, Joaquim de Flora ou Joaquim das Flores, desposou no século XII umas doutrinas teológicas pouco ortodoxas sobre a Santíssima Trindade, que aplicou em suas exegeses do Apocalipse. Suas opiniões teológicas foram condenadas em 1215 no IV Concílio de Latrão. S. Boaventura o considerava um homem simplista e ignorante e Sto. Tomás de Aquino concluiu que sua doutrina sobre a Santíssima Trindade não passava de um trideísmo (12).

(12) Sto. Tomás. I S.T., q. 39, a. 5.

Defendia Joaquim de Flora que a história Cristã se dividia em três Idades, a do Pai, a do Filho e a do Espírito Santo. Esta separabilidade das três pessoas divinas caracterizando três Idades da história é consentânea com sua doutrina de fundo trideísta. Ele insinuou, e, seus seguidores afirmaram, que a Terceira Idade, a do Espírito Santo, seria a Idade do Novo Evangelho, o Evangelho Eterno o Evangelho do Espírito Santo. O Antigo e o Novo Testamento dariam lugar a uma nova aliança com iluminação do Espírito de Deus em plenitude tal que os sete sacramentos da Igreja deixariam de existir (3). Teria assim o início a Nova Cristandade da Era do Espírito Santo. Essa nova época, a Terceira Idade, começaria também com um Papa Santo, o Pastor Angélico, que teria a cooperação de um santo monarca francês, i.e., o Grande Monarca. Quero observar que essa abolição dos sete sacramentos da Igreja pode significar a instituição de um único novo sacramento. Fico pensando se essa fantasia joaquimita não tem a ver com o propalado Batismo do Espírito Santo mencionado com insistência por grupos carismáticos dentro e fora da Igreja. É claro que o 1º sacramento é Batismo do Espírito, pois é missão da terceira pessoa divina santificar, o que é realizado pelos sete sacramentos. Como está no Evangelho, o sacramento do Batismo é do Espírito Santo e não simplesmente de água (Mat. III, 11). Mas a teologia dos carismáticos parece não ser esta.

(3)Marjorie Reeves. The Influence of Prophesy in the Later Middle Ages. A Study of Joachimism, Oxford Univ. Press, 1963. Part I, Chaps. I-IV.

O Grande Monarca nessas fantasias mostra como Joaquim de Flora herdou a impostura iniciada com a Sibila Tiburtina. Os realizadores da Terceira Idade seriam uma nova ordem religiosa possuída com a plenitude da iluminação do Espírito Santo. Como vemos, esses pensamentos oníricos do Abade Joaquim parecem um manjar para os grupos carismáticos. Ele ao descrever a Terceira Idade que chegaria com a derrota do Anticristo em 1260, parece estar acenando para a velha heresia do Milenarismo. Vários seguidores de Joaquim de Flora tiraram a conseqüência (3). Como bem mostra a historiadora da Universidade de Oxford, Marjorie Reeves, as fantasias proféticas do Abade Joaquim tiveram uma duradoura presença na história e com conseqüências perniciosas (3).

(3)Marjorie Reeves. The Influence of Prophesy in the Later Middle Ages. A Study of Joachimism, Oxford Univ. Press, 1963. Part I, Chaps. I-IV.

Entre outras coisas, sobre o pontificado do Pastor Angélico, Joaquim de Flora disse o que segue:

“Quando um monstro aparecer no céu, deverás (O Pastor Angélico) encontrar uma fuga rápida para o leste e depois de nove anos entregarás a alma a Deus” (13).

(13) Rev. R. Gerald Culleton. The Prophets and Our Times, Tan Books Pub. Inc., Illinois, 1974.

Veremos depois este “Monstro” aparecer nas esquizofrênicas Centúrias do astrólogo Nostradamus e no falso segredo de la Salette.

A temeridade com que o Abade Joaquim anuncia a proximidade da parusia e a vinda do Anticristo em 1260, entra em choque com aquelas palavras de Cristo:

“Não compete a vós conhecer os tempos ou os momentos, que o Pai reserva a Seu poder” (14).

(14) At. I, 7.

Essa leviandade em proclamar datas e tempos iminentes está presente em grupos carismáticos ditos evangélicos e outros internos à Igreja Católica.

Há tempos, lembro-me bem, por ocasião da solenidade de São João Batista em 2000, certo sacerdote líder de grupo carismático brasileiro, em sermão transmitido por canal de TV dita católica, fez afirmações temerárias. Falando como profeta transmitiu o seguinte oráculo: “Nós carismáticos do grupo X somos como São João Batista, i.e., anunciamos a vinda iminente de Jesus Cristo”. Isto deve ter escandalizado certas pessoas, porque pouco tempo depois através mesmo canal de televisão, um discípulo do mestre apareceu dando explicações visando a atenuar o impacto do oráculo. Para isso agrediu a bela língua de Camões: o termo iminente usado pelo padre profeta deveria ser entendido como surpresa ou indeterminado. Nosso Senhor disse que viria como ladrão, de repente, como surpresa, sem ser esperado, ou seja: qualquer sentença visando a especificar um tempo, um momento, uma proximidade temperal, Jesus Cristo repele. Então dizer que Jesus Cristo está na iminência de aparecer, agride Nosso Senhor. E, modificar a semântica do termo iminência para significar outra coisa a fim de justificar um padre infeliz é algo lamentável. Tem mais. Há pouco tempo no ano de 2004, numa das poucas vezes que sintonizo a tal TV já que ela é pródiga em exibições de músicas profanas com letras religiosas, cujas “melodias” não se distinguem da cacofonia dos shows musicais caipiras das TVs brasileiras, ouvi outros oráculos do padre profeta. Falando sobre a parusia, i.e., sobre a segunda e última vinda de Cristo, evitou mencionar o juízo final e afirmou que Nosso Senhor não vem para acabar, mas para modificar, transformar. Ora, na parusia, o que está no Evangelho, Jesus Cristo vem encerrar a História e separar as ovelhas dos cabritos: céu eterno e inferno eterno. Noutros termos: a vida no planeta Terra está encerrada. O oráculo do padre tem sabor pouco ortodoxo pois tangencia a tese quiliástica, ou seja: Jesus vem para reformar e reinar. Ora, esta infeliz sentença estranha à Tradição Apostólica, se aproxima das teses nas seitas evangélicas de origem estadunidense, seitas essas que são também carismáticas. Posso citar aqui oito autores ditos evangélicos, cujas exegeses da Sagrada Escritura em especial do Apocalipse, exibem a velha doutrina do Milenarismo. São eles: Hal Lindsey e C.C. Carlson (15), John Wesley White e Billy Graham (16), John F. Walvoord e John E. Walvoord (17), Herbert Lockyer Sr. (18) e Arthur E. Bloomfield (19).

(15) Hal Linsey; C.C. Carlson. The Late Great Planet Earth, Zondervan Pub. House, USA, 1973. Este livro foi um best seller.

(16) John W. White. Re-entry. Foreword by Billy Graham, World Wide Pub., Minneapolis, Zondervan Pub. House, 1971.

(17) John F. Walvoord; John E. Walvoord. Armagedon. Petróleo e Crise do O.M., Editor Vida, Miami, 1975.

(18) Herbert Lockyer, Sr. Apocalipse: O Drama dos Séculos, Ed. Vida, Miami, 1982.

(19) Arthur E. Bloomfield. O Futuro Glorioso do Planeta Terra, Ed. Betânia, Belo Horizonte, 1980; Antes da Última Batalha, Armagedon, Ed. Betânia, Belo Horizonte, 1981.

II.5 – A IMPOSTURA DE MEDJUGORJE. O BISPO LOCAL DESMASCARA A COISA

As trombeteadas aparições de Medjugorje tiveram uma origem no mínimo bizarra: elas foram ao que parece programadas por leaders carismáticos. Foram anunciadas com antecedência em Zagreb por um padre alemão Heribert Mühlen, responsável pelo movimento carismático na Alemanha. Ele disse para o auditório iuguslavo isto: “Deus prepara em vosso país grandes coisas que terão uma profunda influência sobre toda a Europa”. Em Maio de 1981 o padre franciscano Tomislav Vlasic, carismático, participava em Roma de sessão de líderes do movimento de renovação carismática e foi objeto de duas profecias: uma irmã, Briege McKenna, o viu profetizando no meio de uma multidão e fontes de água viva vertiam de seu lugar. Algumas semanas depois, em 24 de Junho, começaram as aparições de Medjugorje e logo o Pe. Vlasic estava no local e tornou-se diretor espiritual dos seis videntes. O Pe. Vlasic pertencia a um grupo de franciscanos carismáticos dos quais dois tinham sido expulsos da Ordem e suspensos de ordens (20). Nenhuma revelação particular aceita pela Igreja, as chamadas aparições clássicas como Fátima, tiveram tal característica bizarra. Nunca elas foram anunciadas com antecedência (20). Tal fato sumamente estranho sugere armação. E é o que o bispo Pavao Zanic da Diocese de Mostar à qual pertence Medjugorje, acabou provando após uma sindicância rigorosa dos acontecimentos. Abundaram mentiras dos videntes acobertadas pelo Pe. Vlasic assim como falsas curas constadas pelo Bureau medical de Lourdes (21, 22).

(20) Frère Michel de la Sainte Trinité. Les Messages du Ciel à la Terre. La Contre-Réforme Catholique, N. 215, 1985, p. 5.
(21)______. Rapport de L’Évêque de Mostar au Sujet des Evénements de Medjugorje. La Contre-Réforme Catholique, N. 208, 1985, p. 3.
(22)The Truth about Medjugorje: Bishop Zanic’s Latest Statement, Fidelity, South Bend, Indiana, May/1990, p. 16.

Exemplos de mentiras: quando os videntes receberam a nona aparição, disseram que Nossa Senhora teria afirmado que era a última. Isto em 1981. Acontece que após a “última aparição”, os “videntes” foram premiados com 1.300 aparições e que pareciam não parar. Depois mentiram: negaram que eles tivessem dito que aquela aparição de 1981 teria sido a última. Mais. Durante as primeiras aparições, os videntes anunciaram que logo, Nossa Senhora enviaria um sinal para confirmar a realidade sobrenatural dos fatos. Sucessivas aparições se realizaram com os videntes afirmando a imediata manifestação do grande sinal. Até hoje nada aconteceu.

O bispo Mons. Pavao Zanic em sua sindicância, constatou contradições e mentiras dos videntes coonestadas pelo procedimento pouco ético do Pe. Vlasic. O bispo de Mostar apresenta vinte razões para acreditar no caráter não sobrenatural das mensagens de Medjugorje. Aliás a visão do céu tipo novela da TV Globo descrita pela principal “vidente” da pantomima e as mensagens compostas de platitudes (23), são suficientes para qualquer pessoa séria não acreditar naquela trapaça carismática.

(23) Giovanni Zanon. Medjugorje. Nossa Senhora Fala Novamente, Edições Louva-Deus, Rio de Janeiro, 1986.

 

 

CAPÍTULO II – (Segunda parte)

II.6 – OS FALSOS SEGREDOS DE LA SALETTE (SÉC. XIX-XX)

São dois superlativos exemplos de textos ditos proféticos inconfundivelmente manipulados e/ou inventados.

Numa única aparição Nossa Senhora teria se revelado a duas crianças francesas, Maximino e Melânia. Aproveito para lembrar que o número de aparições a videntes é bem limitado: seis aparições em Fátima para as três crianças portuguesas, cinco para Sta. Margarida Maria, dezessete para Sta. Bernadete em Lourdes, uma vez para os dois meninos de Pontmain, cinco vezes para a jovem vidente de Pellevoisin, trinta vezes para as cinco crianças de Beauraing na Bélgica… Isto diz respeito a aparições reconhecidas como autênticas pelas autoridades eclesiásticas. Mas que dizer de mais de 1.300 aparições para a turma de Medjugorje?! E as revelações quase diárias ao Pe. Gobbi? Creio se tratar de delírios fantasistas.

