PRIMEIROS TEMPOS DA INSTRUÇÃO PÚBLICA EM PETRÓPOLIS

José Kopke Fróes

Ao comemorar a cidade mais um aniversário da sua fundação – 16 de março de 1843 – acreditamos ser este um assunto valioso, cuja história ainda não foi escrita e que tem por ponto de partida o relatório do Presidente da Província do Rio de Janeiro, Aureliano de Souza e Oliveira Coutinho, em 1º de março de 1846, a respeito de Petrópolis.

“Em novembro do ano passado fui visitar esta Colônia, em companhia do Mordomo da Casa Imperial, que no cumprimento de ordens de S. M. o Imperador, relativas à povoação de Petrópolis, e ao auxílio e proteção aos colonos, tem mostrado um zelo incansável.

“A presença dos dois delegados do Soberano que iam ver este nascente estabelecimento, e prover as suas mais urgentes necessidades, entusiasmou os colonos, que mostraram seu contentamento entoando hinos de louvor e agradecimento ao Imperador do Brasil, que tão benignamente os acolhia.

“Então, todas estas laboriosas famílias pediram como primeiro benefício serem considerados cidadãos brasileiros, terem escolas para educação de seus filhos, e párocos ou pastores de suas religiões”.

O Major Júlio Frederico Koeler, Diretor da Colônia de Petrópolis desde a instalação da mesma em 29 de junho de 1845, redigiu dois regulamentos, aprovados pelo Presidente da Província, para os trabalhos em geral, e outro para sua direção técnica e administrativa. Por este regulamento, estabeleceu o Diretor a Caixa de Socorros, e instituiu o ensino obrigatório, com a multa de 40 réis em favor da Caixa, a todo colono que não mandasse seus filhos de 7 a 12 anos às escolas, pelo menos três vezes por semana. Criou seis escolas para meninos, duas para meninas exclusivamente, e uma de música.

Quase todas entraram em atividade no começo do ano de 1846, tendo por professores, três cidadãos católicos e três evangélicos, nomeados por Koeler.

Funcionaram a princípio no prédio da Diretoria da Colônia, com exceção de uma, dirigida pelo professor Marlin Dupont, instalada no local conhecido por Duas Pontes, que desde aquela época fica em importante cruzamento de caminhos ou estradas.

Conforme relatório do Major Júlio Frederico Koeler, enviado ao Governo Provincial, referente ao ano de 1846, documento por demais minucioso, ficamos sabendo os nomes dos primeiros mestres petropolitanos, bem assim o número das crianças que freqüentaram as escolas, sendo de notar que no primeiro semestre daquele ano, o número de alunos foi bem maior do que o do 2º semestre, na razão de 402 para 325.

Do quadro de freqüência assinado por Koeler, na parte referente ao 2º semestre de 1846, que está completa, extraímos os dados abaixo na ordem em que constam do documento:

1 – Pedro Jacoby, professor protestante: 25 meninos, 22 meninas, total 47, sendo 19 católicos e 26 protestantes.

2 – Frederico Husch, professor católico: 44 meninos, 22 meninas, no total de 66, sendo 64 católicos e 2 protestantes. Escola mista.

3 – Marlin Dupont, professor católico: 42 meninos e 41 meninas, no total de 83 alunos, todos católicos, a escola de maior freqüência, e que funcionava em Duas Pontes, como já dissemos. Mista.

4 – Augusto Moebus, professor protestante: 54 meninas, sendo 24 da religião católica e 30 protestantes. Escola feminina.

5 – João Guilherme Schmidt, professor protestante: 34 alunos do sexo masculino, sendo 6 católicos e 28 protestantes. Escola masculina.

6 – Teodoro Pausacker, professor católico: 25 meninos, 16 meninas, no total de 41, sendo 22 católicos e 19 protestantes. Mista.

Rigoroso e exigente, embora justo, o Diretor da Colônia, Major Koeler dispensou alguns outros professores, por motivos que constam do seu relatório. Mais tarde, nomeou Henrique Monken e outros, cujos nomes não temos em mão. Anos depois, pelo Presidente da Província do Rio de Janeiro, foi nomeado o cidadão Pedro Corrêa Taborda de Bulhões, o primeiro brasileiro a exercer o magistério público em Petrópolis, de cuja vida colonial participou ativamente, sendo votado para vereador à Câmara Municipal. Aqui nasceu em 1859 sua filha D. Amelia Taborda de Bulhões, casada depois com o Dr. Bento Gonçalves Cruz, mãe do grande cientista brasileiro dr. Oswaldo Gonçalves Cruz, primeiro Prefeito de Petrópolis.

Aqui ficam os primeiros dados para quem quiser escrever a história das escolas públicas petropolitanas a cargo da Província e depois Estado do Rio de Janeiro.

Quanto ao ensino primário municipal, o assunto é bem mais recente. Criada a Prefeitura em Petrópolis no ano de 1916 já apareciam algumas escolas primárias particulares subvencionadas com a ridícula importância de 60 mil réis mensais! Até o fim do ano de 1927, as coisas permaneceram assim! Pela Deliberação número 180 de 1º de dezembro do mesmo ano de 1927, sancionada pelo grande Prefeito Dr. Antonio Joaquim de Paula Buarque, a situação foi modificada, de acordo com o Artigo 131: “Como medida inicial à nova organização do Ensino Municipal fica o Prefeito autorizado a criar 20 escolas e subvencionar 10″.

Pelo ato nº 14 de 25 de fevereiro de 1928, o Prefeito Paula Buarque criou as primeiras 7 escolas municipais, com a denominação dos locais em que iriam funcionar: Siméria – Fazenda Inglesa, no 1º Distrito – Gambá, no 4º Distrito – Águas Claras – Santa Fé e Parada Moreli, no 5º Distrito. Pelo mesmo Ato foram nomeados os primeiros professores, habilitados em concurso: Maria de Lourdes Velasco de Oliveira – Saturnino Pereira Dias – Álvaro Paulo Castanheda Filho – Charaydes Alvim Morais – Maria Emilia Pereira Esteves – Eduardo Tiago da Silva.

Pelo Ato nº 17 foi criada a Escola de Secretário e nomeada professora Isabel Imbeloni Braga, falecida há pouco mais de um ano. Posteriormente: Teresa Serpa para Escola de Tubarão, Cecília Almeida Melo para Escola de Benfica, seguindo-se algumas outras novas escolas e novos professores, sendo que o início das aulas foi marcado para 1º de março de 1928.