SOCIEDADE AMIGOS DE PETRÓPOLIS

 

Maria de Fátima Moraes Argon, Associada Titular, Cadeira n.º 28 – Patrono Lourenço Luiz Lacombe

 

“Problemas de Petrópolis” é o título sugestivo do folheto publicado,em 1948,pela Sociedade Amigos de Petrópolis e impresso pelo Jornal do Commercio, composto de cinco matérias, a saber: I- Sociedade Amigos de Petrópolis; II- Trasladação dos despojos da Princesa Isabel e do Conde d’Eu para a Catedral de Petrópolis; III- Patronato Princesa Isabel; IV Sociedade Petropolitana Protetora dos Animais (S.P.P.A.) e V- Jockey Club de Petrópolis.

Nesse artigo nos ocuparemos da Sociedade Amigos de Petrópolis, que segundo o Jornal do Commercio, na edição de 25-26/03/1946, teve a reunião de sua fundação e instalação realizada no dia 24 de março de 1946, na residência do professor Chryso Fontes, na Independência, idealizador do movimento, durante a qual foi eleita uma diretoria provisória composta de Antenor de Resende, presidente; Pedro Brando, vice-presidente; Geraldo Mascarenhas da Silva, secretário; Chryso Fontes, tesoureiro e Beatriz Roquete-Pinto Bojunga, assistente encarregada de dirigir e orientar os destinos sociais até a eleição da diretoria definitiva.

A Sociedade Amigos de Petrópolis nas palavras do seu presidente Antenor de Resende:

Era uma associação civil sem cor política, possibilitando, assim, a reunião de elementos de todas as correntes partidárias, como de elementos apolítico, em torno dos interesses da linda cidade serrana e dos problemas de que dependa o seu progresso.

Várias personalidades da sociedade compareceram à reunião como o Prefeito Álvaro Corrêa Bastos Júnior que governou a cidade de 01/03/1946 a 19/03/1947; o deputado federal Eduardo Duvivier; o diretor do Museu Imperial Alcindo de Azevedo Sodré;o ex-prefeito de Petrópolis Márcio de Mello Franco Alves;o industrial Zulfo Mallman; o secretário-geral de Finanças da Prefeitura do Distrito Federal Pascoal Ranieri Mazzilli; o industrial Camilo Atílio Filho;comandante Thiers Fleming;coronel Costa Neto;o vereador e médicoNelson Sá Earp;o jornalista Chermont de Brito;os médicos Silvio de Abreu Fialho, Rodolpho Luiz Figueira Melo, Paulo Figueira de Mello, Waldemar da Silva Bojunga e Arthur Sá Earp Neto; o jornalista Vasco Lima; José Aires Cerqueira Lima; o industrial Augusto Maria Martinez Toja; o bibliotecário José Kopke Fróes; os empresáriosJoão Augusto Alves e João Carlos Backheuser;o deputado federal Mario Altino Correia de Araújo; Armando Lima; Al. Camacho; Ipanema Moreira; Carlos Perry; Pedro Eduardo Duvivier; Maurício Morand;José Montenegro; Antônio Caetano Silva; Mário Pinheiro e Arthur Rocha.

Dias depois, em 9 de abril de 1946, a Tribuna de Petrópolis publicou uma carta assinada “Um Constante Leitor”, na qual o autor observa que sendo todos os membros da Diretoria “veranistas” e moradores do Rio de Janeiro havia, segundo ele, a necessidade de duas sedes, uma no Rio e outra em Petrópolis. Acrescenta que a ausência de moradores de Petrópolis na Diretoria podia ser resolvida com a criação de um “Conselho” composto de 10 membros no máximo e de uma “Comissão de Propaganda”, com cinco membros. Para o Conselho, sugere os nomes de João Augusto Alves, Alcindo Sodré, Nelson Sá Earp, Eduardo Duvivier e Marcio Alves; para a Comissão: Vasco Lima, José Fróes e Chermont de Brito. No final propõe que constem do programa o seguinte: “1) Fundação do Patronato de Menores (de Tribuna de Petrópolis e do Dr. Nelson Sá Earp); 2) Criação da “Universidade de Petrópolis” (Dr. Celso Kelly); 3) Terminação das obras da Igreja-Matriz e construção, nela, do mausoléu para a Princesa Isabel e o Conde d’Eu, ao lado do de D. Pedro e D. Teresa Cristina, conforme o projeto do escultor Leão Veloso (Dr. Alcindo Sodré e Comandante Thiers Fleming).