Na aparição de la Salette, os dois videntes receberam uma mensagem profética que eles logo revelaram, esta: devido aos pecados de blasfêmia e trabalhos aos domingos viria um castigo consubstanciado em colapso das colheitas e conseqüente encarecimento dos produtos determinantes de fome e inanição. Isto efetivamente aconteceu e um milhão de pessoas na Europa morreram em conseqüência. Além dessa profecia realizada no século XIX, Maximino e Melânia receberam cada, um segredo. Estes dois segredos os videntes levaram às autoridades eclesiásticas indo parar nas mãos de Papa Pio IX que ficou bastante perturbado com o conteúdo dos mesmos dizendo apenas que se tratava de flagelos para os pecados da França, Alemanha, Itália, toda a Europa. O Papa determinou que os segredos não fossem revelados. Mas no fim do século XIX e início do século XX surgiram muitos escritos pela Europa como textos verdadeiros do segredo de Melânia, ou seja: os profetas de plantão começaram a agir. Muito escândalo foi causado por isso e o Sto. Ofício em 1915 condenou todo e qualquer livro, revista ou artigo reivindicando a autenticidade dos segredos. Eu pessoalmente conheço duas versões de tais textos que são discordantes. Vou analisar um texto apresentado como genuíno, mas que não resiste à crítica (24).

(24) Secrets of La Salette. The 101 Foundation, P.O. Box 151, Asbury, N. Jersey, 1994

O segredo de Maximino é curto, ao passo que o de Melânia é bastante extenso e confuso, visto que, a sucessão cronológica dos acontecimentos narrados parece ter sido embaralhada por algum manipulador. Vamos aos textos.

No segredo de Maximino esta “profecia”: “O próximo Papa não será romano”. Como na época o Papa era Pio IX, seu sucessor devia ser Leão XIII. Ora, nem um e nem outro eram romanos, mas italianos nascidos em cidades diferentes. Este “romano” aí significa que Leão XIII não seria de ortodoxia católica? Mas Leão XIII sucessor de Pio IX foi um dos grandes defensores da Fé, da moral e da justiça no Papado. Depois de profetizar a vinda de uma paz, esta frase esquisita: “Depois dessa paz ela será perturbada pelo monstro”. Acontece que esta coisa aparece no jardim profético de matéria plástica de Joaquim de Flora, como vimos em II.4. Este monstro no céu do Abade Joaquim também está consignado nas sibilinas Centúrias de Nostradamus, (25) onde se diz:

Depois nascerá monstro de muito hedionda besta… (I, 80).
Então nascerá monstro perto e dentro de Ravena… (II, 32).

(25) Texte Original et Complete des Propheties de Michel Nostradamus. Texte Intégral Publié em 1611

Acrescenta: “O monstro chegará no fim deste século XIX, ou, no máximo, no começo do século XX”. Bem, esta cronologia detona a “profecia”. Ainda esta frase cronologicamente impossível e teologicamente absurda:

Nesse tempo (fim do século XIX, início do século XX) o Anticristo nascerá de uma freira de descendência hebraica, uma falsa virgem que terá relação com a antiga serpente, mestre da impureza e putrefação. Seu pai será bispo… seus irmãos não serão encarnados como ele.

A data do nascimento do Anticristo é suficiente para negar validade a esta coisa. Tem mais.

O Anticristo é uma pessoa humana ímpia, o que significa que “demônio encarnado” é absurdo antiontológico. S. Paulo em II Tess. II diz isto:

“… o homem da iniqüidade, o filho da perdição, o adversário, aquele que se levanta contra tudo que tem o nome de Deus, ou o que se adora… A manifestação deste ímpio será acompanhada graças ao poder de satanás, de toda sorte de milagres, de sinais e de prodígios enganadores” (26).

(26) S. Paulo. II Tess. II, 3-9.

Trata-se de uma pessoa humana ímpia ajudada por satanás.

A inconfundível estultícia da “profecia” é idéia muito antiga apresentada em sua descrição do Anticristo por Adso de Montier-en-Der do século X. Seguindo uma tradição que vem do século II segundo a qual o Anticristo seria judeu da Tribo de Dan, acrescenta que ele deveria ser filho de uma prostituta hebrea com um eclesiástico, além do que no momento da concepção o demônio entraria no ventre da prostituta como um espírito, para que a criança fosse a verdadeira encarnação do mal (27). Este tipo de fantasia parece veicular a idéia de que um ímpio tem que ser fruto de uma origem despicienda de fundo diabólico, ou, filho bastardo sacrílego. Quero lembrar que o Condestável Nuno Alves Pereira de Portugal, bem-aventurado, pessoa santa, era filho de padre. De acordo com a bobagem aqui referida ele deveria ter sido um monstro.

(27) Norman Cohn. Na Senda do Milênio. Milenaristas Revolucionários e Anarquistas Místicos da Idade Média, Editorial Presença, Lisboa, 1970, p. 64.

A tradição de que o Anticristo seria judeu não tem respaldo na Sagrada Escritura. Nem no Evangelho, nem no texto de S. Paulo que citei, nem em S. João (28) aparece a idéia do Anticristo judeu. No Evangelho há passagem interessante em que Jesus Cristo sugere que o Anticristo seria recebido pelo povo de Israel como o Messias. Eis o versículo:

“Eu vim em nome de meu Pai e vós não me recebestes; se outro vier em seu próprio nome, esse vós o recebereis” (29).

(28) I Jo. II, 18-23.

(29) Jo. V, 43.

Segundo Sto. Tomás de Aquino, assim como Cristo tem a plenitude da santidade, o Anticristo teria a plenitude da iniqüidade (30).

(30) Sto. Tomás. III S.T. q.8, a.8.

Ora, digo eu, se Jesus é a Verdade, o Anticristo será o oposto, ou seja, mestre completo da mentira. Assim, acredito que ele não será judeu, mas um pagão qualquer que apresentará sua árvore genealógica inventada como sendo descendente de David. Creio que os milenaristas da seita mórmon que acreditam que são descendentes das dez tribos dispersas de Israel e que cultivam a arte de levantar genealogias, serão de especial ajuda para o Anticristo. Então Nosso Senhor naquela passagem, sugere que um pagão que nada tem a ver com o povo judeu, se apresentará com prodígios e falsos argumentos sedutores e enganará muitos: judeus, milenaristas protestantes e ditos católicos. Os milenaristas como aquela turma de carismáticos soi-disant católicos estão prontos a acreditarem no falso Cristo para reinar na Terra durante mil anos. A grande massa de falsos católicos que infesta a Igreja hoje, e, teve seu começo no século XV, época em que S. Vicente Ferrer apontava a apostasia da Cristandade, é a maior força que dará embasamento à universal dominação do Anticristo. O povo judeu, creio eu, com base nesta reflexão, terá papel sem destaque no desenvolvimento da iniqüidade na era do “filho da perdição”. Acontece que, o Apocalipse sugere fortemente isto que estou inferindo. Pois lá está dito:

“Levanta-te e mede o templo de Deus e o altar com seus adoradores. O átrio, fora do templo, porém deixa-o de lado e não o meças: foi dado aos gentios que hão de calcar os pés a cidade santa por quarenta e dois meses” (31).

(31) Apoc. XI, 1-2.

A destruição da Cristandade é realizada pelos “gentios”, que são a grande coletividade que se diz católica, mas que é neo-pagã. Aqui está a grande força do Anticristo nos quarenta e dois meses, i.e., três anos e meio. É a Cristandade apóstata o substrato do poder anticristão. Por isso diz S. Paulo que terá de vir a apostasia primeiro a fim de surgir o Anticristo (26).

(26) S. Paulo. II Tess. II, 3-9.

Outra passagem que não resiste ao critério cronológico, esta: “Eis a idade das idades, o fim, a extremidade está iminente”. Ora, isto contradiz Jesus Cristo naquela passagem dos Atos dos Apóstolos (14).

(14) At. I, 7.

O segredo de Melânia também não resiste ao critério cronológico e extravagâncias que ferem a teologia. Repete a fantasia sobre o nascimento do Anticristo e acrescenta que ele nascerá com dentes. Ora, esta coisa se encontra nas ininteligíveis Centúrias de Nostradamus, a saber:

Entre muitos deportados para as ilhas. Um dentre eles nascerá com dois dentes… (II,7). A criança nascerá com dois dentes na boca… (III, 42).

Também como Maximino, afirma a iminência do fim da História nestas palavras: “Pois agora é o tempo dos tempos, o fim de todos os fins”. Só isto já desacredita o “segredo” de Melânia. Aparece também esta sentença bizarra: “Haverá uma chuva, um temível granizo de animais”. Bem, o profeta de plantão autor disto devia ter uma imaginação delirante.

A contradição está também presente na “mensagem”. Pois antes diz que “agora é o fim dos fins” e depois termina com a frase: “Então a água e o fogo purgarão a Terra e consumirão todas as obras do orgulho humano e tudo será renovado. Deus será servido e glorificado”.

Aparecem também duas datas o que torna a profecia suspeita. Profecias autênticas não têm datas, porque sendo originárias de Deus elas seguem o padrão bíblico das verdadeiras profecias. Está dito isto: “no ano de 1864 Lúcifer com um grande número de demônios serão libertados do inferno”. Ora, bem antes em 1832, o Papa Gregório XVI, levando em conta a iniqüidade rampante disse na Encíclica Mirari Vos isto:

“… consideramos já escancarado aquele abismo (Apoc. IX, 3) do qual segundo foi dado a ver S. João, subia fumaça que entenebrecia o Sol e arrojava gafanhotos que devastavam a Terra”.

A outra data é esta: 1865. Diz: “Nesse ano haverá a dessacralização dos lugares santos”. Ora, S. Vicente Ferrer viu isto manifesto no século XV! A História mostra sem sombra de dúvida que a “autodemolição da Igreja” constatada por Paulo VI em 1968 e a “entrada da fumaça de Satanás na Igreja” anunciada pelo mesmo em 1969, teve seu início no século XV. A paganização da arte e a pesada aristotelização da filosofia dentro da Igreja tem a ver com o julgamento de Paulo VI (32).

(32) F.M. Gomide. Da Filosofia Mecanicista à Física do Caos e da Indeterminação, Papel e Virtual Editora, Rio de Janeiro, 2005, Cap. XII.

II.7 – O FALSO SEGREDO DE FÁTIMA DE 1963

Em 15 de Outubro de 1963 a revista alemã Neues Europa publicou uma matéria sob o título “O Futuro da Humanidade” com autoria de L. Einrich (33). O texto era apresentado como o terceiro segredo de Fátima. Mais uma falsa revelação, visto que, não resiste à crítica, especialmente de natureza cronológica. Inicialmente chamo a atenção para a extensão do texto que é bem maior que aquele em que a Irmã Lúcia escreveu o terceiro segredo: eram poucas linhas (34).

(33) A. Woldben. After Nostradamus, Mayflorwer Books Ltd., Suffolk, U.K., 1977, pp. 174, 175.

(34) Frère Michel de la Sainte Trinité. The Third Secret Revealed… The Fatima Crusader, June-July, 1986.

Lembro-me que, quando li o texto pela primeira vez, tive a nítida impressão de obra inventada e/ou manipulada, pois vi nítidos ecos dos falsos segredos de la Salette. Vou listar aqui as sentenças da “profecia” que merecem análise crítica.

1) Um grande castigo sobre toda a raça humana terá lugar na segunda metade do século XX… o que eu já revelei para Melânia e Maximino em la Salette.

2) Satã governa nas posições mais altas… sucedendo em seduzir os espíritos dos grandes cientistas que inventam armas…

3) O tempo dos tempos virá e todas as coisas terão um fim, se a humanidade não se converter…

4) Cardeais se oporão a cardeais e bispos contra bispos…

5) Uma grande guerra se desencadeará na segunda metade do século XX. Fogo e fumaça cairão do céu… milhões e milhões de homens morrerão… e aqueles que sobreviverem invejarão os mortos.

6) O tempo está se aproximando e o abismo está se abrindo sem esperança.

A proposição nº 1 é violada pela História. Estamos em 2005. A nº 2 é típica da ignorância que perpassa o meio católico, especialmente eclesiástico: confusão de cientista com engenheiro. Ainda exibe o rancor secular no meio eclesiástico contra a ciência, especialmente a física (32, 35). Vimos em II.1 as parvoices históricas e o rancor contra a ciência do Pe. Stefano Gobbi. Eu poderia citar muitos exemplos.

