AO AMIGO CALAU

Fernando de Souza Costa, associado titular, cadeira n.º 19, patrono Galdino Justiniano da Silva Pimentel

Na parte da manhã tenho o hábito de recitar o terço e a Liturgia Diária. E na manhã de quinta-feira, ainda não havia terminado a leitura do Evangelho Segundo São João e a campainha do telefone tocou . Era a colega de turma Julia Shaefer que estava na linha. É um prazer renovado cada contato com essa amiga que por mais de quarenta anos preservo na lembrança e no coração já que fizemos parte da mesma turma da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Petrópolis desde 1970.

E logo ao bom dia e pedido e notícias de ambas as partes veio a informação que causou perplexidade e silêncio: nosso amigo Calau ou Carlos Alberto da Silva Lopes faleceu na madrugada desta quinta – feira! Nesse momento a voz estremeceu, ficou rouca, cessou tudo. Aos poucos fomos nos inteirando e nos cientificamos do velório realizado na Câmara Municipal de Petrópolis de cuja Casa do Legislativo Municipal Calau Lopes fora Vereador e Presidente, com sepultamento às 17h.

Pois é, amigo Calau, nós que por tantas vezes em grupo estudamos nos tempos universitários, convivemos com seu jeito alegre, sua eloqüência, aprendemos a admirar o artista, o político, o pensador, o sociólogo, o idealista que trazia na bagagem tantos atributos, planos e projetos a realizar.

Sua transição é mais uma lição a que exercitemos a simplicidade, a humildade, a vigilância e o amor à vida porque não nos cabe determinar a hora do dormicio, mas sim ao Criador de todas as coisas e criaturas. Tudo passa, estamos aqui temporariamente, somos meros usufrutuários desta terra e por mais que saibamos disso reincidimos sempre, talvez por nossa fragilidade humana e limitações advindas do pecado adâmico ou original.

Uma irreparável lacuna se abre junto a nossos Colegas Advogados que está a completar 37 anos de formatura e, sucessivamente na política, Instituições Culturais a exemplo do Instituto Histórico de Petrópolis, Terceira Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil onde era Conselheiro, nos movimentos teatrais e artísticos, enfim, uma voz se cala e um vazio toma conta do universo. Resta-nos a certeza da vida eterna prometida por Jesus Cristo na presença da doce Mãe dos Céus aos pés da Cruz e que “há um tempo certo para todas as coisas debaixo do céu. Tempo de nascer, tempo de morrer” (Eclesiástico 3:12). Mas não percamos de vista que “nosso Deus é o Deus da vida” (1Cor.13). Cristo venceu a morte e Ele nos prometeu a vida. Nós cremos e por isso resta-nos a certeza de que as palavras de São Paulo, em 2 Timóteo 4:7, aplicam-se ao amigo Calau: “Combati o bom combate, cumpri o meu dever e não perdi a fé.” Cum Christo in pace, amigo!.