A Sociedade Amigos de Petrópolis arrecadou a quantia de CR$ 297.800,00 e a distribuiu entre as seguintes instituições: Patronato de Menores Princesa Isabel, Sanatório Infantil de Nogueira, Hospital Antonio Fontes, Patrimônio da Instrução Pública do Município de Petrópolis e Delegacia de Polícia de Petrópolis.

Além dessa quantia, o Presidente Antenor de Rezende fez, em seu nome,a doação de CR$ 50.000,00 ao Patronato de Menores Princesa Isabel e CR$ 50.000,00para as obras da Delegacia de Polícia. O Patronato de Menores Princesa Isabel recebeu ainda a doação de: CR$ 25.000,00 de Antonio Lartigau Seabra; CR$ 5.000,00 de Osmar Radler de Aquino e CR$ 2.000,00 de Luiz Pinto Thomaz.

A escassez de informações nos leva a crer que a Sociedade Amigos de Petrópolis teve uma vida curta, tal como sucedeu com a Associação dos Amigos de Petrópolis criada, em 15 de dezembro de 1940, pelo veranista João Augusto Alves, proprietário de um prédio na Rua Cardoso Fontes, nº 88, em Petrópolis, que exercia o cargo de Presidente do Centro do Comércio e Indústria do Rio de Janeiro.

A última notícia foi encontrada na Tribuna de Petrópolis, em 18 de junho de 1948, que dizia que a sede da Sociedade Amigos de Petrópolis seria no Museu Imperial e que naquele mesmo dia seria realizada uma reunião, na qual compareceria o prefeito Flavio Castrioto a fim de assentarem um vasto plano de realizações.

Anteriormente na cidade havia sido fundada a União dos Amigos de Petrópolis em 4 de setembro de 1931, sobre a qual se desconhece a sua história, mas que certamente tinha o mesmo objetivo da Associação dos Amigos de Petrópolis (1940) e da Sociedade Amigos de Petrópolis (1946), que era promover e colaborar para o progresso da cidade.

Em fevereiro de 1934, a Sociedade de Amigos de Alberto Torres fundada no Rio de Janeiro em 1932, que tinha como principal objetivo a discussão dos problemas nacionais à luz do pensamento de Alberto Torres, criou na cidade de Petrópolis o Bosque Major Koeler, em terreno situado no alto da Av. D. Pedro I, contornado pela Praça Monte Real. Ação motivada certamente pela ligação de Alberto Torres (1865-1917) com a cidade, ele cumpriu o triênio 1898/1900 como presidente do estado em Petrópolis, então capital fluminense; durante seu mandato foi inaugurado em 15 de março de 1899, funcionando até 1902, o Ginásio Fluminense que teve mestres como Silva Ramos (1853-1930) e Raimundo Corrêa (1859-1911).

A Associação dos Amigos de Petrópolis foi extinta, mas a ideia ressurgiu na reunião realizada no dia 24 de março de 1946, na residência do professor Chryso Fontes, na Independência, contando com a presença de João Augusto Alves, Vasco Lima e de outras personalidades, que culminou na fundação da Sociedade Amigos de Petrópolis.

Foi nessa década de 40 que surge a Associação dos Amigos do Bairro da Castelanea, fundada em janeiro de 1943, provavelmente a primeira associação de bairro na cidade de Petrópolis.