(32) F.M. Gomide. Da Filosofia Mecanicista à Física do Caos e da Indeterminação, Papel e Virtual Editora, Rio de Janeiro, 2005, Cap. XII.
(35) F.M. Gomide. Filósofos, Cientistas e Anticiência, Ed. Albert Einstein, Curitiba, 1996, Cap. XIII.

O rancor anticiência, mostro que tem uma especial origem no século XV com a pesada aristotelização da escolástica via pontificado de Nicolau V e padres dominicanos. A derrubada da ciência aristotélica nos séculos XIII e XIV especialmente pelo agostinismo dos franciscanos sofreu reversão no século XV (36) e isto foi especialmente manifesto no século XVII com a condenação de Galileu e do heliocentrismo. Tal tradicionalismo pró-Aristóteles teve efeitos poderosos nas universidades protestantes, resultando no fenômeno anticiência entre literatos, filósofos e os estúpidos intelectuais ditos pós-modernos do século XX (36). E devemos insistir neste ponto: a origem comum das calúnias contra cientistas, ou seja, escolástica renascentista e seus herdeiros protestantes, determinou uma conjuminação moderna de escolásticos católicos, filósofos positivistas, materialistas, idealistas, fenomenólogos, existencialistas num coro cacofônico de ódio à ciência e aos cientistas (35, 36). O físico e historiador das ciências americano Gerald Holton nos dá um apanhado elucidativo da generalizada incompreensão sobre a natureza da ciência, e, a néscia identificação desta com tecnologia e engenharia (37).

(35) F.M. Gomide. Filósofos, Cientistas e Anticiência, Ed. Albert Einstein, Curitiba, 1996, Cap. XIII.

(36) ______. Anticiência: Do Século XV aos Pós-Modernos. Anais de Filosofia (UFSJ), N. 10, 2003.

(37) Gerald Holton. As Falsas Concepções da Ciência. Aventuras do Espírito. Do The Saturday Evening Post, Ed. Fundo de Cultura, Rio de Janeiro, 1963.

A nº 3 está em parte no texto de la Salette. A nº 4 não é profecia, porque em 1963 estava em curso o Concílio Vaticano II que exibia claramente a confusão doutrinária entre os padres conciliares. A sentença nº 5 é a velha predição de muitos astrólogos e pândegos, que declamaram a vinda da III Guerra Mundial no século XX. A segunda parte da sentença nada tem a ver com alguma guerra mundial, mas se encontra em profecias conhecidas sobre os Três Dias de Trevas. A sentença nº 6 foi tirada do “segredo” de Melânia.

A Irmã Lúcia diz algo importante da parte da revelação de Fátima que ainda não aconteceu e não figura no tal “segredo de Fátima” de 1963. Cito a vidente de Fátima reproduzindo palavras da Virgem Santíssima em 1917:

“Se atenderem a meus pedidos a Rússia se converterá e terão paz. Se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados. O Santo Padre terá muito que sofrer. Várias nações serão aniquiladas. Por fim meu Imaculado Coração triunfará…” (38).

(38) Memórias e Cartas da Irmã Lúcia. Composição e Impressão de Simão Guimarães, Filhos Ltda, Porto, 1973

A primeira parte consiste de fatos que se realizaram após 1917. Já a aniquilação de várias nações, fato futuro, não está no “segredo de Fátima” de 1963. Observemos que em todas as revelações dadas a Francisco, Jacinta e Lúcia, nada de datas e só anúncios proféticos que se realizaram com precisão: fim da guerra de 1914 em 1918, II Guerra Mundial, propaganda comunista planetária, perseguições e martírios. Revelação divina autenticada pela realização histórica. A aniquilação de várias nações ainda não foi verificada e o “segredo de Fátima” de 1963 não o consigna: apenas fala de milhões de mortos, o que aconteceu na II Guerra Mundial com 55 milhões de baixas. Nessa guerra planetária houve muitas cidades arrasadas como Coventry, Dresden, Yokohama, Tókio, Hiroshima e Nagasaki, mas nenhuma nação fora aniquilada. Trata-se pois de fato futuro que muito provavelmente é incluso no terrível terceiro segredo que tem sido sistematicamente acobertado. Enquanto se acoberta Fátima se trombetea a empulhação de Medjugorje.

II.8 – OUTRO FALSO SEGREDO DE FÁTIMA DE 1962. LIGAÇÃO COM O DE 1963

Como vamos ver, este falso segredo de Fátima provavelmente foi o ponto de partida para o profeta de plantão da Revista Neues Europa de 1963 criar aquela farsa vista antes. Lamentavelmente o domínio das revelações privadas tem sido um campo por onde alegremente circulam pessoas ávidas do sobrenatural e do preternatural, sem possuírem seriedade e cautela necessárias para o estudo dessa temática. Uma boa formação histórica, bíblica e teológica é indispensável para se evitar julgamentos apressados e que facilitam o emocionalismo pseudoprofético. Tais indivíduos facilmente se transformam em profetas de plantão, ou seja: manipuladores de profecias e criadores de novas profecias. Isto, sem contar a existência de religiosas falsas videntes como Maria de Agreda e Catarina Emmerich, cujas revelações são sob o aspecto teológico e científico quase que totalmente inaceitáveis. Entusiasmar-se por tais videntes, como vi acontecer com membros da seita TFP, é caminho aberto para a difusão de verdadeiras charlatanices proféticas. A História é rica em exemplos, o que procuro explicitar aqui. No século XX em especial, tem havido uma impressionante multiplicação de falsas revelações. O beneditino Dom Bernard Billet levantou uma lista de mais de duzentas putativas aparições marianas todas elas reconhecidas como falsas pelas autoridades eclesiásticas (39).

(39) Albert J. Hebert, S. M. Prophecies. The Chastasiment and Purification, P.O Box 309, Paulina, La. 70763, 1986, p. 25.

Este “segredo” de Fátima está decalcado sobre o já conhecido falso segredo de la Salette, o que o torna inaceitável como o primeiro. Trata-se de mensagem enviada pelo Pe. André Althoffer para os padres conciliares do Vaticano II em 08 de Dezembro de 1962. O conteúdo é à peu près o mesmo do “segredo” de 15 de Outubro de 1963 na Revista Neues Europa. A meu ver o profeta de plantão desta revista alemã teve acesso à mensagem do Pe. Althoffer e resolveu espalhar sua versão da coisa.

A história do presente “segredo” de Fátima tem sua origem numa vidente anônima conhecida do Pe. André Althoffer, a qual dizia ver Maria Santíssima. A vidente se prontificou a apresentar à Virgem as perguntas feitas pelo sacerdote, quase todas baseadas no falso segredo de la Salette (40).

(40) Pe. André Althoffer. Le Secret de Fátima Dévoilé. Mensagem redigida do Pe. Althoffer e enviada para os padres conciliares em 08 de Dezembro de 1962

Vou aqui listar algumas sentenças de respostas ao Pe. Althoffer. São as seguintes:

1º) O poder foi concedido por setenta e cinco anos ao demônio a partir do pontificado de Leão XIII.

Ora Leão XIII morreu em 1903, o que significa que em 1978 teria terminado esse poder infernal sobre a humanidade. Estamos em 2005 e a apostasia denunciada na “revelação” tem crescido assustadoramente. De novo o critério cronológico é violado.

2º) As penas físicas serão o resultado do desregramento da ciência sem Deus, da desordem introduzida na natureza, da ação do demônio e da crise atual da medicina.

Aqui de novo o espírito anticiência que aparece no “segredo” de 1963, típico do meio eclesiástico decadente a partir do século XV. ONGs ecológicas e filósofos franceses do pós-modernismo teriam linguagem análoga.

3º) O começo do castigo que durará mais de trinta e cinco anos, em parte teve começo com a crise hitleriana; estes trinta e cinco anos começaram com a guerra de 1939.

Isto aqui é ambíguo. Em primeiro lugar, o que vem a ser a “crise hitleriana”? O início do nazismo na década de 20 ou o poder de Hitler a partir de 1936? E, depois os mais de trinta e cinco anos começariam em 1939. Esta confusão tira credibilidade à sentença em apreço.

4º) A França, a Espanha, a Inglaterra e a Itália estarão em guerra. Haverá revoluções nesses países. Haverá uma guerra geral provocada pela Rússia. Estes acontecimentos virão depois do resultado do Concílio Vaticano II. É o Concílio que decidirá tudo. Ele terminará bem ou não chegará a termo, o que será um mal, ou, ele terminará mal, o que será pior. O primeiro golpe da justiça divina se verificará após o Concílio. O Concílio é o acontecimento capital atualmente.

O Concílio Vaticano II acelerou todo o processo de apostasia dentro da Igreja. Basta contemplar a abominável pocilga sonora de músicas caipiras durante as missas, especialmente neste “maior país católico do mundo”. Missas sacrílegas e multiplicações de escândalos, e, nada do que foi anunciado aconteceu após o Concílio. A III Guerra Mundial que seria provocada pela URSS não aconteceu e lembremo-nos que em 1991 a grande potência comunista entrou em colapso, graças ao repúdio ao marxismo pelo Cristianismo do povo russo e a interrupção do generoso apoio financeiro dado à União Soviética pelas vexatórias democracias, sobretudo os USA. O testemunho da História contradiz a “profecia”.

5º) Após o Concílio, ou, após o castigo, haverá uma era de paz de vinte e cinco anos.

Essa era de paz de vinte e cinco anos está no falso segredo de la Salette. Intervalos de tempo ou datas são ausentes em profecias genuínas. Portanto…

6º) Atualmente nós vos falamos do fim de um tempo, vós estais na época do fim dos tempos.

Além de ambíguo, este oráculo contradiz as palavras de Jesus Cristo em At. I, 7.

7º) A China e a Rússia são o Anticristo anunciado.

Isto fere a Sagrada Escritura em vários lugares: em II Tess. II, 3, 4, 8; I Jo. II, 18, 19, 22; Apoc. XIII, 4-8, 18, XIX, 20. Nestas passagens do Novo Testamento fica claro que o Anticristo é uma pessoa humana, não uma instituição.

8º) A falsa paz precederá de imediato a plenitude dos tempos e Nostradamus a anunciou.

A Virgem Santíssima teria pedido o apoio para suas palavras na pessoa de um astrólogo e falso profeta?! Isto foi obviamente escrito por algum admirador de Nostradamus, o qual é considerado pelos estultos como o maior profeta da humanidade.

II.9 – AS FALSAS REVELAÇÕES DE GARABANDAL DE 1961 A 1965

Muitas aparições foram reivindicações por quatro meninas espanholas de 11 a 12 anos em Garabandal, Espanha, que começaram em 1961 e terminaram em 1965. Esta pletora de aparições, como em Medjugorje, já é suficiente para colocar essas videntes num freezer de extrema suspeita. “Sera Garabandal el Fátima español?”, pergunta que surgiu nas paragens hispânicas com inconfundível sabor nacionalista (41).

(41) Mensaje en Garabandal. Impreso en Organizacion Cerrillos. Benites Moreno Hermanos. Corrientes 2322 – 6º piso, of. 606

Na última aparição, S. Miguel teria revelado às “videntes” que um milagre aconteceria na região, seria visto por muita gente, inclusive pelo Papa Paulo VI e o Padre Pio onde eles estivessem (41). Isto foi anunciado em 18 de Junho de 1965. O Pe. Pio morreu assim como Paulo VI, e, não aconteceu nada. Tal como em Medjugorje, o milagre anunciado não chegou a ser verificado. Muito diferente do que acontecera em Fátima, onde se verificou o milagre prometido, e, testemunhado por milhares de pessoas. Fátima espanhol? Cáspite! Quero ainda consignar que no local das aparições foi construída uma horrendíssima capela (42) muito semelhante às modernas igrejas erigidas no “maior país católico do mundo”.

