COLONO LAHR E NAPOLEÃO BONAPARTE (O)

 

Ricardo Pereira Amorim, Associado Titular, Cadeira n.º 39 – Patrono Walter João Bretz

 

No artigo “Relembrando alguns colonos e os esquecidos Quarteirões” [1],

[1] Artigo publicado na Tribuna de Petrópolis, em 26/08/2001. Disponível no site do IHP.

Paulo Roberto Martins de Oliveira registra que Christian Lahr, 72 anos, dono do prazo de terra nº 3602 do Quarteirão Woerstadt, através do Dr. Thouzet, solicita ao Ministro da Legação Francesa, residente em Petrópolis, a Medalha Santa Helena, exclusiva dos ex-combatentes do Grande Exército Imperial Napoleônico. Lahr recebeu mais de 26 ferimentos em batalha perto de Ratisbonne ou Regensburg (Jornal O Parahyba 11/02/1858). O Colono, ex-militar, recebia pensão de 60$000 Réis do Grão Ducado de Hesse-D’Armstadt; falecendo em 1º de agosto de 1858. Existia um prazo para tal solicitação, que foi prejudicado devido às revoltas em Paris, naquele período, que destruíram os arquivos da Legião de Honra (com muitas fichas, solicitações e cartas destruídas), falecendo Christian Lahr antes de poder fazer nova solicitação.

A partir do relato de Lahr e de documentos sobre atividades militares do Grão Ducado de Hesse-D’Armstadt, verifica-se que o Regimento de Cavalaria Ligeira atuou na Campanha de Regensburg entre 19 de abril e maio de 1809. Através dos registros de baixas, presume-se que Lahr era um suboficial ou soldado (Martinien, Aristide. Tableaux, par corps et par batailles, des officiers tués et blessés pendant les guerres de l’Empire 1805-1815); já os registros do Grão-ducado não são localizados após a unificação das duas Alemanhas, em 1989.

Hesse-Darmstadt, berço do Major Koeller, era aliada da França, cujas tropas, sejam infantes ou cavalarianos, eram enaltecidos pelo Marechal Lasalle, como seus “Infatigáveis Hessianos, tão ativos no trabalho, assim como sob fogo”; cuja cavalaria era uma das 5 melhores da época, segundo o autor George Nazfiger. Houve várias ações dos Cavalarianos de D’Armstadt próximas a Regensburg (Ratisbonne): a Batalha Eckmühl (21- 23 abril, com atuações em Neumarkt também), o Combate de Neumarkt (2 de maio, com 2 mortos e vários feridos) e a épica Batalha de Essling (20-21 de maio, quando os corajosos cavalarianos atacaram a artilharia inimiga, com vários mortos e feridos). O espírito intrépido destes cavalarianos faz o General Marulaz, escrever ao comandante dos cavalarianos Hessianos, Major von Münchingen: “Sr. Major, notifiquei ao Sua Excelência Duque de Istria a conduta distinguida do grupamento que vós comandastes durante o combate de Feichten, perto Neumarkt em 22 de abril; e fiz conhecer à sua Excelência o Marechal Comandante em Chefe, que apesar de vosso ferimento, mantivestes a vontade de continuar a campanha e comandar vosso regimento. Eu requisitei para vós a águia da Legião de Honra, e espero que Sua Majestade, satisfeito com o vosso serviço distinto, concordará com o meu pedido. Eu mesmo, durante uma entrevista com o Imperador, expus a particular satisfação de ter recebido o regimento de Chevau-Légers Hessiano da Guarda”, (Campagne de 1809 en Allemagne et en Autriche, du Commandant Charles Gaspard Louis Saski). Em 23 de abril, o Marechal Bessières (Duque de Istrie) escreve a Napoleão tecendo elogios à atuação dos Hessianos conjuntamente com outro regimento francês; os Hessianos faziam parte da Divisão Carra Santa Cyr, comando do General Marulaz, parte do IV Corpo do Grande Exercito (Marechal Massena).

Em 30 de abril de 1809, Napoleão Bonaparte passa em revista a tropa e condecora pessoalmente o Comandante, um tenente e um suboficial; em 2 de junho, esta unidade recebe um prêmio do Imperador por bravura em batalha.

As evidências mostram que Petrópolis tem a honra de ter um herói das Guerras Napoleônicas sepultado em seu solo, motivo de orgulho para seus descendentes e para a cidade.