VOCÊ CONHECE O TRONO DE FÁTIMA?

Fernando de Souza Costa, associado titular, cadeira n.º 19, patrono Galdino Justiniano da Silva Pimentel

Visitar Petrópolis e não conhecer o Trono de Fátima, é o mesmo que estar no Rio de Janeiro e não ir ao Corcovado. Lá, está erigido o monumento em honra ao Cristo Redentor. Belos símbolos de nossa fé, viva expressão e reverências. Ambos foram edificados no alto da montanha. O filho Redentor embeleza a Cidade Maravilhosa e a Doce Mãe de Deus abençoa e adorna Petrópolis. É um convite não só à contemplação artística, mas ao reavivamento de nossa confiança, à conversão, à concórdia e à união fraterna entre os povos.

Nesse diapasão, o Trono de Fátima, vive em todos os dias 13 de cada mês um clima de festa e orações, culminando com a Sagrada Eucaristia oficiada pelo Revmo. Frei Abílio e presença maciça da Congregação Mariana, que existe desde 08/12/1915, portanto, às vésperas de completar 95 anos, ora presidida por Vanilton Miranda, com vasta folha de serviços prestados e contando com a diligente direção e abnegados Congregados.

Dentre os inúmeros louvores, um em particular merece realce. É ao Frei João José, que desfruta do Cânon Celestial e de quem falaremos obedientes ao percuciente relato do Fr. Constantino Koser (V.F.nº 30-06/63) e depoimentos de vários Congregados que na Instituição permanecem desde sua fundação, enriquecendo esta justa homenagem.

Frei João José Pedreira de Castro, nasceu em Petrópolis aos 26/07/1896 e ingressou na Ordem dos Frades Menores (OFM), aos 13 anos de idade, seguindo logo para Itu, SP, junto aos Padres Jesuítas.

Retorna à Petrópolis, no final de 1918, com objetivo de concluir seus estudos no Convento do Sagrado Coração de Jesus, aqui permanecendo no exercício das funções de professor de idiomas. Ordenado Sacerdote em 1920, partiu para a Alemanha em 1921, a fim de concluir seus estudos em Ciências Bíblicas. Em 1924 foi surpreendido por uma junta médica, que em síntese apresentou-lhe um laudo onde deixavam transparecer que ele não teria mais que seis meses de vida, pois encontrava-se gravemente enfermo e com alto grau de diabetes.

Mais uma vez retorna ao convívio do Convento do Sagrado Coração de Jesus e, ao lado da Congregação Mariana da Anunciação, descobriu que teria uma missão a ser cumprida, para o bem da Igreja de Cristo, alegria do povo de Deus e para gáudio das artes.

Em 1940 construiu o Teatro Mariano, onde dita Instituição está instalada até à presente data.

Lá, bem alto na colina, idealizou também a construção do Trono de Fátima. Providenciou o projeto, isso em 1947. Além de seu espírito empreendedor, era também homem de raras virtudes e exímio intelectual, tanto que foi um dos tradutores da Bíblia Ave-Maria. Era dotado de profundo carisma, buscava dialogar com todas as denominações religiosas, vencendo barreiras, abrindo caminhos e inúmeras vezes ouviu-se entre os vários segmentos sociais e religiosos que Frei João José foi um dos precursores do Concílio Vaticano Segundo.

Faleceu em 1962 e deixou saudades que estão orvalhadas nas flores que enfeitam sua imagem que adorna a Capela erigida no Trono, onde principalmente nos dias 13 de cada mês, unimo-nos para reverenciar a memória de Sua Exa. Revma, recebendo os eflúvios da Santíssima Virgem de Fátima, vivendo as bênçãos Pascais.

E no mês de maio, o Trono se engalana, porque o Santuário permanece em vigília consagrando todos os momentos à Maria. Estamos pois, a poucos dias de revivermos tão singular momento de fé sob o manto protetor de Maria Santíssima. Espelhemo-nos neste modelo e Ícone da Igreja, miremo-nos mais que nunca, na Mãe da Humanidade, símbolo de serviço e de apostolado. Sigamos a estrela, como fizeram os Reis Magos, os Pastores, os Anjos e os Santos. Perseveremos no devotamento de Frei João José, no amor filial a Jesus Uno e Trino e na Virgem de Sião, que é o Sacrário do Espírito Santo, o “Speculum Justitiae” e nossa luz. Seguindo os passos dos Santos e com Jesus, através de Maria, estaremos seguros “e ainda que passemos pelo vale das sombras, nada temeremos”.