(41) Mensaje en Garabandal. Impreso en Organizacion Cerrillos. Benites Moreno Hermanos. Corrientes 2322 – 6º piso, of. 606

(42) Louis Even. Saint Michel à Garabandal. Vers Demain, Mai-Juin/1968. Roujemont, P. Québec

Diferentemente do que aconteceu com as “mensagens” de Medjugorje, livremente divulgadas pelo mundo, as de Garabandal foram afogadas no nascedouro. O bispo de Santander, como o de Mostar, negou autenticidade às revelações das meninas espanholas. O Bispo Dom Vicente P. Montis, após uma análise das declarações das “videntes” concluiu (43):

1º) Não houve nenhuma aparição, nem de S. Miguel, nem da Santíssima Virgem, nem de qualquer outro personagem celeste.

2º) Não houve mensagem alguma.

3º) Todos os fatos ocorridos na mencionada localidade têm uma explicação natural.

O bispo de Santander enviou a documentação ao Cardeal Ottaviani, pró-prefeito do Sto. Ofício, o qual confirmou o resultado de Dom Vicente P. Montis (43). Lamentavelmente parece que o novo discatério, da década de 80 em diante não teve o mesmo zelo daquele no pontificado de Paulo VI. Por isso a vozearia em torno de Medjugorje perdura até hoje.

(43) Mons. Vicente P. Montis. As “Aparições” de Garabandal, Revista Ecles. Brasileira, Vol. 27, p. 376, 1967

II.10 – ABBÉ GEORGES DE NANTES. “PROFECIA” PARA 1983

Em II.1 falei sobre os disparates dos cálculos proféticos do Pe. Stefano Gobbi e seu rancor anticiência, que não é incomum no meio eclesiástico decadente dentro da Igreja Católica. Disse eu que poderia dar muitos exemplos dessa atitude anticiência fundada numa deplorável subserviência à cediça física de Aristóteles. Em 1993, certo prelado brasileiro, Dom Dadeus Grings insultou a nós físicos dizendo que tornamos a realidade material depenada e oca porque rejeitamos a tabela das categorias de Aristóteles (35, 44). Como considerei antes em II.1, o grande físico teórico francês Pierre Duhem, criador da nova historiografia das ciências no início do século XX, católico devoto, provou que do século XIII ao século XIV, com a escola franciscana, a física de Aristóteles entrou em colapso. A História mostra que os cinco grandes da Revolução Científica, Copérnico, Tycho Brahe, Kepler, Galileu e Newton (séc. XV-XVII) reduziram a pó a astronomia e a física de Aristóteles (45). É vexatório e deprimente eclesiásticos e leigos católicos agredirem os físicos com base numa adesão doentia às vetustas e erradas teses da filosofia natural aristotélica, incorporadas à filosofia escolástica originária da Renascença.

(35) F.M. Gomide. Filósofos, Cientistas e Anticiência, Ed. Albert Einstein, Curitiba, 1996, Cap. XIII.

(44) Dom Dadeus Grings. Superação da Modernidade, Communio, N. 63, 1993.

(45) A. Rupert Hall. The Scientific Revolution, Beacon Press, Boston, 1966.

O padre francês Georges de Nantes é um exemplo paradigmático dessa atitude anticiência. São abundantes suas sentenças néscias contra a física (46). Cito algumas, estas: la microphysique moderne est perverse, la théorie des quanta est la dénaturation des corps, complication infinie de l’atome, complication incroyable de l’electronique, l’imposture de la relativité, irruption devastatrice de l’indéterminisme. Além dessas frases próprias de quem é ignorante pretensioso e arrogante, metendo-se em seara alheia, insulta Einstein chamando-o de Picasso e classifica os físicos como loucos em liberdade. Elogia o grand Maritain, medíocre filósofo escolástico pseudotomista, que procurou em 1924 provar que Einstein estava errado (47). Critica o Papa João Paulo II porque este considerou injustas as condenações do Santo Ofício do século XVII a Galileo Galilei e ofende o grande físico italiano com os epítetos de fumista, grande tratante e insolente (48).

(46) Abbé Georges de Nantes. Cosmologie. Matière-Energie… et Esprit? Pour en Finir avec Einstein, La Contre-Réforme Catholique, N. 161, 1981.

(47) Jacques Maritain. De la Métaphysique des Physiciens ou de la Simultanéité selon Einstein; Ap. III. Réflexions sur L’Intelligence, Nouvelle Lib. Nationale, Paris, 1924.

(48) Ab. G. de Nantes. Notre Démarche à Rome Le 13 Mai 1983, La Contre Réforme Catholique, N. 190, 1983.

Em Novembro de 1981, o Abbé anunciou com autoridade profética a Échéance em 1983, ou seja: a capitulação da Europa à União Soviética. Proclamou solenemente o seguinte oráculo:

“Nada impede hoje que eu anuncie para a Europa e o mundo: a Capitulação é para 1983. Vós tendes ainda dois anos. Não tereis mais de dois anos” (49).

(49) Ab. G. de Nantes. L’Échéance… 1983. Plus que Deux Ans… La Contre Réforme Catholique, Nº Spécial, 1981

A História, esta misteriosa e majestosa sinfonia, cujo maestro é Deus, Ser Infinito, Insondável, Transcendente e Omnisciente, não se desenvolve conforme os caprichos e wishful thinkings de pobres mortais pretensiosos e arrogantes.

Nada aconteceu em 1983, e, em 1991, o colossal Império Soviético desmantelou-se. Fim ridículo da profecia do Abbé Georges de Nantes. Um belo castigo para um padre pouco humilde, que, ignorando pesquisa científica se arvorou em crítico feroz da física moderna, além de se julgar dotado de iluminação sobre o futuro de nosso planeta.

RESUMO DAS PRINCIPAIS FALSAS PROFECIAS

1º) Heresia quiliástica: a segunda vinda de Cristo seria para Ele reinar na Terra durante um Milênio.

2º) III Guerra Mundial no século XX com armas nucleares. Seria o grande castigo provocado pela União Soviética.

3º) A última guerra seria a Batalha de Armagedon que traria o fim do mundo. No Apoc. XVI, 16 é feita menção de uma reunião de reis em Armagedon, nada de guerra ipsis litteris ou fim do mundo.

4º) O Anticristo seria judeu da tribo de Dan, um demônio encarnado fruto de uma união sacrílega.

5º) O Milênio seria a terceira e última idade da História, a era do Espírito Santo, precedida por um suposto “batismo” do Espírito Santo nos eleitos, que seriam os “apóstolos dos últimos tempos”.

6º) O Milênio começaria com um Papa Santo, o Pastor Angélico, ajudado pelo Grande Monarca francês descendente dos Bourbons. E, of course, o Pastor Angélico seria francês aussi.

7º) O último Papa, de acordo com a pseudo profecia de S. Malaquias se chamaria Pedro II.

8º) Chegará no século XX um “monstro”, que os astrólogos alegremente identificam com um corpo celeste que se chocará com a Terra e determinaria o fim do mundo em 1999.

9º) A apostasia na Igreja teria começado em 1865.

10º) Identificação do Anticristo com a Rússia e a China.

 

 

CAPÍTULO III – (Primeira parte)

REVELAÇÕES PARTICULARES CLÁSSICAS. O GRANDE
CASTIGO DE TREVAS E FOGO

III.0 – AS REVELAÇÕES PARTICULARES CLÁSSICAS SÃO AQUELAS QUE NÃO FEREM A FÉ E A MORAL, ALÉM DE NÃO ENCERRAREM COISAS BIZARRAS, NADA DE INDECOROSO, INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DA CRONOLOGIA OU DAS LEIS NATURAIS

Conheço uma lista não pequena de falsos profetas e videntes e aqui vou dar dois exemplos, estes: a freira espanhola Maria de Agreda (+1665) e a religiosa alemã Ana Catarina Emmerich (+1824). Todas as duas apresentam longas visões onde abundam revelações de milagres absurdos e idéias teologicamente inaceitáveis, sendo que em Catarina Emmerich existe uma teoria herética condenada pela Igreja no século XVII a propósito da reprodução humana que seria diferente se não tivesse havido pecado original.

Mas vou apenas me referir a duas “visões” que são incompatíveis com as leis da ordem material. Maria de Agreda afirma que antes do pecado original os peixes não se comiam uns aos outros (1). Uma completa sandice que viola as leis da cadeia alimentar instituídas por Deus. E Catarina Emmerich afirmou que na Lua existe vida animal e vegetal (2). É parvoice contrária a toda a evidência astronômica e astrofísica. Mas os censores eclesiásticos dotados de monumental ignorância defendem a estultícia de Catarina Emmerich nestes termos:

“Os astrônomos afirmam que não há nuvens nem entes vivos e nem águas na Lua; mas podem afirmar o mesmo da parte que nunca é visível para nós?” (2)

(1) Maria de Agreda. Mistica Ciudad de Dios, Vol. V, Herederos de Juan Gili, Editores, Barcelona, 1914, p. 91.

(2) Anna Catarina Emmerich. Visiones y Revelaciones Completas, T. IV, Editorial Guadalupe, Buenos Aires, 1944, p. 479.

Cáspite!

Nas presentes revelações clássicas temos três santos, duas santas e duas bem-aventuradas. Há um número não pequeno de videntes leigos, como profissionais, donas de casa, mães de família. Isto evoca aquilo que disse Jesus Cristo a Nicodemos:

“O Espírito sopra onde quer; ouve-lhes sua voz mas não sabes donde vem, nem para onde vai. Assim acontece com aquele que nasceu do Espírito” (3).

(3) Jo. III, 8.

A maior parte das revelações particulares que abordamos agora, dizem respeito a acontecimentos futuros (sem data) sobre Três Dias de Trevas e chuva de fogo que destruirá três quartos da raça humana. O frade servita americano Albert Hebert lista vinte e oito videntes desse acontecimento futuro e inclui na lista um cientista húngaro e um físico nuclear americano (4).

(4) Albert J. Herbert, S.M. The Three Days’ Darkness, P.O Box 309, Paulina, La. 70763, 1988.

III.1 – STA. HILDEGARDA DE BINGEN (SÉC. XI-XII)

Contrariamente ao que pensa a choldra de intelectuais semiletrados em países europeus como Alemanha, França, assim como Estados Unidos e Brasil, especialmente abundantes neste, a mulher medieval era muito independente e culta e participava das eleições nos burgos. Este direito como outros, as pessoas do sexo feminino perderam quando baixou sobre a Cristandade o neo-paganismo da Renascença. O direito de votar, as mulheres recuperaram só no início do século XX, e, no Brasil, década de 30 do mesmo século, no primeiro Governo de Getúlio Vargas.

Bem, Hildegarda de Bingen, monja beneditina, foi um exemplo paradigmático de mulher medieval. Mulher muito estudiosa deixou uma obra escrita não pequena, onde a medicina era especialmente enfocada. Seus escritos médicos, em larga medida baseados em Aristóteles e Galeno estão presentes na história universal das ciências. O especialista britânico Charles Singer fez estudos e publicou trabalhos sobre as obras médicas de Sta. Hildegarda (5).

(5) Sabina Flanagan. Hildegard of Bingen, Routledge, N. York, 1996.

Sta. Hildegarda, mulher de grande vida mística, teve visões e recebeu revelações proféticas das quais vou citar esta:

“Antes que o cometa venha, muitas nações, excluídas as boas, serão flageladas com penúria e fome. A grande nação no oceano habitada por povos de diferentes tribos e descendência será devastada por um terremoto, tempestades e ondas sísmicas. Será dividida e em grande parte submersa”. “O cometa por sua tremenda pressão forçará muita água do oceano para fora e inundará muitos países…” “Todas as cidades costeiras serão vulneráveis e muitas delas serão destruídas pelos tsunamis e a maioria dos entes vivos serão mortos…” “Pois em nenhuma dessas cidades alguma pessoa vivia de acordo com as leis de Deus” (6).

(6) Rev. R. Gerald Culleton. The Prophets and Our Times, Tan Books and Publishers, Inc. Rockford, Illinois, 1974, pp. 139-140.

Lembremo-nos do Capítulo I quando tratamos dos efeitos de uma colisão de asteróide ou cometa sobre nosso planeta. A visão de Sta. Hildegarda corresponde ao que se espera de um cometa caindo no oceano. Lembremo-nos ainda das palavras da Irmã Lúcia que transcrevemos em II.7: várias nações serão aniquiladas. Esse tal cometa poderia efetivamente causar tal efeito; uma guerra mundial não.

III.2 – SÃO DOMINGOS (SÉC. XII-XIII). SÃO VICENTE FERRER (SÉC. XIV-XV)

Vejamos agora revelações e interpretações de revelações em dois dominicanos, o fundador da Ordem, S. Domingos e S. Vicente Ferrer célebre pregador popular e taumaturgo. Por ocasião da festa comemorativa de S. Domingos, S. Vicente em seu sermão fala de uma visão do primeiro, ou seja:

“Numa noite em que S. Domingos estava orando numa Igreja e S. Francisco fazendo o mesmo, aos dois apareceu Cristo com três lanças para destruir o mundo. Enquanto os dois fundadores pensavam se não havia algum santo que revogasse a sentença, apareceu de repente a Virgem Maria…”

Ela consegue de Seu Filho que a destruição fosse protelada. Continua S. Vicente:

“Essas três lanças destruidoras são as três grandes tribulações que virão logo sobre o mundo. A primeira é a perseguição do Anticristo; pode se chamar lança porque transpassará todo o mundo. A segunda será a consumação do mundo pelo fogo… A terceira é a sentença judicial de Cristo”.

Neste mesmo sermão S. Vicente ainda acrescenta:

“No tempo do Anticristo a Igreja estará como morta. Depois da morte do Anticristo a Igreja será perfeita, porque então todos voltarão à Fé de Cristo”.

S. Vicente Ferrer apresenta pois a seguinte sucessão cronológica: Anticristo, fogo e conversão (7).

(7) S. Vicente Ferrer. Na Festa de S. Domingos, Fundador da Ordem dos Predicadores. Biografia y Escritos de San Vicente Ferrer, B.A.C., Madrid, 1956.

Acontece que noutros escritos do santo dominico ele fala candentemente da apostasia que se deflagrou em sua época, no século XV. A monumental carga de paganismo que baixou na Cristandade da Renascença foi indiscutivelmente o início da autodemolição da Igreja anunciada por Paulo VI em 1968. Defendo a teoria, que essa autodemolição teve início com a paganização da arte na Igreja como a arquitetura e a pintura e a paganização da filosofia pela vergonhosa subserviência dos mestres de filosofia ao jugo de Aristóteles (8).

(8) F.M. Gomide. Da Filosofia Mecanicista à Física do Caos e da Indeterminação, Papel e Virtual Editora, Rio de Janeiro, 2005, Cap. XII.

Leitores desatentos de S. Vicente Ferrer, em especial eclesiásticos, têm afirmado que o santo esperava o Anticristo e o fim do mundo para sua época. Falso! O que se vê em S. Vicente é que a apostasia que ele corretamente identificou no século XV, deveria trazer o Anticristo sem especificar quando. O santo em sua reflexão pensou em conformidade com o anúncio profético de S. Paulo no seguinte oráculo:

“Que ninguém vos iluda de nenhum modo pois antes que venha a apostasia primeiro e o homem do pecado se revele, o filho da perdição” (9).

(9) II Tess. II, 3.

Isto disse S. Paulo para tirar da cabeça dos tessalonissenses que a parusia estava para acontecer logo.

Essa apostasia anunciada por S. Paulo, foi identificada por S. Vicente Ferrer no século XV e ela vem crescendo paulatinamente há mais de cinco séculos. São Vicente Ferrer junto com S. Domingos apresenta esta sucessão cronológica: apostasia, Anticristo, castigo de fogo e renovação da Igreja. Chamo a atenção para isto: o santo não coloca a parusia logo após a morte do Anticristo. Contrariamente a certa exegese errônea, o fim do mundo não vem a toque de caixa com a morte do filho da perdição. Essa exegese foi tornada obsoleta no século XIII com Sto. Tomás de Aquino, que muito lucidamente percebeu isto: como a duração da dominação do Anticristo será de três anos e meio, com sua morte estaria determinada a parusia com antecedência de 1260 dias, o que contradiz palavras de Jesus Cristo de que Ele viria como o ladrão (10).

(10) Sto. Tomás. Sup. S.T. q.77, a.2.

III.3- IRMÃ MARIA DA NATIVIDADE (+1798)

“Com a queda do Anticristo virão severos terremotos e densas trevas cobrirão o mundo, o solo se abrirá em milhares de lugares sob os pés dos habitantes de cidades, castelos, vilas e um imenso número de pessoas serão tragadas… O oceano se moverá apavorantemente e ondas subirão sobrepassando a costa e inundando a terra. Todas essas calamidades são somente para assustar os restantes para aceitarem a graça e a misericórdia de Deus”.

“Quinze dias depois da ascensão de Elias e Henoc ao céu, terríveis catástrofes virão sobre a Terra: os mais severos terremotos, tsunamis inundando muito da superfície, da terra, culminando com densas trevas sobre a Terra inteira” (11).

(11) Rev. R. Gerald Culleton. The Reign of Antichrist, Tan Books and Pub., Inc. Rockford, Illinois, 1974, pp. 155-156.

Este oráculo segue a seqüência cronológica apontada em III.2. Observemos que o castigo apresenta um cenário típico de efeitos produzidos por um impacto de asteróide ou cometa: terremotos em muitos lugares, tsunamis inundando países e densas trevas.

III.4 – IRMÃ MARIANA DAS URSULINAS DE BLOIS (+1804)

Esta religiosa vaticinou a queda de Napoleão Bonaparte e seu rápido retorno da Ilha de Elba. Seu oráculo sobre o castigo:

“Os bons católicos chegarão ao ponto de serem aniquilados, mas o poder de Deus e um golpe do céu os salvarão. Todos os ímpios perecerão, mas também muitos bons católicos”. “Tais eventos extraordinários terão lugar, tal que muitos incrédulos serão forçados a dizer: ’em verdade o dedo de Deus está aqui’. Haverá uma noite terrível durante o qual ninguém poderá dormir. Mas essas provações não durarão muito porque ninguém as poderá suportar. Quando tudo parecia perdido, tudo será salvo” (4).

(4) Albert J. Herbert, S.M. The Three Days’ Darkness, P.O Box 309, Paulina, La. 70763, 1988.

III.5 – BEM-AVENTURADA ELIZABETH CANORI-MORA (+1825)

Viúva que foi casada com nobre da Família Mora. Beatificada há pouco tempo pelo Papa João Paulo II. Sua profecia encerra uma parte de uma visão simbólica de S. Pedro preparando uma proteção sobrenatural para os servidores de Deus durante o castigo. Também teve visão de S. Pedro escolhendo o novo Papa depois da punição divina. Após a visão simbólica de S. Pedro disse:

“… quando o céu foi coberto por nuvens tão densas que era impossível olhá-las sem desolação. De repente estourou uma tal terrível e violenta ventania que seu ruído parecia o rugido de furiosos leões. O barulho do apavorante furacão foi ouvido sobre a Terra toda. Medo e terror golpeou não só homens mas os próprios animais… Deus empregará os poderes do inferno para a exterminação desses ímpios e pessoas heréticas que desejam derrubar a Igreja e destruí-la até seus fundamentos… Ele punirá esses ímpios blasfemadores, dando permissão aos espíritos infernais saírem do inferno, inumeráveis legiões de demônios percorrerão a Terra e executarão as ordens da divina justiça, causando terríveis calamidades e desastres; eles atacarão tudo; ferirão pessoas individuais e famílias inteiras; devastarão propriedades, produções alimentares, cidades e vilas. Nada na Terra será poupado. Deus permitirá que esses demônios golpeiem com a morte esses homens ímpios, porque eles se entregaram aos poderes infernais e formaram com eles um pacto contra a Igreja Católica…” “Depois dessa espantosa punição vi os céus se abrirem e S. Pedro descendo de novo até à Terra… Então vi uma grande luz sobre a Terra que era o sinal de reconciliação de Deus com o homem”. “S. Pedro escolheu o novo Papa”. “Todos os homens se tornarão católicos e reconhecerão o Papa como vigário de Jesus Cristo” (6).

(6) Rev. R. Gerald Culleton. The Prophets and Our Times, Tan Books and Publishers, Inc. Rockford, Illinois, 1974, pp. 139-140.

A vidente apresenta aqui outro tipo de efeito do impacto de cometa ou asteróide: furacões e barulho ensurdecedor.

III.6 – Pe. ALBERT SAUVAGEAU (+1826)

Este sacerdote morreu em odor de santidade e seu túmulo tornou-se centro de devoção. Ele sobreviveu a torturas infligidas pelos celerados da Revolução Francesa. Fez profecias sobre as três invasões da França pelos alemães: na guerra Franco-Prussiana em 1870, na I Guerra Mundial e na II Guerra Mundial. Para a segunda metade do século XX a barbárie que conhecemos: desordem da família e da sociedade em geral. Profetizou os Três Dias de Trevas:

“A situação se tornará tão séria que Deus terá que intervir na forma de três dias e três noites de trevas perpétuas. Durante esses três dias e três noites nada dará luz a não ser velas bentas e só crianças inocentes e pessoas em estado de graça poderão acendê-las” (4).

(4) Albert J. Herbert, S.M. The Three Days’ Darkness, P.O Box 309, Paulina, La. 70763, 1988.

III.7- BEM-AVENTURADA ANNA MARIA TAIGI (+1837)

Dona de casa mãe de oito filhos, casada com mordomo de palácio de família nobre italiana. Aliou sua vida de dona de casa muito operosa (oito filhos e um marido difícil que gostava de boas doses do delicioso vinho italiano) com profunda vida contemplativa. Sua sabedoria passou a ser conhecida pelo Clero do Vaticano, tal que até cardeais iam se consultar com a bem-aventurada. Disse isto:

“… durante sucessivos dias viu impenetrável trevas negras cobrirem a Terra”. “Parece ser questão aqui de trevas físicas… as trevas durarão três dias e durante esse tempo só as velas bentas iluminarão” (12).

(12) Albert Bessierès, S.J. Wife, Mother and Mystic (Blessed Anna Maria Taigi), Tan Books and Pub., Inc. Rockford, Illinois, 1952.

III.8- SÃO GASPARE DEL BUFALO (+1837)

Este santo italiano profetizou a destruição dos impenitentes perseguidores da Igreja durante três dias de trevas. Acrescentou:

“Aquele que sobreviver às trevas e terror de três dias, aparecerá a ele estar só na Terra, pelo fato de que o mundo estará em todo lugar coberto de carcaças” (6).

(6) Rev. R. Gerald Culleton. The Prophets and Our Times, Tan Books and Publishers, Inc. Rockford, Illinois, 1974, pp. 139-140.

Disse também:

“Todos os inimigos da Igreja, secretos ou desconhecidos, morrerão sobre a Terra durante as trevas universais, com exceção de alguns que Deus converterá logo em seguida. O ar será infectado por demônios que aparecerão sob toda a sorte de formas hediondas” (4).

(4) Albert J. Herbert, S.M. The Three Days’ Darkness, P.O Box 309, Paulina, La. 70763, 1988.

 

 

CAPÍTULO III – (Segunda parte)

III.9 – PALMA MARIA D’ORIA MATARELLI (+1863)

“Prodígios sobrenaturais aparecerão nos céus. Haverá três dias de trevas. Nenhum demônio ficará no inferno. Sairão para excitar os ímpios e assassinos ou para desanimar os justos e causarão a morte de grandes multidões de incrédulos e homens ímpios. Para essa ocasião espantosa, o uso de velas bentas, já que só elas poderão iluminar e preservar os católicos fiéis desse apavorante e ameaçador castigo” (11).

(11) Rev. R. Gerald Culleton. The Reign of Antichrist, Tan Books and Pub., Inc. Rockford, Illinois, 1974, pp. 155-156.

Observamos na beata Elizabeth Canori-Mora assim como nesta vidente, a sobreposição aos efeitos do impacto do cometa, o que se vê em Sta. Hildegarda e a Irmã Maria da Natividade, fatos sobrenaturais consubstanciados na ação de demônios. O castigo terá a completude de efeitos físicos naturais combinados com efeitos sobrenaturais.

III.10 – STA. MARIA DO JESUS CRUCIFICADO (+1878)

Canonizada pelo Papa João Paulo II.

Originária de família árabe católica do Rito Greco-Melquita. Ingressou na França nas carmelitas descalças e fundou o Carmelo de Belém. Profunda vida mística, a petite arabe passou por intensas provações como a de passar 40 dias possuída pelo demônio. Teve visões proféticas.

Recebeu esta revelação de uma conversa de Cristo com Satanás, em que o Divino Mestre disse:

“Vai, Eu te dou todo o poder sobre a Terra e verás se Meu povo não vem totalmente a Mim em grandes brados; tu verás que aquele que Me trai, não deixará suplicar por Mim. Vai, te dou todo o poder sobre a Terra; mas lembra-te que o futuro será para tua própria vergonha”.

Como vemos, isto parece o anúncio da dominação do Anticristo que será planetária: “te dou todo o poder sobre a Terra”. Mais adiante:

“O Senhor disse: é o século em que a serpente adquiriu asas e por isso vou purgar a Terra. Quem poderá se salvar? É aquele que pede a humildade e a pratica. A humildade é a paz!… Ela é rainha, a alma humilde”.

“Minha filha disse o Senhor, aquele que não dá sua vontade a Jesus, não pode fazer nada… Estamos agora num tempo, num século de trevas, o espírito está cego, não sabe o que quer… Quantos padres e religiosas tombaram porque não deram sua vontade a Jesus!”.

“Ao mesmo tempo, vi nuvens, tempestades, chuva de toda coisa cair sobre a Terra e nada aconteceu a esta casa (O Carmelo de Belém)”.

“Pequenos cordeiros, não tenhais medo de Deus. Ele vai golpear a Terra e haverá terremotos; não tenhais medo; recorrei a Deus somente…” (13)

(13) R.P. Estrate. Vie de Soeur Marie de Jesus Crucifié, Lib. Lecoffre, Paris, 1916

“Durante uma escuridão de três dias, as pessoas dadas ao mal morrerão e só um quarto da humanidade sobreviverá” (4).

(4) Albert J. Herbert, S.M. The Three Days’ Darkness, P.O Box 309, Paulina, La. 70763, 1988

Nestas profecias da “petite arabe”, dois efeitos do impacto de algum cometa: terremotos e trevas. Ela acrescenta que 75% da raça humana será destruída.

III.11 – MARIE-JULIE JAHENNY, ESTIGMATIZADA DE LA FRAUDAIS (+1941)

Marie-Julie desejou ser religiosa o que seu confessor não aconselhou devido a sua saúde precária. Desde menina demonstrava ser muito piedosa. Cedo começaram seus fenômenos místicos como os estigmas.

No início de 1914 ela profetizou a I Guerra Mundial e, após o fim desta em 1918, vaticinou a II Guerra Mundial. Depois desta começada em 1939 profetizou que ela seria longa e terminaria mal. Isto efetivamente aconteceu na Conferência de Yalta, quando os leaders principais das maravilhosas democracias, Churchill e Roosevelt, doaram os países do Leste Europeu para a União Soviética. Conheci imigrantes húngaros no Brasil que tinham um especial ódio pelos U.S.A. Aliás foram os States, que mais favoreceram no planeta a difusão das ditaduras de esquerda e da soi-disant direita. O estupro do Vietnã é exemplo paradigmático. Também não esqueçamos que Trumann mandou criminosamente massacrar Hiroshima e Nagasaki com duas bombas nucleares, quando o Japão estava para se render, e, essas cidades eram o centro do Catolicismo japonês e não eram centros industriais militares. Enquanto isso dois fascínoras nazistas, von Papen e Hess foram poupados da forca. Marie-Julie tinha recebido de Nossa Senhora a missão de sofrer pela conversão dos pecadores o que ela heroicamente aceitou. Além de seus sofrimentos físicos com doenças e tratamentos médicos foi agredida com sofrimentos morais. Vg: certa mulher leviana caluniou a vidente, e, padres sem caráter, endossaram a calúnia e privaram Marie-Julie durante onze anos e meio de freqüentar os sacramentos da Igreja:

Sobre o futuro castigo das trevas, temos estas revelações de Jesus Cristo à vidente:

“Os homens não escutaram as palavras, pronunciadas por minha Santíssima Mãe em Fátima. Ai daqueles que não escutarem minhas palavras agora. Os homens não compreenderam a linguagem da guerra. Muitos vivem em pecado, mais freqüentemente no de impureza. Ai daqueles que seduzem os inocentes”. “As aparições freqüentes de minha boa Mãe, são obra de minha misericórdia. Eu a envio pela força do Espírito para prevenir os homens e para salvar aqueles que deverão ser salvos…” (14)

(14) Pierre Roberdel. Les Propheties de la Fraudais de Marie-Julie Jahenny, Édition Résiac, Montsuss, France, 1974.

Isto aqui retrata bem o apodrecimento moral na Europa após a I Guerra Mundial. Chamo a atenção para o jornalista historiador americano Thomas Levenson, que, em sua biografia de Albert Einstein, o maior físico teórico da História, faz uma análise impressionante da podridão moral da Alemanha após a I Guerra Mundial (15).

(15) Thomas Levenson. Einstein em Berlim, Ed. Objetiva Ltda, Rio de Janeiro, 2003.

A vidente francesa descreve com mais detalhes o castigo das trevas como segue:

“Virei sobre o mundo pecador num terrível estouro do trovão durante uma noite fria de inverno (no Hemisfério Norte). Um vento do Sul muito quente precederá aquela tempestade e pesados granizos escavarão a terra. De uma massa de nuvens vermelho-fogo e relâmpagos devastadores zig-zagueando inflamarão e reduzirão tudo a cinzas. O ar se impregnará de gases tóxicos e vapores mortais, que, em ciclones arrancarão as obras da audácia, da loucura e da vontade de poder da Cidade de Trevas”. “Quando numa noite fria de inverno o trovão ribombar e fizer tremer as montanhas, então fechai rápido portas e janelas… Vossos olhos não devem profanar o terrível acontecimento com olhares curiosos…” “Reuni-vos em oração diante do crucifixo. Colocai-vos sob a proteção de Minha Santa Mãe… Não deixeis nenhuma dúvida se instalar em vós a propósito de vossa salvação: quanto mais confiantes, mais será inviolável a barreira com que Eu vos cercarei. Queimai velas bentas, recitai o rosário. Perseverai durante três dias e duas noites. Na noite seguinte o terror se calmará. Após o horror dessa longa obscuridade, o Sol aparecerá em todo seu esplendor e calor. Será uma grande devastação… Magnífico será Meu reino de paz e Meu nome será invocado e louvado do nascer ao descer do Sol” (14).

Noutra passagem da profecia, a vidente diz isto:

“A terra será revolvida até seus fundamentos. O mar levantará vagas rugidoras que se espalharão sobre o Continente. O sangue verterá com tal abundância que a terra se transformará em vasto cemitério. Os cadáveres dos ímpios e dos justos jazerão sobre o solo. A fome será grande. Tudo será convulsionado e três quartas partes da humanidade morrerá” (14).

(14) Pierre Roberdel. Les Propheties de la Fraudais de Marie-Julie Jahenny, Édition Résiac, Montsuss, France, 1974.

Observemos os detalhes acrescentados ao castigo na visão de Marie-Julie: todos eles são compatíveis com o efeito de um impacto de asteróide ou cometa sobre nosso planeta. “Nuvens vermelho-fogo” que procedem do centro do impacto, que trazem os dejetos incandescentes da explosão, juntamente com as fumaças, fuligens, gases tóxicos e tsunamis. Ela menciona explicitamente “gases tóxicos e vapores mortais”. O “trovão ribombar” é bem o ruído de uma fantástica explosão, que faz “tremer as montanhas”. Durante três dias, trevas.

Mas ela aponta as causas de tal castigo: a apostasia na Igreja. Ela profetiza aquilo dito por Paulo VI em 1968 e 1969, respectivamente a “auto-demolição da Igreja” e a entrada “da fumaça de Satanás dentro da Igreja”. Eis seus oráculos:

“A Igreja será um sepulcro, um túmulo de silêncio e abandono… Preparai-vos a assistir aos funerais da Igreja, aos funerais do Calvário… Preparai-vos a assistir aos funerais da Sé do Centro, que treme sobre o abismo. Preparai-vos a assistir aos funerais daquele que é o sustentáculo da Igreja, daquele que tem em Seu poder todas as luzes pela sua autoridade de Santo Padre”.

“Ai dos pastores que abandonam o rebanho… Os discípulos que não são do Evangelho estarão em grandes trabalhos para refazer a seu talante e sob o empreendimento do inimigo, uma missa que encerrará palavras odiosas a Meu olhar”.

“Antes que chegue Meu reino de paz e ressurreição, é mister que Satã reine em plenitude, como um soberano”.

Acrescenta isto sobre a Igreja:

“Ela será entregue a todos os escândalos, a todas as profanações… o projeto dos inimigos da Igreja nesses dias, será elevar um grande barulho de suas vozes que saem de instrumentos que falam, esses instrumentos manejados pelos homens sujeitos ao poder do inferno. Serão espécies de músicas acompanhadas do canto mais ignóbil”.

Tudo isto, sobretudo as missas sacrílegas com cantos ignóbeis projetados com amplificadores de arrebentar os tímpanos, e, tudo mais, é gritantemente óbvio em nossos dias. Quem não enxerga, ou, é totalmente embotado, ou, é conivente.

III.12 – IRMÃ ELENA AIELLO, ESTIGMATIZADA DA ITÁLIA (+1961)

Esta religiosa italiana sofria todas as semanas santas, as dores da Paixão de Cristo, acompanhadas de exudação de sangue. Por duas vezes recebeu mensagem de Deus ameaçando Mussolini, a seguinte:

“… se ele persiste seguir na guerra, será severamente punido pela Minha justiça” (16).

Vimos o que aconteceu com o “Duce” e sua amante antes do fim da II Guerra Mundial, i.e., em 1943.

Outra revelação, esta para a humanidade:

“O mundo todo está convulsionado porque agora está em condição pior do que no tempo do Dilúvio” (16).

(16) Rev. Francesco Spadafora. The Incredible Life Story of Sister Elena Aiello, Theo. Gauss’ Sons Inc., Brooklin, N. York, 1964.

Ela também profetizou a II Guerra Mundial e os Três Dias de Trevas:

“Nuvens com relâmpagos de fogo no céu e uma tempestade de fogo cairá sobre o mundo. Essa terrível provação, nunca antes vista na História da humanidade, durará 70 horas. Pessoas sem Deus serão esmagadas e varridas. Muitos se perderão porque se mantêm na sua obstinação de pecar. Então se verá o poder da luz sobre o poder das trevas” (17).

(17) Msgr. William C. McGrath, P.A. America… Sodom or Nineveh? Divine Love, Vol. 10, N. 3, 1967, Fresno, California.

III.13 – IRMÃ AGNES SASAGAWA, AKITA, JAPÃO (MENSAGEM DE 13 DE OUTUBRO DE 1973)

A Irmã Agnes Katsuko Sasagawa, como Marie-Julie e a Irmã Elena Aiello, foi um vaso de sofrimento para a conversão dos pecadores e a salvação da humanidade. O presidente da Blue Army John Haffert diz que ela está para Akita como a Irmã Lúcia está para Fátima (18).

(18) John M. Haffert. The Meaning of Akita, 101 Foundation Inc., P.O Box 151, Asbury, N. Jersey, 1989.

Curada milagrosamente de uma paralisia de dezesseis anos, sofrendo penosamente com cirurgias e mudanças de hospital. Esta cura se deu após sua conversão ao Cristianismo graças a uma enfermeira católica. Também curada depois de uma surdez considerada irreversível pelos médicos. Com vocação religiosa ingressou na Congregação das Adoradoras do Santíssimo Sacramento fundada pelo Bispo de Akita, John Ito. A bela imagem em madeira de Nossa Senhora de Akita da Congregação se comunicava com a Irmã Agnes e várias vezes verteu lágrimas e sangue. Estes eventos, por solicitação do bispo, foram analisados por pesquisadores-médicos da Universidade de Akita, os quais excluíram qualquer origem fraudulenta para os mesmos. Quero lembrar que a Universidade de Akita pertence a uma rede de universidades japonesas especialmente voltadas para a pesquisa científica (19).

(19) Dennis Normile. Too Many Science Cities? Science, Vol. 266, p. 1177, 1994.

Através da imagem considerada, a Virgem Santíssima em 13 de outubro de 1973 revelou à Irmã Agnes a apostasia dentro da Igreja Católica e o futuro castigo, que se compagina com as outras revelações particulares aqui consignadas. Eis o oráculo:

“Como já te disse se os homens não se arrependerem e não melhorarem o Pai infligirá uma terrível punição sobre toda a humanidade. Será um castigo maior que o dilúvio, tal que nunca foi visto antes. Fogo cairá do céu e varrerá uma grande parte da humanidade, os bons quanto os maus, não poupando nem sacerdotes e nem fiéis. Os sobreviventes se encontrarão tão desolados que invejarão os mortos. As únicas armas que restam para vós serão o Rosário e o sinal de Meu Filho. Todo o dia recitem o Rosário. Com o Rosário rezem pelo Papa, os bispos e os sacerdotes.

“O trabalho do diabo infiltrará até a Igreja em tal maneira que iremos ver cardeais opondo cardeais e bispos contra bispos. Os padres que Me veneram serão ridicularizados e perseguidos pelos seus confrades… Igrejas e altares serão saqueados: a Igreja estará cheia desses que aceitam compromissos e o demônio pressionará muitos padres e pessoas consagradas a deixar o serviço do Senhor”.

“O demônio será especialmente implacável contra almas consagradas a Deus. O pensamento da perda de muitas almas é causa de Minha tristeza. Se os pecados crescem em número e gravidade não haverá mais perdão para eles” (20).

(20) Teiji Yasuda, O.S.V. Akita. The Tears and Message of Mary, 101 Foundation Inc., Asbury, N. Jersey, 1987.

Chamou a atenção do Bispo de Akita, a coincidência da data desta revelação com a mesma da sexta aparição em Fátima, aquela do terceiro segredo, i.e., 13 de outubro. Por isso o Bispo John Ito, considerou esta revelação como o terceiro segredo de Fátima. Creio que há consistência na inferência de Dom John Ito, pois a aniquilação de grande parte da humanidade na chuva de fogo corresponde às palavras da Ir. Lúcia de que várias nações seriam aniquiladas (Referência 37, II, 7).

Houve pessoas que levantaram a objeção contra a autenticidade da revelação de Akita, esta: a Irmã teria lido o texto daquele falso segredo forjado em 1963 e muito difundido, pois ela apresenta aquelas mesmas palavras do mesmo, i.e., “cardeais contra cardeais e bispos contra bispos”. Mas aconteceu um pequeno fato que levou o Bispo de Akita a excluir tal possibilidade. Pelo seguinte: a Irmã Agnes é monoglota e logo após ter recebido a mensagem foi perguntar ao bispo o que significava a palavra cardeal que ela ouvira de Nossa Senhora. A única palavra não japonesa era exatamente esta que ela ignorava. O bispo compreendeu que ela no Japão nunca teria lido um texto japonês com essa palavra estrangeira, mas com o termo sukikyo, que a Irmã aprendera no catecismo (20).

(20) Teiji Yasuda, O.S.V. Akita. The Tears and Message of Mary, 101 Foundation Inc., Asbury, N. Jersey, 1987.

III.14 – ENZO ALOCCI EM 1966

Pescador e marinheiro casado, pai de família numerosa. Em setembro de 1966 recebeu estigmas da Paixão de Cristo, após ter recebido mensagem profética em abril do mesmo ano. Eis a revelação recebida de Maria Santíssima:

“O homem logo realizará seu nada e será forçado a se ajoelhar. O dia não está longe quando a terra toda será coberta pelo fogo e o mundo abundará de cadáveres. Só um quarto da humanidade sobreviverá” (21).

(21) A.J. Hebert, S.M. Prophecies. The Chastisement and Purification, P.O. Box 309, Paulina, La. 70763, 1986.

Como em Sta. Maria do Jesus Crucificado e Marie-Julie Jahenny, o vidente italiano recebeu a revelação que no flagelo universal, 75% da humanidade seriam aniquilados. Se levarmos em conta que existem 6 bilhões de indivíduos humanos sobre o planeta e se esta população perdurar até o futuro castigo, sobrariam vivos 1,5 bilhão. Destes, muitos morrerão depois de fome e doenças. Eis um dos estipêndios de séculos de desprezo e ódio a Deus Criador e Redentor.

III.15 – CIENTISTA HÚNGARO EXILADO (L.G.A.) EM 1986

De um pescador e marinheiro passemos agora para os oráculos de um cientista húngaro exilado do comunismo, residente nos Estados Unidos. A alma de simples marinheiro, assim como a alma de um homem habituado às árduas labutas intelectuais da pesquisa científica, podem ser igualmente obedientes receptáculos da palavra divina.

Parece-me que a importância particular revelada ao vidente cientista, está na religação dos Três Dias de Trevas às revelações no Antigo Testamento sobre o Dia do Senhor. Isto aliás veremos no Capítulo IV. A mensagem recebida faz inicialmente referência à profecia de Joel II, 28-32 e se desenvolve nestas sentenças:

“Dize a teus irmãos e irmãs, assim fala o Senhor: O tempo está próximo, pois as palavras que Eu Sou Quem Sou pronunciou através Meus profetas estão para ser realizadas. Sim, já recebi o bastante de ofensas da humanidade, pois homens e mulheres, sim, até crianças, que são empurrados infindavelmente contra Minha Divindade, Eu Quem Sou, vosso Deus Trino, Eu falo e anuncio no máximo de solenidade: Estas Minhas palavras pronunciadas pelo profeta Joel estão para se completar agora”.

“A Meus filhos de amor Eu ofereço a consolação de Nosso Espírito Santo, Deus Espírito Santo. A meus filhos errantes estou enviando dias de punição, os dias de Minha justa ira. Sabia que esses dias terríveis estão cheios de Meu amor e compaixão, porque receberei qualquer pessoa que tiver a presença de mente de Me chamar, Quem Sou, com um coração verdadeiramente arrependido”.

“Mergulharei a terra em três dias e noites de trevas e a enviarei para sua crucifixão, assim como fiquei nas entranhas da terra durante três dias e noites após Minha Crucifixão. Quando o Sol se levantar depois desses dias e noites, a terra purificada brilhará como na Minha Ressurreição”.

“Assim que as nuvens tenebrosas fecharão toda a luz, voltai-vos para o interior de vossas almas com o conhecimento de Minha Paz ser vossa, e então, ouvireis Minha Voz vos chamando no vosso silêncio interior. Sabei que Eu Quem Sou está falando convosco” (4).

(4) Albert J. Herbert, S.M. The Three Days’ Darkness, P.O Box 309, Paulina, La. 70763, 1988

A profecia de Joel neste oráculo do cientista húngaro, se deu mais ou menos há dois mil e setecentos e oitenta anos atrás, ao passo que nesta revelação é dito que ela está para se completar agora. Obviamente em termos históricos, este “agora” não é equivalente a eu dizer “agora vou ao banco descontar um cheque”. Um “agora” histórico pode significar dezenas de anos e até um século. Especular sobre datas neste caso é tarefa de homem ocioso, ou profeta de plantão. A presente profecia particular está lavrada num tom muito solene: Deus fala como Aquele que É, ou o Eu Sou Quem Sou, i.e., usando Seu nome revelado a Moisés em Ex. III, 14. Esta solenidade do oráculo é manifestação ontológica da infinitude do ser divino, comunicando ao homem a infinitude do poder de Deus para punir e salvar. Numa época em que os homens fazem tábula rasa do temor de Deus, é inconfundível que nesta mensagem Deus quer despertar nos corações humanos esse mesmo temor Daquele que é Infinito em Seu Ser e alerta que Seu poder para castigar é infinito.

III.16 – MARGARIDA. REVELAÇÕES DE 1970 E 1973

Margarida é pseudônimo de uma vidente belga, esposa e mãe de família. As revelações que ela apresenta, ricas em pensamentos de vida espiritual, incluem a denúncia da apostasia dentro da Igreja, assim como da ameaça de universal punição divina. Como nas profecias do vidente húngaro, ela relata o futuro castigo como sendo o Dia do Senhor. Em 1970 a vidente exibe estas palavras de Deus:

“A minha casa já não é casa de orações, mas sim um lugar de desordem espiritual intensa, onde reina uma falta de respeito sacrílega. A impiedade chegou ao cúmulo”.

“Adiantarei Eu a minha hora para eles e para os que eles convertem às suas heresias?”

“E virá o Meu Dia, o Dia do Senhor. E esse dia verá o triunfo da Minha justiça e do Meu amor”.

“E eis que se levanta o braço de Deus sobre este mundo até aos alicerces”.

“O fogo do céu terá, pois, que descer sobre vós, porque sois surdos e cegos?” (22)

Em dezembro de 1973, mais esta ameaça do Dia do Senhor:

“Os maus esperam o Dia do Senhor, sem receio, porque não acreditam nele, e no entanto este dia virá, mais tarde ou mais cedo, e na hora querida por Mim” (22).

(22) Margarida. Mensagem do Amor Misericordioso às Almas Pequenas, 3ª Edição Portuguesa, Barbosa e Xavier Ltda., Braga, 1982.

RESUMO DESTAS PROFECIAS PARTICULARES

Queda de cometa no oceano (Sta. Hildegarda).

Tsunamis destruindo cidades e países.

Terremotos em muitos lugares.

Tufões arrasadores.

Estrondo aparentemente universal.

Trevas de três dias determinadas por nuvens negras.

Chuva de fogo liquidando com grande número de criaturas. Segundo três dos videntes apresentados, 75% da raça humana serão extintos.

Gases tóxicos na atmosfera.

 

 

CAPÍTULO IV

PROFECIAS BÍBLICAS COMPATÍVEIS COM AS PROFECIAS PARTICULARES CONSIDERADAS NO CAPÍTULO III

O grande castigo descrito em profecias particulares desde o século XII com Sta. Hildegarda e mais numerosamente exibidas a partir do século XVIII, parece ser o que a Bíblia chama de Dia do Senhor. Entretanto, o Dia do Senhor também significa o acontecimento cataclísmico da destruição de toda a Terra e da humanidade na parusia. É o que nos diz São Pedro no Novo Testamento, assim:

“Mas os céus e a terra que agora existem são guardados pela mesma palavra divina e reservados para o fogo no dia do juízo e da perdição dos ímpios…” “Entretanto virá o Dia do Senhor como ladrão. Naquele dia, os céus passarão com ruído, os elementos abrasados se dissolverão, e será consumida a terra e todas as obras que ela contém” (1).

(1) II Pd. III, 7, 10.

Este fogo aqui referido não parece ser o resultado do impacto de algum NEO com diâmetro da ordem de 10 km, como aconteceu há 65 milhões de anos atrás. Tenho impressão de algo a ver com o seguinte fenômeno astrofísico: o Sol, nossa estrela, se transformando numa gigante vermelha. Sabe-se da astrofísica estelar, que uma estrela após consumir 20% de seu hidrogênio, sua atmosfera se expande consideravelmente transformando-se em estrela gigante. Então, o Sol passaria a ocupar todo o espaço em que se encontram os planetas Mercúrio, Vênus, Terra e Marte. Estes planetas seriam derretidos e vaporizados. Creio que isto está consignado nas palavras do Apóstolo: “… os elementos abrasados se dissolverão e será consumida a terra e todas as obras que ela contém”. Isto é o fim da História da Terra e da humanidade. Vejamos agora o Dia do Senhor significando um castigo em determinado momento da história humana, não o fim do mundo e da História.

O profeta Isaías nos fala do Dia da Vingança do Senhor, dia de fogo para liquidar Seus inimigos e poupar Seus amigos. Suas palavras:

“Sou Eu que luto pela justiça e poderoso para salvar”.

“Era Eu que desejava um Dia de Vingança e o Ano da Redenção dos Meus havia chegado”.

“Também na Minha cólera Eu arrasei os povos, na Minha fúria triturei-os, fazendo correr seu sangue sobre a terra”.

“Com esta visão vossos corações pulsarão de alegria e vossos membros se fortalecerão como plantas. O Senhor manifestará a Seus servos Seu poderio, e aos Seus inimigos Sua cólera. Pois o Senhor virá no meio do fogo, com Seus carros semelhantes ao furacão, para satisfazer Sua cólera num braseiro, e cumprir Suas ameaças em chamas ardentes; porque o Senhor fará a justiça de toda a terra pelo fogo e de todo ser vivente pela espada e muitos cairão sob os golpes do Senhor” (2).

(2) Is. LXIII, 1, 4, 6; LXVI, 14-16.

Parece óbvio que se não trata do fim da História, mas de um castigo universal pelo fogo.

Vejamos agora o profeta Joel, que diz isto sobre o Dia do Senhor:

“Estremeçam todos os habitantes da terra, eis que se aproxima o dia do Senhor, dia de trevas e de escuridão, dia nublado e coberto de nuvens”.

“Diante dele um fogo devorador, e atrás, uma chama abrasadora”. “Diante deles treme a terra, os céus vacilam, o sol e a lua se obscurecem, as estrelas perdem o brilho”. “Sim, o dia do Senhor é grandioso e temível! Quem o poderá suportar?”

“Farei aparecer prodígios no céu e na terra, sangue, fogo e turbilhões de fumo. O sol converter-se-á em trevas e a lua em sangue, ao se aproximar o grandioso e temível dia do Senhor. Mas todo o que invocar o nome do Senhor será poupado, porque, sobre o monte Sião e em Jerusalém, haverá um resto, como o Senhor disse; e entre os sobreviventes estarão os que o Senhor tiver chamado” (3).

(3) Jl II, 1, 2, 3, 10, 11; III, 3, 4, 5.

Como se vê, uma punição universal com fogo, trevas e turbilhões de fumo e sobreviventes escolhidos por Deus. Parece evidente aí que Israel será amorosamente poupado nesse flagelo universal. O contexto sugere os oráculos das profecias particulares apresentadas no Capítulo III.

Também o profeta Amós fala sobre o Dia do Senhor nestes termos:

“Ai daqueles que desejam ver o Dia do Senhor! Que será para vós o Dia do Senhor? Trevas e não luz”. “Sim o Dia do Senhor será trevas e não claridade, escuridão e não luz” (4).

(4) Am. V, 18, 20.

No oráculo de Amós, são as trevas que parecem ser a grande nota importante. Parece haver aí algo a se pensar, isto: o fogo mata, mas a escuridão completa leva a alma facilmente ao desespero, que é a morte espiritual.

Exibiremos agora a profecia de Sofonias, que é a seguinte:

“Destruirei tudo sobre a face da terra… farei perecer homens e animais, aves do céu e peixes do mar; exterminarei os ímpios com seus escândalos, farei desaparecer os homens da superfície do mundo, oráculo do Senhor”.

“Ei-lo que se aproxima o grande Dia do Senhor! Terrível é o ruído que faz o Dia do Senhor, o mais forte soltará gritos amargos nesse dia…” “Dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e de névoas espessas… Toda a terra será devorada pelo fogo de Seu zelo, porque Ele aniquilará de repente toda a população da terra”.

“Buscai o Senhor, vós todos os humildes da terra que observais Sua lei, buscai a justiça e a humildade, talvez assim estarei ao abrigo no Dia da cólera do Senhor” (5).

(5) Sof. I, 2, 3, 14, 18; II, 3.

Trevas, nuvens, névoas espessas no Dia da cólera do Senhor, que, parece pelos versículos apresentados, o próprio fim do mundo. Entretanto o último versículo apresenta a possibilidade da preservação dos justos. Isto sugere que o “desaparecimento dos homens da superfície do mundo” é hipérbole para significar grande número, não propriamente a totalidade.

O último dos profetas menores, Malaquias, também teve visões do Dia do Senhor. Diz ele:

“Porque eis que vem um dia ardente como a fornalha. Todos os soberbos, todos os que cometem o mal serão como a palha; este dia que vai vir os queimarão, diz o Senhor dos exércitos e nada ficará: nem raiz nem ramos. Mas sobre vós que temeis o Meu Nome levantar-se-á o Sol de Justiça que traz a salvação em seus raios”.

“Vou mandar-vos o profeta Elias antes que venha o grande e temível Dia do Senhor e ele converterá o coração dos pais para os seus filhos, e o coração dos filhos para os seus pais, de sorte que não ferirei mais de interdito o país” (6).

(6) Mal. IV, 1-2, 5.

Parece claro que o Dia do Senhor não é o fim do mundo, mas um castigo que eliminará os ímpios, e, parte dos justos serão preservados.

Passemos agora para o Novo Testamento, onde no Apocalipse é descrito um castigo semelhante ao do Dia do Senhor no Antigo Testamento. Aqui é chamado de Dia da ira do Cordeiro. O flagelo da ira do Cordeiro aparece na abertura do sexto selo. O livro dos sete selos no Apocalipse simboliza a história da Cristandade que evolui em sete fases. O Dia da ira do Cordeiro, inaugura a sexta e penúltima época da história Cristã, o que significa que a punição da abertura do sexto selo não é o fim da História. Eis os versículos:

“Depois vi o Cordeiro abrir o sexto selo e sobreveio um grande terremoto. O sol se escureceu como um tecido de crina, a lua tornou-se toda vermelha como sangue, os astros do céu caíram na terra como figos verdes que caem da figueira agitada por forte ventania. O céu desapareceu como um pedaço de papiro que se enrola e todos os montes e ilhas foram tiradas de seus lugares. Então os reis da terra, os grandes, os chefes, os ricos, os poderosos, todos tanto escravos como livres esconderam-se nas cavernas e grutas das montanhas. E diziam às montanhas e aos rochedos: ‘caí sobre nós e escondei-nos da face Daquele que está sentado sobre o trono e da ira do Cordeiro, porque chegou o grande Dia da sua ira e quem poderá subsistir?” (7)

(7) Apoc. VI, 12-17.

Aqui como em Joel aparece o Sol se escurecendo e a Lua se tornando vermelha. Não deveriam ambos se tornarem obscuros devido às trevas na Terra? Bem acontece nas descrições bíblicas especialmente voltadas para as profecias, haver multiplicidade de sentidos como aponta Sto. Agostinho em seu Manual de Exegese Bíblica. Suas palavras:

“Quando das mesmas palavras da Escritura são tirados não somente um, mas dois ou vários sentidos – ainda que não se descubra qual foi o sentido que o autor tenha em vista – não há perigo de se adotar qualquer um deles. Sob a condição, porém, de se poder mostrar, através de outras passagens das Santas Escrituras, que tal sentido combina com a verdade” (8).

(8) Sto. Agostinho. A Doutrina Cristã. L. III, Cap. XXVII, 38.

Sto. Tomás baseia-se nesta passagem de Sto. Agostinho a fim de fazer a exegese dos seis “dias” da criação do Gênesis (9).

(9) Sto. Tomás. I S.T. q.68, a.1.

A mim parece claro que a passagem aqui consignada do Apocalipse envolve essa regra exegética. Vejamos. Ao longo do Apocalipse encontramos inconfundivelmente a presença de descrições simbólicas. Há exegetas estultos que insistem em ver nas descrições desse Livro Bíblico de profecias somente descrições de sentido literal. O Pe. Castellani por exemplo, cita certa exegese realizada por um engenheiro católico austríaco que vê em certas passagens do Apocalipse altamente simbólicas, explosões nucleares (10).

(10) Leonardo Castellani. El Apokalypsis, Ediciones Paulinas, Buenos Aires, 1963, Cuaderno III, Postdata

O excerto apocalíptico aqui exibido é um exemplo em que se aplica a regra agostiniana. Parece aí estar presente um sentido literal aliado a um sentido simbólico. Explico-me.

No Apocalipse tais palavras com “céus”, “sol”, “lua” carregam um forte significado simbólico. Os “céus” de modo geral significam a Igreja e as “estrelas do céu” a hierarquia eclesiástica. O “sol” é a fonte da luz da verdade do magistério da Igreja e a “lua”, iluminada pelo “sol” é o poder temporal. A “lua vermelha” simboliza as violências, terrorismo, revoluções nos governos. O Brasil, Oriente Médio, mundo muçulmano, são exemplos do sangue derramado que tornam a lua vermelha. Já o “sol se escureceu” é a ausência da sã doutrina na autoridade eclesiástica mergulhada na apostasia. Os “astros do céu caíram na terra como figos verdes que caem da figueira agitada por forte ventania” simboliza a queda da hierarquia eclesiástica no mundo, compartilhando de todas as impurezas deste, como por exemplo, a pocilga sonora das músicas rock, caipira, forró, músicas pseudo populares fabricadas pelo rendoso show business. Já outros sentidos literais podem aí ser aceitos, como as trevas físicas, grande terremoto do impacto de um NEO e o terror dos ímpios diante de acontecimentos cataclísmicos.

Í N D I C E
Introdução
Capítulo I – Em Rota de Colisão
I.1 – Crateras na Lua em Marte e outros corpos do Sistema Solar. O espaço é inóspito
I.2 – Asteróides, Cometas e os NEOs
I.3 – A extinção em massa no intervalo do Cretácio para o Terciário. A aniquilação dos dinossauros
I.4 – Tsunamis. Exemplos do século XIX ao século XXI
I.5 – Um NEO descoberto em 1989, o Tutatis
Resumo do Capítulo I
Capítulo II (Primeira parte)
– Errôneas Interpretações de Profecias Bíblicas e Falsas Profecias Particulares
II.1 – Exemplos de interpretações errôneas de profecias bíblicas. A importância do critério cronológico
II.2 – Uma célebre impostura: A profecia dos Papas atribuída a S. Malaquias (séc. XI). Jornalistas profetas
II.3 – A profecia do grande monarca iniciada no século IV. Caos de personalidades e datas até o século XX
II.4 – Gioacchino di Fiore e suas fantasias proféticas. A idade do Espírito Santo
II.5 – A impostura de Medjugorje. O bispo local desmascara a coisa
Capítulo II (Segunda parte)
II.6 – Os falsos segredos de la Salette (séc. XIX-XX)
II.7 – O falso segredo de Fátima de 1963
II.8 – Outro falso segredo de Fátima de 1962. Ligação com o de 1963
II.9 – As falsas revelações de Garabandal de 1961 a 1965
II.10 – Abbé Georges de Nantes. “Profecia” para 1983
Resumo das principais falsas profecias
Capítulo III (Primeira parte)
– Revelações Particulares Clássicas. O Grande Castigo de Trevas e Fogo
III.0 – As revelações particulares clássicas são aquelas que não ferem a fé e a moral, além de não encerrarem coisas bizarras, nada de indecoroso, inexistência de violação da cronologia ou das leis naturais
III.1 – Sta. Hildegarda de Bingen (séc. XI-XII)
III.2 – São Domingos (séc. XII-XIII). São Vicente Ferrer (séc. XIV-XV)
III.3 – Irmã Maria da Natividade (+1798)
III.4 – Irmã Mariana das Ursulinas de Blois (+1804)
III.5 – Bem-aventurada Elizabeth Canori-Mora (+1825)
III.6 – Pe. Albert Sauvageau (+1826)
III.7 – Bem-aventurada Anna Maria Taigi (+1837)
III.8 – São Gaspare del Bufalo (+1837)
Capítulo III (Segunda parte)
III.9 – Palma Maria D’Oria Matarelli (+1863)
III.10 – Sta. Maria do Jesus Crucificado (+1878)
III.11 – Marie-Julie Jahenny, estigmatizada de La Fraudais (+1941)
III.12 – Irmã Elena Aiello, estigmatizada da Itália (+1961)
III.13 – Irmã Agnes Sasagawa, Akita, Japão (Mensagem de 13/10/1973)
III.14 – Enzo Alocci em 1966
III.15 – Cientista húngaro exilado (L.G.A.) em 1986
III.16 – Margarida. Revelações de 1970 e 1973
Resumo destas profecias particulares

 

Capítulo IV – Profecias Bíblicas Compatíveis com as Profecias Particulares consideradas no Capítulo III